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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 5, 33-39)

Naquele tempo, os fariseus e os mestres da Lei disseram a Jesus: “Os discípulos de João, e também os discípulos dos fariseus, jejuam com frequência e fazem orações. Mas os teus discípulos comem e bebem”. Jesus, porém, lhes disse: “Os convidados de um casamento podem fazer jejum enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, naqueles dias, eles jejuarão”.

Jesus contou-lhes ainda uma parábola: “Ninguém tira retalho de roupa nova para fazer remendo em roupa velha; senão vai rasgar a roupa nova, e o retalho novo não combinará com a roupa velha. Ninguém põe vinho novo em odres velhos; porque, senão, o vinho novo arrebenta os odres velhos e se derrama; e os odres se perdem. Vinho novo deve ser posto em odres novos. E ninguém, depois de beber vinho velho, deseja vinho novo; porque diz: o velho é melhor”.

A questão do jejum (cf. Mt 9, 14-17; Mc 2, 18-22; Lc 5, 33-39). — Mt 9, 14: Então, os discípulos de João (Marcos acrescenta: e os fariseus; Lucas: os fariseus e os mestres da Lei), dirigindo-se a Ele, perguntaram: Por que jejuamos nós e os fariseus, e os teus discípulos não? Perguntam-no os discípulos de João, movidos por rivalidade própria e, talvez, pela dos fariseus, a) ou porque Cristo não impusera aos discípulos um jejum especial, como os fariseus e o próprio João, b) ou porque, talvez, no mesmo dia em que se celebrava o banquete na casa de Levi (cf. Mt 9, 10; Mc 2, 15; Lc 5, 29), eles, por devoção privada, estavam de jejum (o que costumavam fazer às segundas e quintas-feiras).

A isto responde Cristo convenientemente: agora o jejum seria intempestivo e, além do mais, nocivo, o que Ele explica com quatro belas e elegantes parábolas.

a) Os filhos do esposo (cf. Mt 9, 15; Mc 2, 19s; Lc 5, 34s):

α) Imagem. — Enquanto dura o tempo das bodas, não convém que os convidados jejuem; do mesmo modo, é indecoroso que os discípulos, enquanto estão na companhia de Cristo, se macerem de jejuns e obras de penitência. Após a ida dele, será tempo de jejuar e chorar. — Os filhos do esposo (em Marcos, “filhos das bodas”: lt. filii nuptiarum; gr., nos três evangelistas, οἱ υἱοὶ τοῦ νυμφῶνος, isto é, os filhos do tálamo ou do cubículo nupcial; hebr. benê chuppa), eram uns adolescentes convidados para as bodas, em companhia dos quais ia o esposo ao encontro da esposa com pompa festiva e alegre [1].

β) Sentido espiritual. — A permanência do Verbo encarnado entre os homens é certo tempo de bodas (cf. Sl 44 e Ct), no qual têm os convidados por único dever desfrutar da presença do Esposo e em tudo lhe fazer a vontade; mas dias virão em que lhes será tirado (ἀπαρθῇ, alusão à morte de Cristo) o esposo, e então eles jejuarão, isto é, terão luto e tristeza pelas tribulações iminentes e pela ausência de Cristo.

b) Retalho novo em roupa velha (cf. Mt 9, 16; Mc 2, 21; Lc 5, 36): 

α) Imagem. — Ninguém põe um remendo (gr. ἐπίβλημα; lt. vulg. assumentum) de pano novo (ἀγνάφου = ainda não apisoado) numa veste velha, porque arrancaria uma parte (gr. πλήρωμα; lt. plenitudinem) da veste, quer dizer, quando se molhar, irá contrair-se e rasgará ainda mais a veste, e o rasgão ficaria pior do que antes. Marcos o diz com mais clareza: do contrário, o remendo arranca o novo pedaço (πλήρωμα) da veste usada e torna-se pior o rasgão. A mesma idéia, um pouco modificada, apresenta S. Lucas: Ninguém tira retalho de roupa nova para fazer remendo em roupa velha; senão vai rasgar a roupa nova, e o retalho novo não combinará com a roupa velha.

β) Sentido espiritual. — Da questão sobre o jejum ergue-se Cristo para um mais amplo e profundo argumento, a saber: para o espírito da Nova Lei, isto é, do Evangelho, na medida em que se opõe, segundo a interpretação dos fariseus, ao rigor e às múltiplas observâncias da Velha. O remendo de pano rude (pannus rudis) é a Lei mosaica. Não tentem pois unir as duas coisas, porque não se podem consorciar.

c) Vinho novo em odres velhos (cf. Mt 9, 17; Mc 2, 22; Lc 5, 37s): 

α) Imagem. — Não se coloca tampouco vinho novo em odres velhos; do contrário, por ser o vinho novo mais forte, os odres se rompem, o vinho se derrama e os odres se perdem. Coloca-se, porém, o vinho novo em odres novos etc. — Os palestinos e, de modo geral, os orientais transferiam o vinho do lagar, antes de ter-se completado a fermentação, para cântaros (dolia) feitos de barro ou madeira, ou também, com frequência, para odres feitos de pele de cabra, ovelha e, mais raramente, de asno e camelo. Se o vinho ainda não totalmente fermentado for guardado em odres velhos, isto é, desgastados pelo uso e pela fricção, é evidente que tanto o vinho quanto os odres vão-se perder.

β) Sentido espiritual é o mesmo da parábola precedente: o novo espírito que o Messias veio trazer não há de ser coarctado àquelas formas antigas, não deve nem pode ser aprisionado naquelas leis estreitas que constituíam o jugo e a servidão da Lei.

d) Vinho novo e vinho velho (cf. Lc 5, 39): 

α) Imagem. — E ninguém, depois de beber vinho velho, deseja vinho novo; porque diz: o velho é melhor, isto é, quem está acostumado ao vinho velho, que é sempre mais suave e agradável, se recusa a beber do novo, que é mais acre e áspero ao paladar.

β) Sentido espiritual. — Alguns autores põem o ponto da comparação na qualidade, isto é, na bondade do vinho; e dado que o vinho velho é melhor do que o novo, pensam que se está comparado a austeridade dos fariseus com o vinho novo e a suavidade de Cristo com o vinho velho; mas esta interpretação parece pouco provável, já que atribui o conceito de “velho” à Lei nova, e o de “novo” à velha, contra aquilo que foi feito nas parábolas anteriores. — A mais provável parece ser a sentença comum dos expositores, que põem o ponto de comparação, não na bondade do vinho, mas no gosto dos que bebem. O vinho velho, portanto, é a Lei velha, e os que estão acostumados a ela, como os fariseus e os discípulos de João, apenas a contragosto se agradarão com a nova doutrina de Cristo. Trata-se, portanto, de certa escusa para a relutância e pertinácia com que os judeus se aferravam às tradições dos antigos [2].

Referências

  1. Estes “filhos do esposo” (benê chuppa) não se devem confundir com os “amigos do esposo” (hebr. shoshbînîn; gr. παρανυμφίοι) de que se fala em Jo 3, 29, que eram apenas dois (ao menos na Judeia) e gozavam de maior familiaridade, mesmo no que dizia respeito apenas ao casal.
  2. O texto desta homilia é uma versão levemente adaptada de H. Simón, Prælectiones Biblicæ. Novum Testamentum. 4.ª ed., iterum recognita a J. Prado. Turini: Marietti, 1930, vol. 1, p. 289ss, n. 191s.
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