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Santo Inácio e o método para mudar de vida

O homem foi criado para um único e supremo fim: louvar e adorar ao Senhor Deus para, servindo-o neste mundo, alcançar no outro a salvação eterna. Se não tivermos isso bem claro, a nossa vida será um completo e retumbante fracasso.

Texto do episódio
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 13, 54-58)

Naquele tempo, dirigindo-se para a sua terra, Jesus ensinava na sinagoga, de modo que ficavam admirados. E diziam: “De onde lhe vem essa sabedoria e esses milagres? Não é ele o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? E suas irmãs não moram conosco? Então, de onde lhe vem tudo isso?” E ficaram escandalizados por causa dele. Jesus, porém, disse: “Um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família!” E Jesus não fez ali muitos milagres, porque eles não tinham fé.

Com grande alegria, celebramos hoje a memória de Santo Inácio de Loyola, o fundador da Companhia de Jesus e, sobretudo, o autor dos Exercícios Espirituais. Esta, mais do que uma obra, é um método de como “desentortar” a vida.

Vemos, nos ensinamentos de muitos santos, verdadeiros caminhos para o progresso na vida espiritual. Santa Teresa d’Ávila, por exemplo, apresenta-nos as Moradas e os diferentes estágios da vida interior; São Francisco de Sales, por sua vez, ensina-nos sobre a vida devota, vivida em meio aos deveres próprios de cada estado de vida; e assim poderíamos citar tantos outros. De modo geral, os santos que se dedicaram a compreender o progresso espiritual falam de um estágio em que a pessoa já tomou consciência e, ao menos nesse sentido, tomou posse daquilo que constitui a finalidade da própria vida.

Contudo, Santo Inácio, que viveu no início da era moderna — e fora, antes de sua conversão, bastante mundano —, notou que não adiantava ficar falando para as pessoas sobre os estágios mais avançados da vida espiritual se não houvesse um método, com “exercícios espirituais”, para fazer com que a pessoa desentortasse a sua vida.

Para usar uma regra filosófica em que Santo Tomás insiste muito: um pequeno erro no princípio termina sendo um grande erro no fim. Se o avião parte, mas o piloto digita um pequeno erro, meio grau fora da rota, depois de algumas horas de viagem, vai terminar num lugar completamente diferente, distante daquele ao qual ele se destinava.

Pois bem, nós vivemos num tempo em que as pessoas, como Martas agitadas, não entendem que é necessário ter uma finalidade na vida, a qual, em seus Exercícios Espirituais, Santo Inácio chama de “princípio e fundamento”. Ele diz: “O ser humano é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus, Nosso Senhor, e assim salvar-se”. Essa é a finalidade de termos sido criados: amar a Deus, e com isso nos salvar.

Então, uma vez que sabemos qual é a finalidade de nossas vidas, agora temos de entender uma segunda verdade: como o ser humano foi colocado no centro da Criação, “as outras coisas devem servir a nós e nos ajudar a atingirmos o fim para o qual fomos criado”. Ou seja, todas as criaturas servem a nós para que nós sirvamos a Deus.

Santo Inácio, por fim, conclui dizendo que devemos nos aproximar dessas coisas se elas nos ajudarem a nos aproximarmos de Deus, e devemos nos afastar delas, se elas nos impedirem de nos unirmos a Deus.

Portanto, Santo Inácio criou os Exercícios Espirituais exatamente para desentortar vidas, ou seja, para fazer com que os seres humanos que estavam com a vida toda torta — a cada hora procurando uma finalidade diferente, uma razão de ser diferente — pudessem se endireitar e entendessem que precisam de uma meta clara e verdadeira. É aquilo que Jesus disse a Marta: “Marta, um só é necessário”. Existe um “Unicum Necessarium”. Santo Inácio explicita isso nos Exercícios Espirituais, dizendo: “Amar e servir a Deus e com isso salvar-se”. Estamos aqui de passagem; viemos para o Céu. Porém, nós nos esquecemos disso, e por isso ficamos como birutas, sem saber para onde ir.

Muitas pessoas querem crescer espiritualmente, mas ficam estudando os estágios posteriores da vida espiritual, preocupadas com um detalhe ou outro, e não se dão conta de que, antes dessa preocupação — que, de fato, é importante — é preciso saber para onde se está indo.

Se não desentortarmos a nossa vida, até mesmo a tentativa de crescermos espiritualmente será somente uma vaidade que irá nos levar para longe de Deus. Por isso, coragem! Examinemos nossa vida e vejamos se ela não está longe do princípio e do fundamento. Que Santo Inácio interceda por nós.

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