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A evangelização e a libertação das amarras de Satanás

Mantendo-se sempre fiel ao Evangelho e à sã doutrina, José de Anchieta soube traduzir à índole de nossa gente o tesouro perene das verdades cristãs, ciente de que é só em Cristo que o homem pode ter a esperança de ser salvo.

Texto do episódio
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 5, 13-16)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus”.

Com grande alegria, celebramos hoje a memória de São José de Anchieta, grande apóstolo de nossa terra, e o Evangelho que Igreja nos propõe, na continuação do Sermão da Montanha, traz estas palavras de Jesus: “Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo” (cf. Mt 5, 13-14). Olhar para São José de Anchieta à luz desse Evangelho é compreender não apenas a sua vida, mas também a vida que nós somos chamados a viver.

Em primeiro lugar, é importante recordarmos que Jesus não dirige essas palavras a todos os seres humanos indistintamente. Antes de dizer: “Vós sois o sal da terra” e “Vós sois a luz do mundo”, Ele proclama as Bem-aventuranças e volta-se para os seus discípulos, dizendo: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus. Do mesmo modo perseguiram os profetas que vieram antes de vós” (Mt 5, 11-12).

É a esse “vós” que Jesus se refere: aqueles que creem n’Ele e aceitam ser perseguidos por amor ao seu Nome. Em seguida, Nosso Senhor declara: “Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens” (Mt 5, 13). Aqui, então, encontramos uma realidade fundamental: quando os cristãos se configuram ao amor de Cristo, tornam-se sal da terra e luz do mundo. 

Ao comentarmos o Evangelho das Bem-aventuranças, vimos que elas são como uma radiografia íntima do Coração de Jesus, e é justamente esse coração que Ele deseja formar em nós. Nosso Senhor veio a este mundo com um desejo ardente de evangelizar, anunciar a Boa-Nova, levar a Verdade e arrancar-nos das trevas do erro e da mentira, iluminando-nos e libertando-nos pela sua santa doutrina. Foi desse modo que Ele iniciou sua vida pública. Depois de ser batizado por João Batista, entrou na sinagoga, tomou o rolo do profeta Isaías e proclamou: “O Espírito do Senhor está sobre mim. Ele me enviou para evangelizar” (Lc 4, 18).

Logo, Cristo veio para nos ensinar e para nos retirar do erro, a partir do qual se iniciou a nossa desgraça. Por meio da mentira de Satanás — a antiga Serpente —, nossos primeiros pais se desviaram da voz de Deus, o verdadeiro Mestre e Senhor, e toda a humanidade foi aprisionada. Então, para libertar-nos desse engano e dessa escravidão, Jesus veio “evangelizare pauperibus”, ou seja, evangelizar os pobres, esta humanidade ferida e mergulhada no pecado. 

Eis o Coração ardente de Jesus! E este também foi o coração de São José de Anchieta, o qual, como grande missionário, lançou-se incansavelmente ao serviço da evangelização. Atravessou o oceano, embrenhou-se por nossas matas, escalou montanhas e enfrentou inúmeros perigos físicos, que poderiam tirar-lhe a vida, e perigos espirituais, que poderiam tentá-lo e desviá-lo da sua missão. Contudo, configurado a Nosso Senhor e movido pela caridade, ele veio anunciar a Verdade e libertar as populações indígenas brasileiras das garras da ignorância, das correntes de Satanás e dos enganos da antiga Serpente, tornando-se verdadeiro “sal da terra e luz do mundo”. Essa é a identidade do Coração de Cristo; essa é a identidade dos missionários de Cristo; essa é a identidade da própria Igreja.

Antes de subir ao Céu, Jesus ordenou: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho” (Mc 16, 15), e São José de Anchieta foi uma realização concreta dessa Palavra do Senhor. Que também o Brasil, por intercessão desse homem extraordinário, modelo de virtude, seja fiel à sua vocação e continue sendo uma realização viva dessa missão recebida de Cristo, levando a Verdade do Evangelho a todos os corações e permanecendo firme na fé que recebeu.

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