Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 12, 1-8)
Naquele tempo, Jesus passou no meio de uma plantação num dia de sábado. Seus discípulos tinham fome e começaram a apanhar espigas para comer. Vendo isso, os fariseus disseram-lhe: “Olha, os teus discípulos estão fazendo, o que não é permitido fazer em dia de sábado!”. Jesus respondeu-lhes: “Nunca lestes o que fez Davi, quando ele e seus companheiros sentiram fome? Como entrou na casa de Deus e todos comeram os pães da oferenda que nem a ele nem aos seus companheiros era permitido comer, mas unicamente aos sacerdotes? Ou nunca lestes na Lei, que em dia de sábado, no Templo, os sacerdotes violam o sábado sem contrair culpa alguma? Ora, eu vos digo: aqui está quem é maior do que o Templo. Se tivésseis compreendido o que significa: ‘Quero a misericórdia e não o sacrifício’, não teríeis condenado os inocentes. De fato, o Filho do Homem é senhor do sábado”.
Celebramos hoje o martírio do Bem-aventurado Inácio de Azevedo e de seus trinta e nove companheiros, missionários jesuítas que deram a própria vida pela evangelização do Brasil.
Inácio já havia passado dois anos em terras brasileiras quando retornou à Europa para buscar novos missionários, pois a messe era grande e os operários eram poucos. No caminho de volta, porém, a embarcação em que viajavam foi abordada por corsários franceses calvinistas, os quais, movidos pelo ódio à fé católica e sabendo que ali estavam missionários, atacaram o navio português.
Durante o combate, Inácio permaneceu no convés, junto ao mastro principal, segurando uma imagem de Nossa Senhora — a “Salus Populi Romani”, cópia da venerável imagem conservada na Basílica de Santa Maria Maior. Antes de partir para o Brasil, havia recebido a bênção do Papa São Pio V, e agora exortava seus filhos espirituais, enquanto o combate prosseguia, a permanecerem firmes na fé, incentivando-os a cantar ladainhas e a recorrer à proteção da Santíssima Virgem, pois em breve estariam no Céu.
Quando os corsários finalmente dominaram a embarcação, Bento de Castro tomou um crucifixo, dirigiu-se à murada do navio e, professando publicamente o seu amor pela fé católica, tornou-se o primeiro a receber o martírio, sendo lançado ao mar. Em seguida, os hereges voltaram-se contra aquele que reconheceram como líder. Ainda abraçado à imagem de Nossa Senhora, Inácio de Azevedo recebeu o primeiro golpe de espada na cabeça. Então, o Padre Francisco Álvares concedeu-lhe a absolvição, e ele declarou aos demais: “Todos sejam testemunhas de que eu morro pela fé católica e pela Santa Igreja Romana”.
Ao verem seu pai espiritual caído no tombadilho, seus companheiros começaram a rezar com profunda comoção. No entanto, o próprio Inácio, sem desanimar, ainda encontrou forças para lhes dirigir as últimas palavras: “Filhos, não tenhais medo: vou preparar-vos um lugar no Céu”. Eis a imagem de um verdadeiro pai que vai à frente para preparar o caminho de seus filhos.
Um dos missionários já havia recebido, ainda em Portugal, uma visão que lhe anunciava o próprio martírio. Sabendo, pois, o que o aguardava, permaneceu cheio de alegria por morrer por amor a Cristo e, enquanto louvava a Deus, também recebeu a coroa do martírio. Assim, um a um, aqueles trinta e nove missionários — em sua maioria portugueses e alguns espanhóis — foram entregando a vida, sendo lançados ao mar, muitos deles ainda vivos.
Restou apenas João Sanchez, sobrinho do capitão, a quem os corsários decidiram poupar para servir como cozinheiro. Entretanto, lembrando-se da promessa de Inácio de que um dia ele seria jesuíta, vestiu uma batina e espontaneamente entregou-se aos perseguidores, completando o número dos quarenta. Por isso, ficou conhecido como João Adauto, isto é, João “Acrescentado”.
Se, portanto, desejamos anunciar Cristo e trabalhar pela conversão de nossas famílias e amigos, recorramos à intercessão desses quarenta mártires que fecundaram com seu sangue esta terra, desejando até o fim evangelizá-la. A própria Santa Teresa d'Ávila contemplou numa visão o momento em que eles eram recebidos no Céu, juntamente com um parente seu, e coroados de glória.
Que o Bem-aventurado Inácio de Azevedo e seus companheiros também preparem para nós um lugar na Pátria celeste e nos alcancem a graça de sempre permanecermos fiéis a Jesus, até o dia em que nos reuniremos com eles na alegria do Céu.



























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