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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 12, 46-50)

Naquele tempo, enquanto Jesus estava falando às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. Alguém disse a Jesus: “Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo”.
Jesus perguntou àquele que tinha falado: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

Hoje celebramos, com grande alegria, a Festa de Nossa Senhora do Carmo. E o que podemos aprender com ela? Bom, toda a espiritualidade carmelita parte de uma grande verdade: a alma do justo é o jardim das delícias de Deus. Em outras palavras, Deus habita no coração — o jardim — que está puro, e deseja permanecer nele como verdadeiro Amigo.

Ora, na Virgem Maria, esse jardim encontra a sua mais perfeita realização. Não existe alma humana que tenha vivido uma intimidade tão profunda com Deus quanto Nossa Senhora. Por isso, ela é chamada de Flor do Carmelo. Se imaginarmos o Monte Carmelo como o lugar do encontro com Deus, onde o Senhor desce na brisa da tarde para passear com as almas que ama, Maria é, sem dúvida, a flor desse jardim. Ela é o seu esplendor e o seu ornamento, porque, mais do que qualquer outra criatura, soube amar a Deus, agradá-lo e viver como sua verdadeira amiga.

Providencialmente, o Evangelho de hoje ilumina essa realidade. Jesus afirma: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos? [...] Todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mt 12, 48-50). É justamente nessa transformação espiritual que a alma, tornando-se amiga de Deus e fazendo a sua vontade, dá-lhe alegria e agrado. Logo, podemos imaginar que alegria é para o Senhor contemplar a alma da Virgem Maria e nela passear como verdadeiro amigo!

Infelizmente, por causa do pecado original, deixamos de tratar Deus como amigo e passamos a vê-lo como adversário. Assim como Adão e Eva se esconderam quando Deus desceu para passear na brisa da tarde, também nós, muitas vezes, fugimos da sua presença. Temos medo d’Ele e nos escondemos, imaginando que Ele irá nos castigar ou fazer mal. Desse modo, fazer a vontade de Deus não se torna aquilo que desejamos.

Entretanto, Nossa Senhora do Carmo, como Mãe amorosa e bendita, quer tomar-nos pela mão. Como toda mãe que acolhe e acalma o filho inquieto, ela vem ao encontro do nosso coração agitado e temeroso. Nós, marcados pelo pecado, muitas vezes resistimos à graça; mas ela nos cobre com o seu manto, com o seu santo escapulário, acolhe-nos em seu regaço e tranquiliza-nos, dizendo: “A vontade d’Ele é boa. Deus é seu amigo e deseja apenas passear no jardim do seu coração. Portanto, seja dócil e humilde”.

É isso que nossa Mãe bendita deseja nos ensinar. Que Nossa Senhora do Carmo interceda por nós e conduza-nos a uma amizade cada vez mais profunda com Deus, para que o nosso coração se torne, também ele, um verdadeiro jardim das delícias do Senhor.

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