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Aquele que veio nos dar um novo coração

Cristo não veio abolir a Lei e os profetas, mas dar-lhes pleno cumprimento: à Lei, porque é Ele a plenitude da Revelação; e aos profetas, porque é Ele o novo Moisés, aquele que veio dar aos homens a graça nesta vida e, depois, a visão de Deus face a face no Céu.

Texto do episódio
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 5, 17-19)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Não penseis que vim abolir a lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da lei, sem que tudo se cumpra. Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus”.

O Evangelho de hoje, que faz parte do Sermão da Montanha — o primeiro grande ensinamento de Jesus —, mostra-nos Cristo realizando as profecias que anunciavam a vinda de um novo Moisés.

Moisés foi o homem que falava com Deus face a face e, dentre todos os profetas do Antigo Testamento, ocupa um lugar singular. Foi ele quem escreveu a Torá, isto é, o Pentateuco, os cinco primeiros livros da Sagrada Escritura, tão venerados pelo povo judeu. Antes de morrer, porém, esse grande profeta anunciou no Deuteronômio que Deus suscitaria alguém semelhante a ele, que falaria em nome do Senhor.

Em Jesus, essa profecia é plenamente realizada e, ao mesmo tempo, superada. Não porque tenha sido abolida, mas porque encontrou seu cumprimento transbordante. Afinal, quem veio não foi simplesmente um profeta, mas o próprio Filho de Deus. É por isso que São João afirma em seu Evangelho: “A Deus ninguém jamais viu” — nem mesmo Moisés — “Mas o Filho Unigênito, que é Deus e está na intimidade do Pai, foi Ele que o deu a conhecer.” (Jo 1,18). Somente o Filho, que vive desde toda a eternidade na intimidade do Pai, veio revelar-nos o seu mistério e dar-nos a conhecer o seu Coração.

Nesse contexto, devemos compreender as palavras de Jesus no Evangelho de hoje: “Não penseis que vim abolir a lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento” (Mt 5, 17). Ao longo dos séculos, Deus preparou pacientemente o coração do seu povo. Antes da Revelação de Deus, a terra de Israel estava marcada pela barbárie, pela vingança e pela violência. Deus, então, começa pedagogicamente a impor limites ao mal, dando uma Lei por meio de Moisés, suscitando juízes, reis e profetas, estabelecendo o culto em Jerusalém e conduzindo seu povo como um pai que educa o filho passo a passo.

Infelizmente, apesar de toda essa preparação paciente e amorosa, o povo não conseguia viver plenamente a Lei, que foi escrita em tábuas de pedra, mas encontrou apenas corações de pedra, que não a receberam. Deus falava, ensinava e corrigia, mas a Palavra não penetrava profundamente nem transformava os corações. 

Por esse motivo, o profeta Ezequiel anunciou a seguinte promessa: “Dar-vos-ei um coração novo” (Ez 36, 26). E é justamente isso que acontece com a vinda de Cristo. Quando Jesus diz que veio dar pleno cumprimento à Lei, Ele não está apenas trazendo uma nova Lei: Ele vem dar um novo coração, entregando-nos o seu próprio Coração. 

Não por acaso, estamos no mês do Sagrado Coração de Jesus, e somos chamados, neste tempo, a permitir que o Espírito Santo realize em nós uma verdadeira transformação interior, arrancando o nosso coração endurecido pelo pecado e concedendo-nos o Coração de Cristo.

Se por Moisés veio a Lei, por Jesus vieram a graça e a Verdade, e é precisamente aí que está o pleno cumprimento. A graça do Espírito Santo torna-nos capazes de viver aquilo que a Lei, por si só, não conseguia produzir em nós. Não apenas conhecer o amor, mas amar de fato. Não apenas ouvir os Mandamentos, mas cumpri-los a partir de um coração renovado pela graça.

Que o nosso Divino Defensor, pois, realize essa obra em cada um de nós e faça-nos participar cada vez mais do Coração perfeitíssimo de Nosso Senhor, até que os nossos sentimentos, desejos e ações sejam conformados aos de Cristo.

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