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O martírio e a eternidade

O exemplo dos mártires Carlos Lwanga e seus 21 companheiros nos recorda que devemos obedecer antes a Deus que aos homens, e que nada nesta vida justifica entregar nossos corpos ao pecado, pois com isso precipitamos nossa alma no Inferno.

Texto do episódio
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 12, 18-27)

Naquele tempo, vieram ter com Jesus alguns saduceus, os quais afirmam que não existe ressurreição e lhe propuseram este caso: “Mestre, Moisés deu-nos esta prescrição: Se morrer o irmão de alguém, e deixar a esposa sem filhos, o irmão desse homem deve casar-se com a viúva, a fim de garantir a descendência de seu irmão”. Ora, havia sete irmãos: o mais velho casou-se, e morreu sem deixar descendência. O segundo casou-se com a viúva, e morreu sem deixar descendência. E a mesma coisa aconteceu com o terceiro. E nenhum dos sete deixou descendência. Por último, morreu também a mulher. Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de quem será ela mulher? Porque os sete se casaram com ela!”
Jesus respondeu: “Acaso, vós não estais enganados, por não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus? Com efeito, quando os mortos ressuscitarem, os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do céu. Quanto ao fato da ressurreição dos mortos, não lestes, no livro de Moisés, na passagem da sarça ardente, como Deus lhe falou: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó’? Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos! Vós estais muito enganados”.

Celebramos hoje a memória de São Carlos Lwanga e seus 21 companheiros, os primeiros mártires canonizados da África Negra. Em Uganda, no ano de 1886, eles corajosamente derramaram o próprio sangue a fim de testemunhar sua fé na realidade da vida sobrenatural do Céu e na ressurreição dos mortos, tema que o Evangelho de hoje nos apresenta.

Para contextualizar, São Carlos e seus companheiros foram martirizados por um rei cruel e impuro, que queria que eles satisfizessem seus desejos pecaminosos. Eles, firmes na pureza cristã, recusaram-se a fazer isso e, por amor a Cristo, para preservar sua pureza e por fidelidade aos ensinamentos da Santa Igreja, decidiram entregar a própria vida.

Mas o que leva uma pessoa a realizar um ato tão grandioso? Somente um grande amor. É o amor a Deus e à vida que Ele preparou para nós que fez com que os mártires tivessem tamanha coragem, grande temor de Deus e ausência do medo humano e carnal.

No Evangelho de hoje, Jesus é interpelado pelos saduceus, uma seita que não acreditava na ressurreição dos mortos. Cristo, então, confirma que a ressurreição é realmente uma verdade: os mortos ressuscitarão. E, ao mesmo tempo, deixa claro algo importante: não somente os mortos ressuscitarão, mas também aqueles que estão mortos e ainda não ressuscitaram possuem em si a vida natural da alma, que nos justos será a vida sobrenatural em Deus. 

Para entender isso, vamos explicar o que acontece quando nós morremos. Falando dos cristãos batizados, quando uma pessoa morre, sua alma se separa do corpo. Essa alma é julgada e segue para seu destino eterno. Popularmente, costumamos dizer: “Deus o tenha em um bom lugar”. Esse “bom lugar” pode ser o Purgatório ou o Céu; mas é evidente que existe também a possibilidade da condenação eterna.

Então, no fim dos tempos, as almas serão reunidas novamente aos seus corpos. Os maus ressuscitarão para a condenação eterna, porque muitas vezes a alma utiliza também o corpo para o pecado; assim, ambos participarão da punição eterna. Quanto aos justos, todas as almas que estão no Purgatório serão purificadas e, com seus corpos, estarão definitivamente em Deus. O Purgatório será esvaziado, e os salvos entrarão na recompensa eterna, unidos novamente aos seus corpos gloriosos.

Os mártires, como São Carlos Lwanga e seus companheiros, ressuscitarão como Cristo ressuscitou: com corpos gloriosos, carregando também sinais do seu martírio e do seu amor. Do mesmo modo que as chagas de Cristo ressuscitado não eram sinais horríveis, mas gloriosos, Santo Tomás de Aquino afirma que os mártires carregarão esses sinais como preciosas joias do seu amor e do seu grande mérito.

Portanto, a controvérsia apresentada no Evangelho de hoje nos convida a recordar aquilo que realmente professamos quando cremos na ressurreição dos mortos: quando morrermos, nossa alma seguirá para seu destino eterno; e somente no fim dos tempos, ela voltará a unir-se ao corpo ressuscitado para participar da vida de Deus na eternidade.

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