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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 10, 16-23)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! Não leveis ouro nem prata, nem dinheiro nos vossos cintos; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão, porque o operário tem direito ao seu sustento. Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida. Ao entrardes numa casa, saudai-a. Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz. Se alguém não vos receber, nem escutar vossa palavra, saí daquela casa ou daquela cidade, e sacudi a poeira dos vossos pés. Em verdade vos digo, as cidades de Sodoma e Gomorra serão tratadas com menos dureza do que aquela cidade, no dia do juízo”.

No Evangelho de hoje, contemplamos a conclusão do discurso de Jesus aos Apóstolos antes de enviá-los em missão. Nele, o Senhor revela a própria finalidade da vida apostólica: o sacrifício por amor a Cristo.

É importante recordarmos que todo sacerdote verdadeiramente cristão não é chamado apenas a ser sacerdote, mas também vítima. Isso porque, se não viver essa dupla realidade, não estará configurado à própria vida de Cristo, que é o Sumo e Eterno Sacerdote precisamente porque se ofereceu como vítima de amor para a nossa Redenção.

Ao escolher os seus Apóstolos, Nosso Senhor lhes apresenta aquilo que mais tarde repetirá na Última Ceia, conforme o Evangelho de São João: “Odiaram a mim, odiarão a vós também. Perseguiram a mim, perseguirão a vós também” (cf. Jo 15, 18-20). Em outras palavras, o caminho do apóstolo é o mesmo caminho percorrido pelo próprio Jesus.

Por isso, quando um jovem abraça a vocação sacerdotal, não pode deixar-se iludir pelo aparente poder que ela lhe confere. Se o ministério sacerdotal fosse apenas uma questão de autoridade, os críticos da doutrina católica sobre o sacerdócio teriam razão ao afirmar que os padres seriam apenas homens revestidos de poder, capazes tanto de fazer o bem quanto de oprimir o povo.

Entretanto, Cristo não foi apenas sacerdote, nem os Apóstolos foram apenas sacerdotes. Todos eles, sem exceção, ofereceram-se como vítimas, entregando a própria vida por amor ao Senhor. Por isso, quando Jesus instituiu o sacerdócio, instituiu também uma verdade da qual jamais podemos nos esquecer: o sacerdote é um homem que fez de sua própria vida um sacrifício.

No dia da ordenação sacerdotal, quando os candidatos se prostram durante a Ladainha de Todos os Santos, contemplamos justamente essa entrega. Ali está, por assim dizer, o momento do holocausto, em que o sacerdote renuncia aos próprios projetos e desejos para pertencer inteiramente a Cristo. Todo verdadeiro sacerdote deve desejar poder dizer, em espírito e verdade: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20).

À primeira vista, isso pode parecer uma exigência pesada, esmagadora ou até mesmo impossível. Contudo, não é assim quando compreendemos a graça própria do sacerdócio. Por meio dela, o sacerdote se une profundamente a Jesus, Cabeça da Igreja, para que, unido a Ele, possa também oferecer a própria vida em sacrifício. Assim, recebe não apenas a missão de administrar os Sacramentos e representar Cristo diante do povo, mas também a graça de entregar-se completamente, fazendo de toda a sua existência uma oferta agradável a Deus.

Essa entrega, porém, não é exclusiva dos sacerdotes ordenados. Todo batizado também é chamado a oferecer ao Senhor um sacrifício de louvor e a fazer da própria vida uma oblação. Basta recordar o que Nossa Senhora perguntou aos três pastorinhos em Fátima: “Quereis oferecer-vos a Deus?”.

Se essa é a vocação de todos os batizados — oferecer-se a Deus, rezar pelos que não rezam, adorar pelos que não adoram, crer pelos que não creem, amar pelos que não amam e esperar pelos que perderam a esperança —, quanto mais daquele que foi escolhido para ser sacramento vivo de Cristo!

Rezemos, portanto, pelos nossos sacerdotes. Peçamos a Deus que lhes conceda a graça de viver plenamente a vocação de ser, ao mesmo tempo, sacerdote e vítima, oferecendo a própria vida por amor a Cristo e pela salvação das almas.

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