De que se alimenta a nossa alma?
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Texto do episódio

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 6,35-40)

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede. Eu, porém, vos disse que vós me vistes, mas não acreditais. Todos os que o Pai me confia virão a mim, e quando vierem, não os afastarei.

Pois eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. Pois esta é a vontade do meu Pai: que toda pessoa que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia”.

Nós estamos lendo o belíssimo discurso de Jesus a respeito do Pão da Vida e, na liturgia que seria do dia de ontem (se não fosse Festa de São Filipe e São Tiago), Nosso Senhor introduziu o tema mais especificamente, dizendo: “Eu sou o Pão da Vida”. É evidente que esse capítulo 6 do evangelho de São João é um capítulo eucarístico. Tudo começa com a multiplicação dos pães, depois vem a travessia do lago e aí vem o discurso do Pão da Vida. Mas assim como a Missa é dividida em duas partes — a liturgia da Palavra e a liturgia propriamente eucarística —, também esse discurso do Pão da Vida é dividido em duas partes.

O Evangelho de hoje e o de amanhã são a primeira parte, em que Jesus se apresenta como o Pão da Vida; mas se você for observar mais de perto, o que Ele está pedindo é fé, e Ele está dizendo assim: “Eu fui enviado e vocês não creram, vocês não tiveram fé”. Fé em quê? Fé em Jesus como Palavra encarnada. Observemos que Ele ainda não fala do seu corpo e do seu sangue, não nessa primeira parte. É somente a partir do versículo 51 que o tom vai mudar, e Ele vai começar a falar de forma mais explicitamente eucarística. Por isso, vamos deixar para falar da Eucaristia enquanto tal nos dias seguintes, em que essa segunda parte do discurso for lida na liturgia.

Vamos falar agora de Jesus como Pão da Palavra. Ao dizer isso não estou querendo “protestantizar” esse capítulo 6, que é eucarístico, tão belíssimo, tão belo. Mas é preciso entender o seguinte: ninguém consegue comungar direito, receber de fato o Pão eucarístico, se não estiver antes com as disposições interiores e, portanto, com uma fé pronta para receber Jesus como Palavra viva. Jesus começa dizendo: “Eu sou o Pão da Vida”, aquela vida eterna mencionada antes. Mas, está falando de um pão que alimenta o quê? Não o corpo, mas um pão que alimenta a alma. E como a nossa alma vai se alimentar? Como pode haver um alimento para a alma, que é espiritual? 

Ora, para algumas pessoas isso pode parecer estranho e até meio “desencarnado” ou “intelectualista”, mas é necessário dizer: a nossa alma se alimenta de verdade. Ou seja: é a verdade que alimenta a alma, e se você não der verdade para alma, ela morre de fome. Vejamos isso de forma mais clara, mais existencial. Eu tenho certeza de que você já teve essa experiência: você entrou numa igreja ou foi a um grupo de oração ou acessou um vídeo na internet; você estava para baixo, sua vida estava complicada, você não via sentido nas coisas, mas de repente você ouve uma pregação, que não muda nem elimina o seu sofrimento, mas dá sentido a ele. Essa palavra o alimenta interiormente, e você sai outra pessoa, como que revitalizado, refeito por dentro.

Eis aí o alimento que nos sustenta. Quando a luz da verdade ilumina a sua alma e você a acolhe com fé, você teve uma refeição espiritual. Por isso, nessas homilias diárias que nós gravamos, o que queremos dar a você são alguns minutos de “ruminação” da Palavra de Deus, para que, estando “mastigada”, tal Palavra consiga ser alimento espiritual. Então, é importante que você, ao receber essas homilias diárias, dê tempo para a sua oração. Não somente ouça. Reze depois, rumine e faça uma refeição espiritual.

* * *

V. 35s. Eu (note-se a ênfase!) sou o pão da vida (vivo e vivificante, cf. Gn 2,9; 3,22ss; Ap 21,6; 22,1). Cristo é de fato o pão celeste dado a nós, que pela graça, sobretudo na Santíssima Eucaristia, nos nutre e vivifica [1]. — O que vem a mim (pela fé) não terá jamais fome, e o que crê em mim não terá jamais sede (cf. Jo 4,13s), pois nele encontra a alma plena saciedade de todos os desejos santos, de sorte que nada mais lhe resta a desejar. É evidente que o sermão, a essa altura, fala de uma manducação metafórica, isto é, da assimilação pela fé, expressa pelas locuções paralelas “vir a Jesus” e “crer em Jesus”. — O v. 36, à maneira de parêntese, exprime o quanto é contrária a isso a atitude dos judeus: No entanto, vós, embora me tenhais visto e conheçais minhas obras, ainda não credes (Porém já vos disse… faz alusão ao v. 27 ou a um episódio ágrafo). 

Os vv. 37-40 dão a razão do v. precedente, segundo vários intérpretes: Não vêm a Ele porque o Pai não lhos deu; para outros, dão continuidade ao v. 35 após o parêntese do v. 36, como explicação quer causal, quer concessiva, o que parece mais provável.

V. 37s. Mas a incredulidade dos judeus não irá frustrar os desígnios do Pai: Tudo o que o Pai me dá certamente virá a mim. Põe-se “tudo” (lt. omne, gr. πᾶν) por “todos” (os homens), pois estes eleitos são considerados uma só coisa (cf. Jo 17,2.24; 1Jo 15,4). — E aquele que vem a mim não o lançarei fora, isto é, hei de o acolher com amor (lítotes). Descreve-se concisamente a fé em Cristo: 1.º o Pai chama o homem e dá-o a Cristo; 2.º o homem vai a Jesus, isto é, submete-se-lhe pela fé e a obediência; 3.º Cristo não lança fora o homem que vem a si, isto é, recebe-o como conhecido, amigo e quase um de seus familiares.

V. 39s. Ora, se Cristo veio ao mundo para cumprir a vontade do Pai, e se esta exige que, a quantos foram levados ao Filho, este lhes dê a vida eterna, segue-se o que fora dito nos vv. 35 e 37, isto é, o “não ter fome”, “não ter sede” e “não ser lançado fora”. Quanto a si, Cristo não poupará esforços para levar a cabo a vontade do Pai, qual seja: a de que nenhum dos que lhe foram dados pereça, mas que todos ressuscitem para a glória no último dia. Expõe mais claramente a vontade do Pai: Que todo o que vê (ὁ θεωρῶν = o que considera atentamente, olha, contempla etc., cf. Jo 12,45; 14,19; 16,10.16.19) o Filho e crê nele (e o segue em mente e por obras) tenha a vida eterna, aqui incoada (vida espiritual), depois perfeita e consumada [2].

V. 41s. Ouvindo isso, os judeus começaram a murmurar entre si, indignados de ver Cristo chamar-se a si mesmo pão do céu, visto ser conhecida de todos sua origem humana. Aqui começa uma digressão.

V. 43s. Jesus, replicando, disse-lhes: Não murmureis entre vós, como se eu não tivera outra origem além da humana; o fato, porém, de não crerdes no que vos disse é sinal de que não fostes chamados pelo Pai, pois ninguém pode vir a mim (seguir-me ou unir-se a mim pela fé), se o Pai que me enviou, o não atrair. O verbo “atrair” significa a um tempo “a benignidade de Deus, que precede toda nossa vontade e mérito; a eficácia da graça, que faz querer os que não querem; e a fraqueza e o peso de nossa natureza, sempre inclinada às coisas inferiores” (Jansênio), sem contudo significar qualquer defeito de liberdade, como quiseram outrora os maniqueus e, mais tarde, os luteranos e os calvinistas.

V. 45. Com a autoridade da Escritura prova o que disse antes, a saber: que ninguém pode vir a Ele, se o Pai não o atrair, e ao mesmo tempo declara que isto se dá por persuasão interior e doutrina: Está escrito nos profetas: E serão todos (os que o quiserem, esclarece Crisóstomo) ensinados por (lt. docibiles, gr. διδακτοί = serão discípulos de) Deus. São palavras literais de Is 54,13 ([naquele dia, farei] todos os teus filhos serem instruídos pelo Senhor), e de Jr 31,33s quanto ao conteúdo (por isso o número plural), onde o profeta anuncia uma época em que todos haveriam de experimentar o magistério interno (a iluminação) de Javé. Isto já se cumpriu. — Portanto, todo aquele que ouve e aprende do Pai (πᾶς ὁ ἀκούσας… καὶ μαθὼν), isto é, que foi de tal modo instruído pelo Pai vem a mim, ideia que, formulada em proposição inversa, complea o que fora enunciado no v. 44: Assim como ninguém, se não for atraído pelo Pai, pode vir a mim, do mesmo modo todo aquele que meu Pai atrair não pode não vir a mim. Ora, a Cristo se vai “pelo conhecimento da verdade, pelo afeto do amor e pela imitação das obras” (Santo Tomás de Aquino) [3].

Notas

  1. Tais identificações típicas ou metafóricas são usuais e características do IV Evangelho: “Eu sou a luz do mundo” (8,12); “A porta do redil” (10,7.9); “O bom pastor” (10,11.14); “A ressurreição e a vida” (14,6); “A videira verdadeira” (15,1.5) etc.
  2. “Não disse que a ninguém sucederá jamais perder a fé, mas somente que isso [a vida eterna] é o resultado da fé após os desígnios do Pai e sob a ação do Filho” (Lagrange).
  3. Estas palavras, porém, não se referem ao problema da predestinação ou da reprovação.
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