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Estamos travando uma grande batalha espiritual!

“Vitória, vitória!”, exclamou o Papa São Pio V ao ver, por revelação especial, o triunfo que sobre os invasores turcos tinha garantido à Igreja e às nações cristãs a devoção do santíssimo Rosário.

Texto do episódio

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 1,26-38)

Naquele tempo, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria. O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!”

Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”.\

Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?” O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, porque para Deus nada é impossível”.

Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se.

Celebramos hoje a memória de Nossa Senhora do Rosário, uma data que comemora a vitória dos cristãos numa batalha contra os turcos 449 anos atrás. No Golfo de Patras, no Mar Jônico (Mediterrâneo), as frotas cristãs, tendo-se consagrado a Nossa Senhora, rezando o Terço e o Rosário, conseguiram deter e infligir aos otomanos uma derrota naval que mudou o rumo da história.

O Papa São Pio V, ao receber a notícia da vitória dos cristãos, quis marcar o dia como um triunfo do Rosário de Nossa Senhora. É importante nós entendermos que este Papa dominicano, São Pio V, compreendia profundamente aquilo que Deus fez quando, lá na Idade Média, revelou a São Domingos de Gusmão, fundador dos dominicanos, que o rosário seria a arma através da qual seriam vencidas as heresias e os adversários da verdadeira fé da Igreja Católica.

Claro, o Rosário de fato é um meio poderoso de meditarmos as verdades da fé cristã e de crescermos espiritualmente. Mas não somente: há o fato de que o Rosário coloca as tropas cristãs debaixo da guia de um general, a Virgem Santíssima. Ao dizermos isso, nós não estamos inventando folclores; nós estamos simplesmente lendo o Livro do Apocalipse, em cujo capítulo 12, Deus nos diz que a Mulher vestida de sol combate com o restante de seus filhos a batalha que a Igreja vive ao longo dos séculos.

Então, no fundo, no fundo, nós temos uma escolha a fazer: ou somos filhos desta Mulher vestida de sol, ou somos filhos do Dragão vermelho, a antiga serpente, Satanás. Há que escolher um lado. Por mais que você seja pacífico, por mais que você não goste de conflitos e batalhas, deve saber que nós estamos, sim, numa grande batalha — numa grande guerra espiritual.

A batalha naval acontecida 449 anos atrás é simplesmente uma espécie de recordação de uma batalha ainda mais terrível, ainda mais encarniçada, uma batalha que nós devemos travar todos os dias. Por isso o Terço na mão, o Rosário na mão é a nossa arma para rebater os ataques do inimigo.

Nesse sentido, é pertinente recordar um episódio da vida do santo Padre Pio de Pietrelcina. Um dia, ele estava na sua cela de frade capuchinho e pediu a um dos religiosos formandos que estava ali, um jovenzinho: “L’arma” (isto é, “A arma”), “O que foi, Padre Pio?”, “Dove l’arma?” (isto é, “Onde é que está a arma?”), “Que arma?”, “A arma!” O que o Padre Pio queria era o Terço, o seu pequeno Rosário. Ele queria a arma para combater! Então, de arma em punho, combatamos o combate da fé.

Não nos iludamos. Nós temos uma única coisa para fazer nesta vida: salvar as nossas almas e salvar as almas das pessoas que nós pudermos salvar; mas, para isso, precisamos entrar em batalha porque, se você está esquecido do Céu, não se preocupe: os demônios não estão esquecidos, eles querem a todo custo evitar que você chegue lá! Por grande inveja, eles não fazem outra coisa. Você acha que pode ter feriado da vida espiritual? Os demônios estão esperando exatamente você esmorecer, cochilar, dormir, vacilar, para então pegá-lo desarmado.

Que a Virgem Maria esteja ao nosso lado, vele por nós, cuide de nós e manifeste a sua grande vitória, a vitória de Nossa Senhora do Rosário.

* * *

HISTÓRIA DA FESTA

As confrarias do Rosário, que ganharam grande popularidade a partir da segunda metade do séc. XV, costumavam celebrar com maior solenidade o primeiro domingo de outubro com a Missa Salve, Radix sancta (que depois caiu em desuso) e com solenes procissões enriquecidas com indulgências. Ora, foi no primeiro domingo de outubro de 1571 que um gravíssimo perigo se levantou contra a Igreja e as nações cristãs do Ocidente: a invasão dos turcos. Por isso, alguns príncipes cristãos, movidos pelo Papa São Pio V, quiseram fazer frente a esse gravíssimo perigo.

Mas, bem pesadas as forças humanas, a situação parecia, de fato, desesperadora, pois todos tinham perfeito conhecimento das forças prontíssimas do inimigo. João de Áustria, supremus Dux, e outros capitães de exércitos cristãos, plenamente conscientes de sua própria insuficiência e da gravidade da situação, para impetrar a ajuda do Céu, fizeram preceder a luta por três dias de oração e penitência e prometeram ir em peregrinação ao santuário de Loreto, caso saíssem vitoriosos.

Também o Papa São Pio V, pressionado pela angustiosa circunstância, naquele mesmo dia, 7 de outubro, prescreveu a todas as confrarias do Rosário que realizassem a procissão de costume, da qual ele mesmo participaria, com ainda maior solenidade, devoção e fervor.

Nos documentos de beatificação e canonização do santo Pontífice consta que naquele dia, em certo momento, ele, iluminado por uma visão celeste, se teria virado para os circunstantes e, repleto de alegria, exclamado: “Vitória! Vitória!” E de fato, naquela mesma hora, nas ilhas Equinadas, o exército dos cristãos triunfou gloriosamente das hostes turcas: 183 trirremes caíram em mãos cristãs, enquanto as outras foram destruídas; cerca de 25.000 soldados inimigos, junto com o capitão, foram mortos; e mais de 20.000 cristãos escravizados pelos turcos foram libertos.

Pio V, no dia 17 de março de 1572, para mostrar à Bem-aventurada Virgem toda a sua gratidão, ordenou que todos os anos, no dia 7 de outubro, se fizesse memória solene daquele acontecimento com uma festa sob o título de Santa Maria da Vitória. No entanto, Gregório XIII, seu sucessor, por decreto do dia 1.º de abril de 1573, substituiu esta solene comemoração pela festa de Nossa Senhora do Rosário, a ser celebrada no primeiro domingo de outubro em todas as igrejas que tivessem um oratório ou altar consagrado a ela.

Por ocasião do primeiro centenário da grande vitória, em atenção aos pedidos de Maria Ana, Rainha da Espanha, o Pontífice estendeu a festa do santíssimo Rosário a toda a nação hispânica. A mesma festa, mais tarde, seria concedida a muitas dioceses da Itália e de outras nações.

Inocêncio XI, aquiescendo aos pedidos de Leopoldo, Imperador da Áustria, preparou um decreto que estenderia a festa para toda a Igreja; mas, como a morte se antecipasse aos desejos do Papa, o decreto só seria promulgado por seu sucessor, Clemente XI, no dia 3 de outubro de 1716, após a insigne vitória de 5 de agosto do mesmo ano na Hungria, perto de Petrovaradin, pelos exércitos do Imperador Carlos VI, sob o comando de Eugênio de Sabáudia.

Bento XIII introduziu no Ofício divino as leituras próprias da festa, e Leão XIII a elevou, segundo a antiga classificação das celebrações litúrgicas, a rito de segunda classe. São Pio X, em sua reforma litúrgica, pelo Motu proprio de 23 de outubro de 1913 a fixou para o dia 7 de outubro. Atualmente, é celebrada na mesma data, mas sob a classificação de simples memória [1].

Notas

Tradução levemente adaptada de Gabriel M.ª Roschini, Mariologia. 2.ª ed., Roma: Angelus Belardetti, 1948, vol. 4, p. 164s.

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