Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 15, 12-17)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos.
Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que, então, pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros”.
No Evangelho de hoje, Jesus está na Última Ceia com os seus Apóstolos e, após falar da videira e dos ramos, Ele agora se volta aos Onze — pois Judas já havia saído do Cenáculo — para chamá-los de amigos, pronunciado palavras que ecoam ao longo dos séculos: “Este é o meu Mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando” (Jo 15, 12-14).
Essas palavras são conhecidas por todos nós, mas é preciso compreender com mais profundidade o que Jesus quer nos transmitir com elas. Em primeiro lugar, o Mandamento do amor, nesse contexto, adquire uma profundidade que não existia no Antigo Testamento. Ali, dizia-se: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração” e “amarás o teu próximo como a ti mesmo”. No entanto, no Novo Testamento surge uma realidade nova: a graça de Nosso Senhor vir ao mundo para sustentar o nosso coração vacilante, incapaz de amar plenamente.
Os profetas já haviam reconhecido essa incapacidade humana, de forma que o profeta Ezequiel anunciou: “Dar-vos-ei um coração novo e porei dentro de vós um espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei um coração de carne” (Ez 36, 26). Trata-se da promessa de uma verdadeira transformação interior, de um coração morto que se torna vivo. E essa promessa se realiza quando o Filho eterno de Deus se faz homem. Surge, então, o coração humano capaz de amar a Deus como Ele merece.
É com esse amor divino e abrasado que o coração de Jesus ama o Pai e nos ama. No Calvário, Ele, verdadeiro homem, realizou o ato supremo de amor, amando o Pai como amigo e entregando a sua vida a Ele e a todos os seres humanos, querendo também fazer de nós seus amigos, para que pudéssemos corresponder ao seu infinito amor com amizade.
Assim, Jesus se torna o próprio coração no qual o ser humano pode amar a Deus. Por isso, Cristo nos convida à união com Ele: “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando” (Jo 15, 14). É necessário, então, pedir ao Espírito Santo que as palavras de Cristo frutifiquem em nós, transformando o nosso coração e unindo-o ao coração d’Ele, para que sejamos capazes de amar como Ele amou.
Eis, portanto, a novidade desse Mandamento: Jesus não apenas ordena o amor, mas concede-nos um coração capaz de vivê-lo. Se Ele apenas dissesse ao homem de coração de pedra: “Amai-vos como Eu vos amei”, seria uma realidade terrível e esmagadora, pois não conseguiríamos cumprir essa ordem. No entanto, Nosso Senhor nos dá os meios de amá-lo não só pelo exemplo, mas pela graça, com a qual podemos participar do seu próprio amor.
Portanto, que grande alegria sermos chamados a essa amizade! Hoje, Jesus nos revela o amor mais sublime como uma verdadeira amizade entre Deus e nós — e, por consequência, entre nós e os irmãos. Amemo-nos, portanto, com esse amor que vem do Céu, e sejamos amigos de Cristo.




























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