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O Coração que deu tudo a Deus

Após prestarmos o devido culto de adoração ao Sacratíssimo Coração de Jesus, a Igreja nos convida hoje a render o nosso filial obséquio de amor e piedade ao Coração Imaculado daquela que, por desígnio divino, esteve sempre inseparavelmente unida aos gozos e aos padecimentos do nosso Redentor. Ouça a homilia do Padre Paulo Ric...

Texto do episódio
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 2, 41-51)

Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. Passados os dias da Páscoa, começaram a viagem de volta, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem.
Pensando que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura. Três dias depois, o encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas.
Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas. Ao vê-lo, seus pais ficaram muito admirados e sua mãe lhe disse: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura”. Jesus respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?” Eles, porém, não compreenderam as palavras que lhes dissera. Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente. Sua mãe, porém, conservava no coração todas estas coisas.

Depois de celebrarmos o Sagrado Coração de Jesus, a Igreja alegremente nos convida hoje a voltarmos o olhar para o Santíssimo e Imaculado Coração de Maria. 

Evidentemente, existe uma grande diferença entre o culto prestado a esses dois Corações. Quando falamos do Coração de Jesus, estamos falando de um Coração verdadeiramente humano, mas que pertence a uma Pessoa divina. Por causa disso, podemos afirmar que esse Coração amou a Deus e a nós infinitamente, principalmente quando foi transpassado na Cruz por nossa salvação, da qual brotou a fonte de graça e de vida que redime o mundo.

Entretanto, Cristo quis que sua obra da salvação não se realizasse sem a cooperação de criaturas humanas. Em sua sabedoria, Deus gosta de servir-se de instrumentos. É claro que Ele poderia ter escolhido agir sozinho ou poderia ter se manifestado diretamente a todos os homens, sem precisar de pregadores, missionários ou evangelizadores. No entanto, Ele quis associar pessoas à sua obra e fazê-las participar do seu plano de amor.

Por isso, Deus escolheu vir a esse mundo através de um Coração de serva, preservado de toda mancha de pecado: o Coração da Virgem Maria — e aqui é importante recordar que, quando falamos do coração, referimo-nos sobretudo ao amor, à capacidade humana de amar. Ela foi a pessoa humana que mais amou a Deus em toda a história da humanidade — e poderíamos até dizer que ela foi a criatura que mais amou. Por esse motivo, temos tão grande veneração pelo seu Imaculado Coração.

Antes de tudo, veneramos esse Coração por amor ao próprio Deus. Muitas vezes, reconhecemos nossa incapacidade de oferecer ao Senhor o amor e o culto que Ele merece. Contudo, ao contemplarmos uma criatura que se entregou a Ele de forma perfeita, imaculada e generosa, nosso coração se alegra. Sim, pois em Maria ardia um amor por Deus tão intenso que ultrapassava o amor dos próprios anjos!

Quando amamos alguém, ficamos felizes ao realizar atos de amor a essa pessoa. Pensemos numa mãe que vê seu filho receber carinho, amizade e cuidado: ela se alegra ao vê-lo agraciado. Da mesma forma, nós nos alegramos ao saber que Jesus, quando veio a este mundo, não encontrou apenas rejeição, incredulidade e sofrimento, mas encontrou também um Coração materno que o acolheu, o amou e o consolou.

No entanto, Nossa Senhora não o amou somente com um afeto natural de mãe por seu filho; seu amor era muito mais profundo. Ela reconheceu em Jesus o Filho de Deus, o Senhor a quem devia adorar. Portanto, amou-o com fé, com obediência e com total entrega à vontade divina e, em toda a sua vida, procurou corresponder perfeitamente ao plano de Deus e servir fielmente ao seu Filho.

Que alegria para nós contemplarmos esse amor! Que alegria saber que o Imaculado Coração de Maria prestou a Deus um culto tão perfeito e tão agradável! Aos pés da Cruz, Jesus nos deu uma grande graça: enquanto se oferecia ao Pai em sacrifício pela nossa salvação, entregou-nos a sua própria Mãe, a fim de que ela estivesse conosco e nos amasse.

Por isso, lancemo-nos com confiança nos braços maternos dessa Mãe Santíssima. O Coração que ama a Deus acima de todas as coisas também nos ama profundamente, porque deseja conduzir-nos a Deus e entregar-nos a Ele como um presente, sabendo que agradará imensamente ao Pai do Céu levar-nos para o Paraíso. E, quando alcançarmos a glória celeste, encontraremos dois Corações extraordinários, que nos esperam para juntos concelebrarmos a glória de Deus: o Sacratíssimo Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria, a mais perfeita das criaturas.

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