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O Amor infinito de Deus num coração humano

Ao celebrarmos o Sagrado Coração de Jesus, contemplamos o amor infinito de Deus que se fez próximo de nós em um Coração humano e, tocados por tão grande misericórdia, somos chamados a responder com gratidão, amor e reparação.

Texto do episódio
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 11, 25-30)

Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. 30 Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

Celebramos hoje, com muita alegria, a Solenidade do Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo. E, para bem vivermos esta festa litúrgica, é importante compreendermos o que realmente estamos celebrando.

Em primeiro lugar, é evidente que não estamos celebrando simplesmente o coração físico de Jesus, como se estivéssemos venerando um órgão do seu corpo, mas também não estamos apenas celebrando o amor divino de forma abstrata. O que adoramos nesta Solenidade é o fato de que Deus onipotente quis nos amar com um Coração humano, isto é, assumir a nossa natureza e, por meio do Coração de Jesus, manifestar em nossa própria condição humana o seu amor infinito.

E por que precisamos celebrar esse mistério? Porque nós, seres humanos, temos dificuldade de compreender o amor de Deus. Quando pensamos em Deus, pensamos em um Ser infinito, eterno, perfeito e plenamente feliz. Logo, marcados pelo pecado e pelas limitações da nossa condição humana, podemos ser tentados a imaginar que Deus permanece distante do nosso sofrimento, como se fosse indiferente às nossas dores.

No entanto, o Senhor, movido por infinita misericórdia, veio ao nosso encontro, fez-se homem e quis amar-nos com um Coração humano para que nunca mais pudéssemos duvidar do seu amor. Assim, em Jesus, o amor invisível e eterno de Deus tornou-se visível.

Ao contemplarmos esse amor, nasce em nós uma resposta de gratidão. Afinal, sabemos que o amor verdadeiro se manifesta pelo sacrifício. Reconhecemos o valor de uma pessoa quando a vemos lutar, sofrer e entregar-se por aquilo que ama, e assim também acontece na vida espiritual. Se a doença diminui as forças do corpo, as tribulações, quando acolhidas com fé, podem fortalecer a alma. Nos santos, o sofrimento não destrói o amor; pelo contrário, faz com que ele cresça ainda mais.

Jesus demonstrou o seu amor infinito de maneira suprema durante a sua Paixão. Por isso, quando meditamos sobre os sofrimentos que Ele enfrentou por nossa salvação, é despertado em nós o desejo de correspondermos ao seu amor, oferecendo também os nossos sacrifícios, as nossas dificuldades e a nossa fidelidade como resposta amorosa Àquele que tudo entregou por nós.

Além disso, devemos querer ardentemente consolar o Coração de Jesus. Sabemos, por experiência própria, como é consolador encontrar alguém que sofre conosco e que assume parte das nossas dores. Ora, Deus, que em si mesmo é impassível e não pode sofrer, quis tornar-se vulnerável em Cristo e assumir os sofrimentos da humanidade, vindo até nós para carregar as nossas dores e redimir-nos pelo seu amor. 

Na Cruz, Jesus pronunciou aquelas palavras comoventes: “Tenho sede”; sede essa que não era apenas física, mas também a sede do nosso amor. Portanto, diante desse clamor, não podemos oferecer-lhe o vinagre da ingratidão, da indiferença e do pecado. Ao contrário, somos chamados a responder com amor, fidelidade e reparação.

Que esta Solenidade do Sagrado Coração de Jesus acenda em nós um sincero desejo de correspondermos ao amor de Deus e de realizarmos atos generosos de amor, de penitência e de entrega, para consolar o Coração d’Aquele que tanto nos amou e continua a nos amar.

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