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507. Quinta-feira Santa - Eucaristia, sacrifício e presença de amor

A Liturgia da Quinta-feira Santa dedica-se à Santíssima Eucaristia, renovação incruenta do único sacrifício oferecido por Cristo no altar da Cruz e presença real do Deus encarnado entre nós.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo
13, 1-15)

Era antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.

Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus. Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido.

Chegou a vez de Simão Pedro. Pedro disse: "Senhor, tu me lavas os pés?" Respondeu Jesus: "Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás".

Disse-lhe Pedro: "Tu nunca me lavarás os pés!" Mas Jesus respondeu: "Se eu não te lavar, não terás parte comigo". Simão Pedro disse: "Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça".

Jesus respondeu: "Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos".

Jesus sabia quem o ia entregar; por isso disse: "Nem todos estais limpos".

Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: "Compreendeis o que acabo de fazer? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz.

Na noite desta Quinta-feira Santa damos início ao Sagrado Tríduo Pascal, aos três últimos dias da Semana Santa em que Cristo, por sua Paixão e Morte de Cruz, operou a Redenção do gênero humano. A Liturgia de hoje é dedicada, nesse contexto, especialmente à instituição da Santíssima Eucaristia e do sacerdócio ministerial. Era antes da festa da Páscoa, véspera de sua Morte, que Jesus, o Sumo Sacerdote da Nova Aliança, "transformou a refeição ritual dos judeus numa refeição mais sagrada ainda, em que Ele próprio", Cordeiro sem mancha, "se deu em alimento daqueles cujo resgate ia operar" [1], deixando-nos assim a presença real de um amor que nunca acaba e de um sacrifício que todos os dias se renova. Pois todas as vezes que, em memória de sua Paixão, celebramos o rito que Ele hoje institui, é o mesmo Sacerdote que oferece, é a mesma Vítima que é oferecida, é o mesmo sacrifício que é realizado. É um só e mesmo sacrifício o que na Cruz foi oferecido e o que na Missa se oferece, pois a mesma Hóstia é imolada: na Cruz de forma cruenta; em nossos altares sem as dores da crucifixão.

É também um só e mesmo Sacerdote, porque na ara da Cruz foi o próprio Cristo que, entregando-se à morte, ofereceu-se ao Pai em favor dos pecadores; é agora o mesmo Cristo, em cuja pessoa agem os que Ele consagrou e fez sacerdotes seus, que continuamente renova o seu eterno holocausto de amor. Pela Eucaristia, porém, não apenas fazemos memória de nossa libertação do pecado e do poder de Satanás, já que Cristo é o mesmo, vivo e poderoso, ontem, hoje e sempre; nela também nos é dada a presença real dAquele que não nos abandona nunca e, fidelíssimo à própria palavra, prometeu estar conosco até o final dos tempos (cf. Mt 28, 20). Por isso, a Igreja inteira atravessa a noite desta Quinta-feira aos pés de Jesus Sacramentado, adorando-O, louvando-O, bendizendo-O e agradecendo-Lhe tanto a oblação do Calvário quanto o consolo do Santíssimo Sacramento.

É este duplo aspecto da Eucaristia que neste dia de oração e recolhimento somos chamados a viver com mais profundidade. De um lado, sacrifício, ao qual devemo unir-nos com a nossa paciência nas dificuldades e tribulações, com a nossa penitência e mortificação diária, suportando a medida de cruz que o Pai determinou a cada um; de outro, presença de amor, à qual devemos entregar-nos como uma esposa que dá o que de mais precioso possui — o seu corpo — ao esposo. Vivamos, pois, a Liturgia de hoje com espírito de reparação e carinho nupcial, firmes na esperança de que poderemos um dia contemplar a rosto descoberto Aquele que, sob o véu do Sacramento, oculta ainda a Sagrada Face que, para salvar-nos da morte eterna, recebeu como retribuição de seu amor infinito desprezos, golpes e cusparadas.

Referências

  1. D. Gaspar Lefebvre (org.), Missal Romano Quotidiano. Trad. port. dos monges beneditinos de Singeverga. Bruges: Biblica, 1963, p. 381.
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