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1095. Ai dos que praticam escândalo!

O pecado de escândalo, um grave atentado contra a caridade devida aos nossos semelhantes, é um dito ou fato menos reto que dá ao próximo ocasião de queda, induzindo-o a pecar ou a pôr em dúvida o pouco de fé que ainda lhe resta.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 9, 41-50)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Quem vos der a beber um copo de água, porque sois de Cristo, não ficará sem receber a sua recompensa. E se alguém escandalizar um desses pequeninos que creem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço.

Se tua mão te leva a pecar, corta-a! É melhor entrar na Vida sem uma das mãos, do que, tendo as duas, ir para o inferno, para o fogo que nunca se apaga. Se teu pé te leva a pecar, corta-o! É melhor entrar na Vida sem um dos pés, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno. Se teu olho te leva a pecar, arranca-o! É melhor entrar no Reino de Deus com um olho só, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno, ‘onde o verme deles não morre, e o fogo não se apaga’. Pois todos hão de ser salgados pelo fogo. Coisa boa é o sal. Mas se o sal se tornar insosso, com que lhe restituireis o tempero? Tende, pois, sal em vós mesmos e vivei em paz uns com os outros”.

O Evangelho de hoje fala-nos do escândalo, um pecado contra a beneficência que consiste em um dito ou fato menos reto que dá ao próximo ocasião de queda (cf. S. Tomás de Aquino, STh II-II, q. 43, a. 1). Etimologicamente, a palavra escândalo (do gr. σκάνδαλον) significa pedra de tropeço, isto é, qualquer ofendícula que pode machucar o pé e fazer-nos cair, e daí, em sentido translatício, passou a significar em teologia qualquer ato ou omissão externa e deliberada que, tendo certa aparência de mal, é para o próximo ocasião, ainda que não causa, de ruína espiritual. O escândalo é tanto mais grave quanto mais grave é o pecado a que ele dá ocasião e quanto mais inocente é a pessoa escandalizada. É por isso que o Senhor diz: “Se alguém escandalizar um desses pequeninos que creem”, ou seja, quem tem ainda uma fé frágil e incipiente, “melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço”. Deve-se saber, no entanto, que uma ação gravemente pecaminosa perpetrada diante de outrem não tem razão de escândalo em sentido próprio, se é certo que essa ação não terá sobre ele nenhum influxo, ou por causa de sua firmeza na virtude, ou porque em si mesmo ele já está determinado a pecar [1]. E é por isso que se costuma dizer: “Diante do santo e do celerado, não há escândalo” (coram sanctis et sceleratis non fit scandalum). Nesse sentido, só se comete escândalo diante de pessoas que são “pequeninas”, ou seja, que já têm fé e certa inclinação à virtude, mas que não chegaram ainda àquela santidade que não cede mais às solicitações do pecado. Ao chamar a atenção dos Apóstolos para esse fato, Jesus nos faz ver que todos os fiéis já firmes na fé têm responsabilidade sobre esses pequenos, que podem fragilizar-se em seu crença em Cristo e na Igreja ao verem outros cristãos portando-se de maneira indigna, maledicente, grosseira, irreverente, obscena etc. Para que não os induzamos a pecar e a perder a pouca fé que têm, é dever nosso extirpar o mais possível todos os nossos hábitos e atitudes que podem ser ocasião de queda para os outros. É este o sentido daquelas palavras do Senhor: “Se tua mão te leva a pecar, corta-a! Se teu pé te leva a pecar, corta-o! Se teu olho te leva a pecar, arranca-o!”, porque se até um membro do nosso corpo pode ser para alguém motivo de escândalo, que dizer dos nossos maus hábitos, do nosso jeito pouco atencioso, da nossa mania de falar baixezas, de ler indecências, de vestir-nos sem pudor? Vale a pena pagar o preço de morrermos para nós mesmos, arrancando de nossos corações tudo o que é pouco proveitoso para a caridade, porque o prêmio disto será, não só a nossa própria santificação e salvação, mas a edificação do próximo, a melhor defesa pública da doutrina católica e a melhor forma de honrarmos a Santa Madre Igreja. — Tende, pois, sal em vós mesmos e vivei em paz uns com os outros!

Referências

  1. M. Zalba, Theologiæ Moralis Compendium. Madrid: BAC, 1958, vol. 2, p. 109, nn. 221-222.
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