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A divina humanidade de Cristo

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor.”

Texto do episódio
421

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 4, 14-22a)

Naquele tempo, Jesus voltou para a Galileia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza. Ele ensinava nas suas sinagogas e todos o elogiavam. E veio à cidade de Nazaré onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado, e levantou-se para fazer a leitura.
Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor”.
Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante, e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”.
Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca.

No Evangelho de hoje, vemos o famoso episódio da Sinagoga de Nazaré, em que Jesus toma o rolo do Profeta Isaías e começa a proclamar o seu ano da graça. 

O que isso significa? Primeiro, vamos recordar que Ele inicia a leitura dizendo: “O Espírito do Senhor está sobre mim” (Lc 4, 18). Ora, nós sabemos que Jesus é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o próprio Deus que se fez homem, e por isso não é possível ungi-lo. Logo, quem está sendo ungido? Sobre quem está a presença do Espírito do Senhor? Sobre a divina humanidade de Cristo, pela qual nos vem o toque da graça e a nossa salvação. 

Realmente, é importante que Jesus tenha levado uma vida plenamente humana como a nossa, trabalhando na carpintaria de José, rezando nas sinagogas do seu povo, enfrentando as dificuldades cotidianas... Isso prova que ele foi igual a nós em tudo, exceto no pecado, e que sua humanidade foi ungida por Deus para ser o instrumento de nossa libertação. 

Então, quando recebemos a Eucaristia, e Nosso Senhor nos toca com o seu Corpo, o seu Sangue, a sua Alma e a sua Divindade, o que Ele realiza em nós? Ele, como Apóstolo do Pai, evangeliza-nos com sua Palavra, que é Boa-Nova para os pobres — que, no livro do Profeta Isaías, era o povo cativo na Babilônia, e agora somos nós, presos neste vale de lágrimas e esperando por uma felicidade que parece difícil de ser encontrada neste mundo. 

No entanto, Jesus diz que a felicidade existe, mas para nos encontrarmos com ela precisamos sair do cativeiro dos nossos pecados. Então, no momento em que vamos até Cristo, a Luz que ilumina a nossa cegueira, somos finalmente libertados. O demônio quer nos amarrar às maldades e vícios, mantendo-nos na ignorância, na ilusão e na mentira e fazendo-nos acreditar que os ídolos deste mundo vão nos dar a verdadeira felicidade. Estes, no entanto, só nos fazem mais pobres e oprimidos. 

Apenas a Palavra que vem de Cristo nos liberta da opressão do pecado e das falácias do demônio, concedendo-nos a verdadeira liberdade. Eis aí a Boa-Nova: veio o Salvador, Deus que se fez homem, para com a sua divina humanidade tocar os nossos corações empedernidos, tornando-os cheios de amor a Deus.

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