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1157. O que nos move? O Espírito ou a carne?

Buscar Jesus é uma coisa boa, mas não é suficiente, porque sempre há quem o busque pelas razões erradas, e não há má intenção que não possa desvirtuar as mais excelentes obras. E nós, por que o temos buscado? Para amá-lo e servi-lo com fé e obediência, ou para alcançarmos dele “favores” e “facilidades”?

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 6, 60-69)

Naquele tempo, muitos dos discípulos de Jesus, que o escutaram, disseram: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” Sabendo que seus discípulos estavam murmurando por causa disso mesmo, Jesus perguntou: “Isto vos escandaliza? E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes? O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são espírito e vida. Mas entre vós há alguns que não creem”. Jesus sabia, desde o início, quem eram os que não tinham fé e quem havia de entregá-lo.

E acrescentou: “É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim a não ser que lhe seja concedido pelo Pai”. A partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele. Então, Jesus disse aos doze: “Vós também vos quereis ir embora?” Simão Pedro respondeu: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”.

O Evangelho proclamado neste sábado dá continuidade à doutrina eucarística de Nosso Senhor. E hoje, uma vez mais, o escândalo toma conta de todos os que a escutam, mas não a podem suportar: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” É festa da Páscoa, estamos a cerca de um ano da morte de Cristo, a já agora os que antes o seguiam começam a abandoná-lo. O motivo, como vemos, não é outro senão a Eucaristia, o mesmo motivo que, como leremos no final deste Evangelho, fará naufragar a fé de Judas: “Não vos escolhi eu todos os doze? Contudo, um de vós é um demônio!…” (Jo 6, 70). Mas o que nos ensinam, de modo mais concreto, os versículos lidos hoje? Ensinam-nos, entre outras coisas, a considerar muito seriamente o que nos tem motivado a procurar Jesus. Ele diz, com efeito: “O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada”. Há pois quem o busque movido pelo Espírito; mas há também quem o busque movido pela carne. Os primeiros são os que creem, e por isso não se escandalizam de suas palavras, ainda que as não possam entender de todo; os segundos, por sua vez, são que não creem, ou creem mal, porque o buscam por razões carnais. Os primeiros, simboliza-os S. Pedro, ao dizer: “Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”; os segundos, representam-nos aquelas turbas de que nos falava o Evangelho no início deste mesmo capítulo: “Buscais-me […] porque comestes dos pães e ficastes fartos” (Jo 6, 27). Aqueles, movidos pelos Espírito, oferecem a Cristo uma fé pura, já que o buscam de boa mente, de coração sincero, dispostos a aceitar, sem modificações oportunas nem interpretações distorcidas, o que Ele tem a ensinar; os segundos, porém, o buscam por razões, senão escusas e maldosas, ao menos interesseiras, e por isso sucumbem à tentação de o entregar: “Jesus sabia, desde o início, quem eram os que não tinham fé e quem havia de entregá-lo”. Ora, se para Ele não há máscaras, pois lhes estão descobertos os nossos pensamentos mais recônditos, ponhamo-nos em sua presença, pedindo-lhe que nos ajude a reconhecer por que, no fim das contas, o temos procurado. E se porventura descobrirmos que não são tão nobres como os vínhamos julgando os nossos sentimentos, que Ele se digne purificar este nosso amor tão imperfeito e esta nossa fé tão mal cuidada, para que, desenganados das afeições da terra, possamos amá-lo só a Ele, pois só Ele — confessa S. Pedro — tem palavras de vida eterna.

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