O futuro não nos pertence
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O futuro não nos pertence

“Sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa”.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 21, 12-19)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Antes que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa; porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater. Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. Todos vos odiarão por causa do meu nome. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!”

Celebramos hoje a memória de S. Catarina de Alexandria, mártir que, embora fosse mulher numa época pouco favorável, era não só letrada como expositora e defensora da doutrina cristã, razão por que foi levada ao martírio. Isso, por sua vez, nos serve de luz para compreender Evangelho de hoje, em que Jesus fala precisamente da perseguição que haviam de sofrer os cristãos: “Sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão” (v. 12), ao mesmo tempo que nos exorta a termos o firme propósito de não planejar com antecedência nossa própria defesa: “Porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater” (v. 15). Seria interessante que seguíssemos esse conselho de Cristo, porque ele nos evitaria muitos transtornos em nossa vida. De fato, uma das dificuldades que vejo às vezes na direção espiritual, ao aconselhar as pessoas, é a seguinte: muitos sofrem por antecipação, pensando em como será o futuro: “Ah! pode ser que eu morra com a cruz tal, com a cruz qual…”, e ali já se vão fincando todas as cruzes que podem vir no futuro. Ora, essas dezenas de cruz que podem vir no futuro não existem. É o fiel que as inventa na sua imaginação e pensamento. Porque a sua cruz, a cruz que Deus quer que você carregue, vai-se manifestar no hoje real, não na sua imaginação. Quando a sua cruz aparecer, você irá reconhecê-la, e no dia em que ela enfim se manifestar, não lhe será negada a graça para carregá-la por amor a Cristo. Se você irá acolher ou não essa graça, é já outro problemas; a graça porém estará lá, porque quando Deus permite a cruz, Ele dá também a graça para carregá-la. 

Mas o que fazem as pessoas? Ficam a carregar cruzes que Deus não quer, ou seja, cruzes de imaginação, de pensamento. “Ah!”, dirá alguém, “mas e se acontecer isso, se acontecer aquilo?…”, e assim sofrem muitos por antecipação. Costumo repetir uma expressão aprendida do Prof. Felipe Aquino, que diz: “O fulano gosta de sangrar antes de ser baleado”. A bala ainda nem saiu do revólver, e o fulano já está sangrando! Jesus nos ensinou que a cada dia basta o seu cuidado (cf. Mt 6, 34), e é necessário confiar em Deus, entregar-lhe o futuro. Se Deus nos proíbe consultar horóscopos e tentar prever o futuro, é porque o futuro não nos pertence: o que está em nossas mãos e o que podemos e devemos entregar a Deus é o nosso presente, é o nosso agora. Olhemos para o chamado de Deus agora, para o que Deus está pondo diante de nós nesse momento! Ele nos dá luzes, Ele nos dá graças, Ele nos dá “palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater”, mas no agora de Deus, sem que nos percamos em lutas psíquicas intermináveis. Quando entramos em luta psíquica com nós mesmos, sempre saímos perdendo, porque somos nós contra nós: qualquer que seja o vencedor, os perdedores somos nós. Entreguemo-nos confiantes nas mãos de Deus. Olhemos para o nosso agora e nos abramos à graça que Deus nos oferece, a fim de darmos o nosso testemunho, como deu o seu S. Catarina de Alexandria.

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