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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 10, 21-24)

Naquele momento Jesus exultou no Espírito Santo e disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue pelo meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho, senão o Pai; ninguém conhece quem é o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. Jesus voltou-se para os discípulos e disse-lhes em particular: “Felizes os olhos que veem o que vós vedes! Pois eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que estais vendo, e não puderam ver; quiseram ouvir o que estais ouvindo, e não puderam ouvir”.

1. O envio dos setenta e dois discípulos. — Em Lc 10, 1-12, o evangelista nos conta que Jesus, a fim de melhor dispor os ânimos à graça de sua pregação e também para exercitar os que o seguiam no ofício de anunciar às almas o Evangelho, enviara adiante de si, além dos doze Apóstolos, outros setenta e dois discípulos a todas as cidades e lugares por onde Ele mesmo passaria mais tarde. A leitura de hoje, por sua vez, dá continuidade a esta perícope e nos narra o retorno desse primeiro grande envio missionário. Embora não conste neste Evangelho, o v. 17 permite supor que, ao enviar os setenta e dois discípulos, o Senhor concertara o tempo e o lugar em que, finda a pregação, eles haviam de reunir-se. Todos voltaram alegres, referindo os prodígios que, pela virtude divina, tinham realizado em nome de Cristo, sobretudo a liberação de inúmeros possessos: “Senhor, até os demônios se nos submetem em teu nome!” (v. 17). Jesus confirma a veracidade dos milagres ao dizer: “Vi Satanás”, enquanto liberáveis os endemoniados, “cair do céu como um raio” (v. 18). Acrescenta, no entanto, que lhes deve ser motivo de maior alegria, não o poder de realizar estes e até maiores prodígios, mas o fato de terem seus nomes inscritos nos céus, isto é, no Livro da vida, em sinal de predestinação (cf. Ex 31, 32s; Sl 68, 69; Fp 4, 3; Ap 3, 5; 17, 8; 20, 15; 21, 27; 22, 19).

V. 21. Em seguida, exultando no Espírito Santo e tomado de íntima alegria, Jesus dá graças ao Pai por ter revelado estes mistérios da salvação e do Reino dos Céus, que em última análise conduzem ao conhecimento do próprio Cristo (cf. v. 22), não aos sábios e peritos da Lei, mas aos pequeninos, ou seja, aos homens mais simples e ignorantes de Israel (cf. Sl 18, 8), como se vê pela fé e os milagres dos discípulos. “Sim, Pai”, reitera, “bendigo-te porque assim foi do teu agrado” (v. 21). Voltando-se aos discípulos, Ele passa a explicar-lhes que coisas são essas que, por desígnio divino, permanecem ocultas aos sábios e inteligentes: “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai” (v. 22) etc., ou seja, o conhecimento profundo de quem Jesus realmente é, Filho eterno de Deus, do qual tudo recebeu, inclusive a própria natureza divina, transmitida na geração eterna com que o Pai o engendra com igual poder, glória e majestade. Com efeito, “ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai”, pois o conhecimento da SS. Trindade excede as forças de qualquer criatura racional, de forma que só as divinas Pessoas têm de si mesmas um conhecimento adequado e perfeito.

Do mesmo modo, “ninguém conhece quem é o Pai senão o Filho”, já que os dois, por compartilharem da mesma essência, compartilham também a mesma ciência, “e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. Donde se vê que o conhecimento que o Filho tem do Pai lhe é tão próprio e exclusivo que ninguém, por mais sábio que seja, pode alcançá-lo naturalmente, mas apenas por revelação sobrenatural. O v. 22, por conseguinte, oferece um sólido fundamento escriturístico da divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo: a) graças à consubstancialidade que Ele mesmo afirma ter com o Pai, que tudo lhe entregou; b) por ser Ele, ademais, o único que tem acesso direto e privilegiado ao conhecimento de Deus; c) e porque só Ele, enfim, pode conhecer o Pai adequadamente e dá-lo a conhecer a quem quiser. Nos vv. 23-24, em conclusão, o Senhor reafirma o quanto são felizes e ditosos os seus discípulos, pois têm a graça de ver e viver os tempos messiânicos, ou seja, o estabelecimento definitivo do Reino de Deus neste mundo, e aproveitá-los para sua própria salvação, como embalde desejaram muitos reis, justos e profetas que, pela fé, aguardaram a vinda do Messias.

2. A doutrina espiritual contida nessa perícope, lida no contexto de mais um santo Advento, aponta para a necessidade de diminuirmos de tamanho, a fim de reconhecermos, como almas pequeninas e humildes a quem Jesus se digna falar, a divindade daquele Menino que, em poucas semanas, contemplaremos na noite de Natal. Se bem é verdade que o Senhor se revela a quem, quando e como for do seu agrado, não é menos certo que Ele deseja ser conhecido de todos, pois para todos se encarnou e a todos redimiu por seu Sangue. Ele quer, sim, revelar-se a todos, mas resiste aos soberbos, aos “sábios” e “inteligentes”, escondendo-lhes o que sem Ele jamais saberiam, porque em um coração inchado e cheio de si não há espaço para ninguém, não há aquela abertura de quem reconhece os próprios limites, carências, dependências e a necessidade de ser ajudado, iluminado e elevado por quem pode mais. Que o Senhor Jesus purifique nossas almas de toda soberba e nos infunda uma sincera humildade, para que assim, humilhados em nossas limitações e misérias, possamos receber o único que é grande, sábio, rico e poderoso. Como propósito concreto, empenhemo-nos em começar nossas orações com um profundo ato de humildade diante de Deus, recordando o quanto lhe devemos, porque até o que de bom há em nós é dom imerecido.

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