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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
14, 1.7-11)

Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares. Então contou-lhes uma parábola: "Quando fores convidado para uma festa de casamento, não ocupes o primeiro lugar. Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu, e o dono da casa, que convidou os dois, venha te dizer: 'Dá o lugar a ele'. Então ficarás envergonhado e irás ocupar o último lugar. Mas, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar. Assim, quando chegar quem te convidou, te dirá: 'Amigo, vem mais para cima'. E isto vai ser uma honra para ti diante de todos os convidados. Porque quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado"

No Evangelho de ontem, Jesus nos ensinou a benevolência; no de hoje, Ele deseja nos ensinar a humildade. Chamado para um jantar, Nosso Senhor, vendo os convivas a disputar os primeiros lugares à mesa, traz aos fariseus e também a nós uma grande e preciosa lição de simplicidade e discrição. Este apreço pela humildade, virtude a que Santa Teresa d'Ávila chamava "andar na verdade", é uma constante no Evangelho de Jesus Cristo. Isto porque a humildade cristã não é senão uma profunda sensatez, um dar-se conta efetivo das coisas como eles são de fato: Deus é infinito, majestoso, a Ele se devem todas as glórias e louvores; nós, porém, somos um nada, somos o pó da terra, somos menos que um grão de areia perto da infinitude e majestade do Altíssimo. Daí que o orgulho e a soberba têm um quê de loucura, de insanidade, pois nos envaidecem e nos incitam a querer as honras e as glórias que só à Trindade Santa podem pertencer.

Por isso, se queremos participar do banquete de Cristo, isto é, da mesa eucarística, temos de nos dispor a ocupar sempre os últimos lugares. Devemos entrar em cada Missa e em cada fila da comunhão com espírito de rebaixamento; quando nos achegamos ao ministro da eucaristia, temos de dizer ao Senhor sacramentado: "Jesus, eu não mereço receber-Vos, não sou digno de estar na Vossa santa presença." A nossa postura diante dele, portanto, deve ser a do homem humilde (ταπεινός), que se rebaixa, que se faz de capacho, que se coloca na posição de quem foi feito para adorar, e não para ser adorado. Não é, afinal, por pura misericórdia de Deus que nos foi dada a oportunidade de comungar? Que méritos, então, temos nisto? Quem, senão Deus, nos permite participar da ceia de seu Filho único?

É aqui, neste ato de humildade, em que nos encontramos conosco e com Deus, que deve começar a nossa oração. É apenas neste reconhecimento da própria miséria que poderemos recorrer Àquele que é misericórdia. Sejamos, pois, pequeninos diante dele; assumamos a nossa condição de "pobres de Javé" (anawin), tenhamos consciência de que dependemos dele para tudo e de que sem Ele nada somos nem podemos ser. Sejamos despojados e verdadeiramente pobres de espírito. Colocando-nos assim no último lugar, que é o que nos cabe, seremos capazes de enxergar as inúmeras graças com que o Senhor nos conduz às primeiras posições, aos lugares reservados aos santos, àqueles que o souberam amar em espírito e verdade.

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