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A Oração de São Miguel

A Oração a São Miguel hoje

Sabemos já que a nossa luta é no campo das ideias. É por meio delas que, hoje mais do que nunca, o diabo nos quer induzir ao pecado, na precisa medida em que, afastando-nos da verdade, nos afasta da Igreja de Cristo e de seus meios salutares de santificação. 

Mas o que nós, leigos e leigas, simples trabalhadores e pais de família, podemos fazer? De que armas estamos providos para resistir às investidas do demônio, que não descansa enquanto ainda lhe é possível armar-nos mais um laço, seduzir-nos com mais uma mentira? É sobre isto que fala o Padre Paulo Ricardo na última da aula do curso A Oração de São Miguel.

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Desde a época da Revolução Francesa, cuja história é como uma só coisa com a difusão da Maçonaria pelo continente europeu, a Igreja tem clara consciência de que a sua luta espiritual hoje, mais do que em outros tempos, se concentra no campo das ideias. São estas, como visto na aula passada, o meio preferido pelo diabo, que não pode penetrar na fortaleza da nossa vontade, para nos inclinar e induzir ao pecado, persuadindo a nossa inteligência de que é bom e desejável o que ele sabe ser mal e perverso. 

Ora, o papel que as ideias maçônicas jogam nesta luta, claramente a favor do diabo, se vê sem problema algum se se considera que, desde as suas origens, a Maçonaria se caracteriza como uma religião secular fortemente indiferentista. Atesta-o, entre outros, um dos primeiros documentos da Igreja referentes à seita dos maçons, de cujas sociedades sempre fizeram parte “homens de qualquer religião e seita, satisfeitos com uma afetada aparência de honestidade natural” (Clemente XII, Carta Apostólica “In eminenti apostolatus specula”, de 28 abr. 1738: DH 2511).

Além de seu caráter secretista, um dos crimes mais graves da Maçonaria está na sua doutrina pervertida, que hoje parece ter tomado conta de não poucas almas, mesmos as alheias a círculos e conventículos maçônicos. Trata-se de uma doutrina que, como dito acima, se contenta “com uma afetada aparência de honestidade natural”, como se o homem fosse capaz por si mesmo de alcançar a salvação, sem necessidade alguma seja de Cristo, seja da Igreja e dos seus meios de santificação. E, por não ser necessária a Redenção nem, por conseguinte, a graça de Cristo, afirmam os que seguem tal doutrina que o homem pode ser salvo independentemente da religião que professe, porque todas elas — concluem — são igualmente boas, distinguindo-se apenas em aspectos secundários e externos.

Apesar das boas ou más intenções que porventura tenham os seus adeptos, não há dúvida de que esta doutrina é, em si mesma, um dos mais diabólicos instrumentos de Satanás, que dele se serve para, com sutis mentiras, sob a aparência de uma tolerância muito “humana” e muito “cordata”, afastar o maior número de almas possível da Igreja Católica, de sua salutar doutrina e dos meios de santificação que Cristo mesmo lhe confiou, para que aos homens de todos os tempos e lugares chegassem de forma segura os frutos copiosíssimos de sua Redenção. 

Os maçons até podem apresentar-se publicamente como um mero grupo filantrópico e humanitário, ou ainda como uma associação de “espíritos livres” interessados unicamente na ciência e no progresso da humanidade, mas não deixa de ser verdade que eles constituem, sim, uma forma secular de religião: possuem eles os seus templos, a sua “liturgia”, com os adereços e vestimentas apropriados, os seus estatutos e normas, os seus ritos de iniciação, a sua doutrina… E apesar de afirmarem em foro externo que são de todo contrários ao “exclusivismo” católico, que se crê a única religião verdadeira, é evidente que a própria doutrina dos maçons, por sua mesma lógica, pretende estar acima de todas as outras doutrinas e sistemas: só ela tem uma perspectiva privilegiada da condição e do destino do homem, só ela possui a ciência do que é realmente necessário à plena realização das almas, ao passo que as demais religiões não passam de puerícias, às quais se apegam os pouco esclarecidos. 

Ora, isso não os impediu de tentar levar a cabo “a última intenção de seus projetos, a saber: destruir desde os fundamentos toda a disciplina religiosa e política que nasceu das instituições cristãs e substituí-la por uma nova, de acordo com as idéias deles” (Leão XIII, Encíclica “Humanum genus”, 20 abr. 1884: DH 3156), como lamentava o Papa Leão XIII, que viu de perto o resultado das maquinações da Maçonaria para enfraquecer o poder moral e espiritual da Igreja Católica sobre a sociedade e as consciências. 

É verdade que, em 1921, durante o pontificado de Pio XI, finalmente se celebrou a conciliação entre a Santa Sé e o Estado italiano. No entanto, o Papa julgou oportuno preservar as orações ao final da Missa, mas alterando-lhes a intenção: agora, não se devia rezar pela paz na Itália, em Roma nem pelos Estado pontifícios, já extintos, mas pela liberdade cristã na Rússia, oprimida à época pelo comunismo soviético, no poder desde 1917. Além disso, Pio XI levantou a voz contra as forças maçônicas e socialistas no México e na Espanha, contra as falsas ideias, que já então circulavam, sobre o aborto e o controle de natalidade, tendo assim um dos pontificados em que mais claramente se vê o ferocíssimo embate de ideias que a Igreja vem travando nos últimos tempos.

Hoje, de modo particular, assistimos ao crescimento contínuo de um projeto ideológico, de cariz fortemente educacional, que pretende impor certas ideias a todo custo. Instituiu-se, para isso, como que uma nova “Inquisição”, instalada nos tribunais e nas empresas, nas escolas e nos meios virtuais, encarregada de preservar, incólume e inquestionada, a “ortodoxia” do politicamente correto, perseguir os dissidentes e silenciar-lhes a voz. Nesse sentido, o que faz hoje a agenda globalista, com sua imposição tirânica de mentiras como a ideologia de gênero e de práticas perversíssimas como o aborto, é a realização quase literal do que dizia Leão XIII em seu exorcismo, referindo-se à atuação política dos maçons da época: erigiu-se em “Magistério”, assentando-se como cátedra de Satanás para levar ao erro, não à luz, todas as nações, tentando, se possível, inebriar com o absinto de suas iniquidades — heresias, luxúria, mentira, corrupção… — até mesmo os filhos da Igreja.

Diante disso, o que podemos fazer? Podemos e devemos rezar, não só reforçando nossas orações de costume, mas indo além. Embora, como simples leigos, não tenhamos na Igreja nenhuma jurisdição nem, portanto, a autoridade para celebrar nenhum sacramental (como é o caso do exorcismo, propriamente dito), podemos, contudo, fazer duas coisas:

  1. Realizar frequentemente orações de libertação, isto é, dirigidas a alguma das pessoas da SS. Trindade, à Virgem Maria, a algum santo da nossa devoção, aos santos anjos etc., com o fim de pedir o seu auxílio na hora da tentação. Estas orações podem ser jaculatórias breves e ferventes, súplicas espontâneas ou algumas orações já “institucionalizadas”. São desta última classe, por exemplo, as duas orações a São Miguel Arcanjo: a menor e mais conhecida, que antes se recitava no final da Missa; e a maior e menos conhecida, que, apesar de ser parte de um ritual de exorcismo, pode, sim, ser rezada por qualquer fiel, precisamente como oração de libertação dirigida ao príncipe da milícia celeste.
  2. Fazer o que se chama de exorcismo não sacramental, como o da medalha de São Bento, já que todos recebemos de Cristo, em virtude do Batismo e sem necessidade de jurisdição eclesiástica, o poder de expulsar o demônio, não da Igreja inteira, da nossa diocese ou paróquia, mas da nossa própria vida e, se somos pais ou mães de família, da nossa casa. Essas orações, que fique bem claro, só se devem usar com humildade e prudente discrição (isto é, de forma privada, sem dar aos outros ocasião de escândalo ou de confusão quanto à doutrina sobre a distinção essencial entre leigos e sacerdotes). Como princípio geral, a elas só deveríamos recorrer em caso de razoável necessidade (por exemplo, durante uma tentação mais intensa, ou se não forem suficientes as orações de libertação). Como tais exorcismos não sacramentais se dirigem explicitamente ao demônio, ordenando-o a deixar-nos em paz por força da autoridade de que fomos revestidos como batizados em Cristo, não devem ser feitos em público, repetimos, nem com excessiva frequência, mas com espírito de fé e humildade.

São essas duas virtudes as nossas grandes armas nesse combate. Se guardarmos a fé e formos humildes, sairemos vencedores da batalha, porque assim como o diabo foi precipitado do céu por sua soberba, assim também é pela nossa humildade que o vencemos, resistindo às suas investidas e entregando-nos, quais crianças pobres e indefesas, aos braços misericordiosos de Jesus Cristo, sem o qual nada podemos por nós mesmos. Nesta batalha, sejamos sempre humildes, a exemplo de São Miguel, e nunca assumamos ares de “valentões” imbatíveis: o diabo sabe como nos atacar, mas temos nós a certeza de já possuir a vitória, se permanecermos fiéis a Cristo e submissos à proteção que Ele nos oferece pelo ministério dos seus santos anjos. 

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