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A Oração de São Miguel

A nossa luta é contra o inferno

A nossa luta não é contra os poderes deste mundo, mas contra as forças do inferno, nem são homens o que combatemos, mas os espíritos malignos espalhados pelos ares. Não têm eles o poder de coagir nossa vontade, mas podem incliná-la de mil modos ao pecado. Não podem obrigar-nos a pecar, mas a isso nos tentam sem descanso. 

Nesta luta, em que só sai vencedor quem se humilha diante de Deus para lhe pedir graça e perdão, contamos com o auxílio dos santos anjos, prontos para derramar sobre nós, se assim o quisermos, incontáveis benefício de corpo e de alma. É esta admirável união entre os fiéis que ainda vivem na terra e a milícia celeste contra os poderes do inferno o tema da quinta aula do nosso curso sobre A Oração de São Miguel!

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Quem conhece a lenta, mas constante derrocada da cultura cristã, que se vem acentuando dos últimos séculos para cá, não pode deixar de ver nas ideologias modernas um dos principais carros-chefes postos em marcha pelo demônio em sua luta contra a Igreja de Cristo. É fato que, além das ideologias, muitos outros fatores como a política, a economia etc. entram em jogo e permitem explicar, em parte, as mudanças profundas por que tem passado a sociedade, que de eminentemente católica há pouco menos de um milênio se tornou, em pouquíssimo tempo, algo quiçá pior do que fora em seu remoto passado pré-cristão.

Não há dúvida, porém, de que a principal batalha que a Igreja vem travando é no campo das ideias, muitas delas inconciliáveis com sua doutrina, “surgidas das trevas para a ruína e a devastação, seja do que é sagrado, seja do que é público” (Pio IX, Encíclica “Qui pluribus”, de 9 nov. 1846: DH 2783). De um lado, o Evangelho de Cristo, com sua mensagem divina, com seus preceitos exigentes, mas sublimes, com seus auxílios sobrenaturais; de outro, os erros de cada tempo, com suas falsas promessas de liberdade, meras continuações da mentira da serpente infernal.

Mas esta batalha, se é da Igreja como um todo, nem por isso deixa de ser da cada um de nós, que ainda militamos na terra. Pois nem os bem-aventurados do céu, que já triunfam na glória, nem as almas do Purgatório, que esperam, seguras da salvação, sua entrada definitiva na pátria celeste, têm mais por que lutar: para eles, a batalha acabou, porque dela já saíram vitoriosos. Somos nós, cristãos de cada geração, de ambos os sexos e de todas as idades, leigos ou sacerdotes, os combatentes e, por isso mesmo, o alvo que o inferno tem em mira. São as nossas almas o que está em jogo, e se nada fizermos para salvá-las, o demônio as levará consigo para o abismo, como “prêmio” de seus esforços diabólicos. Porque não têm os anjos malignos, condenados às penas eternas, outra ocupação além de tentar os homens, a fim de levar o maior número deles possível para o inferno, e para isto eles se podem servir dos mais diferentes meios, espirituais (tentações, obsessões, possessões etc.) e materiais (circunstâncias políticas, econômicas, cooperação de homens maus etc.).

Ora, se é esta a finalidade dos anjos malignos, não é nenhum exagero dizer que quando um homem se confessa, recobrando assim a justiça que havia perdido por causa do pecado, o inferno recebe o pior golpe de todos. Um única absolvição no confessionário é para Satanás a mais dura, a mais insuportável, a mais terrível humilhação, muito pior do que, por exemplo, um exorcismo bem sucedido: este, embora livre o possesso da ação demoníaca, não lhe garante o estado de graça, ao passo que a absolvição sacramental livra o pecador do reato da condenação eterna: com ela, são frustrados os planos do diabo, e se lhe escapa das mãos mais uma alma preciosa.

Vejamos, porém, em que consiste propriamente esta batalha de que cristão nenhum se pode eximir. Em primeiro lugar, é preciso ter bem claro que a intimidade do nosso coração e a nossa vontade são como uma fortaleza impenetrável, à qual ninguém, além de Deus, tem acesso direto. Eis por que demônio algum, por poderoso que seja, nos pode obrigar a pecar; nem o próprio diabo tem o condão de nos dobrar a vontade, fazendo-nos optar pelo mal. Todo pecado é, por definição, voluntário, e se é o pecado o que nos leva para o inferno, é forçoso concluir que somos nós, primária e principalmente, que nos condenamos, porque somente nós, com um ato livre e consciente, podemos querer pecar e de fato pecar.

A única coisa que está ao alcance dos anjos maus é nos tentar, solicitar, seduzir, atrair com mentiras, apresentando-nos sob a aparência de bens os males mais repugnantes. Eles podem, é verdade, agir em certa medida sobre as nossas potências interiores (imaginação e memória) e exteriores (os cinco sentidos externos), mas é sobretudo nas ideias que eles preferem atuar. Com isso, repetimos, não têm eles o poder de coagir nossa vontade, que sempre permanece livre, mas somente de incliná-la ao pecado, na medida em que logram enganar o nosso entendimento, isto é, induzindo-nos a julgar como desejável o que nos é apresentado falsamente como tal, e incitando-nos a cometer, por nossa própria escolha, o pecado a que nos conduzem.

Eis por que a Sagrada Escritura chama ao demônio pai da mentira: é nele, em última instância, que têm origem as falsas ideias, os maus valores, os princípios errados, as máximas depravadas, tudo aquilo que, numa palavra, pode afastar o homem da verdade e, por conseguinte, de Cristo e sua Igreja, onde se encontra a plenitude dos meios de salvação e fora da qual ninguém pode ser salvo. Isso se vê com clareza na degradação do Ocidente: o mar de imoralidades em que vivem tantas e tantas almas hoje em dia seria impossível sem as as falsas ideias que, por um ou outro meio, o demônio conseguiu espalhar pelo mundo, como o homem inimigo que, no calar da noite, mistura a cizânia em meio ao trigo bom.

E o que, no fim das contas, São Miguel tem a ver com tudo isso? A ele coube, segundo o testemunho da Escritura, a missão de chefiar os anjos que nos assistem em nossa batalha espiritual contra Satanás. Apesar de pertencer à hierarquia dos anjos inferiores, que estão em contato imediato conosco, São Miguel foi elevado por graça e ministério à condição de cabeça de todos eles, e é por isso que recebe o título de príncipe da milícia celeste, detentor de um verdadeiro primado à frente dos exércitos de Deus. E essa autoridade, lembremos, ele não conquistou por outro motivo senão por sua profundíssima humildade: Quem como Deus?

Pois bem, se Deus o pôs à frente das milícias dos anjos, arcanjos e principados, ter devoção a São Miguel significa ter acesso privilegiado ao comandante do exército, é poder falar e recorrer diretamente a quem mais poder, autoridade e visão recebeu para nos fazer sair triunfantes da batalha. É verdade que Deus o poderia fazer por si mesmo: como Senhor e governador do universo, não tem necessidade de coisa alguma; no entanto, segundo a sapientíssima disposição de seu divino governo, Ele quer servir-se de suas criaturas como causas segundas e ministeriais, que dele dependem em todas as suas ações, mas que podem, sim, ajudar-nos de forma próxima e imediata.

De que modo, porém, nos podemos colocar sob a proteção dos anjos bons? O princípio aqui é o mesmo: por terem em comum com demônios a mesma natureza angélica, com suas limitações constitutivas, os anjos bons não têm acesso aos nossos pensamentos mais íntimos (a não ser que lhos manifestemos livremente) nem podem coagir nossa vontade; podem, contudo, influenciar nossa inteligência, sobretudo quando lhes damos permissão dócil e expressa. Se nos pusermos sob o campo benfazejo de sua influência, terão eles o poder de nos apresentar por diversos meios os verdadeiros bens, que, uma vez apreendidos pelo nosso entendimento, ou lembrados pela memória, ou concebidos na imaginação, moverão nossa vontade a realmente querê-los e buscá-los. Desta forma, os anjos bons nos são de grande ajuda e estímulo no exercício das virtudes, sobretudo da maior e principal delas, que é a caridade. 

E dado que a inteligência angélica em muito excede a nossa, de tão curtas vistas, é inquestionável que pôr-se sob a influência do nosso anjo custódio, que sabe muito melhor do que nós que mais nos convém para a nossa salvação, equivale de certo modo a potencializar o próprio entendimento. É, por assim dizer, como se os anjos bons, excitando frequentemente em nossas almas pensamentos santos, inspirando-nos conselhos salutares, nos ajudassem a ver mais longe, com mais penetração, além do que seríamos capazes de fazer sozinhos, apenas com nossas forças, e isso não pode deixar de repercutir positivamente em nossa vontade, já que nada poder ser querido por ela sem ser antes conhecido pela inteligência.

Ora, que os anjos da guarda derramem sobre nós inumeráveis benefícios, é algo que se vê com ainda maior clareza se consideramos que, além do que foi dito, eles também:

  1. Defendem-nos constantemente de um multidão de perigos, tanto físicos como espirituais.
  2. Impedem que os demônios nos façam todo o mal que gostariam de fazer.
  3. Inquietam-nos se estamos em pecado, estimulando-nos a detestar nossas culpas e nos dispondo à graça do arrependimento.
  4. Ajudam-nos a perseverar e crescer na graça santificante, se estamos em amizade com Deus, ajudando-nos a encontrar mais gosto nas coisas divinas.
  5. Oferecem a Deus nossas orações e imploram para nós o auxílio divino.
  6. Assistem-nos de maneira particularíssima na hora da morte, quando deles mais precisamos.
  7. Consolam-nos no Purgatório e estarão ao nosso lado eternamente no céu como anjos, não mais da guarda, mas correinantes [1].

Por isso, a Igreja crê que, ao rezarmos aos santos anjos, nos pomos realmente sob a sua proteção e auxílio. Do mesmo modo, invocando a São Miguel Arcanjo, colocamo-nos de fato sob o seu patrocínio especialíssimo, que consiste antes de tudo em nos fazer enxergar o quão pequenos e necessitados somos de Deus, para que com ele possamos dizer: Quem como Deus? Porque ele, sendo humilde, foi feito príncipe da milícia celeste; e, pela virtude que recebeu, noo há-de conduzir à mesma humildade, que é o penhor dos que um dia chegam a reinar no céu.

É importante ter em mente, por último, que a orações feitas aos santos anjos, seja ao nosso anjo da guarda, seja a São Miguel ou a outros dos santos arcanjos, não são “fórmulas mágicas”, uma espécie de sortilégio que basta recitar, sem atenção nem devoção, para conseguir assim toda sorte de benefícios. A oração cristã não é magia, mas súplica e confiança, um apelo que deve brotar de uma alma humilde e confiante, que se sabe sob o cuidado de Deus, que nos adotou como filhos, e de todas as criaturas angélicas que Ele com tanta bondade pôs ao nosso dispor, como amigos e auxiliares. Estas orações, como a de São Miguel Arcanjo, são também um convite que a Igreja faz a que nos abramos às verdades de fé nelas contidas e que, por elas iluminadas, no deixemos proteger e guiar confiadamente pelos espíritos angélicos, servidores poderosíssimos de Deus. 

Referências

  1. Cf. Pe. Antonio Royo Marín, Dios y su obra. Madrid: BAc, 1963, pp. 412-413, n. 415.
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