Vimos até agora a importância de compreendermos a ordem dos amores: amamos primeiro a Deus; depois, a nós mesmos, criaturas chamadas à salvação; e, em seguida, ao próximo. Dentro dessa ordem natural e sobrenatural, o próximo mais imediato no matrimônio é o cônjuge, e não os filhos. Isso não diminui o amor paterno, mas recorda uma verdade óbvia: um dia, os filhos saem de casa; o cônjuge permanece. A estabilidade e a santidade da família dependem dessa prioridade.
1. Fundamento bíblico da complementaridade
O livro do Gênesis fundamenta a união entre homem e mulher sobretudo em três passagens. Em Gn 1, 27, lemos: “Deus criou o ser humano à sua imagem… homem e mulher os criou”, ao que acrescenta o versículo seguinte: “Sede fecundos e multiplicai-vos”. Em Gn 2, 18, por fim, diz o Espírito Santo: “Não é bom que o homem esteja só; vou fazer-lhe um auxílio que lhe corresponda”. A criação do ser humano em dois sexos revela uma complementaridade, não apenas biológica, mas também existencial e espiritual, desejada dessa forma pelo Criador.
2. Submissão e serviço no matrimônio
Para compreender a relação entre marido e esposa, recorramos à exortação de São...









