A Basílica de Nossa Senhora Aparecida acolheu, ontem, pela manhã, Sua Santidade, o Papa Francisco. Mesmo debaixo de chuva e de uma temperatura baixa, a multidão de peregrinos que esperava o Papa não arrefeceu. Alguns estimam que eram cerca de 200 mil os fiéis que participaram da Santa Missa com o Pontífice.

Sua Santidade chegou a Aparecida por volta das 10h15min. Depois de cumprimentar o cardeal-arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno, e algumas autoridades políticas do estado de São Paulo, Francisco seguiu de papamóvel até o interior do santuário, sendo saudado efusivamente pelos romeiros no caminho.

Um pouco antes da Missa, pausa para uma breve oração diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Com os olhos fixos em Maria e uma profunda atitude de devoção e reverência, o Santo Padre mostrou-nos a importância do amor à Virgem Santíssima. Ao contrário do que sugerem muitos protestantes, temos consciência de que a honra à Mãe não ofusca o culto de adoração devido só a Deus. "Quem muito enaltece a mãe – ensina Santo Afonso de Ligório –, não precisa ter receio de obscurecer a glória do filho". Pelo contrário, como poderia Jesus se entristecer ou incomodar com os obséquios e atos de amor dirigidos à sua Mãe?

Durante a celebração do Santo Sacrifício, celebrado com dignidade e reverência, o Papa Francisco lembrou justamente isto. Disse que "a Igreja, quando busca Cristo, bate sempre à casa da Mãe". "Eu venho hoje bater à porta da casa de Maria, que amou e educou Jesus, para que ajude a todos nós, os Pastores do Povo de Deus, aos pais e aos educadores, a transmitir aos nossos jovens os valores que farão deles construtores de um País e de um mundo mais justo, solidário e fraterno."

Ainda na homilia, frisou a necessidade da adoração ao verdadeiro Deus para se chegar à autêntica felicidade. "Hoje, mais ou menos todas as pessoas, e também os nossos jovens, experimentam o fascínio de tantos ídolos que se colocam no lugar de Deus e parecem dar esperança: o dinheiro, o poder, o sucesso, o prazer. Frequentemente, uma sensação de solidão e de vazio entra no coração de muitos e conduz à busca de compensações, destes ídolos passageiros."

O Santo Padre alertou ainda para o perigo de se desprezar o patrimônio religioso do povo brasileiro, visivelmente ofendido pela constante secularização de nossas instituições. Ele lembrou que os jovens "não precisam só de coisas, precisam sobretudo que lhes sejam propostos aqueles valores imateriais que são o coração espiritual de um povo, a memória de um povo". Também fez questão de apontar a origem católica destes valores: "Neste Santuário, que faz parte da memória do Brasil, podemos quase que apalpá-los: espiritualidade, generosidade, solidariedade, perseverança, fraternidade, alegria; trata-se de valores que encontram a sua raiz mais profunda na fé cristã."

Ao final da celebração, o Papa fez um ato especial de consagração a Nossa Senhora Aparecida e prometeu voltar ao santuário, em 2017, quando se comemorará o 300º aniversário da pesca milagrosa no Rio Parnaíba.