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Rituais macabros desmascaram propaganda pró-aborto
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Rituais macabros
desmascaram propaganda pró-aborto

Rituais macabros desmascaram propaganda pró-aborto

Grupos defensores do aborto alegam com frequência que a prática não elimina uma vida humana. Mas as observações de uma médica aborteira revelam: muitas mulheres sabem bem a verdade do que estão fazendo...

Sarah TerzoTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Abril de 2020Tempo de leitura: 3 minutos
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Grupos defensores do aborto alegam com frequência que a prática não elimina uma vida humana, mas as observações de uma aborteira revelam que muitas mulheres sabem bem a verdade do que estão fazendo.

Embora algumas ativistas admitam que o aborto elimina, sim, uma vida, descobri que, em sua maioria, as ativistas que encontramos em fóruns ou manifestações pró-aborto negam que o aborto tire a vida de um bebê. Em vez disso, dizem eles, o aborto remove “tecido”, “células” ou, quando são estranhamente explícitos, um “feto”, mas não um ser humano em desenvolvimento.

Afirmações desumanizadoras sobre os nascituros podem ser encontradas com frequência na literatura pró-aborto. Um livreto distribuído pela unidade da Planned Parenthood nas Montanhas Rochosas, por exemplo, diz o seguinte:

O feto está vivo? As algas, as minhocas e o seu apêndice estão vivos. O bolor no pão que está na geladeira está vivo. As pessoas não estão de acordo sobre o que é a vida.

De acordo com a Planned Parenthood, portanto, fazer um aborto é tão insignificante quanto eliminar bolor, algas ou minhocas. Dizem que não há nenhuma diferença entre tirar o apêndice e arrancar um bebê do ventre materno à força (desmembrando-o com um fórceps, envenenando-o ou sujeitando-o a uma sucção violenta que lhe arranca braços e pernas).

A feminista Amanda Marcotte, do site pró-aborto Rewire News, disse certa vez no Twitter:

A ingestão de antibióticos elimina mais vidas do que um aborto. Um organismo é menos do que os bilhões de mortos pelo uso de um antibiótico.

Esses são apenas dois exemplos típicos da retórica empregada na literatura e nas mídias sociais de quem defende o aborto. Vejamos, porém, a citação abaixo. Em seu livro “Por que sou uma médica aborteira” [Why I Am an Abortion Doctor, sem tradução portuguesa], Susan T. Poppema descreve os rituais realizados por algumas mulheres que abortaram em sua clínica [1]. Poppema diz:

Na realidade, nossa clínica é um local relativamente tranquilo. Algumas mulheres ampliam essa percepção quando realizam rituais em torno dos procedimentos. Há pouco tempo, uma paciente veio com seu parceiro e trouxe velas; ela nitidamente transformou a experiência numa forma ritual de dizer: “Tenho orgulho de mim por fazer esta escolha, e também estou triste por ela” (New York: Prometheus, 1996, p. 120). 

Obviamente, essas pacientes sabiam que não estavam se livrando de “bolor” ou de “algas”. Ninguém acende velas depois de jogar no lixo um pedaço de pão embolorado. Ninguém realiza um ritual depois de tirar algas do aquário. Ninguém “fica triste” ou sente a necessidade de comemorar a destruição de germes. Não temos rituais para nos ajudar a lidar com nossas emoções depois que tomamos antibióticos, assim como não existem grupos de apoio para pessoas que passam desinfetante nos armários da cozinha.

O aborto é mais do que uma simples cirurgia de rotina. Qual foi a última vez que você ouviu falar de um paciente que levou velas no dia de tirar as amígdalas? Quantas pessoas realizam um ritual quando vão a um consultório para remover um cisto? Quantas vezes você foi ao dentista e viu um paciente acender velas para prestar reverências aos sisos extraídos?

Exceto em casos de doentes mentais, a resposta é: nunca

As palavras de Poppema indicam que suas pacientes sabem que abortar é algo muito mais sério do que matar “bolor” ou “bactérias”. Isso é verdade, apesar da propaganda pró-aborto a que foram expostas. Por mais que as ativistas tentem desumanizar o nascituro, muitas mulheres ainda sabem qual é a verdade: trazem no útero uma vida humana.

Não sei se Marcotte ou a pessoa que escreveu o panfleto da Planned Parenthood realmente acreditam no que disseram sobre os nascituros, ou se sabem que sua propaganda é falsa e enganosa. Será que realmente vêem a ecografia de um bebê chutando e chupando dedo e enxergam algo parecido com bolor ou bactéria?

Quem ganha a vida promovendo o aborto tem um grande motivo para negar a realidade: aliviar a sua consciência. Essa pessoa fará o possível para desumanizar os nascituros, a fim de justificar o lucro obtido com a morte deles. Uma mulher que aborta pode sentir uma necessidade semelhante. Para aliviar o peso de sua culpa ou justificar um rendimento obtido com a promoção da morte, essas pessoas podem convencer a si mesmas de que bebês com batimentos cardíacos, ondas cerebrais e, muitas vezes, dedos de mãos e pés formados, são semelhantes a algas e a bactérias. 

Por barulhenta que seja, porém, a propaganda a favor do aborto, cada vez mais pessoas conseguem ver o que ela esconde.

Notas

  1. Chamamos a atenção dos leitores para o fato de que esse não é um relato isolado e aleatório. Um texto recente sobre “o sacrifício de crianças na era da Covid-19” traz uma porção de “rituais de aborto pré-escritos”, com invocações de espíritos e orações a divindades pagãs, com direito a “Amém”. Evidentemente, (queremos acreditar que) só uma minoria das mulheres que abortam realiza cerimônias desse gênero. O simples fato de elas existirem, no entanto, aponta para um claro desequilíbrio moral da nossa civilização (Nota da Equipe CNP).

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A Páscoa e os zumbis
Doutrina

A Páscoa e os zumbis

A Páscoa e os zumbis

O que explica o fascínio contemporâneo pelos zumbis? Surpreendentemente, não é uma pergunta para o Halloween, mas para a Páscoa. A resposta a seguinte: somos atraídos pelos mortos porque acreditamos na vida eterna.

Dale AhlquistTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Abril de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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Zumbis têm andado por aí ultimamente. Não zumbis de verdade, é claro, porque eles não existem. Levando em conta sua popularidade, o fato de não existirem é um grande inconveniente para eles. Mas tampouco lhes seria muito vantajoso existir. Ainda que pudessem experimentar certa satisfação, sua vida intelectual e espiritual, penso eu, seria terrivelmente limitada. É difícil, no entanto, afirmar e argumentar qualquer coisa a respeito, dada a monstruosa falta de evidências.   

Mas o que é o fascínio pelos zumbis? Surpreendentemente, não é uma pergunta para o Halloween, mas para a Páscoa. A resposta é a seguinte: somos atraídos pelos mortos porque acreditamos na vida eterna. Porém, num mundo decaído e corrupto, até nossa ideia de ressurreição é decaída e corrupta. Não temos vida após a morte; temos mortos-vivos. Ainda que seja apenas uma fantasia e uma forma de entretenimento de baixa qualidade, não deixa de ser o reflexo da corrupção de uma boa ideia. É a arte imitando a morte. Na outra ponta da experiência humana, permitimos o mesmo tipo de distorção doentia: em lugar da glória da vida nova surgindo no útero, temos a destruição, fria e clínica, da vida. Em lugar de bebês, temos não nascidos. Mas isso não é fantasia. É uma realidade trágica.

Esses dois lamentáveis extremos são, é claro, precisamente o oposto da perspectiva cristã, desespero em vez de esperança, tristeza brutal em vez de alegria. O contraste fica ainda mais evidente na época da Páscoa. Eu lhes direi a razão, porque um amigo meu, dr. Stuart Kolner, que, como eu, encontrou seu caminho para a Igreja Católica em grande medida por influência de G. K. Chesterton, acabou de me enviar um e-mail maravilhoso:

Entre o tempo da Paixão e a Páscoa, refleti profundamente na ideia de “vitalização” [quickening], que me veio à mente várias vezes enquanto meditava sobre o Tríduo. Na experiência humana, as duas circunstâncias mais improváveis para uma vitalização são, sem dúvida, um útero [womb] selado e um túmulo [tomb] selado. No entanto, aprouve ao Deus das surpresas suscitar vida em ambos. Talvez não seja um pensamento original, mas creio que G. K. Chesterton teria apreciado o paralelo linguístico e a audácia divina que nosso Pai tantas vezes usa para nos lembrar de nossas origens misteriosas.

Como disse: maravilhoso.

O útero [womb] selado e o túmulo [tomb] selado. Os dois lugares mais improváveis para encontrar vida. Esse “paralelo linguístico” (neste caso, uma rima entre termos em inglês) entre o nascimento virginal e a Ressurreição é adequado porque são as extremidades da vida de Cristo, uma compatível com a outra. O útero selado é a Virgem Maria. Um lugar imaculado e intocado. O túmulo selado é o local onde se depositou o corpo de Cristo depois de sua morte cruel. Estava literalmente selado. Pôncio Pilatos pôs sua marca na pedra acima do túmulo e determinou que dois guardas ficassem lá. Outro local onde não era possível entrar e que não podia ser tocado. Mesmo assim, houve uma vitalização no interior dos dois lugares.

A Encarnação é o maior dos paradoxos: Deus se faz carne. Por isso celebramos o Natal e a Páscoa. A Encarnação nos reúne em torno da manjedoura e do túmulo vazio com intensa alegria. Quando nos alegramos e celebramos — como todos deveríamos fazer —, a teologia não é a primeira coisa que vem à mente. Mas a teologia — isto é, a lógica de Deus — explica por que ficamos tão felizes. É necessário que Deus venha como bebê para que possa morrer como homem. É necessário que morra como homem para que ressuscite dos mortos. Não pode haver maior esperança que a vida eterna.

Naturalmente, nós cremos que Deus se fez carne quando foi milagrosamente concebido no útero na Virgem Maria, um evento que sempre celebramos no meio da Quaresma com a solenidade da Anunciação. Mas, como observa o dr. Kolner, a primeira vitalização no útero, quando o corpo de Cristo, ainda bebê, começou a se mover, certamente tem um paralelo com o corpo do Cristo morto no túmulo. Este não era um zumbi. Era o Senhor ressuscitado.

Divina audácia! Essa é a frase mais chestertoniana do e-mail do dr. Kolner, perfeitamente escrito; é a combinação de duas palavras que normalmente não aparecem juntas. Não esperamos que Deus seja audacioso. Mas é muito divertido quando percebemos que Ele é. Sabemos que uma das emoções agradáveis da vida está em ser audaz e ousado, em assumir riscos e romper convenções de forma corajosa. Somente a teologia católica reconhece que o Autor da vida tem a capacidade de desfrutar não somente da vida, mas da emoção da vida e de ser audaz.

Mais uma coisa: Chesterton enxerga o tema permanente da Ressurreição na história cristã quando observa que na história já houve momentos em que a Igreja parecia estar morta, destruída por algum evento físico, por uma filosofia estúpida, por uma enorme heresia, por um escândalo gigante ou pela corrupção integral. E ela sempre recobrou vida de algum modo, porque possui um Deus que sabe qual o caminho para sair do túmulo. Como sugere o dr. Kolner, facilmente podemos imaginar Chesterton completando o raciocínio ao dizer que impressiona o fato de termos um Deus que sabe tanto o caminho para sair do útero como o caminho para sair do túmulo.

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Por que não podemos nos confessar via internet?
Doutrina

Por que não podemos
nos confessar via internet?

Por que não podemos nos confessar via internet?

O argumento contra a confissão eletrônica pode parecer negativo, mas é justamente o contrário. Os requisitos para a Penitência respeitam e preservam a dimensão pessoal e social da salvação, o sacramento e os que o realizam.

Dominic M. Langevin, O.P.Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Abril de 2020Tempo de leitura: 7 minutos
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Se você estiver preso em casa morrendo num hospital por causa do coronavírus, poderá telefonar a um sacerdote para receber o perdão sacramental? 0-800-CON-FES-SAR? Ou poderá receber o sacramento da Penitência via Zoom ou Skype?

Não. Não dará certo.

Muitos têm abordado o tema da perspectiva do direito canônico, isto é, o que a lei canônica permite ou proíbe (ou deveria permitir). Porém, também deveríamos abordar o assunto do ponto de vista da teologia sacramental, na qual o direito canônico deve se basear. Embora a crise da COVID-19 nos pareça inédita, questões relativas aos sacramentos não o são. A prática penitencial da Igreja já passou por desafios semelhantes (na verdade, piores). O Magistério e os teólogos já estudaram as possibilidades relativas a tais meios, como a confissão por telefone ou internet, e já as rejeitaram — por boas razões teológicas.   

Como afirma o Catecismo da Igreja Católica: “Os sacramentos são sinais eficazes da graça”. Como sinais, os sacramentos possuem uma dimensão física. São orientados por princípios e fins espirituais, mas são também ritos que possuem palavras, gestos e elementos visíveis. Foi assim que Cristo os instituiu, é assim que a Igreja deve celebrá-los. 

O sacramento da Penitência pode ser descrito como um “diálogo” — em relação ao seu significado e efeitos. O objetivo do sacramento é perdoar o pecado grave cometido após o Batismo, para que seja restaurado nosso diálogo amigável e familiar com Deus e com a Igreja. Esse diálogo é, em si mesmo, suscitado por outro diálogo. A cerimônia do sacramento da Penitência envolve basicamente uma discussão entre duas pessoas. O penitente reconhece perante o sacerdote seu arrependimento pelos pecados individuais cometidos, promete realizar uma obra satisfatória e pede perdão. O sacerdote determina a obra satisfatória e absolve o penitente, aperfeiçoando-o na vida da graça. Aqui o sacerdote age in persona Christi.

Ao contrário da maioria dos outros sacramentos, não é necessário um objeto físico inanimado. Algumas interpretações medievais da Penitência atribuíam a ação sacramental exclusivamente ao confessor ou ao penitente. Santo Tomás de Aquino esclareceu que as duas pessoas têm uma função sacramental essencial. O Concílio de Trento confirmou essa interpretação. Poderíamos chamar o sacramento de “concelebração” entre penitente e sacerdote. O rito sacramental possui quatro atos específicos: a contrição do penitente, a confissão, a satisfação e a absolvição. Não se trata de um monólogo, mas de um diálogo. 

A conversação salvífica não pode ocorrer por meios eletrônicos porque o sacramento da Penitência requer a presença física conjunta e a ação ao vivo e interpessoal entre o penitente e o confessor. Devem existir condições para uma conversa plena, natural e humana.

No início do século XVII, o Magistério ensinou que um penitente não pode “confessar pecados sacramentalmente, por carta ou mensageiro, a um confessor ausente” ou “receber a absolvição desse mesmo confessor ausente” (DH 1994; ver também 1995). O problema não estava na confissão por escrito [1], pois Santo Tomás e outros teólogos aceitaram abertamente esse tipo de confissão. O problema também não era a confissão com a ajuda de outra pessoa, pois em alguns casos é admissível a presença de um intérprete, por exemplo. O problema estava na presença e ação simultâneas, de modo que a confissão e a absolvição fizessem parte de um único diálogo físico e cooperativo.    

A sincronização é essencial. Dados os possíveis altos e baixos da vida moral, o penitente precisa ser capaz de manifestar o arrependimento atual em relação a ações passadas, agora rejeitadas. E o sacerdote deve dar a absolvição no presente. Às vezes essa exigência é descrita como “presença moral”. Mas essa atenção interpessoal requer uma proximidade física.

Ao longo dos séculos, os teólogos detalharam as condições necessárias para um diálogo ao vivo e verdadeiro que fosse adequado ao sacramento da Penitência. Em geral, ensinaram que o penitente e o confessor poderiam estar separados por uma distância de até 15 metros — mais ou menos o comprimento de uma sala ampla. Teoricamente, é possível (mas incerto) celebrar o sacramento a uma distância maior que essa. Se um penitente estiver a 150 metros de distância do confessor, por exemplo, haverá um verdadeiro encontro humano, uma verdadeira conversação com o sacerdote que permita falar sobre as matérias do pecado (privadas e constrangedoras)?  

É improvável. Com um megafone acústico que possa transportar a voz humana por meio de ondas sonoras produzidas naturalmente talvez pudesse haver um verdadeiro diálogo. Mas, neste caso, a dimensão física da estrutura sacramental poderia ser levada além de seus limites. O sacramento exige uma presença e um diálogo verdadeiramente humanos, o que exige uma dimensão humana natural.

O uso exclusivo de dispositivos eletrônicos para a celebração do sacramento da Penitência a grandes distâncias foi amplamente condenado, ao longo de mais de cem anos, tanto por especialistas em teologia sacramental e moral como por canonistas. A razão é que tais recursos violam os princípios da presença física e da ação conjunta. Quando ondas sonoras são produzidas por um alto-falante elétrico — mesmo um pequeno, como um telefone — há uma separação entre o produto elétrico e o agente humano. O alto-falante não é parte do corpo humano, como o são as cordas vocais ou as mãos. Ele é uma ferramenta artificial de comunicação. Não é fundamentalmente distinto de outras formas de comunicação que funcionam através de longas distâncias, como sinalizadores de fumaça, cartas e telégrafos. Um alto-falante é apenas mais rápido e mais preciso. O fato de ser possível gravar e reproduzir perfeitamente os sons do alto-falante prova que ele não é humano.  

Se a confissão de um penitente usa apenas meios artificiais sem qualquer sinal natural que manifeste a contrição ao confessor, ou se a absolvição do sacerdote se dá por instrumentos puramente artificiais, certamente não há a corporeidade e a atualidade necessárias para que haja o sinal sacramental. Isso não exclui, por exemplo, a amplificação de um aparelho auditivo (que auxilia, mas não substitui a comunicação natural). Isso significa apenas que devem existir condições para uma conversação física e que os órgãos e sentidos naturais devem estar presentes no sinal sacramental. 

A confissão por meios eletrônicos também ameaçaria o direito dos penitentes — protegido pelo sigilo sacramental — a confessar-se com privacidade. A Agência Nacional de Segurança mostrou que pode gravar — e muitas vezes o faz — todas as conversas telefônicas num país. O governo e determinadas empresas muitas vezes têm acessos backdoor a transmissões seguras (assim são chamadas) como as que são feitas via Skype. Será que o sacramento da Penitência deveria ser administrado em tais circunstâncias? É verdade que os penitentes podem renunciar ao direito à confissão privada (por exemplo, num quarto de hospital cheio). Mas é imprudente pensar numa forma eletrônica de confissão quando se sabe que outros estão escutando.

Mesmo em caso de absolvição geral — a absolvição de muitas pessoas ao mesmo tempo, sem confissão integral prévia por causa de uma excepcional falta de tempo — o rito da Igreja diz que os “penitentes que desejem receber a absolvição [...] devem indicá-lo com algum tipo de sinal”, ajoelhando-se ou curvando a cabeça e dizendo um ato de contrição. Como ensinou o Concílio de Trento: “Se alguém [...] disser que a confissão do penitente não é necessária para que o sacerdote possa absolvê-lo, seja anátema” (DH 1709). 

É inegável que a estrutura dos sacramentos limita sua aplicabilidade. Esse é o escândalo da particularidade sacramental, semelhante à particularidade da Encarnação: Deus considerou apropriado oferecer meios específicos de salvação a pessoas específicas em locais e momentos específicos. E as outras pessoas? Elas têm outros — ainda que inferiores, talvez — meios de salvação. De fato, Deus “deseja que todos os homens sejam salvos” (1Tm 2, 4).

O argumento contra a confissão eletrônica pode parecer negativo, mas é justamente o contrário. Os requisitos para a Penitência respeitam e preservam a dimensão pessoal e social da salvação, o sacramento e os que o realizam. A culpa da pessoa pelo passado e sua contrição no presente são ressaltadas quando ela pode dizer ao ministro de Deus e da Igreja: “Perdoa-me, padre, pois eu pequei [...]. Estou sinceramente arrependido de ter cometido esses pecados”. O mesmo personalismo se aplica quando o sacerdote, instrumento de Cristo, responde: “Eu te perdoo.”

De fato, a crise da COVID-19 nos faz lembrar de nossa existência como pessoas e das condições para a comunhão cristã. Homens e mulheres em quarentena estão sozinhos, apesar dos meios eletrônicos de comunicação, e estão rompendo as determinações de confinamento para se encontrar com familiares e amigos e passar tempo com eles. A comunicação eletrônica não é suficiente. E há um motivo para os que estão assistindo à Missa pela TV saberem que isso não equivale a estar fisicamente na Missa. Por isso anseiam voltar à igreja. A Eucaristia na tela da TV não é a Presença Real.

Nós, seres humanos, somos físicos. A salvação e a comunhão cristãs também o são. O sacramento da Penitência protege e auxilia nossa personalidade encarnada.

Notas

  1. Admite-se, “com causa justa e razoável (v.gr., dificuldade de falar, grandíssima vergonha etc.) que se entregue ao confessor a confissão por escrito e que, uma vez lida esta pelo sacerdote, o penitente presente diante dele diga: ‘Acuso-me de todos os pecados que o senhor acaba de ler neste escrito’. Só então pode receber a absolvição sacramental” (Antonio R. Marín, Teología moral para seglares, vol. 2, p. 303, n. 193).

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O dia em que Santa Faustina sonhou com Santa Teresinha
Santos & Mártires

O dia em que Santa Faustina
sonhou com Santa Teresinha

O dia em que Santa Faustina sonhou com Santa Teresinha

Um dia, quando ainda era noviça, Santa Faustina Kowalska recebeu uma visita mais do que especial enquanto dormia. Era Santa Teresinha do Menino Jesus, trazendo-lhe santos conselhos e ajudando-a na resolução de um problema.

Santa Faustina Kowalska22 de Abril de 2020Tempo de leitura: 2 minutos
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Quero anotar um sonho que tive a respeito de Santa Teresinha do Menino Jesus. 

Eu era ainda noviça e tinha certas dificuldades, [que] não conseguia superar. Tratava-se de obstáculos interiores, mas que se relacionavam com dificuldades exteriores. Fiz novenas a vários santos, mas a situação tornava-se cada vez mais difícil. Os meus sofrimentos por esse motivo eram tão grandes que já não sabia como continuar a viver.  

De repente, veio-me a ideia de rezar a Santa Teresinha do Menino Jesus. Comecei uma novena a essa santa, pois já antes do ingresso no convento tinha grande devoção a ela. Agora me descuidei um pouco dela, mas, nessa necessidade, novamente comecei a rezar com todo o fervor.

Santa Teresinha do Menino Jesus.

No quinto dia da novena sonhei com Santa Teresinha, mas como se ela ainda estivesse na terra. Ocultou diante de mim a circunstância de ela ser santa e começou a consolar-me, para que eu não ficasse tão triste por causa desse problema, mas confiasse mais em Deus. Afirmava-me: “Também eu sofri muito”. 

Contudo, eu não estava muito convicta de que ela tivesse sofrido muito e disse-lhe: “A mim me parece que não tenha sofrido nada.” 

Mas Santa Teresinha respondeu assegurando-me de que havia sofrido muito e me disse: “Dentro de três dias, a irmã verá que esse problema será resolvido da melhor maneira”. Como eu não estava muito inclinada a acreditar nela, então ela se deu a conhecer, revelando-me que era santa. Então a minha alma encheu-se de alegria e perguntei-lhe: “Você é santa?” E ela respondeu-me que sim: “Sou uma santa, e confie que o seu problema se resolverá no terceiro dia”. 

E eu disse a ela: “Santa Teresinha, diga-me, irei para o Céu?” Respondeu-me: “A irmã irá para o Céu.” — “E serei santa?” — Respondeu-me: “A irmã será santa.” — “Mas, Teresinha, eu serei uma santa como você, nos altares?” — E ela me respondeu: “Sim, você será uma santa como eu, mas deve confiar muito em Jesus.” — E perguntei-lhe se meu pai e minha mãe irão para o céu, se... [frase incompleta] — Respondeu-me: “Irão”. — E continuei a perguntar: “E as minhas irmãs e meus irmãos irão também para o Céu?” — Respondeu-me que rezasse muito por eles, e não me deu uma resposta certa. Compreendi que necessitavam de muitas orações.

Tratou-se de um sonho e, como diz o provérbio: “O sonho é ilusão e só Deus é salvação.” No entanto, no terceiro dia resolveu-se esse difícil problema com muita facilidade. Como me tinha dito, cumpriu-se ao pé da letra tudo que se relacionava com essa questão. Foi um sonho, mas ele teve o seu significado.

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