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Uma ladainha para rezar nesta Quaresma
Oração

Uma ladainha
para rezar nesta Quaresma

Uma ladainha para rezar nesta Quaresma

A litania a seguir foi composta especialmente para o período quaresmal. Com passagens penitenciais tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, pode ser uma ótima oração para aumentar em nós o espírito de arrependimento e compunção por nossos pecados.

Preces LatinaeTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere10 de Fevereiro de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Esta ladainha foi composta como meditação para o período quaresmal. Seu foco está em passagens penitenciais tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. 

A versão latina desta oração, de uso privado, pode ser encontrada e rezada aqui. A sua tradução portuguesa foi realizada por nossa equipe e consta a seguir.


Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Pai santo, ouvi-nos.
Pai justo, atendei-nos.

Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Deus, que não quereis a morte do pecador, mas que se converta e viva, tende piedade de nós.
Que destes a Lei no monte a Moisés, após quarenta dias de jejum,
Que, pelas preces de Moisés em jejum, perdoastes os pecados ao povo,
Que protegestes Daniel em jejum na cova dos leões,
Que perdoastes os ninivitas, que jejuaram e a vós clamaram,
Que livrastes da destruição da cidade os ninivitas, por fazerem penitência cobertos de sacos, cinzas e cilícios,
Que perdoastes o pecado a Davi, que se confessou e mortificou no cilício,
Que atendestes e confortastes Judite coberta de cilício e prostrada nas cinzas diante de vós,
Que salvastes Jonas, que a vós clamava, do ventre da baleia,
Que livrastes do exército do assírios a Ezequias, que, coberto de sacos, cinzas e jejuns, junto com o povo vos invocava,
Que fizestes Ester em jejum encontrar graça aos olhos do rei,
Que libertastes do patíbulo a Mardoqueu, que em sacos e cinzas vos invocava,
Que viestes em socorro dos macabeus, que jejuavam e, cobertos de sacos e cinzas, vos invocavam,
Que vos manifestastes no Templo a Ana, perseverante em jejuns e orações,
Que revelastes muitos mistérios aos profetas, que jejuavam e se mortificavam,
Que atendestes os sacerdotes que, em cilícios, rogavam pelo povo e ofereciam sacrifícios,
Que por quarenta dias e quarenta noites jejuastes no deserto,
Que, por vossos Apóstolos, instituístes o jejum quaresmal,
Que iluminastes a Paulo, após três dias de jejum e oração,
Que perdoais os pecados aos homens pela penitência,
Que nos escolhestes e temperastes no caminho da humilhação,
Que dais lugar e tempo para o perdão dos pecados,
Que castigais todo filho que acolheis e amais,
Que não quereis que alguns pereçam, mas que todos se convertam e arrependam,
Que alcançastes por vossa graça a Mateus, ainda sentado na coletoria,
Que fizestes sair justificado o publicano que batia na peito,
Que recebestes paternalmente o filho pródigo que a vós retornara,
Que fizestes manar uma fonte de água viva para a mulher samaritana,
Que acolhestes os publicanos e pecadores e com eles comestes,
Que a Maria Madalena, porque muito amara, muitos pecados perdoastes,
Que olhastes benignamente para Pedro, que três vezes vos negara,
Que recebestes no Paraíso o ladrão arrependido,
Que tirais a iniquidade, os crimes e os nossos pecados,
Que, para afastar a vossa ira, nos mandastes chorar, vestir-nos de cilícios e cobrir-nos de cinzas,
Que vos apiedais de todos os que, em jejuns, choros e lágrimas, se convertem a vós,
Que, após a penitência, não mais vos recordais de nenhum de nossos pecados,
Deus misericordioso e pronto para nos perdoar nossas malícias, tende piedade de nós.

Sede propício, perdoai-nos, Senhor.
Sede propício, ouvi-nos, Senhor

De todo mal, livrai-nos, Senhor.
De todo pecado,
De todo perigo de mente e corpo,
De bebedeiras e intemperanças,
De toda impureza e torpeza,
De iras, rixas e discórdias,
De toda negligência e indolência,
De toda impenitência e dureza de coração,
De uma morte súbita e desprevenida,
Da condenação eterna,
Por vosso batismo e santo jejum,
Por vossas três tentações,
Por vossa sede e fome,
Por vossos trabalhos e dores,
Pela tríplice sentença de morte contra vós proferida,
Por vosso tremendo e cruento sacrifício na cruz,
No dia da ira e da calamidade, livrai-nos, Senhor.

Ainda que pecadores, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que nos perdoeis,
Para que vos digneis conduzir-nos à verdadeira penitência,
Para que possamos produzir dignos frutos de penitência,
Para que mereçamos chorar dignamente os nossos pecados e alcançar a vossa graça,
Para que vos digneis purificar por este sagrado jejum e livrar de toda iniquidade a vossa Igreja,
Para que vos ofereçamos sempre os nossos corpos como hóstia viva, santa e agradável,
Para que nos concedais entrar, pelas tribulações do tempo presente, na glória futura,
Para que vos digneis atender-nos,
Filho de Deus, nós vos rogamos, ouvi-nos

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Pai-nosso...
℣. E não nos deixeis cair em tentação,
℟. Mas livrai-nos do mal.

℣. Chorem os sacerdotes, servos do Senhor, entre o pórtico e o altar.
℟. Tende piedade, Senhor, tende piedade do vosso povo.

℣. Não nos trateis segundo os nossos pecados,
℟. Nem nos castigueis em proporção de nossas faltas.

℣. Ajudai-nos, ó Deus, nosso Salvador,
℟. E pela glória do vosso nome, Senhor, libertai-nos.

℣. Sede propício, Senhor, aos nossos pecados,
℟. Por vosso santo nome.

℣. Senhor, ouvi minha oração,
℟. E chegue até vós o meu clamor.

Oremos. — Deus eterno e todo-poderoso, tende piedade dos penitentes, sede propício aos suplicantes e concedei-nos os benefícios de vossas misericórdias: para que estes jejuns sejam remédio de mente e de corpo para todos os que invocam o vosso nome e deploram os próprios crimes perante a vossa clemência; a fim de que todos os que vos invocarem pedindo a remissão de seus pecados encontrem saúde de corpo e de alma e alcancem, na eterna bem-aventurança, o prêmio prometido aos que fielmente vos servem.

Deus, que criastes admiravelmente o homem e mais admiravelmente o redimistes: dai-nos resistir, com mente forte, às seduções do pecado e servir de coração sincero a vossa majestade.

Ouvi clemente, nós vos pedimos, Senhor, as preces do vosso povo; a fim de que os que justamente somos afligidos por nossos pecados, pela glória do vosso nome, sejamos piedosamente libertados.

Protegei, Senhor, nós vos pedimos, com piedade contínua a vossa família; a fim de que, sob a vossa proteção, se veja livre de todas as adversidades e, por boas obras, se mantenha devota ao vosso nome.

Deus, que não desejais a morte, mas a penitência dos pecadores: olhai benignamente para a fragilidade da condição humana e assisti com piedade benigna os nossos esforços; a fim de que, por vossa grande misericórdia, alcancemos felizmente o perdão de nossos pecados, a constância no vosso serviço e o prêmio prometido aos perseverantes. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo. Amém.

℣. Senhor, ouvi minha oração,
℟. E chegue até vós o meu clamor.

℣. Bendigamos ao Senhor.
℟. Graças a Deus.

℣. E que as almas dos fiéis defuntos, pela misericórdia de Deus, descansem em paz.
℟. Amém.

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A santa que morreu sem os dentes na boca
Santos & Mártires

A santa que morreu
sem os dentes na boca

A santa que morreu sem os dentes na boca

Cativa de seus perseguidores, “ela se jogou rapidamente no fogo, sendo queimada até a morte”. Antes, porém, seus algozes “a agarraram e com vários golpes lhe quebraram todos os dentes”. Assim morreu Santa Apolônia, virgem e mártir do século III.

Equipe Christo Nihil Praeponere10 de Fevereiro de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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No dia 9 de fevereiro, a Igreja fazia comemoração de S. Apolônia, virgem e mártir do século III. Pouco conhecida e com o nome retirado do atual calendário litúrgico, Apolônia é, na verdade, padroeira dos dentistas e das pessoas com dor nos dentes

O porquê de seu patronato é fácil de entender a partir de uma breve leitura de sua morte, tal como no-la conta Eusébio de Cesareia:

Naquele momento, Apolônia, virgem, foi considerada por eles uma pessoa importante. Então, aqueles homens a agarraram e com vários golpes lhe quebraram todos os dentes. Eles então ergueram fora dos portões da cidade uma pilha de madeira e ameaçaram queimá-la viva, caso se recusasse a repetir diante deles palavras ímpias (como uma blasfêmia contra Cristo, ou uma invocação a algum deus pagão). Deram-lhe, por um pedido seu, um minuto de liberdade; ela então se jogou rapidamente no fogo, sendo queimada até a morte [1].

A famosa Legenda Áurea também trazia um relato, este um pouco mais elaborado, de seu martírio:

Como em Alexandria, no tempo de Décio, imperador cruel, tivesse irrompido uma perseguição contra os servos de Deus, um miserável chamado Divino adiantou-se aos demônios, incitando o vulgo supersticioso contra os fâmulos do mesmo Cristo; instigada por ele, a multidão não tinha sede de outra coisa além do sangue dos fiéis. Primeiro, prenderam alguns religiosos de ambos os sexos: golpearam a uns com bastões pelo corpo inteiro e, após lhes perfurarem o rosto e os olhos com estacas agudas, os lançaram fora da cidade; a outros levaram à força até os ídolos, e aos que se recusavam ou, antes, execravam adorá-los meteram cadeias nos pés e, arrastando-os pelas ruas de toda a cidade, com feio e horrível suplício os esquartejaram.

Ora, havia por aqueles tempos uma virgem admirável e já entrada em anos chamada Apolônia, adornada com as flores da castidade, da sobriedade e da pureza, confirmada pelo Espírito do Senhor como coluna fortíssima, oferecendo, pelo mérito e a virtude de sua fé, recebida do Senhor, espetáculos admiráveis aos anjos e aos homens. Como pois a multidão furiosa invadisse as casas dos servos de Deus e, com crueldade hostil, pusesse tudo abaixo, foi prontamente carreada ao tribunal dos ímpios a bem-aventurada Apolônia, inocente pela simplicidade, fortíssima pela virtude, não levando consigo nada além da constância de seu coração intrépido e a pureza de uma consciência íntegra, oferecendo a Deus uma alma devota e entregando o corpo castíssimo à pena dos perseguidores.

Presa a bem-aventurada virgem, os perseguidores, ruindo cruelmente sobre ela, primeiro lhe arrancaram os dentes; depois, reunida a lenha, construíram uma enorme fogueira, ameaçando queimá-la viva, caso não dissesse com eles as mesmas impiedades. Ela porém, ao ver a fogueira acesa, após deliberar um pouco de si para si, soltou-se repentinamente das mãos do ímpios e lançou-se sozinha no fogo com que a ameaçavam, surpreendendo assim os próprios autores da crueldade, por estar uma mulher mais disposta à morte do que o perseguidor à pena.

Vexada por diversos suplícios, nem o tormento das penas que sobre ela caíam nem a chama acesa pelos cruéis perseguidores puderam vencer a fortíssima mártir de Cristo, porque muito mais ardentemente lhe flamejava o coração, aceso pelos raios da verdade. Por isso, tampouco aquele fogo corpóreo e ministrado por mãos mortais foi capaz de apagar-lhe do peito infatigável o calor divinamente infuso.

Oh! grande e admirável certame o desta virgem, que pela graça de Deus misericordioso ardeu, para que não ardesse, e morreu abrasada, para que não fosse queimada, como se não se houvera entregue a chamas e suplícios. Poderia ter-se assegurado a liberdade, mas não teria merecido a glória dos combatentes!

A fortíssima virgem Apolônia, mártir de Cristo, contendo-se das delícias do mundo, calcando com o coração as alegrias mundanas e querendo agradar a Cristo, seu Esposo, com feliz perseverança persistiu firmíssima no voto virginal entre as mais terríveis torturas. Sobressai, pois, e brilha entre os mártires o mérito desta virgem tão gloriosa e felizmente triunfante; decerto, fez o ânimo viril algo maior nesta mulher, pois não cedeu à fraqueza diante de tamanha luta. Sacudindo de si, por amor celeste, todo temor terreno, conquistou o troféu da cruz de Cristo e, armada antes de fé que de ferro, lutou e venceu tanto a concupiscência quanto todos os suplícios [2].

Muitas coisas nos chamam a atenção e poderiam ser comentadas no relato do martírio desta santa. O suplício, por exemplo, de ter os seus dentes todos quebrados na boca, provoca em nós grande agonia, pois imaginamos a dor que ela deve ter sentido ao ser assim fustigada por seus algozes. Por isso Apolônia é retratada na arte segurando uma tenaz ou torquês, algumas vezes com um dente

Uma circunstância em particular de sua morte, no entanto, mereceu a consideração dos teólogos ao longo dos séculos. Afinal, se ela não foi morta, mas antes lançou-se às chamas, seu martírio não se aproxima, de alguma forma, do suicídio?

Quem nos responde é ninguém menos que S. Agostinho:

Conta-se que algumas santas mulheres, em tempo de perseguição, para escapar dos que lhes assediavam a pureza, lançaram-se em um rio caudaloso e mortal e, deste modo, pereceram, e o martírio delas é celebrado com grande veneração na Igreja Católica. Delas não me atrevo a dizer nada temerariamente. Não sei, com efeito, se a autoridade divina persuadiu a Igreja, por alguns testemunhos fidedignos, a honrar assim a memória delas; pode ser que seja o caso. De fato, não poderiam elas ter agido assim, não por engano humano, mas por ordem divina; não por erro, mas por obediência, como não nos é permitido crer de outra forma a respeito de Sansão? Quando Deus manda e demonstra sem sombra de dúvida estar mandado, quem chamará crime à obediência? Quem recriminará o obséquio da piedade? [3]
“Santa Apolônia”, de Carlo Dolci.

As considerações do Doutor da Graça continuam perfeitamente válidas pois, ainda que não seja celebrada mais pelo Calendário Romano Geral, S. Apolônia continua a ser padroeira da cidade italiana da Catânia e nunca deixou de ser invocada por aqueles que sofrem com dor nos dentes. A historicidade de seu martírio é praticamente inconteste e a Igreja não “desautorizou” em momento algum o seu culto [4].

Além disso, com sua morte, esta santa nos ensina o mesmo que todas as virgens mártires — como S. Águeda e S. Doroteia, que celebramos há poucos dias, e como S. Maria Goretti, nossa contemporânea —, a saber: para manter a virtude da pureza, devemos recorrer a meios extraordinários, não excluindo, se preciso for, a entrega da própria vida [5]. A lógica é bem simples: a morte só aniquila nossa vida natural, enquanto o pecado mata a vida sobrenatural da graça em nós. 

Por isso S. Josemaría Escrivá diz em um ponto de Caminho: “Para defender a sua pureza, São Francisco revolveu-se na neve, São Bento jogou-se num silvado, São Bernardo mergulhou num tanque gelado… — Tu, que fizeste?” (n. 143).

Notas

  1. Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, VI, 41: PG 20, 606-614.
  2. Tiago de Varazze. Legenda Aurea (c. LXVI). 2. ed. Leipzig, Impensis Librariae Arnoldianae, 1850, pp. 293-294.
  3. S. Agostinho, A Cidade de Deus, I, 26: PL 41, 39.
  4. Veja-se a esse respeito a observação feita em Calendarium Romanum. Typis Polyglottis Vaticanis, 1969, p. 116: “Deixa-se aos calendários particulares a memória de S. Apolônia, virgem e mártir alexandrina, inserida no Calendário Romano [Geral] no séc. XIII: embora se trate de uma mártir verdadeiramente autêntica da perseguição de Décio (248-259), não consta todavia nenhuma comemoração dela nos calendários orientais.”
  5. Sobre isso, ensina o Pe. Antonio Royo Marín, OP: “Para que a mulher violentada fique inteiramente livre de pecado é necessário — além de rejeitar o consentimento interior — fazer todo o possível (ao menos moralmente falando) para impedir a violação. Por conseguinte, deve gritar pedindo ajuda [...], fugir, se lhe for possível e, inclusive, empregar a força física, golpeando, ferindo e até matando, se for preciso, o seu injusto agressor. Num caso em que toda resistência fosse inútil (v.gr., por encontrar-se em lugar despovoado e não poder fugir nem receber ajuda de ninguém), ela não poderia conduzir-se de maneira puramente passiva, mas teria de revirar-se e dificultar de todas as formas possíveis a violência. No entanto […], não estaria obrigada a deixar-se matar se estivesse moralmente segura de evitar o consentimento interior ao pecado” (Teología moral para seglares, v. 1, Madri: BAC, 1996, p. 539).

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Até quando vai a Quaresma?
Liturgia

Até quando vai a Quaresma?

Até quando vai a Quaresma?

Muitas pessoas nos têm perguntado quando, afinal, termina o tempo da Quaresma: é no Domingo de Ramos, na Quinta-feira Santa ou no Sábado Santo? A resposta é um pouquinho mais complicada do que se imagina. Por isso este texto.

Equipe Christo Nihil Praeponere10 de Fevereiro de 2021Tempo de leitura: 6 minutos
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Muitas pessoas nos têm perguntado quando, afinal, termina o tempo da Quaresma: é no Domingo de Ramos, na Quinta-feira Santa ou no Sábado Santo?

Na busca por respostas, o quadro com que nos deparamos é o seguinte.

As Normas Universais do Ano Litúrgico e o Novo Calendário Romano Geral, promulgadas pelo Papa Paulo VI, dizem expressamente: “O tempo da Quaresma vai de Quarta-feira de Cinzas até a Missa na Ceia do Senhor, exclusive” (n. 28). Isso significa que, na atual forma do rito romano, a Quaresma se encerra na Quinta-feira Santa, antes da Missa vespertina de lava-pés e da instituição da Eucaristia. 

A mesma definição é confirmada pela Carta Circular Paschalis Sollemnitatis (1988), da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, na qual se lê: 

Na Semana Santa a Igreja celebra os mistérios da salvação, levados a cumprimento por Cristo nos últimos dias da sua vida, a começar pelo seu ingresso messiânico em Jerusalém. O tempo quaresmal continua até à Quinta-feira Santa. A partir da Missa vespertina “in Coena Domini” inicia-se o Tríduo Pascal, que abrange a Sexta-feira Santa “da Paixão do Senhor” e o Sábado Santo, e tem o seu centro na Vigília Pascal, concluindo-se com as Vésperas do Domingo da Ressurreição (n. 27).

Para os fiéis que seguem, no entanto, a forma extraordinária do rito romano, a resposta é um pouco diferente, segundo o que se lê nas Rubricas Gerais do Missal antigo: “O tempo da Quaresma vai das Matinas da Quarta-feira de Cinzas até a Missa da Vigília Pascal, exclusive” (n. 74). Isso significa que, para quem reza com o Missal de S. Pio V, a Quaresma termina no Sábado Santo, antes da Missa da Vigília Pascal. (É curioso observar que a própria Missa da Vigília, no rito antigo, indica essa mudança de um tempo para o outro, pois o sacerdote começa a celebração com paramentos roxos e termina com paramentos brancos.)

Uma explicação para a mudança? O que certamente a Igreja quis realçar com esse “deslocamento” do Sábado para a Quinta-feira Santa é a importância do Tríduo Pascal, como uma espécie de tempo à parte dentro do próprio período de austeridade quaresmal. Mais do que isso, estes três dias em que se celebram a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor constituem como que o coração do qual promana todo o restante do ano. A Quaresma culmina justamente no Tríduo santo, que nos conduz pela mão até o tempo da Páscoa.

Há quem busque a resposta para a controvérsia no número exato de 40 dias para demarcar a Quaresma. Mas aí a controvérsia só piora, pois, matematicamente, contando também os domingos, o 40.º dia da Quaresma é o Domingo de Ramos — de modo que ficaria de fora a Semana Santa. Uma solução seria começar a contar a partir do 1.º Domingo da Quaresma, com o que nossa contagem terminaria exatamente na Quinta-feira Santa, opção que também tem o seu sentido, já que as práticas penitenciais da Quaresma começavam, em alguns tempos e lugares, justamente neste dia. Também seria possível contar a partir da Quarta-feira de Cinzas e descontar os domingos, e assim o nosso esforço terminaria… no Sábado Santo. 

A verdade é que o número 40, aqui, tem um sentido mais simbólico que literal. Ele faz alusão ao deserto, aos dias que Jesus passou lá em jejum e aos anos que o povo de Israel passou no mesmo lugar. É a eles que nos unimos quando nos penitenciamos na Quaresma.

Para a pergunta que parece persistir, portanto, é preciso dizer simplesmente que a resposta varia de acordo com o Missal adotado, em função do rito de que se participe. Não está errado nem quem diz que a Quaresma vai até a Quinta-feira Santa nem quem diz que vai até o Sábado Santo. Só precisamos tomar o cuidado de não “desprezar” sem mais uma das respostas, pois, como escreveu o Papa emérito Bento XVI na Carta Apostólica Summorum Pontificum:

O Missal Romano promulgado por Paulo VI é a expressão ordinária da lex orandi (“norma de oração”) da Igreja Católica de rito latino. Contudo, o Missal Romano promulgado por S. Pio V e reeditado pelo Beato João XXIII deve ser considerado como expressão extraordinária da mesma lex orandi e deve gozar da devida honra pelo seu uso venerável e antigo (art. 1).

Controvérsias à parte, o fato é que as pessoas fazem essa pergunta pensando principalmente nas penitências a que se propuseram no início do período quaresmal. Por isso, a questão não é ociosa. É preciso saber, afinal, até quando se penitenciar.

Bom, para essa pergunta a resposta é bem mais simples. Mesmo que a Quaresma termine na Quinta-feira Santa, seria muitíssimo inapropriado cessar as penitências e abandonar neste dia o espírito de mortificação com que se viveram todos os dias da Quaresma. É a mesma conclusão a que chegaram os Padres do Concílio Vaticano II, antes mesmo de a reforma de Paulo VI “mudar” o fim da Quaresma, por assim dizer:

Mantenha-se religiosamente o jejum pascal, que se deve observar em toda a parte na Sexta-feira da Paixão e Morte do Senhor e, se oportuno, estender-se também ao Sábado Santo, para que os fiéis possam chegar à alegria da Ressurreição do Senhor com elevação e largueza de espírito (Sacrosanctum Concilium, n. 110).

Ou seja, para nós, católicos, a Quaresma e o espírito de penitência que a acompanha só devem cessar de fato na noite do Sábado Santo. Mais do que uma questão de datas e nomenclaturas, é uma questão de coerência. Não faz sentido preparar-se com afinco ao longo de todo um tempo, justamente para celebrar a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, e “pisar na jaca” nos dias em que celebramos esses mistérios. É como comer o bolo de casamento antes de a festa começar.

Sobre o jejum, a propósito, foi o próprio Senhor quem usou a imagem de um casamento para explicar o quando e o porquê de seus discípulos se mortificarem: “Virão dias em que lhes será tirado o esposo; então jejuarão nesses dias” (Lc 5, 35). Pois bem, em que momento fica mais evidente a ausência do Esposo, senão nos dias em que recordamos os fatídicos eventos da Paixão? Se Jesus não nos foi tirado quando preso, morto e sepultado, quando é que isso aconteceu? Como poderíamos, então, comer e beber tranquilos justamente nos dias em que a liturgia da Igreja nos põe diante dos olhos os mistérios para os quais nos preparamos ao longo da Quaresma?

Vale a pena lembrar que uma coisa são as penitências a que nós nos propomos e outra são as que a Igreja nos impõe como obrigatórias. As primeiras são livremente “pactuadas” entre nós e Deus; as segundas, porém, devem ser vividas por todos os fiéis católicos, sob pena de pecado mortal. Isso significa que, para um católico, deixar de comer carne às sextas-feiras e jejuar na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa não são “opções”; trata-se apenas do mínimo de penitência que a Igreja exige de todos os seus filhos. Neste texto, estamos falando de outras penitências, mortificações a mais que cada um de nós escolhe generosamente fazer tendo em vista a própria purificação e crescimento na vida da graça. 

Para que essas observâncias externas “funcionem”, no entanto, é preciso que as cumpramos não apenas com as mãos ou os lábios, mas com o coração. Só assim, fazendo nossas penitências com amor — e não com a pressa de quem quer se ver livre de um fardo —, poderemos ter uma Quaresma realmente santa e agradável a Deus. Até o fim.

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A verdadeira história de Emily Rose
Testemunhos

A verdadeira história de Emily Rose

A verdadeira história de Emily Rose

Em 1978, a Justiça alemã condenou como homicidas tanto os pais de Anneliese Michel quanto os padres envolvidos em seu exorcismo. O que pareceu um fracasso aos olhos do mundo, no entanto, pode ter sido um verdadeiro triunfo aos olhos de Deus.

Matt C. AbbottTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere5 de Fevereiro de 2021Tempo de leitura: 8 minutos
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O texto abaixo é a tradução de um trecho do livro Anneliese Michel: A True Story of a Case of Demonic Possession [“Anneliese Michel: Uma História Real de um Caso de Possessão Demoníaca”, ainda sem tradução portuguesa], do Pe. José Antonio Fortea e de Lawrence E.U. LeBlanc. 

Trata-se do resumo de um caso célebre, que ficou ainda mais famoso nos cinemas, com “O Exorcismo de Emily Rose”. Diferentemente, porém, do alarde cinematográfico, conhecer a história real da jovem Anneliese Michel nada mais é que entrar em contato com as verdades que a Igreja Católica sempre ensinou, a saber: que há um Deus providente que governa o mundo; que existem anjos decaídos ao nosso redor, “procurando a quem devorar”; e que o sofrimento humano, por mais agudo e terrível que seja, sempre pode ganhar um sentido à sombra da Cruz de Cristo.

Os que desejarem — e não tiverem problemas, evidentemente, com esse tipo de conteúdo —, podem acessar depois, no YouTube, algumas gravações das sessões de exorcismo por que passou Anneliese Michel, na Alemanha, em 1976.


A 30 de março de 1978, no tribunal distrital de Aschaffenburg, Alemanha, começava o julgamento de Josef e Anna Michel, Pe. Arnold Renz e Pe. Ernst Alt. Os quatro foram acusados do homicídio culposo de Anneliese Michel. O tribunal estava ocupado principalmente por pessoas dos meios de comunicação da Alemanha e de outros países. Anneliese, sua família e alguns amigos próximos, os dois sacerdotes envolvidos e o bispo local acreditavam que ela sofria de possessão demoníaca. Na época, foi o primeiro caso oficial e público de exorcismo na Alemanha em aproximadamente cinquenta anos, e o único caso registrado em áudio de que se tem notícia. Depois de sessenta e sete sessões de exorcismo, Anneliese morreu em 1.º de julho de 1976, aparentemente de inanição. 

Anneliese Michel.

Quando o juiz Bohlender leu o veredito da corte no dia 21 de abril de 1978, as opiniões do especialista médico fornecidas pela acusação foram aceitas na íntegra. Os envolvidos no caso não poderiam ter sabido que uma epilepsia havia evoluído para uma psicose. Em maio de 1976, no máximo, Annelise já não tinha condições de determinar seu bem-estar nem de lidar com ele. As sessões de exorcismo agravaram a doença dela. Os réus deveriam ter buscado auxílio médico. A corte disse que, se Anneliese tivesse recebido tratamento médico ou recebido alimento à força até uma semana antes de sua morte, sua vida poderia ter sido preservada. Portanto, a sentença afirma que eles deveriam ter buscado cuidados médicos, mesmo convencidos de que o problema fosse espiritual. Isso significa que qualquer médico, psiquiatra ou funcionário público (talvez) que considerasse prejudicial para a saúde de uma pessoa a realização de um exorcismo, poderia intervir legalmente e assumir um caso como aquele.    

Uma de suas irmãs atestou que Annelise havia deixado claro que não queria ser enviada a um hospital psiquiátrico onde poderia ser sedada e alimentada à força.

Os quatro réus foram condenados a seis meses de prisão, que foi suspensa e substituída por três anos de liberdade condicional. Pe. Alt recebeu uma multa de 4.800 marcos alemães e Pe. Renz, uma de 3.600. Também foram responsabilizados pelos custos judiciais. Inicialmente, os quatro acusados recorreram da decisão da corte. Depois de refletirem sobre todo o processo, em parte por causa de razões financeiras e em parte porque os envolvidos não tinham certeza de que uma decisão justa poderia ser dada, decidiram retirar o recurso. É importante notar que as despesas judiciais dos sacerdotes foram assumidas pela Diocese de Wurzburg. Se tivessem mantido o recurso, os sacerdotes teriam sido responsáveis por quaisquer custos legais adicionais. Atualmente, todos os arquivos do processo e os da diocese relativos a essa história não estão disponíveis ao público.

Não deveríamos ficar surpresos com o veredito dado pelo tribunal ou pelo desprezo que o público nutria pelos réus. Geralmente, o público apoia os réus quando os tribunais julgam casos controversos. Nesse caso, os pais e os dois sacerdotes acusados estavam sob enorme pressão, já que as leis, a Igreja, a mídia e a opinião pública estavam majoritariamente contra eles.

Annelise, sua família, Peter, os Heins, os sacerdotes e o bispo acreditavam que soluções médicas e psicológicas não foram bem-sucedidas. Também acreditavam que, em última instância, a situação de Anneliese preenchia os critérios de possessão. Depois de muito tempo, consultas e diversas solicitações ao bispo, receberam autorização para começar as orações de exorcismo. Num mundo moderno em que as crenças religiosas foram marginalizadas e muitas das verdades sustentadas há tempo pela Igreja Católica começaram a sofrer ataques internos e externos, não deveria haver muitas dúvidas de que as opiniões a respeito do que realmente aconteceu com Anneliese Michel ficariam divididas. Os que não creem em Deus também não creem na existência de demônios, e isso faz do exorcismo algo “próprio da Idade Média”. Embora Anneliese nunca tenha passado por uma avaliação psiquiátrica detalhada, a epilepsia e a doença psicológica eram causas prováveis dos sintomas que ela apresentava. 

No entanto, ocorreram coisas que não podiam ser explicadas por esse diagnóstico. Para os que acreditam em Deus e no Novo Testamento, a possessão é uma causa plausível para o sofrimento de Annelise. Está claro que ela, seus familiares, amigos e muitos sacerdotes familiares com o caso acreditavam que ela sofria de possessão; a fé dela em Deus e na Igreja Católica não foram questionadas e, acima de tudo, ela sofreu bastante e ofereceu esse sofrimento por Jesus Cristo… 

Quando os autores se familiarizaram com as circunstâncias do caso, puderam afirmar sem sombra de dúvida, levando em conta o campo das patologias mentais e reconhecendo a existência do mundo espiritual, que Anneliese Michel não sofria de doença mental. O que vemos no comportamento dela não vem de um estado de doença mental, mas da possessão demoníaca que a acometia. A depressão que ela enfrentou foi uma consequência normal da situação em que se encontrava. Durante a última parte de sua vida, ela sofreu de uma compulsão provocada pela influência dos demônios sobre sua mente. Isso ficou manifesto por meio da repetição de atos piedosos como genuflexões e orações. Era parte da cruz que Deus lhe permitiu carregar.

Anneliese sofreu física, mental e espiritualmente. Sofria os efeitos físicos das convulsões ou sintomas semelhantes, breves períodos de inconsciência, às vezes dificuldade de comer, dormir, caminhar e falar. Houve sintomas semelhantes aos da depressão que se tornaram constantes. Às vezes, seu desejo espiritual de rezar, confessar-se, ir à Missa e receber a Sagrada Eucaristia sofriam interferência ou não podiam ser realizados. Ela sofria porque ninguém parecia ser capaz de ajudá-la, exceto por meio da oração, algo que causava alívio em diferentes graus. Ela ficava apavorada com rostos demoníacos e outras provações semelhantes. Apoiando-se na fé, aceitava esses sofrimentos e os oferecia a Deus em expiação pelos pecados de outras pessoas. Continuava a viver sua vida de forma heroica, apesar dos formidáveis desafios. Afora tais sofrimentos, ela parecia viver e funcionar como uma pessoa feliz e normal.      

Em meio a esses sofrimentos, sua família e os sacerdotes acreditavam que Anneliese recebia consolações divinas sob a forma de locuções e que sentia a presença de Jesus, Maria, vários santos e muitos parentes já falecidos. Mais tarde, Anneliese recebeu visões de Jesus e Maria, tal como a descrita por Anna Michel e Thea Hein, na qual Maria apareceu a ela e lhe perguntou se estava disposta a oferecer seus sofrimentos a Deus.

A lápide de Anneliese Michel, lugar de peregrinações.

Anneliese, sua família, Peter, os Heins, Pe. Renz, Pe. Alt, Pe. Rodewyk, Bispo Stangl e vários outros sacerdotes que tinham familiaridade com o caso acreditavam que Anneliese sofria de possessão demoníaca. Consequentemente, o único remédio para aliviar a situação de Anneliese era rezar as orações de exorcismo. Eles acreditavam que essas orações terminariam sendo bem-sucedidas e que Anneliese seria libertada. Se o exorcismo tivesse dado certo, talvez somente a família, amigos e sacerdotes teriam tomado conhecimento dos episódios ocorridos na vida de Anneliese, a qual em abril ou maio de 1976 parecia ter concluído que sua oferta poderia incluir o oferecimento da própria vida. Quando lhes perguntavam por que não saíam do corpo de Anneliese, os demônios respondiam que não tinham autorização para fazê-lo. Como Annelise ofereceu seus sofrimentos a Deus e morreu em 1.º de julho de 1976 (data que, segundo previsão dela mesma, marcaria a resolução da situação), podemos especular que isso aconteceu por permissão divina.    

Uma vez que esses acontecimentos podem ser interpretados como uma forma de participação nos sofrimentos de Cristo, se considerados de uma perspectiva espiritual, a morte de Anneliese não representou de modo algum o fracasso do exorcismo. Deve ser entendida da mesma forma que a morte de Cristo. O que pode ser visto como fracasso aos olhos do mundo pode, na verdade, ser um triunfo aos olhos de Deus. Anneliese fez tudo o que estava ao seu alcance para libertar-se da tirania dos demônios, e os sacerdotes fizeram tudo o que estava ao alcance deles para libertá-la. Então, por que Deus permitiu que ela morresse? Como um sacrifício expiatório?

A ideia de que sofrimentos oferecidos com amor, resignação e paciência possuem valor salvífico é central na teologia cristã. Tais sofrimentos tornam-se graças para a salvação de outras pessoas. O sacrifício na cruz ocorrido há dois mil anos não pode ser compreendido sem esse conceito de expiação. Nessa nova versão alemã do Calvário, todos fizeram o que consideraram mais adequado, mas Deus aceitou o sacrifício e permitiu a morte de Anneliese.  

Deus permitiu que os demônios impedissem Anneliese de comer, assim como, ao longo da história, permitiu que carrascos martirizassem suas vítimas, apesar de elas terem rezado e pedido sua libertação. Os Michels e os dois sacerdotes sofreram muito após a morte de Anneliese e o veredito do tribunal. Sob alguns aspectos, sofreram pelo resto de suas vidas com o terrível fardo de serem cercados de pessoas que os consideravam culpados, mesmo sabendo em boa consciência que fizeram por Anneliese o melhor que puderam.       

Esse caso teve outra consequência: interrompeu efetivamente os exorcismos na Alemanha. Embora não fossem comuns no país naquele período, depois desse doloroso episódio parece que ninguém mais quis se envolver com o poder de expulsar demônios, dado por Jesus aos seus Apóstolos. Raras foram as vezes em que um episódio desse tipo afetou a Igreja de modo tão negativo num país.


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