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A resposta de São Jerônimo a um inimigo das relíquias dos santos
Doutrina

A resposta de São Jerônimo a um
inimigo das relíquias dos santos

A resposta de São Jerônimo a um inimigo das relíquias dos santos

É “idolatria” honrar as relíquias dos mártires? Por que os católicos veneram os restos mortais dos santos? Confira a resposta contundente de São Jerônimo a um herege de sua época e descubra qual a verdadeira doutrina católica sobre as santas relíquias.

Equipe Christo Nihil Praeponere1 de Dezembro de 2015Tempo de leitura: 9 minutos
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Estamos no século V. Ainda não há eletricidade, ainda não se sabe da existência da América, ainda não se conhecem as universidades. Entretanto, o ser humano já possui um conhecimento muito maior e mais extraordinário que qualquer outro: "Verbum caro factum est – O Verbo se fez carne" (Jo 1, 14). Já há Igreja Católica, já existem Papa e bispos, sem falar de uma multidão de fiéis que, atraída pela verdade do Evangelho, segue a doutrina de Cristo e obedece aos legítimos pastores da Igreja [1].

Neste tempo, vale lembrar, ainda não há protestantismo. Ainda não há Lutero, não há Calvino, e nem sequer os iconoclastas começaram a quebrar imagens no Império Bizantino. Mesmo assim, uma questão perturba a mente de algumas pessoas: refere-se às "relíquias" dos santos. O termo relíquia vem do latim e significa "restos". O que acontece é que os restos mortais dos mártires – homens e mulheres que confessaram publicamente a sua fé em Jesus, até o ponto de morrerem por isso – são recolhidos pelo povo cristão e venerados publicamente na Igreja. Ossos e outros objetos ligados a eles são depositados em lugares sagrados, reverenciados e honrados como se as almas santas que animaram aqueles instrumentos ainda estivessem ali, vivas entre eles.

A pergunta que alguns fazem – e que os reformadores protestantes repetirão um milênio depois – é se a veneração daquelas relíquias não estaria desviando o foco de Cristo ou, para ser mais direto, não acabava constituindo uma espécie de "idolatria" ou "superstição" pagã. Afinal, tamanho apego a coisas materiais não seria uma ofensa à doutrina essencialmente espiritual ensinada por Jesus?

Cabe esclarecer que não são muitas as pessoas a fazer esse tipo de questionamento. De fato, a grande massa de cristãos não tem dúvidas a respeito da importância de custodiar e honrar os restos mortais dos santos. Uma epístola circular do martírio de São Policarpo de Esmirna, por exemplo, atesta que os ossos dos mártires são tidos pelos cristãos como "mais preciosos que as pedras de valor e mais estimados que o ouro puro" [2]. Isso ainda no século II, muito antes de Constantino conceder a liberdade de culto aos cristãos! Desde aqueles anos, a prática de venerar as relíquias dos mártires não pára de crescer, com a mesma rapidez que o Evangelho se vai impregnando nas mentes e nos corações dos homens.

São poucos os que contestam o culto das relíquias, mas o posto dos que coçam a cabeça não permite que sejam ignorados. – Há um presbítero falando mal das santas relíquias, e isso pode causar dano às almas! – Foi o que pensou São Jerônimo, ao levantar-se contra o herege Vigilâncio de Aquitânia, um clérigo que, entre muitos erros, defendia o fim do culto às relíquias e das vigílias nas basílicas dos mártires.

A resposta de Jerônimo a Vigilâncio – condensada em uma de suas epístolas [3] – é dura e incisiva, e pode até mesmo chocar os ouvidos mais frágeis. Poucos textos, porém, são tão claros e contundentes na exposição da doutrina católica a respeito da veneração aos santos.

Carta 109 (53) "Acceptis primum",
a Ripário, presbítero de Aquitânia, c. ano 404

Informado de que Vigilâncio condenava tanto a veneração às relíquias dos mártires quanto as vigílias feitas diante de seus sepulcros, São Jerônimo como que trava combate nesta carta e se declara disposto a refutar estes erros, caso Ripário, seu destinatário, lhe envie os escritos de Vigilâncio.

1. Tendo recebido tuas cartas, <ó Ripário>, julgo que não lhes responder seria arrogância; e responder-lhes, ao contrário, seria temeridade. Com efeito, as coisas que me perguntas não podem nem ouvir-se nem contar-se sem sacrilégio. Dizes, pois, que este tal Vigilâncio, a quem eu, com mais propriedade, chamaria Dormitâncio [4], voltou a abrir a boca suja para exalar contra as relíquias dos santos mártires o seu terrível mau cheiro: julgando-nos adoradores de ossos, ele nos chama cinerários [5] e idólatras. Oh! homem infeliz e digno de pena, que, ao dizer tais coisas, não percebe ser mais um samaritano e judeu, os quais, preferindo a letra que mata ao Espírito, que dá vida (cf. 2Cor 3, 6), consideram impuros não só os cadáveres, mas inclusive a mobília de suas casas. Nós, ao contrário, recusamo-nos a adorar, não digo nem as relíquias dos mártires, mas nem sequer o sol, a lua ou os anjos, sejam arcanjos, querubins ou serafins, nem nenhum nome que possa haver, quer neste mundo, quer no futuro (cf. Ef 1, 21), pois não podemos servir mais às criaturas do que ao Criador, que é bendito pelos séculos (cf. Rm 1, 25). Veneramos, todavia, as relíquias dos mártires, a fim de adorarmos Aquele de quem eles são mártires; honramos, sim, os servos, para que a honra prestada a eles recaia sobre o seu Senhor, que diz: "Quem vos recebe, a mim recebe" (Mt 10, 40). São, portanto, impuras as relíquias de Pedro e Paulo? Quer dizer então que o corpo de Moisés, sepultado, como lemos, pelo próprio Senhor (cf. Dt 34, 6), não passa de imundície? Sendo assim, todas as vezes que entramos nas basílicas dos Apóstolos e profetas, como também nas de todos os mártires, são ídolos o que ali veneramos? As velas acesas diante de seus túmulos são, enfim, sinais de idolatria? Farei uma só pergunta mais, que há de ou curar ou ensandecer de vez a cabeça insana deste autor, a fim de que as almas simples não se percam por causa de tamanhos sacrilégios. Acaso era imundo também o corpo do Senhor enquanto esteve no sepulcro? Os anjos, portanto, com vestes resplandecentes, vigiavam aquele cadáver "sórdido" para que, séculos mais tardes, o delirante Dormitâncio vomitasse esta porquice e, assim como o perseguidor Juliano, destruísse nossas igrejas, ou mesmo as convertesse em templos <pagãos>?

2. Surpreende-me que o santo bispo em cuja paróquia, pelo que dizem, <Vigilâncio> é presbítero, concorde com esta loucura e nem com disciplina apostólica nem com disciplina férrea corrija esse vaso inútil "para a mortificação do seu corpo, a fim de que a sua alma seja salva" (1Cor 5, 5). Ele deveria lembrar-se do que dizem os Salmos: "Se vês um ladrão, te ajuntas a ele, e com adúlteros te associas" (Sl 49, 18); e noutra passagem: "Todos os dias extirparei da terra os ímpios, banindo da cidade do Senhor os que praticam o mal" (Sl 100, 8). E ainda: "Pois não hei de odiar, Senhor, os que vos odeiam? Os que se levantam contra vós, não hei de abominá-los? Eu os odeio com ódio mortal" (Sl 138, 21-22). Ora, se não se devem honrar as relíquias dos mártires, como então lemos: "Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos" (Sl 115, 6 [15])? Se, pois, os ossos <dos defuntos> tornam impuros os que os tocam, como o cadáver de Eliseu, que, segundo Vigilâncio, jazia imundo na sepultura, pôde trazer à vida outro corpo morto (cf. 2Rs 13, 21)? Logo, foram impuros todos os arraiais do exército de Israel e o próprio povo de Deus, já que, levando consigo pelo deserto os corpos de José e dos patriarcas, trouxeram à Terra Santa as cinzas dos mortos? Também José, deste modo, foi profanado, ele que, com grande pompa e cortejo, partira com a ossada de Jacó em direção a Hebron, unicamente para reunir os restos imundos de seus parentes, juntando um morto aos outros? Oh! deveriam os médicos cortar esta língua e pôr sob tratamento esta insanidade. Se ele [sc. Vigilâncio] não sabe falar, que aprenda ao menos a calar-se. Eu mesmo já tive ocasião de ver outrora este monstro e, servindo-me dos textos da Escritura como das amarras de Hipócrates, tentei conter o seu furor; mas ele, tomando o seu partido, preferiu fugir e refugiar-se entre as vagas do Adriático e os Alpes do rei Cócio [i. e. Alpes Cócios], donde pôde desfazer-se em injúrias contra nós. De fato, tudo quanto um tolo diz não é senão vociferação e barulho.

3. Tu talvez me repreendas em teu íntimo por haver-me dirigido nestes termos a quem não está presente para defender-se. Devo, contudo, confessar-te a minha dor. Não posso ouvir pacientemente tal sacrilégio. Eu li, pois, sobre a lança de Finéias (cf. Nm 25, 7); sobre a austeridade de Elias (cf. 1Rs 18, 40); sobre o zelo de Simão Cananeu; sobre a severidade de Pedro, <cujas palavras prostraram> a Ananias e Safira (cf. At 5, 5); sobre, enfim, a constância de Paulo, punindo com cegueira perpétua a Elimás, o Mago, que se opunha às vias do Senhor (cf. At 13, 8-11). Não há crueldade no ser temente a Deus. De fato, na própria Lei se diz: "Se o teu irmão, ou um teu amigo, ou a tua esposa te quiserem desviar da verdade, esteja a tua mão sobre eles, e tu lhes derramará o sangue, e tirarás o mal de Israel" (cf. Dt 13, 6-9). Pois bem, <ó Vigilâncio>, são imundas as relíquias dos mártires? Por que então trataram os Apóstolos de enterrar com grande dignidade o corpo "imundo" de Estevão? Por que fizeram a seu respeito um grande pranto (cf. At 8, 2), a fim de que a sua lamentação se tornasse a nossa alegria? Ora, não fosse isso o bastante, tu [sc. Ripário] também me dizes que ele despreza as vigílias. E vai nisto contra o próprio nome, como se Vigilâncio quisesse antes dormir do que ouvir o Senhor, que diz: "Então não pudestes vigiar uma hora comigo... Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca" (Mt 26, 40-41). E noutra passagem canta o profeta: "Em meio à noite levanto-me para vos louvar pelos vossos decretos cheios de justiça" (Sl 118, 62). Lemos também no Evangelho que o Senhor passava as noites orando a Deus (cf. Lc 6, 12) e que os Apóstolos, quando eram mantidos sob custódia, costumavam vigiar e entoar salmos a noite inteira, para que a terra estremecesse, o carcereiro se convertesse, o magistrado e a cidade se enchessem de horror (cf. At 16, 25-38). Paulo diz: "Sede perseverantes, sede vigilantes na oração" (Col 4, 2) e, noutro lugar, em "vigílias repetidas" (2Cor 11, 27). Que Vigilâncio durma, então, se assim lhe aprouver, e seja sufocado com os egípcios pelo exterminador do Egito (cf. Ex 11, 4-6). Nós, porém, digamos com Davi: "Não, não há de dormir, não há de adormecer o guarda de Israel" (Sl 120, 4), para que venha a nós o Santo Velador <que desce do céu> (cf. Dn 4, 10) [6]. Mas se porventura, devido aos nossos pecados, Ele adormecer, enquanto nossa barca se enche d'água, despertêmo-lO: "Levanta-Te, Senhor, como dormes?" e clamemos: "Senhor, salva-nos, nós perecemos" (Mt 8, 25).

4. Quisera eu poder escrever-te mais coisas, <ó Ripário>; os limites de uma simples carta, porém, impõe-nos a modéstia do silêncio. De resto, tivesses tu nos enviado os livros de suas cantilenas, saberíamos em detalhe a que objeções poderíamos responder. Por ora, apenas golpeamos o ar (cf. 1Cor 9, 26) e demos a conhecer não tanto a infidelidade dele, que é manifesta a todos, quanto a nossa própria fé. Mas se desejares que discorramos com mais vagar a este respeito, envia-nos as suas lamúrias e tolices, para que afinal dê ouvidos à pregação de João Batista: "O machado já está posto à raiz das árvores: toda árvore que não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo" (Mt 3, 10).

Referências

  1. Cf. Catecismo de S. Pio X, n. 3: "Verdadeiro cristão é aquele que é batizado, crê e professa a doutrina cristã e obedece aos legítimos Pastores da Igreja."
  2. De Martyrio Sancti Polycarpi, 18 (PG 5, 1043).
  3. O original dessa epístola de São Jerônimo a Ripário está no volume 22 da Patrologia Latina, 906-909.
  4. Um sarcástico jogo de palavras: Vigilâncio (Vigilantius), isto é, "aquele que está desperto"; Dormitâncio (Dormitantius), ou "o que dorme".
  5. Assim eram pejorativamente chamados os cristãos dos primeiros séculos, por venerarem as cinzas e as relíquias de santos e mártires.
  6. No original, lê-se: "[...] ut ad nos veniat et air, qui interpretatur vigil." Pode tratar-se de uma referência ao Espírito Santo. Os trechos precedente e seguinte, no entanto, dão a entender que é realmente de Nosso Senhor Jesus Cristo que São Jerônimo fala.

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O feminismo e os seus tabus
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O feminismo e os seus tabus

O feminismo e os seus tabus

Mulheres são vítimas de violência sexual e doméstica? Verdade. Devem lutar por respeito e dignidade? De acordo. O aborto resolverá esses problemas? Mentira.

Equipe Christo Nihil Praeponere27 de Novembro de 2015Tempo de leitura: 4 minutos
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A repercussão negativa que o vídeo Meu corpo, minhas regras causou na opinião pública evidencia mais uma vez a enorme rejeição do povo brasileiro à legalização do aborto. As últimas pesquisas sobre o assunto apontam para um crescimento vertiginoso no número dos defensores da vida — o que tem se revelado a principal "pedra no sapato" das fundações internacionais, cujos projetos de controle populacional acabam sempre barrados.

É de conhecimento público a pressão que a ONU e outras instituições — Ford, Rockfeller, MacArthur etc. — fazem para legalizar o aborto em países subdesenvolvidos. Os motivos para essa insistente militância são diversos e levaria um tempo enorme explicá-los. Por ora, basta saber que, quase como em todo tipo de negócio, a legalização do aborto envolve luta pelo poder e muito… muito dinheiro. Veja, por exemplo, a lucrativa indústria fundada pela Federação Internacional de Planejamento Familiar (IPPF), com direito à venda de fetos abortados e outras monstruosidades.

No Brasil, sabe-se que a Fundação MacArthur investiu milhões, durante mais de trinta anos, para aprovar o aborto em nossa legislação. Tais esforços, porém, não surtiram o efeito esperado justamente porque a população, apesar de toda a atuação da mídia no sentido contrário, mantém-se ainda firme no respeito ao nascituro. Mudar essa realidade, de fato, requer mais que propaganda. O ser humano está naturalmente inclinado à preservação da própria espécie, assim como outros animais [1]. Nem os inúmeros vícios de que padece a sociedade brasileira são capazes de extinguir esse instinto tão forte de empatia e autopreservação.

Não espanta que as feministas estejam, agora, dedicadas a descaracterizar essa sensibilidade natural, acusando-a de ser "machista", "retrógrada", "hipócrita", entre outros rótulos infamantes. Não é verdade, porém, que sejamos contra o aborto porque não nos importamos com a mulher. Ao contrário do que sugere a cineasta Petra Costa, somos contrários ao aborto porque sabemos do valor da vida humana, seja em relação à mulher seja em relação ao bebê. Uma mulher católica, não feminista, fundou a Pastoral da Criança, a qual presta apoio a muitas famílias carentes, enquanto as autoproclamadas "vadias" fingem defender a causa feminina com pichações na Catedral da Sé. E nem precisamos falar das tantas obras de caridade, orfanatos, hospitais — como os de Irmã Dulce, por exemplo —, cujo serviço prestado à sociedade ajuda precisamente a suprir as lacunas deixadas pela ineficiência do Estado, para fazer corar de vergonha qualquer um que se atreva a atacar os cristãos. É uma afronta, além de uma grande calúnia, responsabilizar a Igreja pelos males sofridos pelas mulheres.

A diretora de "Meu corpo, minhas regras" também se diz surpreendida com a reação agressiva dos que assistiram ao vídeo. Mesmo sem endossar os comentários mais ofensivos, precisamos perguntar, como não sentir indignação quando um grupo de artistas — os quais, novela após novela, representam papéis que reforçam o desrespeito à dignidade da mulher — decide juntar-se para supostamente combater esse mesmo desrespeito, promovendo o aborto mais ou menos desta maneira: "Mulher, se você acha que deve matar seu filho no ventre, mate-o"?

Ainda segundo a cineasta, a questão do aborto "é sensível ou tabu em diversas crenças". Vejam, ela quer falar de tabus! Vamos começar, então, pelo financiamento internacional das campanhas pró-aborto. Se as feministas estão tão preocupadas com a saúde pública, por que odeiam tanto a ideia de uma CPI do aborto? Vamos falar, ainda, dos falsos números de abortos clandestinos, divulgados pelas ONGs, a fim de alarmar a população. Ou você acha mesmo que, em um ano, 30 mil mulheres querem abortar, mas não podem porque proibido, e no outro, apenas sete mil procuram o procedimento, porque legalizado?

Mulheres são vítimas de violência sexual e doméstica? Verdade. Devem lutar por respeito e dignidade? De acordo. O aborto resolverá esses problemas? Mentira. Curiosamente, o discurso feminista resume todo o drama das mulheres, como exploração, violência e preconceito, à defesa intransigente da legalização do aborto, como se este fosse provocar uma diminuição nos casos de estupro, aumento de salários, mais participação feminina em cargos políticos e por aí vai. Trata-se de uma associação ridícula sem qualquer base na realidade. Pelo contrário, temos razões suficientes para afirmar que uma possível legalização do aborto apenas aumentaria a opressão sobre a mulher. Notem: é conveniente para um namorado covarde e irresponsável — ou para sua família — forçar a namorada a interromper a gravidez indesejada. É o que já vemos acontecer em grande parte dos casos. E isso se torna ainda mais fácil com o chamado "aborto legal". Na prática, o aborto tornar-se-ia mais um método anticoncepcional, como já acontece em outros países. Onde está a libertação?

Ademais, os efeitos colaterais de um aborto na vida da mulher são gravíssimos. Embora as feministas não pesquisem isso — como revelou Débora Diniz em um recente debate no Senado —, estudos sérios, científicos, confirmam "uma forte associação entre aborto e desordens mentais" [2]. A pergunta que não quer calar é por que até hoje a ANIS nunca fez um estudo especializado sobre esse assunto. Teme o resultado?

A verdade é que toda essa gritaria feminista dos últimos dias deve-se principalmente ao Projeto de Lei 5069, o qual, se aprovado, deverá pôr uma pedra sobre o seu plano de legalizar o aborto no Brasil. Por isso, várias mentiras têm sido espalhadas ao vento acerca dessa proposta, com o intuito de impedir sua aprovação pelo Senado. O que o projeto realmente quer, todavia, é "garantir um atendimento mais humano, mais digno e mais seguro para mulheres que tenham sido vítimas de violência sexual", além de "levar os responsáveis por esse covarde crime à justiça, identificando-os e punindo-os exemplarmente". A oposição das feministas apenas comprova a má fé de quem não está minimamente preocupado com as mulheres — e não vai descansar até que transforme os seus úteros em verdadeiros cemitérios de crianças.

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Mais de 200 hóstias profanadas em exposição sacrílega na Espanha
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Mais de 200 hóstias profanadas
em exposição sacrílega na Espanha

Mais de 200 hóstias profanadas em exposição sacrílega na Espanha

Um fiel leigo conseguiu recuperar o Corpo do Senhor, mas Abel Azcona, autor da obra sacrílega, protestou e prometeu repor a sua exposição “com mais hóstias consagradas”. O poço da impiedade realmente não tem fundo.

Equipe Christo Nihil Praeponere25 de Novembro de 2015Tempo de leitura: 6 minutos
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"Assisti a 242 eucaristias ( sic) e com as hóstias consagradas guardadas formei a palavra #Pederastia". Foi o que publicou em seu Twitter o "artista" espanhol Abel Azcona, no dia 2 de agosto de 2015. Para comprovar o crime, no dia 22 de novembro, ele postou em sua mesma conta "imagens de câmera oculta com a 'recolhida' de hóstias 'consagradas' em igrejas de #Navarra e #Madri".

Em resposta à profanação, católicos se reuniram ontem (24), no interior e do lado de fora da Sala de Exposições Conde Rodezno, do município de Pamplona, onde a obra sacrílega estava sendo exibida. Um leigo já tinha entrado no edifício e levado as hóstias para um lugar seguro, sob os protestos de Azcona, que prometera repor a sua obra "com mais hóstias consagradas". Agora, no lugar, só estão as fotos da blasfêmia. A arquidiocese já marcou celebrações em desagravo pela violação e pelo desrespeito ao Santíssimo Sacramento.

Enquanto isso, sob o pretexto de defender a "liberdade de expressão e de criação artística", o Parlamento de Navarra se nega a condenar a profanação. "A arte é um direito de expressão, muitas vezes para provocar, quer se goste quer não", disse um parlamentar socialista.

Uma mente perturbada

O autor da peça sacrílega, Abel Azcona, é um homem perturbado, para dizer o mínimo. É o que se depreende, em primeiro lugar, da pequena biografia que ele escreve de si, em seu perfil no site Vimeo:

"Sua exploração artística considerada altamente biográfica retrata a sua própria infância, experiências marcantes de abuso, abandono e maus tratos, sendo sua mãe biológica uma referência chave de sua experiência e, portanto, de sua profissão artística. O sentimento de abandono experimentado pela primeira vez por causa de sua mãe, que era prostituta, e sua passagem por múltiplos orfanatos, instituições mentais e diferentes lares adotivos, são determinantes para a maneira como Azcona se expressa. A sua experiência de vida, marcada por drogas, prostituição e várias tentativas de suicídio durante a sua adolescência, estão ligadas à sua criação e, por isso, ele não hesita em compartilhá-las com os expectadores por meio da sua obra. Em seus trabalhos sobre essa intimidade, Azcona é conhecido por experimentar dor e resistência física, expondo-se a espancamentos, intoxicações, agressões e várias torturas tanto físicas quanto psicológicas, sem medo de confrontar a si mesmo. Ele assegura que quando pratica autoagressão, é sua própria escolha alterar a forma do seu corpo, em oposição a uma criança ou mulher abusada, sem chances de decidir."

É o que se conclui, afinal, quando se toma nota de sua exposição chamada "Empatia e prostituição", uma peça "onde o artista pratica prostituição com o seu próprio corpo de várias formas". Em uma das vezes em que se prostituiu, Azcona consumiu altas quantidades de álcool e drogas para esquecer os "intercâmbios sexuais". Resultado: teve que ser internado – "uma vez mais", ele conta – em uma clínica psiquiátrica. Sem arrependimentos, nem remorsos.

Quem deveria chorar, aplaude

O estado em que se encontra a alma desse "artista" denuncia o organismo doente que é a sociedade europeia, tendo abandonado Deus e os valores que moldaram a sua civilização. Alguns séculos atrás, o sacramento da Eucaristia era retratado pelos pintores com as mais belas formas artísticas. A hóstia consagrada estava sempre encerrada em um recipiente digno, ostentada por um anjo, reinando gloriosa sobre os homens. Só sobre a Última Ceia, foram inúmeras as obras produzidas, uma mais bela que a outra.

Agora, tragicamente, o escárnio é o mainstream. "Blasfêmia", "profanação" e "sacrilégio" são vocábulos empoeirados, de um tempo em que a Europa tinha religião. Hoje, eles já não significam nada, nem para Azcona, nem para a turba anticlerical, que aplaude as suas bizarrices na Internet e zomba da fé católica.

A cena a evocar é a de um cego, atirando para todos os lados, sem saber se está acertando o inimigo ou os próprios companheiros. A ordem é destruir, mesmo que seja o próprio galho no qual se está sentado. Os europeus não conseguem enxergar que é justamente por abandonarem a sua raiz e identidade cristãs que a sua casa está do jeito que está – imersa em uma crise sem solução ou previsão de término. O terrorismo bate à porta, mas a única coisa que algumas pessoas conseguem fazer é rir e brincar sobre as ruínas das suas cidades.

A analogia da guerra não é exagerada. É justamente esse o clima em que vive a Europa hoje, especialmente depois dos recentes atentados ocorridos na França.

Outra guerra, no entanto, de ordem cultural, preparou o terreno para todo esse caos. O "multiculturalismo", tão louvado pelas classes intelectuais, é apenas uma palavra bonita para o que Joseph Ratzinger chamava de "relativismo", a ideia ilógica e destrutiva de que tudo é relativo e de que não há nem verdade, nem bondade, nem beleza absolutas. Admite-se, ao contrário, uma liberdade total e ilimitada: de desrespeitar a fé e os valores alheios, de viver uma vida louca e amargurada, e até de matar os próprios filhos – pois é disso que se trata a defesa e a promoção do aborto.

É verdade que, para Azcona e boa parte da Europa pagã, a religião não é mais que um muro a restringir as suas "liberdades". A decadência que eles experimentam, todavia, prova justamente o contrário: a religião de um lugar é uma muralha a proteger os seus habitantes. Sem ela, os homens só estão livres para se autodestruírem.

Um crime para acordar o nosso amor

A profanação de Pamplona deve acender o alerta de todos os católicos para o valor do sacramento da Eucaristia. Além de suscitar o nosso repúdio e indignação, esse crime precisa acordar o nosso amor, fazendo cessar um fenômeno que acontece todos os dias em nossas igrejas, sem que ninguém se manifeste ou ouse protestar. Seu nome é desleixo.

Primeiro, porque, se os sacerdotes tomassem os devidos cuidados para distribuir adequadamente a Comunhão, dificilmente um criminoso se apropriaria das espécies sagradas para fazer o que fez. Ao contrário, as hóstias consagradas passam pelas mãos dos fiéis como se fossem um alimento qualquer e ninguém vigia o modo como o Senhor está sendo recebido pelas pessoas. Isso sem falar das inúmeras comunhões sacrílegas que acontecem às escuras, com Jesus sendo maltratado pelos membros de Sua própria família.

Tanta indiferença só permite concluir uma das duas coisas: ou nós, católicos, perdemos o temor de Deus ou deixamos de crer na presença real de Jesus na Eucaristia. Porque não é possível que, estando o próprio Deus presente no Santíssimo Sacramento do altar, continuemos a tratá-Lo com tanta frieza e irreverência; que, sabendo da dignidade de tão grande mistério, ousemos nos aproximar da Comunhão em pecado mortal, participando simultaneamente da mesa do Senhor e da mesa dos demônios (cf. 1 Cor 10, 21)!

Contra o sacrilégio de Pamplona, é preciso ir além do protesto público e resgatar uma autêntica devoção eucarística dentro da Igreja. Nosso Senhor não quer simplesmente uma multidão que O comungue (por comungar), mas uma legião que O adore, "em espírito e em verdade" (Jo 4, 23): almas de oração que queiram amá-Lo, substancialmente presente na hóstia consagrada, e consolar o Seu Coração ofendido pela ingratidão e pelos pecados dos homens. Para isso, também nós precisamos da conversão e do espírito dos grandes amantes da Eucaristia: os santos e santas de Deus.

O sangue de São Tarcísio – que um dia banhou o território europeu, defendendo a honra do Santíssimo Sacramento – desperte os católicos do mundo inteiro para o amor e a adoração reparadora ao Corpo e Sangue de Cristo, e interceda também pela alma de Abel Azcona e de todos os europeus, para que se convertam e redescubram depressa a grandeza que se esconde sob o véu desse tão sublime sacramento.

"Os navarros e os católicos de todo o mundo Te adoram, Senhor!"

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A pedagogia de Deus
Doutrina

A pedagogia de Deus

A pedagogia de Deus

Para evangelizar, não precisamos inventar fórmulas novas. O modelo verdadeiramente eficaz — e provado na história pela vida dos santos — está à nossa inteira disposição, nos Evangelhos.

Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Novembro de 2015Tempo de leitura: 7 minutos
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A Revelação de Deus iniciou-se com a criação. Desde o princípio, o Criador manifestou-Se à criatura, a fim de animá-la a penetrar cada vez mais na vida da graça. Essa Revelação adquiriu um significado particularmente novo no contexto do pecado original. O que antes já estava nos planos divinos, isto é, a salvação do homem por meio da comunhão plena com o Senhor, tornou-se mais profundo, à medida que a criatura precisava agora não somente da salvação como também da redenção. Em resumo, Deus falou conosco de diversas maneiras para ensinar-nos a amar. Isso nos permite dizer que a "Revelação não é mais do que a educação do gênero humano" ao amor [1].

A pregação de Jesus, último estágio da Revelação Divina, ocorreu na "plenitude dos tempos" (Gl 4, 4). Cristo revelou os projetos de Deus através dos milagres que realizou, dos discursos que proferiu, da caridade que praticou e, sobretudo, pelo derramamento de Seu sangue no sacrifício da cruz. Ele salvou a humanidade — abrindo-lhe as portas do Céu — e a redimiu — purificando-a da mancha do pecado original. Jesus falou com clareza aos ouvidos humanos; mostrou que o único caminho para o Céu é o da renúncia de si mesmo, ou seja, do desapego das coisas deste mundo, para que possamos, uma vez unidos à glória divina, viver livremente, enraizados n'Ele, firmes na fé.

Neste tempo de nova evangelização, um apelo fortemente repetido pelos últimos papas, devemos voltar nossos olhos para a pedagogia de Deus, procurando perscrutar de que modo Ele transmitiu Seus ensinamentos. Com certeza, Seu método pedagógico, manifestado principalmente no ministério de Cristo, é a fonte segura para nossos projetos pastorais. Não precisamos inventar fórmulas novas nem pseudo adaptações do Evangelho, quando o modelo verdadeiramente eficaz — e provado na história pela vida dos santos — está à nossa inteira disposição. É claro que, em decorrência das fortes mudanças culturais, o evangelizador precisa esforçar-se para transmitir a Boa Nova numa linguagem sempre compreensível [2]. Mas isso não significa modificar o conteúdo da fé, mutilando artigos que pareçam inconvenientes. A pregação cristã nunca deve seguir o caminho da ambiguidade. A atualidade da Palavra de Deus é "a atualidade da verdade novamente dita e pensada de novo" [3].

Vejamos o exemplo de Jesus: Ele começa Seu ministério com a oração (cf. Mt 4, 1-2; Mc 1, 12s; Lc 4, 1-13). Isso serve, em primeiro lugar, para nos recordar que todo empreendimento espiritual, seja grande seja pequeno, deve partir do diálogo fecundo com Deus. Em um tempo em que é grande a tentação do fazer, a tentação de transformar o cristianismo em um moralismo da ação, o escondimento de Cristo durante os seus primeiros trinta anos leva-nos a reconsiderar a importância da oração no apostolado. Dobrar os joelhos para conversar com o Senhor é o remédio eficaz contra a vanglória de achar que somos os salvadores da humanidade. "Sem mim nada podeis fazer" (Jo 15, 5). Essa exortação de Jesus aos apóstolos, radicada na certeza de que somente na comunhão com Ele é possível produzir muitos frutos, deve ficar muito bem gravada em nossos corações (cf. Jo 15, 5).

A pregação de Cristo também precisa nortear nosso apostolado. É muito comum escutarmos que, na apresentação dos artigos do credo, deve-se dar primazia mais àquilo que manifesta a beleza da verdade e a comunhão do que a discordâncias desnecessárias. O encontro com o amor, dizem, é suficiente para a conversão. Isso é verdade até certo ponto. Primeiro, é verdade se esse amor significa a Pessoa de Cristo, a sua doação e sacrifício por nós, com todas as suas exigências, sem atenuações politicamente corretas. Segundo, o encontro com o amor provoca mesmo uma mudança em nós. Mas essa mudança nem sempre é a conversão. Notem a atitude dos fariseus: mesmo com todos os milagres de Jesus, com o reavivamento de Lázaro, eles tramam a Sua morte (cf. Jo 12, 37s). Ora, os fariseus também tiveram um encontro pessoal com Cristo. Porém, faltava-lhes o dom da fé para quebrar a soberba e o orgulho.

É uma grande ingenuidade achar que tudo pode se resolver simplesmente com uma pregação bonita e agradável aos ouvidos das pessoas. Ninguém melhor que Jesus para manifestar Sua misericórdia. E, ainda assim, os homens o rejeitaram. Se fôssemos dar ouvidos a alguns apologistas modernos, seríamos obrigados a dizer que o método de Jesus falhou porque foi rígido demais. No entanto, Ele não evitou polêmicas; disse abertamente: "Julgais que vim trazer paz à terra? Não, digo-vos, mas separação" (Lc 12, 51). No chamado discurso eucarístico, não temeu perder discípulos ao pregar a salvação por meio de sua carne: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna" (Jo 6, 54). A misericórdia, portanto, não é uma graça barata. Trata-se, ao contrário, de um anúncio que nos leva à penitência. Com efeito, a obstinação dos fariseus não nos coloca diante do fracasso de Jesus; coloca-nos diante da liberdade humana. Eles não creram porque não quiseram, porque aquelas palavras eram duras demais. "Quem o pode admitir?" (Jo 6, 60).

Existe, sim, uma hierarquia das verdades da doutrina católica, cujo anúncio, mesmo nos assuntos morais, deve ser feito de maneira tal, a fim de evitar desproporções entre a lei e a graça. Não podemos colocar fardos pesados sobre as costas dos fiéis. Por outro lado, isso não exclui a responsabilidade do pastor de sempre levá-los à busca da perfeição, pois, como ensinou São João Paulo II, "seria um erro gravíssimo concluir (...) que a norma ensinada pela Igreja é em si própria apenas um 'ideal' que deve posteriormente ser adaptado, proporcionado, graduado — dizem — às concretas possibilidades do homem" [4]. Na Encíclica Veritatis Splendor, lemos o seguinte:

Neste contexto, abre-se o justo espaço à misericórdia de Deus pelo pecado do homem que se converte, e à compreensão pela fraqueza humana. Esta compreensão não significa nunca comprometer e falsificar a medida do bem e do mal, para adaptá-la às circunstâncias. Se é humano que a pessoa, tendo pecado, reconheça a sua fraqueza e peça misericórdia pela própria culpa, é inaceitável, pelo contrário, o comportamento de quem faz da própria fraqueza o critério da verdade do bem, de modo a poder-se sentir justificado por si só, mesmo sem necessidade de recorrer a Deus e à Sua misericórdia. Semelhante atitude corrompe a moralidade da sociedade inteira, porque ensina a duvidar da objetividade da lei moral em geral e a rejeitar o caráter absoluto das proibições morais acerca de determinados atos humanos, acabando por confundir todos os juízos de valor [5].

Apascentar, dizia São Pio X, é, antes de mais nada, ensinar a doutrina. Uma vez que a Igreja é naturalmente missionária, "a vocação cristã só pode nascer dentro duma experiência de missão" [6]. A evangelização é uma ordem divina e, precisamente por isso, um direito e um dever da Igreja. Esse direito-dever se torna ainda mais grave diante das provações. Todos os santos foram grandes missionários. Mesmo na velhice, Santa Hildegarda de Bingen não deixou de fazer viagens missionárias para exortar os cristãos "a uma vida em conformidade com a própria vocação" [7]. O seu anúncio claro e, por vezes, severo tratou de debelar o erro reformista dos cátaros, "recordando-lhes que uma verdadeira renovação da comunidade eclesial não se obtém tanto com a mudança das estruturas, quanto com um sincero espírito de penitência e um caminho concreto de conversão" [8].

O filólogo alemão Rosenstock-Huessy indica em seus estudos que os momentos de crise social são justamente aqueles em que a sociedade deseja ouvir mas não existe quem lhe dirija a palavra [9]. O povo de Deus pede uma resposta de seus pastores, segundo aquele desejo natural de abertura ao sagrado, dada a importância desse mesmo desejo ser purificado pela Revelação. Aqui se insere o serviço prestado pelo Magistério. É obrigação da Igreja orientar a sociedade. É obrigação dos sacerdotes "ajudar com o próprio exemplo aqueles que governam, purificando os próprios costumes de todo o mal e tornando-os bons [...] para que alcancem, com o povo que lhes é confiado, a vida eterna", como também é obrigação dos demais "iluminar e ordenar de tal modo as realidades temporais, a que estão estreitamente ligados", a fim de que "sejam sempre feitas segundo Cristo e progridam e glorifiquem o Criador e Redentor" [10].

Nas pegadas de Jesus, a Igreja procura "expor muito bem o que se deve crer, esperar ou fazer; mas, sobretudo, [...] pôr sempre em evidência o amor de nosso Senhor, de modo que cada qual compreenda que qualquer ato de virtude perfeitamente cristão, não tem outra origem nem outro fim senão o amor" [11]. Não podemos nos conformar com este mundo. Não podemos calar a voz dos profetas. Não podemos ignorar o dilúvio de sangue, com o qual Jesus lavou nossas imundícies. A salvação da humanidade está, sim, no Corpo Místico de Cristo, que é a sua única Igreja. Anunciando isso, estamos anunciando a verdadeira misericórdia.

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