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Sacerdote recorda conversão de Alfred Hitchcock ao final de sua vida
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Sacerdote recorda conversão de
Alfred Hitchcock ao final de sua vida

Sacerdote recorda conversão de Alfred Hitchcock ao final de sua vida

“Em uma das cenas principais na qual o padre está caminhando pelas ruas de Quebec, ele vê Cristo carregando sua cruz, e sob os braços da cruz vemos o sacerdote caminhando pelo centro.”

ACI Digital20 de Dezembro de 2012
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O sacerdote jesuíta Mark Henninger recordou o tempo que passou junto ao famoso diretor de cinema Alfred Hitchcock, ao final de sua vida, período em que Hitchcok teve um momento intenso de conversão após um longos anos de distância do catolicismo.

Em um artigo publicado no dia 6 de dezembro no jornal americano The Wall Street Journal, o sacerdote recordou que em 1980 foi convidado por um amigo seu, o Pe. Tom Sullivan, a visitar a casa de Hitchcock em Bel Air (Estados Unidos).

Ao recordar como conheceu famoso diretor de cinema, o Pe. Henninger disse que "Hitchcock despertou, olhou para cima e beijou a mão do (Padre) Tom e agradeceu-lhe".

"Hitchcock estava afastado da Igreja há bom tempo", recordou o Pe. Mark Henninger . "O mais notável foi que depois de receber a comunhão, (Hitchcock) chorou em silêncio, com lágrimas rodando por suas bochechas enormes", destacou ainda o sacerdote.

Pe. Mark continuou visitando o renomado diretor até a sua morte em 29 de abril daquele ano. O sacerdote refletiu sobre como foi extraordinário que Hitchcock tenha se deixado guiar por Deus ao final de sua vida.

Algo "suspirava em seu coração", escreveu o sacerdote, "e as visitas responderam a um profundo desejo humano, uma real necessidade humana".

A história do Pe. Henninger no The Wall Street Journal foi publicada como resultado da estreia de um relato biográfico chamado "Hitchcock", em algumas salas de cinema nos Estados Unidos, em novembro.

Hitchcock foi criado na religião católica em Londres (Reino Unido), e foi educado em uma escola salesiana no primário e jesuíta no segundo grau. A carreira de Hitchcock como diretor durou de 1925 até 1976.

O filme "A Tortura do Silêncio", de 1953, foi a única produção de Hitchcock com referência a um sacerdote.

O personagem principal no filme é um padre, que termina sendo investigado por um assassinato que não cometeu. Mais ainda, ele escutou a confissão do assassino, e por isso não pôde defender-se a si mesmo.

Em declarações ao grupo ACI, Ben Akers, diretor da Escola Bíblica Católica de Denver nos EUA, disse que "Hitchcock tenta colocar uma cruz em cada cena desse filme, porque a cruz se sustenta sobre a decisão que este sacerdote tem que fazer".

Akers explica que "em uma das cenas principais na qual o padre está tomando a decisão de limpar ou não seu nome, o que significaria romper o segredo de confissão e deixar o sacerdócio, ele está caminhando pelas ruas de Quebec, e vê Cristo carregando sua cruz, e sob os braços da cruz vemos o sacerdote caminhando pelo centro".

O diácono Scott Bailey, que está estudando para ser um sacerdote na Arquidiocese de Denver, é também um grande fã da obra cinematográfica de Hitchcock e, em particular, do mencionado filme. "É um incrível retrato de um sacerdote, e acredito que realmente atinge o alvo no que se refere ao significado, à realidade do segredo de confissão".

"Este terminou sendo um filme realmente impressionante, e muito católico. O sacerdote realmente põe sua vida em risco por não dizer nada".

O retrato de um sacerdote tão comprometido com a santidade do sacramento da confissão ajudou o diácono Bailey a refletir sobre sua próxima ordenação ao sacerdócio, e o papel que terá como confessor.

"Acima de tudo, vejo nisso uma imensa responsabilidade. É emocionante e aterradora ao mesmo tempo".

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Bento XVI: Maria é bem-aventurada por sua fé firme em Deus
Virgem MariaBento XVI

Bento XVI: Maria é bem-aventurada
por sua fé firme em Deus

Bento XVI: Maria é bem-aventurada por sua fé firme em Deus

“Em Maria a humanidade e a história se abrem realmente a Deus, acolhem a sua graça, estão dispostas a fazer a sua vontade. Maria é expressão genuína da Graça.”

ACI Digital10 de Dezembro de 2012
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Em suas palavras prévias à oração do Ângelus diante dos milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro, por ocasião da Solenidade da Imaculada Conceição, o Papa Bento XVI afirmou que a Virgem é "bem-aventurada" porque "acreditou, porque teve uma fé firme em Deus".

O Santo Padre assinalou que "neste Ano da fé queria sublinhar que Maria é a Imaculada por um dom gratuito da graça de Deus, mas que nela encontrou perfeita disponibilidade e colaboração".

"A Imaculada demonstra que a Graça é capaz de suscitar uma resposta, que a fidelidade de Deus sabe gerar uma fé verdadeira e boa".

O Papa explicou também que "Maria representa aquele "resto de Israel", aquela raiz santa que os profetas anunciaram. Nela encontram acolhimento as promessas da antiga Aliança".

"Em Maria a Palavra de Deus encontra escuta, recepção, resposta, encontra aquele ‘sim’ que a permite tomar carne e vir habitar em meio a nós".

Bento XVI indicou que "em Maria a humanidade, a história se abrem realmente a Deus, acolhem a sua graça, estão dispostas a fazer a sua vontade. Maria é expressão genuína da Graça".

"Ela representa o novo Israel, que as Escrituras do Antigo Testamento descrevem com o símbolo da esposa. E São Paulo retoma esta linguagem na Carta aos Efésios lá onde fala do matrimônio e diz que "Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível".

O Papa indicou que "Os Padres da Igreja desenvolveram esta imagem e assim a doutrina da Imaculada nasceu primeiro em referência à Igreja virgem-mãe, e depois a Maria. Assim escreve poeticamente Efrem o Sírio: "Como os corpos pecaram e morreram, e a terra, sua mãe, é maldita, (cfr Gen 3,17-19), assim por causa deste corpo que é a Igreja incorruptível, sua terra é bendita desde o início. Esta terra é o corpo de Maria, templo no qual uma semente foi colocada".

Bento XVI recordou também que "A luz que emana da figura de Maria nos ajuda também a compreender o verdadeiro sentido do pecado original. Em Maria, de fato, é plenamente viva e operante aquela relação com Deus que o pecado rompe", assinalou.

"Nela não tem alguma oposição entre Deus e o seu ser: tem plena comunhão, plena concordância. Tem um "sim" recíproco, entre Deus e ela e ela e Deus. Maria é livre do pecado porque é toda de Deus, totalmente esvaziada por Ele. É cheia de sua Graça, do seu Amor".

Como conclusão, o Papa sublinhou que "a doutrina da Imaculada Conceição de Maria exprime a certeza de fé que as promessas de Deus foram realizadas: que a sua aliança não falha, mas produziu uma raiz santa, da qual brotou o Fruto bendito de todo o universo, Jesus, o Salvador. A Imaculada está a demonstrar que a Graça é capaz de suscitar uma resposta, que a fidelidade de Deus sabe gerar uma fé verdadeira e boa.".

"Sigamos o exemplo da Mãe de Deus, para que também em nós a graça do Senhor encontre resposta em uma fé genuína e fecunda", finalizou.

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Bento XVI: é urgente falar de Deus no mundo!
Bento XVI

Bento XVI: é urgente
falar de Deus no mundo!

Bento XVI: é urgente falar de Deus no mundo!

“Para falar de Deus, dar-lhe espaço sem medo, na convicção profunda de que quanto mais colocamos no centro Ele e não nós, mais a nossa comunicação será frutífera.”

Papa Bento XVI29 de Novembro de 2012
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Caros irmãos e irmãs,

A pergunta central que hoje nos fazemos é a seguinte: como falar de Deus no nosso tempo? Como comunicar o Evangelho, para abrir estradas na sua verdade salvífica nos corações sempre fechado dos nossos contemporâneos e na mente deles tantas vezes distraídas por tantos estímulos da sociedade? O próprio Jesus, dizem-nos os Evangelistas, no anunciar do Reino de Deus se perguntou sobre isto: “A que podemos comparar o reino de Deus e com que parábola podemos descrevê-lo?” (Mc 4,30). Como falar de Deus hoje? A primeira resposta é que nós podemos falar de Deus, porque Ele falou conosco. A primeira condição para falar de Deus é também a escuta de quanto disse o próprio Deus. Deus falou conosco! Deus não é uma hipótese distante sobre a origem do mundo; não é uma inteligência matemática muito distante de nós. Deus se interessa por nós, nos ama, entrou pessoalmente na realidade da nossa história, se auto-comunicou até encarnar-se. Então, Deus é uma realidade da nossa vida, é tão grande que tem também tempo para nós, ocupa-se de nós. Em Jesus de Nazaré nós encontramos a face de Deus, que desceu do seu Céu para imergir-se no mundo dos homens, no nosso mundo, e ensinar a “arte de viver”, o caminho da felicidade; para libertar-nos do pecado e tornar-nos filhos de Deus (cfr Ef 1,5; Rm 8,14). Jesus veio para salvar-nos e mostrar-nos a vida boa do Evangelho.

Falar de Deus quer dizer antes de tudo ter bem claro isso que devemos levar aos homens e às mulheres do nosso tempo: não um Deus abstrato, uma hipótese, mas um Deus concreto, um Deus que existe, que entrou na história e está presente na história; o Deus de Jesus Cristo como resposta à pergunta fundamental do porquê e do como viver. Por isto, falar de Deus requer uma familiaridade com Jesus e o seu Evangelho, pressupõe uma noção pessoal e real consciência de Deus e uma forte paixão pelo seu projeto de salvação, sem ceder à tentação do sucesso, mas seguindo o método do próprio Deus. O método de Deus é aquele da humildade – Deus se faz um de nós – é o método realizado na Encarnação na simples casa de Nazaré e na gruta de Belém, aquela da parábola do grão de mostarda. Não devemos temer a humildade dos pequenos passos e confiar no fermento que penetra na massa e lentamente a faz crescer (cfr Mt 13,33). No falar de Deus, na obra de evangelização, sob a orientação do Espírito Santo, é necessária uma recuperação da simplicidade, um retornar ao essencial do anúncio: a Boa Notícia de um Deus que é real e concreto, um Deus que se interessa por nós, um Deus-Amor que se faz próximo de nós em Jesus Cristo até a Cruz e que na Ressurreição nos doa a esperança e nos abre a uma vida que não tem fim, a vida eterna, a vida verdadeira. 

Aquele excepcional comunicador que foi o apóstolo Paulo nos oferece uma lição que vai direto ao centro da fé e do problema “como falar de Deus” com grande simplicidade. Na Primeira Carta aos Coríntios escreve: “Quando cheguei no meio de vós, não me apresentei para anunciar o mistério de Deus com excelência da palavra ou de sabedoria. Decidi, na verdade, não dever saber coisa alguma no meio de vós senão Jesus Cristo, e Cristo crucificado” (2,1-2). Então a primeira realidade é que Paulo não fala de uma filosofia que ele desenvolveu, não fala de ideais que encontrou em qualquer lugar ou inventou, mas fala de uma realidade da sua vida, fala do Deus que entrou na sua vida, fala de um Deus real que vive, falou com ele e falará conosco, fala de Cristo crucificado e ressuscitado. A segunda realidade é que Paulo não busca a si mesmo, não quer criar um time de admiradores, não quer entrar na história como chefe de uma escola de grande conhecimento, não busca a si próprio, mas São Paulo anuncia Cristo e quer ganhar as pessoas para o Deus verdadeiro e real. Paulo fala somente com o desejo de querer pregar aquilo que entrou na sua vida e que é a verdadeira vida, que o conquistou no caminho para Damasco. Então, falar de Deus quer dizer dar espaço Àquele que se faz conhecer, que nos revela a sua face de amor, quer dizer expropriar o próprio eu oferecendo-o a Cristo, na consciência de que não somos nós a poder ganhar os outros para Deus, mas devemos conhecê-los pelo próprio Deus, para invocá-lo. O falar de Deus nasce também da escuta, do nosso conhecimento de Deus que se realiza na familiaridade com Ele, na vida da oração e segundo os Mandamentos.

Comunicar a fé, para São Paulo, não significa trazer a si mesmo, mas dizer abertamente e publicamente aquilo que viu e sentiu no encontro com Cristo, quanto experimentou na sua existência ora transformada pelo encontro: é trazer aquele Jesus que sente presente em si mesmo e tornou-se o verdadeiro sentido da sua vida, para fazer entender a todos que Ele é necessário para o mundo e é decisivo para a liberdade de cada homem. O Apóstolo não se contenta de proclamar as palavras, mas envolve toda a própria existência na grande obra da fé. Para falar de Deus, é preciso dar-lhe espaço, na confiança de que é Ele que age na nossa fraqueza: dar-lhe espaço sem medo, com simplicidade e alegria, na convicção profunda de que quanto mais colocamos no centro Ele e não nós, mais a nossa comunicação será frutífera. E isto vale também para a comunidade cristã: esses são chamados a mostrar a ação transformadora da graça de Deus, superando individualismos, fechamento, egoísmos, indiferença e vivendo na relação cotidiana o amor de Deus. Perguntemo-nos se são realmente assim as nossas comunidades. Devemos colocar-nos de modo a tornar-nos sempre e realmente assim, anunciadores de Cristo e não de nós mesmos.

Neste ponto, devemos perguntar-nos como comunicava o próprio Jesus. Jesus na sua singularidade fala de seu Pai – Abbá – e do Reino de Deus, com o olhar repleto de compaixão pelos inconvenientes e dificuldades da existência humana. Fala com grande realismo e, direi, o essencial do anúncio de Jesus é que torna transparente o mundo e a nossa vida vale para Deus. Jesus mostra que no mundo e na criação aparece a face de Deus e nos mostra como nas histórias cotidianas da nossa vida Deus está presente. Seja nas parábolas da natureza, o grão de mostarda, o campo com diversas sementes, ou na nossa vida, pensamos na parábola do filho pródigo, de Lázaro e em outras parábolas de Jesus. Dos Evangelhos vemos como Jesus se interessa por cada situação humana que encontra, se emerge na realidade dos homens e das mulheres do seu tempo, com uma confiança plena na ajuda do Pai. E que realmente nesta história, secretamente, Deus está presente e se estamos atentos podemos encontrá-Lo. E os discípulos, que vivem com Jesus, as multidões que O encontram, vêem a sua reação aos problemas mais absurdos, vêem como fala, como se comporta; vêem Nele a ação do Espírito Santo, a ação de Deus. 

Nele anúncio e vida se entrelaçam: Jesus age e ensina, partindo sempre de um íntimo relacionamento com Deus Pai. Este estilo torna-se um indício essencial para nós cristãos: o nosso modo de viver na fé e na caridade torna-se um falar de Deus no hoje, porque mostra com uma existência vivida em Cristo a credibilidade, o realismo, daquilo que dizemos com as palavras, que não são somente palavras, mas mostram a realidade, a verdadeira realidade. E nisso devemos estar atentos para entender os sinais dos tempos na nossa época, isto é, para identificar os potenciais, os desejos, os obstáculos que se encontram na cultura atual, em particular o desejo de autenticidade, o anseio de transcendência, a sensibilidade para a salvaguarda da criação, e comunicar sem temor a resposta que oferece a fé em Deus. O Ano da Fé é ocasião para descobrir, com a fantasia animada pelo Espírito Santo, novos caminhos em nível pessoal e comunitário, a fim de que em cada lugar a força do Evangelho seja sabedoria de vida e orientação da existência.

Também no nosso tempo, um lugar privilegiado para falar de Deus é a família, a primeira escola para comunicar a fé às novas gerações. O Concílio Vaticano II fala dos pais como os primeiros mensageiros de Deus (cfr Cost. dogm. Lumen gentium, 11; Decr. Apostolicam actuositatem, 11), chamados a redescobrir esta sua missão, assumindo a responsabilidade no educar, no abrir a consciência dos pequenos ao amor de Deus como um serviço fundamental às suas vidas, no ser os primeiros catequistas e mestres da fé para seus filhos. E nesta tarefa é importante antes de tudo a vigilância, que significa saber entender as ocasiões favoráveis para introduzir na família o discurso de fé e para fazer amadurecer uma reflexão crítica a respeito dos numerosos condicionamentos aos quais são submetidos os filhos. Esta atenção dos pais é também sensibilidade em reconhecer as possíveis questões religiosas nas mentes dos filhos, às vezes evidentes, às vezes secretas. Depois, a alegria: a comunicação da fé deve sempre ter uma totalidade de alegria. É a alegria pascal, que não omite ou esconde a realidade da dor, do sofrimento, do cansaço, da dificuldade, da incompreensão e da própria morte, mas sabe oferecer os critérios para interpretar tudo na perspectiva da esperança cristã. A vida boa do Evangelho é mesmo este olhar novo, esta capacidade de ver com os próprios olhos de Deus cada situação. É importante ajudar todos os membros da família a compreender que a fé não é um peso, mas uma fonte de alegria profunda, é perceber a ação de Deus, reconhecer a presença do bem, que não faz barulho; e oferece orientações preciosas para viver bem a própria existência. Enfim, a capacidade de escuta e de diálogo: a família deve ser um ambiente onde se aprende a estar junto, a conciliar os conflitos no diálogo recíproco, que é feito de escuta e de palavra, a compreender-se e a amar-se, para ser um sinal, um para o outro, do amor misericordioso de Deus.

Falar de Deus, então, quer dizer fazer compreender com a palavra e com a vida que Deus não é o concorrente da nossa existência, mas sim é o seu verdadeiro assegurador, a garantia da grandeza da pessoa humana. Assim, retornamos ao início: falar de Deus é comunicar, com força e simplicidade, com a palavra e com a vida, isso que é essencial: o Deus de Jesus Cristo, aquele Deus que nos mostrou um amor tão grande a ponto de encarnar-se, morrer e ressurgir para nós; aquele Deus que pede para segui-Lo e deixar-se transformar pelo seu imenso amor para renovar a nossa vida e as nossas relações; aquele Deus que nos doou a Igreja, para caminhar juntos e, através da Palavra e dos Sacramentos, renovar a inteira Cidade dos homens, a fim de que possa tornar-se Cidade de Deus.

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O corajoso Bispo de Xangai dá um comovente testemunho de fé
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O corajoso Bispo de Xangai dá
um comovente testemunho de fé

O corajoso Bispo de Xangai dá um comovente testemunho de fé

Isolado do mundo, Dom Ma está privado da liberdade de ir e vir e dispõe de pouca liberdade de expressão, exceto com relação ao seu blog. Ele não pode vestir trajes ou usar sua insígnia episcopal. 

La StampaTradução: Fratres In Unum13 de Novembro de 2012
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Havia apenas uma razão para a sua objeção: seu pai, seu irmão mais novo e ele mesmo foram todos encarcerados por causa de sua Fé Católica. Ele não queria ver seu amado filho sofrendo a mesma dificuldade.

Dom Thaddeus Ma Daqin está confinado no seminário de Sheshan, na periferia de Xangai, desde 7 de julho – o dia de sua ordenação episcopal. Ele está sendo efetivamente punido em prisão domiciliar já há 125 dias por ter anunciado sua intenção de abandonar a Igreja Católica Patriótica (CPA) – o órgão criado pelas autoridades comunistas para controlar a Igreja – e por dedicar-se em tempo integral ao seu ministério pastoral.

Nossa Senhora de Sheshan, Auxílio dos Cristãos, Rogai por nós!

As autoridades chinesas consideraram a sua decisão um sério desafio ao seu sistema de controle sobre a Igreja. Eles o levaram na noite de sua ordenação episcopal e desde então ele está confinado no seminário, efetivamente, em prisão domiciliar.

Isolado do mundo – os seminaristas não tiveram permissão de voltar, embora, algumas vezes, alguns católicos consigam vê-lo — Dom Ma está privado da liberdade de ir e vir e dispõe de pouca liberdade de expressão, exceto com relação ao seu blog. Ele não pode vestir trajes ou usar sua insígnia episcopal. As autoridades querem quebrantar seu espírito e fazê-lo se retratar.

O Cardeal Zen tem reivindicado a sua libertação. O Cardeal Tong tem pedido diálogo com o Governo para resolver esse problema e instou os líderes políticos mundiais a prestarem atenção aos seus apuros. O Cardeal Filoni do Vaticano denunciou o fato de que ele está “segregado e privado de suas liberdades" e enfatizou a necessidade de diálogo de alto nível entre a China e o Vaticano para resolver este e outros problemas.

Em 3 de novembro, o bispo Dom Ma, publicou em seu blog o seguinte testemunho comovente sobre a sua “Fé de uma criança". A UCA News o editou e traduziu do chinês para o inglês.

“Fé de uma Criança"

Sinto-me grato por meus pais terem falecido cedo.
Meu pai faleceu quando eu cursava o segundo ano de teologia. Passei todas as férias de inverno ao lado de seu leito. Desde que entrei para o seminário, tivemos menos chance de conversar, diferentemente de quando eu era criança e ele costumava me contar muitas histórias. Ele ficou mais calado quando aprendi a estudar e ler. Então, ele ficou gravemente enfermo, sem muita força para falar; assim, foi a minha vez de sentar-me perto de sua cama e fazer-lhe companhia silenciosa.

Eu tinha que dar sinal de vida no início do novo semestre. Se eu tivesse escrito ao reitor, dizendo-lhe sobre o meu pai, estou certo de que ele teria me deixado ficar em casa um pouco mais. Porém, quando pensei naqueles seminaristas viajando de tão longe, vindos de outras províncias, percebi que não era justo que eu, uma pessoa da diocese local, prolongasse as minhas férias.
Meu pai pediu-me para ficar tanto quanto possível e eu voltei apressado para o seminário só na véspera do início das aulas. Na manhã seguinte recebi um telefonema da minha família: meu pai havia falecido às 4h. Corri de volta para casa e encontrei seu corpo envolto em roupas brancas.

Minha mãe sofria de um raro tipo de leucemia e vinha tomando medicação chinesa e ocidental por 10 anos. Assim que fui designado para a paróquia de Nanqiao, perto de Fengxian, sua saúde deteriorou repentinamente. O médico nos contou que ela tinha três meses de vida. Não foi fácil viajar de Fengxian, que fica na periferia de Xangai, de volta para o centro da cidade para visitar a minha mãe.
Nesse meio tempo, tive febre e fiquei hospitalizado com uma pneumonia atípica; eles queriam checar para ver se era SARS [Síndrome Respiratória Aguda Grave]. Minha mãe e eu fomos enviados para hospitais diferentes, porém, conseguíamos conversar por telefone.

“Daqin, não importa," ela me disse. “Embora a cruz que Deus nos deu seja pesada, devemos ser capazes de suportá-la. O Deus misericordioso não nos daria uma cruz que não pudéssemos carregar". Ela viveu mais três meses, e faleceu na festa de Cristo Rei.

Sou o mais novo de três filhos. Meus pais não queriam me ver sofrer e suportariam qualquer coisa por minha causa. Todos os bons pais do mundo fazem isso, não é mesmo? E os filhos reconhecem sua responsabilidade filial de tomar conta de seus pais somente quando eles falecem?

Minha mãe me apoiou quando decidi entrar para o seminário, mas meu pai opôs-se energicamente. Havia apenas uma razão para a sua objeção: seu pai, seu irmão mais novo e ele mesmo foram todos encarcerados por causa de sua Fé Católica. Ele não queria ver seu amado filho sofrendo a mesma dificuldade. Mas eu persisti. Fui admitido em Sheshan, que, naquela época, era o maior seminário no país. Por determinadas razões, o seminário está temporariamente suspenso nesse momento. Os seminaristas de várias dioceses que estavam estudando teologia e filosofia aqui foram transferidos.

Ainda assim, ele é um lugar sagrado no meu coração e acredito que também em muitos outros corações. Localizado em Sheshan, local de peregrinações mundialmente famoso, ele é um grande presente de Deus para Xangai e para a Igreja na China. No dia seguinte eu estava sozinho em meu quarto, rezando o terço e rezando pelos falecidos durante este mês das Santas Almas do Purgatório, quando alguns dos outros saíram para a catedral a fim de assistir à ordenação diaconal. Pensei nos meus pais e algo aconteceu comigo: senti-me muito grato por eles terem falecido tão cedo, porque eles não precisam se preocupar comigo. Eles foram honestos e sinceros durante todas as suas vidas, mas eles sofreram um movimento político atrás do outro. Somente as pessoas de sua geração podem verdadeiramente apreciar as lutas por que passaram.

Se eles ainda estivessem vivos hoje em dia, não sei quanto eles estariam nervosos e preocupados comigo! Mesmo quando católicos começaram a vir para me ver depois de agosto, as suas primeiras palavras eram sempre “o senhor foi espancado?" e, em seguida, mais provavelmente, “o senhor parece magro e emaciado."

Às vezes, o que você experimenta em poucos dias, semanas ou meses pode ser mais do que você já experimentou em toda a sua vida. Ao testemunhar a dinâmica entre as pessoas e suas vicissitudes, crescemos e amadurecemos, crescemos para envelhecer gradualmente.

Mesmo assim “bebi chá" [uma metáfora por ser advertido pelas autoridades governamentais] muitas vezes e foi alertado para não ter quaisquer ilusões; meus pensamentos são livres.

As pessoas me perguntam: Por que eu não fui embora? Isso se deve por causa do que meu pai me disse quando insisti em entrar para o seminário e me preparei para o sacerdócio. “Se você está determinado a ir, não volte atrás e não desista quando você estiver no meio do caminho", ele disse. Não hesitei em responder “é claro!"

Tenho mantido essa promessa até hoje. Vou mantê-la até o dia em que envelhecer, se Deus desejar que eu chegue até a velhice.

Essa é uma promessa muito pequena que um filho fez a seu pai. É esta promessa a fé de um filho humilde e frágil?

Dom Thaddeus Ma Daqin

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