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As iscas da indústria pornô para pescar o seu filho na internet
Sociedade

As iscas da indústria pornô
para pescar o seu filho na internet

As iscas da indústria pornô para pescar o seu filho na internet

À medida que mais e mais crianças começam a usar a internet, a indústria pornográfica utiliza o tempo delas online para atraí-las até sites pornográficos. Depois do primeiro clique, a sua inocência pode ser destruída. De uma vez para sempre.

Jonathon van MarenTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere20 de Maio de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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Várias e várias vezes, ouvi pais me dizerem que seus filhos jamais buscariam pornografia na internet. Adolescentes? Talvez. Crianças? Nunca. Elas são muito inocentes. Ainda não pensam em sexo nem foram expostas ao que poderia estimular seu interesse pelo assunto. Portanto, as crianças podem continuar sendo crianças, e não há necessidade alguma de lhes manchar a inocência abordando tópicos como este.

Eu até acredito nesses pais. Muitos deles se esforçam para proporcionar aos filhos uma infância inocente, para que desfrutem das coisas simples da vida sem que suas pequenas mentes sejam manchadas por este conteúdo digital onipresente, mais maligno do que “adulto”.

No entanto, é essencial que os pais se dêem conta de uma coisa: seus filhos podem não estar procurando pornografia, mas a indústria pornográfica com certeza está à procura deles.

Muitos pais creem, equivocados, que tudo ficará bem desde que os filhos não busquem pornografia e a internet de casa esteja protegida. Eles talvez se surpreendam ao descobrir que a maioria das crianças tem seu primeiro contato com pornografia por acidente. Já ouvi essa história centenas de vezes em minhas palestras para jovens sobre pornografia, e um estudo recente confirmou não apenas que muitas crianças veem pornografia pela primeira vez por acidente, mas que a maior parte delas gostaria que isso nunca tivesse acontecido. Não se trata de saber se os seus filhos desejam ver pornografia, mas de saber se eles, querendo ou não, acabarão se deparando com ela.

De fato, como observei antes, empresas predatórias como PornHub já usaram títulos de desenhos animados (por exemplo, Dora, a aventureira e Patrulha canina) para dar nome a vídeos de pornografia explícita, a fim de que as crianças que buscam na internet temas inocentes acabem acessando páginas repletas de cenas degradantes. Quanto mais precoce for o vício, mais pornografia elas verão — e quanto mais elas virem, melhor será para empresas como PornHub. Suas contas bancárias crescem às custas da inocência roubada.  

Eles até fazem piada sobre isso. Na conta de PornHub no Instagram, por exemplo, foi compartilhada uma imagem do Bebê Yoda com o logotipo da empresa refletido em suas pupilas junto com a frase: “Dez segundos depois de meus pais saírem de casa”. Além de não verificar a idade ou o consentimento e de não fazer nada para manter as crianças longe do seu material vil, PornHub ri abertamente de ter as crianças como um público alvo

O portal Exodus Cry, que tem feito uma brilhante campanha para denunciar a cumplicidade de PornHub com o estupro e a exploração sexual, explicou como a empresa caça as crianças:

PornHub não possui sequer um botão de alerta para perguntar ao visitante se tem menos de dezoito anos. Por quê? Para eles, a idade é apenas um número.

A organização vai à caça em redes sociais populares como Tik Tok, Twitch, Snapchat, Periscope e muitas outras, usando modelos e vídeos como isca para seduzir crianças inocentes e tê-las em suas garras sádicas. Alguns desses sites e aplicativos possuem proteções inadequadas para crianças ou sequer têm restrições a práticas predatórias.

Há também as categorias. Em 2019, “adolescente” (teen) foi um dos principais termos procurados no site, junto com “cartoon”, “vinganças” e muitos outros. Não se enganem: PornHub está definindo e tirando proveito dos apetites sexuais de jovens e menores de idade.

Mas espere, a situação fica ainda pior. Os portais Collective Shout e Exodus Cry revelaram que, além de hospedar vídeos de estupro, abuso infantil e tráfico sexual (e não esqueçamos nunca que as pessoas acessam a plataforma em busca de satisfação sexual), PornHub tem uma coleção de “desenhos pornográficos virtuais ou animados, feitos com os personagens mais populares da Disney em cenas de sexo explícito”. Personagens como a Rapunzel, da animação Enrolados, aparecem amarrados e amordaçados, sem falar de muitos outros personagens favoritos que aparecem em cenas de abuso e violência. Repita-se: são personagens de desenhos infantis.

Sites de conteúdo pornográfico também inserem anúncios pop up em páginas de jogos eletrônicos frequentadas por crianças e adolescentes. Em minhas palestras, já perguntei diversas vezes a crianças quantas delas jogam na internet — e quantas foram expostas a alguma janela pop up com conteúdo explícito durante o jogo. Quase todas as mãos se levantam em resposta às duas perguntas. À medida que mais e mais crianças começam a usar a internet, a indústria da pornografia utiliza o tempo delas online para atraí-las até sites pornográficos. Depois do primeiro clique, a sua inocência pode ser destruída e elas podem ficar viciadas. Eis a história de quase toda uma geração. 

Escrevo tudo isso como um apelo aos pais. Por favor, monitorem seus filhos sempre que estiverem online. Por favor, falem com eles sobre pornografia de forma adequada à idade deles. Milhões de crianças foram expostas à pornografia sem o desejo ou o consentimento dos pais, muitos dos quais simplesmente ignoram que seus filhos já foram expostos a esse tipo de material.

É um aspecto repugnante e terrível da nossa cultura que discussões que há poucas décadas eram desnecessárias sejam, hoje, absolutamente imprescindíveis. Sim, elas são.

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O que a Ressurreição nos ensina
Doutrina

O que a Ressurreição nos ensina

O que a Ressurreição nos ensina

A importância de nossa vida corpórea e seus sofrimentos não deveria ser exagerada nem subestimada. Temos um corpo por natureza, não por acidente. Sem o corpo, a alma não está completa. Os sofrimentos desta vida não serão esquecidos, mas redimidos.

Edward FeserTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere19 de Maio de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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A Ressurreição nos ensina que a importância de nossa vida corpórea e seus sofrimentos não deveria ser exagerada nem subestimada. Isso significa enxergar o meio-termo entre materialismo e platonismo. Em nossa época decadente e sensualista, a mensagem antimaterialista talvez seja a mais óbvia. O secularista não concebe destino pior do que ambições mundanas insatisfeitas, casamentos infelizes, contas não pagas, saúde precária e o próprio leito de morte. E não há para ele bem maior do que fugir dessas coisas. Woody Allen expressa bem essa mentalidade: “A vida é feita de penúria, solidão e sofrimento — e tudo acaba muito rápido”. 

Isso é patético. Quer seu herói seja Sócrates, São Policarpo ou aquela gloriosa síntese dos dois, São Justino Mártir, você sabe que ninguém é tão cego quanto aquele que não consegue enxergar a eternidade que está além de algumas décadas de vida. A morte só interrompe o tempo que passamos na sala de espera. Algumas são terrivelmente aborrecidas e desconfortáveis. Outras têm tantas formas de divertimento, que nos deixam desapontados quando chega a hora de ir. Em ambos os casos, são apenas salas de espera, e assim é esta vida.

Mas isso ocorre não porque tenhamos uma alma imortal, nem porque as coisas terrenas sejam irrelevantes. Nós de fato temos uma alma imortal, e as coisas terrenas realmente não têm valor em si. Mas uma alma imortal não é uma pessoa. Ponto final. É o resquício de uma pessoa, e a perda de seu corpo é um terrível sofrimento, não uma libertação. A perpétua condição póstuma da alma é determinada pelo que fizemos e sofremos nesta vida.

Aqui entra a mensagem antiplatônica. Temos um corpo por natureza, não por acidente. Sem o corpo, a alma não está completa. Ela também não está destinada a ser purificada de todos os traços do indivíduo que viveu, respirou, sofreu e morreu, como o atma impessoal do hinduísmo. A Ressurreição não ensina que a morte não é o fim de sua alma, mas que a morte não é o seu fim como indivíduo dotado de corpo. Ela nos diz não que os sofrimentos desta vida serão esquecidos, mas que serão redimidos. Um bem eterno será tirado de um mal finito, como o vinho que foi tirado da água. 

Santo Tomás nos diz que o Cristo ressuscitado carrega suas chagas perpetuamente como se fossem troféus. São como a cicatriz que um atleta não ousaria corrigir por meio de uma plástica, para não perder uma lembrança do que conquistou. Do mesmo modo, a Ressurreição nos ensina que o seu coração partido, a destruição de suas esperanças terrenas, a dor pela morte de um ente querido ou por seu corpo débil — a lembrança de todas essas coisas será como uma das chagas de Cristo após a morte. Ela assumirá uma característica totalmente diferente, e de fato será vista como aquilo que sempre foi: parte da purificação e do aperfeiçoamento de um atleta espiritual.

Para aqueles que amam a Deus, afinal. Pois existe um terrível lado negativo da Ressurreição, na medida em que os corpos dos perversos — assim como os dos justos — também lhes serão restituídos, e sua condição também será definida eternamente pelo que alimentaram em seus corações nesta vida. A memória de seus prazeres ilícitos, de sua fixação por Mamon, de seu desejo irrefreado por fama e poder, doerá como uma ressaca perpétua, uma lembrança sem fim de sua estupidez e miopia. “Com certeza terão sua recompensa”. 

Essa recompensa deve ser mais temida do que a morte. Mas esta é, de fato, assustadora. Como todo filósofo deveria fazer, eu amo e venero Sócrates. Mas sua morte, por nobre que tenha sido, não foi a morte de um homem que sabia realmente o que era a morte. Não há dúvida de que sua verdade parcial está muito mais próxima da verdade integral que a verdade parcial do materialista. É muito melhor ser um pagão de tipo platonista do que aquela coisa triste e desprezível que Nietzsche chamou o Último Homem, o individualista da modernidade secular liberal que só pensa em buscar o próprio conforto.

Mesmo assim, a julgar pelo Fédon [um dos principais diálogos de Platão], você poderia pensar que em sua essência a morte significa adormecer durante uma conversa filosófica com amigos. Mas a realidade dela é refletida de modo mais adequado em outras imagens — a de Santo Inácio de Antioquia nos dentes de leões, ou a de São Policarpo no meio das chamas. 

Contudo, surpreendentemente, eles enfrentaram esses fins sinistros com o mesmo otimismo de Sócrates. O Último Homem nos diz: “A morte é horrível, então tenha medo dela!” Sócrates nos diz: “A morte não é horrível, então não tenha medo dela!” O cristianismo nos diz: “A morte é horrível, mas não tenha medo dela!

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Conselhos de Madre Angélica a uma Igreja moribunda
Igreja Católica

Conselhos
de Madre Angélica
a uma Igreja moribunda

Conselhos de Madre Angélica a uma Igreja moribunda

“Não há nada a temer”: Cristo está do nosso lado e nos capacita com sua graça para a missão. Devemos lutar por nossa Mãe, a Igreja, que pode estar ferida, sim, mas cujas chagas podemos curar “com nosso amor, nossa compaixão e com nosso zelo”.

Equipe Christo Nihil Praeponere15 de Maio de 2020Tempo de leitura: 5 minutos
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Ninguém gosta de receber más notícias, muito menos quando dizem respeito à morte. Segundo a psicóloga Elizabeth Kubler-Ross, as pessoas comuns tendem a apresentar ao menos cinco tipos de atitude na vivência do luto: a negação do problema, a raiva de si mesmo, a barganha com Deus, a depressão e, somente depois de tudo isso, a aceitação. É claro que esses estágios podem variar de um para outro e alguns até são capazes de experimentar tudo ao mesmo tempo.

Seja como for, não é preciso ser nenhum psicólogo renomado para perceber que essa é exatamente a condição da sociedade agora com relação ao novo coronavírus. Há de tudo um pouco: negacionistas, beligerantes, supersticiosos, depressivos, conformados… Quase todos doentes da “pandemia do medo” que se instalou nos corações, causando pânico até em bons cristãos. Para nós, católicos, especialmente, a vivência da quarentena tem sido ainda mais mórbida, dada a ausência dos sacramentos e da celebração comunitária do Corpo místico de Cristo. Se há alguns anos a Igreja já lembrava “uma barca que está para afundar”, hoje a impressão é que o navio afundou de vez, sem previsão de resgate.

Essa impressão é ainda mais realçada quando se sabe que, além da Covid-19, outro vírus muito mais agressivo flagela a fé católica: o relativismo. Os cristãos já não conhecem a própria doutrina de Cristo e têm medo de falar do Evangelho, sob o pretexto de não ofender a liberdade dos outros, ao passo que o mundo não hesita em proclamar seus “dogmas” infernais de cima dos telhados. Como dizia Bento XVI recentemente, “a sociedade moderna está em meio à formulação de um credo anticristão e, se alguém se opõe a isso, é castigado pela sociedade com a excomunhão”.

Mas que podemos fazer, afinal?

Entre a nostalgia das glórias da cristandade e o conformismo com uma Igreja moribunda, é possível lembrar um momento dramático da história de O Senhor dos Anéis, em que Frodo se lamentava e dizia: “Gostaria que isso não tivesse acontecido na minha época”. Nós também, certamente, não desejávamos ter de enfrentar uma pandemia, tendo uma Igreja em frangalhos, por conta de tantos problemas internos e externos. Mas, como responde Gandalf ao pequeno hobbit, “essa decisão não é nossa”, “tudo o que temos de decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado”.

É certo que estes que vivemos não são os piores tempos da história cristã. Já houve, de fato, situações muito mais dramáticas, que exigiram sacrifícios heroicos. Quando, por exemplo, o cristianismo ainda era, para muitos pagãos e judeus, apenas uma seita de um homem que supostamente teria ressuscitado, os cristãos tiveram a valentia de provar com o próprio sangue que aquela era uma fé fundada não em fábulas, mas, sim, numa rocha contra a qual as portas do inferno jamais prevaleceriam. E com esse espírito eles derrotaram um império, venceram várias heresias, fundaram uma nova civilização e espalharam a semente da boa-nova por todo o mundo.

Ainda assim, cai sobre as nossas costas a responsabilidade dos santos de outrora — de um São Francisco, só para citar, cuja humildade e fortaleza o levaram a reconstruir a Igreja de Nosso Senhor. “O preceito da hora presente”, portanto, “não é lamento, mas ação”, dizia Pio XII. Os cristãos devem estar “penetrados por um entusiasmo de cruzados” para combater pela libertação da terra santa espiritual, “destinada a ser a base e o fundamento das normas e leis imutáveis para as construções sociais de interna e sólida consistência”. Embora a Igreja não seja mesmo um Titanic, o seu casco pode, sim, sofrer grandes avarias, por causa de nossa própria negligência. É, pois, nosso dever consertá-lo.

Foi com esse espírito que Madre Angélica fundou a emissora católica EWTN, conclamando seus compatriotas a restaurar a fé num período crítico para a Igreja nos Estados Unidos. A fim de vencer os inimigos de Deus, ela insistia que os católicos precisavam ser corajosos e valentes. E de onde deveriam eles tirar essa coragem e valentia? Das próprias palavras de Cristo no Evangelho: “No mundo, tereis aflições, mas tende coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16, 33).

Na hora mais terrível da humanidade, Nosso Senhor não poupou os discípulos das “más notícias”, da provação pela qual eles mesmos, em seus corpos, haveriam de passar. Todos os discípulos foram torturados pela fidelidade ao Evangelho. Mas foi justamente a consciência daqueles fatos, iluminados pela luz da graça, que os fez seguir até o Calvário, onde venceriam o mundo, a exemplo de Jesus.

É o que precisamos fazer hoje também. “Não há nada a temer”, explicava Madre Angélica, porque Cristo está do nosso lado e nos capacita com sua graça para cumprirmos a missão. Devemos, sim, lutar por nossa Mãe, a Igreja, que pode estar ferida, seja pelos ataques do mundo, seja pela traição de seus próprios filhos. Madre Angélica enfrentou muitos desgostos em seu apostolado por conta da má compreensão de alguns que, mesmo dentro da Igreja, trabalhavam por sua destruição. Mas nem isso a fez desistir do trabalho. Ao contrário, ela se dedicou ainda mais à evangelização, à caridade, à oração porque, explicava ela, “nós podemos curar a Igreja com nosso amor, nossa compaixão e com nosso zelo”.

A Igreja necessita de filhos zelosos, com o mesmo zelo que devorou Jesus no Templo e o fez lutar pela fé. Não se trata de distribuir pancadas, mas de “não dar aos outros a autoridade que eles não têm”, ensinava Madre Angélica à sua audiência. O Templo, na época de Jesus, estava dominado por uma autoridade profana, que se servia da religião em benefício próprio. Do mesmo modo, há quem queira isso hoje também, colocando a Igreja de joelhos diante de autoridades profanas, como se a lei dos homens estivesse acima da lei de Deus. É contra isso que devemos lutar, contra “os principados, as potestades, os dominadores deste mundo tenebroso, os espíritos malignos espalhados pelo espaço” (Ef 6, 12).

Décadas atrás, o jovem padre Joseph Ratzinger profetizava que a Igreja, um dia, diminuiria de tamanho, reduzindo-se a um pequeno resto. “Mas dessa provação sairá uma Igreja que terá extraído uma grande força”, complementava ele, e os habitantes deste mundo “descobrirão, então, a pequena comunidade de fiéis como algo completamente novo... Como uma esperança que lhes cabe, como uma resposta que sempre procuraram secretamente”.

Não podemos dizer se estes são ou não os tempos do cumprimento dessa “profecia”, mas, ouvindo o que disse anos atrás a destemida Madre Angélica, desde já podemos forjar o nosso coração.

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Por que os nossos corações se inflamam pela Eucaristia?
Igreja Católica

Por que os nossos corações
se inflamam pela Eucaristia?

Por que os nossos corações se inflamam pela Eucaristia?

A Eucaristia é o centro da nossa fé. “Pela conversão do pão e do vinho no Corpo e no Sangue do Senhor”, a Igreja goza da presença de Cristo “com uma intensidade sem par”. Por isso, sempre será um baque para o povo de Deus ficar sem a Missa e os sacramentos.

Constance T. HullTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere14 de Maio de 2020Tempo de leitura: 5 minutos
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Você anseia pela Sagrada Eucaristia? Não está só. Inúmeros membros do Corpo místico em todo o mundo sentem profundamente a separação da presença real de Cristo. Neste ano, a alegria do tempo pascal tem um toque de tristeza por causa dessa separação. Estamos vivendo um dos maiores paradoxos de nossa fé: o fato de a alegria e a tristeza muitas vezes estarem misturadas nesta vida. Apesar desse sofrimento, esperamos que este período em que estamos separados da presença dEle na Sagrada Comunhão seja uma oportunidade de profundo crescimento no amor a Ele e à Igreja.

Antes de tudo, é necessário parar de desrespeitar e condenar as pessoas que sentem falta da celebração pública da Missa e da recepção da Sagrada Comunhão. A ideia de que nossos irmãos e irmãs em Cristo devam “engolir isso” (perdoe-me a expressão da época em que fui militar) porque as pessoas estão morrendo não é apenas uma falta de caridade; também revela a incompreensão de que a impossibilidade de receber Nosso Senhor na Sagrada Comunhão nos deveria causar algum grau de dor e desconforto, não necessariamente emocional, mas ao menos espiritual. 

Não se trata de escolher entre isto ou aquilo. Podemos manifestar nossa tristeza por estarmos impedidos de ir à Missa e, ao mesmo tempo, demonstrar a nossa preocupação com os doentes e moribundos. Discutir sobre essa tristeza também não significa falta de conformidade com a vontade de Deus. É apenas uma maneira de expressar a dificuldade desse período de exílio, mesmo sabendo que devemos suportá-lo e abraçá-lo como um momento de maior aperfeiçoamento no amor. Podemos seguir o exemplo de Nossa Senhora e de São João, que suportaram a agonia e a tristeza da Cruz, mas confiaram no plano supremo de Deus. Ainda assim sofreram muitíssimo, mas não deixaram de abandonar-se na fé.    

A Sagrada Eucaristia é o centro da nossa fé, razão por que sempre será um baque para o povo de Deus não poder participar da celebração pública da Missa e dos sacramentos. Isso não significa que esses períodos de suspensão não tenham sido necessários em algumas ocasiões, mas são sempre uma provação para os membros do Corpo místico. É algo que faz todo sentido, dada a centralidade da Sagrada Eucaristia na vida da Igreja. No início da encíclica Ecclesia de Eucharistia, São João Paulo II afirma o seguinte:

A Igreja vive da Eucaristia. Esta verdade não exprime apenas uma experiência diária de fé, mas contém em síntese o próprio núcleo do mistério da Igreja. É com alegria que ela experimenta, de diversas maneiras, a realização incessante desta promessa: “Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo” (Mt 28, 20); mas, na Sagrada Eucaristia, pela conversão do pão e do vinho no Corpo e no Sangue do Senhor, goza desta presença com uma intensidade sem par. Desde Pentecostes, quando a Igreja, povo da Nova Aliança, iniciou a sua peregrinação para a pátria celeste, este sacramento divino foi ritmando os seus dias, enchendo-os de consoladora esperança (n. 1).

A celebração da Missa é o encontro mais tangível que podemos ter com Cristo neste lado da eternidade. Por isso a separação causa tanta tristeza. Não obstante, este período de exílio é uma oportunidade para penetrar ainda mais o mistério da Sagrada Eucaristia através da nossa oração; para permitir que Cristo aumente em nós o amor a Ele através do desejo da sua presença real. Para isso, não podemos evitar essa dor, tampouco rejeitá-la com um aceno de mão pragmático. Em vez disso, temos de perguntar a Ele como podemos amar a sua face eucarística com mais ardor e devoção

Isso, de fato, é mais difícil neste momento de separação, mas por meio da oração podemos voltar nosso olhar para Ele na Sagrada Escritura, na oração diante do sacrário, na comunhão espiritual e no estudo da doutrina da Igreja sobre a Sagrada Eucaristia e a Missa.

Com efeito, “na Santíssima Eucaristia, está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, a nossa Páscoa e o pão vivo que dá aos homens a vida mediante a sua carne vivificada e vivificadora pelo Espírito Santo”. Por isso, o olhar da Igreja volta-se continuamente para o seu Senhor, presente no Sacramento do Altar, onde descobre a plena manifestação do seu imenso amor (Id., ibid.).

Por meio do isolamento e da separação podemos unir o nosso olhar ao olhar mais amplo da Igreja. O santo sacrifício da Missa não foi interrompido. A nossa participação pública foi suspensa temporariamente. Por meio da nossa oração, ainda podemos estar espiritualmente presentes na Missa quando os bispos e sacerdotes a celebram “do nascer ao pôr do sol”. É um momento no qual podemos buscar a união com Deus e a Igreja numa dimensão espiritual: algo que corremos o perigo de ignorar quando estamos fisicamente presentes na Missa. 

Pode ser grande a tentação de desviar do olhar dEle o nosso olhar apenas porque a separação causa em nós momentos de tristeza, agonia e lágrimas. Mas devemos perseverar. É possível que experimentemos aridez ou nenhuma resposta emocional durante este período. As nossas emoções não são um sinal confiável para a nossa vida espiritual. Independentemente do que possamos sentir no atual exílio, em união com a Igreja temos de manter o nosso olhar fixo no olhar amoroso de Cristo. Se cairmos, temos de pedir a Ele ajuda para levantarmos e a graça de que precisamos para suportar este período difícil. 

Ao longo desta Páscoa excepcional, somos convidados a penetrar a totalidade do mistério pascal da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor. Sentimos a presença da cruz de modo mais profundo neste tempo pascal, pois inúmeras pessoas sofrem com a atual pandemia e a preocupante ameaça de instabilidade econômica. A busca por um amor mais profundo à Sagrada Eucaristia nos fará aprofundar ainda mais no mistério pascal, no sofrimento pelo qual o mundo está passando e na comunhão com o Corpo místico.

Do mistério pascal nasce a Igreja. Por isso mesmo a Eucaristia, que é o sacramento por excelência do mistério pascal, está colocada no centro da vida eclesial (Id., n. 3).

Este período de exílio é um momento de tentação, de teste e de purificação por meio do fogo aperfeiçoador do amor de Deus. Procuremos fazer da presença real de Nosso Senhor o centro das nossas vidas a fim de que, com a chegada do feliz dia em que poderemos mais uma vez nos aproximar dEle na Sagrada Comunhão, os nossos corações sejam abrasados com um amor ainda maior a Ele.

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