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A urgente atualidade de uma carta do futuro Papa João Paulo II
Doutrina

A urgente atualidade de
uma carta do futuro Papa João Paulo II

A urgente atualidade de uma carta do futuro Papa João Paulo II

“É impossível pensar que a moralidade conjugal ensinada na Humanae Vitae possa ser revogada, isto é, considerada falível”: eis o que escrevia ao Papa Paulo VI, em 1969, o Cardeal Karol Wojtyła.

David G. Bonagura Jr.Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere9 de Setembro de 2019
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No cinquentenário da encíclica Humanae Vitae, ano passado, veio à luz pela primeira vez uma carta particular do então Cardeal Karol Wojtyła ao Papa Paulo VI, na qual o arcebispo polonês agradece ao pontífice pela encíclica. Na carta, Wojtyła faz sugestões concretas para uma instrução pastoral “absolutamente necessária” do Vaticano com o fim de superar as “dúvidas existentes” quanto à proibição do controle de natalidade, à natureza da vida conjugal e à autoridade dos ensinamentos papais.

Além de sua fascinante e franca explicação das principais controvérsias em torno da encíclica, esta carta — na verdade, um ensaio em tamanho e estilo — nos permite vislumbrar o que, mais tarde, seriam os ensinamentos do magistério do Papa São João Paulo II.

Ao escrever em 1969, poucos meses após a publicação da Humanae Vitae, o Cardeal Wojtyła viu claramente que as críticas ao conteúdo e ao estilo da encíclica feriam profundamente a missão da Igreja: “Desafiar a doutrina moral da Igreja em um campo tão importante como o tratado na encíclica pode ser o pontapé inicial de um processo, muito mais amplo, de pôr em xeque outros elementos da fé e da vida cristã”. 

Hoje, décadas mais tarde, podemos constatar a verdade inegável de tal afirmação.

Primeiro, com relação à fé e à vida cristã em geral, Wojtyła ressaltou o poder da Igreja de ensinar com autoridade sobre questões de moral. Isso porque, logo após a publicação de Humanae Vitae, teólogos dissidentes foram a programas de rádio e às páginas dos jornais a fim de minar a autoridade da Igreja para ensinar de forma vinculante em questões morais.

Vinte e cinco anos depois, já eleito Papa, João Paulo II aprovou a publicação da instrução Donum Veritatis, sobre a vocação eclesial do teólogo, que buscava reorientar a teologia como vocação a serviço da Igreja, e não de ideologias mundanas.

De forma mais específica, Wojtyła mostrou-se resoluto, em sua carta de 1969, ao apresentar a Humanae Vitae como expressão da autoridade da Igreja em sua missão de ensinar: “A encíclica Humanae Vitae não é um documento solene que expressa uma doutrina ex cathedra; portanto, não contém nenhuma definição dogmática. No entanto, por ser um documento do ensino comum do Papa, tem caráter infalível e irrevogável. É impossível pensar que a moralidade conjugal ensinada na Humanae Vitae possa ser revogada, isto é, considerada falível”.

Essa ênfase na infalibilidade do Magistério ordinário — os ensinamentos constantes e universais do Papa e dos bispos unidos a ele — tornar-se-ia a abordagem preferida do Papa João Paulo II para tratar as questões doutrinárias mais sensíveis do seu pontificado.

Em vez de emitir definições solenes, João Paulo II apelou ao Magistério ordinário da Igreja para ensinar de forma infalível, por exemplo, sobre a imoralidade do aborto, na Evangelium Vitae (1995), e acerca da restrição do sacerdócio somente aos homens, na Ordinatio Sacerdotalis (1994). Usando este meio para ensinar com autoridade, João Paulo II mostrou que esses não eram apenas ensinamentos seus, mas da Igreja universal — mantidos sempre, em todos os lugares e por todos os fiéis.

Uma segunda grande preocupação enfatizada na carta de Wojtyła é “a consciência e sua relação com a lei moral”, uma vez que, após a publicação da Humanae Vitae, teólogos e pastores passaram a ensinar a muitos casais que era lícito usar o controle artificial da natalidade se suas consciências o considerassem aceitável.

Wojtyła condenou fortemente esse abuso da consciência, que não é “uma norma superior à lei moral”. E acrescentou: “Atribuir à consciência uma autonomia que lhe daria não apenas um papel normativo, mas também legislativo, seria contrário aos fundamentos tanto da lei natural quanto da lei divina. Essa autonomia seria equivalente a aceitar o subjetivismo e o relativismo nas questões morais”.

Cardeal Karol Wojtyla.

Essa compreensão distorcida da consciência tornou-se, desde então, moeda corrente e comum. Como Papa, o próprio João Paulo II assumiu a responsabilidade de levar a cabo o que havia sugerido a Paulo VI, e publicou, em 1993, sua encíclica sobre teologia moral, a Veritatis Splendor, que, sem dúvida, é um dos escritos mais importantes do seu pontificado. 

Nela João Paulo II mantém sua crítica aos que atribuem à consciência “a prerrogativa de determinar, de forma independente, os critérios do bem e do mal, para agir em função deles”. No cerne da encíclica, expôs a reta compreensão da consciência, que deve estar fundamentada na liberdade, na verdade e na lei natural (assuntos que ele já mencionara, mesmo que brevemente, na carta de 1969).

Em terceiro lugar, pode-se dizer que a carta de Wojtyła exortou Paulo VI a “expor a doutrina do matrimônio [...] com o fim de apresentar uma perspectiva correta e clara do tema do amor conjugal”. De modo particular, ele aludia à necessidade de “insistir no fato de que o casamento é uma vocação”.

Nesse contexto, o então cardeal descreveu o papel da fecundidade, da continência e do sofrimento no casamento. Ele bem sabia que assuntos tão essenciais não poderiam ser omitidos ou vistos como inadequados: “Portanto, cabe à mestra da moral e do ensino, que é a Igreja, compreender e destacar os limites que, na esfera dos valores sexuais, fazem a pessoa passar do ato dignamente vivido, para a atitude de usar e abusar do outro”.

Como Papa, João Paulo II não perdeu tempo em assumir essa postura: um ano após ser eleito, ele deu início a uma série de catequeses, hoje conhecidas como “Teologia do Corpo”, nas quais articulava o significado da sexualidade humana à luz da nossa dignidade como pessoas humanas, criadas à imagem de Deus. Além disso, em 1981, apresentou, na Familiaris Consortio, sua visão de como deve ser vivida a vocação ao matrimônio.

A carta de Wojtyła, por si só, é excelente e permanece muito relevante para nós, mesmo já passados cinquenta anos. Nela, enfatiza-se a necessidade urgente de agirmos em relação a essas questões — necessidade que, nos dias de hoje, permanece urgente. Como Papa, Wojtyła não chegou a abordar de uma só vez todas essas questões; mas, no decorrer do seu pontificado, contemplou-as, com profundidade e clareza, em vários ensinamentos.

A carta, enfim, deixa claro um fato crucial: os principais ensinamentos do pontificado de São João Paulo II foram forjados em resposta à crise da verdade, que encontrou sua expressão mais aguda na Revolução Sexual.

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O melhor temperamento é…
Cursos

O melhor temperamento é…

O melhor temperamento é…

Como nascemos todos com o pecado original, não existe um temperamento melhor do que o outro. É preciso aproveitar as qualidades da própria “compleição”, trabalhar as suas debilidades e, sobretudo, crescer na graça de Deus.

Equipe Christo Nihil Praeponere19 de Setembro de 2019
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Não é porque somos filhos de Adão e desenvolvemos certos maus hábitos ao longo dos anos que precisamos envelhecer no mal e fazer dele um projeto de vida. O temperamento que recebemos “não é uma resignação”. Deus nos deu uma “compleição” específica, mas é no trabalho e na purificação dela que está a nossa santificação.

Além disso, coléricos ou sanguíneos, fleumáticos ou melancólicos, todos somos herdeiros do pecado original. Por isso, no estado em que nos encontramos, não existe um temperamento melhor do que o outro. É preciso aproveitar as próprias qualidades, sanar as próprias debilidades e, sobretudo, procurar crescer na graça de Deus, que nos eleva acima de nossa natureza decaída.

Tudo isso é só para dizer que nós já estamos trabalhando na produção do curso “Os Quatro Temperamentos” e, abaixo, você confere um pouco do que espera por você em outubro, aqui no site do Padre Paulo Ricardo:

Como você pode ver na própria abordagem do vídeo, nosso curso não é um “manual” de cunho psicológico sobre os temperamentos. Para nosso apostolado, o importante mesmo é ver onde esse assunto se encaixa no caminho da santidade

Se por um lado não se deve superestimar a sua importância, como se fôssemos “animais” e estivéssemos confinados aos limites do que a natureza nos impôs, nem por isso os temperamentos devem ser subestimados, como se não passassem de uma “teoria ultrapassada”, sem nada a acrescentar à nossa vida de virtudes e de busca de Deus.

Se você quer saber melhor como esse assunto é tratado dentro do sadio equilíbrio da espiritualidade cristã, inscreva-se agora mesmo em nossa lista exclusiva para este curso e receba todas as atualizações a respeito!

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A guerra que não podemos perder de vista
Espiritualidade

A guerra
que não podemos perder de vista

A guerra que não podemos perder de vista

Se é a paz do céu o que queremos, não nos esqueçamos: para a nossa condição decaída, o que Jesus primeiro veio trazer foi a espada. Da guerra contra nós mesmos depende tudo. Se perdermos essa luta, toda esta nossa vida não terá servido de nada.

Equipe Christo Nihil Praeponere17 de Setembro de 2019
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Se procurarmos na literatura cristã motivos para rezar e fazer jejum, não nos faltarão explicações, e uma melhor do que a outra. Mas a simplicidade com que Santo Tomás de Aquino trata do tema é incomparável.

Comentando o nono mandamento, o Aquinate ensina alguns meios de combater a concupiscência, contra a qual ele adverte ser importante “trabalhar muito”, já que estamos falando de um “inimigo familiar, que está dentro de nós”. E um desses meios é justamente a perseverança na oração. Ele explica:

Há que rezar com insistência, porque “se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem” (Sl 126, 1); “Consciente de não poder possuir a sabedoria [continência], a não ser por dom de Deus” (Sb 8, 21); “Quanto a esta espécie de demônio, só se pode expulsar à força de oração e de jejum” (Mt 17, 21). Ora, se dois inimigos estivessem em batalha e tu quisesses ajudar um deles, a um terias de prestar auxílio e a outro não. Pois bem, há entre o espírito e carne uma luta constante (praelium continuum). Por isso, é necessário, se desejas que o espírito saia vencedor, que lhe prestes auxílio, e isto se faz pela oração; à carne, porém, o tens de negar, e isto se faz pelo jejum, pois é pelo jejum que se enfraquece a carne.

Estão aqui resumidos todos os tratados de teologia ascética e mística. Há dentro de nós uma batalha sendo travada, e é preciso jejuar (trabalho negativo) e rezar (trabalho positivo) para enfraquecer a carne e fortalecer o espírito, respectivamente.

Agora, atenção, porque o espírito de que fala Santo Tomás não é simplesmente a alma humana, mas, sim, o lugar onde Deus habita em nosso coração. Trata-se mais propriamente da graça, da vida divina e sobrenatural em nós. O que está em jogo nessa “luta constante” de que fala o Doutor Angélico, portanto, é nada menos do que o nosso estado de graça e a nossa salvação eterna, que se encontram o tempo todo ameaçados pelo drama do pecado e do afastamento de Deus. Não estamos falando de uma batalha qualquer, mas de um duelo de vida e morte (mors et vita duello), graça e desgraça, céu e inferno. 

Mas a pergunta que precisa ser feita é: ainda cremos nisso? Ainda temos fé nessas coisas que foram cridas pelos católicos de outros tempos e lugares, a ponto de muitos deles derramarem o próprio sangue só para não as negarem?

A questão é importante porque há uma doutrina errônea sendo propagada, infelizmente já absorvida por muitos católicos, segundo a qual uma bondade meramente teórica e natural basta para nos salvarmos. Essa ideia está “no ar”: é visível no desleixo com que tratamos os sacramentos, em especial a Eucaristia; na indiferença com que falamos da nossa religião, como se fossem todas iguais; e no modo laxo com que tantos, dentro da Igreja, falam de pecado e salvação. 

É como se a batalha de que falam o Doutor Angélico, todos os santos e o próprio Santo dos santos (cf. Mt 26, 41: “Vigiai e orai para não cairdes em tentação, porque o espírito está pronto, mas a carne é fraca”) fosse apenas uma metáfora, um “pano de fundo” geral para entendermos que é preciso ser bom e honesto, mas em linhas gerais, e não em todas as particularidades do que exigem os Mandamentos. (Para as nossas faltas, poderíamos contar com uma abstrata “misericórdia” superna, que tudo aceita, que tudo tolera, que tudo desculpa. Mesmo se não estivermos arrependidos dos nossos pecados. Mesmo se houvermos feito deles um projeto de vida. O céu não tem “alfândega” nem “controle de imigração” e o inferno… ah! “o inferno está vazio”.)

Nessa matéria, o correto seria dar ouvido àquilo que a Igreja sempre ensinou, porque é isso o que Jesus deixou a ela em última instância, de modo que apartar-se da doutrina católica de sempre nada mais é do que afastar-se da verdade de Cristo, que liberta e salva. O correto, portanto, seria: 

  • voltarmos a falar de inferno, porque o Evangelho fala dele (cf. Mt 18, 9: “É melhor para ti entrares na vida cego de um olho que seres jogado com teus dois olhos no fogo da geena”; Mt 23, 33: “Serpentes! Raça de víboras! Como escapareis ao castigo do inferno?”; Mt 25, 46: “E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna”); e
  • lembrarmos que há pecados bem comuns que privam da vida eterna (cf. 1Cor 6, 9: “nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus”); 
  • que as pessoas precisam se arrepender verdadeiramente dos seus pecados para ganhar de volta a graça perdida; 
  • que precisam se confessar a um sacerdote para receber o perdão de Deus; e 
  • que, se não quiserem fazer isso, não devem se aproximar da mesa da Comunhão (cf. 1Cor 11, 28: “Que cada um se examine a si mesmo e, assim, coma desse pão e beba desse cálice”).  

Se olharmos para as Escrituras, para a história da Igreja, para a sua prática ao longo dos séculos, para o que ensinaram o Concílio de Trento e, reiterando essa doutrina, também o Papa São João Paulo II, especialmente na encíclica Veritatis Splendor e na exortação Reconciliatio et Poenitentia, seremos capazes de observar um crescimento orgânico da doutrina cristã, um desenvolvimento que ao longo dos séculos foi deixando mais claro o que no Evangelho estava enunciado em algumas poucas sentenças. É a semente humilde que se transformou em árvore frondosa.

Mas hoje… onde se fala de pecado, de Confissão, de estado de graça e de inferno? Em muitos lugares, a bela árvore da verdadeira doutrina católica foi substituída por um espantalho. Daí os relativismos e as concessões, os “panos quentes” e até mesmo a promoção e exaltação do mal. Por essas e outras a “nova igreja” que colocaram no lugar da santa Igreja Católica não fala mais nem de oração nem de jejum. A sua batalha não é mais a batalha espiritual de que falam Santo Tomás e Nosso Senhor; o inimigo da vez não é o diabo, o mundo e a carne, mas a opressão do “sistema”, as queimadas e desmatamentos e o que quer que interesse às causas do momento.

Contra esses ares de mudança que sufocam a Igreja, o que está ao nosso alcance fazer é, em primeiro lugar, crer. E crer não em qualquer coisa, mas somente naquilo que sabemos ser a doutrina sólida e segura deixada por Cristo Nosso Senhor aos Apóstolos e seus sucessores. Entre essas coisas nas quais devemos crer está o praelium continuum, a luta incessante que travam nesta vida a nossa carne corrompida e o Espírito Santo de Deus em nós. Não nos deixemos seduzir por um discurso que declara guerra aos quatro cantos do mundo, mas que deixa intacto nosso egoísmo, e talvez até o afague um pouco, com uma mentirinha religiosa bem elaborada aqui e acolá. 

Não, o que Cristo ensinou há dois mil anos continua valendo para nós hoje. Continua sendo necessário, para a nossa salvação, entrar pela porta estreita, mortificar os nossos sentidos, resistir às tentações e rezar com afinco pela nossa fidelidade. Se é a paz do céu o que queremos, não nos esqueçamos: para a nossa condição decaída, o que Jesus primeiro veio trazer foi a espada (cf. Mt 10, 34). Da guerra contra nós mesmos depende tudo. Se perdermos essa luta, perdendo a graça de Deus, toda esta nossa vida não terá servido de nada.

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Carta de um pai a seu filho: como rezar e ser um cristão melhor?
Espiritualidade

Carta de um pai a seu filho:
como rezar e ser um cristão melhor?

Carta de um pai a seu filho: como rezar e ser um cristão melhor?

A verdadeira profundidade não está no fundo do oceano, mas no abismo do coração humano, que se torna sombrio com o pecado e o egoísmo, mas que também é capaz de ser preenchido com a graça de Deus.

OnePeterFive.comTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere17 de Setembro de 2019
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A carta a seguir foi escrita há alguns anos por um pai a seu filho adolescente, que havia lhe pedido conselhos sobre como rezar e como ser um cristão melhor.


Caro N.,

Há muito tempo pretendo escrever uma carta para você, assim como já lhe escrevi algumas no passado. 

Primeiro, quero elogiá-lo por ser tão fiel à sua oração da manhã. Deus o abençoará abundantemente por essa fidelidade. Como Nosso Senhor diz: “Aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas grandes. E quem é injusto nas coisas pequenas, sê-lo-á também nas grandes” (Lc 16, 10). O caminho pelo qual crescemos na santidade consiste em sermos fiéis nas coisas bem pequenas. Fazer o trabalho escolar, as tarefas domésticas, as atividades diárias, da melhor forma e sem reclamar, é o caminho para a santidade.

Cuidado com a tentação sutil de fazer outras coisas pela manhã que possam reduzir o seu tempo de oração. Certamente, você pode levar alguns minutos para ficar bem acordado; para muitos, tomar uma xícara de café ou de chá é uma condição sine qua non para exercer uma atividade racional, logo após acordar. Mas, o mais rápido possível, faça a coisa mais importante de cada dia: adore, louve, agradeça e suplique ao Senhor. Deus é bom, e sua misericórdia dura para sempre. Ele é a rocha sobre a qual devemos construir toda a nossa vida.

Durante a oração da manhã, reserve um tempo para a meditação silenciosa — a fim de somente ficar recolhido na presença do Senhor. Para isso, a leitura espiritual é crucial, porque empilha a madeira seca e, quem sabe, talvez atice um pouco de fogo. Mas, quando o fogo se acender, devemos nos sentar quietos ao redor dele para nos aquecer. Precisamos de tempo e um pouco de calma para que a semente da Palavra de Deus se enraíze e cresça. Quando você chegar a um ponto de quietude, permaneça lá — não tenha pressa de chegar ao próximo passo.

Se você se distrair, como todos fazem, retorne gentilmente ao Senhor. Peça perdão por ter se distraído e volte a pensar nEle. Se estiver se sentindo muito distraído, pegue então o rosário e reze-o lentamente, ou faça a seguinte oração a Jesus, até que sua mente e coração sejam trazidos de volta à quietude: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende piedade de mim, que sou um pecador”.

Senhor, quebrai a dura crosta que envolve o meu coração e a minha mente. Não escondais vosso rosto de mim. Deixai-vos conhecer por mim. Tomai meu coração e fazei-o vosso. Derramai em minh’alma a vossa paz.

Eis aqui algo muito importante: reze a partir de seus desejos, medos, preocupações, confusões, decepções, problemas, alegrias, prazeres. Quando Deus lhe concede essas coisas ou permite que você as experimente, Ele está fornecendo a matéria-prima para sua oração. Tudo o que você traz dentro de si, suas experiências, pensamentos e sentimentos, constituem o contexto no qual Deus quer vir ao seu encontro; e é sobre isso que Ele deseja ouvi-lo. A oração é sobre a nossa vida aqui e agora. Não é uma fuga para outro lugar; é uma forma de encontrar a graça, no momento presente, para ser seu filho.

A postura faz diferença em nossa oração. Sentar-se na posição vertical, sem muito relaxamento, é uma boa postura para meditar; mas também precisamos nos ajoelhar regularmente, e não ter preguiça de dobrar os joelhos, mantendo as costas eretas. Não é fácil fazê-lo — e isso é bom. Precisamos aprender a negar a nós mesmos, e o ato de nos ajoelharmos faz com que sejamos colocados no nosso devido lugar diante do “grande Deus do céu e da terra”, que é nosso Criador e Juiz.

Reserve com antecedência um período de tempo para rezar pela manhã. A princípio, pode ser 15 minutos, e, posteriormente, 30 minutos. Tendo decidido isso, permaneça comprometido com todo o seu tempo de oração, sem abreviar ou fazer de qualquer jeito. Os últimos minutos tendem a ser os mais difíceis e os mais proveitosos. Quando estiver difícil ou “árido”, é então que você mais treina sua vontade no hábito da perseverança e da fidelidade. Começar a rezar requer um ato de vontade, mas perseverar na oração requer um ato de vontade singular e maior. É como a diferença entre começar a correr e continuar correndo mesmo sem fôlego.

Uma vez você me perguntou o que significa “seguir Jesus”. Em poucas palavras, significa o seguinte:

Crer nos seus ensinamentos.
Esperar nas suas promessas.
Amar a Deus e ao próximo.

Seguir a Cristo é apegar-se com fé a suas palavras e deixar que elas iluminem a nossa mente e o nosso coração; confiar em sua misericórdia o tempo todo e saber que Ele nos levará para casa; amá-lo com todo o nosso ser, para que seu amor possa nos conquistar, reerguer nosso ser e depois se espalhar para o mundo por meio de nós. O segredo para ser feliz é amar e ser amado.

A fé é o remédio para o nosso orgulho e para os limites da nossa razão. A fé é um presente de Deus, mas requer, da nossa parte, assentimento e prática. Deus nos dá mãos e pés, mas somos nós que escolhemos usá-los. Assim, Ele também nos dá as virtudes da fé, da esperança e do amor, e a liberdade de exercitá-las. Sempre que as usamos, elas se fortalecem, e passam a determinar, cada vez mais, o curso de nossa vida.

E qual é o propósito de nossas vidas? Servir a Deus conhecendo e amando-o, aperfeiçoando-nos e servindo ao próximo. Primeiro devemos amar a Deus acima de tudo; em seguida, devemos amar a nós mesmos corretamente; por fim, devemos amar ao próximo como a nós mesmos.

Como posso fazer isso hoje? Todo grande plano é realizado em pequenas etapas. Faça um plano, pelo menos um plano aproximado, para o dia, alternando um “Eu devo...” com um “Eu quero...” (as coisas que deve fazer, mesmo que não queira, com as coisas que gostaria de fazer), e o mais importante, ofereça todo seu dia e todo seu ser ao Senhor.

Trabalhe duro, torne-se proativo e responsável. Pegue o touro pelos chifres. Não seja alguém que nunca sabe o que precisa ser feito. Obviamente, se precisar de ajuda, peça. Mas, faça o que fizer, seja proativo e não indiferente, bem disposto e não preguiçoso; e esteja preocupado em sempre melhorar, ao invés de se contentar com o que já é ou possui. Faça os seus trabalhos com calma, e não de qualquer jeito ou às pressas.

O que significa “servir aos outros”? Pense assim: seu trabalho é fazer as outras pessoas felizes ou, no mínimo, menos infelizes. Tudo o que você puder fazer para aliviar seus fardos ou ajudá-las a carregá-los, para atenuar seus problemas e tristezas, para ser amigo, enfim, tudo isso é uma maneira de servir. Pense que você estará servindo ao Senhor neles, como disse Jesus: “Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes” (Mt 25, 40).

O contrário de servir aos outros é egoísmo. Egoísmo significa ensimesmar-se, preocupando-se apenas com os próprios projetos e desejos. Está intimamente ligado à ganância — ou seja, ao espírito de querer muitas coisas, de se cercar delas e se sentir com direito a elas. Usadas na medida certa, as coisas não são um problema; mas podemos perder rapidamente o equilíbrio e a orientação. Podemos nos perder nas coisas e esquecer de onde vieram e para que servem. Se o nosso coração não está onde precisa estar, as coisas não nos deixarão mais satisfeitos, e sim mais solitários. Se o nosso coração está onde deveria estar, não nos importamos tanto com os bens — e quando os tivermos, saberemos como usá-los e como viver sem eles. Precisamos evitar o perigo de viver pelas coisas, e não por Deus e pelas pessoas que Ele quer que amemos.

A realidade mais fundamental não são as partículas subatômicas, mas o amor de Deus, que sustenta todas as coisas no ser — que me sustenta no ser, a fim de que eu seja amado por Ele e possa amá-lo de volta. A realidade mais suprema não é o cosmos ou seus milhões de galáxias incontáveis, mas a sabedoria e a bondade de Deus, que ordenam sutilmente todas as coisas e manifestam sua glória a nós, que somos seus filhos amados. A verdadeira profundidade não está no fundo do oceano, mas no abismo do coração humano, que se torna sombrio com o pecado e o egoísmo, mas que também é capaz de ser preenchido com a graça de Deus. O que é mais alto não são as montanhas elevadas, mas a misericórdia de Deus que nos rodeia e nos cura.

Deus todo-poderoso e eterno,
Vós sois o autor de todas as coisas —
sem Vós nada existiria.
Vós me chamastes a existir,
e me sustentais no ser, a todo momento,
inclusive neste exato momento, em que eu vos invoco com fé.
Vós sois a verdade que dá sentido a tudo,
a bondade que torna qualquer coisa amável,
a beleza que ilumina a face da terra.
Dai-me o conhecimento de vossa verdade e o zelo em buscá-la.
Abri meus olhos para a vossa bondade e
fazei-me bom, como Vós sois bom.

Tomai meu coração com sua beleza
e não permitais que eu vos abandone jamais.
Amém.

Com todo o meu amor,

Papai.

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Por que um curso sobre “Os Quatro Temperamentos”?
Cursos

Por que um curso sobre
“Os Quatro Temperamentos”?

Por que um curso sobre “Os Quatro Temperamentos”?

Deus quer que a semente da sua graça germine no terreno do nosso coração. Mas e nós? Que pedras e espinhos precisamos arrancar para que a árvore da santidade crie raízes, cresça e dê os seus frutos?

Equipe Christo Nihil Praeponere11 de Setembro de 2019
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Com tantas aulas, episódios e textos à disposição, e com temas os mais variados, poderia talvez ficar em alguns a interrogação sobre o quê, afinal, é o site do Padre Paulo Ricardo, e a que fim se presta esse apostolado.

Se ainda resta dúvida, tratemos de eliminá-la de uma vez por todas: nossa preocupação é eminentemente espiritual, é levar os que nos visitam a buscar o unum necessarium de suas vidas, que é Deus. Para isto nossos cursos exclusivos, para isto tantas transmissões ao vivo, para isto homilias todos os dias, para isto as matérias em nosso blog: fazer as pessoas se encontrarem com Nosso Senhor Jesus Cristo e crescerem na intimidade com Ele. Nada menos.

É exatamente nesse quadro que se insere, pois, o mais novo curso que Padre Paulo Ricardo está preparando para os nossos alunos, sobre “Os Quatro Temperamentos”. 

É possível que você já tenha recebido algo a esse respeito nas redes sociais, mas expliquemos melhor aqui, e com uma frase de Santo Tomás de Aquino, a razão de ser desse conteúdo inédito: “Gratia non tollit naturam, sed perficitA graça não destrói a natureza, mas a aperfeiçoa”.

Ou seja, o padre não virou psicólogo, nem coach, nem nada do gênero… O que acontece é que o processo da nossa santificação, embora seja sobrenatural e de iniciativa realmente divina, não se dá contra ou apesar de nós. A obra que Deus realiza nas almas acontece justamente a partir do barro de que somos feitos! Nas palavras de Santo Agostinho, “o Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti”. 

Dizendo ainda de outro modo, a semente da graça divina precisa germinar no terreno do nosso coração, mas, quanto a nós, quais são as pedras e os espinhos que precisamos arrancar, a fim de que a árvore da santidade crie raízes, cresça e dê os seus frutos? 

É justamente a essa pergunta que o conhecimento do seu temperamento pode proporcionar uma resposta. Se por um lado não se deve superestimar a sua importância, como se fôssemos “animais” e estivéssemos confinados aos limites do que a natureza nos impôs, nem por isso os temperamentos devem ser subestimados, como se não passassem de uma “teoria ultrapassada”, sem nada a acrescentar à nossa vida de virtudes e de busca de Deus.

Quer saber melhor, então, como esse assunto é tratado dentro do sadio equilíbrio da espiritualidade cristã? Inscreva-se agora mesmo em nossa lista exclusiva para este curso e receba todas as atualizações a respeito!

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