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A “revolução” sexual: o que perdemos?
Sociedade

A “revolução” sexual: o que perdemos?

A “revolução” sexual: o que perdemos?

Ninguém mais sabe para que serve o sexo. O homem se acostumou de tal modo a praticar o ato por puro prazer que, talvez, as crianças tenham mesmo de começar a vir carregadas por cegonhas.

Equipe Christo Nihil Praeponere10 de Fevereiro de 2020Tempo de leitura: 9 minutos
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O termo “revolução sexual”, usado para denominar as mudanças sociais e culturais acontecidas na década de 1960, que acompanharam principalmente a invenção da pílula anticoncepcional, é uma expressão enganosa, para dizer o mínimo. 

Primeiro porque, para os nossos contemporâneos, a palavra revolução é quase sempre algo positivo. Evoca a descoberta de alguma coisa a respeito do que “está sendo revolucionado” e à qual ainda não se havia dado a merecida atenção. Supõe ainda que se está extraindo, a partir dele mesmo, o melhor de um dado objeto. É como se os hippies dos anos 60 tivessem aportado numa praia de nudismo e descoberto um mundo a que o homem, até então, não tivera acesso. O novo mundo era a América, agora é o sexo.

Nós, fundamentalistas?

Exagero? Os livros que contam a história recente da humanidade falam do advento da pílula, do divórcio e das chamadas “liberdades sexuais” como grandes avanços. E ponto. Contrapostos aos “horrores” da rigorosa moral medieval e da queima de seus infratores nas fogueiras da Inquisição, esses fatos constituem para muitos uma verdadeira “libertação”. É o que escreve uma jornalista, por exemplo:

O sexo evoluiu da condição de pecado para a de manifestação inevitável e saudável de vida. A tolerância em torno dele, seja profissional [sic], seja amador, tornou-se universal. A última barreira é o preconceito contra homossexuais, mas ele perde espaço em toda parte. Apenas nas sociedades pré-modernas, em que o fundamentalismo religioso e os comportamentos tradicionais ainda vigoram, persistem a proibição sexual e as patrulhas do comportamento.

Comecemos por dizer que não, o sexo não evoluiu da condição de pecado porque, em si mesmo, ele nunca foi pecado. Abusus non tollit usum. O abuso de algo não tolhe o seu uso. A existência de pecados sexuais pressupõe, na verdade, que há um modo correto de relacionar-se sexualmente. E é contra isso que a chamada “revolução sexual” se insurgiu. 

Também as nossas sociedades continuam cheias de proibições sexuais, e creio que até a nossa jornalista, tão elogiosa do sexo, “seja profissional, seja amador”, haveria de convir que não seria nada interessante pôr abaixo todas elas. Se ela abrir um velho manual de teologia moral católica, deparará não só com os palavrões fornicação, adultério e masturbação, mas também com incesto, estupro e bestialismo. Será que a “superação” dessas formas de relacionar-se sexualmente também seria uma “evolução”? Há grupos hoje que defendem a “livre manifestação afetivo-sexual das crianças” — expressão bonita que arrumaram para pedofilia. Digam-nos os arautos da revolução sexual: “avançar” a ponto de normalizar esse tipo de comportamento seria aceitável? O Código Penal brasileiro reserva um título especial para “crimes contra a dignidade sexual”, entre os quais constam o estupro e o assédio. Também seria o caso de acabar com eles?

Supondo que nossos interlocutores ainda não tenham perdido de todo o bom senso e respondam não a todas estas perguntas, o que mais podemos dizer deles? Que não passam de um bando de “fundamentalistas” e “preconceituosos”? Ora, só alguém fora do juízo para defender o sexo totalmente livre. Não só não “é proibido proibir”; é muitíssimo sadio fazê-lo, é a única forma de nos protegermos da selvageria.

A pergunta central é: quais são os verdadeiros critérios de proibição? Se deixássemos ao arbítrio dos indivíduos o decidir se esta ou aquela é a melhor forma de relacionar-se sexualmente, isso facilmente abriria as portas para comportamentos bastante destrutivos. Se, por outro lado, encarregássemos disso o Estado, só teríamos proibidos justamente os comportamentos mais destrutivos. Não queremos isso, mas também não queremos o caos social. A quem recorrer, então?

Ninguém mais sabe para que serve o sexo

A posição dos cristãos católicos é a seguinte: se Deus criou o sexo, é a Ele, o Autor da natureza, que devem ser feitas as perguntas a esse respeito, e não ao governo, nem aos pedagogos, tampouco aos sexólogos. Até mesmo os sacerdotes e pais de família só devem ser escutados, nessa matéria, na medida em que procuram conformar suas opiniões e conselhos ao que Deus revelou por meio de Nosso Senhor e de sua santa Igreja. Caso contrário, estamos à mercê das opiniões; destas, porém (e não só de boas intenções), o inferno está cheio. Só a verdade liberta; é atrás dela que devemos ir.

E a verdade nessa matéria (comecemos por diagnosticar o problema de nossa época) é que ninguém sabe mais para que serve o sexo. O homem se acostumou de tal modo ao sexo por puro prazer que, talvez, as crianças tenham mesmo de começar a vir carregadas por cegonhas... Em alguns lugares isto já é real: é mais fácil as crianças caírem do céu do que serem concebidas e nascerem normalmente. Se se leva isso em conta, a última coisa que a revolução sexual fez foi transformar o sexo em uma “manifestação inevitável e saudável de vida”, como quer a nossa jornalista. Depois da pílula, nunca se evitaram tanto os filhos; depois do aborto, nunca se mataram tantos depois de concebidos. O nome disso não é vida; é esterilidade e morte.

Mas por que chegamos a essa situação? Porque a revolução sexual, longe de “revolucionar” o sexo (trazendo algum aspecto dele que não conhecíamos ou ainda não haviamos apreciado suficientemente), o que realmente fez foi desnaturá-lo. Depois da pílula e da legalização generalizada do aborto, os seres humanos se habituaram aos que Santo Tomás de Aquino considerava, já no século XIII, os mais graves dos pecados sexuais: aqueles que são cometidos contra a natureza mesma do sexo (contra naturam).

É interessante notar que, embora as pessoas, quase de imediato, associem esta expressão ao ato homossexual, a doutrina moral da Igreja sempre incluiu, no rol dos pecados “contra a natureza”, não só a sodomia, mas qualquer relação que vá contra a capacidade de gerar vida. Assim, vão contra a natureza não só os homossexuais, mas também os jovens que se tocam, os casais que praticam a contracepção e os mais depravados que vão atrás dos animais. Todos estão à procura do prazer que o sexo proporciona, mas sem o seu efeito primário e conatural, que é dar origem a novos seres humanos.

O fato de não acharmos que isso seja um problema constitui, por si só, o maior dos nossos problemas. Na verdade, nossa época não só não vê mal algum no sexo contra a natureza, como há classes profissionais inteiras sendo formadas só para derrubar o “mito católico” de que o sexo foi feito para a procriação. As consequências práticas disso, só não as vê quem (ainda) se deixa ludibriar pela “propaganda”: dissociado da graves responsabilidades que traz consigo, o sexo transformou-se num parque de diversões, em que se aventura quem quiser, na hora que quiser, com que parceiro e com que “brinquedo” quiser.

Daí a tragédia moderna de jovens viciados no consumo de pornografia e na prática da masturbação, confusos a respeito da própria sexualidade e incapazes de levar adiante relacionamentos maduros e saudáveis com outras pessoas. Daí a tragédia dos casais modernos que só olham para o próprio umbigo e para o próprio bolso e, por isso, naufragam diante da primeira dificuldade, deixando os (poucos) filhos que eles mesmos geraram (por acidente) à mercê da TV, do smartphone e do nosso sistema educacional falido e depravado — que só o que faz é dar início a este mesmo ciclo. Daí o completo esvaziamento do próprio conceito de família, que diante de tantos casamento falidos, passou a abarcar qualquer agrupamento humano… E os animais que se cuidem, porque o poço parece não ter fundo.

O curioso é que, em linhas gerais, todas essas tristes consequências da separação entre o prazer sexual e a sua dimensão procriativa foram devidamente profetizadas pelo Papa Paulo VI, cinquenta anos atrás, em sua encíclica Humanae Vitae. Falando dos métodos contraceptivos artificiais, ele escreveu:

Considerem, antes de mais, o caminho amplo e fácil que tais métodos abririam à infidelidade conjugal e à degradação da moralidade. Não é preciso ter muita experiência para conhecer a fraqueza humana e para compreender que os homens — os jovens especialmente, tão vulneráveis neste ponto — precisam de estímulo para serem fiéis à lei moral e não se lhes deve proporcionar qualquer meio fácil para eles eludirem a sua observância. É ainda de recear que o homem, habituando-se ao uso das práticas anticoncepcionais, acabe por perder o respeito pela mulher e, sem se preocupar mais com o equilíbrio físico e psicológico dela, chegue a considerá-la como simples instrumento de prazer egoísta e não mais como a sua companheira, respeitada e amada (n. 17). 

Sobre esse último ponto, as atrizes da indústria pornográfica certamente têm muito a testemunhar. Mas elas são apenas mais um dos muitos grupos vitimados pela “revolução sexual”. Não foram as únicas, e estão longe de ser as últimas. Todos fomos afetados de alguma forma pelos acontecimentos culturais do último século, e o drama continuará enquanto teimarmos em ignorar a verdade do sexo, tal como ele foi desenhado por Deus.

Onde está a solução?

Esse texto não é, pois, um manifesto de intolerância para com o que se convencionou chamar “minorias sexuais”. Até porque, os adeptos do “politicamente correto” que nos perdoem, mas, tecnicamente, minoria mesmo, nessa área, são as religiosas e os sacerdotes celibatários, assim como os casais católicos que querem viver o sexo aberto à vida. Num mundo que se gaba de ser sexualmente revolucionário, a verdadeira minoria somos nós, que remamos contra a corrente e ousamos querer viver o dom da sexualidade tal como ele nos foi dado pelo Autor da natureza.

Além do mais, quando falamos mais acima de “proibir” comportamentos sexuais destrutivos, falávamos principalmente de coerção moral, e não de repressão estatal. Nem tudo o que é pecado deve ser tido como crime. A César o que é de César, a Deus o que é de Deus.

O que aqui vai escrito não passa, portanto, de um apelo às consciências modernas, para que se dêem conta de que há algo muito errado em como temos nos relacionado sexualmente. Não se trata de transformar o sexo num demônio, como sugeriu apressadamente a nossa jornalista; trata-se, na verdade, de desmistificá-lo, tirando-o do altar em que o adoram como deus e devolvendo-lhe o status de criatura de Deus. 

Alguém nos acusará, com o dedo em riste, de querer “regredir à idade das trevas”. Mas, como Chesterton dizia, diante de um precipício, o único modo de avançar é dando um passo atrás. É o que a nossa geração precisa fazer. Nossos avós e nossos pais foram longe demais nesse terreno, e só uma comunidade de famílias fortes, dispostas a viver o plano de Deus para a sexualidade humana, pode restaurar o que a imprudente soberba de nossos antepassados fez perder.

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O que é a Septuagésima?
Liturgia

O que é a Septuagésima?

O que é a Septuagésima?

No calendário romano tradicional, três domingos antes da Quarta-feira da Cinzas, a Igreja já começa a se preparar para a Quaresma: os sacerdotes trocam o verde pelo roxo e não se canta mais nem o Aleluia nem o Glória. É o Domingo da Septuagésima.

Fr. John ZuhlsdorfTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Fevereiro de 2020Tempo de leitura: 3 minutos
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Nós planejamos com certa antecedência todos os eventos importantes, como férias e festas de aniversário. Em geral, quanto mais significativo for o evento, mais tempo e esforço investimos para prepará-lo. Não chamaríamos de “sábio” o idoso que nunca pensou na própria aposentadoria ou o aluno que só estuda poucas horas antes da prova. As principais festas litúrgicas da Igreja são grandes eventos e, por isso, também exigem uma considerável preparação. À Páscoa, por exemplo, que é a maior festa de todas, precede um tempo de preparação longo e importante: a Quaresma. E como a Quaresma, por sua vez, também é importante, preparamo-nos para ela com certa antecedência.

Por muitos séculos, no calendário romano tradicional, houve um período pré-quaresmal vivido alguns domingos antes da Quarta-feira de Cinzas, nos quais já se antecipava na Igreja parte da austeridade penitencial da Quaresma. O terceiro domingo antes da Quarta-feira de Cinzas se chamava Septuagésima [1], em referência ao “septuagésimo” dia antes da Páscoa, e assim sucessivamente a Sexagésima (“sexagésimo” dia) e a Quinquagésima (“quinquagésimo” dia). Desse modo, todo o tempo da Quaresma recebia o nome de Quadragésima.

Obviamente, o leitor atento deve estar coçando a cabeça e pensando: “Os nomes a cada domingo de dez em dez. Mas existem apenas sete dias na semana. Como então vamos do Domingo da Septuagésima ao da Sexagésima em apenas sete dias?”

Pensemos um pouco melhor. Decerto os nossos antepassados tinham bons motivos para usar essa nomenclatura:

  • O Domingo da Septuagésima é o 63.º (sexagésimo terceiro) dia antes da Páscoa e, portanto, enquadra-se no 7.º (septimus) período de dez dias, situando-se entre o 61.º (sexagésimo primeiro) e o 70.º (septuagésimo) dia antes da Páscoa;
  • O Domingo da Sexagésima é o 56.º dia antes da Páscoa e encontra-se no 6.º (sextus) período de dez dias, entre o 51.º (quinquagésimo primeiro) e o 60.º (sexagésimo) dia antes da Páscoa;
  • O Domingo da Quinquagésima é o 49.º (quadragésimo nono) dia antes da Páscoa e situa-se no 5.º (quintus) ciclo de dez dias, entre o 41.º (quadragésimo primeiro) e o 50.º (quinquagésimo) dia antes da Páscoa.

Entretanto, todo o tempo da Quaresma é chamado tecnicamente de Quadragésima, embora haja mais de 40 dias entre a Quarta-feira de Cinzas e a Páscoa. Para se aproximar desse número, é preciso contar os dias da Quaresma excluindo os domingos e o Tríduo Pascal, que constitui um tempo litúrgico à parte.

A elevação do cálice na liturgia tradicional.

Na liturgia tradicional, durante a pré-Quaresma, a Missa dominical já é celebrada com paramentos roxos, embora as Missas semanais não o sejam. Na Santa Missa e no Ofício, cessa o cântico de Aleluia até a Páscoa [2]. Os domingos têm estações romanas [3], assim como todos os dias da própria Quaresma. Nesses domingos, nos tempos antigos, os catecúmenos eram levados à estação prescrita, a fim de participar da Missa e ouvir leituras robustas e orações cada vez mais profundas, passando assim por uma catequese que os ajudava a compreender o que ouviam. As orações e leituras para as Missas dos domingos pré-quaresmais foram compiladas por São Gregório Magno, Papa numa época de grande turbulência e sofrimento, marcada pela migração em massa e pela guerra, o que nos recorda os tempos atuais.

Quanto ao Aleluia, há um costume encantador — que, felizmente, vem sendo restaurado — de omiti-lo desde as Primeiras Vésperas da Septuagésima até a Vigília do Sábado Santo. Há uma tradição de “enterrar” o Aleluia, com uma cerimônia de deposição, como se fosse um pequeno funeral. Nesta cerimônia, canta-se um hino de despedida e, após uma procissão com cruz e velas, um caixão enfaixado com a inscrição de um “Aleluia” é aspergido, incensado e enterrado [4].

No calendário pós-conciliar, correspondente ao Novus Ordo do Papa Paulo VI, não existe mais a pré-Quaresma. Foi uma grande perda, tal como a retirada da Oitava de Pentecostes. Não se tratou, conforme exigia a Constituição Apostólica Sacrosanctum Concilium, de uma mudança orgânica, desenvolvida a partir de práticas anteriores ou em benefício dos fiéis.

No entanto, com o documento Summorum Pontificum, de 2007, um presente do Papa Bento XVI, os domingos pré-quaresmais estão recuperando parte de sua antiga posição. Os que optam por seguir o calendário tradicional mais antigo gozam do benefício da pré-Quaresma [5].

Em termos práticos, a pré-Quaresma nos proporciona um período de transição que facilita nossa disciplina quaresmal. Este importante tempo nos leva a pensar no que faremos durante a Quaresma, antes mesmo de começar, e não no dia seguinte à Quarta-Feira de Cinzas. Podemos considerar a pré-Quaresma um tempo para organizar nossa jornada quaresmal. Assim, quando chegar a Quarta-feira de Cinzas, estaremos prontos, com um plano em mãos. Comecemos, pois, desde agora a nos preparar.

Notas

  1. “A Septuagésima é o nono domingo antes da Páscoa e o terceiro antes da Quaresma, conhecido entre os ortodoxos como ‘Domingo do Filho Pródigo’, do Evangelho de São Lucas, que eles leem neste dia; chamado também  pelos latinos de Dominica Circumdederunt, em referência à primeira palavra do intróito da Missa. Na literatura litúrgica, o nome ‘Septuagésima’ aparece pela primeira vez no sacramentário gelasiano [...]. Amulário de Lião, em De eccl. off., afirma que a Septuagésima representa misticamente o cativeiro babilônico de setenta anos, começando neste domingo com a antífona Circumdederunt me undique (‘Cercaram-me de todos os lados’) e terminando no sábado depois da Páscoa, quando a Igreja canta Eduxit Dominus populum suum (‘O Senhor conduziu o seu povo’)” (Septuagésima, in The Catholic Encyclopedia).
  2. “Atualmente, o tempo da Septuagésima é inaugurado no Martirológio Romano com as palavras: ‘Domingo da Septuagésima, em que o cântico do Senhor, o Aleluia, deixa de ser dito’. No sábado anterior, o Breviário Romano observa que, após o Benedicamus das Vésperas, dois aleluias serão acrescentados, para serem daí em diante  omitidos até a Páscoa, e cujo lugar se dirá Laus tibi, Domine (‘Glória a vós, Senhor’) no início do Ofício” (Septuagésima, in The Catholic Encyclopedia).
  3. Antigamente, os chamados “dias de estação” eram dias de jejum e penitência, nos quais se fazia uma procissão a certas igrejas prescritas em Roma, onde se celebravam a Missa e as Vésperas como forma de marcar dias mais importantes do ano litúrgico (Nota da Equipe CNP).
  4. “Antes, a despedida do Aleluia era bastante solene. Em um antifonário da igreja de São Cornélio, em Compiègne, na França, encontramos duas antífonas específicas para isso. A Espanha possuía um Ofício Breve, composto por hino, capítulo, antífona e sequência. Os missais na Alemanha até o século XV tiveram uma bela sequência para marcar este acontecimento. Nas igrejas francesas, cantava-se o hino Aleluia, dulce carmen (Guéranger, IV, 14), que era bem conhecido entre os anglo-saxões (Rock, IV, 69). O Te Deum não é recitado nas Matinas, exceto nas festas. As lições dos primeiros Ofícios noturnos são tiradas do Gênesis, relatando a queda e a subsequente miséria do homem e, assim, preparando-nos adequadamente para o tempo quaresmal. Na Missa dominical e na ferial, o Glória se omite por completo. Em todas as Missas, um Tracto se acresce ao Gradual” (Septuagésima, in The Catholic Encyclopedia).
  5. Além disso, o Papa Bento XVI nos presenteou no documento Anglicanorum coetibus com o acolhimento de anglicanos na Igreja e a ereção de seus três Ordinariatos, agora na Inglaterra, nos Estados Unidos e na Austrália. Seu calendário, embora se baseie no calendário de Paulo VI, restaurou a Septuagésima e a pré-Quaresma, juntamente com os Dias das Têmporas, de Rogação e a Oitava de Pentecostes. Desta forma, o Summorum Pontificum e o Anglicanorum coetibus injetam combustível para o “enriquecimento mútuo” e o aprofundamento na vivência e na identidade da nossa sagrada Liturgia.

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O que há de errado com a castidade?
Sociedade

O que há de errado com a castidade?

O que há de errado com a castidade?

O tema “castidade” está em alta. A desconfiança e o deboche da mídia com relação a ela também. Mas por que a pureza é algo tão temido pelos artistas e jornalistas brasileiros?

Equipe Christo Nihil Praeponere5 de Fevereiro de 2020Tempo de leitura: 9 minutos
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A propósito do tema “castidade”, em alta nos últimos dias, uma cantora brindou-nos com o seguinte comentário: “Loucura… Imagina se os jovens no meio do carnaval vão escutar isso, se vão pensar nisso”. No ano passado, a mesma figura ganhou as manchetes por ter dito que faria sexo com qualquer coisa que lhe cruzasse o caminho: “Homem, mulher, cachorro. Não, cachorro não pode”.

Esclareçamos, antes de tudo, o óbvio. “Loucura” mesmo deve ser o diagnóstico para o estado mental de boa parte dos nossos artistas e jornalistas. É já uma insanidade, por si só, dar ouvidos aos palpites sobre a educação sexual dos jovens de uma “personalidade” para quem, ao que parece, a zoofilia é um tema tão pouco “tabu”, que vem à língua sem ruborizar a cara. A coisa, porém, se torna mais grave quando a mídia decide dar audiência a isso. Porque, afinal de contas, que tipo de conselho ou exemplo nos pode oferecer alguém assim? Que credibilidade deveríamos dar a ideias tão exóticas, quando não irresponsáveis, acerca de um tema tão delicado e complexo? É incrível que, na falta de boas reportagens, a imprensa insista uma e outra vez em dar voz a tais absurdos.

Se vivêssemos num país sério, os nossos artistas, que podem às vezes ter algum talento para o que fazem, teriam antes o bom senso de não opinar, com a autoconfiança de quem é especializado na matéria, sobre questões morais. A vida que leva essa casta olímpica de celebridades está tão distante da do homem comum, que ela não é, nem já parâmetro, mas nem sequer factível para a sociedade. Enquanto muitas delas brincam de pôr fogo em Roma, fazendo todo tipo de extravagâncias em nome da “arte”, cidadãos comuns precisam, sim, apagar o fogo de suas casas: o fogo, por exemplo, dos vícios que consomem hoje os seus filhos, vítimas de usuários de drogas que, em rodinhas de violão, escrevem sonetos à Lua como se fora isto o cume da expressividade “artística”. Não faz muito tempo, um programa de TV exibia outras dessas cantoras, que por cá se multiplicam como sarampo, fazendo apologia da maconha, com direito a dancinha obscena no meio de uma plantação de alface, uma alusão bastante hortaliça à droga. Tudo isso à luz do dia, para todo o mundo ver.

Faz, no entanto, muito tempo que a classe artística perdeu o juízo para os assuntos da realidade cotidiana, especialmente no que diz respeito à moral. No último Globo de Ouro, premiação anual da indústria cinematográfica, o humorista Rick Gervais — para que se veja que não é preciso ser teísta para ser sensato — destacou a hipocrisia dos artistas que fazem daquele momento uma espécie de comício. “Vocês não sabem nada sobre o mundo real, e a maioria de vocês passou menos tempo na escola do que a Greta Thunberg”, polemizou Gervais, insistindo em que os vencedores do prêmio não deveriam usar aquele espaço para fazer politicagem. “Apenas receba seu pequeno prêmio, agradeça ao seu agente e saia fora”, pediu.

Imaginem que tipo de conselho daria ele numa premiação de música no Brasil!

Seja como for, esses senhores exercem ainda uma forte influência sobre o povo simples (sobretudo entre os jovens), por conta da ilusão de seus espetáculos. E eles sabem muito bem disso. Eis por que usam e abusam da inocência alheia para promover toda sorte de erros, vícios e blasfêmias. Não é arte o que produzem, mas veneno para atiçar os instintos mais baixos e bizarros da natureza humana decaída. Trata-se, no fim das contas, de pura tática revolucionária para a degradação da sociedade, como descrevia o filósofo Mário Ferreira dos Santos: “Um acontecimento de real valia recebe uma atenção mínima, e ao lado abrem-se colunas para contar a vida semidelinquente de um playboy imbecil e tolo, que realizou façanhas estúpidas, que qualquer débil mental é capaz de fazer e até superar” [1].

Era ainda 1960 quando Mário Ferreira dos Santos começou a notar a invasão vertical dos bárbaros que avançava a passos largos contra a civilização brasileira. Ele viu estupefato como manejavam bem as armas da revolução, “com uma habilidade de estarrecer”, escreveu, “dispondo de meios capazes para tal, imprimindo ao trabalho corruptivo uma intensidade e um âmbito nunca atingidos em momento algum” [2].

Até esses dias, eram comuns programas infantis com apresentadoras exibindo seus corpos em trajes de banho. Na mesma linha, filmes da tarde mostravam obscenidades das mais grotescas sem qualquer preocupação. Disso passamos para os testes de DNA e fidelidade, com banheiras pornográficas, onde homens e mulheres se atracavam em frente às câmeras. Foi também quando surgiram as mulheres mascaradas, que assediavam o imaginário dos rapazes com todo tipo de provocação sexual. E o que temos hoje são reality shows que promovem assediadores, pedófilos e cantoras que falam de sexo com animais. A degradação não tem limites. Os cachorros que se cuidem…

Mais de 50 anos depois, a revolução pode considerar-se praticamente consumada. O divórcio, o adultério e a bestialidade estão aí, banalizados, já não se pensa mais em filhos e a castidade antes do casamento tornou-se objeto de escárnio. É por isso que a castidade, algo que a Igreja sempre ensinou, é vista com suspeita e deboche. Para os arautos da revolução, o sexo é tudo, e não há nada fora do sexo.

A verdade é que a fatura dessa revolução está custando muito caro. O mais recente relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/AIDS mostra que o Brasil teve um aumento de 21% no número de infectados pelo vírus. Também a média para o início da vida sexual entre os brasileiros é assustadora. No geral, meninos e meninas têm a primeira relação com apenas 13 anos, o que os expõe a uma série de riscos, como doenças e gravidez indesejada. Isso tudo sem falar da enorme taxa de casos de estupros e outros tipos de assédio.

Para a doutora Lilian Day Hagel, do Departamento de Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria, as razões para esse padrão de comportamento seriam, entre outras coisas, o excesso de estímulos e a banalização do corpo a que os jovens estão submetidos. “Antigamente, as experiências sexuais ficavam restritas a um ambiente. Agora, são rápida e impulsivamente compartilhadas com repercussão e alcance”, explicou ela numa entrevista.

De fato, a moda dos nudes e outros tipos de exposição sexual na internet se difunde cada vez mais. E afirmar que os números da ONU e de outras pesquisas se devem à falta de investimento em campanhas de “conscientização” sobre a necessidade do preservativo, como se um adolescente hoje em dia não soubesse nem o que é nem como usá-lo, é, para dizer o mínimo, ridículo. Os jovens sabem, sim, muito bem das doenças e da possibilidade de uma gravidez. O problema de fundo é que não estão nem aí, porque aprenderam a encarar o sexo como diversão e prazer fácil. Para eles, é apenas mais um passatempo como um jogo de Free Fire. Portanto, eles não vão usar camisinha e ponto, por mais que o Estado se meta nas salas de aula e faça propaganda a respeito.

É tudo uma questão de sociologia. Para promover o controle populacional, o sociólogo Kingsley Davis bem sabia que o investimento em anticoncepcionais e preservativos deveria ser periférico. O seu verdadeiro objetivo era mudar o comportamento das pessoas, descaracterizando o significado genuíno da sexualidade humana. Ele pregava abertamente: “É óbvio que, se se deve prevenir o crescimento excessivo da população, será necessário impor, de alguma forma, limites à família” [3].

Em outras palavras, seria necessário investir na desconstrução do matrimônio para promover uma insurreição sexual, completamente alheia à natureza do sexo entre um homem e uma mulher. E os resultados estão aí. Toda essa educação que resume a sexualidade ao prazer está na conta desse senhor e de tantos outros revolucionários da mesma agenda. Ao fim e ao cabo, a defesa dos preservativos não passa de fachada para um projeto muito mais ambicioso de engenharia social, que conta com o apoio, consciente ou inconsciente, de quase toda a imprensa e dos artistas. Trata-se de criar um novo padrão de sexualidade.

Por isso mesmo, Bento XVI dizia que a AIDS não pode ser enfrentada “só com dinheiro” e “com a distribuição de preservativos”, que só aumentam o problema. A questão é mais delicada e envolve um projeto de restauração da dignidade do homem; uma revolução às avessas, que desconstrua a ideologia de Kingsley Davis — essa, sim, uma loucura — e traga de volta a genuína identidade da família. E isso exige, explicava o Papa, “uma humanização da sexualidade, isto é, uma renovação espiritual e humana que inclua um novo modo de comportar-se um com o outro”; e também “uma verdadeira amizade e sobretudo pelas pessoas que sofrem, a disponibilidade à custa de sacrifícios, de renúncias pessoais, para estar ao lado dos doentes”.

Obviamente, uma renovação como essa não pode nem deve esperar pelo Estado. A legítima educação dos filhos é coisa que os pais precisam tomar para si como o bem mais precioso que eles têm em mãos. Se não houver sacrifício das famílias, empenho dos pais para educarem os filhos, proporcionando-lhes uma vida limpa, honesta, longe das más influências, qualquer outro esforço nessa matéria deve fracassar. Em 2007, Bento XVI já avisava aos brasileiros que era preciso dizer não aos meios de comunicação social que ridicularizam a santidade do matrimônio e a virgindade antes do casamento. Hoje esse aviso é mais atual do que nunca.

A castidade é uma virtude para gente heroica, que se recusa a ser um objeto descartável e tem a peito o desejo de desfrutar das delícias eternas antes de se perder nas delícias efêmeras. É mais ou menos como contava o jornalista católico Guy de Larigaudie, no livro Estrela de Alto Mar, acerca de um cavaleiro que encontrou uma bela jovem:

Devia ser uma mestiça. Tinha uns ombros esplêndidos e a beleza animal das mulatas, de lábios grossos e olhos imensos. Era bela, de uma beleza selvagem. Em verdade só havia uma coisa a fazer. Não a fiz. Tornei a montar o cavalo e parti a galope, sem me virar, chorando de desespero e de raiva. Penso que no dia do Juízo, se não tiver outra coisa a apresentar, poderei oferecer a Deus, como flores, todas essas carícias que, por amor d’Ele, eu não quis conhecer (grifos nossos) [4].

Homens assim não nascem em qualquer lugar. Homens dessa estirpe — como São Francisco de Assis, Santo Tomás de Aquino ou mesmo o Venerável Carlo Acutis, que foram almas verdadeiramente puras e castas — só existem no cristianismo, dentro da Igreja Católica, porque são forjados pela graça e pela boa vontade. Por isso, é tarefa das famílias, em primeiro lugar, preservar no coração dos filhos um autêntico e saudável ambiente cristão. Não deixemos, pois, aos estranhos aquilo que é antes dever dos pais e da Santa Madre Igreja.

Referências

  1. Mário Ferreira dos Santos, Invasão Vertical dos Bárbaros. São Paulo: É Realizações, 2012, p. 31.
  2. Id., p. 15.
  3. Kingsley Davis, Política Populacional: Os Programas Atuais Terão Sucesso?, de 10 nov. 1967.
  4. Guy de Larigaudie, Estrela de Alto Mar. Rio de Janeiro: Agir, 1969, 68p.

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Jesus, que nos ama, alertou várias vezes sobre o Inferno
Doutrina

Jesus, que nos ama,
alertou várias vezes sobre o Inferno

Jesus, que nos ama, alertou várias vezes sobre o Inferno

Contra a “heresia” moderna de que todos serão salvos, creiamos nesta verdade fundamental: ninguém nos ama mais do que Jesus Cristo, mas também ninguém mais do que Ele alertou-nos sobre o Inferno e o Juízo.

Mons. Charles PopeTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere5 de Fevereiro de 2020Tempo de leitura: 11 minutos
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Nos dias atuais, muitas pessoas apresentam o Inferno como uma contradição ao amor de Deus; Jesus, porém, associa essas duas realidades. Aqui está uma verdade fundamental: ninguém nos ama mais do que Jesus Cristo, mas também ninguém mais do que Ele alertou-nos sobre o Inferno e o Juízo. Ele deu aviso após aviso e contou parábola após parábola, advertindo de forma clamorosa sobre o julgamento divino e a realidade do Inferno.

Todavia, nenhuma “heresia” de nossos dias é mais difundida ou perniciosa do que a negação do Inferno, de que ele existe e é habitado por muitas almas. Uso aspas na palavra “heresia” apenas porque eu, como simples padre, não tenho o poder de declará-la formalmente como tal. No entanto, “heresia”, em um sentido mais amplo e descritivo, significa, de forma simples, escolher entre as verdades reveladas. Confrontado com verdades que estão em certa tensão — como a justiça de Deus e a sua misericórdia, ou a liberdade humana e a soberania de Deus —, o “herege”, para resolver a aparente tensão, escolhe uma verdade e joga fora a outra. Enquanto a ortodoxia crê em “ambas”, a “heresia” afirma uma e nega a outra.

No que diz respeito aos ensinamentos sobre o Inferno e o julgamento, o “herege” não consegue conciliar o amor e a misericórdia de Deus com a realidade do Inferno e da separação eterna dEle. No entanto, o Amor Encarnado, Jesus Cristo, falou sobre isso mais do que qualquer outra pessoa. Assim, o problema de não aceitação da realidade infernal está em nós, não em Jesus nem no Pai.

Simplesmente nos recusamos a obedecer ao que é ensinado e a aceitar que, por termos livre-arbítrio, as escolhas que fazemos são determinantes. Ficamos iludidos, acreditando no “todos viveram felizes para sempre”, como se a vida fosse um conto de fadas. Tentamos negar que nossas escolhas constituem nosso caráter e que este, por sua vez, condiciona nosso destino eterno. Nesta vida, recusamo-nos a assumir a responsabilidade pelas escolhas que fizemos, mas, um dia, não seremos mais capazes de renunciar a tal responsabilidade. Em vez disso, culpamos a Deus — que enviou seu próprio Filho para nos salvar — como se Ele fosse mau; e atribuímos a Ele a responsabilidade por irmos ou não para o Inferno.

Enquanto isso, Deus está implorando: “Vinde a mim. Vinde a mim antes que finalmente chegue a hora de partir e fechar a porta!

Portanto, ou Deus é amor e somos livres para escolhê-lo — ou rejeitá-lo — em nosso próprio ato de amor, ou Deus é um “chofer” que conduz todos ao Céu, sem se importar em que situação estamos para viver com Ele na eternidade. Em outras palavras, o livre-arbítrio consiste na capacidade de fazer escolhas, entre as quais a de negar a Deus. Nesse sentido, o Inferno existe enquanto consequência última do livre-arbítrio.

Precisamos estar convencidos disso assim como Jesus estava. Ele nos exortou e advertiu constantemente. Ele nos conhece e sabe como somos teimosos e obstinados, e que não gostamos de saber o que devemos fazer. Sim, Jesus observou tristemente que muitos — de fato, “a maioria” — preferem ir para o Inferno que servir no Céu (cf. Mt 7, 13).

Devemos, então, superar nossa presunção orgulhosa de que a salvação é algo fácil de se alcançar, e ouvir os clamores de nosso Salvador, Jesus Cristo. Devemos aceitar amorosamente seus conselhos, permitir que Ele acenda em nós um santo temor, a fim de que nos esforcemos convictamente para permanecer na graça de Deus e assim alcançar a salvação.

Novamente, recordemos esta verdade fundamental: ninguém nos ama mais do que Jesus Cristo, mas também ninguém mais do que Ele alertou-nos sobre o Inferno e o Juízo. Permita que o Senhor associe essas duas realidades no seu coração. De forma suave e terna, Jesus está chamando: “Ó pecador, volte para casa!” Não seja iludido pela “heresia” moderna de que todos serão salvos. Jesus não ensinou isso, nem os Apóstolos, que são seus porta-vozes e sucessores no ministério. Não tente anular ou corrigir Jesus; seja obediente e aceite, com amor e fé, o que Ele ensinou. O Inferno é real; e nós precisamos de um salvador, mas Ele quer ouvir o nosso “sim”.

Para demonstrar as constantes advertências de Deus à humanidade, gostaria de apresentar uma coleção de “textos de alerta”, como uma espécie de antídoto para essa “heresia” dos tempos modernos.

Textos sobre o Inferno e o Juízo

As duas primeiras passagens são do Antigo Testamento e exemplificam a tradição profética na qual Jesus se fundamentava:

  • “E haverá uma vereda pura, que se chamará o caminho santo; nenhum ser impuro passará por ele, e os insensatos não rondarão por ali” (Is 35, 8).
  • “E quando se virarem, poderão ver os cadáveres daqueles que se revoltaram contra mim, porque o verme deles não morrerá e seu fogo não se extinguirá, e para todos serão um espetáculo horripilante” (Is 66, 24).

No Novo Testamento, principalmente nos Evangelhos, são inúmeras as referências a esse tema: 

  • Aqui João Batista adverte: “Ele tem na mão a pá, limpará sua eira e recolherá o trigo ao celeiro. As palhas, porém, serão queimadas num fogo inextinguível” (Mt 3, 12).
  • Até mesmo a ira injusta, sem arrependimento, pode levar ao Inferno. Nós tendemos a justificar nossa raiva; mas Deus adverte que não podemos caminhar para o Céu apegando-nos a isso: “Mas eu vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes. Aquele que disser a seu irmão ‘imbecil’, será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser ‘louco’, será condenado ao fogo do Inferno” (Mt 5, 22).
  • Tendemos a “maquiar” o pecado, mas Nosso Senhor não: “Se teu olho direito é para ti causa de queda, arranca-o e lança-o longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros a que o teu corpo todo seja lançado no Inferno.” (Mt 5, 29) Obviamente, Jesus não está dizendo que devemos nos mutilar, mas que o pecado é mais grave do que perder os nossos olhos, pés ou mãos. Mesmo que não pensemos assim, Deus nos adverte que nosso maior problema é o pecado, e não nossa saúde, ou finanças físicas, ou qualquer outro problema passageiro; nosso problema mais sério é o nosso pecado.
  • “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. Mas, se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará” (Mt 6, 14-15). Essa é uma advertência bem clara de que devemos permitir que Deus nos conceda o dom da misericórdia e do perdão. Caso contrário, não poderemos entrar no Céu: bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia.
  • Nosso Senhor adverte que o número dos que se perdem é maior que o daqueles que se salvam: “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e numerosos são os que por aí entram” (Mt 7, 13).
  • Tenhamos um santo temor, a fim de que não percamos o que realmente importa, a graça de nos unirmos a Cristo: “Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo no Inferno” (Mt 10,28).
  • “E tu, Cafarnaum, serás elevada até o céu? Não! Serás atirada até o Inferno! Porque, se Sodoma tivesse visto os milagres que foram feitos dentro dos teus muros, subsistiria até este dia.” (Mt 11, 23). O fato de estarmos inseridos na Igreja não nos garante a salvação; ao contrário, exige mais responsabilidade de nós, pois a quem muito foi dado, muito será cobrado.
  • Haverá um juízo final, no qual o trigo será guardado e o joio será queimado: “No tempo da colheita, direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo no meu celeiro’.” (cf. Mt 13, 24-30)
  • Nesse juízo final, responderemos por cada ato que realizamos: “Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido.” (Mt 12, 36).
  • As advertências de Cristo são contundentes: “Serpentes! Raça de víboras! Como escapareis ao castigo do Inferno?” (Mt 23, 33).
  • A recompensa será dada de acordo com as nossas ações: “Ele se voltará em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: ‘Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos. Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes’.” (cf. Mt 25, 41-46)
  • Aqueles que levam os outros a pecar terão que responder a Jesus pelo que fazem: “Mas todo aquele que fizer cair no pecado a um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que uma pedra de moinho lhe fosse posta ao pescoço e o lançassem ao mar!” (cf. Mc 9, 42-48)
  • No juízo final, muitos não serão reconhecidos por Deus: “Sempre em caminho para Jerusalém, Jesus ia atravessando cidades e aldeias e nelas ensinava. Alguém lhe perguntou: ‘Senhor, são poucos os homens que se salvam?’ Ele respondeu: ‘Procurai entrar pela porta estreita; porque, digo-vos, muitos procurarão entrar e não o conseguirão. Quando o pai de família tiver entrado e fechado a porta, e vós, de fora, começardes a bater à porta, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos, ele responderá: Digo-vos que não sei donde sois. Direis então: Comemos e bebemos contigo e tu ensinaste em nossas praças. Ele, porém, vos dirá: Não sei donde sois; apartai-vos de mim todos vós que sois malfeitores. Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac, Jacó e todos os profetas no Reino de Deus, e vós serdes lançados para fora. Virão do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e se sentarão à mesa no Reino de Deus. Há últimos que serão os primeiros, e há primeiros que serão os últimos’.” (Lc 13, 22-30’).
  • Seremos julgados por nossa inobservância aos mandamentos: “Quem me despreza e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue; a palavra que anunciei, essa o julgará no último dia. Em verdade, não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, ele mesmo me prescreveu o que devo dizer e o que devo ensinar. E sei que o seu mandamento é vida eterna” (Jo 12, 48-50).
  • Jesus, o justo juiz, virá em breve a fim de nos julgar: “Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim. Felizes aqueles que lavam as suas vestes para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas. Fora os cães, os envenenadores, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos aqueles que amam e praticam a mentira! Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos atestar estas coisas a respeito das igrejas. Eu sou a raiz e o descendente de Davi, a estrela radiosa da manhã” (Ap 22, 12-16).

Jesus exortou os Apóstolos a pregar, ensinar, governar e santificar em seu nome. Assim, nos textos apostólicos, é o próprio Cristo que nos fala:

  • “Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor.” (Hb 12, 14)
  • “Vós todos considerai o matrimônio com respeito e conservai o leito conjugal imaculado, porque Deus julgará os impuros e os adúlteros.” (Hb 13, 4)
  • “Falai, pois, de tal modo e de tal modo procedei, como se estivésseis para ser julgados pela Lei da liberdade. Haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento.” (Tg 2, 12-13)
  • “Tu, ó homem, que julgas os que praticam tais coisas, mas as cometes também, pensas que escaparás ao juízo de Deus? Ou desprezas as riquezas da sua bondade, tolerância e longanimidade, desconhecendo que a bondade de Deus te convida ao arrependimento? Mas, pela tua obstinação e coração impenitente, vais acumulando ira contra ti, para o dia da cólera e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo as suas obras: a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, buscam a glória, a honra e a imortalidade; mas ira e indignação aos contumazes, rebeldes à verdade e seguidores do mal. Tribulação e angústia sobrevirão a todo aquele que pratica o mal, primeiro ao judeu e depois ao grego; mas glória, honra e paz a todo o que faz o bem, primeiro ao judeu e depois ao grego. Porque, diante de Deus, não há distinção de pessoas.” (Rm 2, 3-11)
  • “Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus.” (1Cor 6, 9-10)
  • “Assim, eu corro, mas não sem rumo certo. Dou golpes, mas não no ar. Ao contrário, castigo o meu corpo e o mantenho em servidão, de medo de vir eu mesmo a ser excluído depois de eu ter pregado aos outros.” (1Cor 9, 26-27)
  • “Assim, meus caríssimos, vós que sempre fostes obedientes, trabalhai na vossa salvação com temor e tremor, não só como quando eu estava entre vós, mas muito mais agora na minha ausência.” (Fl 2, 12)
  • “Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!” (Gl 5, 19- 21)
  • “Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos. Nada de obscenidades, de conversas tolas ou levianas, porque tais coisas não convêm; em vez disso, ações de graças. Porque sabei-o bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento — verdadeiros idólatras! — terá herança no Reino de Cristo e de Deus. E ninguém vos seduza com vãos discursos. Estes são os pecados que atraem a ira de Deus sobre os rebeldes. Não vos comprometais com eles.” (Ef 5, 3-7)

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