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“Meninx”? A resposta de Madre Angélica
Sociedade

“Meninx”?
A resposta de Madre Angélica

“Meninx”? A resposta de Madre Angélica

E se o Catecismo da Igreja Católica fosse escrito todo na chamada “linguagem inclusiva”? Em 1992, essa proposta quase se tornou realidade nos Estados Unidos, não fosse a luta de Madre Angélica para defender a fé e a Tradição da Igreja.

Equipe Christo Nihil Praeponere9 de Março de 2021Tempo de leitura: 8 minutos
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Querem ouvir uma história esquisita? 

Outro dia, um jornal narrava a situação de uma avó que perguntou ao neto, cujo aniversário se aproximava, quantos amigos ele convidaria para sua festa. Notando que o aniversariante só havia mencionado garotos, ela questionou se não viria nenhuma menina também. “Sim. Claro. É que você disse amigos, e não ‘amigues’”, corrigiu o pequeno militante, para perplexidade da anciã [1]. Segundo o jornal, episódios como esse têm se repetido cada vez mais entre a classe média progressista de alguns países. Uma coisa é certa: se ninguém tomar providências, dentro de poucos anos a linguagem humana que conhecemos cederá lugar a um delírio linguístico tão revolucionário quanto ridículo.

O potencial destrutivo desse empreendimento maluco salta aos olhos. Agora, imaginem que a Bíblia ou o Catecismo adotasse essa mesma linguagem em sua redação. Com que espanto, por exemplo, as senhoras do Apostolado da Oração não reagiriam a um texto que dissesse “menine”, e não “Menino Jesus”? Que perplexidade não tomaria o coração dos fiéis ao ouvirem de seus catequistas que Nosso Senhor escolheu “discípulxs”, e não “discípulos”?

Apesar de surreal, esse pesadelo quase aconteceu nos Estados Unidos, décadas atrás, não fosse a intervenção sábia de uma valente vovozinha: Madre Angélica, a fundadora da TV católica EWTN. A história é narrada em sua biografia pelo jornalista Raymond Arroyo (os grifos são nossos) [2]:

Foi uma intervenção do Cardeal Bernard Law, arcebispo de Boston, em um Sínodo Extraordinário dos Bispos, em 1985, que trouxe a lume o primeiro Catecismo universal da Igreja Católica em mais de 400 anos. Law, expressando um desejo episcopal amplamente difundido, pediu por um único volume que codificasse exatamente o que a Igreja acreditava e ensinava no período turbulento pós-Vaticano II. Abraçando a ideia, o Papa João Paulo II aprovou um comitê de redação em 1986.

A edição francesa original desse Catecismo, promulgado pelo Papa em outubro de 1992, vendeu mais de um milhão de cópias. A demanda do público internacional se intensificou, exigindo o lançamento das edições espanholas, asiáticas, italianas e africanas. Mas a edição em inglês, mergulhada num pântano linguístico e teológico, não estava disponível em lugar nenhum. Madre Angélica foi particularmente responsável pelo atraso.

Devido ao seu papel seminal na elaboração do Catecismo, era natural que o Cardeal Law supervisionasse a tradução da edição em inglês. Sob sua liderança, os tradutores adotaram uma abordagem inclusiva, retirando sistematicamente termos específicos de sexo e substituindo-os por alternativas neutras. Referências a “homem”, por exemplo, foram traduzidas por “humanidade”; “homens e mulheres” transformaram-se em “pessoas e família”. Em vez das palavras de Jesus: “Todas as vezes que fizestes isso a um destes pequeninos que são meus irmãos”, lia-se na nova tradução: “Todas as vezes que fizestes isso a um destes pequeninos que são membros de minha família”.

Em uma carta de dezembro de 1992, acompanhando o esboço final da edição em inglês, o Cardeal Law descreveu a tradução aos seus irmãos bispos como uma “abordagem moderada” em direção à linguagem inclusiva. Os bispos americanos aprovaram o esboço e o enviaram para a aprovação final de Roma. Uma tempestade de críticas surgiu.

“Eles não estão mudando a linguagem por razões orgânicas, mas por causa da pressão de alguns grupos que se dizem ‘ofendidos’”, declarou o Padre Joseph Fessio, editor da tradicional editora Ignatius Press. Fessio acreditava que a tradução se rendera aos progressistas e às feministas, que desejavam um ajuste do ensinamento católico às próprias agendas. “Há outros católicos que não querem a mudança, e eles foram ignorados”, disse Fessio.

No informativo de sua arquidiocese, o Cardeal Law defendeu a tradução por motivos culturais. “Houve um tempo em que a palavra ‘homem’ era geralmente compreendida… como todos os seres humanos”, ele escreveu. “Este nem sempre é o caso hoje, dada a mudança cultural em relação à inclusão”.

As religiosas de Madre Angélica haviam requisitado 150 catecismos em inglês para vendê-los em suas lojas quando a notícia da controvérsia chegou ao claustro. A espirituosa irmã Agnes, uma religiosa agraciada com beleza e coragem, ligou ao vendedor para expressar qual edição elas esperavam receber. Quando soube que eles haviam reservado cópias do catecismo da “tradução na linguagem inclusiva”, Agnes cancelou o pedido, presumindo que Madre Angélica faria o mesmo. Tivesse acontecido com qualquer outro grupo de irmãs, o incidente passaria despercebido, mas um claustro com um canal direto a milhões de católicos merecia um escrutínio minucioso.

O telefone do mosteiro tocou em 8 de janeiro de 1993. Era o Cardeal Law, ligando aparentemente para Madre Angélica a fim de discutir o cancelamento da compra dos livros e entregar-lhe uma mensagem do núncio papal. Rouca por um grave ataque de asma, Madre Angélica recusou a ligação. De acordo com a história do OLAM (N.T.: Our Lady of the Angels Monastery), o próprio núncio ligou para a EWTN, mas foi igualmente informado de que Madre Angélica não podia falar.

Mais tarde, o Bispo Raymond Boland, de Birmingham, telefonou para Madre Angélica a fim de lhe assegurar que a tradução do catecismo em linguagem inclusiva seria aprovada por Roma e que uma oposição pública seria vista como hostilidade à vontade da Igreja. Madre Angélica respondeu ao telefonema. De forma direta, ela disse ao bispo que não apreciava a linguagem inclusiva e lhe fez uma pergunta retórica: “Jesus foi… concebido pelo Espírito Santo e nasceu como um humano ou um indivíduo? Você não pergunta a uma mãe se o seu filho é um humano, você pergunta se é um menino ou uma menina”. Embora ela não tivesse sido diretamente responsável pelo cancelamento da compra dos livros, o que provocara o telefonema, a Madre estava muito feliz por expressar a própria opinião. A batalha havia começado.

Depois de revisar o esboço em inglês do Catecismo, o Vaticano convocou o Cardeal Law a Roma em fevereiro. No mesmo período, Madre Angélica tinha seus próprios assuntos a tratar na Cidade Eterna. Conforme se aproximava da Congregação para a Doutrina da Fé, viu o Cardeal Law sair do palácio, com um sorriso estampado em seu rosto carnudo.

“Oh! Olá, Madre. Eu ouvi que a senhora tem um encontro com o Cardeal Ratzinger. Agora, a senhora defenda aquela linguagem inclusiva. Ela é muito importante na América”, Angélica se lembra de o Cardeal lhe dizer. “E eu pensei: Ah! você deve saber por que eu estou aqui”.

Madre Angélica encontrou-se com o Cardeal Joseph Ratzinger, a autoridade doutrinal do Vaticano e, em última análise, o homem responsável pelo Catecismo. Em seu escritório, eles conversaram intensamente. Sentando-se, um pouco desconfortável, em uma cadeira estofada de veludo vermelho e dourado, que facilmente poderia ter-se passado por trono para a coroação de Napoleão, Angélica explicou o alcance da operação de seu canal 24h e de sua rede de ondas curtas. “Eu quero levar a Igreja por todo o mundo, e nós podemos fazer isso. Mas não podemos se for na linguagem inclusiva”, disse a Madre ao Cardeal. “Ela é terrível; muda a doutrina e muda tudo”. Depois de trocarem cordialidades, a Madre agradeceu ao Cardeal e partiu.

No fim das contas, o Vaticano rejeitou o esboço de “gênero neutro”, suspendendo a publicação do Catecismo em inglês por quase um ano e meio. Nesse ínterim, a Santa Sé exigiu sua própria tradução, fiel ao original francês, repleta de pronomes masculinos e terminologia específica de sexo…

Para além de todas as críticas e ressalvas, a intervenção de Madre Angélica nessa história foi apenas a reação normal de quem percebe que “o rei está nu”. 

Madre Angélica e o Papa S. João Paulo II.

O problema da chamada “linguagem inclusiva” é que ela é tudo, menos inclusiva. Explicamos: a língua é a identidade de um povo, o meio pelo qual uma tribo, nação ou civilização, seja antiga ou moderna, desenvolve sua cultura, arte, moral, virtudes e religiosidade. Como explica o historiador Christopher Dawson, “é somente por intermédio da língua que o homem pode transmitir a memória da experiência passada para as gerações futuras e, desse modo, gerar acúmulo de conhecimento que é a condição da cultura” [3]. Mais ainda: “Sem o idioma”, diz Dawson, “teria sido impossível ao homem libertar-se do domínio dos instintos que determinam a vida imutável da existência não humana” [4].

É claro que, aqui e ali, o idioma pode, e às vezes deve, sofrer alterações e evoluir, mas desde que essa evolução seja orgânica e não subverta sua ordem intrínseca. De outro modo, o nexo entre uma geração e outra fica comprometido como uma verdadeira Torre de Babel. O episódio narrado por aquele jornal citado no começo deste texto não ilustra apenas uma situação corriqueira de uma determinada família; ele ilustra a soberba de uma geração que, em vez de se sentar para ouvir os “causos” e aprender com a sabedoria dos antigos, prefere jogar todo o passado fora em nome de um arranjo social fictício, que vê luta de classes em cada esquina. A “linguagem inclusiva” está para o idioma como o movimento Black Lives Matter está para as estátuas de Winston Churchill ou Cristóvão Colombo. A questão é muito mais destruir do que incluir.

Que o Cardeal Bernard Law, cujo nome esteve envolvido mais tarde no escândalo de pedofilia que deu argumento ao filme Spotlight, não pudesse avaliar a consequência da sua famigerada tradução, é coisa sobre a qual não discutimos, pois não nos cabe julgar intenções. Mas, como percebeu Madre Angélica, um idioma não pode ser uma massinha de modelar para ser adaptado ao sabor de cada indivíduo. Se toda uma gramática é reestruturada simplesmente para agradar a determinado grupo, outro será desagradado. Como consequência, os conceitos vão perdendo sentido e a alfabetização se converte numa tarefa quase impossível, assim como a evangelização. 

Aliás, é justamente por isso que os grandes ditadores sempre investiram em propaganda e narrativas para subverter a ordem e dominar o povo. George Orwell representou muito bem essa “novilíngua” em sua obra 1984, cujo legado, como o de outros clássicos literários, agora está ameaçado precisamente por ela: a linguagem inclusiva.

Também a teologia corre um sério risco, caso queira ceder a grupos de pressão para se mostrar, digamos, mais “tolerante”: o de apresentar um Jesus tão humano, tão humano, que deixe até de ser homem.

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Anticoncepcionais não! As mulheres merecem mais!
Sociedade

Anticoncepcionais não!
As mulheres merecem mais!

Anticoncepcionais não! As mulheres merecem mais!

Mulher, da próxima vez que um médico tentar “tratar” uma doença sua com a pílula anticoncepcional, diga “não”. Isso não é tratar o problema, mas ignorá-lo. Exija mais dos médicos, por suas irmãs em Cristo, por suas filhas e por você mesma.

Constance T. HullTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere8 de Março de 2021Tempo de leitura: 7 minutos
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Um dia, a história mostrará que uma das maiores injustiças contra as mulheres de nossa época é o controle de natalidade. Há inúmeras razões que demonstram isso, mas existe uma dimensão que muitas vezes é negligenciada. O controle de natalidade deu origem, na área médica, a um foco absolutamente inadequado na saúde das mulheres. Se você conversar com qualquer mulher que tenha de lidar com problemas hormonais debilitantes que exacerbam outros problemas de saúde, descobrirá inúmeras histórias de mulheres que foram informadas de que a pílula era a única resposta

Eu sou uma delas.

Já escrevi noutra ocasião sobre os meus quatro abortos espontâneos e as baixas taxas hormonais que têm sido um problema crônico em minha vida. As Tecnologias Procriadoras Naturais (NaPro, na sigla em inglês) me ajudaram durante um tempo, mas, no final das contas, desenvolvi graves efeitos colaterais por causa de meus tratamentos hormonais. Por causa disso, tive de interromper as doses que estavam me ajudando a tratar a baixa taxa de estrogênio e progesterona. A última solução apresentada por meu médico foi iniciar o uso da pílula.

Por razões médicas permitidas pela Igreja, cogitei rapidamente em aceitá-la, mas, depois de pesquisar, descobri que tenho uma mutação genética que me torna muito mais suscetível a ter coágulos na corrente sanguínea, potencialmente fatais, caso tomasse anticoncepcionais. Decidi suportar os difíceis sintomas e uni-los à Cruz de Cristo, para a sua maior glória e em favor das pessoas pelas quais Ele pediu que eu sofresse de modo especial. Isso não significa que esse caminho seja fácil, pois a cruz nunca é fácil, mas é o caminho para o amor e a alegria.

À medida que fui envelhecendo, meus problemas hormonais pioraram e agravaram outros problemas de saúde crônicos que surgiram depois que tirei minha vesícula biliar. Atualmente, não posso ingerir a maior parte dos alimentos, particularmente quando minha taxa hormonal cai e a inflamação aumenta subitamente, fazendo-me ficar doente por uma ou duas semanas todo mês. 

Não digo isso para murmurar do meu drama. O sofrimento é redentor, além de ser um meio de santificação que deve ser aceito, apesar dos momentos de aflição. Digo isso para mostrar que a comunidade médica desamparou pessoas como eu.

A indústria médica não tem interesse em entender como o corpo feminino realmente funciona. Só está interessada na indústria multibilionária que procura suprimir o funcionamento natural do corpo feminino. Infelizmente, muitos católicos aceitam isso, na medida em que continuam a impor barreiras artificiais ao ato conjugal por meio da contracepção, rejeitando assim o chamado de Deus à doação plena ao cônjuge num ato de amor desprendido.

Parte disso é resultado da ignorância. Muitos sacerdotes, no caos que surgiu após o Concílio Vaticano II, fizeram-se de cegos ao uso da contracepção ou o apoiaram, apesar de a Igreja ensinar claramente que o uso da contracepção é um pecado grave — a menos que ela seja usada por razões médicas que não tenham nenhuma relação com o impedimento intencional de uma gestação. A profética encíclica Humanae Vitae, de S. Paulo VI, é claríssima em relação à doutrina da Igreja. As gerações passadas foram enganadas com a mentira de que essa é uma área que deveria ser ignorada pelos católicos. Essa mentira chegou até a minha geração e agora está sendo passada à geração da minha filha por católicos que continuam a ignorar essa doutrina. 

A maioria dos católicos deve ao menos ter ouvido falar que a Igreja proíbe o uso da contracepção, pois hoje já existe suficiente doutrina autêntica sobre o tema. Isso quer dizer que muitos católicos escolheram o mundo e desprezaram Cristo nessa área de suas vidas, algo que fica claro na cultura ocidental e nas tecnologias médicas completamente inadequadas disponíveis às mulheres. Isso quer dizer que muitos católicos não estão apenas se afastando de Deus, mas também estão apoiando deliberadamente uma grave injustiça contra as mulheres.

Enquanto os católicos continuarem usando métodos de controle de natalidade e ignorando a doutrina de Cristo, mulheres como eu ficarão à mercê de nossos problemas médicos, sem nenhuma perspectiva de solução. Enquanto continuarmos acreditando fielmente nas mentiras de nossa cultura, não conseguiremos realizar nenhuma mudança. Se acreditamos que oprimir o corpo feminino é a melhor maneira de cuidar dele, então não poderemos reclamar quando médicos não conseguirem tratar enfermidades ocultas. No final das contas, a culpa recairá sobre nós. Sofremos de feridas autoinfligidas, pois nos recusamos a exigir algo melhor.  

Uma falsa panaceia 

Isto pode soar agressivo (apesar de não ser minha intenção), mas é a verdade. Ao longo dos últimos dez anos, todos os médicos com que me consultei quiseram me empurrar a pílula anticoncepcional como se fosse uma pílula mágica que solucionaria todos os meus problemas (da enxaqueca à gastrite, da dor crônica à fadiga). Isso é muito angustiante, porque esses médicos não estão muito preocupados com os riscos que a pílula oferece às mulheres, nem com as implicações morais do que a contracepção fez para dizimar nossa cultura nos últimos cinquenta anos.

Também não estão interessados em compreender o funcionamento do corpo feminino. Há uma razão pela qual minha baixa taxa hormonal provoca muitas inflamações em meu corpo em momentos específicos do mês, mas ninguém se preocupa em descobrir o porquê. A pílula pode simplesmente interromper ou limitar meu ciclo e voilà! problema “resolvido”. Porém, isso não é solução nem tratamento; é como cobrir um corte profundo com band-aid.

Os hormônios progesterona e estrogênio causam problemas generalizados no corpo feminino. Os médicos sabem que tais hormônios aumentam a inflamação quando há deficiência deles, mas há poucas pesquisas sobre o problema, que ainda está presente e cuja causa é completamente ignorada. Enquanto isso, eles põem em risco alguém que passa por uma situação como a minha.

As mulheres que também já estiveram no abismo obscuro da depressão pós-parto sabem o que significa o abandono completo da comunidade médica. A depressão pós-parto está relacionada aos hormônios, mas os médicos só receitam drogas psicotrópicas com vários efeitos colaterais.

Há nove anos, quando a depressão pós-parto e a ansiedade me atingiram com intensidade dez semanas após o nascimento de minha filha, a enfermeira clínica com quem me consultei me disse: “Eu lamento muito. Sei que ninguém fará nada por você.” Fiquei satisfeita com a honestidade dela, mas, numa época em que Deus nos deu acesso a tratamentos para tantas doenças, isso é algo completamente inaceitável. 

Felizmente, os tratamentos hormonais que utilizam Tecnologias Procriadoras Naturais me ajudaram na depressão pós-parto, mas essa área não possui financiamento suficiente para que tenha amplo impacto em nossa cultura. Portanto, os próprios tratamentos são intrinsecamente limitados. Descobri essa realidade há três anos, quando tive de interromper os tratamentos. Ainda há muito a ser feito na área da saúde da mulher, inclusive nas áreas em que há progressos em sintonia com a doutrina da Igreja.

As mulheres merecem mais

Sei que somos chamadas a recorrer ao Cristo crucificado e a buscar a santificação por meio do sofrimento redentor. Também chegou o momento de os católicos começarem a exigir mais da comunidade médica. É uma grande injustiça o fato de que nós, mulheres, fomos enganadas pela mentira de que devemos oprimir nosso corpo para sermos verdadeiras mulheres ou tratarmos doenças ocultas. Por que não exigimos mais da comunidade médica? 

Numa época de fabricantes multimilionários de medicamentos que mudam e salvam vidas, por que a saúde das mulheres fica tão aquém disso? A resposta é: controle de natalidade. Por que buscar respostas, quando médicos podem dar às mulheres uma pílula que age como uma panaceia, e não como um tratamento real? 

Há milhões de mulheres católicas neste país. Temos de parar de acreditar nessas mentiras e recorrer plenamente a Cristo, em primeiro lugar, pois Ele é o único que pode dar as graças necessárias que levarão as mulheres a abandonar o controle de natalidade e a viver verdadeiramente para Ele, e não para o mundo.

O próximo passo é recordar que podemos mudar as coisas se trabalharmos juntos. Muitas vezes, esquecemo-nos de que o número nos dá força, mas não poderemos realizar nenhuma mudança duradoura enquanto aceitarmos a mentira. Da próxima vez que seu médico tentar “tratar” sua doença dizendo simplesmente que a pílula ajudará, não aceite a recomendação. Isso não é tratar o problema, mas ignorá-lo. Exija mais dos médicos, por suas irmãs em Cristo, por suas filhas e por você mesma. As mulheres merecem mais.

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Uma Quaresma contra o orgulho
Espiritualidade

Uma Quaresma contra o orgulho

Uma Quaresma contra o orgulho

Além de ser o mais pesado dos pecados e uma grande pedra de tropeço no caminho da santidade, o orgulho leva à cegueira espiritual e nos impede de permanecer dóceis à ação do Espírito Santo. Aproveitemos esta Quaresma para combater essa obstinação.

Constance T. HullTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere5 de Março de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Sou extremamente obstinada. Não tenho a força de vontade que tinha na juventude, mas ainda é uma batalha contínua. Nosso Senhor, em sua misericórdia, teve de me “quebrar” várias vezes. Pessoas obstinadas são incrivelmente independentes; muitas vezes pensamos poder fazer algo sozinhas, ou já o fazemos nós mesmas. Isso nos torna propensas a pecados profundamente arraigados no orgulho. O orgulho é o pecado mais pesado e a principal pedra de tropeço no caminho da santidade, e é por isso que Cristo, de fato, precisa “quebrar” certas almas, inclusive a minha.

O caminho para a santidade não pode ser conquistado pelo orgulho. Só o alcançamos pela humildade, que está na disposição de colocar a Deus no centro de nossas vidas e a sua vontade acima da nossa. Para pessoas obstinadas, é uma luta, já que muitas vezes queremos fazer “do nosso jeito” ou saber por que Deus nos está pedindo algo antes mesmo de o fazermos. O Espírito Santo não irá operar livremente em nós e através de nós enquanto estivermos procurando estar sob controle e pondo nossa vontade no centro de tudo. Em algum momento, todos temos de dizer, como Nosso Senhor no Jardim de Getsêmani: “Não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres” (Mt 26, 39).

Todos somos fracos. Cada pessoa é capaz de uma escuridão incrível. Parte do que nos leva a julgar os pecados alheios é a crença falsa de que nunca mais cometeremos pecados graves. Esquecemos que, em determinadas circunstâncias, todos somos capazes de cometer pecados terríveis. A ideia de que nunca entraríamos em tal escuridão vem do orgulho e da falsa crença de que estamos no controle de tudo.

Em The School of Jesus Crucified [“A Escola de Jesus Crucificado”], o Frei Inácio do Lado de Jesus afirma:

Quase sempre acontece de os sentimentos interiores de orgulho precederem a prática de pecados graves. Pedro não tinha consciência da própria fraqueza. Preferiu a si mesmo antes dos outros; confiava em si como se fora incapaz de pecar, gabando-se de que nenhuma tentação o separaria de Jesus. Ele nem sequer deu fé à garantia do Divino Mestre de que o iria negar três vezes. Iludido pela vã confiança em suas próprias forças, esqueceu-se de orar e recorrer a Deus; e Deus, em sua justiça, permitiu-lhe cair no castigo de seu orgulho. Não há nada mais perigoso do que confiar na própria força e em sentimentos de fervor! Estamos cheios de malícia e somos capazes de cometer os crimes mais atrozes, a menos que Deus nos ampare.

É verdade que podemos não ser propensos aos mesmos pecados que os outros, mas ainda somos propensos a pecar. Confiar em nossas próprias forças e esquecer nossas fraquezas sempre leva ao pecado do orgulho, o qual nos abre para uma série de outros pecados. O orgulho leva à cegueira espiritual e nos impede de permanecer dóceis à ação do Espírito Santo em nossas vidas.

Por isso é, de fato, misericordioso e justo que Deus nos permita cair por causa dos nossos pecados, especialmente o orgulho. Encontrar-nos com o rosto em terra nos reorienta de volta à Via Crucis e ao caminho da santidade que todos somos chamados a percorrer. Mesmo que tenhamos certeza do caminho que Deus nos está chamando a trilhar, podemos facilmente cair no orgulho ao decidirmos, por nós mesmos, qual a melhor forma de responder ao chamado de Deus. A maneira como percorremos o caminho é tão essencial quanto o próprio caminho. É por isso que, muitas vezes, pessoas com força de vontade precisam cair de novo e de novo. Cada queda funciona como o refinamento e o distanciamento necessários da nossa própria vontade. Cada queda nos leva a uma maior humildade.

A Quaresma é uma oportunidade para pedir a Deus que nos revele onde estamos deixando de colocar a sua vontade acima da nossa. É o momento de entrar na escuridão que habita em nós e permitir que Cristo faça brilhar sua luz reparadora nos lugares em que nos escondemos por medo e vergonha. As práticas quaresmais da oração, do jejum e da esmola nos livram das distrações e do autoengano que frequentemente usamos para fugir de Deus.

“O Homem das Dores nos braços da Virgem”, de Hans Memling.

De muitas maneiras a Quaresma nos deve “quebrar”. Deve ser difícil. Este tempo é um momento de enfrentarmos a nós mesmos e ao maligno, para que possamos dedicar-nos totalmente ao seguimento de Cristo. Aprendi com o passar dos anos que não é fácil se deixar “quebrar”. Na verdade, é doloroso. Com frequência, evitamos esse processo ou buscamos falsificações que nos preservam de enfrentar as dificuldades necessárias ao crescimento em santidade. Entretanto, se realmente desejamos a santidade e a promessa de vida eterna, não há outro caminho.

Temos de morrer para nós mesmos, e isso significa — por meio da ação do Espírito Santo — conhecer a nós mesmos, especialmente nossas fraquezas e falhas de personalidade. No meu caso, ter obstinação é um dom apenas quando está ordenado a Deus; caso contrário, as pessoas obstinadas tendem a “passar por cima” dos que estão à sua volta. Todos somos obstinados às vezes e vemos o rastro destrutivo que isso deixa para trás. Mesmo que o processo de autoconsciência seja doloroso, sabemos que é realizado com o fogo do amor de Deus. Podemos confiar que, se nos submetermos a Ele, a alegria estará à nossa espera do outro lado da escuridão que, neste momento, precisamos atravessar.

Uma das maneiras que encontrei para ter clareza de visão sobre minha pessoa e a batalha espiritual que se desenrola ao meu redor é pedir a orientação de Nossa Senhora das Dores. Como passamos grande parte da Quaresma voltados para a Paixão de Nosso Senhor, agora é momento de entrar no doloroso e Imaculado Coração de Maria, onde podemos encontrar refúgio e verdadeiro conhecimento sobre nós mesmos e tudo o que Deus nos pede. Ela caminha para a escuridão conosco. Como Mãe dolorosa, está conosco no deserto. Ela é a nossa Mãe humilde, que ajudará a nos afastarmos do orgulho e nos submetermos à vontade de Deus e ao seu desígnio para cada um de nós.

Esta Quaresma é uma oportunidade para nos esvaziarmos de nossa própria obstinação e orgulho, para que possamos ser discípulos fiéis de Jesus Cristo. Não será um processo fácil; mas, com a nossa Mãe dolorosa a nos conduzir à união com Deus através da nossa própria escuridão, encontraremos o caminho da alegria e da paz. Assim sairemos desta Quaresma livres dos pecados, fraquezas e falhas de caráter que nos assolam. Nas próximas semanas, Nossa Senhora das Dores nos pode conduzir no caminho da perfeição através do deserto em que nos achamos.

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Sete Salmos contra os pecados capitais
Oração

Sete Salmos
contra os pecados capitais

Sete Salmos contra os pecados capitais

Você sabe o que são os Salmos penitenciais? Rezando os cânticos de Davi ao longo dos séculos, a Igreja identificou sete em especial para aumentar em nós o arrependimento dos pecados e o espírito de luta contra as más inclinações de nossa carne.

Wilhelm NakatenusTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere5 de Março de 2021Tempo de leitura: 6 minutos
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Já faz muito tempo que os Salmos 6, 31, 37, 50, 101, 129 e 142 são associados a devoções penitenciais. Ninguém menos que Santo Agostinho os teria recitado em seu leito de morte. Mas eles também são recomendados no combate aos sete pecados capitais — soberba, avareza, ira, luxúria, gula, inveja e preguiça —, sendo cada um desses vícios associado a um salmo em particular. 

As fórmulas de oração abaixo foram retiradas da obra Coeleste Palmetum, do Pe. Wilhelm Nakatenus (1617-1682); sua versão latina encontra-se à disposição no site Preces Latinae; e a tradução portuguesa a seguir é de nossa equipe. 

Por tratar-se de uma devoção privada, essas orações podem ser rezadas da forma como cada fiel achar mais conveniente: quem percebe em si uma inclinação maior a determinado pecado capital, por exemplo, pode rezar apenas o salmo e a oração correspondentes a ele; quem deseja incorporar essa prática às suas orações vocais habituais, pode rezá-la por completo etc.


Antífona. — Não recordeis, Senhor, os nossos delitos, ou os de nossos pais, nem tomeis vingança de nossos pecados.

1) Reza-se o Salmo 6. Ao final, diz-se um Glória e a seguinte oração contra a soberba. — “Nosso Senhor Jesus Cristo humilhou-se a si mesmo, feito obediente até a morte, e morte de cruz. E eu, vilíssimo verme da terra, eu que sou pó e cinza, o maior dos pecadores, que mil vezes mereci o inferno, não me envergonho de ser orgulhoso? Sede-me propício, Senhor: reconheço e detesto minha execrável arrogância. Não me lanceis, eu imploro, com o soberbo Lúcifer e seus asseclas no abismo do inferno. Convertei-vos e livrai minha alma, ajudai-me e salvai-me por vossa misericórdia! Preferi doravante viver rejeitado na casa de Deus a morar nas tendas dos pecadores (cf. Sl 83, 11)”.

2) Reza-se o Salmo 31(32). Ao final, diz-se um Glória e a seguinte oração contra a avareza. — “Que há para mim no céu e que desejei de vós sobre a terra, Deus de meu coração e minha herança para sempre? Não se sacia o olho com o que vê, nem basta ao ouvido o que ouve: serei saciado quando aparecer a vossa glória! Ai de mim, que com tanto esforço tenho servido até agora a Mamon! De que me aproveitará lucrar o mundo inteiro, se vier a perder minha alma? Dormiram o seu sono todos os opulentos, e nada encontraram em suas mãos. Confessarei contra mim a minha injustiça ao Senhor, e vós perdoareis, espero, a impiedade de meu pecado. Do pobre doravante terei compaixão, hei de restituir o que devo e me consagrarei mais ferventemente ao vosso serviço. Ajudai-me, Senhor, vós que cumulais de benefícios a minha vida (cf. Sl 102, 5)”.

3) Reza-se o Salmo 37(38). Ao final, diz-se um Glória e a seguinte oração contra a ira. — “‘Um homem guarda rancor contra outro homem, e pede a Deus a sua cura! Não tem misericórdia para com o seu semelhante, e roga o perdão dos seus pecados! Quem, então, lhe conseguirá o perdão de seus pecados?’ (Ecle 28, 3ss). Com estas palavras, Senhor, me falais pelo servo, vosso filho, Sirac. E eu, de agora em diante, acaso ousarei alimentar ira ou ódio contra alguém? Perdoai-me, Senhor, perdoai-me minha malícia e obstinação, na qual perseverei até hoje. De coração, desculpo e perdoo agora o que quer que contra mim já tenham feito; e rogo suplicante, Senhor, que em vossa cólera não me repreendais nem em vosso furor me castigueis. Oxalá, como um surdo, doravante não ouça e, como um mudo, não abra mais a boca, quando meus inimigos contra mim se levantarem e me fizerem violência os que perseguem minha alma. Não me abandoneis, Senhor Deus meu, não vos aparteis de mim, ‘porque vós sois a minha esperança’ (Sl 70, 5)”.

4) Reza-se o Salmo 50(51). Ao final, diz-se um Glória e a seguinte oração contra a luxúria. — Pai, pequei contra o céu e contra vós, por isso não sou digno de ser chamado vosso filho. Que farei eu, miserável? Não permanecerá o vosso Espírito num homem carnal. Ah! tende piedade de mim, tende piedade. À vossa bondade atribuo que não me conte entre os tantos milhares de réprobos a quem a abominável peste da luxúria ainda hoje precipita no inferno. Irei eu pecar novamente? Hei de conculcar outra vez, por amor a desejos bestiais, o vosso preciosíssimo Sangue, ó Jesus, derramado em purificação de meus crimes? Longe de mim, ó Jesus, longe de mim! Peço-vos, ó Filho da castíssima Virgem Maria: livrai-me do espírito de fornicação. Lavai-me totalmente de minha falta, e purificai-me de meu pecado. De vossa face não me rejeiteis nem me priveis de vosso Santo Espírito”.

5) Reza-se o Salmo 101(102). Ao final, diz-se um Glória e a seguinte oração contra a gula. — “Ai de mim, miserável, que vos abandonei a vós, Senhor Deus, fonte de água viva, e abri para mim cisternas de prazeres terrenos, cisternas rachadas que não podem reter água (cf. Jr 2, 13)! Em verdade, esqueci-me de comer meu pão, o pão da vida, que contém em si todo o deleite e a suavidade de todo sabor, e busquei encher o ventre com bolotas de porcos (cf. Lc 15, 16). Ainda tinham comida em suas bocas os filhos de Israel quando a ira de Deus caiu sobre eles: e a mim tantas vezes me perdoastes, que pela intemperança da comida e da bebida desfigurei em mim vossa imagem, ó Deus, fazendo-me semelhante às bestas! Oxalá de agora em diante eu coma cinzas como se fossem pão e misture lágrimas à minha bebida; que o meu alimento seja fazer em tudo a vossa vontade, vós, que nos ‘dais de beber das torrentes de vossas delícias’ (Sl 35, 9)”.

6) Reza-se o Salmo 129(130). Ao final, diz-se um Glória e a seguinte oração contra a inveja. — “De tal modo, meu Deus, amastes o mundo, que destes o vosso Filho unigênito, para que todo o que crê em vós não pereça, mas tenha a vida eterna. Vós fazeis o Sol nascer sobre bons e maus e cair a chuva sobre justos e injustos. E eu, enquanto a fortuna toca a outros, rasgo-me de inveja e desejo que tudo suceda segundo a minha vontade, mas entristeço-me com a mínima felicidade do próximo? Oh, malícia desumana! Oh, vírus infernal! Perdoai-me, clementíssimo Pai, que eu até hoje tenha pecado nisso. Benigna é a vossa misericórdia. Fazei, a partir deste momento, que eu vista, como um eleito de Deus, vísceras de misericórdia e benignidade e, acima de tudo, que eu busque ter caridade, que é o vínculo da perfeição (cf. Col 3, 14)”.

7) Reza-se o Salmo 142(143). Ao final, diz-se um Glória, a Antífona do início e, por fim, a seguinte oração contra a acídia. — “Quando, meu Deus, começarei, como é justo, a amar-vos e louvar-vos de todo o meu coração, com toda a minha alma e com todas as minhas forças, a vós que com caridade perpétua me amastes e me desposastes para sempre? Ai! Dormitou minha alma por tédio. Ai de mim, porque tenho sido até agora tão tíbio no vosso serviço, que com justiça posso temer que comeceis a vomitar-me de vossa boca (cf. Ap 3, 16). Mas tende piedade, Senhor: ‘Não entreis em juízo com o vosso servo, porque ninguém que viva é justo diante de vós. Estendo para vós os braços: minha alma, como terra árida, tem sede de vós. Apressai-vos em me atender, Senhor, pois estou a ponto de desfalecer’; o vosso bom Espírito, porém, me conduzirá pelo caminho reto. ‘Por amor de vosso nome, Senhor, conservai-me a vida’ (Sl 142, 11)”.

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