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A Santa Missa e as quatro lições mais importantes de nossa infância
Espiritualidade

A Santa Missa e as quatro lições
mais importantes de nossa infância

A Santa Missa e as quatro lições mais importantes de nossa infância

Poder dizer a Deus “perdão”, “eu te amo”, “por favor” e “obrigado”, na Santa Missa, não é só um privilégio único para uma simples criatura. É um ato constantemente transformador.

Michael P. Foley,  Catholic CultureTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere19 de Novembro de 2018
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Uma das questões do velho Catecismo de São Pio X era: “Para que fins se oferece o Santo Sacrifício da Missa?” A resposta era dada em quatro partes:

  1. “para honrar a Deus como convém, e sob este ponto de vista o sacrifício é latrêutico;
  2. para lhe dar graças pelos seus benefícios, e sob este ponto de vista o sacrifício é eucarístico;
  3. para aplacá-lo, dar-lhe a devida satisfação pelos nossos pecados, para sufragar as almas do Purgatório, e sob este ponto de vista o sacrifício é propiciatório;
  4. para alcançar todas as graças que nos são necessárias, e sob este ponto de vista o sacrifício é impetratório” (n. 657).

Adoração, ação de graças, petição e satisfação: a menção desses quatro fins está presente em muitos missais antigos e é ainda uma lição corriqueira de qualquer catequese tradicional sobre a Missa. O que geralmente se deixa de lado, no entanto, é a relação que guardam esses fins com nossas próprias vidas concretas como seres humanos. Como exatamente essas quatro coisas se relacionam com o nosso bem-estar psicológico, emocional e espiritual?

Uma forma de tratar esta questão é ter em mente as quatro coisas mais importantes que nós aprendemos a dizer quando somos crianças: “eu te amo”, “obrigado”, “por favor” e “desculpe-me”. Essas quatro simples expressões não só são capazes de colocar tanto jovens quanto adultos no caminho da felicidade humana; elas também proporcionam uma útil analogia para o que acontece em cada Sacrifício da Missa.

Lições para a vida

A tragédia da linguagem após o Éden é que um veículo originalmente projetado para denominar corretamente a realidade (como vemos em Adão com os animais) tornou-se mais frequentemente um meio de a manipular ou obscurecer. Dizer “eu te amo”, “obrigado”, “por favor” e “desculpe-me” pode ser um ato de tremenda dissimulação e até exploração, mas me parece evidente que, quando um bom pai passa tais palavras a seu filho, não é para equipá-lo com ferramentas de manipulação.

Por mais que falemos da importância de ensinar nosso filhos a “dizer” por favor e obrigado, nossa meta final é fazê-los dizer essas coisas e realmente senti-las. Quando uma mãe faz o seu filho se desculpar com a própria irmã por puxar-lhe o cabelo, ela normalmente não fica satisfeita com um “desculpe-me” frio e um olhar desafiador e obstinado. Obviamente, seu objetivo é fazer o menino entender que o que ele fez é errado, a fim de que ele possa sentir um arrependimento verdadeiro do que fez e procurar corrigir a injustiça, não simplesmente pronunciar uma sequência específica de sons verbais. A mesma coisa vale para as três outras coisas que instruímos nossos filhos a “dizer”.

Implícito, portanto, no objetivo de educar crianças que digam “eu te amo”, “obrigado”, “por favor” e “desculpe-me” está algo maior do que um hábito trivial de boas maneiras, ou uma conformidade e submissão sem sentido a convenções sociais. De alguma forma, a ideia é transformar uma jovem mente no tipo de pessoa que seja amoroso, agradecido, deferente e, quando necessário, contritamente determinado a fazer reparos. Talvez porque essas qualidades não sejam apenas escolhas dignas em si mesmas, mas também conduzam à aquisição de outras virtudes.

Alguém que sabe a importância do arrependimento, por exemplo, também sabe a importância de perdoar (o que não é pouca coisa); e alguém verdadeiramente agradecido mais facilmente se inclina a ser generoso para com os outros. Certamente, uma das razões pelas quais tanto crentes quanto não crentes acham o servo impiedoso da parábola (cf. Mt 18, 23-34) tão repreensível é o fato de ele violar tão grosseiramente ambos esses princípios do senso comum.

Por trás dessas expressões simples, portanto, reside uma antropologia moral saudável, um esboço amplo do que seja viver bem. Idealmente falando,

  • uma pessoa capaz de dizer “eu te amo” com sinceridade é capaz de compromisso, devoção e autossacrifício;
  • uma pessoa capaz de dizer “obrigado” com sinceridade reconhece, como veremos, o dom imerecido da própria existência e o seu débito para com um mundo mais amplo que ela não criou;
  • uma pessoa capaz de dizer “por favor” com sinceridade confessa sua dependência de uma realidade fora de si mesma e rejeita o princípio de que “a verdade é relativa”, transcendendo o egoísmo debilitante que faria dela, na expressão de Walter Scott, um vil “desgraçado, concentrado todo em si mesmo”; e, finalmente,
  • uma pessoa capaz de dizer com sinceridade “desculpe-me” (ou “perdão”, para ofensas maiores) está fazendo o difícil mas crucial ingresso no mundo do autoconhecimento, sem desculpas nem disfarces, apresentando a coragem de reconhecer as próprias faltas e a resolução de corrigi-las.

Ao contrário, uma pessoa que não tenha sido educada nesses quatro ditos e nas disposições por trás deles, foi gravemente injustiçada, porque não foi estimulada ou a superar o próprio egoísmo ou, o que acaba sendo a mesma coisa, a entender a realidade da condição humana.

Os quatro fins da Missa

Curiosamente, esse caminho quadriforme guarda uma semelhança formidável com a teologia tradicional da Santa Missa. Sendo mais específico, dizer “eu te amo” em casa é análogo ao ato de adoração que acontece na Missa, “obrigado” à ação de graças, “por favor” à petição, e “desculpe-me” à satisfação.

Quando Nosso Senhor se ofereceu na cruz como um sacrifício vivo, aquele sacrifício incluía um ato infinito de adoração a seu Pai, de ação de graças a Ele, de petição ou de impetração por nossa causa, e de satisfação (ou propiciação, expiação) pelos pecados da humanidade. Esses quatro componentes, por sua vez, são representados por Cristo através da ação do sacerdote em cada Missa. E nós, os fiéis, assistimos à Missa para tomar parte e ser enriquecidos por esses fins.

Nossos próprios atos de devoção não são, é claro, idênticos aos de Nosso Senhor. A expiação de Cristo, por exemplo, não incluía “desculpe-me” da mesma forma que a nossa, porquanto Ele não tinha nada por que ser perdoado. Mas nossa frágil tentativa de compensar os próprios fracassos em um ato de expiação torna-se eficaz pela liberalidade infinita de nosso Deus crucificado e ressuscitado, sendo profunda, portanto, a diferença entre os dois atos.

As quatro perturbações do espírito

Uma razão pela qual essa analogia é significativa, portanto, é o fato de ela indicar que o sacrifício da cruz — e por extensão o do altar — contribui poderosamente para a perfeição sobrenatural de nosso potencial natural para o bem, assim como para a restauração de nossa natureza após a Queda.

Para demonstrá-lo, só precisamos considerar o substrato emocional básico do ser humano, à luz das quatro perturbationes da alma: alegria, desejo, medo e tristeza. Essa útil classificação foi empregada por Cícero (cf. De finibus bonorum et malorum, 3, 10; Tusculanae Disputationes, 4, 6), o qual tomou-a emprestada dos estoicos, e depois seria usada por pensadores cristãos como Santo Agostinho (cf. Confissões, X, 14, 22).

As quatro emoções a que Cícero faz referência guardam uma interessante relação com as quatro expressões que discutimos e com as quatro finalidades da Missa — não que elas se encaixem perfeitamente uma na outra da mesma forma, mas bons atos de adoração, ação de graças, petição e restituição contrita levam à perfeição nossos instintos mais básicos de alegria, desejo, medo e tristeza.

Desejo

No plano natural, por exemplo, o puro desejo pessoal é humanizado e sublimado pelo ato simples e sincero de dizer “por favor”. Ao invés de arrebatar o que queremos, nós reconhecemos um limite de propriedade e humildemente pedimos que esse limite seja redesenhado, com o que trocamos a brutalidade da coerção pela gentileza da cortesia. A súplica consiste, portanto, em uma sublimação do desejo, não no sentido corrompido de Freud de suprimir a libido, mas no sentido genuíno de tornar o desejo sublime ou elevado.

É esse sentido de sublimidade que encontra sua mais alta expressão na Missa, onde o desejo pessoal é aperfeiçoado sobrenaturalmente no pedido altruísta que aí fazemos não apenas por nós mesmos, mas por todos os homens. Quão longe isso está do materialismo da “oração de Jabes” na moda (cf. 1Cr 4, 10), em que cristãos são encorajados a rezar pelas ninharias desta vida como se não trouxessem dentro de si nenhum desejo de eternidade. A Missa, ao contrário, existe seja para expandir e reordenar nossos desejos a fim de que bens maiores tenham prioridade sobre bens menores, por um lado, seja para transcender também a eles, por outro.

Isso fica particularmente claro nas orações da coleta do Missal tridentino para os Domingos depois de Pentecostes, o período do ano litúrgico correspondente ao tempo da Igreja. As coletas refletem um foco recorrente em reorientar e aumentar o desejo dos fiéis. Além de pedir que sejam atendidos nossos pedidos, por exemplo, as orações pedem por uma mudança no que queremos:

  • Fac nos amare quod praecipis, “fazei-nos amar os preceitos da vossa lei” (13.º Domingo);
  • Insere pectoribus nostris amorem tui nominis, “infundi no nosso coração o amor do vosso nome” (6.º Domingo);
  • Fac eos, quae tibi sunt placita, postulare, “fazei que vos peçam [aqueles que vos invocam] o que vos apraz” (9.º Domingo), etc.

E, uma vez que nossos desejos tenham se convertido ou se voltado para esses bens maiores, a Igreja vai além e declara que Deus superará até mesmo esses bens e nos dará, como é dito na coleta do 11.º Domingo, quod oratio non praesumit, “o que não ousamos esperar da pobreza das nossas orações”.

Toda essa teologia do desejo, da impetração e da transcendência talvez em nenhum outro lugar esteja mais bela e sucintamente expressa do que na coleta para o 5.º Domingo depois de Pentecostes:

Ó Deus, que preparastes para os que vos amam bens invisíveis, infundi nos nossos corações o fogo do vosso amor, e fazei que, amando-vos em todas e sobre todas as coisas, alcancemos o efeito das vossas promessas, que superam toda a nossa esperança.

Seria necessário um ensaio adicional para desvelar os diferentes pressupostos dessa coleta no que diz respeito ao télos da mente humana e a sua relação com a ordem criada e o seu Criador. Basta-nos dizer que o “por favor” do desejo humano está sendo transposto aqui para um nível completamente novo.

Medo e tristeza

Medo e tristeza, por outro lado, são ambos responsáveis pelo ato de pedir desculpas e fazer reparações, mas só se esses atos forem genuínos. Um pedido imperfeito de desculpas tem como motivo único o medo: “Estou pedindo desculpas a você não porque eu esteja verdadeiramente arrependido do que fiz, mas porque tenho medo do que você fará a mim caso eu não lhe peça desculpas”. O pedido perfeito de desculpas, ao contrário, traz consigo o sentimento de tristeza: “Eu vejo que te machuquei de alguma forma e fiquei realmente entristecido com isso”.

Um pedido de desculpas perfeito, no entanto, também envolve o medo, não o medo da represália, como no caso anterior, mas o medo de ser afastado da pessoa amada. Santo Tomás distingue dois tipos de temores:

  • o servil, como o de um escravo que tem medo de ser punido por seu senhor; e
  • o nobre ou filial (cf. Suma Teológica, II-II, q. 19; também I-II, q. 67, a. 4, ad 2; II-II, q. 7, a. 1), como o de um marido que teme fazer algo a sua esposa pelo medo de ela perder o respeito que tem para com ele, não pelo medo de que ela venha a agredi-lo pelo que ele fez.

Ainda que o temor servil tenha sua importância nesta vida (sendo inclusive suficiente para fazer um ato de contrição, mesmo imperfeito), ele é obviamente inferior ao temor filial, motivado mais por amor do que por mera autopreservação.

Assim se dá com a propiciação no culto divino, que pressupõe uma tristeza pelas injustiças que cometemos e um medo de ofender o Deus a quem amamos e que tanto fez por nossa causa.

Sim, o temor envolvido pode muitas vezes ser apenas o de ir para o inferno, aquele pressentimento de que, se eu dormir no domingo ao invés de ir à Missa estarei cometendo um pecado mortal; e esse medo, por mais ignóbil que pareça, pode me levar à Missa e até abrir-me às graças que podem ser obtidas ali. Mas, como Santo Agostinho observou ironicamente uma vez, “as pessoas que têm medo de pecar por causa do inferno têm medo não do pecado, mas do fogo”. Assim como o homem emocionalmente maduro é motivado pelo medo nobre mais do que pelo servil, também o homem espiritualmente maduro teme mais o poder destruidor intrínseco ao pecado e o efeito que este tem na amizade com o seu Criador do que o julgamento extrínseco que o espera ao final desta vida.

Alegria

Finalmente, o sentimento de alegria acompanha os atos sinceros de dizer “eu te amo” e “obrigado”. De fato, o amor nem sempre vem acompanhado de uma alegria eufórica; muitas vezes, os compromissos do amor trazem consigo tristeza e sofrimento. Entretanto, mesmo que pareça estranho, até a dor do amor é melhor do que a falta dele (assumindo que estejamos falando de um amor bem ordenado, não do de concupiscência) e é só através do amor que a verdadeira alegria pode ser experimentada.

A mesma coisa vale para a gratidão, ainda que não nos seja mais tão fácil reconhecê-lo como antes. Para pensadores como Immanuel Kant, ter de dizer “obrigado” é uma ocasião mais de tristeza que de alegria, porque, em sua avaliação, gratidão envolve dívida, e esta é uma ameaça à autonomia pessoal, o fundamento da filosofia kantiana e da democracia liberal moderna.

Tal visão legalista ignora, no entanto, o efeito libertador que os laços humanos têm sobre o indivíduo. Para os antigos, a resposta apropriada ao difícil trabalho de interdependência humana era a pietas, aquela nobre devoção à própria família, à própria terra e, em última medida, ao próprio Deus. Esse era um “débito” que as pessoas eram felizes em ter, pois residia em uma abundância de bens que elas tinham consciência de ter recebido imerecidamente. O ato de lembrar esses benefícios, por sua vez, era uma fonte de feliz gratidão. Nas palavras de Sêneca, “o homem mais ingrato de todos é o que esqueceu um benefício… não é possível que um homem se torne agradecido se veio a perder por completo a memória” (De beneficiis, 3, 1).

A gratidão, portanto, não é apenas um importante componente do caráter moral de alguém; trata-se de um sintoma de conformação à realidade, isto é, a habilidade de lembrar devidamente os reais benefícios que alguém recebeu de benfeitores reais, e de reagir a essas verdades da forma apropriada.

E, seria desnecessário dizer, tudo isso aponta de maneira especial para a ação de graças que prestamos a Deus na Missa, esse ato supremo de anamnesis instituído pelo próprio Senhor, de lembrar e então representar o maior bem já recebido pela humanidade na história. Não sem razão o Aquinate vê a gratidão como uma virtude enraizada no amor, um amor que propositalmente não deve ter limites (cf. Suma Teológica, II-II, q. 106, a. 6, ad 2). Quão belo e apropriado, enfim, as últimas palavras da Missa, tanto no antigo quanto no novo rito, serem simplesmente: “Graças a Deus”!

Conclusão

Nossa comparação entre as quatro finalidades da Missa e as quatro grandes coisas que aprendemos na infância dá-nos ensejo a uma última ideia sobre a importância do sacrifício eucarístico. Pensar na “assistência” à Missa como um fardo legalista imposto a nós pela Igreja é tão empobrecedor quanto pensar em boas maneiras como meros caprichos e apêndices do pátrio poder.

Ainda que de modo algum sejam o suficiente, as boas maneiras são um instrumental orientando-nos para a ordem criada e, quando são incorporados da maneira correta, eles nos ajudam a atingir nosso pleno potencial como seres humanos. De modo similar, a adoração, a ação de graças, os pedidos e a satisfação que nós realizamos na Missa orientam-nos para o Criador de nossa natureza, fazendo-nos desenvolver não apenas nossas potências naturais, mas nossa capacidade de participar na natureza do próprio Deus.

Ser capaz de dizer “perdão”, “eu te amo”, “por favor” e “obrigado” a nosso Pai celeste, por meio de seu Filho e sob o auxílio de seu Espírito, não é só um privilégio único para uma simples criatura; é um ato constantemente transformador. E por esse dom só o que nos resta é dizer: Deo gratias.

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Uma ladainha pelas almas do Purgatório
Espiritualidade

Uma ladainha pelas almas do Purgatório

Uma ladainha pelas almas do Purgatório

Peçamos nesta ladainha a intercessão de todos os santos em favor das almas do Purgatório, a fim de que, pelos merecimentos de Jesus Cristo, sejam libertas de seus sofrimentos e admitidas sem demora na vida eterna.

Fátima19 de Novembro de 2018
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Esta ladainha é uma das orações que a piedade dos fiéis suscitou em favor das almas que sofrem no Purgatório. Aproveitando este mês de novembro, particularmente dedicado aos Novíssimos, oferecemo-la a nossos leitores como uma possibilidade a mais para sufragarmos essas benditas almas.

A oração foi retirada de um site em honra à Virgem de Fátima e levemente adaptada para esta publicação.


Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Deus, Pai dos Céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Santa Maria, rogai pelas almas do Purgatório.
Santa Mãe de Deus, rogai pelas almas do Purgatório.
Santa Virgem das Virgens, rogai pelas almas do Purgatório.
São Miguel, rogai pelas almas do Purgatório.
Todos os Anjos e Arcanjos, rogai pelas almas do Purgatório.
Todos os coros dos espíritos bem-aventurados, rogai pelas almas do Purgatório.
Todos os Santos Patriarcas e Profetas, rogai pelas almas do Purgatório.
São João Batista, rogai pelas almas do Purgatório.
São José, rogai pelas almas do Purgatório.
São Pedro, rogai pelas almas do Purgatório.
São João, rogai pelas almas do Purgatório.
Todos os Santos Apóstolos e Evangelistas, rogai pelas almas do Purgatório.
Santo Estevão, rogai pelas almas do Purgatório.
São Lourenço, rogai pelas almas do Purgatório.
Todos os Santos Mártires, rogai pelas almas do Purgatório.
São Gregório, rogai pelas almas do Purgatório.
Santo Ambrósio, rogai pelas almas do Purgatório.
Santo Agostinho, rogai pelas almas do Purgatório.
São Jerônimo, rogai pelas almas do Purgatório.
Todos os Santos Pontífices e Confessores, rogai pelas almas do Purgatório.
Todos os Santos Doutores, rogai pelas almas do Purgatório.
Todos os Santos Sacerdotes e Levitas, rogai pelas almas do Purgatório.
Todos os Santos Monges e Eremitas, rogai pelas almas do Purgatório.
Santa Maria Madalena, rogai pelas almas do Purgatório.
Santa Catarina, rogai pelas almas do Purgatório.
Santa Bárbara, rogai pelas almas do Purgatório.

De vossa cólera, livrai-as, Senhor.
Da severidade de vossa justiça, livrai-as, Senhor.
Do verme roedor da consciência, livrai-as, Senhor.
Das trevas espantosas, livrai-as, Senhor.
Das lágrimas e gemidos, livrai-as, Senhor.
Por vossa Encarnação, livrai-as, Senhor.
Por vossa Santa Natividade, livrai-as, Senhor.
Por vosso Nome dulcíssimo, livrai-as, Senhor.
Por vosso Batismo e Santo Jejum, livrai-as, Senhor.
Por vossa profunda humildade, livrai-as, Senhor.
Por vossa grande obediência, livrai-as, Senhor.
Por vosso infinito amor, livrai-as, Senhor.
Por vossas angústias e sofrimentos, livrai-as, Senhor.
Por vossa transpiração de sangue, livrai-as, Senhor.
Por vossa Coroa de espinhos, livrai-as, Senhor.
Por vossas Santas Chagas, livrai-as, Senhor.
Por vossa Cruz e vossa Paixão, livrai-as, Senhor.
Por vossa morte ignominiosa, livrai-as, Senhor.
Por vossa Santa Ressurreição, livrai-as, Senhor.
Por vossa admirável Ascensão, livrai-as, Senhor.
Pela vinda do Espírito Santo consolador, livrai-as, Senhor.

Ainda que pecadores, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Vós, que perdoastes a pecadora e ouvistes o bom ladrão, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Vós, que salvais por vossa graça, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis libertar nossos parentes, amigos e benfeitores das chamas expiadoras, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis libertar todos os fiéis defuntos de seus sofrimentos, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis ter piedade daqueles que não têm neste mundo particulares intercessores, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis perdoar a todos e libertá-los de suas penas, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis atender os seus desejos, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis admiti-los no Céu com os vossos eleitos, nós vos rogamos, ouvi-nos.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, dai-lhes o descanso eterno (3x).

V. Ele constituiu-o senhor de sua casa.
R. E fê-lo príncipe de todos os seus bens.

Oremos:
Ó Deus, Criador e Redentor do mundo, perdoai os pecados de vossos servos e servas que a negligência dos homens esquece no Purgatório. Possam as nossas satisfações obter para eles a libertação que tanto anseiam! Senhor, que com pesar nos castigais e nos ordenastes rezar por aqueles que amais, dignai-vos abrir o Céu para as almas que partiram deste mundo e concedei-lhes a posse do repouso e da felicidade eternas. Isto vos suplicamos pela intercessão de vossa Santa Mãe e de todos os Santos. Assim seja.

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Os úteros das mulheres e as togas dos magistrados
Pró-Vida

Os úteros das mulheres
e as togas dos magistrados

Os úteros das mulheres e as togas dos magistrados

A partir do momento em que o ventre materno passa a abrigar uma nova vida humana, o útero deixa de ser um assunto privado para ser de interesse de toda a sociedade.

Equipe Christo Nihil Praeponere15 de Novembro de 2018
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“A mulher não é um útero a serviço da sociedade”. Foi com uma frase rasteira dessas que um conhecido ministro do Supremo Tribunal Federal voltou a defender esta semana um suposto “direito” das mulheres a abortar os próprios filhos.

Ora, que a mulher não seja o próprio útero é algo tão óbvio quanto ela não ser o seu esôfago, o seu coração ou o seu cérebro. A parte não é o todo, sim; mas “o todo sem a parte não é todo” também. Cada órgão exerce a sua função e tem a sua importância no corpo humano. Se o esôfago ajuda na alimentação, o coração bombeia sangue para todo o corpo e o cérebro comanda todas as atividades do organismo, o útero, por sua vez, abriga novas vidas. A diferença é que o esôfago, o cérebro e o coração são comuns a todo ser humano, ao passo que o útero — e com ele a maternidade — é privilégio das mulheres, e de ninguém mais.

Mas o que a humanidade deveria ver — e durante muito tempo realmente viu — como um privilégio é visto por esse ministro como um fardo. Por isso, não espanta que ele defenda justamente o oposto da maternidade: ao invés de dar a vida, as mulheres deveriam ter o direito de “dar a morte” a seus filhos; ao invés de dá-los à luz, seria a hora de dá-los “às trevas”, por assim dizer.

Dito neste termo, o argumento soa estranho, para não dizer maluco. Mas é a única forma de descrever o aborto como ele realmente é. Não se trata apenas de um debate sobre o útero feminino, sobre uma pars viscerum matris, isto é, sobre uma “extensão” do corpo da mulher. Estão em jogo aqui os direitos fundamentais de outra pessoa, e é o próprio ministro defensor do aborto que admite o fato em seu discurso. A partir do momento em que o ventre materno passa a abrigar uma nova vida humana, o útero deixa de ser um assunto privado para ser de interesse de toda a sociedade.

Não sem razão o aborto consta na seção de crimes contra a vida do Código Penal, ao lado do homicídio, do infanticídio e do auxílio ao suicídio. (Todos os termos com o radical “cídio”, do verbo latino occido, querem dizer “matar”.) Não sem razão a nossa Constituição Federal, da qual os ministros do STF deveriam ser “guardiões” (cf. art. 102, caput), diz com todas as letras que é inviolável o direito à vida (cf. art. 5.º, caput). Ora, se uma simples lesão corporal, aos olhos do Direito, merece ser punida por representar uma agressão não só contra um indivíduo, mas contra a sociedade em geral, quanto mais um ato como o aborto, que dá fim nada menos do que à vida de outrem!

Mas se as leis humanas reconhecem que ninguém pode matar, por que falar, então, de um “direito ao aborto”? Se o próprio ministro em questão reconhece que há um “conflito de direitos” envolvido aqui, como entender que ele não defenda o valor fundamental de todo o ordenamento jurídico e lhe sobreponha, ao invés, um suposto direito à “autonomia individual da mulher”, que nem na Constituição está escrito? Desde quando a “autonomia” de uma pessoa pode trucidar (literalmente, neste caso) a vida de outra? Se a liberdade de uma mulher é um valor superior à vida do nascituro, o que impede outra mãe de matar seu filho recém-nascido, ou mesmo qualquer um de matar, e sair impune por isso?

A resposta é simples. O aborto é um direito porque o ministro assim o quer (e, poderíamos acrescentar, “depois da investidura, ele não deve satisfação a mais ninguém”). Ponto e acabou: é o império do voluntarismo de toga. Para adaptar-se às ideias de um juiz, à sua visão de Direito, à utopia feminista que ele mesmo criou, todos os entraves no caminho se transformam, por um passe de mágica, em instrumentos a seu dispor. A Constituição não fala de direito fundamental à autonomia da mulher? Extraiamo-lo, pois, de uma interpretação livre do texto constitucional. O Código Civil fala de direitos do nascituro? Submetamo-los a outro direito, que nós mesmos inventamos, sob o pretexto de aplicar um malfadado princípio de “proporcionalidade”. O Código Penal criminaliza o aborto? Não pode ser, é inconstitucional! A interpretação que eu mesmo fiz da Constituição prova que o aborto tem de ser descriminado…

Rumo a essa ideia, que só existe na cabeça de um magistrado que se crê acima de tudo e de todos, caminha à força uma nação inteira. O juiz que é contra os úteros “a serviço da sociedade” usa uma toga a serviço de sua própria causa ideológica… e ninguém tem nada com isso.

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“Juntando os caquinhos da mãe que o mundo havia destruído em mim”
Testemunhos

“Juntando os caquinhos da mãe
que o mundo havia destruído em mim”

“Juntando os caquinhos da mãe que o mundo havia destruído em mim”

“Mentiram para mim. Matrimônio não é prisão, filhos não são um peso, são o encontro com a vontade de Deus, com a vocação para a qual ele nos chamou.”

Equipe Christo Nihil Praeponere13 de Novembro de 2018
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Gostaria muito de agradecer por cada sim dado a esse projeto que se transforma em canal da graça para transformar muitas vidas. Como um simples obrigado não é suficiente para agradecer por tantas bênçãos, gostaria de ofertar um pouco da minha história.

Meu nome é Nadja, tenho 32 anos e, como a maioria das mulheres da minha geração, fui educada, pelas circunstâncias e por nossa cultura, para valorizar a vida profissional. Minha mãe assumiu o papel de chefe da família e se tornou meu grande exemplo de mulher forte e guerreira. Cresci sonhando em ser independente, ao ponto de querer aprender sobre mecânica e consertos para não precisar de ninguém. Aos 12 anos, tinha minha vida acadêmica planejada e era disciplinada para alcançá-la. Minha intenção não era ruim. Almejava conhecimento para ter valor como pessoa, melhorar a vida dos meus pais e transformar o mundo em um lugar melhor. Casamento e filhos nunca foram parte dos planos.

Aos 16 anos, a curiosidade sobre um assunto de escola (assim acreditei na época) — o povo judeu — conduziu-me a um livro e um personagem que transformariam minha própria história. Na Bíblia, deparei-me com o que para mim era um personagem incrível: Jesus de Nazaré. Não sabia explicar o porquê, mas, naquela figura, encontrei tudo o que queria ser.

Certo dia, em meio às confusões de sentimentos com que a morte do meu pai me obrigou a entrar em contato, percebi que meus relacionamentos e sonhos, por melhores que fossem, não preenchiam a solidão, o vazio e a falta de sentido de vida que havia em mim. Pedi a Deus para me mostrar que Ele era mais que um personagem, que Ele podia transformar minha vida, como fez naquelas histórias. Mesmo sem que eu merecesse, assim Ele fez. Vivi, naqueles dias, uma grande experiência do amor de Deus. Jesus se tornou uma pessoa, um amigo, meu mestre, meu amor. Os dons guardados passaram a todo momento a apontar o grande amor de Deus por mim. Não havia mais vazio, nem solidão. Minha vida ganhou sentido.

Sonhava agora colocar meu conhecimento a serviço de Deus, mas do meu jeito. A família passou a ser uma possibilidade, mas só depois da minha pós-graduação, afinal, não havia contradição alguma em ser uma mulher cristã independente. Entretanto, a aprovação no tão sonhado curso de medicina não trouxe a realização que eu esperava; na verdade, foram anos de grandes batalhas interiores.

O desejo de ter uma família crescia, apaixonei-me pelo tema, li muito. As pessoas se tornaram mais importantes que os estudos e minha grande realização encontrei como catequista.

No tempo certo, conheci o homem que hoje é meu esposo. De cara, minha independência trouxe grandes dificuldades ao nosso relacionamento. Eu não sabia partilhar meus sentimentos, queria continuar resolvendo tudo sozinha, não sabia cuidar e tinha muita resistência em ser cuidada. Não fazia a mínima ideia do que era ceder e submeter-se; mesmo que fosse a Deus, ainda era inaceitável. Pouco a pouco, com ajuda e muita paciência do meu futuro esposo, fui encontrando minha feminilidade. Construir uma família, em Deus, tornou-se meu grande sonho e a necessidade de deixar os antigos surgiu. Abandonei minha tão sonhada e planejada pós-graduação ao entender que ela, de diversas formas, impedia-me de ser aquilo que, agora em Deus, eu sonhava ser.

Essa mudança de planos tornou realidade um grande desejo: receber o sacramento do Matrimônio e começar uma nova família, onde encontrei minha vocação. Caná se tornou uma realidade viva.

Entretanto, ter filhos era uma grande dificuldade para mim. Não usei métodos contraceptivos por pura obediência, sempre reforçada por meu esposo, mas a luta interna que se travou em mim daria outro testemunho. Eu tinha muito medo de que os filhos atrapalhassem minha vida profissional, financeira, minha liberdade e minha relação com meu esposo, mas o maior medo era que meu imenso egoísmo não me permitisse amá-los. Seria impossível abdicar de tanto por alguém.

Ganhamos a coletânea de palestras “Educar para o Céu”, do Padre Paulo Ricardo. Tudo começou a fazer sentido ali… mudou a minha forma de ver as crianças e o nosso papel como adultos. Assisti a outros vídeos, li textos, testemunhos, e Deus, pouco a pouco, foi juntando os caquinhos da mãe que o mundo havia destruído em mim. Certo dia, atendendo um bebezinho, senti forte no meu coração um sentimento que dizia: “É isso que eu quero, que você lute para preservar a inocência, lute contra o mal, devolva-o a mim melhor”. Senti muita segurança naquele dia. Duas semanas depois, descobri que estava grávida.

Muitas emoções brigaram dentro de mim. Senti medo de não ser uma boa mãe. Quis voltar no tempo, quis não ter engravidado, ter usado anticoncepcional. Senti-me irresponsável por conceber uma vida sem ser capaz de amá-la. Então pedi com muita fé a Maria que me ajudasse. Que o corpo da minha filhinha fosse gerado em mim, mas sua alma fosse abrigada em seu Coração Imaculado. Pedi também que ela me acolhesse em seu ventre e me gerasse uma nova mulher, uma mãe. Que assumisse com sua maternidade os momentos nos quais as minhas limitações me fizessem falhar.

Nesse dia, o coração de mãe em caquinhos que eu carregava foi restaurado, o medo deu lugar à esperança e vivi minha gravidez com muita alegria e gratidão. Que tempo abençoado, quanta providência de Deus, quanto amadurecimento. Infelizmente, as palavras não descrevem tamanha felicidade. Nasceu minha Gianna Maria e, com ela, eu nasci como mãe. Nos cuidados com ela e com meu esposo, na catequese, no acolhimento da Igreja que Deus nos confiou, encontrei o que tanto busquei, encontrei a mim mesma.

Senti-me revoltada algumas vezes. Mentiram para mim. Matrimônio não é prisão, filhos não são um peso, são o encontro com a vontade de Deus, com a vocação para a qual ele nos chamou. Existem sacrifícios? Claro, mas isso não é ruim, pelo contrário, é encontrar a grande alegria de se libertar de si, dos nossos caprichos, das nossas vontades, é caminhar em direção à verdadeira liberdade. Ainda há medo de errar? Sim, mas há esperança maior que Deus nos quer com Ele, que Maria nos acolhe, que os anjos batalham e os santos, especialmente minha querida Gianna Molla, intercedem pela salvação da nossa família.

Querido Padre Paulo Ricardo, queridos colaboradores do site, alunos e cada pessoa envolvida nesse projeto de evangelização, muito obrigada por lutarem também. Que a cada dia novas mulheres se encontrem consigo mesmas, com sua feminilidade e descubram a alegria da maternidade e da vocação à qual Deus nos chamou.

Referências

  • Testemunho enviado por Nadja ao nosso suporte, em 30 de outubro de 2016.

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