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Quando um protestante descobriu que a Missa é o sacrifício da Cruz
Testemunhos

Quando um protestante descobriu
que a Missa é o sacrifício da Cruz

Quando um protestante descobriu que a Missa é o sacrifício da Cruz

Quando Scott Hahn ficou sabendo que os católicos ensinavam ser a Eucaristia a renovação do sacrifício do Calvário, relação que ele só descobriu depois de muita investigação, primeiro ele ficou furioso e despeitado. Mas depois...

José Maria C. S. André15 de Abril de 2019
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Durante a Semana Santa, que começa hoje, a liturgia católica leva-nos a viver uma Páscoa judaica surpreendente. Recordo a perplexidade de Scott Hahn, hoje um grande biblista católico, no tempo em que ele ainda era protestante. Um dia, ao fio dos Evangelhos, o pregador da sua comunidade protestante foi seguindo os passos da Última Ceia, conforme o cânone habitual da Páscoa judaica.

Até dada altura, tudo decorria da forma habitual, ainda que num clima de extraordinária intensidade. A minúcia dos preparativos, da sala e da celebração, anunciava algo especial e Cristo começou por alertar os discípulos para a importância do momento: “Desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco, antes de padecer”.

A celebração judaica começa com as abluções rituais. O mais novo da família leva uma jarra e uma bandeja, deitando a água da purificação sobre as pontas dos dedos de cada um. Neste caso, não foi o menos importante — foi o próprio Cristo! — Quem fez a ablução. E não derramou água sobre os dedos: pôs uma toalha à cintura e lavou os pés a cada um dos discípulos. Pedro recusa uma coisa dessas! Depois, é tal a insistência de Cristo, que aceita...

Seguiram-se os salmos do costume e vários cálices rituais, em ação de graças, como símbolo da Aliança do Povo com Deus, etc., até que Cristo altera o sentido de tudo ao estabelecer uma Aliança nova: “Este cálice é a nova Aliança no meu Sangue, derramado por vós”. Neste momento, Cristo coloca-Se a Si próprio como novo centro da ação litúrgica: “todas as vezes que o beberdes, fazei isto em memória de Mim”.

Há outros elementos revolucionários naquela celebração pascal, mas o que mais surpreendeu Scott Hahn e a sua congregação protestante foi que, imediatamente antes do momento culminante, que seria o cálice da Consumação, Cristo interrompe a cerimônia. Não só interrompe, como o declara solenemente, como se fizesse de propósito: “não tornarei a beber o fruto da videira, até àquele dia em que o beberei de novo no Reino de Deus”. Levantaram-se, pois, e saíram para o Monte das Oliveiras. A comunidade de Scott Hahn não sabia o que pensar. Talvez Jesus estivesse perturbado pela iminência da morte, talvez se tivesse esquecido de concluir a cerimônia da Páscoa…

Hahn decidiu reler os Evangelhos de uma ponta à outra, à procura do cálice que faltava, o cálice da Consumação. A conclusão imediata é que não tinha havido esquecimento, quase se diria que Jesus não pensava noutra coisa. Jesus sai do cenáculo da Última Ceia a falar do cálice que faltava: “Meu Pai, se é possível, passe de Mim este cálice! Mas não se faça a minha vontade mas a tua”. “Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade!...”. Chegam Judas e os soldados, Pedro pega numa espada e corta a orelha de Malco, um criado do Sumo Sacerdote. Jesus cura milagrosamente o ferido e diz a Pedro “Mete a tua espada na bainha. Eu não havia de beber o cálice que o Pai Me deu?”.

Aquele cálice, vinha inclusivamente de muito antes. Ao pedido da mãe de Tiago e João, responde com um desafio misterioso: “Podeis beber o cálice que Eu hei-de beber, ou ser batizados no baptismo com que Eu vou ser batizado?” — qual cálice, tão singular? Qual batismo, se Jesus já tinha sido batizado no Jordão?

No final da Paixão, pendurado da Cruz, momentos antes de morrer, ressurge a referência à consumação da Aliança. “Sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse ‘tenho sede’. Havia ali um vaso de vinagre…” e um dos que estavam ali “correu a tomar uma esponja, ensopou-a, pô-la sobre uma cana e deu-Lhe de beber”... “Deram-Lhe a beber vinho misturado com fel. Tendo-o provado, não quis beber”. Não, aquele vinho misturado com fel não era o cálice esperado; aquele “tenho sede” não era a pedir aquele vinho. Imediatamente a seguir, Jesus exclama “Tudo está consumado!” e, inclinando a cabeça, expirou.

O Dr. Scott Hahn.

De repente, Scott Hahn percebeu que a Última Ceia só terminava no Calvário, no momento em que se estabelece a nova Aliança “no sangue derramado por Cristo”. A Última Ceia é uma unidade com todo o oferecimento de Cristo na Paixão. Participar na Missa é participar no Sacrifício de Cristo na Cruz. Como diz S. Paulo aos de Corinto, “porventura o cálice de bênção que abençoamos não é comunhão com o sangue de Cristo?”. Cristo é, como diz S. Paulo a seguir, “a vítima imolada no altar”. S. Paulo recorda como o próprio Jesus tinha avisado os discípulos, na Última Ceia, de que aquele vinho consagrado apontava para a sua morte no Calvário: “Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha”.

Um dia, na universidade protestante em que dava aulas, Scott Hahn apresentou esta sua investigação e ouviu um comentário de um aluno que tinha tido catequese católica em pequeno: “Isso faz todo o sentido, mas recorda-me o catecismo de Baltimore! [1]”. Scott nunca tinha ouvido falar de um “catecismo de Baltimore”, porque era um livrinho elementar, o primeiro catecismo das crianças católicas da época, e por isso ainda acusou mais o toque [2]. Então, os católicos, esses heréticos, ensinam às crianças que a Missa é a renovação do Sacrifício do Calvário?! Algo que ele só tinha descoberto ao fim de tanto esforço de investigação?!

Primeiro, Scott ficou furioso, despeitado. Depois, continuou a investigar e fez-se católico.

Referências

  • José Maria C. S. André in Correio dos Açores, 25 mar. 2018, publicado em Senza Pagare.

Notas

  1. O “Catecismo de Baltimore” foi o catecismo oficial para crianças adotado nos Estados Unidos até 1960 (Nota da Equipe CNP).
  2. “Acusar o toque” é expressão lusitana, e significa deixar transparecer dúvida por afirmação de outra pessoa (Nota da Equipe CNP).

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Deus escolheu José, e a mais ninguém
Santos & Mártires

Deus escolheu José, e a mais ninguém

Deus escolheu José, e a mais ninguém

Da tribo de Judá e dos filhos de Davi, haviam de surgir grandes patriarcas, célebres líderes para o povo e reis da mais alta nobreza, mas Deus não escolheu nenhum deles, só José.

Edward Healy ThompsonTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere9 de Abril de 2019
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Descrever a vida e as glórias de José é descrever ao mesmo tempo a vida de Jesus e as glórias de Maria, pois Jesus, Maria e José estão tão intimamente unidos, que é impossível falar de um sem tratar dos outros. Estes três queridos nomes — Jesus, Maria e José — formam aquela tríplice aliança celeste que não pode ser quebrada jamais. Aquele, pois, que se dedica a narrar a vida de São José, está encarregado da feliz missão de narrar também, em grande medida, as vidas de Jesus e Maria.

Não se oponha a isso o nosso leitor, já que, depois de Deus, Jesus, Maria e José são os mais doces e sublimes objetos de que podem ser preenchidos nossas mentes e corações. Eles são os três poderosos advogados da nossa causa, as três estrelas guias da nossa salvação. Mas, a fim de entender claramente a grandeza de José, devemos olhar mais longe, pois sua grandeza não começou em seu nascimento, tampouco em seus esponsais com Maria; sua origem é muito mais remota e deve ser procurada não no tempo, mas na eternidade: começou em sua predestinação.

Predestinação, de acordo com Santo Tomás de Aquino, é a preordenação divina, desde a eternidade, daquelas coisas que pela graça hão-de ser realizadas no tempo.

Pois bem, o compassibilíssimo Senhor Deus, nas admiráveis disposições de sua Providência, preordenou desde a eternidade o mistério inefável da divina Encarnação para reparar a queda de Adão e salvar seus descendentes da ruína eterna. Esse mistério “escondido às gerações”, como diz o Apóstolo (cf. Cl 1, 26), deveria ser revelado na plenitude dos tempos. A Palavra Eterna deveria assumir a carne humana e oferecer-se, depois de uma vida repleta de sofrimentos, como vítima voluntária para morrer em uma cruz, a fim de, semelhante a um cordeiro inocente, expiar os pecados de toda a humanidade. Este mistério deveria ser realizado em Jesus; e, portanto, Jesus, o Salvador de todos, na palavra do Apóstolo, “foi predestinado Filho de Deus no poder” (Rm 1, 4); como explica Santo Agostinho, estava predestinado que Jesus, filho de Davi segundo a carne, deveria ser, de fato, o Filho de Deus, visto já estar preordenado que a natureza humana deveria um dia subsistir junto com a natureza divina na Pessoa eterna da Palavra, a fim de que os sofrimentos de Jesus tivessem um valor infinito para satisfazer dignamente a Divina Justiça. E é nisso que consiste o chamado decreto eterno da divina Encarnação.

Ora, neste decreto estão compreendidos não apenas o mistério da divina Encarnação, mas também o modo e a ordem pelos quais esse mistério deveria se realizar, incluídas as pessoas que nele deveriam tomar parte de maneira principal e mais imediata; pois, de acordo com a doutrina do Doutor Angélico, a predestinação eterna inclui não apenas as coisas que hão-de realizar-se no tempo, mas também o modo e ordem em que devem acontecer.

E o modo e a ordem predestinados por Deus para a Encarnação de seu Divino Filho eram estes: que a santíssima humanidade de Jesus Cristo deveria ser tomada, embora sem pecado, da mesma natureza humana que havia pecado em Adão; que deveria ser da ascendência de Abraão, da tribo de Judá e da raça de Davi, e que o Corpo de Jesus deveria ser formado pelo poder do Espírito Santo no seio puríssimo de uma virgem imaculada. Essa virgem eleita é Maria; e, portanto, Maria, depois de Jesus, foi imediatamente incluída no decreto da Divina Encarnação, e desde a eternidade predestinada a ser a augustíssima Mãe do Filho de Deus. “A Virgem”, diz o grande doutor Suárez, “não poderia ser separada de seu Filho na eleição divina.” Maria foi realmente predestinada pelo conselho eterno de Deus: Santo Agostinho chama-lhe “a obra do conselho eterno”.

Mas, a fim de ocultar do mundo esse mistério de amor até que se completasse o tempo previsto, e para salvaguardar ao mesmo tempo a reputação da Virgem Mãe e a honra do Divino Filho, quis Deus que Maria, por um casamento todo celestial, fosse desposada pelo homem mais humilde, mais puro e mais santo da linhagem real de Davi (um que fosse expressamente predestinado, portanto, para esse fim); quis Deus um esposo virginal para a Virgem Mãe, o qual pudesse ao mesmo tempo assumir o papel de pai do Filho de Deus. Na mente divina, José foi escolhido dentre todos os outros. Foi ele que ficou em primeiro lugar. Foi ele o predestinado para este trabalho.

De fato, da tribo de Judá, da família de Davi, haviam de surgir grandes patriarcas, célebres líderes para o povo e reis da mais alta nobreza, mas Deus não escolheu nenhum deles. Deus escolheu José, e mais ninguém. José era o amado. Ele foi predestinado de modo especial a tornar-se um dia o ditoso esposo de Maria e o pai adotivo de Jesus. “Assim como Maria”, diz João Eck, o famoso adversário de Lutero, “foi desde a eternidade predestinada a ser a mãe do Filho de Deus, assim também foi José eleito para ser o guardião e protetor de Jesus e de Maria.”

Assim, pois, como Maria, também José foi incluído no próprio decreto da Encarnação e chamado a tomar parte “em tempo integral”, por assim dizer, nesse mistério inefável.

A partir disso, fica fácil perceber quanta honra recai em São José, pois se, ao lado da Santíssima Trindade, o mistério da divina Encarnação constitui o fundamento essencial da fé cristã, como não ver, no fato de alguém ser incluído no decreto eterno de tão admirável mistério — “que os próprios anjos desejam contemplar” (Hb 1, 12) —, uma glória incomparável?

Devemos ter sempre bem presente, portanto, esse destino singular que foi reservado a São José, porque é ele, de fato, o fundamento de toda a sua grandeza, a base sobre a qual se assentam todas as suas glórias, e é só tomando plena consciência dessa predestinação que se podem entender a predileção de Deus por São José e a altíssima honra e privilégio que lhe foram outorgados como guardião e padroeiro da Igreja universal.

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A prostituta barrada na porta da igreja
Santos & Mártires

A prostituta barrada na porta da igreja

A prostituta barrada na porta da igreja

“Mas quando eu pisei no limiar da porta, por onde todos entraram, fui impedida por uma força que não me deixou entrar... Era como se um destacamento de soldados estivesse lá de pé, se opondo à minha entrada.”

Equipe Christo Nihil Praeponere5 de Abril de 2019
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É uma constante na arte sacra a figura de Santa Maria Egipcíaca, que viveu de 344 a 421. Sempre impressionaram os artistas sua vida de penitência no deserto e o episódio milagroso de sua última comunhão, recebida das mãos de um monge chamado Zózimo.

Foi a ele que esta santa contou toda a sua história, a qual chega até nós graças a um relato intitulado Vita Sanctae Mariae Aegyptiacae, Meretricis, atribuído a São Sofrônio de Jerusalém [1].

Quem tiver tempo, deve fazer a si mesmo o favor de ler inteiro este edificante relato. Não devem nos assustar os fatos miraculosos que rondam a vida dessa santa — e que a crítica moderna insiste em desacreditar —, pois prodígio algum que aconteceu em sua vida se compara à transformação que lhe aconteceu na alma. Lembremo-nos sempre que, como dizem Santo Agostinho e Santo Tomás [2], a justificação do ímpio é obra maior do que a criação do céu e da terra, pois estes passarão, mas a glória dos bem-aventurados no Céu não passará jamais.

Maria do Egito (seu lugar de nascimento) começa sua história contando como deixou a casa paterna, aos 12 anos, e foi para Alexandria, onde perdeu a virgindade e entregou-se à luxúria por cerca de 17 anos. “Eu era como um fogo de depravação pública”, ela confessa, “e não era por amor ao ganho. Frequentemente, quando eles desejavam pagar-me, eu recusava o dinheiro. Agia dessa maneira para fazer com que tantos homens quantos fosse possível desejassem possuir-me, fazendo de graça o que me dava prazer.” Ela se prostituía, portanto, não tanto por dinheiro, mas por um “desejo insaciável e uma paixão irreprimível por deitar-me na lama”.

Um dia, ela embarcou com inúmeros líbios e egípcios rumo a Jerusalém. Eram peregrinos que iam à Terra Santa para a festa da Exaltação da Santa Cruz. Ela ia movida não por desejo religioso, mas sim pela vontade de “ter mais amantes que pudessem satisfazer” suas paixões. Sem dinheiro e sem alimento, como se manteria Maria? “Eu tenho um corpo e, ao invés de pagar pela viagem, o porei à disposição”, ela dizia.

De fato, assim ela fez. Para dar a Zózimo uma ideia do abismo em que se achava, é com estas palavras que ela descreve sua viagem a Jerusalém:

Como poderei relatar o que aconteceu depois disso, ó homem de Deus? Que língua pode narrar, ou que ouvidos podem ouvir tudo o que aconteceu naquela embarcação durante a viagem? Como eu então forçava aqueles pobres moços, até mesmo contra a sua vontade! É inominável a turpíssima depravação que eu então lhes ensinei. Estou surpresa, Pai, de como o mar suportou as luxúrias da minha iniquidade, de como a terra não abriu suas mandíbulas e me arrojou viva no inferno, eu, que tantas almas havia prendido nas teias da morte.

Chegando à Terra Santa, Maria continuou “vivendo o mesmo tipo de vida, talvez até pior”: além dos rapazes que seduziu em alto mar, continuou a se entregar ainda “a muitos outros, tanto da cidade quanto estrangeiros que lá estavam”.

Já aqui essa história nos convida à meditação. Comecemos por constatar que, infelizmente, exemplos da vida pregressa como a de Santa Maria Egipcíaca não são muito difíceis de encontrar hoje em dia. Na verdade, eles estão a apenas um clique de distância. O que são, de fato, os sites de pornografia senão uma reunião, seleta e artificiosamente elaborada, dessas pessoas perdidas, entregues aos prazeres da carne e que “ensinam” a seus usuários todo tipo de depravação? E nossos homens, o que se tornaram senão frequentadores assíduos desses “prostíbulos virtuais”, sem os quais não conseguem mais passar e levar uma vida saudável?

Homens e mulheres afundados na lama da impureza, e não se sabe quem está mais sujo: eis a situação em que nos encontramos. Mas quantas dessas pessoas não morrem nesse estado? Esta, sim, é a maior tragédia de todas. Maria Egipcíaca recebeu de Deus a graça — como veremos — de se arrepender dos pecados que cometeu, levar uma vida de penitência e morrer em estado de amizade com Deus. Mas e nós, quanto tempo mais esperaremos para nos convertermos e mudarmos de vida? Até quando continuaremos a ignorar o Deus que nos procura e quer a nossa salvação?

A quem se encontra em estado de graça, não é menos forte a meditação a fazer: o que seríamos de nós, se tivéssemos partido deste mundo em pecado mortal? O que seria de nossa alma se naquela noite em que dormimos afastados de Deus, naquele dia em que lhe voltamos as costas (até prometendo para nós mesmos buscar a Confissão no dia seguinte), o que aconteceria se naquela hora fôssemos chamados para a prestação de contas que dá início à eternidade?

Pensemos nessas coisas e tenhamos sempre um coração agradecido a Deus por sua misericórdia nos ter atingido como atingiu esta sua filha, Santa Maria Egipcíaca. Mas deixemos que agora fale ela, sem interrupções, de como se deu o bonito milagre de sua conversão:

O dia sagrado da Exaltação da Cruz despontou, enquanto eu ainda estava à caça de jovens. Ao amanhecer, vi que todos corriam para a igreja. Então, corri com o resto deles. Quando a hora da sagrada elevação se aproximou eu estava tentando abrir caminho entre a multidão, que lutava para chegar às escadarias. Finalmente, com grande dificuldade, consegui ir me espremendo quase até às portas da igreja, de onde a vivificante árvore da Cruz estava sendo mostrada ao povo. Mas quando eu pisei no limiar da porta, por onde todos entraram, fui impedida por uma força que não me deixou entrar. Entretanto, completamente ignorada pela multidão, me encontrei sozinha no pórtico da igreja. Pensando que isto tivesse acontecido devido à minha fraqueza de mulher, comecei novamente a abrir caminho com os cotovelos no meio da multidão. Mas era em vão meu esforço. Novamente meus pés pisaram no limiar onde outros iam entrando na igreja, sem encontrar nenhum obstáculo. Eu somente parecia não ser aceita na igreja. Era como se um destacamento de soldados estivesse lá de pé, se opondo à minha entrada. Mais uma vez fui excluída pela mesma força poderosa e novamente fiquei no limiar.

Havendo tentado por três ou quatro vezes, finalmente me senti esgotada e não tendo mais forças para empurrar e ser empurrada, fui para o lado e permaneci num canto do pórtico. E então, com grande dificuldade, começou a despontar algo em mim e comecei a perceber a razão pela qual eu estava sendo impedida de ver a Cruz vivificante. A palavra da salvação gentilmente tocou os olhos do meu coração e revelou-me que era minha vida impura que fechava a entrada para mim. Comecei a chorar e lamentar e bater no meu peito e a suspirar das profundezas do meu coração. E assim permaneci chorando, quando vi acima, um ícone da Santíssima Mãe de Deus. E voltando para ela meus olhos do corpo e da alma eu disse: “Ó Senhora, Mãe de Deus, que deste à luz na carne a Deus, a Palavra; eu sei, ó quão bem eu sei, que não há nenhuma honra ou louvor para ti, quando alguém tão impura e depravada como eu olha para teu ícone, ó sempre Virgem, que mantiveste vosso corpo e alma na pureza. Certamente inspiro desprezo e desgosto ante tua pureza virginal. Mas já ouvi que Deus, que nasceu de ti, se tornou homem para chamar pecadores à conversão. Então, ajuda-me, pois não tenho outro auxílio. Ordena que os portais da igreja se abram para mim. Permite-me ver a venerável árvore na qual Ele que nasceu de ti, sofreu na carne e na qual Ele derramou seu preciosíssimo Sangue pela redenção dos pecadores e para mim, indigna como sou. Seja minha testemunha fiel diante de teu Filho que eu nunca mais corromperei meu corpo na impureza da fornicação, mas tão logo eu veja a árvore da Cruz, renunciarei ao mundo e às suas tentações e irei aonde quer que me conduzas.”

Assim falei e como se recobrasse nova esperança, com fé firme e sentindo alguma confiança na misericórdia da Mãe de Deus, deixei o lugar onde tinha ficado rezando. E fui novamente, misturada à multidão que fazia seu caminho dentro do templo. E ninguém parecia impedir-me, ninguém estorvou minha entrada na igreja. Fiquei possuída de tremor e estava quase à beira do delírio. Tendo chegado tão próximo das portas, o que eu não conseguira antes, como se a mesma força que me impedira agora abrisse caminho para mim, eu agora entrava sem dificuldade e me encontrei no lugar santo. E então vi a Cruz vivificante. Vi também os Mistérios de Deus e como o Senhor aceita o arrependimento. Jogando-me ao chão, adorei aquela terra santa e tremendo, beijei-a. Então saí da igreja e fui àquela que prometeu ser minha segurança, ao lugar onde eu selei meu voto. E dobrando meus joelhos diante da Virgem Mãe de Deus dirigi a ela estas palavras: “Ó amável Senhora, tu me mostraste teu grande amor por todos os homens. Glória a Deus, que aceita o arrependimento de pecadores através de ti. O que mais posso lembrar ou dizer, eu que sou tão pecadora? É hora para mim, ó Senhora, de cumprir meu voto, de acordo com o teu testemunho. Agora, conduz-me pela mão pelo caminho do arrependimento!”

E ao dizer estas palavras ouvi uma voz do alto: “Se tu atravessares o Jordão irás encontrar glorioso repouso”. Ouvindo esta voz e crendo que eram para mim, gritei para a Mãe de Deus: “Ó Senhora, Senhora, não me abandones!”

A história é bela e comovedora. Maria estava ainda afundada em seu pecado, à procura de mais pessoas a quem ensinar suas imoralidades, e Deus lhe mostrou — fortiter et suaviter, como só Ele é capaz — que sua vida desregrada precisava mudar.

“Santa Maria do Egito”, por José de Ribera.

Ela então caiu em si e recorreu a quem? A Maria, Mãe de Deus! Mas se foi Deus quem a fez despertar de seu sono de pecado, por que recorrer a outrem? Se é Ele que salva, por que dirigir-se a ela? Ora, muito simples — e Santa Isabel o intuiu no Evangelho (cf. Lc 1, 43), e os primeiros cristãos o entenderam ao compor a oração Sub tuum praesidium, e Maria do Egito demonstrou ter entendido o mesmo com sua súplica: assim como Deus quis desposar a humanidade na Encarnação servindo-se de Maria, Ele quer se unir a nossas almas também através dela.

Santo Tomás diz algo parecido ao comentar a passagem das bodas de Caná: observando que o evangelista diz primeiro: “achava-se ali a mãe de Jesus”, para só depois mencionar a presença de Cristo e de seus Apóstolos (cf. Jo 2, 2) na festa, o Aquinate afirma que “a bem-aventurada Virgem, mãe de Jesus, está presente nos matrimônios espirituais como aquela que une os esposos [nuptiarum consiliatrix], pois é por sua intercessão que as almas se unem a Cristo pela graça” [3].

Maria do Egito dá testemunho, no entanto, de que a intercessão de Nossa Senhora não só a uniu a Cristo, como a manteve firme nessa união. Depois de deixar aquela igreja em Jerusalém, atravessar o rio Jordão e chegar ao deserto (onde ela passou, como se sabe, o resto de seus dias), as batalhas que ela travou com o demônio foram intensas, e em todas elas foi a Mãe de Deus que a valeu:

Creia-me, Pai, por dezessete anos vivi nesse deserto lutando contra feras selvagens — desejos loucos e paixões. Quando ia me alimentar eu costumava lamentar a carne e o peixe que eu tinha em abundância no Egito. Lamentava também não ter vinho que eu apreciava tanto, pois eu bebia muito vinho quando vivia no mundo, enquanto aqui eu nada tinha, nem mesmo água. Queimava-me até sucumbir de sede. Um desejo atroz de canções libertinas também me perturbavam e me confundiam grandemente, levando-me quase a cantar canções satânicas, que eu tinha aprendido antes. Mas quando esses desejos me vinham, eu batia no peito e me recordava do voto que tinha feito antes de vir para o deserto. Em meus pensamentos voltava-me para o ícone da Mãe de Deus que me tinha recebido e a quem clamava na oração. Implorava-lhe para dar caça a esses pensamentos, diante dos quais minha alma estava sucumbindo. E depois de chorar por longo tempo e batendo no peito, eu costumava ver uma luz que parecia brilhar sobre mim de algum lugar. E depois da violenta tempestade finalmente vinha a paz.

E como posso dizer-lhe sobre os pensamentos que me instavam à fornicação, como posso expressá-los a ti, Pai? Um fogo inflamava meu miserável coração que parecia queimar-me completamente e me despertava uma sede de abraços. Tão logo esse desejo me surgia, eu jogava-me ao solo e molhava-o de lágrimas, como se visse diante de mim minha testemunha, que tinha me aparecido em minha desobediência e que parecia ameaçar punição para o castigo. E eu não me erguia do chão (algumas vezes ficava lá prostrada por um dia e uma noite), até que a calma e a doce luz descesse e me iluminasse e pusesse em fuga os pensamentos que me possuíram. Mas sempre eu voltava os olhos de minha mente para minha protetora, pedindo-lhe para estender seu auxílio a uma que estava afundando rápido nas dunas do deserto. E sempre a tive como meu socorro e aquela que aceitava meu arrependimento. E assim vivi por dezessete anos, entre constantes perigos. E desde então a Mãe de Deus me auxilia em tudo e me conduz como se pela mão fosse.

Santa Maria do Egito recebeu ainda, antes de morrer, uma visita especial de Jesus sacramentado: aquela que, por sua impureza, se vira impedida de entrar na casa de Deus, por sua penitência terminou “atraindo” o próprio Deus para o seu deserto.

Assim acaba sua história neste mundo, assim Santa Maria do Egito nasce para o Céu. Há uma porção de detalhes de sua biografia dos quais poderíamos extrair ainda um sem número de lições, mas deixemos isso para outra ocasião. Por ora, sirvamo-nos desse belo relato de conversão para meditarmos em nossa própria vida, no modo como Deus nos visitou para fazer-nos entrar em sua Igreja, e em como Ele nos chamou para fazer penitência no deserto desta vida.

Em primeiro lugar, alegremo-nos por tantas “portas fechadas” em nossa cara ao longo desta vida; bendigamos ao Senhor por todas as “desgraças” que nos sucederam, mas que se revelaram, ao fim e ao cabo, grandes instrumentos da Providência para a nossa salvação! A frase pode estar banalizada, mas, de fato, Deus nos fecha portas agora porque tem outras para nos abrir. Dizendo de outro modo, é melhor que nos sejam negadas certas coisas aqui, que soframos certas penas aqui, que nos sejam fechadas certas portas aqui, do que sermos barrados na entrada do Reino dos céus.

Mas se as palavras “penitência”, “deserto” e “sofrimento” nos parecem duras e nos fazem querer desanimar, não nos esqueçamos da grande paz e doçura que acompanham a entrega dos que amam a Deus — paz e doçura que os mundanos não encontram em seus pecados!

Com efeito, quem olhasse para Maria Egipcíaca prostituída, antes de seu encontro com Cristo crucificado, com que pena não veria, no fundo de seu olhar, o vazio angustiante de quem estava gastando todas as suas energias numa procura vã de felicidade! Aquela mulher sensual nunca imaginaria a reviravolta que aconteceria em sua vida… E, no entanto, se colocássemos lado a lado, no leito de morte, a Maria pecadora e a Maria penitente, e perguntássemos a uma e a outra se se arrependia da vida que tinha levado… a primeira certamente diria que sim — e daria tudo para voltar atrás e refazer-se —, mas a segunda com certeza responderia que não

Por quê? Porque Santa Maria do Egito, a Penitente, havia encontrado, no deserto com Deus, a paz que o mundo não pode dar (cf. Jo 14, 27). Dali ela seguiria rumo à Jerusalém celeste, sim; rumo à Terra Prometida do Céu, onde não há luto, nem lágrimas, nem dor, nem escuridão. Mas já aqui, através da fé, ela pôde experimentar um prelúdio de tudo isso — e de ter entregado sua vida ao Amor ela não poderia arrepender-se jamais [4].

Referências

  1. O texto latino completo pode ser consultado facilmente na Patrologia Latina, v. 73, col. 672-690, mas há uma tradução em português do relato no site ortodoxo Ecclesia.
  2. Cf. S. Th. I-II, q. 113, a. 9.
  3. Comentário ao Evangelho de São João, II, 1, n. 343.
  4. A frase: “Não! Não me arrependo de me ter entregue ao Amor!” faz parte do testamento de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face (cf. Últimos Colóquios, Caderno Amarelo, 30 set.).

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“Socializar” sim, mas não na Missa
Liturgia

“Socializar” sim, mas não na Missa

“Socializar” sim, mas não na Missa

Se há uma experiência de “comunidade” própria da liturgia, definitivamente ela não consiste em acenar aos circundantes, compartilhar notícias, apertar-lhes as mãos ou “dialogar” de improviso com um padre.

Peter KwasniewskiTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Abril de 2019
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A liturgia da Igreja tem como fim principal a honra e a glória de Deus, e com isso a santificação de nossas almas, levando-nos a uma intimidade sempre mais profunda com Jesus Cristo. Ao perseguir esses fins, ela favorece a fraternidade entre os homens; na verdade, ela mesma cria essa fraternidade, pois é só na adoração em comum do Pai, através de seu divino Filho, que os homens são de fato irmãos. O problema com a noção contemporânea de “fraternidade” não é só a sua completa falsidade, mas o fato de ela ter sido retirada do único contexto em que fazia algum sentido e separada da única fonte da qual ela realmente poderia se originar.

É comum que as pessoas de convicções “liberais” ou “progressistas” acusem os católicos tradicionais de enfatizarmos sobremaneira o aspecto divino e transcendente da liturgia, a ponto de negligenciarmos seus aspectos imanentes e humanos — a saber, que Deus nos deu a liturgia para nosso próprio benefício (“o sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado”), e que se trata de um ato comunitário que expressa e consolida nosso vínculo social uns com os outros.

Ora, que a liturgia seja um ato público e coletivo, e que ela redunde em nosso benefício, são coisas de que não restam dúvidas: Deus é a perfeição absoluta, a bondade imutável e nada do que fizermos acrescentará ao que Ele é. Ao mesmo tempo, é bom e conveniente que nós, enquanto povo de Deus, nos dirijamos a Ele e tenhamos consciência de nosso próximo como um concidadão da casa de Deus. (De qualquer modo, o caráter público da liturgia não se manifesta pelo número de pessoas nela presente, mas sim pela ação, que se estende no tempo e no espaço, de Cristo como Sumo Sacerdote e Cabeça de seu Corpo Místico; é por isso que mesmo uma “Missa privada”, só com a presença do sacerdote, é ainda assim um ato público e coletivo.)

Dito isso, precisamos tomar cuidado ao menos para que a nossa compreensão do sentido de comunidade esteja em sintonia com a real natureza da Igreja.

Primeiro e acima de tudo, a liturgia nos coloca diante de Deus e de seus anjos e santos. Reverência, solenidade e majestade são características do culto divino precisamente porque não se trata de mera aglomeração de pessoas, mas sim de um momento em que nosso mundo se abre à vida e à graça da Jerusalém celeste. Na liturgia, nós nos unimos a todos os santos que adoraram a Deus no passado, a todos que O adoram no presente (estejam eles perto de nós, nos bancos da mesma igreja, ou em qualquer outro lugar do mundo) e também, de uma forma só por Deus conhecida, em sua onisciência e amor de predileção, a todos que O adorarão nos séculos vindouros. Portanto, não é apenas a “nossa” liturgia, o ato de uma comunidade local particular; há sempre, associada a ela, uma dimensão cósmica, universal e eterna.

Essa gloriosa realidade da comunhão dos santos deve transformar de maneira definitiva o modo como nós prestamos culto público a Deus. A liturgia em si mesma não é — e só se depreciaria se se tornasse isto — uma reunião para acenar aos circundantes, compartilhar notícias, apertar-lhes as mãos, “dialogar” de improviso com um padre ou coisa do gênero. Esse tipo de coisa pode ter o seu lugar apropriado antes e depois da Missa, e fora do lugar de culto, mas certamente não é da sua essência e mui frequentemente constitui um sério obstáculo para participar dos santos mistérios e atingir os fins inerentes a toda liturgia.

A experiência de comunidade própria da liturgia é uma experiência de adoração em comum, com todos os rostos e corações voltados para o sacrário, atentos às verdades divinas que estão sendo anunciadas e ao sacrifício divino que está sendo renovado. Em um paradoxo bem conhecido na vida dos santos, é geralmente quando mais nos esquecemos de nós mesmos e dos mais próximos, concentrando-nos com intensidade na Missa, que as sementes da verdadeira caridade para com o próximo e para com nós mesmos são plantadas com mais profundidade em nossas almas.

Observações semelhantes podem ser feitas quanto ao papel da palavra e da música. É inquestionável que nossas almas se elevam e a nossa consciência de unidade se fortalece na igreja quando, por exemplo, o povo responde dignamente e em uníssono na Missa, ou quando cantamos juntos músicas piedosas e ricas em doutrina, como são os cantos gregorianos, sempre recomendados pela Igreja. Tudo isso são formas apropriadas de nutrir e expressar a fé.

O ideal da participação plena, verdadeira e ativa na liturgia tem como meta formar a alma católica, forjar o caráter do cristão. Isso nos sugere também como não devem ser a palavra e a música na liturgia: a abordagem não pode ser do tipo “eu tenho de dizer ou cantar alguma coisa o tempo todo”, pois isso acaba se tornando uma espécie de agitação, que distrai e impede a espiritualidade.

“Falar” não significa preencher o espaço de ruído, assim como “cantar” não significa formar um coro animado cujas vozes precisam todas ser ouvidas. As palavras a ser pronunciadas devem ser uma resposta a algo que já se teve a oportunidade de escutar no silêncio da alma; as canções a ser entoadas devem antes enriquecer e instruir, e não simplesmente ser “qualquer coisa” para ocupar o espaço e o tempo.

Dessa perspectiva, só o que se pode fazer é esperar pelo dia em que os sacerdotes, bem como os demais encarregados do ministério de liturgia, começarão a prezar pelo silêncio, a meditação, a reflexão sobre os veneráveis textos que nos legou a nossa fé e a escuta das arrebatadoras melodias do canto gregoriano. Não seria difícil (e incontáveis seriam os benefícios de) substituir músicas banais por melodias gregorianas que tivessem um tom mais doce nos lábios e uma influência mais duradoura na mente. Não seria difícil (e um grande passo seria) se pudéssemos ter uma igreja em silêncio antes da Missa, uma santa quietude durante a Oração Eucarística e uma atmosfera de paz após a Missa para os que desejassem estender sua ação de graças (com o celebrante dando primeiro o exemplo). Ficar sentado e recolher-se por cinco minutos com a mente em Deus é algo que exige e promove mais maturidade espiritual do que cantar por uma hora.

Nossos antepassados, na liturgia romana tradicional, compreendiam bem o valor do recolhimento: “‘Parai e sabei, conhecei que eu sou Deus, que domino as nações, que domino a terra!’ Conosco está o Senhor do universo! O nosso refúgio é o Deus de Jacó!” (Sl 45, 11-12). Os silêncios da liturgia antiga dão à alma tempo para absorver os mistérios e refletir tanto sobre a Palavra de Deus a nós revelada e transmitida quanto sobre a sua vinda até nós através da Eucaristia. A alma tem a ocasião de ganhar profunda consciência da misericórdia, da glória e da presença divinas. “Conosco está o Senhor do universo! O nosso refúgio é o Deus de Jacó!”

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