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Gratidão a Deus!
Padre Paulo Ricardo

Gratidão a Deus!

Gratidão a Deus!

Por muitas outras coisas, mas, hoje, principalmente por seu magistério, gratidão, Padre Paulo Ricardo. Gratidão imensa a Deus por suas lições, pois foi através delas que tantos de nós passamos a crer e pudemos, assim, nascer para o Céu.

Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Novembro de 2020Tempo de leitura: 2 minutos
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Reverendíssimo Padre Paulo Ricardo, 

“Grande alegria”, como o sr. mesmo gosta de dizer, “grande alegria” poder celebrar, mais uma vez, o seu aniversário natalício. Neste dia 7 de novembro, nós, seus filhos espirituais, queremos cantar a Deus um hino de louvor e gratidão por sua vida e paternidade, por sua fé e ministério sacerdotal.

Sim, nós bem sabemos, padre — pois aprendemos com o sr. a dar valor mais às coisas sobrenaturais que às deste mundo: o nascimento físico é apenas uma sombra do que é o nosso nascimento para Deus e para o Céu. Mas o próprio Jesus Cristo, Nosso Senhor, quis usar esse acontecimento aparentemente tão trivial para explicar como será nosso encontro definitivo com Ele: 

Quando a mulher está para dar à luz, sofre porque veio a sua hora. Mas, depois que deu à luz a criança, já não se lembra da aflição, por causa da alegria que sente de haver nascido um homem no mundo. Assim também vós: sem dúvida, agora estais tristes, mas hei de ver-vos outra vez, e o vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará a vossa alegria (Jo 16, 21-22).

Sim, padre, o que importa, mais do que nascer para este mundo, é nascer para Deus. Mas as dores de parto precedem ambos os nascimentos. 

E como o senhor insiste na lição do sofrimento, em suas homilias, transmissões ao vivo e pregações em geral! Num mundo que praticamente se esqueceu da boa-nova do Evangelho; de que o sofrimento, a partir de Cristo, pode ser vivido de modo redentor, suas reflexões, padre, têm sido uma voz que clama no deserto e um verdadeiro bálsamo para nossas almas… 

Sim, pois quantos de nós andávamos iludidos por esse mundo, rebeldes para com a vontade de Deus, insatisfeitos com as circunstâncias em que Ele amorosa e providentemente nos colocou! Ainda que estejamos caminhando na Igreja por muito tempo, é triste ver aonde nossa soberba nos pode conduzir, aonde nossa vontade mimada e teimosa nos pode levar…

Mas não, o sofrimento não veio para atrapalhar a nossa vida. Assim como Nosso Senhor, nós viemos para a cruz

E o sr. insistiu nisso novamente ao falar, por esses dias, de O Segredo de Teresinha. O caminho é, em suma, abraçar amorosamente a vontade de Deus, nos pequenos sofrimentos que se nos apresentam, nas pequenas contrariedades do dia a dia, nas cruzes com que Deus nos visita, nos presenteia, nos agracia.

Obrigado, Padre Paulo, por essa lição em especial. Os sofrimentos são o apanágio da humanidade, mas faltam-nos mestres para ensinar a vivê-los bem. E no sr., graças a Deus, nós encontramos esse professor.

Por muitas outras coisas, mas, hoje, principalmente por esse magistério, gratidão, Padre Paulo Ricardo. Gratidão imensa a Deus por suas lições, pois foi através delas que tantos de nós passamos a crer e pudemos, assim, nascer para o Céu.

Um feliz e santo aniversário natalício para o senhor: é o que desejamos todos nós, seus filhos, seus amigos, seus discípulos.

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Por que o sacerdote é chamado de padre?
Igreja Católica

Por que o sacerdote
é chamado de padre?

Por que o sacerdote é chamado de padre?

Por que os católicos chamam seus sacerdotes de padres, isto é, de pais? Como entender esse costume à luz destas palavras de Jesus: “A ninguém chameis de pai sobre a terra, porque um só é vosso Pai, aquele que está nos céus”?

Pe. William SaundersTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Novembro de 2020Tempo de leitura: 6 minutos
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“Um amigo batista me perguntou por que chamamos o sacerdote de padre, se Jesus disse que não deveríamos chamar ninguém na terra assim. Como o senhor responderia a esse questionamento?”

Essa pergunta se refere ao ensinamento de Jesus encontrado no Evangelho de S. Mateus: “E a ninguém chameis de pai sobre a terra, porque um só é vosso Pai, aquele que está nos céus” (Mt 23, 9). 

Se tomássemos esse trecho em sentido literal, teríamos de questionar por que, de fato, usamos o título “padre”, uma vez que Jesus parece proibi-lo. Primeiro, devemos recordar o contexto da passagem. Jesus está respondendo à hipocrisia dos fariseus — os doutos e líderes religiosos do judaísmo. Nosso Senhor os castiga por não darem bom exemplo; por inventarem fardos espirituais onerosos para outros por meio de regras e regulamentos; por serem arrogantes no exercício de seu ofício; e por se promoverem pela busca de posições de honra e sinais de respeito e pelo uso de símbolos ostentosos. Essencialmente, os escribas e os fariseus se esqueceram de que foram chamados a servir, com humildade e espírito generoso, ao Senhor e àqueles confiados ao seu cuidado.  

Nesse contexto, Jesus diz que ninguém na terra deve ser chamado pelo título de rabi, pai ou mestre, quando isso implica arrogar-se uma autoridade que pertence a Deus e a pessoa se esquece da responsabilidade que o título traz consigo. Ninguém jamais deve arrogar-se os privilégios e o respeito que pertencem ao Pai celestial, nem usurpá-los. Como disse Jesus: apenas o Pai celestial é o verdadeiro Pai, e somente o Messias é o verdadeiro rabi, isto é, Mestre. De forma semelhante, Jesus disse: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim não é digno de mim” (Mt 10, 37). Jesus se referiu livremente ao seu Pai celestial como “Pai” e nos ensinou a rezar o Pai-nosso (cf. Mt 6, 9-13) por causa da autoridade do Pai celestial e do respeito devido a Ele.   

Ademais, Nosso Senhor mesmo usou o título “pai” para se referir a diversos personagens de suas parábolas. Na parábola do rico epulão, um homem clama das profundezas do inferno: “Pai Abraão, compadece-te de mim”, e o uso do título “pai” ocorre três vezes (cf. Lc 16, 19-31). Ora, podemos então perguntar: se Jesus proibiu o uso do título “pai”, por que instrui as pessoas com uma parábola em que os próprios personagens usam esse título? Isso seria uma contradição e, na verdade, uma confusão para seus ouvintes. O mesmo vale para a parábola do filho pródigo. Ao voltar para casa, ele diz: “Meu pai, pequei contra o céu e contra ti” (Lc 15, 11-32). Pelo modo como Nosso Senhor usou o título de “pai” em tantas lições, inclusive quando repetia o quarto mandamento, Ele não teve a intenção de proibir que um pai fosse chamado de “pai”. O que Ele proibiu foi o uso indevido do título [1].  

Nós realmente usamos esses títulos em nossa linguagem ordinária: chamamos “professores” ou “mestres” aos que nos ensinam a nós e a outros; chamamos “pai” ao nosso progenitor masculino, e rabi aos líderes religiosos judeus. Aqueles que servem o Senhor e são representantes de sua autoridade (como professores, pais e, particularmente, os sacerdotes) devem ter consciência para exercê-la com diligência, humildade e coragem, especialmente quando ela tem uma dimensão religiosa. Usá-la para a autoglorificação é pura hipocrisia. Jesus mesmo disse no final dessa passagem: “Porque todo aquele que se exaltar será humilhado, e todo aquele que se humilhar será exaltado”.    

Desde os tempos mais remotos de nossa Igreja, temos usado o título “pai” (ou “padre”) para designar líderes religiosos. Os bispos, que são os pastores das igrejas particulares e os mestres autênticos da fé, eram chamados de “pai” (pater). Consequentemente, S. Pedro pode muito bem ter sido chamado de “padre Pedro”, no sentido de pai espiritual. A probabilidade de ele ter sido chamado assim vem reforçada por São Paulo, que se identifica como pai espiritual. Ao escrever ao coríntios, ele diz o seguinte: 

Não vos escrevo estas coisas para vos envergonhar, mas admoesto-vos como meus filhos muito amados. Com efeito, ain­da que tivésseis dez mil mestres em Cristo, não tendes muitos pais; ora, fui eu que vos gerei em Cristo Jesus pelo Evangelho. Por isso, vos conjuro a que sejais meus imitadores. Para isso é que vos enviei Timóteo, meu filho muito amado e fiel no Se­nhor (1Cor 4, 14-17). 

Até mais ou menos o ano 400, um bispo era chamado de “pai” (pater ou papa); então, esse título começou a restringir-se ao bispo de Roma, o sucessor de São Pedro. Em português ainda usamos “Papa”. Numa versão inicial de sua regra, São Bento (morto por volta do ano 547) atribuiu o título aos guias espirituais, já que eram eles os guardiões das almas. Além do mais, a palavra “abade”, que significa o governante de uma comunidade monástica, deriva da palavra abba, termo aramaico-hebraico para “pai”, no sentido bem familiar de “papai”. 

Mais tarde, na Idade Média, o termo “pai” foi usado para se referir aos frades mendicantes — como os franciscanos e os dominicanos —, já que, por meio de sua pregação e suas obras de caridade, elas cuidavam das necessidades espirituais e físicas de todos os filhos de Deus. Em tempos mais recentes, os chefes de comunidades religiosas masculinas ou mesmo os que participam de Concílios ecumênicos, como o Vaticano II, recebem o título de “pai”, “padre”. No mundo anglófono (e também no lusófono e no hispânico), tornou-se habitual chamar o sacerdote de “pai” ou “padre” [2].

Uma nota mais pessoal: esse título me torna mais humilde. Como sacerdote, a palavra “pai” ou “padre” me faz lembrar que recebi uma grave responsabilidade de Nosso Senhor: seu povo fiel. Assim como um pai tem de nutrir, instruir, desafiar, corrigir, perdoar, escutar e apoiar seus filhos, um sacerdote também deve fazer tudo isso por seus filhos espirituais.

O sacerdote deve, particularmente, atender as necessidades espirituais das pessoas confiadas ao seu cuidado, nutrindo-as com o Senhor por meio dos sacramentos. Deve pregar o Evangelho com fervor e convicção, em consonância com a Igreja, desafiando todos a seguir o caminho de conversão que leva à santidade. Deve corrigir todos os que erraram, mas com misericórdia e compaixão. Deve reconciliar os pecadores que se perderam, mas buscam uma forma de se aproximarem novamente de Deus, assim como o pai fez com o filho pródigo. Um sacerdote deve escutar seus filhos espirituais, aconselhando e consolando-os, como um pai escuta o filho. Um sacerdote também deve ficar atento às necessidades “físicas” de seu rebanho — comida, residência, vestuário e educação.

Ainda que os sacerdotes sejam celibatários, as palavras de Nosso Senhor aos Apóstolos são verdadeiras: 

Em verdade vos digo: ninguém há que tenha deixado casa ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras por causa de mim e por causa do Evangelho que não receba, já neste século, cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, com perseguições — e no século vindouro a vida eterna (Mc 10, 29s).

Na verdade, o celibato permite que o sacerdote seja livre para ser um pai generoso para seus filhos espirituais. Todos devemos rezar por nossos sacerdotes, particularmente pelos que servem em nossa paróquia e os recém-ordenados em nossa diocese, a fim de que, pela graça de Deus, possam lutar para cumprir a responsabilidade de serem pais.

Notas

  1. E, como diz o adágio, abusus non tollit usum, quer dizer, o abuso de um título, de um direito, de um privilégio etc. não torna em si mesmo ilegítimo tal título, direito, privilégio etc (Nota da Equipe CNP).
  2. Em inglês, por exemplo, se diz Father Smith; em espanhol, Padre Pepe; em português, Padre Paulo; em francês, Père Henri etc (Nota da Equipe CNP).

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Religião e política se discutem sim, senhor!
Sociedade

Religião e política
se discutem sim, senhor!

Religião e política se discutem sim, senhor!

É comum ouvir que religião e política não se discutem. Como consequência, as conversas entre as pessoas normalmente se reduzem ao nível, ou da banalidade, ou da fofoca. Mas será mesmo que esses tópicos devem ser silenciados em nome da boa convivência?

Joseph PearceTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Novembro de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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Às vezes, dizem que religião e política são tópicos que não deveriam ser discutidos com quem não temos intimidade. Logo, jamais se discute nada relevante, reduzindo a conversa entre desconhecidos ao nível da banalidade, no melhor dos casos, ou da fofoca, no pior. Ainda assim, o debate sobre religião e política na esfera pública é crucial para a vida de uma sociedade verdadeiramente livre. A razão para o silêncio pode ser o medo da “polícia do pensamento” ou o medo de ser indelicado. Qualquer que seja o motivo, o resultado é o sufocamento da livre discussão sobre duas das áreas mais importantes que governam a vida humana.

Para o cristão, religião e política são inseparáveis, por causa da inseparabilidade dos dois grandes mandamentos de Cristo: que amemos ao Senhor, nosso Deus, e ao nosso próximo. O objetivo dos “fundamentalistas seculares” de separar religião e política não é apenas uma afronta ao cristianismo, mas um esforço para banir os cristãos da vida política. Isso, porém, não é novidade. O fundamentalismo secular sempre foi intolerante com o cristianismo e sempre procurou excluir os cristãos da vida pública. Da perseguição da Igreja antiga, com o martírio de inúmeros cristãos, à Revolução Francesa e seu Grande Terror, passando pelo século XX e o extermínio de cristãos em campos de concentração do socialismo nacional e internacional, a intolerância do fundamentalismo secular tem crucificado de forma contínua o Corpo de Cristo, além de ter corrompido incessantemente o corpo político.

“O dinheiro do tributo”, de Bernardo Strozzi.

O fundamentalismo secular emprega meios malignos, que correspondem aos seus fins ignominiosos, sempre favorecendo o poder da mentira para promover seus objetivos e usando o engano e a prática obscura da propaganda. O duplipensar e a novilíngua orwellianos fazem parte da mentalidade e do vocabulário fundamentalista secular desde o início. Em nome da “trindade profana” da liberdade, igualdade e fraternidade, os revolucionários franceses e russos privaram os cristãos da liberdade em nome da liberdade; discriminaram-nos em nome da igualdade e mataram-nos em nome da fraternidade. Não é de estranhar, portanto, que a nova geração de fundamentalistas seculares seja intolerante com o cristianismo em nome da tolerância, ou que aprove o assassinato de nascituros em nome da liberdade.

No entanto, a maior hipocrisia do fundamentalismo não está no uso abusivo da linguagem, mas na insistência em excluir a religião da vida pública, embora ele mesmo seja uma religião. Se o teísmo é uma posição religiosa, o ateísmo também o é [1]. A afirmação dogmática de que Deus não existe ou de que Ele deveria ser excluído da vida humana é uma posição religiosa. Quer acreditemos ou não na existência de Deus, ela ocupa um lugar central; é a pedra de toque, a rocha conceitual na qual se baseiam todos os nossos pressupostos. Para o teísta, a presença real de Deus é o princípio determinante que está no coração da realidade; para o ateu, é a ausência verdadeira dEle. Nos dois casos, Deus é crucial e, portanto, está presente, embora de forma irônica no segundo.

É um fato que toda política tem raízes nos primeiros princípios da filosofia, dos quais os mais importantes são os pressupostos metafísicos que dizem respeito à existência ou não existência de Deus. Na verdade, como demonstra a história recente, a eliminação de Deus cria um vácuo que é preenchido por todos os tipos de disparates perigosos e mortais. A crença de Rousseau de que o homem não é naturalmente pecaminoso, isto é, de que não existe uma rebelião primordial contra Deus, provocou toda sorte de barbárie, sobretudo o já mencionado Grande Terror. As ideias radicais de Rousseau permearam a sociedade moderna, de modo mais geral, pelo desprezo generalizado à civilização. A sabedoria das eras e a herança dos sábios são descartadas com a arrogância da ignorância, e o homem moderno é assim reduzido a um dedicado seguidor de loucuras e modismos. O determinismo de Hegel, politizado por Marx, levou ao assassinato de milhões de pessoas no altar do progresso inalterável do homem em direção à ditadura do proletariado. O super-homem de Nietzsche, politizado por Hitler, levou à raça mestra dos nazistas e ao assassinato de milhões de pessoas no altar do orgulho racial.

Como nos faz lembrar Richard Weaver, ideias têm consequências, e más ideias têm más consequências. E como Chesterton nunca cansou de nos dizer: quando as pessoas deixam de crer em Deus, não passam a acreditar em nada, mas em qualquer coisa. O “Nada” não existe, ao passo que Deus, sim, existe. Consequentemente, as pessoas podem crer em Deus, mas ninguém pode crer no nada. Um ateu não consegue ser simplesmente ateu; ele deve se tornar algo mais, que geralmente é algo pior. Quer Deus seja substituído pela impiedade de Marx, ou a de Nietzsche, ou a de Stalin, ou a de Hitler ou a de Margaret Sanger e a Planned Parenthood, o resultado será sempre o mesmo: o massacre de inocentes. Falemos sem rodeios: a ausência de Deus sempre leva à presença do mal.

As lições da história são suficientemente claras para qualquer um que tenha olhos para ver. A eliminação de Deus da esfera pública leva à construção de guilhotinas para substituí-lo. A separação agressiva entre religião e política leva ao mais mortal dos divórcios. A única alternativa à submissão de uma nação a Deus é a submissão de todas as nações a qualquer coisa. Que Deus nos livre de cair nas mãos de tamanha impiedade.

Notas

  1. Se por teísmo entendemos a posição filosófica que dá por verdadeira e racionalmente justificável a proposição “Deus é, ou existe”, então não se trata de uma postura em si mesma religiosa ou necessariamente baseada em alguma fé positiva, embora, é claro, dela se possam extrair consequências de natureza religiosa, moral, vital etc. Nesse sentido, podem considerar-se teístas pessoas de cultura e religiões tão distintas como Sócrates e São João Batista (Nota da Equipe CNP).

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Pare de pedir desculpas por estar grávida!
Família

Pare de pedir
desculpas por estar grávida!

Pare de pedir desculpas por estar grávida!

“Mas isso não é nada responsável”, “mas seus filhos terão menos coisas e menos atenção”, “mas você pode evitá-los”... Por que é que, quando um casal anuncia a vinda de um novo filho, a maioria das pessoas tem apenas coisas negativas a dizer?

Julie MachadoTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Novembro de 2020Tempo de leitura: 6 minutos
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Foi só depois de ter anunciado cinco gestações que parei de me desculpar por elas. Estou grávida agora de meu quinto filho. Antes, eu tremia quando alguém me perguntava “se a gravidez fora planejada”, ou tinha de enfatizar que a diferença de idade entre as crianças era de quase dois anos quando alguém, em choque, perguntava: “Qual a diferença de idade, um ano?”

Desta vez, não só parei de me desculpar, mas cheguei a ficar irritada com tudo isso. Por que é que a maioria das pessoas tem apenas coisas negativas a dizer? Somente uma minoria de católicos e outras pessoas de boa-vontade nos parabenizam e se alegram com a notícia. Quando contamos a uma vizinha que estávamos esperando um bebê, ela disse: “Bem, você é quem sabe o que é melhor para você”.

Não só parei de me desculpar como gostaria também que todas as mulheres do mundo parassem de se desculpar, especialmente as que estão nas filas das clínicas de aborto. Por que não posso ter um bebê? Tenho um casamento feliz, tenho gosto e interesse pela educação de crianças e, embora não tenhamos muito dinheiro, temos uma renda fixa. Sou jovem, saudável e não tenho condições ou doenças que ponham a gestação em risco. Se eu não posso ter outro bebê, quem é que pode? Não importa quais sejam suas condições: sejam elas ideais como as minhas ou desoladoras como as de uma mulher na clínica de aborto, nenhuma de nós precisa se desculpar.

Mas isso não é nada responsável! — Defina “responsável”. Eu acredito que é preciso muita responsabilidade e generosidade para assumir a tarefa de educar crianças. É claro que há pais negligentes que nunca assumiram essa tarefa. Mas aqueles que a assumem são muito mais responsáveis e generosos cinco anos depois do nascimento de seu primeiro bebê. As demandas que surgem com a criação dos filhos fazem os pais cultivarem uma grande variedade de virtudes e bons hábitos, como ter paciência, acordar cedo, gastar menos dinheiro, trabalhar mais arduamente em casa e ser um bom exemplo. Se você tem uma família numerosa, essas demandas são maiores sobre você e também sobre seus filhos. É uma oportunidade para todos crescerem em responsabilidade e generosidade. Ora, na sua vida profissional, as pessoas valorizam virtudes como a laboriosidade, a tenacidade e a resiliência, que ajudam a superar obstáculos e formar melhores trabalhadores. Então, por que não viver isso na vida familiar?

Mas seus filhos terão menos coisas… — Ah! você quis dizer “responsável” no sentido financeiro. Sim, não vou iludi-lo. Quanto mais crianças em casa, menos bens materiais e menos recursos financeiros para cada um. Se você fosse a rainha da Inglaterra, essa regra ainda se aplicaria. Para uma pessoa com uma visão de mundo materialista, na qual o dinheiro ou aquilo que ele pode comprar é igual à felicidade, uma família numerosa nunca faz sentido.

Outro bebê significa menos bens materiais para a família. Contudo, significa mais bens de todos os outros tipos. Mais humanidade: pois há mais uma pessoa. O valor dessa frase é incalculável. Mais um irmão ou irmã e tudo o que isso implica: amor para dar e receber, talentos para partilhar, crescimento para observar. Há mais bens espirituais. Há até mesmo mais oportunidades de crescer nas virtudes: mais oportunidades de partilhar, de ser abnegado, de aprender a brincar com outros e a trabalhar com outros.

Merece também a nossa atenção o fato de que, nos países do assim chamado Terceiro Mundo, faltem muitas vezes às famílias quer os meios fundamentais para a sobrevivência, como o alimento, o trabalho, a habitação, os medicamentos, quer as mais elementares liberdades. Nos países mais ricos, pelo contrário, o bem-estar excessivo e a mentalidade consumista, paradoxalmente unida a uma certa angústia e incerteza sobre o futuro, roubam aos esposos a generosidade e a coragem de suscitarem novas vidas humanas: assim a vida é muitas vezes entendida não como uma bênção, mas como um perigo de que é preciso defender-se (Familiaris Consortio, 6).

Mas você pode evitá-los! — A maior parte das pessoas de gerações anteriores diz algo como: “No meu tempo, não tínhamos como evitá-los. Agora, vocês têm”. De fato, agora, os anticoncepcionais estão mais difundidos e são muito mais acessíveis. Se o anticoncepcional falhar (e ele é, por si só, abortivo), há ainda outras opções, como a pílula do dia seguinte e o aborto. Uma importante questão moral: se algo é tecnicamente possível, isso significa necessariamente que seja bom? Eis um tema para outro artigo.

Mesmo que eu possa “evitá-los”, por que deveria fazê-lo? A alegria e a beleza de uma família numerosa se perde completamente.

Mas seus filhos terão menos atenção! — Pode parecer surpreendente, mas crianças gostam de brincar... com outras crianças, especialmente com irmãos e primos. É claro que é ótimo os pais darem aos filhos muito tempo de qualidade (não necessariamente bens materiais) e atenção exclusiva, e isso pode ser um desafio para uma família numerosa. Há, sim, desafios, mas há também benefícios, que são mais irmãos. Irmãos são companheiros de brincadeiras na infância e amigos para a vida toda, mesmo depois da morte dos pais.

Nossa geração adotou um tipo de paternidade mais desequilibrada, ultra-cuidadosa e “baseada em pesquisas”: a paternidade helicóptero. Pais pairam sobre seu pobre filho único ou sobre seus dois filhinhos, controlando e “educando” cada movimento. Isso é muito mais fácil de equilibrar numa família numerosa.

Mas é pesado demais para você! — Para nossa cultura hedonista e viciada em entretenimento também é duro entender que a verdadeira alegria só vem com o dom de si. O descanso verdadeiro só vem após o trabalho pesado. Eu costumo dizer às pessoas que tudo o que é bom exige trabalho pesado, e elas concordam. Aliás, se você acha mesmo que é assim “tão pesado” para mim, por que não me indica uma babá ou me ajuda com alguma coisa, em vez de me dar conselhos intrometidos?

O que é mentalidade contraceptiva? — É assim que nossa cultura vê os bebês, sejam eles planejados ou não, filhos de uma mulher casada e feliz ou de uma mulher solteira em uma clínica de aborto. Bebês representam um gasto financeiro, o que é uma ameaça em uma visão de mundo que iguala prazer e felicidade. Eu percebi que as pessoas só dão parabéns pela gestação quando é o primeiro bebê e você tem mais de trinta anos, já viajou, frequentou muitos restaurantes e “viveu a vida”. Elas também darão parabéns na gravidez do segundo, se as gestações forem espaçadas e você estiver pretendendo ter um bebê do outro sexo. Todos os outros casos serão criticados.

Bebês geralmente não são bem-vindos em nossa cultura. Famílias numerosas são desconcertantes. Quando leio como S. João Paulo II definiu a “mentalidade contraceptiva” na Familiaris Consortio, em 1981, eu entendo o porquê.

Por outro lado, contudo, não faltam sinais de degradação preocupante de alguns valores fundamentais: uma errada concepção teórica e prática da independência dos cônjuges entre si; as graves ambiguidades acerca da relação de autoridade entre pais e filhos; as dificuldades concretas, que a família muitas vezes experimenta na transmissão dos valores; o número crescente dos divórcios; a praga do aborto; o recurso cada vez mais frequente à esterilização; a instauração de uma verdadeira e própria mentalidade contraceptiva (Familiaris Consortio, 6).

Essa necessidade de se desculpar quando o corpo de uma mulher faz o que sua natureza o predispõe a fazer, ou seja, quando gera uma vida, tem a ver com a mentalidade contraceptiva. Não se trata apenas de os bebês já não serem mais bem-vindos. Vivemos um colapso generalizado da vida familiar, vivemos num mundo hostil ao estabelecimento e florescimento saudável da família.

As mudanças sociais e culturais de que Paulo VI falou em sua profética encíclica Humanae Vitae foram, de fato, expressivas e profundas. Nos últimos cem anos, em que a contracepção tornou-se mais comum e acessível, não houve apenas uma mera mudança técnica na regulação da fertilidade, mas uma tremenda mudança de paradigma quanto aos relacionamentos, ao amor, à família, ao casamento e, é claro, aos bebês.

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