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Cinco lições de Sara e Tobias para os casais de hoje
Espiritualidade

Cinco lições
de Sara e Tobias para os casais de hoje

Cinco lições de Sara e Tobias para os casais de hoje

Não é preciso ser lá muito observador para se dar conta de que o mundo ao nosso redor está saturado de sexo. Mas estará também saturado de amor?

Peter Kwasniewski,  LifeSiteNews.comTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere27 de Setembro de 2018
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Não é preciso ser lá muito observador para se dar conta de que o mundo que nos rodeia está saturado de sexo. Mas estará também saturado de amor?

Em certo sentido, parece até que as duas coisas são inversamente proporcionais: quanto mais desimpedido, livre e hiperativo se vive o sexo, menos espaço se encontra para o amor pessoal, ou seja, para a amizade entre duas pessoas, queridas em si mesmas, e não pelo prazer que podem oferecer. A castidade (ou seja, a virtude de contrariar os desejos sexuais com o fim de construir relações humanas maduras) é valiosa justamente por proteger e potencializar a capacidade de amar as pessoas como elas merecem.

No matrimônio, o poder de amar os outros que a castidade torna possível engloba não só o próprio esposo, mas os filhos que Deus quiser confiar ao casal, ou seja, as futuras pessoas que estão como que “escondidas”, à espera, no amor do presente.

No Livro de Tobias, do Antigo Testamento, encontramos um ícone da nobreza do amor matrimonial entre Tobias e Sara. Tobias assim reza no dia de seu casamento:

Somos filhos dos santos (patriarcas), e não nos devemos casar como os pagãos que não conhecem a Deus […]. Ora, vós sabeis, ó Senhor, que não é para satisfazer a minha paixão que recebo a minha irmã como esposa, mas unicamente com o desejo de suscitar uma posteridade, pela qual o vosso nome seja eternamente bendito (Tb 8, 5.9).

São cinco as lições que podemos aprender neste denso par de versículos:

Primeiro, os que pertencem ao Povo de Deus (para Tobias e Sara, a nação de Israel; para os cristãos de hoje, o novo Israel, o Corpo de Cristo) são “filhos dos santos” e devem viver guiados pela lei de Deus, a qual, como nos recorda João Paulo II na Veritatis Splendor, é promulgada sempre para o nosso maior bem, e nunca para o nosso mal. Nós, portanto, não devemos comportar-nos como os pagãos, que desconhecem por completo a própria dignidade aos olhos de Deus e o profundo respeito que se devem uns aos outros.

Segundo, rezar ao Senhor é condição sine qua non para crescer na amizade, especialmente dentro do matrimônio. Notemos que Tobias não está “obcecado” por Sara, por mais que a ame; ele se volta para Deus, de quem sabe que há de receber as graças necessárias para amá-la sem egoísmo. É um paradoxo: se queremos amar de verdade uma pessoa, não podemos ficar obcecados ou aficionados por ela, sob o risco de sufocarmos e destruirmos o amor. O relacionamento deve abrir-se à presença de Deus, que traz consigo eternidade e infinitude.

Terceiro, Tobias chama à esposa “minha irmã”. Ao falar nestes termos, ele mostra a natureza íntima do seu amor, como se fosse entre irmãos em concórdia. Seu amor não é absorvente, possessivo, que suga seu objeto e depois o cospe fora quando já está seco; antes, é um amor terno, cavalheiresco, que olha mais para o que ambos têm em comum e quer descobrir como cada um deles pode dar o melhor de si.

A expressão “minha irmã” também nos traz à mente as palavras do Esposo à esposa no Cântico dos Cânticos: “Tu me fazes delirar, minha irmã, minha esposa, tu me fazes delirar com um só dos teus olhares, com um só colar do teu pescoço” (Ct 4, 9). Este versículo revela um amor que, sem deixar de ser erótico, está permeado da reserva e do respeito próprio de um amor familiar.

Quarto, Tobias jura ao Senhor que não é “para satisfazer a paixão” que ele recebe Sara como esposa, “mas unicamente com o desejo de suscitar uma posteridade”. Isso parece quase inacreditável: ele ama mesmo Sara ou a quer apenas como meio de deixar descendentes? No entanto, o contraste que se percebe em suas palavras expressa o que ele, de fato, tem em mente.

Para Tobias, há uma diferença marcante entre, de um lado, desejar a mulher por luxúria, o que a reduz a um simples meio, e, de outro, amá-la inteiramente tal como ela é, o que abarca também o misterioso dom da fertilidade, isto é, a sua capacidade de tornar-se mãe. Quando um homem ama sua esposa tendo em vista os filhos que podem gerar, ele a ama ainda mais, porque ama nela algo a mais: ama-a na plenitude daquilo que ela pode e deseja oferecer.

Noutras palavras, Tobias testemunha aqui a verdade, ensinada pelas encíclicas Casti Connubii e Humanae Vitae, de que a finalidade procriativa do matrimônio é o que define e justifica a união dos esposos, tornando-o diferente de qualquer outra forma de relação humana. Sem essa abertura aos filhos, a existência mesma dos sexos masculino e feminino (para não falar da mútua ordenação de um ao outro) careceria totalmente de sentido.

Por fim, Tobias afirma que tanto ele como sua esposa desejam uma posteridade “pela qual o vosso nome seja eternamente bendito”. Aqui, em tons belíssimos, vemos que o fim último do matrimônio não é apenas trazer filhos ao mundo, mas trazê-los ao mundo para o Senhor, a fim de que eles possam amá-lo e glorificar o seu nome.

Para nós, cristãos, esta finalidade apresenta uma dimensão ainda mais profunda, na medida em que os trazemos ao mundo de forma natural a fim de, através do Batismo, os fazermos nascer para a vida sobrenatural, pela qual se tornam filhos adotivos do Pai, participantes da natureza de seu Filho unigênito, Jesus Cristo.

Eis a insondável fecundidade física e espiritual a que os cristãos têm acesso!

Mas que resposta os “discípulos” modernos têm às palavras do Mestre: “Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais” (Mt 19, 14)? Respondem: “Não, preferimos não ter filhos”.

Não é assim que pensavam os judeus; não é assim que deve agir um cristão. Quem quer que vá se casar ou já está recém-casado deve fazer seu coração palpitar no ritmo desta maravilhosa oração de Tobias, que tanto nos ensina com tão poucas palavras. É uma oração que não se resume apenas ao desejo de “ter muitos e numerosos filhos”. É uma oração sobre o amor aos filhos, sobre a abertura ao dom que eles representam e, acima de tudo, sobre aceitar humildemente a vontade do Senhor, que os envia quando e como lhe aprouver.

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Egoísmo, esterilidade e sacrilégio: a antirreligião de Satanás
Doutrina

Egoísmo, esterilidade e sacrilégio:
a antirreligião de Satanás

Egoísmo, esterilidade e sacrilégio: a antirreligião de Satanás

Assim como a Igreja existe para a salvação eterna de todos, Lúcifer construiu aos poucos uma antirreligião, um catolicismo falsificado, que tem como propósito a condenação de todos os homens ao inferno.

Peter Kwasniewski,  LifeSiteNews.comTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere9 de Outubro de 2018
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Nós já vimos como Lúcifer, recusando-se a servir ao Deus da fertilidade e do amor sacrificial, mereceu sua própria isolação e esterilidade eternas, e como ele sempre procura conduzir as almas dos homens ao seu reino de egoísmo. Em particular, a recusa de subordinar o natural ao sobrenatural é o traço que o define. Isso explica o porquê de ele odiar o celibato e a virgindade mais do que qualquer coisa neste mundo.

Satanás odeia o Matrimônio pela mesma razão: também ele consiste em uma vida de autossacrifício — possível apenas graças à bênção divina —, um estado destinado a multiplicar os filhos de Deus, que terão o potencial de receber a elevação sobrenatural da graça e gozar da glória celeste, da qual se privou o demônio. Quão misterioso é o poder, dado ao ser humano, de gerar vida! Ser convidado a associar-se ao Criador! Tomar parte na origem da própria criação ex nihilo: eis um poder que nenhum espírito angélico possui. Trata-se de uma participação direta no ato criador de Deus.

Como explica o grande teólogo tomista Scheeben, se Adão e Eva não tivessem pecado, eles teriam transmitido não apenas a vida natural a sua descendência, mas também a vida sobrenatural: seus filhos seriam concebidos e nasceriam em estado de graça. É por isso que o demônio odiava tanto nossos primeiros pais, resplendentes de graça como eram: ele sabia que, a partir de seus corpos, floresceria toda uma raça destinada à glória imortal juntamente com os anjos. Ainda que nós agora estejamos em uma condição decaída, e não mais demos à luz “filhos de Deus” [1], permanecem conosco o privilégio da procriação e a liberdade de cooperar com Cristo na santificação de nossos filhos.

Como o Papa Pio XI atesta com eloquência no maior documento pontifício já escrito sobre o Matrimônio e a família:

Para apreciar a grandeza deste benefício de Deus e a excelência do Matrimônio, basta considerar a dignidade do homem e a sublimidade do seu fim. Na verdade, o homem ultrapassa todas as outras criaturas visíveis, já pela excelência de sua natureza racional. Mas acresce que, se Deus quis as gerações dos homens, não foi somente para que eles existissem e enchessem a terra, mas para que honrassem a Deus, o conhecessem, o amassem e o gozassem eternamente no Céu; em consequência da admirável elevação do homem, feito por Deus à ordem sobrenatural, este fim ultrapassa tudo o que “os olhos vêem, os ouvidos ouvem e o coração do homem pode conceber” (cf. 1Cor 2, 9). Por isso se vê facilmente quão grande dom da bondade divina e que precioso fruto do Matrimônio é a prole, nascida pela virtude onipotente de Deus e com a cooperação dos esposos […].

Embora os cônjuges cristãos, conquanto sejam santificados eles próprios, não possam transmitir a sua santificação aos filhos, porque a geração natural da vida se tornou, ao contrário, caminho de morte, pelo qual passa à prole o pecado original, eles participam, todavia, de algum modo, da condição da primeira união no paraíso terrestre, cabendo-lhes oferecer a sua prole à Igreja, a fim de que esta mãe fecundíssima de filhos de Deus a regenere pela água purificadora do Batismo para a justiça sobrenatural e a torne prole de membros de Cristo, participantes da glória, à qual todos aspiramos do íntimo do coração (Casti Connubii, 13-14).

Satanás fez o que estava a seu alcance para frustrar esse plano — e assim ele faz com cada um de nós, se o deixarmos agir. O diabo se opõe tanto à geração natural quanto à sobrenatural: ele procura impedir que homens e mulheres usem o dom de sua sexualidade para trazer mais vida ao mundo; ele procura convencê-los a matar o fruto que carregam; ele procura afastá-los da fonte de imortalidade que são os sacramentos da Igreja.

Odiando a procriação, ele reuniu todas as suas forças a fim ou de impedi-la por meio da contracepção ou de destruir os seus frutos por meio do aborto. A contracepção é uma abominação da desolação no meio do templo, que é o corpo humano santificado pelo Espírito Santo: através dela, o Deus que dá vida é expulso como se fosse um espírito mau, e em seu lugar é entronizado o espírito da luxúria e da avareza, que faz do ventre estéril sua casa, como uma igreja sem sacrário e sem Presença Real.

Contra o espírito demoníaco de egoísmo, os cônjuges cedem o direito que têm de autodeterminação sobre seus próprios corpos justamente quando prometem amor fiel um ao outro até a morte, venha o que vier. Cristo, também, é fiel à sua Igreja, aconteça o que acontecer, e nunca desiste de seus membros pecadores até que todas as pessoas destinadas à glória alcancem a Pátria.

À luz da fidelidade de Deus ao povo pecador de Israel, bem como da fidelidade de Cristo à sua Igreja ainda imperfeita, o divórcio não passa de uma ficção irredimível; o adultério, de uma abominação; e a Comunhão eucarística para “recasados”, de um ato de sacrilégio por meio do qual o Salvador é cuspido, flagelado, coroado de espinhos e crucificado no seu Santíssimo Sacramento.

Não nos iludamos a esse respeito: Lúcifer, com sua pseudopaciência de espírito imortal, construiu aos poucos uma antirreligião, um catolicismo falsificado, que tem como propósito a condenação eterna dos seres humanos, assim como a religião católica tem como propósito a salvação eterna de todos:

  • o divórcio, e com ele o adultério, é o antissacramento do Matrimônio;
  • a contracepção, e a partir dela o aborto, é o antissacramento do Batismo;
  • a autoindulgência da masturbação e da homossexualidade é o antissacramento da Confirmação, que produz autocontrole e fortaleza;
  • a eutanásia é o antissacramento da Extrema Unção;
  • no lugar do sacramento da Ordem, há a paternidade negligente e o feminismo que odeia os homens;
  • no lugar do sacramento da Penitência, há a satisfação hedonista de todo apetite corporal;
  • no lugar da Eucaristia, há a idolatria do mundo, da carne e do demônio.

Agora podemos enxergar melhor a ligação entre a frase da Irmã Lúcia, de que “a batalha final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre o Matrimônio e a família”, e a condenação de Joviniano por negar a superioridade do celibato e da vida virginal consagrada a Deus. Falsas doutrinas sobre o Matrimônio e o “relaxamento” na disciplina do celibato clerical são dois flancos de um mesmo exército que sitia a Cidade de Deus nesta terra.

Qualquer palavra e ação contra a santidade do Matrimônio, o bem da família ou as elevadas vocações à vida religiosa e sacerdotal, tem sua origem no General do exército, no Inimigo da humanidade. Ao enfrentarmos a pior confusão doutrinal e laxismo moral que a Igreja jamais suportou, imploremos ao Senhor, poderoso na batalha (cf. Sl 23, 8), que salve o seu povo e abençoe sua herança (cf. Sl 27, 9).

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Pornografia, prostituição e “mulheres de mentira”
Sociedade

Pornografia, prostituição
e “mulheres de mentira”

Pornografia, prostituição e “mulheres de mentira”

A pornografia não satisfaz mais. Estão chegando à América os bordéis com “bonecas sexuais”, feitas de silicone e aperfeiçoadas para parecerem o máximo possível com mulheres de verdade.

Jonathon van Maren,  LifeSiteNews.comTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere9 de Outubro de 2018
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No ano passado, eu participei do programa de rádio de um amigo para discutir um dos assuntos mais estranhos sobre os quais já fui convidado a falar: a ascensão dos chamados “robôs sexuais”.

Em alguns países — sendo o Japão o mais notável deles —, esses robôs foram aperfeiçoados ao ponto de ficarem com a aparência muito próxima à forma humana e, apesar de serem o passo tecnológico seguinte em uma cultura tomada pela pornografia, eles têm sido anunciados por alguns como uma “válvula de escape” para as pessoas com desejos sexuais depravados. De fato, um dos outros convidados do programa, uma mulher, afirmou não ver problema em pedófilos que tivessem “bonecos sexuais de crianças” (algo já experimentado): melhor isso, ela disse, do que tê-los satisfazendo seus desejos machucando pessoas de verdade.

Na ocasião, eu discordei fortemente dessa perspectiva, destacando que muitas pessoas inicialmente pensaram que a pornografia violenta, também, poderia ser uma forma de impedir indivíduos com tendências violentas de satisfazer seus desejos com seres humanos reais; pensava-se que a pornografia poderia servir, ao contrário, como uma “válvula de escape” para esses desejos.

O que nós infelizmente descobrimos ao longo dos últimos anos é o exato oposto disso: a pornografia cria esses desejos perversos nas pessoas que inicialmente não os tinham, fortalece-os naqueles que já tinham tendências violentas, e inflama-os de forma a encorajar a sua prática. Em outras palavras, a pornografia não serve como um “escape”; serve, isso sim, para fortalecer ou até mesmo desencadear tendências sexuais violentas.

Com bonecas, é claro, isso pode se tornar ainda mais perigoso. Pessoas com fantasias sexuais depravadas poderão, possivelmente pela primeira vez, ver esses desejos satisfeitos de um modo físico e sensorial, se bem que com um “escape” não-humano. O resultado disso, eu apontei, é que nós estaremos encorajando e fortalecendo ainda mais esses desejos.

Com mais pesquisa depois, descobri que eu não era o único com esse argumento: um professor chegou a pedir ao governo britânico que barrasse a importação dessas bonecas, sublinhando o fato de que uma delas havia sido inclusive programada para “resistir a investidas” — autorizando o consumidor a tomar parte no que, em essência, é um estupro simulado. Esse tipo de coisa, ele notou, poderia encorajar comportamentos sexuais violentos.

Revisito aqui essa entrevista de rádio só porque o jornal canadense Toronto Star noticiou que a cidade de Toronto em breve terá o primeiro “bordel de bonecas sexuais” da América do Norte, oferecendo ao público uma variedade de bonecas sexuais feitas de silicone para aluguel. Eles planejam abrir o negócio em um shopping da cidade, e estão prometendo bonecas de várias etnias e de vários padrões de beleza, com preços que vão de 80 dólares canadenses por meia hora a 160 por duas bonecas.

O bordel promete que as bonecas terão aparência e sensibilidade de pessoas reais, e que haverá um processo triplo de higienização depois do uso por cada consumidor. Haverá uma equipe no “prostíbulo”, mas aparentemente eles não dirão palavra alguma aos consumidores para assegurar que sua experiência sexual não seja descarregada em um ser humano de verdade depois.

Na reportagem em questão, uma linha em particular chamou-me a atenção: “De acordo com o site Aura Dolls, a companhia por trás do bordel, a ideia é trazer uma nova forma de satisfazer as próprias necessidades sexuais ‘sem as muitas restrições e limitações com que pode vir uma companheira de verdade’.”

Entendeu? O que eles estão dizendo é que as “restrições e limitações” de uma parceira real — isto é, humana — não existem com uma boneca, e que todas as fantasias obscuras, esquisitas e violentas que não podem ser realizadas com uma pessoa real não precisam ser restringidas — elas podem ser realizadas com uma boneca de aparência humana. A mensagem é que esses desejos não precisam ser suprimidos — por 80 dólares, eles podem ser experimentados. Além do mais, quem pode dizer que qualquer desejo sexual é realmente errado em nossa cultura relativista e sexualmente liberal?

Nós já vimos isso antes. Por exemplo, uma das razões por que prostitutas recebem tanta violência de seus clientes é que — como um anônimo disse bem sucintamente em um relatório submetido à Câmara dos Comuns do Canadá durante um debate sobre prostituição — “com uma prostituta você pode fazer coisas que não faria com uma mulher de verdade”. Esse homem sequer parou para pensar no que ele disse, porque a pornografia objetifica e desumaniza as mulheres ao mesmo tempo em que inflama desejos exóticos que antes estavam “dormentes” ou sequer existiam.

O fenômeno dos “robôs sexuais” é simplesmente mais um passo nessa mesmo direção — e um passo ainda mais perigoso.

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Fertilização “in vitro” com os dias contados!
Sociedade

Fertilização “in vitro”
com os dias contados!

Fertilização “in vitro” com os dias contados!

Quer ter filhos, mas não consegue? Conheça a “naprotecnologia”, uma alternativa católica e muito mais viável do que a “fecundação in vitro”, mas pouco conhecida devido ao preconceito dos médicos e ao lobby anticristão.

Rodolfo Casadei,  TempiTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere9 de Outubro de 2018
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Levando em conta a porcentagem de nascimentos entre casais que seguem os tratamentos, seu índice de êxito é o dobro em comparação à fecundação assistida; seu custo é onze vezes menor, apesar de ela ser realizada por poucos médicos em todo o mundo; ela foi boicotada pelos lobbies da proveta e tem sido ignorada pelos sistemas de saúde nacionais. A naprotecnologia nasceu nos Estados Unidos e chegou à Europa há alguns anos, mas segue enfrentando o preconceito de quem a considera uma abordagem confessional da medicina, condicionada por dogmas religiosos.

Nada mais longe da realidade. É verdade que as práticas da naprotecnologia conformam-se rigorosamente à bioética católica; todavia, está comprovado que sua abordagem do problema da esterilidade é científica e clinicamente mais rigorosa do que aquela praticada no âmbito da fecundação assistida. Até por isso ela é mais eficaz: as estatísticas o confirmam.

“A diferença entre a naprotecnologia e a fecundação in vitro consiste no fato de que na primeira a questão fundamental é o diagnóstico das causas de infertilidade”, explica Phill Boyle, ginecologista irlandês que ministra os cursos de formação em naprotecnologia para médicos de toda a Europa, em uma clínica da cidade de Galway. “O que se procura é uma explicação médica do por que um casal não consegue procriar, cuidando assim de eliminar o problema e ‘ajustar’ o mecanismo natural, devolvendo-lhe a harmonia.”

“No procedimento in vitro, ao contrário, o diagnóstico das causas não tem importância, os médicos querem simplesmente ‘ignorar o obstáculo’, levando a cabo uma fecundação artificial. Na naprotecnologia, o tratamento resolve o problema do casal, que depois pode ter outros filhos. Com o método in vitro, os cônjuges não se curam e seguem sendo um casal estéril, e para ter mais filhos deverão sempre confiar em um laboratório.”

A naprotecnologia é a verdadeira fecundação assistida”, ironiza a ginecologista Raffaella Pingitore, a maior especialista de língua italiana no método, e que atua na clínica Moncucco, na cidade suíça de Lugano. “No sentido de que assistimos a concepção do início ao fim, ou seja, desde a fase de distinção dos marcadores de fertilidade na mulher até as intervenções farmacológicas e/ou cirúrgicas necessárias para permitir que o casal chegue de um modo natural à concepção.”

O nome do método deriva do inglês natural procreation technology, “tecnologia de procriação natural”. Mais que uma tecnologia, é um conjunto de técnicas diagnósticas e intervenções médicas que tem como objetivo discernir a causa da infertilidade e sua remoção específica.

Começa-se com as tabelas do modelo Creighton, que descrevem o estado dos biomarcadores da fecundidade durante todo o ciclo menstrual da mulher, e que se baseiam principalmente na observação do estado do muco cervical, feita pela própria mulher. O pilar que sustenta toda a naprotecnologia é a capacidade da mulher de se observar: ela é formada para isso na parte inicial do percurso. As tabelas corretamente preenchidas, com o estado do muco cervical dia após dia e os outros dados, são a base de todos os passos sucessivos. A partir disso já é possível diagnosticar carências hormonais, insuficiências lúteas e outros problemas passíveis de serem tratados com a receita dos hormônios que faltam.

Se a infertilidade persiste, prossegue-se com o exame detalhado do nível dos hormônios no sangue, a ecografia da ovulação e a laparoscopia avançada. Podem ser necessárias, então, intervenções de microcirurgia das trompas ou de laparoscopia avançada para remover as partes prejudicadas pela endometriose. O resultado final é uma porcentagem de nascidos vivos entre 50 e 60% do total dos casais que realizam os tratamentos durante no máximo dois anos (mas a maior parte concebe no primeiro ano), contra uma média de 20 a 30% entre os que recorrem aos ciclos da fecundação in vitro (em geral, seis ciclos).

“Uma das coisas que mais me escandaliza é a ampla negligência que existe no diagnóstico das causas de infertilidade”, explica Raffaella Pingitore. “Hoje, depois de poucos exames práticos, a mulher é encaminhada aos centros de fecundação assistida. Chegamos ao ponto de, há alguns anos, a ‘Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva’ (American Society for Reproductive Medicine) ter declarado a insuficiência lútea como inexistente, porque não podia ser ‘cientificamente’ diagnosticada. Nós temos condições de diagnosticá-la porque envolvemos a mulher e pedimos a ela que observe e descreva diariamente o estado de seu muco cervical. Esse procedimento nos permite diagnosticar a insuficiência lútea. Mas isso para muitos médicos é impensável: eles se limitam a colher uma amostra no 21.º dia do ciclo menstrual para medir o nível de progesterona. Mas só 20% das pacientes têm um ciclo perfeitamente regular, pelo que esse dado é quase sempre inútil para o diagnóstico.”

“Nos Estados Unidos, em Omaha, no estado de Nebraska, iam visitar o doutor Thomas Hilgers, o verdadeiro criador da naprotecnologia, mulheres às quais a endometriose havia sido descartada depois de uma laparoscopia. Mas, realizando-se uma laparoscopia mais avançada, descobria-se que em 90% dos casos a endometriose existia. Comigo aconteceu muitas vezes a mesma coisa. Uma laparoscopia avançada deveria ser uma prática padrão nos testes de esterilidade, mas, por se tratar de uma intervenção cirúrgica, a hostilidade é grande.”

Que o recurso indiscriminado à fecundação assistida esteja associado à negligência diagnóstica, é algo que se deduz também pelo elevado número de pacientes que recorrem com sucesso à naprotecnologia depois de ciclos fracassados de fecundação in vitro. O doutor Boyle afirma que nos últimos seis anos, no grupo de suas pacientes com menos de 37 anos que já haviam tentado dois ciclos de fecundação assistida, o percentual das que conceberam graças ao método de procriação natural é de 40%.

Raffaella Pingitore conta sua experiência pessoal:

A paciente tinha 36 anos e desejava uma gravidez há oito anos; havia realizado no passado cinco ciclos de fecundação assistida sem êxito. Fiz com que ela registrasse a tabela dos marcadores de fertilidade, e notamos que havia uma fase satisfatória de muco fértil, mas os níveis hormonais estavam um pouco baixos, o que indicava uma ovulação um pouco defeituosa. Havia também sintomas de endometriose; realizei uma laparoscopia, encontrei a endometriose e coagulei os focos da doença no útero, nos ovários e nas trompas. Depois a submeti a uma terapia para que ela ficasse em menopausa durante seis meses: deste modo secavam-se bem todos os focos de endometriose que talvez ainda existissem; depois da terapia continuei com um fármaco, o Antaxone, com a dieta e com apoio da fase lútea com pequenas injeções de gonadotropina. Isso levou ao aumento dos hormônios, e no quarto mês de tratamento havia se alcançado um muco muito bom. No 17.º depois da ovulação realizamos o teste de gravidez, que resultou positivo.

O cuidado do profissional eticamente motivado pode mais do que as técnicas artificiais. Prova-o a história da doutora Pingitore, e provam-no as estatísticas do doutor Boyle. Na Irlanda, ao longo de quatro anos, o ginecologista curou 1.072 casais que há mais de cinco anos lutavam para ter um filho. A idade média das mulheres era de 36 anos, e quase um terço delas já havia tentado ter um filho com a fecundação in vitro. Após seis meses de tratamento naprotecnológico, a eficácia do método foi de 15,9%. Após um ano, 35,5%. Após um ano e meio, 48,5% das pacientes havia ficado grávida. Se o tratamento durava dois anos, quase 65% das pacientes chegavam à gravidez.

Com uma base de pacientes muito menor, a doutora Pingitore, no biênio 2009-2011, obteve uma média de 47,3%. Nos Estados Unidos (país onde não existem leis limitando o número de embriões fecundados que podem ser transferidos para o útero), os índices de sucesso da fecundação assistida depois de seis ciclos são os seguintes: 30-35% para mulheres com idade inferior aos 35 anos; 25% para mulheres entre os 35 e os 37 anos; 15-20% para mulheres entre os 38 e os 40; 6-10% para mulheres com idade superior aos 40 anos.

Depois temos a questão (de modo algum secundária) dos custos, ainda que na Itália ela seja pouco discutida porque, à parte as pacientes com plano privado de saúde, as despesas da fecundação assistida correm a cargo do sistema público de saúde. Em tempos de austeridade econômica e de efeitos deletérios da dívida pública, no entanto, um olhar à relação de custo-benefício deveria valer também para nós. O fato é que, se comparamos os custos de dois anos de tratamento naprotecnológico com os de seis ciclos de fecundação assistida, a segunda custa onze vezes mais do que a primeira.

Um único ciclo de fecundação in vitro custa na Itália em torno de 3.750 euros, mais 1.000 euros de medicação, pelo que seis ciclos custariam 28.500 euros, aos quais se acrescentam outros 800 para o congelamento e a manutenção dos embriões, e 1.200 para a transferência dos mesmos, em um total de 30.500 (R$ 131.812, hoje). Por outro lado, ainda que se alargasse para dois anos o tratamento com a naprotecnologia, seus custos são modestos: 300 euros para o curso de formação nos métodos naturais, 800 para as consultas médicas e 1.500 para os medicamentos, em um total de apenas 2.600 euros. É provável que os parlamentos e os ministros da saúde europeus não sejam muito sensíveis aos temas bioéticos, mas eles dificilmente poderão fingir-se de surdos a pedidos para que se verifique a relação de custo-benefício entre os dois métodos.

“A naprotecnologia tem tudo para se difundir, ainda que seja só por um discurso ligado aos custos, nos quais vão incluídos também os efeitos colaterais da prática de fecundação assistida: não nos esqueçamos que as crianças que nascem com esta técnica têm mais probabilidade de malformações e problemas de saúde do que aquelas que nascem de forma natural”, recorda Raffaella Pingitore. “Em primeiro lugar, porém, é necessário vencer o lobby da procriação assistida. Trata-se de um lobby bilionário, que enriquece centenas de pessoas e que não deixará tão facilmente que se lhe coloque o bastão entre as rodas.”

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Crise na Igreja? Estes dois santos podem ajudar!
Espiritualidade

Crise na Igreja?
Estes dois santos podem ajudar!

Crise na Igreja? Estes dois santos podem ajudar!

Os males que o Senhor permite que nos aconteçam são um chamado bem forte para nos despertar e fazer-nos redescobrir nossa identidade como discípulos de Cristo.

Peter Kwasniewski,  LifeSiteNews.comTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Outubro de 2018
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Nós temos sempre necessidade do exemplo e da doutrina dos santos para nos mantermos no caminho certo. Em outubro, a Igreja celebra as festas de muitos santos de elevada estatura. Dois deles, especialmente amados pelos católicos, são lembrados bem no começo do mês: Santa Teresinha do Menino Jesus (dia 1.º de outubro no novo calendário, e 3 no antigo) e São Francisco de Assis (4 de outubro em ambos).

Santa Teresinha ensina-nos a não deixar passar jamais as pequenas coisas, nas quais Deus se encontra conosco e através das quais nós demonstramos o amor que lhe temos.

São Francisco ensina-nos, por sua vez, que tudo não passa de uma grande perda em comparação com o amor extraordinário de Cristo crucificado.

Ambos tornaram-se santos por meio do caminho apertado (cf. Mt 7, 14), colocando Cristo cada vez mais em primeiro lugar e fugindo do pecado com cada vez mais determinação. Não é que Teresa e Francisco não tenham experimentado percalços ou fracassos — uma perfeição assim completa não é possível para nenhum ser humano decaído; como diz Santo Tomás, seremos totalmente perfeitos apenas na pátria celeste —, mas eles sabiam para onde estavam indo e como chegariam a seu destino, sem jamais se deixarem demover por qualquer obstáculo.

Nosso Senhor age poderosamente dentro de nós, mesmo com os entraves que nós mesmos tantas vezes colocamos à sua ação. Por isso, não devemos parar de entregar a Ele o nosso coração com aquele ato de vontade único, simples e fundamental de dizer: “Senhor, eu quero pertencer-vos, eu quero ser vosso por toda a eternidade. Fazei-me vosso pelo poder de vosso Espírito Santo.”

A raiz da atual crise por que passa a Igreja nada mais é do que a ausência de um desejo ardente por estar com Nosso Senhor Jesus Cristo e permanecer nEle hoje, todos os dias, até o dia final. É esse o fundamento da santidade e de absolutamente tudo na vida cristã. Sem esse desejo por uma união cada vez mais perfeita com Cristo, nosso Salvador, nada mais importa nem chega a fazer qualquer sentido. Eis o que temos de redescobrir — a começar por aqui, no meu e no seu próprio coração.

Os males que o Senhor está permitindo que nos aconteçam são um chamado bem forte para nos despertar e fazer-nos redescobrir nossa identidade e compromisso básicos como discípulos de Cristo. E porque geralmente o amor tem chances de se revelar mais nos pequenos do que nos grandes caminhos, como Santa Teresinha nos recorda, é preciso que nós nos humilhemos, buscando o Senhor todos os dias na oração — recorrendo à Confissão, à Missa, à adoração eucarística, bem como ao auxílio de Nossa Senhora e dos santos, não obstante os desânimos, aborrecimentos, maus sentimentos ou quaisquer outras coisas que tentem nos tirar do que nós sabemos ser nosso dever.

Nossa rotina diária parece incluir todo o tempo do mundo para o escrutínio intenso de notícias, para o “lançamento” de reclamações como se fôssemos navios em uma batalha naval, para a produção de análises que se encaixem aos fatos do dia e para o cultivo da ansiedade quase como uma atividade artística. Eu mesmo conheço bem a tentação de ser absorvido e se perder nessas coisas.

Não me entendam mal! É claro que existe um tempo para se manter atualizado com as notícias, para fazer críticas e análises de conjuntura, ainda que não seja por ansiedade ou angústia excessivas.

Eu acredito, porém, que Santa Teresinha e São Francisco nos diriam: Não se esqueça de reservar tempo, e cada vez mais tempo, para fazer uma oração recolhida, humilde, generosa e de coração pela Igreja e por todos os seus membros, desde o Papa até o mais simples dos leigos, ou por seja lá o que mais o esteja incomodando.

Faça isso por amor a Cristo, que amou e se entregou por você, e isso quando você era ainda um miserável pecador (cf. Gl 2, 20; Rm 5, 8). Rezar será muito mais eficaz para uma reforma verdadeira e duradoura da Igreja do que todo e qualquer “ativismo” com que estejamos habituados.

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