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Eis o Cordeiro de Deus
Doutrina

Eis o Cordeiro de Deus

Eis o Cordeiro de Deus

Pelo sangue dos cordeiros, os israelitas foram preservados da praga exterminadora. Pelo sangue do Cordeiro, a humanidade foi livre da morte.

Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Maio de 2015Tempo de leitura: 4 minutos
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Das famosas dez pragas do Egito, a mais importante de todas foi, sem dúvida, a última, não só porque representou o maior de todos os castigos infligidos aos egípcios (cf. Ex 11, 6), mas também porque foi o estopim para a libertação definitiva de todo o povo de Israel. Depois de rãs, mosquitos, tumores e gafanhotos, um anjo exterminador foi enviado às terras do Faraó para matar os primogênitos de todos os egípcios e de todos os seus animais.

Tudo isso foi realizado para que o povo de Deus, liderado por Moisés, fosse retirado da escravidão. De fato, o coração duro do Faraó só permitiu que os israelitas partissem do Egito depois que o seu próprio filho, o herdeiro de seu trono, teve a vida ceifada pelo anjo da morte. Naquele dia, instituiu-se a festa da páscoa: à "passagem" de Deus, o Egito ficou banhado de sangue, enquanto os judeus foram preservados do extermínio.

Na ocasião, o que salvou o povo hebreu? Ficou determinado que todas as famílias de Israel deviam, no décimo quarto dia daquele mês, imolar um cordeiro "sem defeito", tomar o seu sangue e untar os umbrais de suas portas. À vista disso, o anjo da morte não entraria em suas casas. "Quando o Senhor passar pelo Egito para castigá-lo, e reparar o sangue sobre a moldura das portas, passará por vossas portas e não permitirá que o Exterminador entre em vossas casas para causar dano" (Ex 12, 23). De fato, pelo sangue dos cordeiros, os israelitas foram preservados da morte.

Para entender plenamente essa história, é preciso recorrer ao juízo da Igreja, a quem Cristo deu o poder das chaves (cf. Mt 18, 18; Lc 10, 16) e o encargo de interpretar corretamente as Escrituras. Certos trechos da Bíblia, de fato – e a história contada acima é um exemplo –, aparentam não ter nada a ver com o que vivem os homens de hoje e parecem não ter nenhum ensinamento a oferecer à modernidade. O extermínio dos egípcios apontado pelo livro do Êxodo, então, poderia muito bem ser enquadrado naquela denominação de "páginas 'obscuras' da Bíblia", usada pelo Papa Bento XVI [1]. Como entender que Deus estenda a mão sobre o Egito e mate todos os seus primogênitos em uma só noite?

À pergunta provocadora, urge responder com a única chave interpretativa de toda a revelação divina: "o Evangelho e o mandamento novo de Jesus Cristo realizado no mistério pascal" [2]. Nas palavras de Hugo de São Vítor, "toda a Escritura divina constitui um único livro e este único livro é Cristo, fala de Cristo e encontra em Cristo a sua realização" [3]. As pragas do Egito e o sangue que quebrou os grilhões dos israelitas carregam o seu próprio significado [4], mas constituem, sobretudo, um sinal daquilo que estava por vir, uma figura que aponta para "o cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo" (Jo 1, 29).

À páscoa judaica se segue, então, a Páscoa por excelência. O sangue dos cordeiros, incapaz de "eliminar os pecados" (Hb 10, 4), é substituído pelo verdadeiro Cordeiro, indefectível, que, "depois de ter oferecido um sacrifício único pelos pecados (...), levou à perfeição definitiva os que são por ele santificados" (Hb 10, 12.14). A liberdade agora conquistada não é simplesmente o fim de uma escravidão física; é a destruição do pecado, que escraviza o espírito. A morte agora vencida não é mais a morte deste corpo terreno e passageiro, consequência inevitável de sermos filhos de Adão; é a morte definitiva, que precipita a alma na desgraça e na escravidão eternas. Foi para esta liberdade que Cristo nos libertou (cf. Gl 5, 1), derramando voluntariamente o Seu próprio sangue (cf. Jo 10, 18) e untando as portas da nossa alma com o sacramento do Batismo.

Para elevar ainda mais à perfeição a analogia do cordeiro, porém, Ele não só foi imolado verdadeiramente, mas deu-se como alimento para todos os que vivem a Sua vida. Os que comiam o cordeiro da antiga páscoa com os ázimos (cf. Ex 12, 8) estavam livres da praga exterminadora, mas presos ainda aos grilhões da morte. "Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. Aqui está o pão que desce do céu, para que não morra quem dele comer" (Jo 6, 49-50). Mas, como se dá isso? Como acontece que quem come e bebe do Corpo e Sangue do Senhor viva para sempre?

Santo Tomás de Aquino, comentando a passagem de Jo 6, 54: "Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós", explica que a realidade do sacramento da Eucaristia "é a unidade do corpo místico, sem a qual não pode haver salvação, porque ninguém tem acesso à salvação fora da Igreja, como tampouco no dilúvio houve salvação fora da arca de Noé" [4]. Ou seja, a Eucaristia nos salva porque nos incorpora à Igreja, que é o corpo místico de Cristo. O antigo povo de Deus estava limitado a uma raça, à comunidade dos judeus; o povo da Nova Aliança é a santa Igreja, a assembleia de homens e mulheres, de todas as raças, povos e nações, que têm em comum a comunhão no Corpo e Sangue do Cordeiro.

"Ecce Agnus Dei, ecce, qui tollit peccáta mundi – Eis o Cordeiro de Deus, eis o que tira os pecados do mundo", repetem os sacerdotes em todas as Missas. E a Igreja canta a Deus a sua ação de graças: porque "Cristo amou a Igreja e se entregou por ela"; porque "quis apresentá-la a si mesmo toda bela, sem mancha nem ruga ou qualquer reparo, mas santa e sem defeito" (Ef 5, 26-27); porque é ela, agora, unida à sua cabeça, que deve oferecer o seu sacrifício; porque somos nós, agora, que devemos completar em nossa carne o que falta à paixão de Nosso Senhor (cf. Cl 1, 24). "Eu vos exorto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso verdadeiro culto" (Rm 12, 1).

Referências

  1. Cf. Exortação Apostólica Verbum Domini (30 de setembro de 2010), 42.
  2. Idem.
  3. De arca Noe, 2, 8 (PL 176, 642 C-D).
  4. Cf. BETTENCOURT, Dom Estêvão. Para entender o Antigo Testamento. Agir: Rio de Janeiro, 1956. pp. 205s
  5. Suma Teológica, III, q. 73, a. 3.

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‘Eu achava que o hospital era um lugar para curar as pessoas, não para matá-las’
Pró-VidaSociedade

‘Eu achava que o hospital era um lugar para curar as pessoas, não para matá-las’

‘Eu achava que o hospital era um lugar para curar as pessoas, não para matá-las’

“Asfixia! Morte por asfixia!” Enfermeiras relatam o drama de mais bebês nascidos vivos durante abortos malsucedidos.

LifeSiteNews.comTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Maio de 2015Tempo de leitura: 8 minutos
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Geralmente, quando um bebê nasce vivo durante um procedimento de aborto, ele é mantido na clínica de aborto até morrer. Em alguns casos, o aborteiro mesmo age para matar o bebê. Mas, às vezes, ele é transferido para um hospital, onde pode receber os devidos cuidados médicos. Infelizmente, é a política de muitos hospitais simplesmente deixar que essas crianças morram.

A enfermeira Kathleen Malloy, de Jacksonville, Flórida, testemunhou a morte de um bebê que nasceu depois de um aborto salino e foi transferido ao seu hospital. Um panfleto pró-vida de título Children: Things We Throw Away? ["Crianças: Coisas que Jogamos Fora?"] conta a sua história:

"Eu trabalhava no turno da noite, das 23h às 7h, e quando estávamos desocupadas, eu saía para ajudar com os recém-nascidos. Uma noite, vi um berço do lado de fora da enfermaria. Tinha um bebê nesse berço – um bebê perfeitamente formado, chorando –, mas havia uma diferença nessa criança. Ela tinha sido escaldada. Era a criança de um aborto salino.

Parecia que aquela pequena menina tinha sido colocada em uma panela de água fervente. Ali, não havia ninguém, nenhum médico, nenhuma enfermeira, nenhum pai, para confortar aquela criança ferida e queimada. Ela foi deixada para morrer agonizando. Não a deixariam na enfermaria – sequer se preocuparam em cobrir a menina.

Senti vergonha de minha profissão naquela noite! É difícil acreditar que isso possa acontecer em nossos hospitais modernos, mas acontece. Acontece o tempo todo. Eu achava que um hospital era um lugar para curar os doentes – não para matar.

Perguntei a uma enfermeira em outro hospital o que elas faziam com os bebês que eram abortados por solução salina. Diferentemente do meu hospital, onde o bebê tinha sido abandonado enquanto lutava para respirar, no hospital dela, elas colocavam a criança em um balde e o fechavam com uma tampa. Asfixia! Morte por asfixia!"

Um aborto salino é realizado injetando-se uma solução salina cáustica dentro do líquido amniótico que envolve o bebê. Ele inspira o líquido, que queima os seus pulmões e a sua pele, fazendo-o morrer no prazo de poucas horas. A mãe, então, entra em trabalho de parto, para dar à luz uma criança morta. Hoje, esse tipo de aborto é raro, devido à grande probabilidade de as crianças nascerem vivas e ao alto risco de morte que esse método representa para a mulher: a solução poderia prejudicar seriamente o seu corpo, se a injeção caísse em sua corrente sanguínea. Um procedimento similar pelo qual o veneno é injetado no coração do bebê ou, em alguns casos, no líquido amniótico, ainda é praticado hoje em dia, sendo usado em casos de aborto tardio – no segundo e terceiro trimestres de gravidez.

O bebê que Malloy viu morrendo não ganhou nem um nome, nem a chance de viver. Em uma situação parecida, Gianna Jensen, que também foi abortada pelo método salino, recebeu assistência médica e sobreviveu. Hoje, ela é uma ativista pró-vida. O seu testemunho pode ser encontrado abaixo:

Um artigo de 2002 publicado em The Journal of Clinical Nursing parece sugerir que enfermeiras se deparam com bebês vivos depois de abortos malsucedidos com certa frequência. De acordo com o artigo:

"No caso de procedimento tardio, a morte do feto antes do parto, embora seja usual, não acontece sempre, exceto em casos raros de extrema anormalidade física. (...) De fato, às vezes, o feto tentará respirar ou mover os seus membros, o que torna a experiência extremamente angustiante para as enfermeiras. Além disso, enquanto a mulher provavelmente passará por esse processo uma vez na vida, enfermeiras podem passar por isso várias vezes no ano ou até em uma mesma semana." [1]

O artigo cita a autora e conferencista Annette D. Huntington, Ph.D., que diz que nascidos vivos durante casos de aborto são uma "ocorrência regular".

Outra enfermeira que se encontrou na terrível situação de cuidar de um bebê abortado contou a sua história no jornal do Friendship Pregnancy Center (agora chamado de Women's First Choice Center), em Morristown, Nova Jersey. A sua história, que pode ser lida na íntegra aqui, é aterradora. Na noite em que o bebê abortado chegou, três bebês prematuros de um hospital próximo estavam sendo atendidos, dois dos quais corriam risco de morte, e os médicos lutavam para salvar suas vidas. Enquanto eles trabalhavam duro para ajudar esses dois bebês queridos, a vítima do aborto foi trazida:

"A enfermeira da seção de parto e nascimento entrou em nossa unidade carregando uma manta e afirmando: 'Este é um aborto por prostalglandina. Ele tem pulsação e por isso o trouxemos.' O bebê foi colocado debaixo de um aquecedor radiante e eu fui inteirada do resto dos fatos. O bebê era dado como sendo de 23 semanas, pelo ultrassom. A mãe tinha câncer e recebeu tratamentos de quimioterapia antes de descobrir que estava grávida. Os pais ficaram sabendo que o seu bebê sairia horrivelmente deformado por causa da quimioterapia.

Olhei para o menino deitado diante de mim e vi que, sob todos os aspectos, ele era perfeito. Tinha uma boa e forte pulsação. Podia dizer isso sem usar um estetoscópio porque via seu peito se movendo em sincronia com a sua frequência cardíaca. Com o estetoscópio, eu ouvia um coração que bombeava com força. Olhei para o seu tamanho e sua pele – ele definitivamente parecia mais maduro que 23 semanas. Pesei-o e descobri que ele tinha 900 gramas. Quase duas vezes o peso de alguns bebês que tivemos a capacidade de salvar. Uma médica foi chamada. Quando ela chegou, o bebê começou a agitar seus bracinhos e perninhas. Tentou começar a inspirar, mas não podia puxar o ar para dentro de seus pulmões. Todo o seu corpo estremecia com os seus esforços para respirar. Fomos reunidas por um neonatologista e eu supliquei com ambos os médicos, dizendo: 'O bebê é viável – olhem para o seu tamanho, olhem para a sua pele –, ele parece ter muito mais que 23 semanas.'

Foi um momento horrível ver cada um de nós lutando com nossos próprios padrões éticos. Argumentei que devíamos fazer uma tentativa de ressuscitação, para fazê-lo respirar. O médico residente me disse: 'Isso é um aborto. Não temos nenhum direito de interferir.' O especialista, que teve a responsabilidade pela decisão, apertava as mãos e dizia com calma: 'Isso é muito difícil. Meu Deus, é muito difícil quando se está tão perto.' No final, eu perdi. Não íamos tentar ressuscitar aquele bebê. Então, fiz a única coisa que podia fazer. Mergulhei o meu dedo indicador na água esterilizada e, aplicando-a na sua cabeça, batizei a criança. Depois o envolvi em um cobertor para mantê-lo aquecido e o segurei. Eram as únicas medidas que eu podia tomar para confortar o bebê naquelas circunstâncias, ainda que eu quisesse muito fazer mais. Segurei esse pequeno menino, que estava ainda ofegante, tentando sobreviver. Enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto, pedi a Deus que ele levasse aquela criança para o Seu cuidado e que me perdoasse pela minha própria parte em sua morte. Pouco depois, ele parou de respirar. Seu coração continuava a bater, mas as batidas ficaram mais lentas e mais fracas, até finalmente pararem. Ele se tinha ido."

Ironicamente, enquanto a enfermeira tinha nos braços aquela criança abortada agonizando, os médicos lutavam para salvar a vida de outro bebê prematuro – este, porém, querido –, exatamente na mesma sala, a menos de cinco pés de distância. Infelizmente, também esse bebê morreu – a este, contudo, foi dado todo o tratamento médico possível, enquanto o bebê abortado foi completamente ignorado.

Outra enfermeira, Joan S. Smith, conta a seguinte história:

"Foi uma noite que eu jamais esquecerei. Eram 23h, eu e minha colega de trabalho Karen nos preparávamos para começar o nosso turno na Special Care Nursery ["Enfermaria de Cuidados Especiais"] de um grande hospital universitário... De repente, uma enfermeira atormentada correu para a porta.

O seu uniforme branco parecia fora de lugar na área do hospital em que se usavam apenas roupas cirúrgicas.

'Aqui, pegue isso', ela disse, empurrando para as minhas mãos uma tipo de panelinha de prata coberta com um papel toalha.

'O que é isso?', eu perguntei, percebendo pelo seu rosto que havia algo de muito errado.

'É um aborto de 22 semanas de gestação, realizado no nosso piso. Mas está vivo', ela explicou. Então, deu nos calcanhares e se foi. Eu tirei o papel toalha e vi o corpo perfeitamente formado de um bebê encolhido na fria panela de metal... Karen se aproximou para ajudar. 'Isso acontece de vez em quando', ela explicou, com pesar. Karen tinha sido treinada no hospital e trabalhava lá por mais de 15 anos.

Segurando o seu bracinho, eu tentava pôr em ordem a confusão das minhas emoções. Sentia-me impotente, com raiva e esmagada pela tristeza. Como podia o nosso sistema médico ser tão cheio de ironias? Ali eu estava, cercada de tecnologia médica, a qual, no entanto, não era de serventia nenhuma para aquela pequenina criança. Eu me perguntava se os seus pais pelo menos fossem avisados que o seu filho fôra admitido ao hospital como um nascido vivo, com pegadas impressas, número de identificação e fita na cabeça, se um médico notificasse o seu nascimento... Mas, tudo não passava de uma mera complicação imprevisível de um aborto rotineiro. Levou quase quatro horas até que aquele coraçãozinho diminuisse até parar de bater. Com lágrimas em meus olhos, envolvi o seu corpo para o necrotério. Isso era tudo da vida que aquela criança conheceria. Ela nunca saberia o que era o calor do abraço de uma mãe. Ninguém jamais celebraria o seu nascimento. Ela jamais sequer receberia um nome."

Não é desconhecido que um bebê nascido com 22 semanas sobreviva com tratamento médico. A pequena Amillia Taylor nasceu com apenas 21 semanas e 6 dias, pesando menos de 300 gramas. Ela sobreviveu e é uma criança saudável hoje. Na verdade, a mãe de Amillia teve que mentir para conseguir que os médicos tratassem a sua filha – eles tinham uma política de não cuidar de crianças nascidas antes de 23 semanas.

Um bebê alemão nascido com 21 semanas e 5 dias também sobreviveu. A sua história pode ser encontrada aqui. O artigo também cita o exemplo de um bebê canadense que nasceu com menos de 22 semanas e sobreviveu.

Casos de aborto tardio tornam tênue a linha que separa o aborto do infanticídio. Claramente, quando um bebê é capaz de sobreviver por si mesmo, ainda que por pouco tempo, torna-se óbvio que o aborto é o assassinato de um ser humano. Na verdade, a vida é um continuum desde a concepção até a morte natural – ainda que bebês abortados nos últimos estágios da gestação sejam mais completamente desenvolvidos, o aborto é um assassinato desde o início. Porém, histórias de bebês nascidos vivos e rejeitados pela assistência médica são aterradoras: elas testemunham e acusam a nossa sociedade, que permite atrocidades desse gênero.

Referências

  1. Huntington, A.D. (2002). Working with women experiencing mid-trimester termination of pregnancy: The integration of nursing and feminist knowledge in the gynaecological setting.Journal of Clinical Nursing, 11(2), 273-279.

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Voltei para os braços da Igreja
Testemunhos

Voltei para os braços da Igreja

Voltei para os braços da Igreja

“Deus está comigo. E descobri que, nesse tempo inteiro de lutas, idas e vindas, Maria também estava.”

Equipe Christo Nihil Praeponere30 de Abril de 2015Tempo de leitura: 6 minutos
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Do ateísmo ao protestantismo e do protestantismo à fé católica. Conheça o testemunho do jovem Paulo que, com um coração inquieto, procurou a verdade e voltou para os braços da Igreja. "Deus está comigo. E descobri que, nesse tempo inteiro de lutas, idas e vindas, Maria também estava."

Olá, Equipe Christo Nihil Praeponere.

Apesar das muitas ocupações do Padre Paulo Ricardo, estou escrevendo esse testemunho na esperança de que chegue até ele, como mais um exemplo de conversão ao catolicismo. Minha história tem muitas reviravoltas e é uma prova da misericórdia de Deus e do amor de Maria.

Não cresci num lar religioso. Embora meus pais fossem católicos (não praticantes, infelizmente), nunca fui incentivado a conhecer mais sobre Deus e a Igreja. Ao longo da vida aprendi valores morais cristãos, mas não os identificava assim. Eram apenas "o certo e o errado". Aos 10 anos fiz a primeira Comunhão. Não me interessava. As formações eram "chatas, sem ânimo". Aquele falatório de "coisas que eu não tinha interesse em saber". Infelizmente, passei por essa fase sem compreender a importância do que vivia. Apesar do pouco ensino e incentivo religioso, os primeiros meses após a primeira comunhão foram de grande religiosidade. Em minha mesa de estudo havia sempre uma Bíblia infantil aberta no meio, em uma imagem linda, de uma paisagem com plantações e árvores, além de um lindo céu azul. No meio, um terço, que eu não sabia rezar, mas achava bonito.

Ainda assim, não era católico de fato. "Obrigação de ir à missa? Coisa de velho! O que importa é amar a Jesus"... Aos 13 anos, início da puberdade, um milhão de ideias entrava em minha mente. Estava no nono ano (antiga oitava série), e embora boa parte dos meus amigos não se interessasse por religião, filosofia etc, eu tinha uma aproximação pelas ciências humanas. Cresci lendo e ouvindo. Aos 13, comecei a ouvir demais. As influências de Antonio Gramsci faziam pressão em minha mente e eu, inocente, achava que estava adquirindo cultura. Lia sobre a Bíblia apoiar a escravidão, sobre Deus permitir tragédias, guerras, morte, desastres e fome, sobre a perseguição aos homossexuais, negros e mulheres na Idade Média e sobre as guerras travadas por motivos religiosos. "Mas, Deus não é amor? Como pode deixar que isso ocorra?". Relativismo puro, como veneno. Embora detestasse o socialismo/comunismo, detestava ainda mais as religiões. Igreja era coisa de alienado, escravo de padre e pastor. Deus ainda fazia sentido, religião não. Aos poucos, nem o Senhor estaria a salvo da metralhadora do meu neo-ateísmo.

Ateu aos 14. Compartilhava posts de páginas como se destruir a fé dos outros fosse o motivo de minha existência. Mal sabia eu, mas Deus estava me observando, sabendo que tudo ia mudar. Comecei a andar com más companhias. Desafiava meus pais. Num momento delicado, um convite me foi feito. Um grande amigo me convidou para um retiro de carnaval, de sua igreja. Era o ano de 2013, e pouca escolha eu tive. Fui meio desanimado, meio curioso. Evangélicos eram como alienígenas para mim. Não os conhecia e nem tinha curiosidade em conhecer. Quando cheguei na granja, um ambiente diferente do que eu imaginava. Nenhuma mulher com cabelo até os joelhos. Meninas de shorts e blusa. Rapazes de bermuda e camisa. Conversando, rindo, ouvindo música. Parecia que não eram religiosos. Divertiam-se. Estranho...

Passaram os dias e fui sentindo. Não era calor nem frio. Não era medo nem coragem. Não se pode descrever. Foi único e senti. Fiz amigos, descobri que Deus existe e que é misericordioso. A igreja evangélica me mostrou Seu amor e perdão. Mudei, enfim. Converti-me. Havia um clima de esperança no ar. E comecei minha jornada rumo à Igreja Católica.

O interesse por teologia crescia imensamente. John Stott, Calvino, Lutero, Armínio, Paul Washer, John Piper, Dietrich Bonhoeffer. Era um mundo a ser descoberto. Com meu interesse e gosto pela leitura, fui em frente. Além da Bíblia, "Ouça o Espírito, Ouça o Mundo" era meu livro preferido. Eu era pentecostal clássico e os livros aos poucos me levaram para outro caminho. Através de amigos, leitura, debates em redes sociais e conversas, me aproximei do protestantismo reformado. Tornei-me calvinista, mas ainda pentecostal. Desejava muito passar a congregar em uma Igreja Presbiteriana, porém já havia arrastado minha mãe para o ambiente pentecostal e ela já se sentia em casa lá. As leituras, felizmente mudaram. De Stott para Lutero. De Lutero para Calvino. E então, de Calvino para Santo Agostinho e São Tomás de Aquino.

Embora adorasse os dois pensadores, era anticatólico. Aprendi a ser contra o uso de imagens. Era contra a Bíblia. Purgatório? Uma heresia! Celibato? Alienação da Igreja! Maria? Uma mulher normal. Especial, mas normal. Meu pai, após a minha conversão, e posteriormente de minha mãe, passou a se interessar novamente pelo catolicismo. Virou mariano, como nunca havia sido. Brigas e debates em casa eram constantes. Eu queria que ele entendesse que só Jesus salva e que a Igreja fundada por Cristo era o cristianismo, não a Católica. Curtia páginas anticatólicas e tinha várias imagens deles em meu celular. O ódio, porém, teve o efeito contrário. Passei a me interessar por estudar o catolicismo. Queria entender que loucura era essa de se ajoelhar perante estátuas, rezar por quem já morreu e repetir orações. A tradição era linda, mas falha. Voltei aos livros, e as escamas de meus olhos caíram. Dessa vez, já conhecia a Deus. Foi a hora de conhecer a Igreja.

Sabia que havia um padre muito bem conceituado, que destruía Gramsci, Marx e o PT. Mas era padre. "Que pena, nem todos são perfeitos." Passei a ver seus vídeos sobre santos, Maria, intercessão, purgatório e suas críticas aos protestantes. Fui me incomodando. A verdade me incomodava. E quanto mais eu lia, ouvia e debatia, mais ficava incomodado. Decidi ir para a batalha. Pedi postagens, explicações e testemunhos em uma página cristã no Facebook. Criei amigos lá. Aos poucos, dúvidas iam sendo tiradas, e descobri que, de catolicismo, não sabia nada. Passei a querer ser católico. O amor de Nossa Senhora era tão lindo, mas me relutava a me entregar em seus braços. Orei, pedi iluminação. Estava decidido. No começo desse ano, fui a um retiro de carnaval. Aproveitei para conversar com amigos sobre. Felizmente, tive apoio e sorrisos como resposta a minha escolha. Antes do acampamento, porém, fui à Paróquia aqui do bairro, conversar com o Padre e me confessar. Conversamos, mas ainda não me confessei, afinal iria para o retiro evangélico. Era o grande desafio. Na volta, estava com mais certeza ainda. Relutei, devido a amizades que cultivei e que amo, mas Cristo me chamava. Era isso ou enlouquecer.

Fui me confessar e, enfim, me tornei Católico Apostólico Romano. Ou melhor, voltei para os braços da Igreja. Passei por muita coisa. Conheci pessoas, ouvi, falei, agi, critiquei e fui criticado. Errei e acertei. Desacreditei, me converti, estudei e voltei para a Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Hoje, rezo o terço todo dia, leio a Bíblia (que descobri ser diferente do livro que carregava todos os domingos debaixo do braço para ir ao culto) e o Catecismo. Amo a Igreja e a Maria. Comecei a participar da Pastoral de Acólitos da Paróquia. A jornada? Dura, árdua. Ninguém disse que seria fácil. Mas, Deus está comigo. E descobri que, nesse tempo inteiro de lutas, idas e vindas, Maria também estava. Me olhando, protegendo, abraçando. Enfim, amando.

Que Nosso Senhor Jesus Cristo abençoe ao senhor, Padre Paulo Ricardo. Tens sido luz no Brasil. Oro pela sua vida e pelo seu trabalho. Seu, e de toda sua equipe. Que Nossa Senhora e São José o guiem num caminho de santidade e obediência.

Natal/RN, 14 de abril de 2015

Fiquem com Deus,

Paulo.

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Ser radicalmente de Deus
Espiritualidade

Ser radicalmente de Deus

Ser radicalmente de Deus

Quando alguém se converte e começa a mudar os próprios hábitos para se conformar à vontade de Deus, o mundo começa a impor-lhe a pecha de “radical”

Equipe Christo Nihil Praeponere27 de Abril de 2015Tempo de leitura: 4 minutos
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Quando uma pessoa se converte e começa a mudar os próprios hábitos e comportamentos para se conformar à vontade de Deus, o mundo começa a impor-lhe a conhecida pecha de "radical". Experimente deixar de usar determinadas roupas, parar de fazer alguns comentários maldosos, afastar-se da turminha "descolada" do colégio ou começar a usar algum adereço externo que sinalize que você é católico. Imediatamente, o mundo começará a zombar de você.

Ninguém pense que este é um sintoma exclusivo dos nossos tempos. Na época de Santo Afonso de Ligório, ele alertava para a consequência inevitável de quem se decidia a amar a Deus e desapegar-se do mundo: seria escrachado e ridicularizado publicamente: "É um santo! Vede o santo! Dá-me um pedaço de teu hábito como relíquia! Seria melhor que fosses para o deserto! Por que não entras para um convento?" [1]. Hoje, talvez, as palavras de zombaria sejam diferentes, mas o objetivo do mundo é sempre o mesmo: perseguir as almas dos que querem levar uma vida santa e fazer com que sintam vergonha de serem justos, como sentia Agostinho, antes de sua conversão: "Pudet non esse impudentem – Eu me envergonhava de ser honesto" [2].

Por que é assim?, alguém se pode perguntar. "Talvez digas: Não faço ninguém sofrer: procuro só a salvação de minha alma e por que então ser perseguida?", ao que Santo Afonso responde:

"Porque é regra que todo aquele que serve a Deus seja perseguido. (...) Os que levam uma vida perversa não podem ver que outros vivam santamente, porque a conduta destes é uma reprovação perene de seu perverso proceder" [3].

Algumas palavras das Escrituras podem ajudar a entender esse fenômeno. Primeiro, uma profecia do próprio Senhor: "Recordai-vos daquilo que eu vos disse: 'O servo não é maior do que o seu senhor'. Se me perseguiram, perseguirão a vós também" ( Jo 15, 20). De fato, que fez Jesus àqueles que O perseguiam? Que mal praticou Nosso Senhor para que fosse tão desprezado pelos de Seu tempo, recebendo de Seus algozes bofetões, cusparadas, açoites e espinhos? Nenhum mal Ele fez, na verdade. "Ele jamais cometeu injustiça, mentira nunca esteve em sua boca" (Is 53, 9). Mesmo assim, foi incriminado, injustiçado e castigado como o pior dos criminosos. A Cruz de Cristo, além de sinal da nossa salvação, é a ilustração exata de como os bons são tratados neste mundo: como ladrões e miseráveis.

E por que é assim? Porque, como adverte São Tiago, a amizade do mundo é inimizade de Deus (cf. Tg 4, 4). Os mundanos injuriam e espreitam os santos porque estes não amam o mundo como eles. Zombam e caçoam dos justos por não serem loucos e mundanos como eles são.

A sua loucura, porém, acaba com a sua morte. Diante do tribunal de Deus, de nada valem os prazeres, as honras e as riquezas com que foram cumulados os homens nesta Terra, mas tão somente as suas almas. E então? Como será o seu julgamento? Como agirão na presença d'Aquele que tanto insultaram e desprezaram em vida? Perguntarão, certamente: "Senhor, quando foi que te vimos com fome ou com sede, forasteiro ou nu, doente ou preso, e não te servimos?" ( Mt 25, 44). E Ele lhes responderá: Todas as vezes que zombastes dos santos, caçoastes dos justos e humilhastes os pobres, "foi a mim que o fizestes". Todas as vezes que matastes com a vossa língua os que queriam viver a castidade, todas as vezes que ristes de quem queria ir à Missa todos os dias e até os apelidastes maliciosamente de "papa-hóstias", todas as vezes que tentastes arrefecer a piedade de quem rezava o Terço, todas as vezes que humilhastes os vossos filhos só porque eles queriam viver a virtude... Foi a mim, Jesus Cristo, que o fizestes. Então, cumprir-se-á a palavra do Evangelho: "Aquele que me renegar diante dos homens, também eu o renegarei diante de meu Pai que está nos céus" (Mt 10, 33).

Por isso, que ninguém tema ser odiado pelo mundo ou tachado de "radical". À parte a conotação negativa que ganhou essa palavra, o seu real significado está ligado à ideia de raízes: quanto mais profundas, por assim dizer, as "raízes" de uma pessoa, mais radical ela será. Antes de elevar-se acima de todas as outras espécies de sua região, o cedro do Líbano lança fundo as suas raízes e, depois, cresce majestosamente. A sua estatura chega a ser comparada pelo Autor Sagrado ao progresso do homem virtuoso: "O justo crescerá como a palmeira, como o cedro do Líbano se elevará" ( Sl 91, 13).

É para isso que o homem foi colocado sobre a Terra. Quando chamou os Seus discípulos, Nosso Senhor não pretendia recrutar funcionários para uma empresa ou colaboradores para uma ONG piedosa [4]. Ele queria homens que entregassem tudo o que tinham e, por fim, a própria vida. Assim fez São Pedro, no início de sua vocação (cf. Lc 5, 11), até a sua morte, quando foi crucificado em Roma. Seguindo os seus mesmos passos, também os outros Apóstolos viveram o Evangelho na radicalidade: levaram até o martírio o seu amor a Jesus.

Assim, também nós, sejamos radicais no seguimento de Cristo. Alegremo-nos nas perseguições, pois diz o Senhor: "Felizes os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus" ( Mt 5, 10). Felizes, realmente felizes, são aqueles que podem cantar com Jesus crucificado: "Mais numerosos que os cabelos da cabeça, são aqueles que me odeiam sem motivo; meus inimigos são mais fortes do que eu; contra mim eles se voltam com mentiras!" (Sl 68, 5).

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