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Qual o problema de ser “bela, recatada e do lar”? (II)
Sociedade

Qual o problema de ser
“bela, recatada e do lar”? (II)

Qual o problema de ser “bela, recatada e do lar”? (II)

“Bela, recatada e do lar”. Algumas pessoas protestaram contra o nosso primeiro texto. E nós fazemos questão de responder.

Equipe Christo Nihil Praeponere27 de Abril de 2016Tempo de leitura: 6 minutos
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Voltemos ao assunto da semana passada, quando as redes sociais protestaram em massa contra o perfil feminino formado pelo trinômio "bela, recatada e do lar".

Aparentemente, algumas leitoras não entenderam a proposta da matéria que postamos aqui. Por esse motivo, vamos apresentar agora uma nova reflexão, reforçando alguns pontos que talvez tenham ficado obscuros e trazendo à luz outros que não foram mencionados anteriormente.

Antes de qualquer coisa, é importante que as pessoas leiam o texto antes de tecerem as suas críticas. Surgiram por aqui pessoas falando de tudo — do luxo do casal Temer, da diferença de idade entre os dois, da revista Veja e até mesmo das primeiras damas que o Brasil já teve —, menos do foco do texto: a escolha de algumas mulheres pela modéstia e pelo cuidado do lar. É isso o que estava em jogo no artigo, e nós o clarificamos muito bem quando pedimos que os leitores abstraíssem "da figura de Marcela Temer, do conteúdo do artigo [de Veja] e de qualquer conotação política" que o assunto trouxesse consigo. Não nos interessa, sinceramente, o que a atual esposa de Michel Temer fez ou deixou de fazer. O nosso texto foi sobre a reação indignada de algumas mulheres (mormente as feministas) ao perfil feminino "bela, recatada e do lar", em uma tentativa de explicar o fenômeno que se observou nas redes sociais: mulheres aparecendo com gestos e trajes vulgares, ridicularizando a expressão e até fazendo paródias para inverter o seu significado.

Algumas coisas precisam ser explicadas, em primeiro lugar. Quando nos referimos, no outro texto, a "beleza", "recato", "pudor" e "família", estávamos falando de realidades objetivas, não de palavras "ao vento". Por que essa explicação é necessária? Porque desde o princípio nós partimos do pressuposto de que as pessoas sabem identificar o que é algo belo, o que é um comportamento recatado e o que é uma roupa modesta. Mas nós erramos. Infelizmente, as pessoas não sabem. Na verdade, a nossa época está convencida de que todas essas coisas não passam de "construções sociais": não existiria um padrão objetivo de beleza ou de moralidade, mas tão somente a vontade das pessoas humanas, as quais definiriam de modo arbitrário o que é bom, o que é belo e o que é justo. Esse pensamento não é de hoje: foi o que deu origem à arte moderna — a "arte" das formas geométricas abstratas e de significado insondável —, ao relativismo religioso — para o qual "todas as religiões são iguais", inclusive as que cultuam Satanás — e à crise da educação moderna — que, sem verdade objetiva em que se fundar, torna-se incapaz de transmitir valores sólidos às pessoas.

Essa mesma ideia é uma constante nos comentários de quem protestou contra o nosso artigo. Alguém comentou que o problema não é que as mulheres sejam "belas, recatadas e do lar", mas que isso seja estabelecido como "padrão de comportamento", porque, no fim das contas, "qualquer mulher pode ser o que ela quiser".

Primeiro, não é verdade que todas as pessoas aceitem bem o fato de uma mulher querer ser "recatada". Hoje, tão logo uma jovem comece a se vestir com roupas mais sóbrias e modestas, surge uma legião de todos os cantos para fazer zombaria, isso quando não são os de sua própria família a intervir com humilhações, acusações e até restrições vexatórias. Também não é verdade que todas as pessoas convivam tranquilamente com o fato de uma mulher querer ser "do lar". Quando uma mulher decide ficar em casa para ajudar o seu marido e cuidar dos próprios filhos, toda a sociedade se volta contra ela numa fúria infernal. Atualmente, é bem verdade, tudo está montado para que as mulheres sequer tenham a opção de ficar em casa. Parece consolidada em nossos tempos a "estranha ideia de que as mulheres são livres quando servem os seus empregadores, mas escravas quando ajudam os seus maridos".

Segundo, qual o problema em estabelecer a modéstia e a vida familiar como "padrões" para as pessoas? Não estamos a todo momento recebendo influências de todas as partes? Os revolucionários da mídia, por exemplo, trabalharam duro para transformar a mentalidade e o comportamento do povo brasileiro com suas novelas e minisséries repletas de adultério e vazias de crianças. Em pouco tempo, as famílias reduziram o número de filhos e o índice de divórcios aumentou vertiginosamente. Onde estão os protestos contra esse tipo de influências? Por que não reagir contra as "imposições da mídia" quando os meios de comunicação são usados para destruir a família? Dois pesos e duas medidas?

Terceiro, não é verdade que "as pessoas podem fazer o que quiserem". A liberdade humana tem as suas balizas, algumas de natureza física — os seres humanos não podem voar nem fazer que os seus filhos venham através de ovos, por mais que queiram —, e outras de natureza moral. Algumas feministas podem até ser a favor da prostituição e da pornografia, por exemplo (que las hay, las hay), mas nem por isso os dois mundos deixam de ser destruidores e degradantes para as mulheres. Elas podem até se enveredar por esse caminho, mas as consequências sempre vêm, mais cedo ou mais tarde.

No âmbito humano, portanto, não existe apenas o poder, mas também o dever, e isso precisaria nos levar a refletir sinceramente sobre a questão de Deus, sobre a existência ou não de um Criador. Será mesmo que todas as coisas que temos não passam de "convenções sociais"? É tudo fruto da "vontade" humana ou existe uma razão divina inscrita na própria natureza da realidade? Será que as pessoas realmente podem fazer o que lhes "der na telha" ou existem leis transcendentes para orientar a nossa conduta e, sobretudo, para nos ajudar a encontrar a felicidade? É possível, enfim, manipular a natureza como bem entendemos ou nós recebemos as coisas de um Criador?

Saibamos olhar para as consequências dos nossos atos e, tendo examinado os frutos, seremos capazes de avaliar a árvore (cf. Mt 7, 16). As nossas mulheres estão mais felizes, depois que conquistaram a "autonomia" e a "independência" que tanto desejaram? Estão mais felizes com seus filhos únicos ou com seus cachorros de estimação? Estão mais realizadas com seus relacionamentos vazios, instáveis e sem perspectiva de futuro? Ou o feminismo as enganou?

Por outro lado, existe também a necessidade de um profundo exame de consciência por parte dos homens: dos homens que só sabem usar as mulheres, como quem usa um preservativo e o joga fora; dos homens que se entregam aos jogos e às bebidas, quase "obrigando" as suas esposas a saírem de casa; dos homens, por fim, que se ausentaram da educação de seus filhos — filhos que, por sua vez, vivem imersos no "universo paralelo" da pornografia e dos video games, crescendo sem nenhuma noção do que seja sacrifício, família ou paternidade.

A culpa da decadência da nossa civilização, obviamente, não é exclusiva deste ou daquele sexo, mas uma obra conjunta, assim como foi a queda no jardim do Éden (cf. Gn 3). Cabe lembrar, porém, que a troca de dedos em riste entre Adão e Eva não levou a lugar algum. Não se começa nenhum processo de reconstrução com acusações mútuas, mas com "acusações próprias", ou seja, com confissões. Todos erramos, mas, até que a morte nos procure e nos transporte para a nossa morada definitiva, há sempre um lugar na casa do Pai esperando o nosso arrependimento e a nossa mudança de vida. Foi o que Jesus de Nazaré veio pregar e trazer efetivamente à humanidade, através de Sua obra de redenção.

Por isso, homens e mulheres: convertam-se! É esse o grande apelo que deve ser feito, para além de qualquer polêmica, necessária ou desnecessária. "O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido" (Lc 19, 10).

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Um paralelo entre as Cruzadas e o terrorismo islâmico
Política

Um paralelo entre as
Cruzadas e o terrorismo islâmico

Um paralelo entre as Cruzadas e o terrorismo islâmico

As guerras islâmicas contra a Cristandade começaram muito antes que alguém sequer ouvisse falar de alguma Cruzada.

James A. LyonsTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere26 de Abril de 2016Tempo de leitura: 4 minutos
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Que o Islã precise passar por uma reforma interna, não é apenas uma questão abstrata de teologia, mas um fato que se relaciona diretamente aos meios com que o Ocidente deve combater o terrorismo islâmico e ao modo como somos vistos pelo mundo muçulmano.

Por exemplo, o ISIS, a maior ameaça terrorista no mundo hoje, ao assumir a responsabilidade pelo atentado do ano passado em Paris, condenou os Estados Unidos e os seus aliados como "nações cruzadas". O mesmo fez Osama bin Laden, ao protestar contra "os cruzados e as Nações Unidas", depois de assumir a autoria pelos atentados de 11 de setembro.

A alusão abusivamente indiscriminada às Cruzadas tem a intenção clara de convencer os muçulmanos de que são eles que estão sendo atacados, não nós quem estamos tentando nos defender da jihad. Mais do que isso, a referência é criada para evocar sentimentos de culpa e derrotismo entre os liberais do Ocidente, que têm vergonha da civilização ocidental e são indiferentes, para dizer o mínimo, à sua sobrevivência. Não surpreende, portanto, que Barack Obama, discursando ano passado sobre o tema do terrorismo, tenha tentado minimizar o elemento islâmico das barbaridades do ISIS: "Antes que nos consideremos superiores e pensemos que isso se restringe a este ou aquele lugar, lembrem-se que, durante as Cruzadas e a Inquisição, pessoas cometeram atos terríveis em nome de Cristo."

Vamos revisitar direito a história. As Cruzadas foram uma série de guerras iniciada pelos europeus ocidentais em resposta às devastadoras derrotas infligidas pelos turcos seljúcidas ao Império cristão Bizantino. A Primeira Cruzada aconteceu em 1096 e foi a mais bem sucedida de todas, tomando o domínio de Jerusalém.

Mas os ganhos foram apenas temporários, requerendo o dispêndio de repetidos esforços para manter os pequenos Estados feudais construídos na Terra Santa. Acre, a última fortaleza dos cruzados, hoje localizada em Israel, veio abaixo no ano de 1291.

As Cruzadas, portanto, ocuparam um curto período de pouco mais de dois séculos e meio na história. Elas foram limitadas em escopo e constituíram essencialmente um contra-ataque, visando retomar as terras que tinham sido invadidas pelos muçulmanos.

Como as Cruzadas se comparam à jihad islâmica? Após a morte de Maomé, em 632, os seus sucessores, os califas — os mesmos que o líder do ISIS, Abu Bakr al-Baghdadi, diz haver ressuscitado — começaram gratuitamente a sua guerra de conquista contra os bizantinos. Dentro de uma década, a jihad havia tomado o território até então cristão do Egito, bem como a Palestina e a Síria.

Os exércitos muçulmanos varreram todo o norte da África e chegaram à Espanha em 711, e só foram definitivamente parados na França por Carlos Martel, avô de Carlos Magno, no ano de 732. (Ao mesmo tempo, forças muçulmanas varriam o Oriente, subjugando a Pérsia e alcançando as fronteiras da China.) Repetidos ataques continuaram em todo o Mediterrâneo, incluindo os cercos árabes de Constantinopla e as conquistas de Chipre, Sicília e Creta.

Motivados pela jihad islâmica e pelo desejo de saquear e escravizar — de modo idêntico ao que faz o Estado Islâmico hoje —, sequer um desses ataques foi defensivo. As terras conquistadas não eram domínios islâmicos livres de ocupação, mas terras cristãs cujos habitantes experimentaram os mesmo horrores por que hoje passam a Síria, o Iraque e, agora, a Líbia: amputações, decapitações, escravidão e exploração sexual (tudo explicitamente autorizado pelo Alcorão). Ao assistirmos os vídeos terríveis do Estado Islâmico decapitando pessoas e escravizando sexualmente mulheres, lembremo-nos de que essas cenas se repetiram milhares de vezes antes: em Jerusalém, no ano de 637; no Egito, em 639; na Espanha, em 711; e em Constantinopla, em 1453. A única diferença é que hoje há câmeras e comunicação instantânea em todo o mundo.

A jihad islâmica contra a Cristandade começou mais de quatro séculos e meio antes que alguém sequer ouvisse falar de alguma Cruzada. Os cruzados só detiveram a jihad de 1110 a 1350, um curto período de tempo depois do qual ela foi retomada com força total.

Maior parte da Ásia Menor — atual Turquia — foi rapidamente subjugada com o fim das Cruzadas. Os guerreiros islâmicos do novo Império Otomano atravessaram a Europa por Galípoli em 1356. Rápida e sucessivamente a jihad se abateu sobre a Grécia, a Bulgária, a Sérvia, a Albânia e o sul da Romênia.

Constantinopla caiu em 1453. (Isso completou a primeira parte de uma profecia atribuída a Maomé, e citada com paixão pelos jihadistas de hoje, de que primeiro eles tomariam Constantinopla e, depois, Roma.) A Bósnia, a Croácia, a Hungria, a Polônia e o sul da Áustria, todas caíram. Corsários muçulmanos devastaram as costas da Itália, da Espanha, da Sardenha e da Córsega, chegando a alcançar ao norte a Irlanda e a Escandinávia. (São também dessa época as batalhas marítimas contra os piratas da Barbária, que permaneceram em atividade até o século XIX.)

O avanço islâmico só começou a ser seriamente atenuado em 1683, com o fracasso do segundo cerco turco de Viena. Embora a ideologia da jihad ofensiva não tivesse mudado, suas capacidades não podiam suportar a revolução científica e tecnológica que ganhava espaço na Europa cristã.

Em suma, a agressiva jihad islâmica foi travada contra os cristãos e durou 450 anos. Por 250 anos, os cruzados cristãos contra-atacaram. Depois que aquele contra-ataque fracassou, porém, uma nova jihad foi conclamada e, ao que tudo indica, ainda está longe de chegar ao seu término.

Está mais do que claro, portanto, quem são os verdadeiros agressores. Recorrer a um episódio histórico tão distante e particular para sugerir, ainda que remotamente, uma explicação para o que faz o Estado Islâmico hoje, não passa de desonestidade intelectual.

Notas

  • Alguns trechos do texto foram modificados, mas, como a maior parte do texto foi traduzida fielmente do original, mantivemos o nome do autor do artigo em inglês.

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As três conversões e o amor esponsal
Espiritualidade

As três conversões e o amor esponsal

As três conversões e o amor esponsal

A vida espiritual não é uma “linha reta”, mas uma escada ascendente, em que somos chamados a progredir continuamente no amor a Deus. Ninguém faz planos para viver de salário mínimo eternamente.

Equipe Christo Nihil Praeponere25 de Abril de 2016Tempo de leitura: 4 minutos
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O início da vida espiritual é marcado por um sentimento de profunda gratidão para com Deus. O recém convertido medita sobre sua vida passada e percebe o quanto o Senhor o amou, mesmo não sendo ele merecedor de tamanha graça, dada a quantidade de misérias nas quais costumava chafurdar. Esta relação é a do servo com o Senhor. Trata-se de um amor inicial, por meio do qual a pessoa abandona aqueles pecados mais grosseiros, à procura de uma vida mais em conformidade com os mandamentos da Lei Divina.

O processo de conversão segue para a segunda fase. Muitos autores espirituais escreveram sobre esse período de transição, cuja meta é a amizade com Deus [1]. A pessoa passa por um período de aridez — ou noite escura dos sentidos, como dizia São João da Cruz —, que nada mais é do que uma purificação do amor, a fim de que ela vença o egocentrismo e as próprias paixões. Há o convite a um relacionamento mais íntimo com Jesus, o qual deseja chamar-nos "amigos".

A segunda conversão é o tempo da generosidade: Deus nos dá a oportunidade de subir a escada da salvação, atrás do verdadeiro motivo para nossa existência, isto é, a coroa do céu. Quando Padre Paulo Ricardo iniciou a campanha #ProjetoSegundaMorada, ele pensava justamente na necessidade de progredirmos no amor a Deus, por meio de uma entrega mais determinada à Sua vontade. Ninguém faz planos para viver de salário mínimo eternamente. Neste sentido, também o amor a Deus não pode se resumir a algumas formalidades. De fato, mostramos nosso amor quando agimos por gratuidade, não por causa de uma dívida a ser paga. É na segunda conversão, portanto, que se inicia o grande combate contra os pecados veniais e contra aquelas imperfeições que danificam nossa fraternidade com a Pessoa de Cristo.

Notem: há uma enorme diferença entre a dedicação do empregado ao patrão e a dedicação do amigo ao outro. Enquanto o primeiro age por interesse, ainda que seja legítimo e justo, o segundo faz o bem pelo amado, mesmo que este não possa retribuir. Deus não quer nosso amor simplesmente porque Ele nos consola com Sua graça e providência; temos de nos converter ao ponto de chegarmos à conclusão de que valeria a pena viver para Cristo ainda que não houvesse um Céu. Isso explica o porquê de Deus permitir a chamada aridez espiritual neste período do caminho para a perfeição. Ele se esconde para que o procuremos com determinada determinação.

Os escritores espirituais falam também de uma terceira conversão. A primeira, como vimos, é identificada pelo amor de gratidão: o servo ama seu senhor. No segundo estágio, por sua vez, o servo é convidado a tornar-se amigo de seu senhor, demonstrando uma capacidade de amar independentemente dos benefícios desse amor. Já a terceira conversão consiste no amor esponsal.

Infelizmente, o contexto supersexualizado no qual vivemos gera certa confusão no entendimento deste tipo de amor, sobretudo quando se refere aos homens. Como um homem pode ter um amor esponsal por Jesus? Trata-se de uma questão aparentemente muito capciosa, mas que, na verdade, diz respeito ao mais íntimo do ser humano.

O pecado original corrompeu a alma humana, tornando-a refém do diabo. Pelo batismo, no entanto, essa infeliz condição é anulada através da graça santificante, a qual Deus infunde no coração do homem para que ele viva segundo seu organismo espiritual. Deus quer habitar dentro de nosso interior, pois, como diz Santo Agostinho, Ele é "interior intimo meo et superior summo meo — maior do que o que há de maior em mim e mais íntimo do que o que há de mais íntimo em mim" [2]. Vejam: Deus quer possuir definitivamente nossa alma, ainda que sejamos criaturas mesquinhas, facilmente seduzidas pelas paixões profanas.

É disso que se trata o amor esponsal: uma união total e incorruptível com nosso criador. No texto do Cântico do Cânticos, lemos a declaração de amor de Jesus a sua Igreja, que somos nós. Esse amor consiste numa entrega apaixonada até o sacrifício na cruz, pelo que fica clara agora a comparação do apóstolo entre o amor de marido e mulher e o amor de Jesus pela Igreja (cf. Ef 5, 25. 29. 32). Somos chamados a ocupar todos os espaços de nossas vidas com a presença de Deus; isso significa um amor exclusivo, pois não se pode servir a dois senhores: ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro (Mt 6, 24). O jovem rico cumpria os dez mandamentos, mas não correspondeu ao chamado de Jesus porque possuía muitas riquezas (cf. Mt 19, 22).

A realidade do amor esponsal ilumina outros mistérios do cristianismo como o próprio celibato dos padres e dos religiosos. Em consequência da responsabilidade de suas vocações, eles são chamados a uma continência ainda mais perfeita para que tenham a Deus como único amor de seus corações. A desistência e os escândalos que ocorrem dentro do ambiente clerical deve-se justamente à falta de vivência desse amor por Jesus e pela Igreja.

O amor esponsal está na raiz de uma vida santa. Por isso o primeiro mandamento ensina logo o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo. Quem possui esse amor sabe enxergar no outro um filho também amado pelo Senhor. Porque viviam esse amor, os santos foram os que mais fizeram bem à humanidade, procurando no semelhante Aquele que habita dentro de cada um nós, a grande descoberta de Santo Agostinho. Lembremo-nos sempre: Ele está dentro de nós, não fora!

Referências

  1. Pe. Reginald Garrigou-Lagrange. As 3 vias e as três conversões. 4a. Rio de Janeiro: Editora Permanência, 2011, 104p.
  2. Santo Agostinho, Confissões, III, 6, 11.

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Igreja é furtada e hóstias são jogadas em rio no Espírito Santo
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Igreja é furtada e hóstias são
jogadas em rio no Espírito Santo

Igreja é furtada e hóstias são jogadas em rio no Espírito Santo

A notícia é de que apenas o sacrário foi levado durante o crime, o sacrário que contém justamente o que de mais valioso têm as nossas igrejas: o próprio Jesus Cristo.

Equipe Christo Nihil Praeponere22 de Abril de 2016Tempo de leitura: 3 minutos
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Segundo informações do G1:

"Uma igreja de São João do Sobrado, no distrito de Pinheiros, na região Norte do Espírito Santo, foi furtada na madrugada desta quinta-feira (21). As hóstias e o sacrário da paróquia foram encontradas jogadas em um rio do município durante a manhã.

Segundo a Polícia Militar, foi furtado apenas o sacrário, uma peça parecida com um cofre, que continha as hóstias. O furto foi descoberto pela manhã. A polícia informou que os bandidos usaram alguma ferramenta para remover a fechadura da porta da frente e entrar no templo."

Nós sabemos, pela fé, que Jesus Cristo, o mesmo que nasceu em Belém, viveu em Nazaré, foi crucificado em Jerusalém, ressuscitou e subiu aos céus, está verdadeiramente presente em cada mínima parte, de cada hóstia consagrada, nos tabernáculos do mundo inteiro. Essa notícia que recebemos, portanto, não é de um furto pura e simplesmente, mas de uma verdadeira profanação.

A todos os internautas que passam por aqui e vêem essas fotos, pedimos, portanto, que parem por um instante o que estiverem fazendo e façam um ato de desagravo a Jesus no Santíssimo Sacramento do altar.

Orações do Anjo
Ensinadas pelo Anjo de Portugal aos três pastorinhos de Fátima

Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.
Ato de reparação
Papa Pio XI

Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é por eles tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui prostrados na Vossa presença, para Vos desagravarmos, com especiais homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefandas injúrias com que é, de toda parte, alvejado o Vosso amorosíssimo coração.

Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós, mais de uma vez, cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos, a Vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, senão também as daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade, não vos querendo como pastor e guia, ou, conculcando as promessas do batismo, sacudiram o suavíssimo julgo da Vossa santa lei.

De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-Vos, mas, particularmente, da licença dos costumes e imodéstia do vestido, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfêmias contra Vós e Vossos Santos, dos insultos ao Vosso Vigário e a todo o Vosso clero, do desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino amor, e, enfim, dos atentados e rebeldias das nações contra os direitos e o magistério da Vossa Igreja. Oh! se pudéssemos lavar, com o próprio sangue, tantas iniquidades!

Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, Vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação, que Vós oferecestes ao eterno Pai sobre a cruz, e que não cessais de renovar, todos os dias, sobre nossos altares.

Ajudai-nos, Senhor, com o auxílio da Vossa graça, para que possamos, como é nosso firme propósito, com a viveza da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e por nosso próximo, impedir, por todos os meios, novas injúrias de Vossa divina Majestade e atrair ao Vosso serviço o maior número de almas possíveis.

Recebei, ó benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria santíssima reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de perseverarmos constantes, até à morte, no fiel cumprimento de nossos deveres e no Vosso santo serviço, para que possamos chegar à pátria bem-aventurada, onde Vós com o Pai e o Espírito Santo viveis e renais, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.

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