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O abraço da morte à nossa sociedade
Sociedade

O abraço da morte à nossa sociedade

O abraço da morte à nossa sociedade

A cultura da morte e seus ataques internos e externos a todos os fundamentos da nossa civilização

Equipe Christo Nihil Praeponere22 de Abril de 2015Tempo de leitura: 3 minutos
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Inicialmente, quando se fala de cultura da morte, a primeira coisa que salta aos olhos de quem se defronta com tal expressão é o debate acerca da legalização do aborto, ou seja, o embate entre aqueles que são favoráveis à vida e aqueles que são favoráveis ao direito de decidir, como costumeiramente é conhecida a opção pelo aborto. A realidade, porém, é muito mais abrangente, pois as ações desencadeadas pela cultura que fomenta a morte não se restringem a este aspecto nefasto de suas atividades. Já há alguns anos, os reais objetivos de tal cultura têm assumido contornos cada vez mais claros diante de nossos olhos, pois parece haver um esforço contínuo para introduzir, de forma às vezes ostensiva às vezes amenizada, uma semente de destruição que acabaria por minar o edifício que sustenta a nossa civilização.

Identificar a cultura da morte com a "indústria" ou esforços para a disseminação do aborto e de todos os métodos contraceptivos não chega a ser um equívoco, mas, não é uma visão completa daquilo que ela verdadeiramente almeja. Quando se quer destruir um edifício para levantar uma nova construção, dois caminhos podem ser tomados: o da explosão, ou seja, algo que venha de fora e acabe por arrasar toda a estrutura existente; ou o da implosão, quando se destrói a construção antiga a partir de dentro, fazendo com que ela mesma venha abaixo porque perdeu a força para se sustentar.

A cultura da morte também age assim. Em alguns momentos parece desferir ataques explosivos, que são externos, ostensivos e bastante claros, pois têm o objetivo de chocar, de desestabilizar para que, por meio do alarde provocado, as situações por ela defendidas ganhem respaldo ou aceitação na sociedade. Tal é a tática que muitas vezes se utiliza para as questões relativas ao aborto, especialmente no que diz respeito a tratá-lo como se fosse simplesmente uma decisão entre ter ou não um filho, como se não houvesse outra realidade a ser implicada nesta situação a não ser o corpo da própria mulher e a decisão de fazer ou não algo com este corpo que lhe pertence, sem levar em consideração, em nenhum momento, a existência de mais uma vida, ainda no ventre materno, que deveria gozar de toda a proteção possível por parte da sociedade.

O outro caminho, não menos danoso, porém muito mais sutil e ardiloso, é o caminho da implosão, que consiste num ataque contínuo, sistemático, lento e progressivo contra tudo aquilo que se constituiu num alicerce para a nossa sociedade. Alvo deste movimento implosivo são os três pilares da civilização ocidental: a filosofia grega, o direito romano e a moral judaico-cristã. No prefácio do livro O Calvário e a Missa, o venerável Fulton J. Sheen salienta que a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo foi erigida num ponto de convergência, numa encruzilhada entre estas três grandes civilizações, para que seu gesto redentor estendesse a universalidade da Redenção também sobre essas esferas da sociedade.

Hoje, o alvo da cultura da morte é a tentativa de implodir, a partir de dentro, a estrutura que sustenta a sociedade humana, baseada nestes três alicerces: filosofia, direito e moral. A filosofia se torna cada vez mais instrumentalizada, como se fosse uma justificativa para determinados comportamentos ao invés de se constituir numa autêntica busca pela verdade, lançando suas artimanhas também numa nova abordagem do processo educacional, que não seria nada mais do que mera propaganda ideológica, esquecendo-se completamente de seu objetivo de ser um caminho para se alcançar a sabedoria; o direito, por meio da negação da existência de um direito natural e na sua utilização para legitimar novos comportamentos e criminalizar a oposição aos mesmos; a moral que, ao sofrer toda espécie de crítica e de racionalização, é substituída por um novo padrão no qual a família e toda a sociedade são vistas de uma maneira totalmente nova, numa inversão de valores e desprezo pelas instituições tradicionais.

A cultura da morte, a partir destas poucas constatações, não se refere simplesmente ao direito ou não ao aborto ou à militância para que o mesmo se constitua num direito. Ela tem um objetivo muito maior. Quer colocar abaixo toda a estrutura que sustenta a nossa civilização e não deixará de empreender esforços para destruir a filosofia, o direito e a moral, para então levantar o seu novo edifício, uma nova sociedade, verdadeira quimera que é uma prefiguração dos piores pesadelos que um homem poderia imaginar. O abraço a que ela convida o homem não é apenas dirigido a um aspecto de sua vida, isto é, a seu pensamento, seu comportamento, ou às relações que estabelece na sociedade e, principalmente, na família. A cultura da morte quer, na realidade, abraçar o homem todo, em todas as suas dimensões, e não somente a um indivíduo, mas a todos os homens.

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Cardeal Brandmüller: “Uma mudança do dogma é impensável”
Doutrina

Cardeal Brandmüller:
“Uma mudança do dogma é impensável”

Cardeal Brandmüller: “Uma mudança do dogma é impensável”

“Quem conscientemente pensa uma mudança do dogma ou insistentemente demanda isso, é um herege, ainda que use a púrpura romana”, declarou o cardeal

LifeSiteNews.comTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere20 de Abril de 2015Tempo de leitura: 7 minutos
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O Cardeal Walter Brandmüller tem sido uma das principais vozes críticas às propostas circulantes no Sínodo Extraordinário sobre a Família, que correm o risco de subverter a doutrina católica sobre os Sacramentos e sobre a moral. Ele foi um dos cinco cardeais a contribuir com o livro Remaining in the Truth of Christ ["Permanecer na Verdade de Cristo"], que condenou a proposta do Cardeal Walter Kasper de liberar a Comunhão àqueles que vivem em uniões sexuais irregulares.

Eis a entrevista concedida pelo pelo Cardeal Brandmüller ao Dr. Maike Hickson, do LifeSiteNews.

LifeSiteNews: O senhor poderia apresentar mais uma vez para os nossos leitores, de modo claro, qual o ensinamento da Igreja Católica a respeito do matrimônio e da sua indissolubilidade, como tem sido constantemente ensinado através dos séculos?

Cardeal Brandmüller: A resposta pode ser encontrada no Catecismo da Igreja Católica, dos parágrafos 1638 a 1642.

"Do Matrimônio válido origina-se entre os cônjuges um vínculo que, por sua natureza, é perpétuo e exclusivo; além disso, no matrimônio cristão, os cônjuges são robustecidos e como que consagrados por um sacramento especial aos deveres e à dignidade de seu estado.

O consentimento pelo qual os esposos se entregam e se acolhem mutuamente é selado pelo próprio Deus. De sua aliança se origina também diante da sociedade uma instituição firmada por uma ordenação divina. A aliança dos esposos é integrada na aliança de Deus com os homens: O autêntico amor conugal é assumido no amor divino.

O vínculo matrimonial é, pois, estabelecido pelo próprio Deus, de modo que o casamento realizado e consumado entre batizados jamais pode ser dissolvido. Este vínculo que resulta do ato humano livre dos esposos e da consumação do casamento é uma realidade irrevogável e dá origem a uma aliança garantida pela fidelidade de Deus. Não cabe ao poder da Igreja pronunciar-se contra a disposição da sabedoria divina."

(...)

LifeSiteNews: A Igreja pode admitir à Sagrada Comunhão casais recasados, mesmo que o seu segundo casamento não seja válido aos olhos da Igreja?

Cardeal Brandmüller: Isso seria possível se esses casais tomassem a decisão de viver no futuro como irmãos. Essa solução é especialmente válida quando o cuidado pelas crianças não permite uma separação. A decisão por tal caminho seria uma expressão convincente de penitência pelo ato passado e prolongado de adultério.

LifeSiteNews: A Igreja pode lidar com o tema do matrimônio de uma maneira pastoral que seja diferente do seu ensino constante? Pode a Igreja por si mesma mudar a sua doutrina sem cair, ela mesma, em heresia?

Cardeal Brandmüller: É evidente que a prática pastoral da Igreja não pode permanecer em oposição à sua doutrina imutável, muito menos ignorá-la. Da mesma maneira, um arquiteto poderia, talvez, construir uma ponte maravilhosa. Se não presta atenção às leis da engenharia estrutural, no entanto, ele corre o risco de fazer desmoronar a sua construção. Assim, também, toda prática pastoral, para não falhar, deve seguir a Palavra de Deus. Uma mudança da doutrina ou do dogma é impensável. Quem, porém, conscientemente o pensa, ou insistentemente demanda isso, é um herege – ainda que use a púrpura romana.

LifeSiteNews: Toda essa discussão sobre a admissão dos recasados à Santa Eucaristia não é também uma expressão do fato de que muitos católicos não acreditam mais na presença real e, de certa maneira, acham que recebem na Sagrada Comunhão apenas um pedaço de pão?

Cardeal Brandmüller: De fato, há uma insolúvel contradição interna em uma pessoa que quer receber o Corpo e Sangue de Cristo e unir-se a Ele, quando, ao mesmo tempo, despreza conscientemente o Seu mandamento. Como isso pode dar certo? São Paulo diz sobre esse problema: "Quem come e bebe indignamente [o Corpo e Sangue do Senhor], come e bebe a própria condenação" (1 Cor 11, 27). Mas, você está certo. Muitos católicos sequer acreditam na presença real de Cristo na hóstia consagrada. Qualquer um pode perceber isso na maneira como muitos – inclusive sacerdotes – passam em frente ao sacrário sem fazer uma genuflexão.

LifeSiteNews: Por que existe nos dias de hoje um ataque tão forte, dentro da Igreja, à indissolubilidade do matrimônio? Uma possível resposta poderia ser a de que o espírito de relativismo entrou na Igreja, mas deve haver mais razões. O senhor poderia citar algumas? Não são todas essas razões um sinal da crise de fé dentro da própria Igreja?

Cardeal Brandmüller: É evidente, se certos padrões morais, que eram aceitos por todas as pessoas, sempre e em todos os lugares, não são mais reconhecidos, então, cada um faz de si mesmo a sua própria norma moral. Isso tem a consequência de que as pessoas fazem o que agrada a elas. Acrescente-se a isso a abordagem individualista de vida que a reputa como uma chance única para a autorrealização – e não como uma missão do Criador. É evidente que tais atitudes são expressão de uma perda de fé profundamente arraigada.

LifeSiteNews: Nesse contexto, é possível afirmar que se falou muito pouco nas últimas décadas sobre a doutrina da queda e do pecado original. A impressão dominante era a de que o homem seria bom em tudo. Na minha visão, isso levou a uma atitude laxa em relação ao pecado. Agora, que nós vemos o resultado dessa atitude de laxismo – uma explosão de condutas desumanas em todas as áreas possíveis da vida humana –, isso não deve ser uma razão para a Igreja ver que a doutrina sobre a queda foi confirmada e para, por conta disso, proclamá-la de novo?

Cardeal Brandmüller: De fato, isso é verdade. O tópico "pecado original", com as suas consequências – a necessidade da Redenção através do sofrimento, morte e ressurreição de Cristo – tem sido largamente suprimido e esquecido há um bom tempo. E, no entanto, não se pode entender o curso do mundo – e da própria vida pessoal – sem essas verdades. É inevitável que essa negligência das verdades essenciais leve a um estilo de vida imoral. Você está certo: deve-se finalmente pregar de novo sobre este tópico, e com claridade.

LifeSiteNews: Os elevados números de abortos, especialmente no Ocidente, têm feito um grande estrago, não somente pelos bebês que são mortos, mas também pelas mulheres (e homens) que decidem matar os seus filhos. Não deveriam os prelados da Igreja tomar uma posição firme a respeito dessa terrível verdade e tentar mover as consciências desses homens e mulheres, também em atenção à sua própria salvação? Não tem a Igreja o dever de defender com insistência esses pequeninos que não podem se defender por si mesmos, porque sequer lhes é permitido viver? "Deixai vir a Mim as criancinhas..."

Cardeal Brandmüller: Aqui se pode dizer que a Igreja, especialmente sob o governo dos últimos papas, bem como sob o pontificado do Santo Padre Francisco, não deixou nenhum espaço para dúvida quanto ao caráter abominável do assassinato das crianças não nascidas no ventre. Isso não deixa nenhuma dúvida também a todos os bispos. Outra questão, porém, é em que circunstâncias e de que forma o ensinamento da Igreja tem sido testemunhado e apresentado na esfera pública. Aqui é onde a hierarquia certamente pode fazer mais. Basta pensar na participação de cardeais e bispos em marchas pró-vida.

LifeSiteNews: Quais passos o senhor recomendaria para a Igreja fortalecer o chamado à santidade e mostrar o caminho para alcançá-la?

Cardeal Brandmüller: Certamente, cada um deve testemunhar a fé de modo que se encaixe em sua situação particular. De que forma isso pode acontecer, depende das circunstâncias específicas. Abre-se aí todo um campo para a criatividade.

LifeSiteNews: O que o senhor tem a dizer sobre as recentes declarações do bispo Franz-Josef Bode, de que a Igreja Católica deveria se adaptar cada vez mais às "realidades da vida" das pessoas de hoje e ajustar desse modo o seu ensinamento moral? Estou certo de que o senhor, como historiador da Igreja, tem diante de seus olhos outros exemplos da história da Igreja, nos quais ela foi pressionada de fora a mudar a doutrina de Cristo. Poderia mencionar alguns desses exemplos, e como a Igreja respondeu, no passado a tais ataques?

Cardeal Brandmüller: É absolutamente claro, e também não é novidade, que a proclamação do ensinamento da Igreja deva se adaptar às situações da vida concreta da sociedade e dos indivíduos, para que a mensagem seja ouvida. Mas isso se aplica somente ao modo de proclamação, e não a todo o seu conteúdo inviolável. Uma adaptação da doutrina moral não é aceitável. "Não vos conformeis a este mundo" (Rm 12, 2), diz o Apóstolo São Paulo. Se o bispo Bode ensina algo diferente, ele se acha em contradição com o ensinamento da Igreja. Será que ele está consciente disso?

LifeSiteNews: Está permitido à Igreja Católica na Alemanha seguir os seus próprios caminhos na questão da admissão dos recasados à Santa Eucaristia e, portanto, decidir independentemente de Roma, como declarou o Cardeal Reinhard Marx após o recente encontro da Conferência Episcopal Alemã?

Cardeal Brandmüller: As bem conhecidas afirmações do Cardeal Marx estão em contradição com o dogma da Igreja. Elas são irresponsáveis sob um ponto de vista pastoral, porque expõem os fiéis à confusão e a dúvidas. Se ele pensa que pode tomar nacionalmente um caminho independente, ele coloca a unidade da Igreja em risco. Resta dizer: o padrão obrigatório para todo o ensino e prática da Igreja são suas doutrinas claramente definidas.

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‘Este bebê está vivo!’: a emocionante história da pequena Hope
Pró-Vida

‘Este bebê está vivo!’: a emocionante
história da pequena Hope

‘Este bebê está vivo!’: a emocionante história da pequena Hope

Como age a indústria da morte diante de um aborto malsucedido? Qual o destino dos bebês que milagrosamente sobrevivem à crueldade dos seus agressores?

Sarah TerzoTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere17 de Abril de 2015Tempo de leitura: 4 minutos
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Em 2013, o estado da Flórida, nos Estados Unidos, debateu um projeto de lei que previa assistência médica a crianças nascidas vivas durante procedimentos malsucedidos de aborto. Uma representante da Planned Parenthood — a maior rede de abortos norte-americana — foi escolhida para responder por que a organização se opunha a essa legislação. Em um vídeo chocante, ela diz que a decisão sobre o que fazer com a criança, ainda que esteja viva e respirando, deveria ser do médico e da mulher que escolheu o aborto. Em outras palavras, deveria ser permitido matar aquele bebê.

A ideia de que, uma vez marcado para o aborto, um bebê deve ser morto, esteja dentro ou fora do útero, é chocante para muitas pessoas. Mas, quão comum é o fenômeno de crianças nascidas vivas depois de procedimentos de aborto? Não se sabe exatamente, em termos estatísticos, com que frequência isso acontece. Afinal, é conveniente que maior parte desses casos nunca venha à luz. Mas um número suficiente deles foi documentado. É o caso da menina Hope, cuja história chocou os Estados Unidos no final do século XX.

Em 1999, Hope nasceu, apesar de sua mãe estar no meio de um procedimento de aborto.

O aborteiro, Dr. Martin Haskell, estava realizando um aborto por nascimento parcial ("partial birth-abortion", em inglês) em uma jovem mulher. Em um procedimento desse tipo, assim como nos métodos mais usados de dilatação e evacuação, o colo do útero da mulher é dilatado com as laminárias – pequenas lâminas que expandem gradualmente. Então, ela vai para casa. A morte e retirada do feto, propriamente ditas, são feitas um ou dois dias depois da introdução das lâminas, quando elas tiveram tempo suficiente para expandir.

Nesse caso particular, depois de deixar a clínica, a mulher começou a sentir cólicas e foi à unidade de emergência no Centro Médico Bethesda North, em Cincinnati, Ohio, onde ela deu à luz um bebê vivo, do sexo feminino. De acordo com um artigo publicado em The Southeast Missourian, o bebê foi colocado dentro de um prato e posto à parte para ser jogado fora. Quando mandaram a enfermeira levar "aquilo" para o laboratório, Shelly Lowe viu o bebê ofegante e se movendo, e disse: "Eu não consigo fazer isso... Este bebê está vivo".

Os médicos se negaram a dar qualquer assistência médica ao bebê, que era estimado em pelo menos 22 semanas. Lowe deu à criança o nome de Hope e segurou a menina, cobrindo-a com um cobertor e cantando para ela, até que ela morresse. "Eu queria que ela se sentisse querida. Ela era uma recém-nascida perfeitamente formada, entrando prematura no mundo, sem que pudesse optar por outro caminho."

A menina Hope sobreviveu por três horas, enquanto Lowe a segurava e outras enfermeiras a observavam. Os funcionários do hospital que cuidaram do bebê relatam sentimentos constantes de tristeza e luto, mas também de paz — "paz porque ela foi confortada e acalentada até que desse o seu último suspiro", conta a enfermeira Connie Boyles. "Eu sentei e a segurei. Achava que ninguém deveria morrer sozinho", disse Lowe, à época, durante uma coletiva de imprensa com grupos pró-vida locais. "Nós a batizamos. Dei-lhe o nome de Hope ("esperança", em inglês) porque eu esperava que ela conseguisse sobreviver".

O certificado de óbito do bebê reforça a tragédia de sua breve existência. A causa da morte foi identificada como "prematuridade extrema em consequência de aborto induzido", que é listada como um modo "natural" de morte. Não lhe foi dado nenhum nome oficial e, ao fim de tudo, o corpo da criança — cuja existência foi resumida em duas simples expressões: "nunca se casou" e "nunca trabalhou" — foi cremado.

À época, as enfermeiras que trouxeram à tona a história de Hope foram criticadas e rejeitadas pela comunidade médica por suas declarações. Lowe enfrentou tanta perseguição, que foi quase que obrigada a aposentar. Grupos abortistas ("pro-choice", em inglês) também atacaram as funcionárias em comunicados à imprensa. "Nós estamos extremamente preocupados com a negligência exibida pelas empregadas que foram à mídia com essa história", declarou, na ocasião, Vicki Saporta, diretora executiva da Federação Nacional do Aborto ("National Abortion Federation", em inglês). "Nenhuma mulher deveria temer que a sua experiência médica pessoal fosse usada por políticos e organizações anti-escolha como instrumento para promover uma agenda política".

É digno de nota que nenhum dos artigos que contaram a história da pequena Hope revelou o nome da mulher que cometeu o aborto. Em outras fontes jornalísticas, o incidente chegou a ser descrito como "o aborto espontâneo de um feto inviável de 22 semanas".

Uma porta-voz da Planned Parenthood declarou à Associated Press que estava preocupada porque "o que parecia uma situação muito difícil e trágica estava sendo usado para propósitos políticos". A organização abortista não especificou se a tragédia estava no fato de Hope ter morrido após ter nascido viva ou no fato mesmo de ela ter nascido viva — embora você, leitor, possa supor muito bem qual seja a resposta. No fim das contas, se aquele aborto tivesse tido sucesso, Hope teria morrido sem que ninguém tomasse as suas dores ou sequer se preocupasse com a sua existência. Eis a cruel verdade por trás de todo o palavrório de "escolha" e "direitos da mulher": tudo não passa de uma grande farsa para disseminar a indiferença e promover a morte.

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Por que não somos idólatras
Igreja Católica

Por que não somos idólatras

Por que não somos idólatras

O que diz o primeiro mandamento do Decálogo e por que as acusações de idolatria imputadas aos católicos não passam de ignorância e distorção das Escrituras.

Equipe Christo Nihil Praeponere15 de Abril de 2015Tempo de leitura: 8 minutos
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"Vocês são idólatras! Pois Deus proíbe que sejam feitas imagens. Está escrito...". E por aí vai. Raros são os católicos que nunca ouviram, ou leram, algo parecido vindo de protestantes; e, lamentavelmente, não são raros aqueles que se deixam incomodar por esse tipo de palavrório. O ódio às imagens, todavia, não é recente. Se olhamos para a História da Igreja, vemos que já nos séculos VII-VIII se ergueram os quebradores das imagens, os iconoclastas, que sucumbiram sob a verdadeira fé. Nos tempos modernos, levantando a mesma bandeira de guerra contra as imagens, os protestantes intentam apenas reviver das cinzas a iconoclastia, recorrendo, para tanto, às Escrituras, ainda que de modo superficial.

E o que dizem, quando querem acusar a Igreja Católica de idolatria? Antes de tudo, o refrão: "Está escrito...". E o que está escrito?

"Não terás outros deuses além de mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que existe em cima dos céus ou debaixo da terra. Não te prostrarás diante dos ídolos, nem lhes prestarás culto, pois eu sou o Senhor teu Deus, um Deus ciumento" (Ex 20, 3-5a).

Pois bem, a Igreja Católica é fidelíssima ao primeiro mandamento, fidelíssima a esse trecho do livro do Êxodo que só pode ser entendido plenamente dentro de toda a Sagrada Escritura. Pois "também está escrito":

"Farás dois querubins de ouro polido nas duas extremidades do propiciatório: um de cada lado, de modo que os querubins estejam nos dois extremos do propiciatório" (Ex 25, 18-19. 37, 7).

"'Faze uma serpente venenosa e coloca-a sobre uma haste. Aquele que for mordido, mas olhar para ela ficará com vida'. Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e colocou-a sobre um poste" (Nm 21, 8-9).

"O altar do incenso devia conter certo peso de ouro refinado. O projeto também descrevia o carro dos querubins de ouro, que com as asas estendidas cobrem a arca da aliança do Senhor. Davi declarou: 'tudo isso me chegou num escrito da mão do Senhor'" (1 Cr 28, 18-19).

"No santíssimo, Salomão mandou instalar dois querubins de madeira de oliveira de dez côvados de altura [...]. Salomão revestiu os querubins de ouro. Mandou também esculpir, nas paredes em redor do templo, figuras variadas: querubins, palmas, cálices de flores [...]" (1 Rs 6, 23-38).

"Dentro e fora do Templo, em volta de todas as paredes internas e externas, tudo estava coberto de figuras, querubins e palmeiras" (Ez 41, 17-18).

"Estavam aí o altar de ouro para o incenso e a arca da aliança, toda recoberta de ouro, na qual se encontrava uma urna de ouro que continha o maná, o bastão de Aarão que tinha florescido, e as tábuas da aliança. Sobre a arca estavam os querubins da Glória, que com sua sombra cobriam a bandeja para o sangue da expiação" (Hb 9, 4-5).

E agora? Primeiro, Deus ordena não fazer imagens e, depois, ordena fazê-las. O que acontece? O problema é que Deus se contradiz ou que nós não O entendemos? Não podemos furtar-nos dessa questão.

Indubitavelmente, Deus não se contradiz – senão seria apenas mais um 'deusinho', "feito por mãos humanas" (Sl 113, 4), e não o verdadeiro Deus. O problema tem seu início quando a Bíblia é lida por meio de versículos isolados, sem a necessária unidade de toda a Escritura [1], e quando sua interpretação é submetida inteiramente ao leitor, posto como 'autoridade máxima' do exame bíblico. Tal problema é tão infesto que a própria Sagrada Escritura o denuncia. O episódio da tentação de Jesus no deserto, por exemplo, torna claro como é possível adulterar a palavra de Deus, dando-lhe uma interpretação completamente equivocada: o demônio abriu a Escritura e citou-a para tentar Jesus (cf. Mt 4, 6; Lc 4, 9-10). "Está escrito...", disse [2].

De fato, o uso da Sagrada Escritura para justificar as próprias ideias e interesses, mutilando-a e adulterando-a, gera sérias consequências e tem sido cada vez mais frequente. Lembremo-nos de Lutero – outrora monge católico – e seus seguidores. Esses mutilaram o cânon bíblico, retirando diversos livros de 'suas bíblias', e disseram o sola scriptura. Ora, foi da Escritura que retiraram tal lema e a lista dos livros que lá não deveriam permanecer? Desde a tentação de Jesus no deserto, passando por todas as heresias da História da Igreja até os nossos dias, más intenções, mutilações e ignorância bíblicas têm nos acompanhado, fazendo a palavra de Deus 'padecer' uma verdadeira paixão em seu 'corpo' dilacerado pelas más interpretações.

Quanto à perícope do livro do Êxodo (20, 3-5a) e outras sobre as imagens, a proibição refere-se aos ídolos e, portanto, às imagens dos ídolos. Um ídolo é uma figura representativa de um deus falso, comum entre os povos pagãos. Diz o salmista: "Os ídolos das nações são prata e ouro, feitos por mãos humanas; têm boca e não falam, têm olhos e não veem, têm ouvidos e não ouvem, têm nariz e não cheiram. Têm mãos e não palpam, têm pés e não andam; da garganta não emitem sons" (Sl 113, 4-8).

Quando Deus diz: "Não farás para ti imagem esculpida", a palavra utilizada para "imagem" é temunah (תְּמוּנָה), empregada justamente para falar dos ídolos, dos deuses pagãos, tanto que, na famosa versão dos Setenta – tradução do hebraico para a língua grega, feita nos séc. III-II a.C. –, a palavra é traduzida por eidolon (εἴδωλον), ídolo, com acepção muito diversa da palavra eikon (εἰκών), ícone.

Ou seja, "o primeiro mandamento condena o politeísmo. Exige do homem que não acredite em outros deuses além de Deus, que não venere outras divindades além da única" [3]. Ensina, ademais, o Catecismo: "A idolatria não diz respeito apenas aos falsos cultos do paganismo. Continua a ser uma tentação constante para a fé. Ela consiste em divinizar o que não é Deus. Há idolatria desde o momento em que o homem honra e reverencia uma criatura em lugar de Deus" [4]. Atenção para as palavras: "uma criatura em lugar de Deus"! Ainda sobre o primeiro mandamento, Santo Tomás de Aquino comenta:

"'Não terás outros deuses diante de mim'. Para compreendê-lo é preciso dizer que os antigos de muitos modos transgrediam este Mandamento. Alguns, com efeito, prestavam culto aos demônios: 'Todos os deuses dos povos são demônios' (Sl 95,5). Este é o maior de todos os pecados, é horrível. Ainda hoje muitos transgridem esse Mandamento ao dar ouvidos aos adivinhos e sortilégios. Santo Agostinho ensinava que tais coisas não se fazem sem que se contraia algum pacto com o demônio: 'Não quero que vós tenhais sociedade com os demônios' (1Cor 10, 20) [...]. Outros cultuavam os corpos celestes, julgando serem deuses os astros [...]. Outros cultuavam os elementos inferiores: 'Tomaram o fogo, ou o vento (...) por deuses' (Sab 13, 2). Os homens que usam mal as coisas inferiores, amando-as excessivamente, caem no mesmo erro. Diz o Apóstolo: 'O avaro, o qual é um idólatra' (Ef 5, 5). Outros erravam cultuando homens, aves ou outros animais, ou a si mesmos [...]" [5].

Se queremos, portanto, entender o sentido real do primeiro mandamento, escutemos o Senhor – Aquele que é maior do que Moisés (Hb 3, 3) –, quando testado por um doutor da Lei: "O primeiro mandamento é este: 'Ouve, Israel! O Senhor nosso Deus é um só. Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com toda a tua força'" (Mc 12, 29-30; Mt 22, 37-38). Como se vê, o Senhor não faz referência alguma a imagens! Porém, a idolatria é claramente condenada, pois, com o dever de amarmos a Deus acima de tudo e com totalidade, sendo Deus um só, proíbem-se os ídolos, e as imagens enquanto ídolos. Não se trata, desse modo, de proibição sobre qualquer espécie de escultura, de pintura, de desenho etc., caso contrário a arte como um todo estaria proibida, além de fotografias e objetos de decoração.

Por conseguinte, para a Igreja Católica, as imagens de Nosso Senhor Jesus Cristo, de Sua Santíssima Mãe, dos Santos Anjos e dos Santos, não são ídolos e "o culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos. Com efeito, 'a honra prestada a uma imagem remonta ao modelo original' e 'quem venera uma imagem venera nela a pessoa representada'. A honra prestada às santas imagens é uma 'veneração respeitosa', e não uma adoração, que só a Deus se deve" [6]. Uma carta escrita entre os anos de 726 e 730 d.C. ao ímpio Leão III, imperador iconoclasta, é resposta acertadíssima também aos iconoclastas modernos:

"E dizes que nós adoramos pedras, paredes e painéis de madeira. Não é assim como dizes, ó Imperador, mas para nossa memória e nosso estímulo, e para que nossa mente lerda e fraca seja dirigida para o alto por meio daqueles aos quais se referem esses nomes, invocações e imagens; e não como se fossem deuses, como tu dizes – longe de nós! De fato, não pomos nossa esperança nesses 'objetos'. E se é uma imagem do Senhor, dizemos: Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, socorre-nos e salva-nos. Se é da sua santa Mãe, dizemos: Santa mãe de Deus, mãe do Senhor, intercede junto ao teu Filho, nosso verdadeiro Deus, para a salvação das nossas almas! Se é do mártir, dizemos: Ó santo Estêvão, protomártir, tu que derramaste o sangue pelo Cristo, com tua liberdade de falar, intercede por nós! E para qualquer mártir que venceu o martírio, assim dizemos, elevamos semelhantes orações por meio deles. E não é verdade que chamamos os mártires de deuses, como dizes, ó Imperador" [7].

Infelizmente, muitos continuarão com uma impiedade desenfreada e tagarelando incompreensões. Deveras, muito mais seria necessário dizer sobre os abusos na interpretação da Sagrada Escritura e as acusações injustificadas feitas à Igreja Católica, provenientes em primeiro lugar da ignorância e, quem sabe, da má intenção; porém, é certo que quem não quer ouvir, não ouve. Que o Senhor tenha piedade de todos nós.

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