Padre Paulo Ricardo
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“Hoje eu retirei o meu DIU”
Testemunhos

“Hoje eu retirei o meu DIU”

“Hoje eu retirei o meu DIU”

Como um casal saiu da maior rede de abortos dos Estados Unidos para entrar no mundo fantástico da moral cristã e da Igreja Católica.

Doug JohnsonTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere19 de Maio de 2015Tempo de leitura: 7 minutos
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Desde que minha esposa e eu começamos a namorar, ela sempre usou algum tipo de contracepção. Ela pulava de método em método, mudando com muita frequência. Usou de tudo, do anel ao injetável, do preservativo ao DIU (dispositivo intrauterino). Mesmo depois que nos casamos, tinha sempre algum tipo de "prevenção" no meio. Foi só depois que Abby deixou a Planned Parenthood e que fomos confrontados por novas informações sobre contracepção, que começamos a olhar um pouco mais a fundo para as nossas próprias responsabilidades reprodutivas. Ambos tínhamos caminhos diferentes para a nossa vida sem o controle de natalidade. Mas acabamos chegando a um acordo, e nunca esquecerei o momento em que Abby disse: "Hoje eu retirei o meu DIU".

Por oito anos minha esposa esteve envolvida na indústria de aborto e controle de natalidade, trabalhando na Planned Parenthood. Ela não só estava vendendo o produto, como também era uma cliente. Quando o assunto era controle de natalidade, eu deixava a decisão para ela. A Planned Parenthood e outras traficantes de pílulas adoram gritar: "É uma escolha da mulher!" Pois bem, esse era o dogma ao qual tínhamos aderido naquele momento. Eu pensava estar ajudando ao deixar que ela tomasse as decisões por ela – e, em última instância, por nossa família. É claro que eu estava chateado por não termos mais filhos, mas, naquela hora, a carreira dela parecia ser mais importante. Nós tínhamos um filho e isso parecia ser o suficiente.

Quando Abby finalmente deixou a Planned Parenthood em 2009, nós dois não tínhamos qualquer problema que fosse com anticoncepcionais. Iria levar algum tempo para que os nossos argumentos em defesa da contracepção fossem desmontados. Com a saída dela da Planned Parenthood, ambos deixamos de defender o aborto para nos tornarmos pró-vidas de carteirinha. Então, eu pensava que qualquer coisa era possível.

Tudo começa com a nossa recém-descoberta religião

Pessoas de várias crenças e ideias chegam de diferentes maneiras ao Planejamento Familiar Natural (NFP, em inglês). Muitos o utilizam porque é saudável e respeita o funcionamento natural do corpo da mulher. Abby e eu fomos apresentados ao NFP na igreja, e as nossas razões para usá-lo incluíam razões religiosas, além das relativas à saúde.

Considerando que quase todo novo amigo que fizemos depois da conversão de Abby era católico, não demorou muito para que começássemos a frequentar regularmente as Missas dominicais. E era exatamente ali onde precisávamos estar. Quem imaginou que poderíamos aprender sobre contracepção e um pouco de biologia reprodutiva indo à igreja? Depois de alguns meses assistindo regularmente à Missa, nós decidimos começar o Rito de Iniciação Cristã para Adultos (RCIA, em inglês). Queríamos ao menos aprender sobre a Igreja Católica e descobrir se fazer parte dela era o melhor para nós.

Em nossa primeira aula, deram-nos uma Bíblia, uma cópia do Catecismo e uma edição do livro "Teologia do Corpo para Iniciantes", de Christopher West.

Para mim, tudo começou com esse livro. Eu não tenho o costume de simplesmente pegar um livro e começar a ler. Mas, dessa vez, por alguma razão, eu o fiz. Não vou entrar em cada detalhe sobre o livro, que abrange um vasto material. Todavia, no momento em que terminei de ler, eu sabia que queria me tornar católico e estava 100% de acordo com o ensinamento católico sobre a contracepção. Tudo o que a Igreja ensinava simplesmente fazia todo o sentido para mim. Não foram só os aspectos religiosos que me chamaram a atenção. Eu estava mais impressionado em olhar o design natural dos nossos corpos e o que eles significavam. Nós fomos feitos para reproduzir. Isso requer um homem e uma mulher juntos no ato sexual. É verdade que o sexo faz sentir prazer e todas aquelas coisas boas, mas se você retira o seu propósito e reduz tudo ao orgasmo, ele se torna um ato bem egoísta, ao invés de ser um ato de amor do qual pode sair uma nova vida. A fim de que os nossos corpos e de que o sexo cumpram o seu propósito natural, a relação sexual deve ter, ao mesmo tempo, o prazer e a abertura à reprodução. Deixo Christopher West dizer isso melhor:

"Quando divorciamos o sexo de sua natural orientação a uma nova vida, o que resta para evitar que se justifiquem todos e quaisquer meios para atingir o clímax sexual? Quando esterilizamos o sexo, nós desorientamos essencialmente o ato. Ele não aponta mais para a necessidade do casamento e o crescimento de uma família. O nome do jogo se torna procurar libido para a própria satisfação e, então, a relação natural e vaginal é tratada como uma entre um milhão e uma formas de conseguir prazer sexual. Quando separamos o sexo de sua consequência mais natural, inevitavelmente perdemos a nossa bússola moral."

Então, ali estava eu, com uma perspectiva completamente nova sobre sexo, casamento, Igreja e vida em geral. Eu estava muito animado para destrinchar o ensinamento católico e aprender mais, mas meu próximo desafio seria fazer Abby pular a bordo do mesmo trem comigo. Essa era a prioridade número 1...

Mas, no fim das contas, isso nem foi um grande desafio. No primeiro domingo depois de terminada a leitura do livro, estávamos na Missa. Eu estava achando tudo bastante normal na celebração, mas, ao meu lado, no decorrer da liturgia, Abby passava por uma grande conversão e mudança de filosofia. Eu não sabia no momento, mas Abby passou a Missa inteira olhando todas as famílias e todas as crianças sentadas ao seu redor. Ela percebeu, então, que queria que a nossa família crescesse, e a única coisa que ela podia pensar era: "Eu preciso tirar esse DIU de dentro de mim!"

Naquela tarde, quando chegamos em casa após a Missa, Abby me disse que queria tirar o DIU. Minha primeira resposta foi: "Sério? Você tem certeza?" Abby: "Certeza absoluta. Eu quero isso fora de mim amanhã, o mais depressa possível."

Ótimo! Eu não ia mais precisar convencê-la a livrar-se do controle de natalidade. Ela chegou lá por conta própria. Chega a ser engraçado como nós tivemos estradas completamente diferentes para chegar exatamente ao mesmo destino. Estávamos ambos no mesmo barco e sequer sabíamos.

No dia seguinte, Abby telefonou para a sua médica e disse a ela que queria tirar o DIU. Eis como foi a conversa:

Abby: Oi. Eu preciso ter o meu DIU retirado hoje mesmo.
Recepcionista: Está tendo algum problema?
Abby: Não. Só preciso tirá-lo imediatamente.
Recepcionista: Ok, podemos ver você em três semanas.
Abby: Não, nada bom. Preciso falar com uma enfermeira.

Enfermeira: Oi. Você quer tirar o seu DIU?
Abby: Sim. Não estou tendo nenhum problema, mas preciso que ele seja tirado hoje.
Enfermeira: Bem, não temos nenhuma consulta disponível para hoje. Podemos ver você em algumas semanas.
Abby: Escute, eu sei como retirar essa coisa. Ou a médica tira isso hoje ou eu mesma tiro. Tem que ser hoje.
Enfermeira: Você pode vir à 1 da tarde hoje?
Abby: Vejo você, então.

Assim que Abby teve o DIU retirado, toda conversa que tínhamos sobre aumentar a nossa família era empolgante e uma grande injeção de ânimo em nosso matrimônio. Só a ideia de ter mais filhos já fez com que nos aproximássemos um do outro. O sexo se tornou cheio de significado. Nossa fé se tornou mais profunda. Não houve fogos de artifício ou uma festa para celebrar nossa decisão de abandonar a contracepção, mas posso dizer que isso colocou o nosso casamento em um belo caminho, em uma direção completamente nova.

O que aconteceu a partir disso...

As coisas não se tornaram mais fáceis depois que decidimos ter mais filhos. Uma vez retirado o DIU, passamos por um ano de infertilidade – menos do que muitos casais que sabíamos que usavam contraceptivos hormonais e de outros tipos. Nós aceitamos que talvez não teríamos mais filhos, embora fosse algo difícil de engolir. Mas, depois de muito trabalho entre Abby e sua médica, conseguimos conceber nosso segundo bebê... o primeiro de 3 bonitos garotos. Alex, Luke e Carter vieram um após o outro, em três anos consecutivos. Esses garotos são a prova para nós de que estar no plano de Deus e abertos à vida é a melhor vida para se viver. Agora, usamos o NFP (Planejamento Familiar Natural) e ele funciona muito bem para nós.

Se não tivéssemos passado por esse um ano de infertilidade, eu não sei se teríamos estudado sobre o NFP. Não sei se teríamos aprendido tanto sobre fertilidade e a ordem natural do sexo. Durante esse período, também aprendemos muito mais sobre os outros efeitos colaterais do controle hormonal de nascimentos.

Como agora, em nosso casamento, nós não usamos nenhum produto químico ou látex. Nós temos uma relação sexual saudável, natural e aberta à vida. Ambos entendemos que a fertilidade dela é nossa e nós trabalhamos nisso juntos. A boa notícia é que o NFP nos aproximou enquanto casal. Nada jamais vai se intrometer entre minha esposa e eu em nosso leito de novo. Talvez os nossos filhos de 2 anos e 1 ano e meio, mas nada além disso!

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Uma nova ideologia do sexo
Sociedade

Uma nova ideologia do sexo

Uma nova ideologia do sexo

Saiba como a pornografia, através de exposições cada vez mais agressivas e antinaturais, está criando a cultura do estupro

Equipe Christo Nihil Praeponere15 de Maio de 2015Tempo de leitura: 4 minutos
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A pornografia está em alta. Cinquenta tons de cinza, a adaptação do drama erótico de E.L. James para o cinema, arrecadou nada menos que US$ 500 milhões de dólares em bilheteria. Com o sucesso, uma sequência do filme já está em fase de negociações. Mas não para por aí. Uma série de longas no mesmo estilo deve ser lançada em breve. After, uma espécie de versão adolescente do livro de James, é um dos mais aguardados. Embora se passe em um colégio, o enredo é exatamente o mesmo: uma jovem virgem que se entrega aos caprichos sexuais do namorado.

A razão para o sucesso de filmes, livros e outros produtos com alto teor sexual pode ser atribuída a vários fatores. Entre eles, à so called Liberdade Sexual. Nunca se falou tanto sobre sexo como nos dias de hoje. Essa banalização, porém, tem gerado muitas controvérsias, sobretudo no que diz respeito à juventude. Um artigo publicado pelo jornal britânico The Telegraph traz dados alarmantes sobre as consequências da pornografia para os mais jovens. "A pornografia mudou o panorama da adolescência para além de qualquer reconhecimento", afirma o jornal. Dos aspectos mais preocupantes, o artigo destaca o aumento das relações anais. "O sexo anal", escreve a articulista Alisson Pearson, "tornou-se padrão entre os adolescentes agora". Alisson cita alguns estudos que mostram como práticas do tipo causam sérios problemas emocionais e distúrbios psicológicos, principalmente nas mulheres. E conclui: "Nós precisamos educar e encorajar nossas filhas a lutar contra a pornografia".

Há, além disso, outro agravante ainda mais perigoso. O universo pornográfico está criando "uma nova ideologia do sexo, em que as mulheres são objetos para serem abusados e consumidos e os homens, agressores sexuais, que usam garotas e mulheres para obterem o máximo de prazer possível. É o que alerta Jonathon van Maren, do LifeSiteNews. Em sua coluna, Maren relaciona a pornografia ao desenvolvimento de um comportamento violento, baseado na lógica do estupro. Segundo o colunista, o sexo anal, em todas as suas variedades mais agressivas, é frequentemente apresentado pela mídia pornográfica como uma via autêntica de prazer. Não é nenhum exagero. A esse respeito, basta pensar no carnaval que se fez anos atrás, quanto à declaração de uma famosa cantora, considerada modelo para os jovens. Com efeito, os rapazes tendem a querer imitar tais relações com suas namoradas. Elas, por sua vez, sentem-se coagidas a aceitar.

Dados como esses nos obrigam a questionar alguns aspectos da cultura em voga, marcada sobretudo pelo niilismo. Ora, o desregramento sexual é desaconselhado desde antes do cristianismo. Em seus escritos, Aristóteles indica a busca das virtudes como condição sine qua non para o alcance da vida boa, isto é, a felicidade suprema [1]. O ser humano, ensinava, deve controlar seus desejos pelo bem maior. E o motivo é evidente: a libertinagem sexual não somente mata a capacidade de amar, como desfigura a natureza do ser humano e da sociedade. Primeiro, porque se trata de atitudes que não visam o bem comum. Ao contrário, o outro é considerado apenas como objeto de prazer. É descartável. Segundo, porque se trata de práticas governadas pela ilusão; prendem o indivíduo em um mundo de fantasias e desejos ilusórios. A realidade, por conseguinte, torna-se um fardo. Isso por si só mostra o quão equivocada está a ideia por trás da liberdade sexual. Essa liberdade é falsa. Não existe liberdade quando o homem se torna refém de suas paixões. Não existe liberdade quando se fere a dignidade alheia em nome do próprio prazer.

Aliás, não se pode deixar de ressaltar um ponto importante nesta questão. Todas as vezes que a Igreja se posiciona quanto à sexualidade, logo ela é acusada de moralista e castradora. O ensinamento dos papas, dos santos e, em última análise, do próprio Cristo, é ridicularizado, ora por artigos pseudo acadêmicos, ora por programas de nível duvidoso. Os frutos da revolução sexual, porém, mostram o que, de fato, não é novidade alguma: a moral católica está certa. Está certa porque valoriza o homem em todas as suas dimensões, ordenando a sexualidade segundo sua reta natureza. Não é o caso da pornografia. Está certa porque defende o primado do amor contra os abusos da concupiscência. Também não é o caso da pornografia. E a mídia secular, vimos, já não pode dissimular isso.

Qualquer pessoa honesta e boa de juízo consegue perceber algo de profundamente perverso em um material que induz à violência, ao desprezo pelo semelhante, ao prazer a qualquer custo. Por mais que nos acusem de moralismo, o óbvio é irrefutável: a pornografia está gerando a cultura do estupro. Esse é, sem dúvida, o fruto mais podre da revolução sexual.

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Pais de trigêmeos prematuros encontram sentido no impensável
Pró-VidaTestemunhos

Pais de trigêmeos prematuros
encontram sentido no impensável

Pais de trigêmeos prematuros encontram sentido no impensável

Bernadette, Christine e Adam sobreviveram por apenas quatro horas. O suficiente para marcar para sempre os membros da família Taylor.

LifeSiteNews.comTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere14 de Maio de 2015Tempo de leitura: 8 minutos
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Quando o médico revelou aos recém-casados Jason e Marie Taylor, ambos com seus 30 anos, que eles esperavam trigêmeos, o casal não cabia em si de tanta felicidade. "Nós estávamos muito, muito entusiasmados", conta Jason. No ultrassom, aparecia a imagem de duas meninas e um menino. Os pais orgulhosos se apressaram em dar-lhes um nome: Bernadette, Christine e Adam.

A primeira gestação do casal foi fruto de um relacionamento vivido na graça de Deus, já a partir do namoro. Desde o momento em que se apaixonaram, Jason e Marie ansiavam por começar uma família, mas decidiram fazer o seu relacionamento "do jeito de Deus", vivendo a castidade até que se comprometessem mutuamente, no altar, em maio de 2012.

Mesmo o sonho de ter muitos filhos, porém, não impediu que os dois se surpreendessem com a notícia dos trigêmeos. "Meu Deus, o que vamos fazer com tantos bebês?", eles pensavam. "Temos apenas um número limitado de braços". Em uma outra visita ao hospital, alguns médicos ousaram falar com eles sobre uma espécie de "redução seletiva", mas o casal nem deu atenção. Ainda que Marie fosse enfermeira e soubesse que os médicos fariam aquela pergunta, ela se sentiu mal em escutar alguém se oferecer tão tranquilamente para matar um ou dois dos seus filhos. "Aquilo foi realmente perturbador para nós dois, já que esperávamos tão ansiosamente por nossos filhos", disse Jason.

De fato, mal recebeu a boa nova, o casal começou a preparar a casa para a chegada dos novos hóspedes, prevista para fevereiro de 2013. Três bercinhos foram comprados e cuidadosamente enfileirados no quarto de cima, enquanto a barriga de Marie só aumentava... Todas as noites, antes de cair no sono ao lado de sua esposa, Jason se inclinava para conversar com os seus filhos: "Ei, Adam! Ei, Bernadette! Ei, Christina! Estou ansioso por conhecê-los. Amo vocês!" Antes de sair para o serviço, ele dizia às crianças: "Cuidem de sua mãe!"

O impensável. Mas o corpo de Marie começava a ter problemas para se adaptar às exigências daquelas três vidas que cresciam dentro dela. Além do refluxo severo, ela experimentava palpitações, dores no peito e fortes dores de cabeça. Um dia, enquanto assinava alguns cartões de 'obrigado' pelo casamento na mesa da cozinha, Marie repentinamente apagou. Quando voltou a si, tratou de telefonar ao seu marido para pedir ajuda.

Apesar das dificuldades, um ultrassom de novembro revelava que Marie e os seus bebês estavam bem. Com 22 semanas, Marie se parecia mais com uma gestante de 35 semanas.

Um dia depois do ultrassom, porém, Marie começou a sentir "pequenas dores agudas" no abdômen, que se foram tornando cada vez mais regulares. Naquela noite, o casal decidiu ir ao hospital para descobrir o que estava acontecendo.

Chegando lá, os dois não acreditaram quando os médicos disseram que Marie estava com 4 cm de dilatação e tinha entrado em trabalho de parto. O jovem casal se apegou à esperança de que os médicos pudessem fazer algo para impedir que o quadro progredisse, a fim de manter os bebês a salvo.

Mas a situação piorou e o médico revelou ao casal que as crianças estavam prestes a nascer. Com 22 semanas, os pequeninos trigêmeos não tinham muitas chances de sobreviver. Eles não apenas tinham crescido pouco por conta de serem três, como seus pulmõezinhos não se tinham aperfeiçoado o suficiente para que pudessem respirar. Como enfermeira, Marie sabia que tentativas de oxigenação em pulmões pouco desenvolvidos podiam fazê-los arrebentar, causando morte imediata. Os doutores advertiram os pais que, depois do parto, os bebê não receberiam intervenção médica.

Enquanto permanecia ao lado de sua esposa, testemunhando o inimaginável pesadelo que se desenrolava diante dos seus olhos, Jason percebeu que estava dando toda a sua atenção a Marie. Ele se deu conta de que os seus filhos provavelmente estavam tão assustados com o que acontecia quanto eles dois. Então, o jovem pai se inclinou e, ofegante, confortou os seus filhos com as palavras amorosas de costume: "Ei, eu amo vocês, meus filhos... Estou ansioso para conhecê-los..."

Os pais se prepararam para saudar os seus filhos e passar com eles o máximo de tempo que pudessem.

Enfim, nas primeiras horas do dia 15 de novembro de 2012, Bernadette, Christine e Adam nasceram, pesando de 360 a 450 gramas cada um. "Eles saíram cheios de vida e se movendo", disse Jason. "Continuei na esperança de que eles pudessem ser os únicos trigêmeos a sobreviverem com 22 semanas, mas eles se foram rapidamente".

Apesar da profunda dor de presenciar os seus filhos partindo, o casal ficou impressionado ao ver como eles estavam perfeitamente formados, com seus narizinhos, seus frágeis dedinhos, as unhas e, acima de tudo, com seus rostinhos adoráveis. "Nós os seguramos. Tivemos tempo de examiná-los com cuidado e sentimos realmente como se os tivéssemos conhecido um pouco", disse Jason.

Mais tarde, o resto da família chegou ao hospital para dar suporte ao casal e se despedir das três pequenas crianças. Uma enfermeira tirou o "carimbo do pezinho" dos três. Eles foram vestidos com uns pequenos chapéus e envoltos em roupinhas coloridas.

Para a mãe, tudo foi uma incrível mistura de emoções: "Nós seguramos os bebês, choramos, olhamos para eles e os examinamos, conversamos com eles e os batizamos. Enfim, nós os amamos."

Durante quatro horas, Bernadette, Adam e Christine foram amados, respeitados e acalentados por cada momento de suas curtas existências.

Em busca de sentido. Logo após a morte das crianças, Jason e Marie se perguntavam sobre o que devia ser feito com os seus restos mortais, não sabendo se o hospital deixaria que eles levassem os seus corpos.

O pai de Marie interveio. "É claro que devemos dar a eles um funeral adequado", ele disse. "Eles tiveram uma vida, assim como qualquer pessoa. Nasceram, foram batizados, viveram e morreram."

O irmão de Marie fez um pequeno caixão de madeira com três cruzes em cima. Os trigêmeos que cresceram, viveram e morreram juntos, seriam agora colocados juntos no seu paradeiro final de descanso.

Jeff Gunnarson, da Campaign Life Coalition, assistiu ao funeral e contou ao LifeSiteNews.com que ficou "profundamente emocionado" ao escutar o testemunho de Jason sobre a vida de seus filhos, acrescentando que era difícil encontrar algum olho seco na multidão.

"Jason explicou às pessoas ali reunidas que a vida de seus filhos foi preciosa", ele conta. "Ele mencionou as frágeis e pequenas unhas de suas filhas e o belo traço do queixinho de seu filho. Disse que, mesmo prematura, cada criança já mostrava traços distintos de personalidade. Ele mostrou que cada pessoa tem uma vida única e irrepetível."

"Acredite-me, qualquer um naquela multidão com um pingo de indiferença ao valor de um bebê de 22 semanas teria deixado o funeral repensando sua posição pró-aborto. Jason transmitiu como são maravilhosamente formados esses pequenos filhos de Deus. Ele foi capaz de enxergar, naquele sério e triste, mas também profundo momento de despedida, um raio pró-vida de esperança que trouxe lágrimas aos nossos olhos e fez com que sentíssemos gratidão por testemunhar um tão belo amor."

Um testemunho de vida. Como qualquer pai que tivesse que enterrar seus filhos, Jason e Marie se pegaram perguntando "por quê". Nos dias mais sombrios, eles se viram lutando com Deus na oração, perguntando a Ele por que havia permitido aquela dor, aquele luto, aquele sofrimento, aquela perda.

O momento mais difícil para Marie foi acordar no meio da noite que sucedeu a sua perda. Assim que o pesadelo do dia anterior caiu sob a sua cabeça, ela se deu conta de que não estava mais grávida. "Senti-me realmente desesperada, perguntando a mim mesma como poderia vir alguma coisa boa de tudo isso", ela conta.

À procura de respostas para questões tão difíceis, os dois se voltaram para a fé. "Não sabíamos por que não tínhamos conseguido ficar com eles", disse Marie. "Mas, seja qual for a razão, Deus permitiu que eles fossem tirados de nós. Temos fé de que eles estão agora no Céu, descendo para tentar nos puxar para lá com eles. Acreditamos que temos três pequenos anjos lá em cima, intercedendo por nós, a fim de que também nós um dia cheguemos lá."

Ao invés de focar na sua perda, o casal decidiu dar atenção às bênçãos que recebeu. "De qualquer modo, esses bebês são um testemunho de vida. É isso o que eles são. É isso o que temos de ver em tudo isso", diz Marie.

Apesar da dor e da perda, os pais nunca pensariam em tirar a vida de seus filhos. Eles sabem que o luto e o sofrimento não têm a palavra final.

Os trigêmeos já têm feito a diferença nas vidas de todos os que os conheceram. Os vizinhos se uniram para ajudar Jason e Marie. Os membros da família superaram as suas pequenas diferenças e ficaram juntos. A fé em Deus e os laços familiares foram fortalecidos; os corações frios foram aquecidos.

"De alguma forma, o simples fato de ver as suas vidas muda um coração", diz Jason. "A esperança e a oração" dos dois é que, compartilhando a sua experiência, outros "sejam encorajados" a enfrentar escolhas difíceis relacionadas à vida.

Eles colocaram no YouTube um emocionante tributo em memória aos seus três filhos. Os pais escreveram e gravaram uma canção cordial e inspiradora que acompanha a sua história, a qual é contada pelas fotos e pelo texto. O vídeo já recebeu mais de 4 milhões de visualizações.

"Graças a Deus, as vidas dos nossos bebês podem, de alguma forma, fazer a diferença, ainda que seja apenas fortalecendo e encorajando as pessoas que já estão no movimento pró-vida", diz Jason.

Gunnarson denominou o testemunho dos Taylor como "corajoso e surpreendente". Eles mostraram ao mundo que trazer crianças de 22 semanas ao mundo, mesmo sem longas perspectivas de vida, é "a coisa mais natural e mais saudável a se fazer". Ainda que Bernadette, Christine e Adam não fossem capazes de sobreviver senão por algumas horas, foram horas preciosas de existência – horas que dão testemunho do valor e dignidade de cada pessoa humana.

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O pedido esquecido de Nossa Senhora
Virgem MariaEspiritualidade

O pedido esquecido de Nossa Senhora

O pedido esquecido de Nossa Senhora

Mais de 100 anos após a aparição da Virgem em Fátima, a humanidade ainda teima em ignorar os seus apelos à conversão e à penitência.

Equipe Christo Nihil Praeponere13 de Maio de 2015Tempo de leitura: 4 minutos
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Quando Nossa Senhora apareceu aos três pastorinhos de Fátima, a 13 de maio de 1917, ela fez-lhes uma pergunta: "Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser mandar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e de súplica pela conversão dos pecadores?" Na ocasião, os jovens Francisco, Jacinta e Lúcia responderam que sim, assumiram o pedido da Virgem Maria e toda a sua vida se transformou em uma verdadeira entrega a Deus, pelo resgate das almas.

Impossível não se lembrar do episódio da Anunciação, quando o Céu, de um modo nunca antes visto, dependeu da liberdade de uma única criatura para descer sobre a Terra. Às palavras do anjo, dizendo que Maria Santíssima conceberia e daria à luz o próprio Filho de Deus, ela prontamente respondeu: "Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1, 38). Naquele momento, também ela, de modo muito singular, assumia para si a missão de "suportar todos os sofrimentos", "em ato de reparação (...) e de súplica pela conversão dos pecadores" – missão que o profeta do templo resumiria na famosa expressão: "Uma espada traspassará a tua alma" (Lc 2, 35).

É essa a missão a que se referiu o Papa Bento XVI em 2010, quando peregrinou à cidade de Fátima. "Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída" [1], disse ele na ocasião. De fato, ainda hoje, Nossa Senhora dirige a toda a humanidade o mesmo apelo que fez aos três pastorinhos na Cova da Iria. "Rezai, rezai muito, e fazei sacrifícios pelos pecadores", dizia ela. "Muitas almas vão para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas".

Às portas do centenário das aparições da Virgem em Portugal, a hora é propícia para um profundo exame de consciência. O terceiro segredo de Fátima revelou a visão de um Anjo "apontando com a mão direita para a terra" e clamando, com voz forte: "Penitência, Penitência, Penitência!" Diante desse quadro, a pergunta a ser feita é: A humanidade realmente tem se penitenciado? O que tem sido feito para atender aos pedidos de Nossa Senhora?

É preciso bater no peito e reconhecer o quão pouco foi feito pelo homem moderno para corresponder aos apelos da Mãe de Deus.

Primeiro, por parte daquelas pessoas que, mesmo se assumindo "católicas", não só rejeitaram o conteúdo de Fátima – que, por ser uma revelação particular, não obriga ao assentimento nenhum fiel católico [2] –, mas abandonaram totalmente as próprias verdades da fé. Também em Fátima, Bento XVI chamou a atenção para o fato de que "muitos dos nossos irmãos vivem como se não houvesse um Além, sem se importar com a própria salvação eterna" [3]. Sem dúvidas, este é o grande mal deste século: que o homem viva como se Deus não existisse, totalmente alheio às realidades eternas e aos cuidados da sua alma.

Para que acontecesse uma efetiva mudança no mundo e os corações fossem elevados ao Alto, porém, Nossa Senhora indicou o caminho da penitência. Entra aqui a necessidade do exame por parte daqueles que crêem, mas ainda se encontram "estacionados" na vida espiritual. De fato, é muito comum ver pessoas instigadas pelas aparições da Virgem em Fátima, Lourdes, La Salette... Mas, quantas dessas pessoas despendem os mesmos esforços e as mesmas horas para cumprir os desejos de Deus, expressos pela boca de Maria Santíssima?

De fato, ela disse: "Rezem o Terço todos os dias". Mas, quantas são as famílias que se têm dedicado à oração do Santo Terço? E quantas o têm rezado diariamente, como pediu Nossa Senhora?

Ela também disse: "Sacrificai-vos pelos pecadores". Ora, quantos têm verdadeiramente jejuado e feito penitências pela conversão do mundo? Quantos têm se levantado de madrugada ou feito vigílias em família para rezar pelas almas que mais precisam?

Ela disse: "Não ofendam mais a Deus, Nosso Senhor, que já está muito ofendido". E qual tem sido a conduta das pessoas? Será que têm se preocupado em adquirir verdadeira santidade de vida? Como está vivendo a juventude católica, que se reúne nos grupos de oração, vai às Missas e estuda a sua fé? Como têm vivido aqueles que, por sua vida, deveriam brilhar como "a luz do mundo" (Mt 5, 14) e espalhar por todos os cantos "o bom odor de Cristo" (2 Cor 2, 15)?

Neste dia em que a Igreja celebra a memória de Nossa Senhora de Fátima, é urgente lembrar que, no fim das contas, de nada adiantam alardes, previsões e surtos de curiosidade malsã sobre o futuro. "Se não vos converterdes, diz o Senhor, perecereis todos do mesmo modo" (Lc 13, 3). O que Jesus e Maria querem dos homens é que sejam santos, rezem e se mortifiquem – este é o único necessário de que fala Nosso Senhor, todo o mais nos será tirado (cf. Lc 10, 42).

Conversão, penitência e oração: eis, pois, o centro do Evangelho e o núcleo da mensagem de Fátima – e também o de todas as outras recentes aparições da Virgem Maria. Ainda hoje, não existe outra escada por onde subir ao Céu – nem outro caminho para chegar à paz.

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