CNP
Christo Nihil Præponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
Evangelize compartilhando!
Todos os direitos reservados a padrepauloricardo.org®
Seja como for, a fé é sempre um dom de Deus
Espiritualidade

Seja como for,
a fé é sempre um dom de Deus

Seja como for, a fé é sempre um dom de Deus

“A fé vem pela pregação” e, não obstante isso, não obstante os grandes pregadores e anunciadores da fé católica que há, como São Gregório Magno e São Pio X, é preciso ter sempre em mente que só Deus dá o hábito da fé sobrenatural.

Peter KwasniewskiTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Setembro de 2020Tempo de leitura: 6 minutos
imprimir

No início de setembro, o calendário litúrgico da Igreja Católica Romana põe-nos diante dos olhos um enigma interessante. De 1955 a 1970, o dia 3 de setembro era festa de S. Pio X, enquanto o dia 12 de março continuava a ser festa de S. Gregório Magno (no calendário tridentino e entre os cristãos orientais o santo ainda é celebrado na data de sua morte). Em 1969, porém, a comissão que revisou o calendário litúrgico transferiu S. Gregório para 3 de setembro, data de sua sagração episcopal, e Pio X para 21 de agosto, que é o dia seguinte à sua morte. Deste modo, seja qual for o ângulo de que se olhe, esses dois Papas santos estão misteriosamente unidos um ao outro. E é apropriado que seja assim, já que Gregório estabeleceu a forma final do Cânon Romano, que é a oração principal da Missa em latim, e Pio X restabeleceu o primado do chamado canto gregoriano, que sempre foi a música central do rito romano.

Ambos os Pontífices viveram de modo heroico pela virtude teologal da ; ambos foram grandes pregadores e anunciadores da fé católica.

“São Gregório Magno, Papa”, por Francisco de Goya.

“A fé vem pela pregação”, diz S. Paulo, “e a pregação pela palavra de Cristo” (Rm 10, 17). Nós somos instruídos no Evangelho de Nosso Senhor por meio de seus ministros e defensores, nossos pais e padrinhos, nossos bispos e sacerdotes. Escutamos a beleza e a profundidade da palavra de Deus nas linhas sinuosas do canto gregoriano, e somos elevados ao Tabor espiritual no solene recolhimento do Cânon da Missa, de modo que ambos, música e silêncio, se tornam arautos dos santos mistérios. Os que entraram mais tarde em contato com a fé, foram introduzidos a ela, geralmente, por leigos católicos que pregam a verdade a tempo e fora de tempo (cf. 2Tm 4, 2). Sempre há uma palavra que se fala e um ouvido que se põe a escutá-la.

Seja qual for a forma através da qual as verdades do Evangelho nos alcançam e penetram nossos corações, é necessário para o nosso bem enquanto cristãos que recebamos reta instrução religiosa e iniciação sacramental. Essa dupla fonte da maturidade cristã — catequese moral e intelectual junto com a participação na vida divina através dos sacramentos — é belamente ilustrada por Nosso Senhor em seu diálogo com Nicodemos (cf. Jo 3, 1-21), quando Ele a um só tempo o instrui sobre o significado da Redenção e o conduz pela mão para mostrar a necessidade do Batismo. 

Sempre que os mestres da verdade católica espalham a palavra da salvação que foi semeada por Cristo, eles estão a imitar seu Mestre como Luz das nações (cf. Lc 2, 32). “A fé vem pela pregação”: é através da pregação e do ensino da fé católica que a virtude teologal da , que compreende os sublimes mistérios de Deus, é primeiro plantada nos corações dos que não crêem e depois robustecida naqueles que já acreditam.

Não obstante, é preciso ter em mente, acima de tudo, que apenas Deus dá o hábito da fé sobrenatural. É somente através de sua graça, e não por instrução ou iniciação humana, que passamos a crer a fim de receber a salvação (cf. Rm 1, 16), que nos tornamos capazes de professar o Credo com total adesão ao Deus que se revela a nós. Os cristãos aderem a essa verdade sobrenatural por meio da graça da fé infundida em suas almas (“recebei com mansidão a palavra enxertada em vós, a qual pode salvar as vossas almas” — Tg 1, 21), e não por argumentações ou pela capacidade de convencimento dos homens.

O cristão plenamente formado recebe três dons fundamentais da parte de Deus, chamados de “virtudes teologais”, as quais permeiam toda a sua vida espiritual: trata-se da fé, da esperança e da caridade (sendo a caridade não uma esmola medida em dinheiro, mas o amor a Deus por causa dele mesmo e ao próximo por causa de Deus).

A graça da é a base das outras, já que é impossível esperar o Céu ou ser amigo de Deus sem desde já sustentar com firmeza a doutrina revelada da fé (ao passo que é possível, como mostra S. Tomás de Aquino, ter uma fé “informe” mesmo na ausência de esperança e de caridade). Por exemplo, a alma em pecado mortal é inimiga de Deus e sabe que não pode alcançar o Céu por conta dessa separação, mas ela ainda crê na verdade do Evangelho, na Redenção e na remissão dos pecados. “Ninguém pode dizer ‘Jesus é Senhor’, senão pelo Espírito Santo” (1Cor 12, 3). “Nisto se conhece o Espírito de Deus: todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus” (1Jo 4, 2). Sem uma fé permanente em Deus, ninguém pode se voltar a Ele na Confissão

Para a alma cristã em cujo íntimo Deus habita, a graça da fé, que a prende ao invisível, é ladeada tanto pela graça da esperança, que nos impele a aspirar pela realização de nosso ser na visão face a face de Deus, e pela graça da caridade, que nos torna capazes de partilhar a vida e o amor próprios de Cristo, transformando em nosso o que é dele, “segundo a medida do dom de Cristo” (Ef 4, 7). 

A caridade é a rainha das virtudes teologais por pelo menos três razões: primeiro, ela é a amizade espiritual à qual fomos alçados pela misericórdia divina; segundo, ela nos permite realizar obras e suportar sofrimentos de modo agradável a Deus; e, terceiro, só ela permanece em seu pleno esplendor no Céu, onde a fé dá lugar à visão e a esperança, à posse eterna de Deus (cf. 1Cor 13, 8-13).

Deus é o único autor das virtudes teologais, que são sobrenaturais em essência, ou seja, está para além da capacidade humana produzi-las ou provocá-las. Nem por nossos sinceros esforços, nem recebendo a instrução de outrem, poderíamos ganhar ou obter as virtudes teologais. Deus escolhe (falamos como se Deus estivesse fazendo escolhas no tempo, quando Ele permanece imóvel por toda a eternidade) fazer crescer as sementes que outros plantaram e regaram. Em uma declaração admirável de humildade, o maior pregador que a religião cristã jamais conheceu disse: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é que deu o crescimento. De modo que não é nada nem o que planta, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento” (1Cor 3, 6-7).

O Senhor nos manda que imploremos a Ele, divino Jardineiro, o crescimento. “Aumenta-nos a fé” (Lc 17, 5). Como as virgens prudentes esperam a chegada do esposo na parábola (cf. Mt 25), ou como a amada aspira por seu amado no Cântico dos Cânticos, assim também devemos rezar e suplicar — esperando, mas sempre buscando o Todo-poderoso. 

Durante a noite no meu leito
busquei aquele a quem ama a minha alma;
busquei-o, e não o achei.
Levantar-me-ei, e rodearei a cidade;
buscarei pelas ruas e praças públicas
aquele a quem ama a minha alma (Ct 3, 1-2).

Em muitos de seus livros, Søren Kierkegaard insiste em lembrar o seu leitor de que “não temos pressa”. Tampouco a tem o homem que está à procura de Deus. É salutar que se espere pela luz, humildemente, e que se suspire pelo seu despontar — mas não podemos fazer o Sol nascer. Podemos viajar a pé, no frio da noite, rumo ao horizonte onde a luz aparecerá — ou seja, podemos abrir-nos à luz, capacitar-nos para recebê-la, dispor-nos à conversão pela graça de Deus. Podemos até, aparentemente, apressar a chegada do Sol, quando o que estamos fazendo é, simplesmente, aproximar-nos de onde ele primeiro desponta, a fim de o contemplar mais cedo. “Eu amo os que me amam, e os que vigiam desde manhã para me buscarem, achar-me-ão” (Pr 8, 17).

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Por que a forma dos sacramentos importa?
Doutrina

Por que a forma
dos sacramentos importa?

Por que a forma dos sacramentos importa?

Não é mágica, os sacramentos realmente “conferem a graça que significam”. Sem a forma correta, porém, eles não acontecem. Que o diga este sacerdote dos Estados Unidos, que descobriu há poucos dias, através de uma filmagem, a invalidade do seu batismo.

John GrondelskiTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere2 de Setembro de 2020Tempo de leitura: 8 minutos
imprimir

No dia 6 de agosto de 2020, a Congregação para a Doutrina da Fé publicou um Responsum a um questionamento sobre a validade dos batismos realizados com a “forma” plural (“Nós te batizamos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” é inválida). Como a forma é inválida, a pessoa não está batizada e deve, portanto, receber o sacramento.

No dia 1.º de fevereiro de 2008, perguntou-se à mesma Congregação se era válido o uso da forma: “Eu te batizo em nome do Criador e do Redentor e do Santificador”. A Congregação disse que não, afirmando a invalidade do suposto batismo. 

No dia 5 de junho de 2001, perguntou-se à Congregação se o batismo dos mórmons era válido. A Congregação disse que não e afirmou que um mórmon convertido ao catolicismo deve ser batizado. Perguntas e respostas semelhantes apareceram em 1992 a respeito da “Nova Igreja” (também conhecida como swedenborgianismo) e, em 1991, da Comunidade Cristã de Rudolph Steiner.

Legalismo? Não. Teologia sólida. Eis a razão.

Os sacramentos não são mágica, rituais externos ou meras cerimônias. Lembremos que, em outras épocas, os católicos aprendiam que “os sacramentos conferem a graça que significam”, isto é, são a causa da graça, e não apenas sua ritualização.

Para ser válido, um sacramento precisa de três coisas: matéria adequada; forma adequada; e a reta intenção do celebrante [1].

“Matéria” e “forma” são cada vez mais incompreensíveis para um mundo que acha que a metafísica é uma espécie babosice mágica e que reduz a “realidade” a conceitos ou imagens virtuais clicáveis. Todo sacramento tem matéria — a parte física necessária — e forma — a “palavra” que expressa o que está sendo feito. 

O Batismo não pode ser ministrado com azeite ou lubrificante de carro. A Eucaristia não pode ser consagrada com bolacha e suco de uva. A Confirmação não pode ser ministrada com óleo de cozinha. Nenhum desses elementos corresponde à matéria necessária para o sacramento; portanto, não haveria sacramento. 

A forma deixa claro o que é feito com a matéria. Não é mágica, mas algo que dá sentido — forma — a algo que, do contrário, seria uma ação equívoca ou ambígua. Derramar água não significa, necessariamente, batizar: é apenas... derramar água, algo que posso fazer para lavar alguém, para me divertir na piscina, para encher um copo ou para afogar alguém. Derramar água sobre a cabeça de alguém não é Batismo se eu pronunciar uma canção de ninar. Sem a forma adequada não há sacramento.

Além disso, a celebração de um sacramento pressupõe que o ministro faça o que a Igreja faz [2]. Ele pode não acreditar (como no caso de alguém que batiza outra pessoa), mas sabe que é “isso o que a Igreja faz e quero fazer isso por essa pessoa”. (Lembremos, porém, que as intenções não constituem a realidade: dar um tapa na cara de alguém jamais será um “bem” porque “assim o desejo”.)

Ora, o que têm em comum todos esses casos ligados ao Batismo?

No caso dos mórmons e nos outros (diferentemente das principais denominações protestantes), não há fé no Deus trinitário. Para eles, Jesus é um profeta de tipo ariano — não é verdadeiramente Deus nem realmente homem, mas algo intermediário. Portanto, não batizam em nome da SS. Trindade, como ordenou Jesus, o que torna o rito inválido.

As duas decisões mais recentes da Congregação para a Doutrina da Fé surgiram em contextos católicos, em grande medida como resultado de uma teologia de baixo nível e por causa de sacerdotes ou diáconos que se julgaram autorizados a improvisar, em vez de ministrar os sacramentos. A ideia de falar “Criador, Redentor e Santificador” veio de “feministas” obcecadas com “linguagem não inclusiva” e que decidiram censurar a Trindade, reduzindo “o Pai, o Filho e o Espírito Santo” — três Pessoas por excelência — a funções. Num casamento, seria mais ou menos como trocar “eu, João, te recebo, Maria” por “eu, o motorista de ônibus, te recebo, padeira…”. (Aliás, isso tampouco está correto, porque a obra salvífica de Deus não é “terceirizada” na Trindade.)

São Francisco Xavier batizando. Afresco presente na Igreja de Gesú, em Roma.

O problema mais recente, “Nós te batizamos…”, vem de uma compreensão equivocada sobre o sacerdócio, a Igreja e os sacramentos. Seus proponentes querem realizar um nivelamento eclesiástico — nada do chamado “clericalismo” — e “acolher” o batizado na “comunidade”. Mas a quem se refere esse “nós” em cujo nome o sacerdote supostamente está batizando? 

A teologia católica ortodoxa reconhece que é Cristo quem age nos sacramentos: Cristo batiza, perdoa nossos pecados, consagra seu Corpo e Sangue. O sacerdote age como representante de Cristo, in persona Christi. Ora, se age “na pessoa de Cristo”, ele fala por Cristo, não por Cristo e por si mesmo (o que poderia ser uma explicação para aquele plural majestático). Ele não pode batizar. Como disse S. Paulo aos coríntios, sou um grande miserável se “pertenço a Cefas” ou se “Paulo me batizou” (1Cor 1, 13).

Portanto, o sacerdote age em nome de Cristo, não em seu próprio nome. Ele também não age em nome da comunidade, porque um sacerdote é sacerdote em razão de sua ordenação, e não de um “chamado da comunidade”. A segunda interpretação vem da teologia protestante (para ser mais específico, do Congregacionalismo); porém, a autoridade de um sacerdote para agir in persona Christi não tem nada a ver com um “empoderamento da comunidade”. O sacerdote tampouco batiza em nome da comunidade, porque você não é batizado nem “em nome da comunidade cristã de São Paulo em Não sei Onde”, nem em nome de S. Paulo. Portanto, essa ideia de falar em “comunidade”, embora possa parecer acolhedora e inexata para algumas pessoas, é um erro teológico, além de invalidar uma forma sacramental quando lhe é incorporada.

Ora, o Batismo é a porta para todos os sacramentos e sem ele não é possível receber os outros. O “batismo” ministrado invalidamente não é Batismo. Não é um sacramento, assim como não recebe a absolvição sacramental quem omite deliberadamente certos pecados graves, mesmo que o sacerdote pronuncie a fórmula da absolvição. Não estava presente algo que é essencial para o sacramento; portanto, ele não existiu.

Como o Batismo é a porta para todos os sacramentos, são vastas as suas implicações. Foi o que o Pe. Matthew Hood, da Arquidiocese de Detroit, descobriu.

O Pe. Hood foi “batizado” por um diácono que decidiu mudar a forma do Batismo. Como nasceu numa época em que se costumava filmar a ocasião, ficou claro para todos que o rito era inválido. Ele tinha de ser repetido… assim como todos os outros sacramentos recebidos por ele, que dependem do Batismo como “porta para os sacramentos”. Isso não se aplica à Confissão, porque o Batismo perdoa todos os pecados cometidos até então; mas, sim, à Confirmação e à Ordem. Isso quer dizer que eram inválidos também os “sacramentos” por ele ministrados [3].

Isso é legalismo? Não. Os sacramentos não são mágica. Pressupõem um ministro e, no caso da Eucaristia, da Confirmação, da Confissão e da Unção dos Enfermos, um sacerdote. Se isso não fosse verdade, qualquer pessoa poderia perdoar pecados, ungir ou consagrar a Eucaristia. (Algumas pessoas realmente acreditam nessas coisas, mas estamos seguindo a doutrina católica, e não fantasias de terceiros. Você realmente crê que o fulano que passa por você na rua pode perdoar seus pecados?)

A Igreja não poderia ser “pastoral” e fazer vista grossa? Seria “pastoral” dizer que alguém que não é um sacerdote pode agir como um? Há uma diferença entre ser e fazer. Ser ministro de um sacramento depende de quem eu sou, porque não sou eu quem age nos sacramentos, mas Cristo, em cuja pessoa ajo por força da ordenação. Isso me leva à pergunta central: eu realmente creio que um homem muda depois de ser ordenado, ou ele apenas passa por um ritual que lhe dá um “emprego” novo?

Aqueles que aprenderam algo de teologia podem invocar o conceito de Ecclesia supplet: “a Igreja supre”. Ele não se aplica a esse caso. O Ecclesia supplet significa que Igreja supre a falta de jurisdição. De acordo com as leis da Igreja, algumas ações sacerdotais precisam não somente da ordenação, mas também de jurisdição. Outrora, os sacerdotes tinham de ser autorizados pelo bispo local para ouvir confissões em uma diocese. O direito canônico reconhece certos sacerdotes como ministros habituais de um casamento; mas quando o casal deseja que o matrimônio seja celebrado por outro sacerdote, ele precisa de autorização. A noção de Ecclesia supplet se refere à jurisdição legal.

Porém, não é uma questão legal o fato de um homem ser ou não ser um sacerdote, isto é, o fato de o sacramento ter sido válido ou não. Sou um sacerdote (ou não sou) porque sou (ou não sou) um sacerdote, não porque recebi “licença” para ser sacerdote. Não é uma questão de autoridade, mas de identidade.

Assim, como nos mostra a história, há consequências reais quando os celebrantes têm a arrogância de agir de forma irresponsável em relação à integridade dos sacramentos, a fim de apresentar seus argumentos polêmicos ou “teológicos”. Os fiéis têm direito ao culto da Igreja tal como foi definido por ela, e não segundo o que ousam fazer, “lindamente”, os padres Fulano e Sicrano. Isso, sim, é clericalismo: “eu tenho o direito de reescrever a liturgia”, além de orgulho: “porque eu sei mais do que a Igreja”. 

Espero que esta seja uma lição sobre o respeito aos sacramentos. Pelo bem dos fiéis.

Notas

  1. Os sacramentos se constituem essencialmente de dois elementos, a saber: de matéria e forma, mas sua administração válida depende também de certas disposições mínimas do ministro apto em cada caso. É o que se deduz do decreto pro Armenis, de Eugênio VI, que ensina: “Todos estes sacramentos se perfazem com três <elementos>, a saber: a) com coisas como matéria; b) por palavras como forma; c) e pela pessoa do ministro, que confere o sacramento com a intenção de fazer o que faz a Igreja” (Bula “Exsultate Deo”, de 22 nov. 1439; cf. DH 1312). Na falta de qualquer um desses elementos — conclui o Pontífice —, não se perfaz o sacramento (Nota da Equipe CNP).
  2. A intenção do ministro de fazer ao menos o que faz a Igreja, mesmo que nisto não creia com fé sobrenatural, é um requisito para a válida confecção do sacramento. Por isso, não realiza o sacramento o ministro que, embora utilize o rito externo e a forma prescritos pela Igreja, diz interiormente: “Não tenho a intenção de fazer o que faz a Igreja”, já que isto constituiria uma ficção ou simulação sacrílega. No entanto, presume-se válido de iure, até que se prove o contrário, o sacramento administrado segundo o rito e a forma prescritos pela Igreja (Nota da Equipe CNP).
  3. Salvo, é claro, os sacramentos cuja administração válida não depende do poder de Ordem, como é o caso do Batismo, por exemplo, que pode ser conferido, por razões graves de urgente necessidade, até mesmo por um fiel leigo (Nota da Equipe CNP).

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

O Rosário de São Miguel
Oração

O Rosário de São Miguel

O Rosário de São Miguel

Nesta devoção, ao saudar com reverência os nove coros angélicos, somos chamados a fortalecer nossa amizade com os Santos Anjos, ao mesmo tempo que invocamos sua intercessão por nós e pela nossa salvação eterna.

Equipe Christo Nihil Praeponere1 de Setembro de 2020Tempo de leitura: 3 minutos
imprimir

Sabemos que muitos de nossos leitores já estão fazendo, em honra a São Miguel, aquela conhecida quarentena penitencial que vai desde o dia da Assunção da Virgem Maria, em 15 de agosto, até a festa desse Santo Arcanjo, em 29 de setembro.

De todo modo, o início do mês de setembro nos convida a renovar ainda mais a nossa devoção ao príncipe da milícia celeste e, por extensão, a todos os anjos que contemplam sem cessar a face do Pai celeste (cf. Mt 18, 10). Não sem razão, o próximo mês de outubro é particularmente dedicado à devoção aos Santos Anjos — como se ao primeiro dos anjos se seguissem, em procissão, todos os coros angélicos.

É justo a eles que se dirigem as saudações abaixo, que compõem o chamado “Rosário de São Miguel” — mais uma forma de fortalecermos nossa amizade com os Santos Anjos, ao mesmo tempo que invocamos sua intercessão, para que nos auxiliem nas batalhas desta vida e preparem nossos corações para a eternidade ao lado de Deus.


℣. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
℟. Apressai-vos em me socorrer.

℣. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
℟. Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Primeira saudação
Saudamos o primeiro coro dos Anjos, pedindo pela intercessão de São Miguel Arcanjo e do coro celeste dos Serafins, para que o Senhor nos torne dignos de sermos abrasados de uma perfeita caridade. Amém.
Um Pai-Nosso, três Ave-Marias e um Glória.

Segunda saudação
Saudamos o segundo coro dos Anjos, pedindo pela intercessão de São Miguel Arcanjo e do coro celeste dos Querubins para que o Senhor nos conceda a graça de fugirmos do pecado e procurarmos a perfeição cristã. Amém.
Um Pai-Nosso, três Ave-Marias e um Glória.

Terceira saudação
Saudamos o terceiro coro dos Anjos, pedindo pela intercessão de São Miguel Arcanjo e do coro celeste dos Tronos, para que Deus derrame em nosso coração o espírito de verdadeira e sincera humildade. Amém.
Um Pai-Nosso, três Ave-Marias e um Glória.

Quarta saudação
Saudamos o quarto coro dos Anjos, pedindo pela intercessão de São Miguel Arcanjo e do coro celeste das Dominações, para que o Senhor nos conceda a graça de dominar nossos sentidos e de nos corrigir das nossas más paixões. Amém.
Um Pai-Nosso, três Ave-Marias e um Glória.

Quinta saudação
Saudamos o quinto coro dos Anjos pedindo pela intercessão de São Miguel Arcanjo e do coro celeste das Potestades, para que o Senhor se digne proteger nossa alma contra as ciladas e as tentações do demônio. Amém.
Um Pai-Nosso, três Ave-Marias e um Glória.

Sexta saudação
Saudamos o sexto coro dos Anjos pedindo pela intercessão de São Miguel e do coro admirável das Virtudes, para que o Senhor não nos deixe cair em tentação, mas nos livre de todo mal. Amém.
Um Pai-Nosso, três Ave-Marias e um Glória.

Sétima saudação
Saudamos o sétimo coro dos Anjos, pedindo pela intercessão de São Miguel Arcanjo e do coro dos Principados, para que o Senhor encha nossa alma do espírito de uma verdadeira e sincera obediência. Amém.
Um Pai-Nosso, três Ave-Marias e um Glória.

Oitava saudação
Saudamos o oitavo coro dos Anjos, pedindo pela intercessão de São Miguel Arcanjo e do coro celeste dos Arcanjos, para que o Senhor nos conceda o dom da perseverança na fé e nas boas obras, a fim de que possamos chegar a possuir a glória eterna do paraíso. Amém.
Um Pai-Nosso, três Ave-Marias e um Glória.

Nona saudação
Saudamos o nono coro dos Anjos pedindo pela intercessão de São Miguel Arcanjo e do coro celeste de todos os Anjos, para que sejamos guardados por eles nesta vida mortal, para sermos conduzidos por eles à glória eterna do céu. Amém.
Um Pai-Nosso, três Ave-Marias e um Glória.

Quatro Pai-Nossos, em honra de cada um dos Arcanjos e do Anjo da Guarda.

Antífona. — Gloriosíssimo São Miguel, chefe e príncipe dos exércitos celestes, fiel guardião das almas, vencedor dos espíritos rebeldes, amado da casa de Deus, nosso admirável guia depois de Cristo, vós cuja excelência e virtude são eminentíssimas, dignai-vos livrar-nos de todos os males, nós todos que recorremos a vós com confiança, e fazei, pela vossa incomparável proteção, que adiantemos cada dia mais na fidelidade e perseverança em servir a Deus.

℣. Rogai por nós, ó bem-aventurado São Miguel, príncipe da Igreja de Cristo.
℟. Para que sejamos dignos de suas promessas.

Oremos: Deus todo-poderoso e eterno, que, por um prodígio de bondade e misericórdia, para a salvação dos homens escolhestes como príncipe de vossa Igreja o gloriosíssimo São Miguel Arcanjo, tornai-nos dignos, nós Vo-lo pedimos, de sermos preservados de todos os nossos inimigos, a fim de que, na hora de nossa morte, nenhum deles nos possa inquietar, mas que nos seja dado sermos introduzidos por ele na presença da vossa poderosa e augusta majestade, pelos merecimentos de Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

A tentação do sentimentalismo
Sociedade

A tentação do sentimentalismo

A tentação do sentimentalismo

É preciso resistir à tendência cultural hodierna de inventar e redefinir palavras na base de um sentimentalismo divorciado tanto da fé quanto da razão. Mas isso só será possível quando redescobrirmos que a Cruz e a Ressurreição são inseparáveis uma da outra.

Pe. Jerry J. PokorskyTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere31 de Agosto de 2020Tempo de leitura: 5 minutos
imprimir

Todos nós tendemos às vezes a falar em termos delicadamente sentimentais. Por solidariedade com quem acabou de perder um ente querido, podemos suavizar a verdade, dizendo: “Seu irmão faleceu na noite passada”. Mas a tendência cultural de hoje é inventar e redefinir palavras na base de um sentimentalismo divorciado da fé e da razão.

Ideólogos inventam e redefinem muitas palavras com o objetivo de subverter a cultura. O sentido popular de “racismo”, por exemplo, é hoje tão contestado que se tornou praticamente inútil, a não ser para difamar os outros.

Outros termos e frases são a tal ponto distorcidos, que chegam a negar a realidade. Por exemplo, é fato difícil de suportar e explicar com franqueza que as nossas igrejas estão fechando as portas devido ao abandono da prática da fé. Por isso, uma diocese pode sentir-se mais à vontade em explicá-lo como uma “reconfiguração” ou “renovação das nossas comunidades de fé”.

Afirmações factuais e honestas são chocantes para o hipersensível e politicamente correto. Outra dia, recebi de alguém uma mensagem contestando meus comentários no site da paróquia sobre o “Dia do Orgulho Transgênero no Condado de Fairfax”.

Chamei ao evento “abuso infantil”, e a pessoa que me contestou disse que minha descrição era “inapropriada e desnecessariamente provocativa”. 

“Inapropriado” é mais um daqueles termos sentimentalistas que impedem as pessoas de dizer que algo é errado. Mas… “desnecessária”? Não existe algo como um “transgênero”. Trata-se de um termo fabricado com o fim de camuflar a realidade de uma mutilação psicológica (e, em alguns casos, física). Quando as autoridades públicas promovem tal perversão sexual nas escolas, trata-se de fato de abuso infantil. Aceitar acriticamente a nomenclatura LGBTQ ajuda a promover uma agenda sexual radical.  

Boa parte da engenharia verbal contemporânea desfigura o amor humano autêntico e reduz a fé e a moral católicas a sentimentalismos piedosos. Mas, sem a referência ao fato central da nossa fé — a Cruz e a Ressurreição —, é fácil manipular emoções humanas e redefinir termos. Uma “fé” sentimental fica à margem dos Mandamentos divinos e carece de sentido; em última instância, é perigosa.

A Cruz e a Ressurreição são os dois lados de uma mesma moeda. O amor sacrificial é o fundamento da alegria cristã. Equilibramos a nossa vida devocional e intelectual quando viramos continuamente essa moeda, que tem, de um lado, a imagem de Jesus crucificado e, do outro, seus gloriosos dotes de Ressuscitado.

Pode ser nocivo olhar fixamente para a face crucificada de Jesus sem fazer referência à Ressurreição. Esse perigo se repete ao longo da história. Heresias rigoristas como o jansenismo e o calvinismo comprometem a alegria cristã. (A devoção de S. Margarida M.ª Alacoque ao Sagrado Coração de Jesus, manso e humilde, combateu o espírito de jansenismo durante sua época, às vezes excessivamente sentimental à sua própria maneira.)

É mais comum, porém, enfatizarmos a Ressurreição sem a Cruz e negligenciarmos os Mandamentos como fundamento do amor. Amor e alegria, quando separados da Lei de Deus, perdem sua natureza sacrificial, tornando-se um sentimentalismo mole, refém da constante mudança dos afetos humanos. Impulsionados por nossas afeições voláteis, definimos o amor em termos sentimentais, e não de acordo com a vontade de Deus.

Essa disfunção afeta o nosso desenvolvimento moral e religioso. Às vezes, os pais amam o carinho dos filhos mais do que os próprios filhos como dons de Deus. O resultado disso é uma criança emocionalmente descontrolada: um “mimado”. O clero também pode amar as afeições do povo mais do que o próprio povo, criado à imagem e semelhança de Deus. Então, em vez de lhe oferecer os meios espirituais para a salvação, os sacerdotes podem se tornar animadores piedosos, cedendo às emoções dos paroquianos. 

O mesmo sentimentalismo iníquo que deixa a fé à deriva faz o mesmo com a razão. Quem precisa de pensamento crítico quando vivemos para os consolos inconstantes da afeição humana? Em lugar da razão, a emoção começa a orientar e definir algumas palavras, banindo o uso de outras.

Salvo pela aparência de piedade cristã, não há muita diferença entre a religiosidade superficial e a impiedade, porque ambas ficam em grande medida à deriva, apenas com as emoções. Sem um firme fundamento na Cruz e na Ressurreição, nos Mandamentos e em toda a Tradição, é apenas uma questão de tempo até que nós — ou nossos filhos — abandonemos um cristianismo de fachada. Separada da fé e da razão, a cultura se torna cada vez menos instruída, mais arrogante e cruel.

A volta à sanidade começa pela redescoberta de que a Cruz e a Ressurreição são inseparáveis, equilibrando a nossa fé e aguçando a nossa inteligência.

Há, por todo o Evangelho, indícios que aludem à Cruz. Jesus nos ensina a amá-lo mais do que nossas famílias. Também nos ensina que, se não tomarmos a nossa cruz e o seguirmos, não seremos dignos de ser seus discípulos (cf. Mt 10, 37–42). Custa muito renunciar à obstinação e à inclinação ao pecado. O amor cristão que desafia os vínculos pecaminosos de afeição humana, mesmo no seio da família, é doloroso.

Nos Evangelhos também há indícios que aludem à Ressurreição, que é o fruto do amor sacrificial. Assim nos ensina Jesus a alegria que vem da união consigo: “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve” (Mt 11, 28–30).

No Evangelho de S. João (cf. 15, 10–11), vemos o mesmo ensinamento (a Cruz e a Ressurreição) de forma incisiva. A Cruz: “Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor”; a Ressurreição: “Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa”.

Só podemos romper com o terrível relativismo da engenharia verbal por meio de um exame de consciência honesto, medindo nossas vidas segundo a Lei divina e assumindo a responsabilidade pelas nossas ações. Quando decidimos amar a Deus acima de tudo, mesmo ao preço de perder a afeição daqueles que amamos, com a sua graça romperemos os laços do sentimentalismo sedutor. E nos alegraremos com o poder salvífico de Jesus, manso e humilde de Coração.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.