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Os Cinco Mandamentos da Ideologia de Gênero
Sociedade

Os Cinco Mandamentos
da Ideologia de Gênero

Os Cinco Mandamentos da Ideologia de Gênero

Para quem afirma que a "ideologia de gênero" não passa de uma farsa ou de uma invenção dos cristãos, a realidade oferece provas irrefutáveis do contrário. Essa teoria não só existe, como já está dando os seus frutos ao redor do mundo.

Equipe Christo Nihil Praeponere26 de Outubro de 2015Tempo de leitura: 6 minutos
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O Brasil não é o único país a lutar contra a ideologia de gênero. Na Itália, as escolas reabriram recentemente o debate sobre o assunto, graças ao protesto da ministra da educação, Stefania Giannini, para quem todo esse alvoroço não passa de " truffa" (em bom português, uma fraude).

Um regime autoritário não poderia fazer melhor. De fato, o que unem a ministra italiana, a comunidade LGBT e as grandes manchetes é a negação das evidências. Para o movimento gay, "a ideologia gender não existe", "é uma invenção do Vaticano". Para La Repubblica, "é um fantasma que ronda a Itália". Para a BBC, "é só uma invenção retórica, um ídolo polêmico cheio de nada". Junto a esses grandes veículos de comunicação, está uma multidão de programas de TV, blogs e pequenos jornais, todos alinhados com a causa negacionista.

Mas, será mesmo a "ideologia de gênero" uma "invenção de católicos"?

Os "estudos de gênero" (gender studies) – que começaram a surgir nas universidades ainda na década de 1960, evoluindo nos anos 80 para a proteção das chamadas "minorias LGBT" – não nos deixam mentir. A teoria gender não só existe, como já está dando os seus frutos ao redor do mundo.

Para entender como funciona essa ideologia, seguem aqui alguns dos seus principais "mandamentos", princípios sem os quais toda a farsa desmorona e não se pode ir adiante no processo revolucionário.

I. Não há diferenças entre homens e mulheres

A finalidade original dos "estudos de gênero" ( gender studies) nos anos 60 era afirmar a absoluta igualdade entre homem e mulher, a fim de libertar e emancipar esta última da "discriminação". Era preciso negar a distinção entre masculino e feminino, contestando, por exemplo, a existência de profissões tipicamente masculinas e outras tipicamente femininas, além de negar as especificidades dos papéis materno e paterno na educação dos filhos. Para a ideologia de gênero, homem e mulher são intercambiáveis em qualquer função. A importância do papel da mulher, particularmente no âmbito familiar, não passaria de uma convenção social e de uma opressão histórico-cultural, da qual ela se deveria libertar.

Curiosamente, um dos países com as mais altas taxas de "igualdade de gênero", a Noruega, sempre viu a engenharia civil repleta de homens e a enfermagem repleta de mulheres, não obstante os múltiplos esforços educacionais para incutir na cabeça dos jovens que não há nada de diferente entre os sexos. Foi o que observou o documentário Hjernevask ("Lavagem Cerebral"), exibido pelo comediante nórdico Harald Eia. Há alguns anos, ele gravou um documentário expondo ao ridículo os "estudos de gênero". O resultado pode ser acompanhado abaixo:

Como consequência desse material, em 2011, o Conselho Nórdico de Ministros retirou boa parte dos investimentos ao Instituto Nórdico de Gênero (NIKK).

II. O sexo biológico é modificável

A ideologia de gênero vê o sexo biológico como um dado transitório e maleável, que pode ser tranquilamente transformado pela escolha de um "gênero" diferente, não importando a idade em que a pessoa se encontre. Comportamentos como a transexualidade são encorajados e vistos como demonstração de liberdade e emancipação individuais. (Embora, na verdade, não seja nada disso.)

A própria definição de ser humano, ainda que a nível burocrático, passa a ir além dos dois sexos biológicos universalmente reconhecidos (masculino e feminino), adaptando-se a infinitas e fantasiosas nuances de gênero. As redes sociais já se adequaram a essa ditadura ideológica. No formulário de cadastro do Facebook, por exemplo, constam 56 diferentes formas de uma pessoa definir a própria sexualidade. Enquanto isso, as legislações de alguns países afora já reconheceram, além dos sexos masculino e feminino, um fantasmagórico gênero "neutro".

A personagem "Conchita Wurst", vencedora de um concurso de música na Dinamarca, em 2014, é, na verdade, Thomas Neuwirth.

III. Família natural? Um estereótipo.

Para os ideólogos de gênero, a família natural, composta por pai, mãe e filhos, não passa de um estereótipo cultural baseado na antiga opressão do homem sobre a mulher – agora superada pela liberação sexual feminina e pelas várias definições abstratas de gênero. Superado o esquema homem-mulher, até mesmo a ideia tradicional de família vem abaixo. O plural passa a ser obrigatório: não existe mais "a" família, mas "as" famílias, que incluem todo agregado social fundado sobre um conceito genérico de "amor". Entram na lista, obviamente, até mesmo os relacionamentos chamados "poliafetivos", que constituem o mais novo objeto de reivindicações políticas e sociais.

Da Holanda, por exemplo, vem o curioso caso de Jaco e Sjoerd, Daantje e Dewi, dois pares homossexuais que decidiram formar, os quatro, uma só "família". Ambos os "casais" já têm os seus relacionamentos registrados no civil, mas, agora, anseiam pelo reconhecimento de um "quinteto amoroso". Tudo porque Jaco e Sjoerd decidiram compartilhar a sua "união" com outro homossexual, Sean. Agora, Daantje está esperando um filho de inseminação artificial e quer ver os seus parceiros como pais da criança. "Cinco genitores com iguais direitos e deveres, divididos em duas famílias", ela diz. "São essas as condições do contrato que todos nós assinamos e submetemos ao cartório."

"Cinco genitores com iguais direitos e deveres, divididos em duas famílias". A foto é do site holandês "Vice".

Há quem diga que isso representa o avanço da humanidade – só se for no processo de destruição da família.

IV. "Dessexualizar" a paternidade

Se a família natural não passa de um estereótipo, a consequência inevitável é a dessexuação da paternidade. Os filhos deixam de ser frutos da relação sexual entre um homem e uma mulher para serem gerados artificialmente por qualquer grupo social. Promove-se a fecundação in vitro e sustentam-se práticas objetivamente brutais, como a da "barriga de aluguel".

Falar do direito de uma criança ser educada por um pai e uma mãe é considerado ofensivo. Os homossexuais não só passam a ter o "direito" de adoção, como as suas relações são alçadas à categoria de "modelo", não obstante as sérias e abalizadas objeções de quem viveu na pele o drama de ser criado por pares do mesmo sexo:

"A maior parte das crianças criadas por 'pais gays' tem dificuldades com sua identidade sexual, está se recuperando de abusos emocionais, lutando contra o vício nas drogas, ou estão tão feridas por sua infância, que lhes falta a estabilidade de vir a público e encarar os ataques de um lobby gay cada vez mais totalitário, que recusa a admitir que haja algo errado em tudo isso."

V. Conquistar as escolas e a mídia

Para realizar a sua "colonização ideológica" – como denunciou o Papa Francisco –, um passo importante no avanço da agenda de gênero é conquistar os ambientes de educação e de comunicação: as escolas e a mídia. É decisivo para esses ideólogos conseguir o dinheiro público para entrar nos institutos escolares e formar as mentes de gerações e mais gerações de jovens e crianças na sua cartilha. Cursos e seminários sobre a "igualdade de gênero" ou a "homofobia" não passam, pois, de Cavalos de Troia, cuidadosamente introduzidos nas escolas e nas universidades para modelar e (de)formar as almas dos mais frágeis.

Ao mesmo tempo, ocupando papéis-chave nos meios de comunicação, os ideólogos de gênero visam influenciar mais massivamente a opinião pública, enunciando os seus princípios como uma ideia avançada de liberdade e descrevendo os seus opositores como retrógrados perigosos, que, motivados por pura maldade, querem limitar a liberdade dos outros. Descrições maniqueístas desse tipo estão espalhadas em toda a sociedade ocidental: constituem uma característica do plano de ação da ideologia de gênero, que pretende criar ícones homossexuais e transexuais, em oposição à ainda resistente opinião pública. Quem discorda é abertamente intimidado e atacado em sua liberdade de expressão. Daí a necessidade de criar leis criminais para punir os adversários e acabar com a objeção de consciência, promovendo, por outro lado, o linchamento midiático de quem não se adequa à nova ditadura ideológica.

*

Resistir pressupõe, em primeiro lugar, conhecer os princípios que regem essa "colonização ideológica" ainda em curso. Será realmente verdade que a ideologia de gênero não existe? Cada um, observados os fatos, pode julgar por si só. A realidade pode ser admitida ou negada. Podemos permanecer de pé e enfrentar com coragem a batalha que está por vir ou, ao contrário, podemos fingir que nada está acontecendo, ficar de braços cruzados e deixar que a caravana passe. A escolha é individual. Cada um deve escolher se quer deixar para os seus filhos um mundo construído sobre a verdade, ou sobre a falsidade de uma ideologia.

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A noite em que eu enfrentei meus demônios
TestemunhosEspiritualidade

A noite em que eu
enfrentei meus demônios

A noite em que eu enfrentei meus demônios

"Deus resgatou minha alma doente e entorpecida de um destino literalmente pior que a morte. Sem a sombria epifania que eu experimentei naquele bar, e aquilo a que ela me levou, só Deus sabe onde eu estaria agora."

Dr. John MorrisseyTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere22 de Outubro de 2015Tempo de leitura: 10 minutos
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Olhando retrospectivamente para os meus 29 anos de médico, acho que o ano em que passei no hospital do câncer foi o mais difícil de todos. Toda quarta-feira e fim de semana, sem falta, eu cobria a unidade de terapia intensiva por 24 horas, como médico residente intermediário. Durante todo o tempo em que passei ali, não vi um único paciente sobreviver, embora não fosse por falta de tentativa. Nenhum sequer.

Todos tinham em comum o fato de a sua médula óssea ter sido suprimida pelas sessões de quimioterapia, o que tinha como consequência infecções generalizadas inevitavelmente fatais. UTI, ressuscitação completa com tubos, ventilação, terapia intravenosa, estimulantes cardíacos: era tudo em vão. Eles morrem porque, sem a médula óssea funcionando, perdem a resposta imune do seu organismo. Nenhuma quantidade de antibióticos consegue impedir que seus corpos sejam infestados por microorganismos.

Obviamente, eu atendia apenas os mais doentes de todos. A maior parte dos pacientes de quimioterapia não sofre complicações tão severas. Com a médula recuperada, o seu câncer regride ou é até mesmo curado.

Eu tinha me tornado médico para curar quando desse, dar alívio na maioria das vezes e confortar sempre, mas aquela contínua experiência de fracasso foi começando pouco a pouco a me deixar para baixo.

Comecei a ficar apavorado com o trabalho no hospital do câncer, com medo de aquele bipe tocar. Mesmo tendo me afastado da prática da fé depois da universidade, comecei a rezar, pedindo que os meus pacientes se recuperassem ou que, pelo menos, eu não estivesse de plantão quando eles fossem admitidos. Minhas orações não foram atendidas. As mortes continuaram acontecendo, implacáveis, e um grande sentimento de vazio e de desespero encheu o meu coração.

O fato de eu estar solteiro, sem amigos, morando sozinho e afogando minhas mágoas, toda noite livre, em um bar ao lado do hospital, só piorava a situação. Nunca me faltavam companheiros – da equipe do hospital, principalmente – com quem beber, rir e me divertir na hora do rush, antes de voltar para jantar, TV e cama. Meu coração batia, mas eu não estava vivo.

Espiritualmente, eu era um alegre pagão, um Baco vestido com um imundo jaleco branco e uma falsa auréola na cabeça. Mesmo tendo vivido uma profunda experiência religiosa dois anos antes, minha vida moral continuava pintada com vários tons de preto e minha cabeça estava cheia de ideias sem sentido de sincretismo e "nova era".

Um dia, escrevendo o relatório de um jovem paciente que tinha acabado de falecer, fiquei paralisado ante a espreita do "cachorro negro" da depressão, pronto para me devorar. Eu estava encarando o vazio e meu rosto deve ter feito soar o alarme, porque um dos parentes da vítima veio me perguntar, preocupado: "Está tudo bem, doutor?" Emocionado com a sua gentileza, eu me desculpei: "Perdão, estou lutando para ver algo de bom aqui. Tem morte demais nesse lugar."

Constrangido com minha própria franqueza e morbidez, corri para a sala de plantão, desorientado à procura de uma introspecção e de alguma conversa com Deus. Nada disso me ajudou, na verdade. As enfermeiras devem ter pensado que eu era um desses senhores velhos e desajeitados.

Outra coisa me incomodava em relação à ética do hospital. Havia uma forte ênfase de pesquisa nos efeitos das terapias: tratamento A versus tratamento B. Tudo medido pelo número total de dias de sobrevivência, incluindo os pacientes da seção de terapia intensiva. Meu único papel parecia ser o de prover, a qualquer preço, aquelas últimas desesperadoras horas de vida, estendidas apenas por intervenções médicas extremas e inúteis. Eu não passava de um mero acessório para a confecção isolada de estatísticas. Parecia haver algo de errado naquilo tudo.

Tive um sonho estranho certa noite. Encapuzado, como um ativista pelos direitos dos animais, eu corria dentro do hospital, rasgando prontuários e dizendo a todos os pacientes que eles pelo menos estavam livres. No mínimo, bizarro.

Outra noite, fiquei até mais tarde no bar, bebendo sozinho depois que meus amigos haviam saído. Eu estava meio bêbado e não havia por que ir para casa, quando, de repente, me sobreveio de não sei que lugar um forte sentimento de paranoia, literalmente assustador. Por um momento, aquele aconchegante bar no qual eu tomava alguns driques se tinha transformado em um antro de horrores. Era como se eu estivesse vendo pela primeira vez aquele lugar como ele realmente era: uma caverna suja repleta de alcoólatras caloteiros e derrotados, e ali estava eu, um membro completo do clube. Os que ali bebiam com frequência eram desconhecidos para mim, mas eu comecei a suspeitar más intenções de cada olhadela deles em minha direção. Senti-me tão sozinho. Comecei a ficar gelado e a suar, à procura de uma rota de fuga.

Um terrível sentimento de morte iminente invadiu a minha cabeça. Eu tinha certeza de que estava para conhecer o meu fim, ou por violência, ou por alguma doença repentina. Minha mente saltava de um lugar para outro considerando todas as possibilidades e, então, com grande claridade e certeza, eu sabia que tinha que confessar os meus pecados a um padre sem demora, ou estaria condenado eternamente. Como um jovem "na ativa" em uma grande cidade, o pecado não me era estranho, como se pode ver, mas, até aquele momento, eu nunca havia percebido os seus efeitos de morte sobre a minha alma.

Saí do bar como que perseguido por uma horda de demônios e fiz o caminho até a entrada do hospital, onde havia uma cabine telefônica. Eram cerca de 9 da noite e ainda estava claro. Eu não pertencia a nenhuma paróquia, para quem ligar? As páginas amarelas listavam as igrejas da cidade e um nome saltou diante dos meus olhos. Era uma igreja jesuíta. Lembrei-me de ouvir sobre o seu carisma missionário enquanto estudante de colégio católico. Com certeza eles poderiam me ajudar.

Disquei rapidamente e, em pânico, expliquei minha situação à atenciosa voz do outro lado da linha. Eu sabia que devia estar parecendo um completo desvairado. A voz me disse calmamente para eu ir ao seu encontro.

Pulei para dentro de um táxi e cheguei lá em dois tempos. Da rua principal, avistei a porta da frente e toquei a campainha. A tranquilidade e as sombras do lugar não ajudavam a minha ansiedade. Sentia-me naquela famosa cena de "O Exorcista".

A porta se abriu e a claridade do lado de dentro instantaneamente dissipou a estranha penumbra que me cobria enquanto eu esperava. Fui recebido por um dos irmãos, o mesmo que tinha me atendido ao telefone. Eu devia estar parecendo um monstro alcoolizado, com os meus olhos arregalados, o rosto pálido e um terrível bafo de cerveja.

Enquanto eu esperava na entrada, a porta da frente se abriu de novo e dela saiu um velho sacerdote baixinho, com óculos redondos, uma boina e um longo casaco preto. Ele juntou-se a nós e, "Boa noite, irmão!", disseram alegremente um ao outro, como fazem os irmãos.

Fui apresentado a um quarto de hóspedes fora do hall de entrada. Alguns minutos depois, apareceu um padre de meia idade, com os olhos pesados, vestido em uma roupa clerical já meio desgastada. Obviamente, eu tinha tirado o pobre homem da cama. Ríspido, ele deixou claro que tudo aquilo era muito fora do comum, mas eu implorei tanto que ele escutasse a minha confissão que, vendo o quão perturbado eu me encontrava, ele misericordiosamente assentiu.

Eu estava bem fora de prática. Eram, afinal, dez anos sem me confessar. O padre me ajudou e, com lágrimas, consegui acusar os meus pecados. Recordei o Ato de Contrição da minha infância e, com as palavras finais da absolvição e de olhos fechados, todo meu pavor foi embora, completamente. Nunca tinha ficado tão agradecido como naquele momento. Pedi desculpas pela invasão e deixei aquela casa em paz.

Um coração consideravelmente mais iluminado observava a velha cidade escura, enquanto eu pulava as poças de água para pegar o ônibus para casa. Nada à minha volta tinha mudado, mas eu sim, eu estava reconciliado. Percebi que apenas os meus próprios pecados podiam realmente me fazer mal. Se eu pudesse cortar todas as amarras que me prendiam a eles, perderia também o meu medo da morte, para sempre e de uma vez por todas. Eu estava finalmente de volta ao aprisco e, agora, deveria dar o meu melhor para ficar aqui. Esse empenho continua até o dia de hoje, nesse tortuoso caminho familiar a todos os pecadores arrependidos. Minha paranoia levou-me a uma metanoia, a uma completa mudança de mentalidade e de vida.

Tive ainda que encontrar uma paróquia para ser minha casa espiritual e reestabelecer o hábito de ir à Missa regularmente. Levaria alguns anos até que eu novamente me sentisse parte de uma comunidade paroquial, como a que eu tinha em minha juventude. O casamento e os filhos ajudaram a acelerar esse processo.

Voltei à rotina do hospital. Aqueles pobres pacientes continuavam a morrer, mas, agora, eu rezava por suas almas, pedindo que recebessem o presente que eu tinha recebido, que a luz perpétua os iluminasse.

O moderno tratamento médico pode alterar apenas a hora, o lugar e o modo da morte corporal, mas não a sua ocorrência inevitável. Infelizmente, muitos pacientes e familiares não conseguem ver essa limitação ou sequer chegam a considerar a sua vida espiritual. Ninguém deveria "entrar gentilmente naquela boa noite" ("go gentle in that good night") sem alguma preparação para o caminho e uma "luz generosa" ("Kindly Light") para o guiar [2].

Pacientes de câncer estão bem conscientes de que foram invadidos por uma força hostil que intenta a sua aniquilação. Católicos veem os pecados mortais sob essa mesma luz: eles são um tumor letal, uma sentença de morte para a alma, separando-a para sempre de Deus, que é seu único verdadeiro repouso e morada. Todo o Evangelho não trata senão da morte dessa "sentença de morte", alcançada pelo único sacrifício de Cristo por todos na Cruz.

O pior câncer imaginável pode em teoria ser curado por uma dose totalmente ablativa de radiação, enviada a todo o corpo. Isso mata não apenas as células cancerígenas – para onde quer que elas se tenham espalhado –, mas também a médula óssea, fonte vital de imunidade. Sem um transplante de medula, o paciente irá morrer rapidamente mesmo com a mais inofensiva infecção, como uma gripe comum. A médula doada deve ser totalmente compatível, ou há um risco de que ela comece a atacar os próprios tecidos do paciente.

O transplante que Jesus nos dá na Eucaristia é perfeitamente compatível e revivificador para a alma humana, já que Cristo é o doador universal. Mas esse transplante só "funciona" com segurança na alma que foi perdoada do pecado grave pelas terapias ablativas e purificadoras do Batismo e da Reconciliação, que iluminam a alma com a graça santificante.

A dor, a doença, a tristeza a e morte geralmente não nos são tiradas por Jesus. Ao contrário, Ele nos mostra como usá-las santamente, em ordem a unirmos os nossos sofrimentos aos d'Ele. Mesmo sendo um ótimo remédio, a medicina não substitui uma união cada vez mais íntima com Jesus, e a Sua imitação nas coisas mais pequenas, até o sacríficio final – para tanto, serão suficientes, pelo menos a princípio, os sofrimentos ordinários que todos nós temos no dia a dia.

As flechas do nosso desejo de união com Deus, que nós lançamos contra a nuvem do desconhecido (que esconde Deus de nós), retornam para nós, no bom tempo de Deus, como dardos apontados para os nossos corações e envolvidos com o óleo da caritas transformadora. O misterioso é que nossas flechas estão geralmente sendo lançadas para cima sem a nossa plena consciência, enquanto as nossas almas trabalham, balindo no subconsciente por ajuda.

Quanto mais distante as ovelhas, mais aguçados os ouvidos do Bom Pastor. Se algumas vezes parece que as nossas orações não estão sendo atendidas, deve ser porque nosso Senhor está ocupado lidando com aquelas em maior perigo. A paciência é sempre vital para nós, que somos Seus pacientes.

É quando somos levados por nossas escolhas ou pelas circunstâncias ao nosso ponto mais baixo e nos encontramos desamparados, que a graça de Deus pode intervir ao máximo. Quando somos fracos, Ele é o mais forte. Deus é gentil e educado e nunca faz violência contra nós – até mesmo o divino médico exige o nosso consentimento. Mas Ele nunca fracassa em salvar-nos de nossa aflição, se permitirmos que Ele aja.

Mais de 20 anos depois, agora eu posso ver como Deus resgatou minha alma doente e entorpecida de um destino literalmente pior que a morte. Sem a sombria epifania que eu experimentei naquele bar, e aquilo a que ela me levou, só Deus sabe onde eu estaria agora.

Notas

  1. O autor do texto é especialista no cuidado com pessoas em estado terminal. John Morrissey é apenas o seu pseudônimo.
  2. Os dois trechos entre aspas fazem referência a dois poemas de língua inglesa. O primeiro é Do not go gentle into that good night, do escritor Dylan Thomas (1914-1953). O segundo é a canção The Pillar of the Cloud, de autoria do bem-aventurado John Henry Newman (1801-1890).

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O dia em que perdi meu pai para a ideologia de gênero
Testemunhos

O dia em que perdi
meu pai para a ideologia de gênero

O dia em que perdi meu pai para a ideologia de gênero

“No dia do meu casamento, meu próprio pai olhou-me nos olhos e disse: ‘Eu queria que fosse eu a usar esse vestido’.” Conheça a história de Denise Schick, a mulher que teve o seu pai sequestrado pelo transexualismo e pela ideologia de gênero.

Denise ShickTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere15 de Outubro de 2015Tempo de leitura: 7 minutos
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Qual foi a sua maior preocupação quando você tinha nove anos de idade? Tentar memorizar a tabuada de multiplicação? Ter que comer alguns vegetais de que não gostava no almoço da escola? Talvez você tenha passado por algo mais sério. Talvez os seus pais tenham falado em se divorciarem. Quanto a mim, a minha maior preocupação nessa idade foi como guardar o segredo de meu pai, que ele me tinha revelado enquanto nos sentávamos sozinhos em uma colina, perto de nossa casa. De certo modo, eu perdi o meu pai naquele dia, quando ele me disse que queria se tornar uma mulher.

Enquanto eu tentava processar aquela revelação, ele me atingiu com outra. Disse-me que nunca quis ter tido filhos. Para ele, meus irmãos e eu tínhamos sido um erro, porque não viemos de acordo com os seus desejos.

As confissões dele deixaram-me confusa e ferida. No final das contas, eu só queria um pai que me amasse e cuidasse de mim, que fizesse com que eu me sentisse especial enquanto filha. Senti-me rejeitada e abandonada pelo meu próprio pai. A partir dos onze anos, ele começou a abusar de mim emocional e sexualmente. Mesmo assim, eu continuava a guardar o seu segredo a sete chaves, bem no fundo do meu coração.

Meu pai criou um ambiente dentro de casa que me fazia sentir como se estivesse pisando em pregos e agulhas. O ressentimento dele pelo fato de eu possuir algo que ele desejava tão profundamente para si – um corpo feminino – transformou-se em raiva e abuso. Como os seus desejos se intensificassem, ele começou a pegar emprestadas as minhas roupas. Várias vezes flagrei minhas roupas íntimas debaixo das toalhas do banheiro, ou no sótão – geralmente em lugares em que eu não estava. Aprendi a organizar as minhas roupas, de modo a descobrir se ele tinha mexido nas gavetas da minha cômoda. Quando eu confirmava que ele tinha usado determinada roupa, eu simplesmente não conseguia sequer trajar aquela peça novamente.

Como adolescente, eu precisava tomar cuidado com o modo como me vestia. Sempre tinha de perguntar a mim mesma como ele reagiria ao meu vestuário. Será que a roupa o faria sentir inveja, a ponto de ele "pegá-la emprestada" de mim (sem me pedir, é claro)? Comecei a odiar o meu corpo, pois era um lembrete constante daquilo em que o meu pai queria se tornar. Quando comecei a usar maquiagem, precisava bloquear as imagens que eu tinha dele aplicando maquiagem, sombra ou batom em si mesmo. Ele estava destruindo o meu desejo de tornar-me uma mulher.

Saí à procura de conforto em outros lugares. As aulas de dança e as festas noturnas nas casas de amigos deram-me oportunidades de procurar uma fuga emocional no álcool. Mesmo nos dias de aula, um amigo e eu às vezes nos encontrávamos no banheiro para compartilhar umas garrafas de Jack Daniel's. Eu tentava desesperadamente me encaixar em algum lugar, mas a verdade é que eu estava fazendo mal a mim mesma.

Eu estava tão sedenta do amor e da atenção do meu pai, que tentava preencher aquele vazio de outras maneiras. Tive treze namorados só na sétima série. Também tentei, inutilmente, acalmar o meu coração ferido com o álcool. Com quinze anos, estava lutando com minha própria sexualidade. Comecei a considerar seriamente o uso de drogas, mas Deus tinha outro plano, mandando para a minha vida um novo amigo, chamado Mark. Ele sempre me tratou com respeito e um coração genuinamente cuidadoso – justo o que eu tão desesperadamente queria, mas não recebia de meu pai.

Ansiosa para fugir do ambiente de minha casa na minha juventude, gastei mais e mais tempo com Mark, geralmente na sua casa, onde eu via como um pai de verdade cuidava de seus filhos. O pai de Mark me lembrava o meu tio. Os seus lares – o de Mark e o do meu tio – eram lugares onde as crianças se sentiam confortáveis e amadas de uma forma saudável. Quanto mais eu experimentava bons ambientes como a casa de Mark, mais certa eu ficava de que meus desejos por algo semelhante eram verdadeiros e possíveis. Minha casa não estava certa. Aquilo me chateava, mas eu tinha esperança de que uma boa vida familiar era algo possível de se alcançar.

Com a graduação do colégio se aproximando, eu precisava começar a planejar o meu futuro. Considerei ingressar nos militares: eu poderia viajar e fugir da vida da minha casa. Mas, ao invés disso, eu me apaixonei por Mark, e ele me pediu em casamento. Eu faria parte de uma família real, e nós dois começaríamos a nossa própria família de verdade – uma na qual os nossos filhos se sentiriam confortáveis sendo simplesmente crianças.

No dia do meu casamento, usando o vestido que minha mãe costurou para mim, e com os convidados sentados no santuário da igreja, meu pai e eu estávamos sozinhos no final do corredor, esperando para entrar. Ele olhou-me nos olhos e disse: "Eu queria que fosse eu a usar esse vestido".

Fixei meus olhos em Mark enquanto entrava pelo corredor, sabendo que estava prestes a fugir das terríveis influências de meu pai. Através de Mark, eu testemunhei o amor de Cristo, não apenas por mim, mas também pelo meu pai. Mark nunca foi ofensivo com ele, de maneira alguma. Ao contrário, ele entendia que meu pai precisava do amor saudável e da companhia de homens firmes e responsáveis – homens que sabiam e viviam o que um esposo e pai de família deveria ser. Infelizmente, meu pai rejeitou esses relacionamentos sadios. Mas a relação com meu amável e responsável esposo trouxe-me a cura.

Mesmo morando em nossa própria casa, Mark e eu frequentemente retornávamos para confortar minha mãe em seu estresse, por causa dos problemas que o meu pai criava com seus comportamentos estranhos e suas farras e gastanças periódicas. As enxaquecas e o cansaço permanente de mamãe a debilitavam muito, e ela decidiu aposentar-se, deixando papai como o único provedor da família. Suspeito que tamanha responsabilidade acabou o empurrando para a beira do abismo. Não muito depois da aposentadoria de mamãe, ele abertamente declarou sua intenção de abandoná-la e perseguir seu novo estilo de vida. Foi o que ele fez, deixando-a sem dinheiro e carregada de dívidas.

Treze anos depois, fui informada de que meu pai estava com câncer e vivendo os seus últimos dias. Quando descobri que ele estava tentando encontrar sua família, fiquei magoada com ele. Quem ele pensava ser, abandonando-nos e, então, à beira da morte, procurando o nosso amor e o nosso conforto? Mesmo assim, abateu-me a tristeza por saber que o meu sonho de ver o meu pai um dia voltando para a nossa família – como um verdadeiro esposo, pai e avô – estava prestes a morrer.

Visitei o meu pai algumas vezes no hospital durante os seus últimos meses. Vê-lo em um vestido feminino noturno e de slippers foi difícil, bem como ver todos aqueles ursinhos de pelúcia em seu quarto. As enfermeiras se referiam a ele com pronomes femininos, ou pelo nome que ele tinha escolhido: "Becky". Quando elas faziam isso, eu as corrigia. Dizia "ele" ou "meu pai". Eu olhava para ele com pesar, vendo a quê as suas escolhas o tinham levado. Assim que saí depois de uma visita, cometi o erro de olhar para trás. O meu pai estava tirando o seu sutiã.

Não fiquei surpresa em descobrir, depois da morte de papai, que ele estava em um relacionamento homossexual. Lembrei-me, então, da forma como ele olhava para os meus namorados. Fiz o que pude para ignorar isso. Era difícil lidar com a ideia de que ele acreditava ser uma mulher.

Todos aqueles anos eu ansiava por um pai de verdade, não por uma segunda mãe. Mas eu tinha uma mãe de verdade, e ela me ensinou o que é o amor materno. Ensinou-me a não desistir da vida. Dela, aprendi a importância de perseverar sob as mais difíceis situações que a vida pudesse apresentar. Sua fé inabalável em Deus fez com que ela superasse tudo. Eu trouxe esses ensinamentos para a vida de meus filhos. Fui agraciada em observar os relacionamentos entre pais e filhos do lado materno da minha família.

A cultura de hoje proclama que uma pessoa que escolhe "mudar de gênero" está sendo honesta e corajosa – veraz à sua natureza. Verdade? A verdade é o que se conforma com a realidade, e a realidade é que o meu pai foi abusado enquanto criança. Ele tinha problemas emocionais e de raiva e comportamentos obsessivos. Não surpreende que ele tenha escolhido fugir para uma identidade diferente. A verdade é que comportamentos aberrantes machucam famílias, e essas feridas têm efeitos em cadeia. A "realidade" é que os programas de TV que retratam o transgenderismo como "a mais nova conquista da liberdade humana e da autossatisfação" não estão contando a história toda – eu o digo por experiência.

Sei que há pessoas que, como eu, tiveram infâncias igualmente trágicas. Estamos juntos em acreditar que a fundação mais saudável para qualquer criança é ter um pai e uma mãe. Por favor, não desperdicem a oportunidade de aprender com o impacto que todas essas coisas têm na vida real das crianças. Podemos ser os primeiros, mas não seremos os últimos a levantar e falar a verdade.

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O Milagre do Sol, “para que todos acreditem”
Virgem Maria

O Milagre do Sol,
“para que todos acreditem”

O Milagre do Sol, “para que todos acreditem”

Quase um século atrás, o sol dançava na Cova da Iria. O significado e o alcance daquele acontecimento são, obviamente, muito maiores do que a própria mensagem de Fátima: a salvação das almas que Cristo comprou com o seu sangue na Cruz.

Equipe Christo Nihil Praeponere14 de Outubro de 2015Tempo de leitura: 4 minutos
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Em outubro farei o milagre, para que todos acreditem" [1], disse Nossa Senhora aos três pastorinhos de Fátima, em 13 de setembro. O “Milagre do Sol" – como ficou conhecido o evento sobrenatural que se deu na Cova da Iria, um mês depois – transformou o que era uma mera "revelação privada" em um autêntico apelo de Cristo à Sua Igreja [2]. Não só o conteúdo da mensagem de Fátima dizia respeito à Igreja do mundo inteiro (afinal, quem está dispensado de rezar o Rosário ou fazer penitência pela conversão dos pecadores?), como a sua própria comprovação se deu publicamente, de maneira extraordinária: no dia 13 de outubro de 1917, “o sol dançou" diante de mais de 70 mil pessoas, homens e mulheres, pobres e abastados, sábios e ignorantes, crentes e descrentes.

No dizer de um eminente professor de ciências de Coimbra, o que aconteceu naquele dia foi que o sol "girou sobre si mesmo num rodopio louco". "Houve também mudanças de cor na atmosfera" e, por fim, "o sol, girando loucamente, parecia de repente soltar-se do firmamento e, vermelho como o sangue, avançar ameaçadamente sobre a terra como se fosse para nos esmagar com o seu peso enorme e abrasador". O parecer do Dr. José Maria de Almeida Garrett se conclui com uma perplexidade: "Tenho que declarar que nunca, antes ou depois de 13 de Outubro, observei semelhante fenómeno solar ou atmosférico".

Para o povo mais simples, o milagre se resume em bem menos palavras. Simplesmente, "o sol dançou". Mais do que descrever fisicamente o fenômeno, o que interessava à maioria das pessoas era o que não se podia ver, mas que ficara patente por aquela portentosa obra que eles tinham diante dos olhos: Nossa Senhora verdadeiramente apareceu a três humildes pastorinhos em Fátima.

A Lúcia, Jacinta e Francisco, de fato, mais do que ver o físico e pressentir o espiritual, foi dada uma visão bem mais abrangente da realidade: a Virgem,

"Abrindo as mãos, fê-las reflectir no sol. E enquanto que se elevava, continuava o reflexo da Sua própria luz a projectar-se no sol. (...) Desaparecida Nossa Senhora, na imensa distância do firmamento, vimos, ao lado do sol, São José com o Menino e Nossa Senhora vestida de branco, com um manto azul" [3].

Na última aparição da Virgem de Fátima, portanto, brilha aos videntes a imagem da Sagrada Família de Nazaré. Esse fato pode indicar – juntamente com uma recém-revelada carta da Irmã Lúcia ao Cardeal Carlo Caffarra [4] – que, realmente, "o confronto final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre a família e sobre o matrimônio". Quando o caminho ordinário de santificação da humanidade, que é o casamento, se encontra obstruído pela produção desenfreada da pornografia e pela popularização dos "pecados da carne" – os quais constituem, segundo resposta da Virgem à pequena Jacinta, a classe de pecados que mais ofende a Deus [5] –, o resultado só pode ser uma perda incalculável de almas (realidade a que a Mãe de Deus já tinha aludido, quando deu às mesmas crianças a visão do inferno).

Tal cenário desolador já tinha começado a delinear-se em Portugal, com a aprovação da lei do divórcio, em 1910, e a separação entre Estado e Igreja, em 1911. Compreensível, pois, que, soado o alarme, Nossa Senhora descesse do Céu para renovar à humanidade o apelo divino à conversão e à penitência.

Naquele 13 de outubro, em particular, a Virgem Santíssima tinha um pedido em especial, que ficaria gravado no coração dos pastorinhos. "Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido" [6], ela dizia. Antes da agitação que se seguiria ao Milagre do Sol, é esta a mensagem que porta aos homens a toda santa Mãe de Deus: que os homens parem de pecar e ofender a Deus.

A observadores mundanos, tal recado – combinado com a ameaça de um severo castigo – poderia parecer "arcaico" ou mesmo "irrealista" para o homem moderno. – Um "espírito" que vem dos céus para falar de "pecado"? Em que século a autora dessas aparições acha que estamos? – Pois bem, é justamente no século XX que Nossa Senhora aparece, e é a mesma mensagem de dois mil anos atrás que ela carrega consigo: "Fazei tudo o que Ele vos disser" ( Jo 2, 5).

Se, por um lado, os tempos mudaram, o ser humano continua o mesmo e os perigos que rondavam a humanidade na época de Cristo não mudaram. Para ser católico e seguir Jesus, nada tão básico quanto o apelo de Fátima: "Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor". Ali, o Milagre do Sol não existia apenas para confirmar a aparição de Maria, mas para realizar um outro milagre, muito maior e mais extraordinário que qualquer outro prodígio [7]: a justificação das almas, a conversão dos pecadores. "Para que todos acreditem" em Jesus e, acreditando, tenham a vida eterna. Para que, de inimigos de Deus e habitantes do inferno, os homens se transformem em amigos de Deus e herdeiros do Céu. Para que se diga, enfim, desta civilização pagã e ateia, o que foi dito dos primeiros convertidos à fé: "Onde abundou o pecado, superabundou a graça" (Rm 5, 20).

Referências

  1. ALONSO, Joaquín María; KONDOR, Luigi; CRISTINO, Luciano Coelho. Memórias da Irmã Lúcia. 13. ed. Fátima, 2007, p. 180.
  2. Cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 67.
  3. ALONSO et al. Memórias da Irmã Lúcia. 13. ed. Fátima, 2007, p. 180.
  4. PICCIAFUOCO, Maria Pia. Il Cardinale racconta: Suor Lucia mi scrisse.... In: Voce di Padre Pio, mar. 2008, p. 74.
  5. ALONSO et al. Memórias da Irmã Lúcia. 13. ed. Fátima, 2007, p. 125.
  6. Ibid., p. 97.
  7. Cf. Suma Teológica, I-II, q. 113, a. 9.

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