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Fracassar com Cristo
Espiritualidade

Fracassar com Cristo

Fracassar com Cristo

Fracassar com Cristo significa renunciar a si mesmo e assumir a cruz do dia a dia. É a única maneira de chegar à ressurreição.

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Setembro de 2013
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A severa crítica de Friedrich Nietzsche ao cristianismo se fundamentava no suposto ressentimento presente no Sermão da Montanha. Seguir as prédicas das Bem-aventuranças seria admitir o fracasso como projeto de vida. Nietzsche defendia a ideia do super-homem, um ser acima do bem e do mal: "nós somos homens, e por isso queremos o reino da terra."[1] Desconsiderando os parodoxos da religião - tão bem enumerados por G.K. Chesterton no livro Ortodoxia -, via a moral cristã como um "pecado capital contra a vida", por sua opção fundamental pela humildade.

A exemplo do pensador alemão, muitos, diante dos infortúnios do dia a dia, são tentados a rejeitar essa aparente fragilidade da fé. Para eles, as tribulações, as contradições das pessoas, o escândalo do mal - fruto do pecado -, denunciam o eclipse da providência divina. "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?", pergunta também o Filho do Homem no alto da cruz.

Mas não seria justa essa crítica? Não seria o cristianismo um fardo muito pesado, com suas cruzes e austeridades? Como encontrar esperança quando Deus parece mudo? Certa vez, uma paroquiana de São João Maria Vianney, preocupada com a saúde do pároco o advertiu: "tenha mais pena de si, Sr. Cura… por que é que quando prega fala tão alto e quando reza, tão baixo? - "É que quando prego, replicou o santo, falo a surdos e quando rezo, falo com Deus, que não o é"[2]. Deus nunca está mudo, Ele diz mesmo no silêncio. É o homem que não sabe ouvir.

"O cristão, lembra Bento XVI, sabe bem que o Senhor está presente e escuta, mesmo na escuridão da dor, da rejeição e da solidão."[3] A experiência do fracasso, ao contrário do que pensava Nietzsche, não deduz ausência, mas presença. Aponta a vitória do Deus que se aniquila pela salvação de sua criatura. Assim conclui o escritor Gustavo Corção: "os grandes salmos, as grandes antíteses paulinas, tudo nos leva a crer que talvez seja a estrada real para Deus o escuro caminho das tribulações que desemboca no fundo dos abismos."[4]

Os escombros do século XX, com suas subsequentes guerras e ditaduras, trouxeram à tona os horrores provocados pela mentalidade soberba e autossuficiente. Desmascararam a face terrível do Übermensch de Nietzsche. Por outro lado, também abriram janelas para o grito do homem desesperado: De profundis clamavi ad te, Domine (Das profundezas clamo a ti, ó Senhor), reza o salmo. Outra vez a face do Deus que não abandona sua criatura apareceu; "onde abundou o pecado superabundou a graça" (Cf. Rm 5, 20). São essas as lições dos abismos para a fé cristã: eles nunca ofuscam a paternidade de Deus; alargam, pois "pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria nunca." (Cf. Is 49, 15).

O fracasso... não é fácil vivê-lo, experimentá-lo, senti-lo. Dói. Mas a condição para a vitória de Cristo não foi uma coroação gloriosa, foi o aparente fracasso da cruz. As quedas da paixão são as quedas do gênero humano que se repetem, dia após dia, desde aquela no paraíso. Elas provocam lágrimas, sim, mas, em certos momentos - recorda o Papa Francisco -, "os óculos para ver Jesus são as lágrimas."[5]

Nietzsche não compreendeu o cristianismo porque não compreendeu o que é "fracassar" com Cristo. Não entendeu que o caminho da salvação é estreito, que necessita do auxílio da graça. A graça que basta ao apóstolo e o leva a proclamar: "é na fraqueza que triunfa o meu poder. E então eu passei a me glorificar de minhas fraquezas a fim de que desça até mim a força de Cristo. Sim, eu me comprazo nas minhas fraquezas, nos meus ultrajes, nas angústias, nas perseguições sofridas pelo Cristo, porque quando estou na máxima fraqueza é que estou forte." Sim, o homem só está próximo do céu quando está crucificado junto com Cristo na cruz, porque "a altura da Cruz é a altura do amor de Deus."[6]

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Católicos, desliguem a TV
Sociedade

Católicos, desliguem a TV

Católicos, desliguem a TV

Os meios de comunicação social modernos exercem um novo tipo de apostolado na sociedade, o apostolado da perversão

Equipe Christo Nihil Praeponere2 de Setembro de 2013
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São Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei, pedia a seus filhos espirituais que promovessem o "apostolado da diversão". O santo enxergava a necessidade de renovar os costumes populares, afastando-os das ocasiões de pecado, da maledicência da língua e da concupiscência da carne. Dizia que era preciso pessoas dispostas a trabalhar nesta tarefa urgente: "recristianizar as festas… evitar que os espetáculos públicos se vejam nesta disjuntiva: ou piegas ou pagãos" (Caminho, n. 917)

Considerando o mau gosto dos entretenimentos de hoje em dia - incentivados de todos os modos pelos meios de comunicação -, percebe-se que São Josemaria estava certo. O culto à feiúra está na moda. E no que depender da grande mídia ainda vai perdurar por muito tempo. Os espetáculos de bizarrices, o apelo ao erótico, a defesa intransigente de contravalores, a ridicularização do bem e a exaltação do mal denotam a putrefação da sociedade, quer na periferia, quer nas áreas nobres. Cláudio Abramo, renomado jornalista, escrevia a seus leitores: "O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter." Que diria agora se visse o que fazem seus colegas?

A produção midiática se transformou no exercício diário da malandragem. Publicam-se mentiras, promovem-se imoralidades, a inocência das crianças é corrompida e elas são expostas, desde a tenra idade, a publicações abjetas, que fariam qualquer pessoa equilibrada corar o rosto de vergonha. Mas vergonha? Que vergonha? A lama que cobre seus corpos se tornou motivo de orgulho, direitos humanos, liberdade, amor… essa palavra tão banalizada e mal compreendida. Há um apostolado, sim, praticado pela imprensa: o apostolado da perversão!

Todavia, esse apostolado não teria frutos se não contasse com a anuência dos próprios cristãos. Bento XVI, quando esteve no Brasil, exortou a Igreja a "dizer não àqueles meios de comunicação social que ridicularizam a santidade do matrimônio e a virgindade antes do casamento."[1] Foi como jogar pérolas aos porcos - e a audiência das novelas está aí para provar. Para a mídia então, foi motivo de piada. E com a tola justificativa de sempre: "somos uma emissora laica, com uma visão de cultura e mesmo de comportamento social e moral que não segue preceitos religiosos."[2]

Ora, não é preciso seguir preceitos religiosos para discernir sobre o direito inalienável à vida (desde a concepção até a morte natural), à educação dos filhos e ao matrimônio entre um homem e uma mulher; "não são valores exclusivamente cristãos, mas apenas a manifestação evidente de valores humanos"[3]. Quando se nega esses valores, ou pior, faz-se lobby contra eles, é o próprio corpo da sociedade que ameaça ruir. Por isso o Concílio Vaticano II ressaltou que "para o reto uso destes meios (os meios de comunicação), é absolutamente necessário que todos os que servem deles conheçam e ponham fielmente em prática, neste campo, as normas da ordem moral."[4]

Com efeito, é preciso, sim, que mais pessoas estejam dispostas a recristianizar o lazer, a cultura, a diversão, como propunha São Josemaria. Se há um apostolado da perversão praticado pelos meios de comunicação social, a sua existência se deve à covardia e à indiferença dos bons. Cabe aos cristãos a nobre tarefa de trazer luz a esses terrenos tão sombrios da vida cotidiana. Elevá-los à condição de filhos de Deus, porque é este o sentido de toda e qualquer atividade missionária: a filiação divina!

"Reconhece, cristão, a tua dignidade… foste transferido para a luz e para o Reino de Deus» (São Leão Magno, Sermão I sobre o Natal, 3, 2: CCL 138, 88).

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Liturgia: Mistério da Salvação - Parte IV
LiturgiaEspiritualidade

Liturgia: Mistério da Salvação - Parte IV

Liturgia: Mistério da Salvação - Parte IV

Neste quarto artigo sobre os ensinamentos de Monsenhor Guido Marini, o leitor é convidado a fazer uma reflexão sobre o real sentido da participação ativa durante a liturgia.

Equipe Christo Nihil Praeponere2 de Setembro de 2013
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Os santos são os melhores exemplos de participação ativa na Liturgia da Igreja. Sendo a santidade o principal efeito de uma profunda vivência litúrgica, nada mais natural que sejam eles as primeiras referências neste assunto, que foi tratado de forma tão especial pelo Concílio Vaticano II. Santo Tomás de Aquino, por exemplo, não podia celebrar os Santos Mistérios sem derramar copiosas lágrimas diante da Eucaristia. De acordo com alguns biógrafos, o doutor angélico tinha o costume de encostar a cabeça no Tabernáculo, a fim de sentir o palpitar do Sagrado Coração de Jesus. Santo Tomás dizia que a Eucaristia era o sacramento da Paixão do Senhor e que, portanto, "tudo que é efeito da Paixão de nosso Senhor, é também efeito desse sacramento, não sendo esse outra coisa que não a aplicação em nós da Paixão do Senhor".

Outro santo a indicar a correta vivência da liturgia é São Padre Pio de Pietrelcina. Quando perguntaram a ele como um fiel deveria assistir à Santa Missa, logo respondeu: "Como a assistiam a Santa Virgem Maria e as Santas mulheres. Como São João assistiu ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrifício sangrento da cruz". Na Celebração, o homem é levado a reconhecer a Páscoa de Cristo - assim como o centurião a reconheceu - e a adorá-lo "em espírito e em verdade". Deste modo, explica o mestre de cerimônias pontifícias, Monsenhor Guido Marini, "não é possível participar sem adorar". Em linhas gerais, resume a Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a liturgia, do Concílio Vatincano II:

"É por isso que a Igreja procura, solícita e cuidadosa, que os cristãos não entrem neste mistério de fé como estranhos ou espectadores mudos, mas participem na ação sagrada, consciente, ativa e piedosamente, por meio duma boa compreensão dos ritos e orações; sejam instruídos pela palavra de Deus; alimentem-se à mesa do Corpo do Senhor; dêem graças a Deus; aprendam a oferecer-se a si mesmos, ao oferecer juntamente com o sacerdote, que não só pelas mãos dele, a hóstia imaculada; que, dia após dia, por Cristo mediador (38), progridam na unidade com Deus e entre si, para que finalmente Deus seja tudo em todos".

Por outro lado, ao longo dos últimos anos, pôde-se perceber um enorme distanciamento de muitas comunidades da correta participação ativa, tal como pede a Igreja. Infelizmente, essa má interpretação do que quer dizer a Constituição Sacrosanctum Conciliumm introduziu uma série de abusos e falsas inculturações, ao ponto de a Santa Missa acabar se tornando mais um espetáculo de bizarrices, que o Sacrifício Redentor de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ao mesmo tempo, também reduziu-se a participação dos fiéis a atividades como leitura, canto ou alguns gestos que, em muitos casos, não expressam a realidade do momento litúrgico. É verdade que, quando bem realizado, o serviço próprio de cada um durante a Celebração Eucarística é participação ativa, mas, alerta Guido Marini, "tudo isso não significaria participação verdadeiramente ativa, se não conduzisse para a adoração do mistério da salvação em Cristo Jesus, morto e ressuscitado por nós".

A Sacrosanctum Concilium age de forma contundente a favor da obediência às normas litúrgicas, "de modo que nos seminários e institutos religiosos a vida seja totalmente impregnada de espírito litúrgico" (17). Além disso, exorta os sacerdotes para que "guiem o rebanho não só com palavras mas também com o exemplo" (19). Proíbe expressamente falsas criatividades quando determina que além da Santa Sé e dos bispos em comunhão com ela, "ninguém mais, mesmo que seja sacerdote, ouse, por sua iniciativa, acrescentar, suprimir ou mudar seja o que for em matéria litúrgica" (22). Finalmente, pede para que "não se introduza inovações, a não ser que uma utilidade autêntica e certa da Igreja o exija, e com a preocupação de que as novas formas como que surjam a partir das já existentes" (23). Perante essas prerrogativas parece óbvio o quanto certas celebrações mundo à fora estão afastadas do espírito litúrgico pedido pelo Concílio Vaticano II.

Urge, pois, redescobrir a beleza contida na autêntica celebração litúrgica dos mistérios cristãos, para que assim - e somente assim - tanto sacerdotes, quanto fiéis, possam saborear a ação salvífica de Nosso Senhor Jesus Cristo. Neste sentido, esclarece o Monsenhor Guido Marini, "somente quem adora o mistério, acolhendo-o na própria vida, demonstra ter compreendido o que está celebrando e, portanto, ser verdadeiramente participante da graça do ato litúrgico".

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Amar como Jesus amou
Espiritualidade

Amar como Jesus amou

Amar como Jesus amou

A palavra amor se encontra tão deturpada que, em muitos casos, já não é possível descobrir seu significado.

Equipe Christo Nihil Praeponere30 de Agosto de 2013
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A estratégia do movimento revolucionário em curso segue muito mais pela via da semântica que das armas. Cooptar a linguagem e modificá-la de tal maneira que já não seja possível saber do que se fala, tem sido o carro-chefe da revolução há pelo menos meio século. E mesmo dentro da Igreja é possível perceber essa discrepância entre a letra e a hermenêutica. Reino de Deus, por exemplo, pode representar desde o paraíso celeste ao mundo melhor desejado pelos socialistas.

A palavra amor também não foge à regra. Usá-la para justificar todo tipo de barbaridade, quer na esfera pública, quer na eclesiástica, tornou-se algo corriqueiro. Com efeito, aquilo que para os católicos deveria estar no centro de sua fé, ou seja, a crença no amor de Deus e as exigências que dele decorrem, se converte em pura superficialidade e experiências sentimentalistas. Daí a reação ignara de certos meios à qualquer tipo de repreensão ou correção. Afinal de contas, diriam, o que importa é o amor.

Todavia, uma tal forma de pensamento não é somente absurda, mas nociva. E os seus frutos provam isso a cada vez que uma criança se rebela contra a autoridade de seus pais. Ora, "uma característica de quem ama de verdade é não querer que o Amado seja ofendido"[1], logo, acusar de farisaismo quem, preocupado com a verdade de Cristo, se propõe a defendê-la abertamente é uma atitude, no mínimo, desonesta. Não se trata aqui de endossar contendas e comportamentos afetados de quem está mais interessado em destruir, que converter, mas de entregar-se sobremaneira à missão de Cristo de ir pelo mundo e fazer discípulos entre todas as nações.

Assim, instrui São Paulo, "prega a palavra, insiste oportuna e inoportunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir." (Cf. II Tim 4, 2) "Se, porém" - questiona São João Crisóstomo - "eles pelas obras profanam a fé e não se escondem, cobertos de vergonha, debaixo da terra, por que se irritam contra nós, que condenamos com palavras o que eles manifestam com ações?" Não existe verdadeiro amor pelo bem sem um ódio mortal por aquilo que é mal. O amor só é verdadeiro se estiver intimamente associado à verdade e à justiça, e por isso ele é, não raras vezes, motivo de verdadeiro escândalo. E por isso quando o amor se fez carne o homem o matou numa cruz. O preço do amor de São João Batista foi sua cabeça servida em uma bandeja.

A palavra amor é banalizada, sobretudo, quando, em nome dela, se opta por uma vida de pecado desregrado e de mentira. Isso não é amor, é falta de caráter. O coração do que ama verdadeiramente é impelido a dizer palavras como as de Santo Antônio de Sant'Anna Galvão: "tirai-me antes a vida que ofender o vosso bendito Filho, meu Senhor." Toda ação missionária da Igreja é norteada por essas mesmas palavras do santo brasileiro. Uma missionariedade que, apesar das oposições, preocupa-se, sim, com a conversão dos pecadores, uma vez que foi o próprio Cristo a exortá-los a serem santos como o Pai é santo.

Dom Eugênio Sales costumava dizer que o problema da Igreja é de alfaiataria: "tem saia de mais e calça de menos". O falecido cardeal se referia à pusilanimidade, à síndrome de Poliana que acredita que tudo é belo, tudo é bom, tudo é lindo e sem pecado. Uma presunção que arrasta a Igreja à covardia e à frouxidão, por isso, diametralmente oposta à virtude do amor. O verdadeiro cristão, contudo, não se alicerça na covardia, mas na fortaleza, na virilidade, na radicalidade do amor, com a qual o Papa Pio XI afirmava: "Quando se tratar de salvar alguma alma, sentiremos a coragem de tratar com o diabo em pessoa".

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