CNP
Christo Nihil Præponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
Evangelize compartilhando!
Todos os direitos reservados a padrepauloricardo.org®
Mensagem de Páscoa
Espiritualidade

Mensagem de Páscoa

Mensagem de Páscoa

Celebremos a vitória da Páscoa, do Bom Pastor que deu a vida por suas ovelhas

Padre Paulo Ricardo19 de Abril de 2014Tempo de leitura: 1 minutos
imprimir

Santo Tomás de Aquino, ao analisar a paixão de Cristo, o Seu sofrimento, o Seu amor e tudo quanto Ele teve de suportar em Sua humanidade, chega à conclusão de que Cristo sofreu mais por Sua compaixão que por Sua paixão:

"A dor da compaixão foi maior que a da paixão e o motivo é que: 1. a caridade, com a qual ele sofria os nossos males, era preponderante sobre o equilíbrio do seu complexo psicofísico, com o qual sofria pela sua paixão; 2. além disto, para ele era mais preciosa a honra divina, que fora ofendida pelas nossas culpas, por quanto dependia de nós, do que a sua vida física; e, como sinal disto, suportou aquela dor a fim de eliminar esta [ofensa]." [1]

"A dor da compaixão foi maior que a da paixão", isto é, o sofrimento que Ele experimentou em sua humanidade não foi tão grande quanto aquele que sofreu movido pela caridade, pelo amor por nós. Jesus sofreu ao ver-nos perdidos e abandonados no pecado. Por isso, em Sua compaixão infinita, "desceu aos infernos" de nossa miséria; como Bom Pastor, desceu conosco ao "vale da sombra da morte" [2].

Eis o grande dom da Páscoa. Cristo entra nos cenáculos de nossa vida e deseja: "A paz esteja convosco!" [3]. Apaziguando os nossos corações, Ele diz que não precisamos ter medo. O Bom Pastor deu a vida por suas ovelhas, desceu ao vale tenebroso para resgatar-nos; em sua grande compaixão, Ele – que não precisava – sofreu a paixão de suas ovelhas; e, agora, Ele mesmo carrega-nos em seu regaço.

Eis a vitória da Páscoa, a paz que podemos encontrar no coração de Cristo. "Se morremos com Cristo, cremos que viveremos também com ele [4]": se com Ele descemos ao "vale da sombra da morte", agora temos a esperança de estar com Ele, um dia, na glória do Céu.

Referências

  1. Comentário sobre as Sentenças, Livro 3, Distinção 15, Explicação do texto
  2. Sl 22 (23), 4
  3. Lc 24, 36; Jo 20, 19
  4. Rm 6, 8

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

O Calvário, ponto de encontro dos que amam
Espiritualidade

O Calvário, ponto de
encontro dos que amam

O Calvário, ponto de encontro dos que amam

Não é possível que deixemos de sofrer simplesmente porque não podemos ser dispensados de amar.

Equipe Christo Nihil Praeponere10 de Abril de 2014Tempo de leitura: 3 minutos
imprimir

Quando Jesus advertiu que, para segui-Lo, era preciso renunciar-se a si mesmo e tomar a sua cruz [1], talvez os discípulos não pensassem que Ele verdadeiramente tomaria uma “cruz", no sentido literal. De fato, após subir a Jerusalém, o Cristo “foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado", como rezamos no Credo Niceno-Constantinopolitano. O próprio Deus foi estendido sobre um madeiro: “tomou a sua cruz". E pediu que o imitássemos.

É verdade, nem todos os cristãos são chamados a imitar Jesus derramando o seu sangue por Ele. Mas todos, sem exceção, devem carregar a sua cruz, dia após dia, a fim de dizer, com São Paulo: “Estou pregado à cruz de Cristo" [2]. Era com esta atitude espiritual que São Josemaría Escrivá recomendava que os cristãos olhassem para os crucifixos despojados de Cristo: “Quando vires uma pobre Cruz de pau, só, desprezível e sem valor... e sem Crucificado, não esqueças que essa Cruz é a tua Cruz: a de cada dia, a escondida, sem brilho e sem consolação..., que está à espera do Crucificado que lhe falta. E esse Crucificado tens de ser tu" [3].

No entanto, muitas pessoas parecem agir com temor da cruz, quando não com desprezo e desdém. Dizem, orgulhosamente, que o madeiro ao qual Jesus foi pregado não deve ser ostentado por ninguém e, contrapondo-lhe o milagre da ressurreição, rejeitam a exaltação da Santa Cruz como culto da dor e do masoquismo.

Ora, é verdade que a crucificação era uma das penas mais infames que se aplicava aos homens nos tempos do Império Romano. Porém, “na Paixão [de Cristo], a Cruz deixou de ser símbolo de castigo para se converter em sinal de vitória" [4]. Por sua obediência ao Pai, Jesus transformou aquilo que era maldição em salvação para todos os homens. “Sua sanctissima passione in ligno crucis nobis justificationem meruit – Pela sua santíssima paixão no madeiro da cruz, Ele mereceu-nos a justificação" [5], ensina o Concílio de Trento. E, do mesmo modo, o Vaticano II: “[Ele] mereceu-nos a vida com a livre efusão do seu sangue; n'Ele nos reconciliou Deus consigo e uns com os outros e nos arrancou da escravidão do demônio e do pecado" [6].

Por esse motivo, a Igreja saúda a cruz como “única esperança". No dizer de Santa Rosa de Lima, “ fora da cruz, não há outra escada por onde se suba ao céu".

Mais do que apontar o erro evidente desses “que se portam como inimigos da cruz de Cristo" [7], cabe perguntar qual atitude espiritual está por trás disso: o que faz as pessoas agirem com tanta indiferença, quando não com ódio, em relação à Cruz?

Essas pessoas, que até vão à igreja e começam uma vida de oração, ou não compreenderam o significado da redenção – e isto uma boa catequese e um ato de fé podem consertar – ou estão afetadas por uma “teologia da prosperidade", que, prometendo paraíso neste mundo, as aliena e faz que coloquem o coração nas coisas materiais e passageiras, ao invés das espirituais e eternas. Diante dos sofrimentos que Deus permite por que passem, fogem invariavelmente, até mesmo na oração, esquecendo-se de fazer a súplica do Pai-Nosso: “fiat voluntas Tua – seja feita a Vossa vontade".

Não devemos pedir a Deus que nos livre das cruzes, mas que nos ajude a suportá-las. Neste mundo, não é possível que sejamos privados de sofrer simplesmente porque não podemos ser dispensados de amar. A vontade de Deus é que sejamos santos, que O amemos, mas, para que isso aconteça, precisamos primeiro crucificar-nos para o mundo [8], purificar o nosso amor: “Cada dia um pouco mais – tal como ao esculpir na pedra ou na madeira –, é preciso ir limando asperezas, tirando defeitos da nossa vida pessoal, com espírito de penitência, com pequenas mortificações (...). Depois, Jesus vai completando o que falta" [9].

A verdade da Cruz é esta: o mesmo caminho que Deus fez para unir o Céu à Terra [10] é o que nós devemos percorrer para nos assemelharmos a Ele. Dois mil anos depois, o Calvário continua sendo o ponto de encontro dos que amam: de Jesus e de Seus santos.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Mulheres falam contra o aborto na Câmara dos Deputados
Sociedade

Mulheres falam contra o
aborto na Câmara dos Deputados

Mulheres falam contra o aborto na Câmara dos Deputados

Seminário no Congresso Nacional, comemorando o Dia da Mulher, apresenta vozes femininas contrárias ao aborto e à Cultura da Morte

Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Abril de 2014Tempo de leitura: 1 minutos
imprimir

Como parte das comemorações pelo Dia da Mulher, a Câmara dos Deputados, no Distrito Federal, abriu suas portas para o Seminário “Mulher, Família e Gênero", no dia 11 de março de 2014. O evento se deu no Auditório Nereu Ramos e foi promovido pelo Partido Social Cristão juntamente com o Observatório Internacional de Biopolítica.

O seminário contou com “especialistas nas áreas de Direito, Saúde e Humanidades, os quais discutiram a origem da problemática moderna sobre o aborto, seu desdobramento nos anos recentes e suas principais fundamentações teóricas", informou o site da Câmara.

Trata-se de um evento único, no sentido de que são vozes dissonantes ao pensamento quase hegemônico e tido até mesmo como natural de que tanto a descriminalização do aborto quanto o avanço da cultura da morte no país acontecem sob uma perspectiva de “evolução dos tempos". Nada mais falso. Desde a primeira palestra, proferida pela Dra. Renata Gusson, tomamos conhecimento de que a implantação da cultura da morte no mundo e, atualmente no Brasil, obedece a uma agenda milimetricamente pensada com esse objetivo.

Para tanto, os promotores dessa funesta cultura, tão denunciada pelo Bem Aventurado Papa João Paulo II e sucessores, utilizam-se até mesmo de manipulação de dados, conforme brilhantemente expõe a Dra. Isabela Mantovani.

A terceira palestra disponível foi proferida pela Professora Fernanda Takitani que trouxe à tona os antecedentes históricos e filosóficos da questão do gênero. Atualmente há uma intensa discussão acerca da chamada “ideologia de gênero" e, assim, a fala precisa da professora traz não só informações sobre o tema, mas sólido embasamento argumentativo para combatê-la.

Por fim, deve-se considerar que a presença de tais mulheres - todas católicas, casadas, mães - no Congresso Nacional como uma quebra do estereótipo do que comumente lá se vê: militantes patrocinadas por ONGs, por sua vez sustentadas pelas grandes fundações. São mulheres brilhantes que lutam para que a luz seja retirada de sob o alqueire e ilumine não só aquela que é a Casa do Povo, mas o restante do Brasil. Que elas sejam ouvidas.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

O amor que animou José de Anchieta
Santos & Mártires

O amor que animou José de Anchieta

O amor que animou José de Anchieta

Os apóstolos acendem diante dos homens a luz de Cristo porque querem alegrar o coração de Deus. Foi o que fez o beato José de Anchieta em solo brasileiro.

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Abril de 2014Tempo de leitura: 4 minutos
imprimir

Será canonizado pelo Papa Francisco, este mês, o bem-aventurado José de Anchieta, “apóstolo do Brasil". Por seus corajosos esforços, muitíssimas almas foram conquistadas para Cristo e o que podia não passar de mais um reinado mundano pôde, por graça de Deus, tornar-se Terra de Santa Cruz.

José de Anchieta, de nacionalidade espanhola, nasceu nas Ilhas Canárias, no ano de 1534. Foi sua mãe, então recém-convertida ao cristianismo, quem lhe deu a dádiva da fé. Mandado a Portugal muito cedo para estudar, destacou-se como uma mente brilhante, chegando à trabalhosa obra de compor poemas na língua latina.

Com apenas 19 anos, o seminarista José de Anchieta é chamado a integrar as comitivas que partiam Atlântico adentro em busca de terras (e almas). Ao sair da Europa, despede-se de seus parentes, certo de não voltar mais. “Nos vemos no céu!", diz à sua família. Em solo brasileiro, catequiza os índios em língua tupi-guarani e produz uma gramática nesse idioma, a fim de facilitar a comunicação entre os evangelizadores e os povos nativos.

Como São Paulo, Anchieta atravessa várias porções de terra para fazer resplandecer a luz de Cristo. Em uma de suas viagens – que descreveu em longa carta ao superior-geral da Companhia de Jesus, Diego Lainez [1] –, ele testemunha as “grandes opressões" que infligiam aos portugueses os índios tamoios, “levando continuamente os escravos, mulheres e filhos dos Cristãos, matando-os e comendo-os". Mesmo conscientes de antemão do mal que lhes podia fazer essa tribo, ele e o padre Manuel da Nóbrega não hesitam ir ao seu encontro, para firmar com ela um acordo de paz ou, se possível, trazê-los à fé cristã e “ganhar algumas almas de seus filhos inocentes com a água do santíssimo batismo".

Após ver os tamoios matarem e comerem o escravo de um companheiro de viagem e confessar, aturdido, “que muito me afligia a carne com contínuos temores" [2], Anchieta recorre à intercessão de Nossa Senhora e promete compor um poema sobre sua vida, pedindo – grande sinal de amor a Deus – não que fosse preservado do ataque dos índios, mas que fosse livre de todo o perigo de pecado. Dessa bela promessa nasceu o famoso poema De Beata Virgine Dei Matre Maria, cujos 4172 versos Anchieta escreveu na areia do mar, antes de passar ao papel.

Das visitas às aldeias indígenas, que eram sempre precedidas pela celebração da Santa Missa, muitos frutos eram colhidos, mas, sempre à custa de muitas dificuldades. Além do canibalismo, era muito comum entre as tribos a prática do infanticídio. Em uma passagem impressionante, Anchieta conta como batizou e salvou da morte uma criança que acabara de ser cruelmente enterrada:

Sem nenhuma confiança na vida dele, por haver já tanto tempo que estava debaixo da terra, deixei as matinas e fui correndo molhar um pano em água e cavando a terra vi que ainda bolia e batizei-o, fazendo tenção de o deixar, parecendo que já expirava, mas dizendo-me umas mulheres que podia ainda viver, porque, às vezes, estavam tais como estes todo um dia enterrados, e viviam, determinei retirá-lo e fazê-lo criar. A este espetáculo tão novo, concorreram muitas mulheres da aldeia e com elas um índio com uma espada de pau para quebrar-lhe a cabeça, ao qual disse que o deixasse que eu o queria tomar por meu filho e com isto se foi; desenterrei-o e nenhuma daquelas mulheres lhe quis pôr mão, para lavá-lo, por mais que lhes rogasse, antes se estavam rindo e, passado tempo, dizendo que já o Padre tinha filho, e lhes ficou isto depois por gracejo, e a todos os índios [3].

De tantas histórias colhidas da vida do bem-aventurado José de Anchieta, sobressai sempre a sua preocupação pelas almas: ordenado sacerdote em 1565, o padre configurou-se de tal modo a Cristo que copiou com fidelidade o Seu grande amor pelos homens, o sacrifício contínuo e perseverante por sua salvação.

Consciente de que os índios eram pessoas humanas, não peças de museu, Anchieta trabalhava verdadeiramente para transformar a cultura indígena. Ele sabia que era preciso evangelizar, “não de maneira decorativa, como que aplicando um verniz superficial, mas de maneira vital, em profundidade e isto até às suas raízes, a civilização e as culturas do homem" [4]. Afinal, como ensinava o beato João Paulo II:

“Se, de fato, é verdade que a fé não se identifica com alguma cultura e é independente em relação a todas as culturas, não é menos verdadeiro que, precisamente por isto, a fé é chamada a inspirar e impregnar todas as culturas. É o homem todo, na realidade da sua existência quotidiana, que é salvo em Cristo e é, por isso, o homem todo que se deve realizar em Cristo. Uma fé que não se torna cultura é uma fé não plenamente acolhida, não inteiramente pensada e nem com fidelidade vivida." [5]

Se hoje o Brasil pode cantar com alegria ter nascido sob as bênçãos de Deus e sob o sinal da Cruz, é porque homens infatigáveis como José de Anchieta se esqueceram totalmente de si mesmos para servirem a Cristo nos povos nativos da América. Suas vidas lembram a nós, homens do século XXI, a essência missionária de todo cristão. Ao lado do chamado a seguir Jesus, está sempre o apelo do anúncio. Por isso o Papa Francisco diz que “cada cristão é missionário na medida em que se encontrou com o amor de Deus em Cristo Jesus" [6].

Acender diante dos homens a luz de Cristo é um serviço de caridade. Foi isso que santificou São Paulo, São Cirilo e São Metódio, São Francisco Xavier e – agora, com a confirmação do Sumo Pontífice – o grande José de Anchieta. Conscientes de que converter os corações a Cristo, como fez o beato José de Anchieta, é dar alegria a Deus, evangelizemos também nós, por amor a Ele e às almas que conquistou com o Seu sangue.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.