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Se não houve latim em Pentecostes, por que agora?
Liturgia

Se não houve latim
em Pentecostes, por que agora?

Se não houve latim em Pentecostes, por que agora?

Em Pentecostes, os Apóstolos “ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas”, mas não consta que eles tivessem usado o latim. Por que, então, recorrer a ele? Que diferença faz ter uma língua “separada” para o culto a Deus?

Peter KwasniewskiTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere8 de Junho de 2020Tempo de leitura: 7 minutos
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Ainda na esteira da grande festa de Pentecostes — uma festa tão grande aos olhos da Igreja Católica, que era celebrada por oito dias (ou seja, como uma Oitava) no rito latino desde o final do século VI, um costume até hoje existente onde quer que se celebre a forma antiga do rito romano —, faríamos bem em examinar o que significa e o que não significa o dom de línguas.

Certa vez um amigo me disse que manifestara o seu amor à Missa tradicional em latim a um diácono, que lhe respondeu enfurecido: “O Pentecostes mostra que os Apóstolos falaram com todos em sua própria língua — não em latim”. Essa interpretação equivocada do Pentecostes, que às vezes escutamos sob diferentes formas, merece uma resposta.

1. O livro dos Atos dos Apóstolos mostra que os Apóstolos pregaram para as pessoas em muitas línguas. Não há nada no relato de Pentecostes sobre o culto no Templo ou na sinagoga, ou sobre a liturgia eucarística e o Ofício Divino, que se desenvolveram a partir deles e os substituíram. E até onde sei, sempre foi costume pregar em vernáculo nas Missas em latim, salvo em contextos acadêmicos muito especializados. O dom de línguas existe para a evangelização, a apologética e a catequese — não especificamente para o culto litúrgico.

2. O Pentecostes é apresentado na Escritura como uma inversão da torre de Babel. A maldição original do homem ambicioso era dividir a sua prole em mil línguas. Os ricos frutos poéticos da multiplicidade de línguas podem ser considerados bênçãos queridas por Deus, mas a dificuldade e a frequente impossibilidade de um discurso comum entre animais racionais é uma maldição, a qual sempre se renova quando deparamos com uma liturgia celebrada numa língua que nos é estranha, como se nos estivera dizendo: “Isto não é para você; é apenas para eles, para aquele grupo de pessoas”. 

Quando tradições litúrgicas desenvolvem uma linguagem comum de culto público, temos um retorno simbólico à condição anterior à Queda no Jardim do Éden, quando os seres humanos só falavam uma língua. Na liturgia latina, não somos confrontados com uma forma vernacular estranha que nos exclui; pelo contrário, escutamos o som de uma única voz, que pertence à Igreja em oração, acolhendo todas as nações e povos numa única celebração.

Sim, o latim litúrgico é “estranho” no sentido de ser algo que não está à nossa disposição todos os dias; não é algo familiar e fácil, nem está em nosso nível. Ele evoca a transcendência e a majestade de Deus, a universalidade de seu Reino, as antigas profundezas da fé. Mas ao longo do tempo identificamos essa linguagem distante como sinal de honra, enxergâmo-la como promotora da reverência e encontramos nela um convite à oração. Quando mergulhamos numa piscina, tão-logo atingimos a água sabemos — não apenas de modo racional, mas também de modo instintivo — que estamos num novo ambiente e que devemos nadar. O mesmo acontece quando escutamos um canto ou orações recitadas em latim: sabemos que estamos em um novo ambiente e que devemos rezar.

3. O dr. Joseph Shaw mostra que o costume de empregar uma linguagem sagrada tem lastro na própria história da Salvação:

A tradição do canto gregoriano remonta ao Templo em Jerusalém, onde trabalhavam cantores profissionais (cf. 2Cr 5, 15); o uso do latim recorda o uso do hebraico como língua sagrada depois que os judeus passaram a falar aramaico; a ênfase da liturgia tradicional no sacerdote, no altar e no sacrifício está impregnado da atmosfera do antigo culto judaico, algo que às vezes é observado por judeus conversos.

Como eram judeus, eles [Apóstolos] aprenderam a rezar e a cantar os Salmos em hebraico e em sua língua materna. Não há na Escritura nenhuma crítica a línguas sagradas, e as liturgias mais antigas não eram de forma alguma compostas na linguagem comum. Nas regiões em que se falava grego, a Igreja conseguiu empregar o registro sagrado criado pela Septuaginta: uma forma distinta do grego que já tinha dois séculos de existência e era repleta de hebraísmos. A liturgia em latim só surgiu quando traduções latinas da Bíblia criaram algo equivalente. Depois disso, encontramos uma liturgia com um latim sagrado e um vocabulário especializado, repleto de arcaísmos, estrangeirismos e outras particularidades; de modo semelhante, o copta litúrgico é uma língua arcaica enriquecida com termos gregos e escrita em caracteres gregos. Quanto à Igreja eslava e à linguagem do missal glagolítico, suas origens e sua história não são redutíveis à simples ideia da “língua em uso na época” e, em todo o caso, elas rapidamente se tornam línguas litúrgicas para pessoas que não são capazes de compreendê-las. Permanecem, sim, vinculadas culturalmente aos povos a que servem, mas não são facilmente compreensíveis por eles.  

De fato, vemos que toda a igreja cristã antiga desenvolveu línguas e expressões sagradas para o culto: a Igreja Ortodoxa grega ainda usa o grego koiné, os russos usam o eslavo eclesiástico, os etíopes usam o ge’ez, os coptas usam o copta literário etc. Não se trata de um fenômeno ocidental ou romano

4. Nossa língua nativa, ou “língua materna”, vem de nossa própria mãe: a voz dela é a primeira que ouvimos quando estamos em seu ventre, e quando nascemos e somos carregados por ela no colo escutamos a mesma voz. Em certo sentido, somos equipados por natureza com o nosso vernáculo cotidiano por causa de uma imersão sem esforço na cultura familiar. Essa linguagem representa a ordem natural na qual vivemos, nos movemos e temos o nosso ser natural.

Ora, assim como o cristão recebe do exterior o renascimento espiritual do Batismo (pois, como afirma Joseph Ratzinger, “ninguém nasce cristão, nem mesmo tendo nascido num mundo cristão ou de pais cristãos. Só é possível tornar-se cristão por meio de um novo nascimento. A vida cristã começa com o Batismo, que é morte e ressurreição, e não com o nascimento biológico”), assim também a língua sacra com a qual prestamos culto vem do exterior, da Santa Madre Igreja, que nos ensina uma nova língua cristã — uma “língua materna” espiritual — que representa a ordem sobrenatural na qual vivemos, nos movemos e temos o nosso ser sobrenatural. Os católicos do rito latino têm uma língua sacra que recebem “do exterior”, assim como o renascimento batismal.

De algum modo, a liturgia cristã nos diz que, ao entrarmos no templo do Senhor, não falamos meramente com um discurso natural, mas sobrenatural, uma língua de santos, de anjos, de Deus. Obviamente, essa língua não precisa ser o latim — como foi dito acima, muitas línguas sacras são usadas nos ritos tradicionais apostólicos —, mas não deveria ser o vernáculo cotidiano do círculo familiar ou do mercado, ou mesmo a linguagem técnica das disciplinas acadêmicas. Ela deveria ser separada por séculos de uso consagrado ao culto divino; desta forma, ela ajuda os fiéis a deixar de lado as preocupações terrenas e a consagrar partes simbólicas do seu tempo somente a Deus. 

Uma língua litúrgica tradicional é um lembrete de que a nossa adoção sobrenatural como membros da família de Deus é mais fundamental e definitiva do que qualquer família, cidadania, nação ou raça terrena.

5. Acima de tudo, algo que a Igreja Católica no Ocidente tem praticado por mais de 1600 anos — algo que quase todos os nossos santos canonizados praticaram — não pode ser condenado sem que se negue que o Espírito Santo guia a Igreja na direção da plenitude da verdade (cf. Jo 16, 13).

O Espírito Santo, que muniu os Apóstolos de expressão linguística enquanto pregavam para todas as nações, também deu à Igreja ocidental o latim litúrgico como herança transmitida século após século com uma veneração cada vez maior. O que foi estabelecido por escolha foi confirmado pelo costume e preservado pela piedade. As formas de culto se desenvolveram ao longo dos séculos com uma riqueza de conteúdo e estrutura tal, que foi se tornando cada vez mais difícil sua tradução ou adaptação para outro idioma; isso a tornou ainda mais preciosa e digna de cultivo. Contra o panorama de experimentos na vernaculização a partir da metade do século XX — experimentos que mais propriamente poderiam ser chamados de babelização —, um número cada vez maior de pessoas tem percebido que a herança latina continua sendo preciosa e digna de cultivo hoje em dia.

Por fim, os tipos corretos de unidade e diversidade são todos dons do Espírito Santo, cuja vinda singular com plena força sobre a Igreja é celebrada pelo rito romano durante oito dias de alegria e por diversos meses de “domingos após o Pentecostes”. Em meio à diversidade cultural, a Igreja Católica teve a sabedoria de reconhecer o poder espiritual de elementos centrais de unidade que nos mantêm unidos na confissão da verdadeira fé. Só podemos esperar e rezar para que, com o passar do tempo, as lideranças da Igreja recuperem algo do que imprudentemente foi desperdiçado [1].

Notas

  1. Recorde-se, a esse propósito, que a própria constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II, nunca falou em abolir o latim na liturgia. Se os Padres conciliares defenderam, por um lado, que se concedesse à língua vernácula um espaço mais amplo, por outro, também ficou determinado: “Deve conservar-se o uso do latim nos ritos latinos” (n. 36, § 1); e ainda: “Tomem-se providências para que os fiéis possam rezar ou cantar, mesmo em latim, as partes do Ordinário da missa que lhes competem” (n. 54) (Nota da Equipe CNP).

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Os cinco símbolos do Espírito Santo
Espiritualidade

Os cinco símbolos do Espírito Santo

Os cinco símbolos do Espírito Santo

O Espírito Santo é descrito na Bíblia como vento, fogo e água, mas ao mesmo tempo Ele é muito maior do que todas essas coisas. Os símbolos são importantes, no entanto, porque ensinam como a Terceira Pessoa da Trindade age em nossas almas.

Mons. Charles PopeTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere5 de Junho de 2020Tempo de leitura: 11 minutos
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Com a chegada de Pentecostes, queremos considerar hoje alguns dos símbolos bíblicos do Espírito Santo e, com isso, aprender o que Ele realiza em nós. As seguintes descrições não o reduzem, sem mais, a fogo, água ou línguas. Pelo contrário, o Espírito Santo é descrito na Bíblia como se fosse essas coisas e, ao mesmo tempo, como algo maior do que elas. 

1. Vento. — As Escrituras dizem: “Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reu­nidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados” (At 2, 1s). 

Note-se que o texto fala do Espírito Santo “como se soprasse um vento impetuoso”, mas não diz que o Espírito Santo seja um vento impetuoso, já que Ele não pode ser reduzido a objetos físicos, ainda que se possa atribuir-lhe alguma semelhança com eles.

Esse texto nos leva à raiz mesma da palavra “espírito”. O espírito alude ao ato de inspirar ou respirar, como se vê pela etimologia da palavra “respiração”. Por isso, o Espírito de Deus é o sopro ou hálito de Deus, a Ruah Adonai

  • “O Espírito [ruah] de Deus pairava sobre as água” (Gn 1, 2).
  • “O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas o sopro [ruah] da vida e o homem se tornou um ser vivente” (Gn 2, 7).

O próprio Espírito de Deus foi infundido em Adão! Como sabemos, porém, Adão perdeu esse dom e morreu espiritualmente quando pecou. Em consequência, também nós perdemos o Espírito de Deus e morremos espiritualmente. São Paulo diz sem meias palavras que todos estávamos mortos por nossos pecados (cf. Col 2, 13).

Vemos nesse trecho de Atos uma ressurreição maravilhosa da pessoa humana, pois os primeiros cristãos experimentaram o vento impetuoso do Espírito de Deus infundir-lhes novamente a vida espiritual. É como uma “reanimação respiratória”: Deus traz de volta à vida a humanidade morta pelo pecado. O Espírito Santo vem habitar em nós outra vez como em seu templo (cf. 1Cor 3, 16).

Essa imagem do vento impetuoso é um lembrete de que o Espírito Santo nos devolve e sustenta a vida. Se o Natal é a festa de Deus conosco e a Sexta-feira, a de Deus para nós, Pentecostes é a festa de Deus em nós. O Espírito Santo é, pois, como um vento impetuoso, que nos inspira outra vez a vida divina.

2. Fogo. — As Escrituras continuam: “Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo, que se repartiram e pousaram sobre cada um deles” (At 2, 3).

A Bíblia costuma falar de Deus como um fogo ou em termos parecidos:

  • Moisés viu a Deus na sarça ardente. Deus tirou seu povo do Egito através do deserto entre colunas de fogo. Moisés foi ao topo fulgurante do Monte Sinai, onde Deus se encontrava.
  • “O Senhor reina! Que a terra exulte de alegria, que se rejubile a multidão das ilhas. Está envolvido em escura nuvem, seu trono tem por fundamento a justiça e o direito. Ele é precedido por um fogo que devora em redor os inimigos. Seus relâmpagos iluminam o mundo, a terra estremece ao vê-los. Na presença do Senhor, fundem-se as montanhas como a cera, em presença do Senhor de toda a terra. Os céus anunciam a sua justiça e todos os povos contemplam a sua glória” (Sl 96 [97], 1-6).
  • As Escrituras chamam a Deus “fogo santo”, “fogo que consome” (cf. Hb 12, 29) e “fogo purificador” (cf. Is 48, 10; Zc 13, 9; Ml 3, 3).

Portanto, o nosso Deus, que é um fogo sagrado, vem habitar em nós por meio do seu Espírito Santo. Como fogo santo, Ele nos acrisola ao queimar nossos pecados e purificar-nos. Como disse Jó: “Ele conhece o meu caminho; se me põe à prova, dela sairei puro como o ouro” ( 23, 10).

O fogo transforma tudo o que encontra. Nada passa incólume por ele: pode ser consumido, convertido, purificado, aquecido, derretido ou endurecido; nada, porém, passa incólume pelo fogo.

Por isso, Deus Espírito Santo está em nós como um fogo sagrado, mudando-nos e transformando-nos, queimando os nossos pecados, purificando-nos e iluminando-nos, ateando em nós a chama do amor divino e, desta forma, elevando-nos à temperatura da glória de Deus. Ele é como um fogo que dá luz e calor em nossos momentos mais frios e sombrios. Pouco a pouco, vamos nos tornando uma fornalha ardente de caridade, capaz de transmitir calor aos que estão ao nosso redor.

Como fogo, Deus também nos está preparando para o Juízo. Se Ele, afinal, é fogo sagrado, quem poderá subsistir quando chegar o seu dia? Quem pode suportar a presença do próprio Fogo em si? Somente o que também é fogo. É por isso que nos devemos abrasar de amor divino.

Em outras palavras, com o envio do Espírito Santo, Deus nos ateia fogo para nos converter em fogo. Com isso, Ele nos purifica e prepara para nos encontrarmos consigo um dia, para conhecermos Aquele que é fogo sagrado.

3. Línguas. — Ele também é descrito como línguas de fogo, o que nos ensina que um dos principais frutos do Espírito é ajudar-nos a dar testemunho às outras outras. Mas o que significa testemunhar? É falar do que se viu, ouviu e experimentou.

A respeito da necessidade de dar testemunho, disse Nosso Senhor:

  • “Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo” (At 1, 18).
  • “Vós sois as testemunhas de tudo isso. Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto” (Lc 24, 48s).
  • “Quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim. Também vós dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio” (Jo 15, 26s).

O Espírito vem em forma de línguas a fim de nos fortalecer para a nossa missão, para o nosso testemunho. E como é necessário esse testemunho nos dias de hoje! O mal tem triunfado porque os bons se mantêm em silêncio; os púlpitos estão mudos; os pais foram calados. As línguas de fogo nos recordam que Deus quer santos fortes e animados, que têm coragem de dar testemunho em um mundo cético, mentiroso e zombeteiro.

Muitos mártires morreram valorosamente no decorrer da história, e no entanto muitos hoje têm medo só de pensar que alguém os olhará torto… Peçamos línguas corajosas e coragem para usar a língua!

4. Água. — É uma imagem que Jesus utiliza com frequência para falar do Espírito Santo. No último dia da grande festa dos Tabernáculos, Jesus se pôs de pé e disse em alto e bom som: “‘Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva’. Dizia isso, referindo-se ao Espírito que haviam de receber os que cressem nele, pois ainda não fora dado o Espírito, visto que Jesus ainda não tinha sido glorificado” (Jo 7, 37ss).

No Evangelho segundo S. João, o dom do Espírito Santo é descrito em termos bastante vivos, no momento da crucificação:

“Havendo Jesus tomado do vinagre, disse: ‘Tudo está consumado’. Inclinou a cabeça e entregou o espírito. Os judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque já era a Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com ele foram crucificados. Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água. O que foi testemunha desse fato o atesta (e o seu testemunho é digno de fé, e ele sabe que diz a verdade), a fim de que vós creiais” (Jo 18, 30-35).

Nessa água que jorra do peito de Cristo, o Espírito Santo aparece como numa espécie de “Pentecostes joanino”. De fato, é um jogo de palavras característico de S. João o uso de “entregar o espírito”, que pode significar tanto que Jesus morreu como que nos deu o seu Espírito Santo. 

Os Padres da Igreja também veem na água um símbolo adequado do Espírito:

  • Santo Irineu diz: “Assim como a farinha seca não pode aglutinar-se em uma só massa de pão sem mistura de água, tampouco nós, sendo muitos, podemos ser um só em Jesus Cristo sem a água que desce dos céus. E assim como a terra seca não dá fruto sem água, tampouco nós, que éramos como uma figueira ressequida, poderíamos viver e frutificar sem essa abundante torrente do alto […]. Se não quisermos, pois, ser queimados como palha estéril, precisamos do orvalho de Deus” (Adversus haereses III 17, 1-3).
  • São Cirilo de Jerusalém diz: “Por que chama Cristo água à graça do Espírito Santo? Porque todas as coisas dependem da água, como as plantas e os animais. A água desce dos céus como chuva e, embora seja sempre a mesma, produz diferentes efeitos: um na palma, outro na vinha, e assim em toda a criação. Ela não desce ora como uma coisa, ora como outra, senão que, permanecendo essencialmente a mesma, se adapta às necessidades de cada criatura que a recebe. Do mesmo modo, o Espírito Santo, cuja natureza é sempre a mesma, simples e indivisível, reparte entre os homens a graça como bem entende. Como uma árvore seca dá brotos quando regada, a alma dá o fruto da santidade quando a penitência a fez digna de receber o Espírito Santo. Ainda que o Espírito não sofra mudanças, os efeitos de sua ação, por vontade de Deus e em nome de Cristo, são vários e admiráveis. A um faz ser doutor da verdade divina, a outro inspira o dom da profecia, a este dá o poder de expulsar demônios, àquele o de interpretar as Escrituras; em um fortalece o domínio de si, a outro indicia como socorrer ao pobre, àquele ensina a jejuar e a mortificar-se, a esse torna insensível às necessidade do corpo, a outro prepara para o martírio. A ação do Espírito é distinta em distintas pessoas, embora o Espírito seja, em si, sempre o mesmo. Em cada homem, dizem as Escrituras, revela o Espírito sua presença de um modo particular em ordem ao bem comum” (Cat. 16, De Spiritu Sancto I, 11-12.16: PG 33, 931-935. 939-942).

A água, por conseguinte, é outro símbolo fundamental do Espírito Santo, na medida em que todas as coisas dependem da água para manter-se vivas e fazer uso de suas próprias capacidades. Não tenho como falar com maior profundidade que a desses dois santos e Padres. Bastem-nos as palavras deles.

5. Pomba. — Sabemos que o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma de pomba. As Escrituras dizem: “O Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba; e veio do céu uma voz: ‘Tu és o meu Filho bem-amado; em ti ponho minha afeição’” (Lc 3, 22). 

Note-se, mais uma vez, o uso de um símile e analogia. O Espírito Santo não é um pássaro nem em um corpo de qualquer tipo; Ele é visto em forma corpórea como se fosse uma pomba. O Espírito Santo é Deus, é a Terceira Pessoa da SS. Trindade, e não um objeto físico

A imagem do Espírito Santo como uma pomba faz alusão à história de Noé. 

“No fim de quarenta dias, abriu Noé a janela que tinha feito na arca e deixou sair um corvo, o qual, saindo, voava de um lado para outro, até que aparecesse a terra seca. Soltou também uma pomba, para ver se as águas teriam já diminuído na face da terra. A pomba, porém, não encon­trando onde pousar, voltou para junto dele na arca, porque havia ainda água na face da terra. Noé esten­deu a mão, e tendo-a tomado, recolheu-a na arca. Esperou mais sete dias, e soltou de novo a pomba fora da arca. E eis que pela tarde ela voltou, trazendo no bico uma folha verde de oliveira. Assim Noé compreendeu que as águas tinham baixado sobre a terra” (Gn 8, 6-11).

A pomba foi para Noé um anúncio de que a destruição e a morte causadas pelo pecado tinham finalmente chegado ao fim. Ela trouxe a ele um sinal de paz e de que fora cumprida a promessa de Deus de purificar a terra. Noé, tendo sobrevivido ao dilúvio na segurança da arca de Deus, poderia andar em um mundo novo.

Assim também acontece conosco. O Espírito é paz: shalom. O longo reinado do pecado acabou, e a graça está agora ao alcance de todos. Nós, tendo passado pelas águas do Batismo, podemos viver uma vida nova. O Espírito Santo desce sobre nós como uma pomba, trazendo paz, esperança e todos os dons da graça.

Aqui temos cinco símbolos que nos podem ajudar a refletir sobre a ação do Espírito Santo em nós. Com certeza, há outros símbolos e maneiras de descrever a obra do Espírito Santo, mas estes cinco nos falam bem ao coração.

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As Têmporas de Pentecostes
Liturgia

As Têmporas de Pentecostes

As Têmporas de Pentecostes

As Têmporas de inverno têm uma característica especial: são três dias de penitência dentro da Oitava de Pentecostes. Os católicos são chamados a jejuar e abster-se de carne ao mesmo tempo que adoram, em festa, o divino Espírito Santo.

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Junho de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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Toda mudança de estação é uma oportunidade para reavivar o costume das Quatro Têmporas

Como já explicamos com mais detalhes noutra oportunidade, as Têmporas são celebrações litúrgicas instituídas para santificar o ano civil e dar graças a Deus pelos frutos da terra. Antes da reforma de Paulo VI, elas eram tempos especiais de vigília e oração, durante os quais novos sacerdotes eram dados à Igreja e o jejum e a abstinência de carne eram obrigatórios.

As Têmporas, normalmente, pedem o roxo na liturgia, mas não as de Pentecostes.

Dizemos que era assim antes de 1970 não porque as Têmporas tenham sido abolidas de fato. Hoje, está sob o encargo das conferências episcopais e das dioceses determinar o tempo e o modo de celebração delas. Como isso não aconteceu em lugar nenhum, no entanto, e a própria Igreja arrancou as Têmporas do calendário litúrgico, desobrigando os católicos de jejuar nesses dias, o resultado prático não foi muito diferente de uma extinção.

Por ser um costume que incutia nos fiéis a necessidade premente da mortificação e praticamente formava a identidade da religião católica, só podemos lamentar que tenha se perdido. Mas o momento é mais do que oportuno para resgatar tradições como essa em família. Com as igrejas fechadas e as Missas suspensas em muitas dioceses, os lares católicos, que já deveriam ser, naturalmente, o primeiro lugar em que as pessoas são educadas sobre a própria fé, tornaram-se praticamente o único refúgio da Igreja nesses tempos de pandemia.

As Têmporas de outono-inverno (no hemisfério sul), por sua vez, têm uma característica toda especial. Embora a mudança de estação só aconteça no dia 21 de junho, a Igreja havia determinado há muito tempo que elas fossem celebradas sempre na quarta, sexta-feira e sábado da semana seguinte a Pentecostes. Considerando que no calendário antigo essa solenidade tinha uma Oitava própria (outra perda que só nos resta lamentar), os fiéis encontravam-se na inusitada situação de fazer penitência em meio a uma verdadeira festa: de fato, na liturgia os sacerdotes tinham de usar paramentos vermelhos (e não o roxo típico das celebrações penitenciais), entoar o Glória, a sequência Veni Creator e o Credo. 

Tratava-se de uma situação litúrgica atípica, sim, mas que nos deveria fazer pensar. O escritor medieval Sicardo de Cremona († 1215), comentando a respeito dessa estranha junção de um jejum e uma festa, dizia:

Presta atenção em que o jejum de hoje das Quatro Têmporas não derroga a solenidade do Espírito Santo, senão que a ilumina; porque os deleites do Espírito Santo trazem consigo o desgosto pelos prazeres carnais, e porque, tirado dos Apóstolos o Esposo, eles deviam jejuar, como o Senhor havia predito (cf. Mt 9, 15). Assim, repletos do Espírito Santo, eles começaram a jejuar espontaneamente (Mitrale, VII, 11: PL 213, 383).

“Os deleites do Espírito Santo trazem consigo o desgosto pelos prazeres carnais”, isto é, quando estamos na graça de Deus e passamos a saborear as coisas espirituais, ao mesmo tempo é necessário que, num verdadeiro exercício da virtude da penitência, desprezemos as coisas da carne.

De fato, nós tendemos a esquecer isso, mas há uma penitência escondida na verdadeira alegria cristã e, ao mesmo tempo, uma alegria escondida no coração de quem faz penitência! Nesta vida, não podemos separar completamente as duas realidades, pois quem ama a Deus deve necessariamente aborrecer o pecado e lutar contra ele. Isso coloca-nos em situação permanente de vigilância: ao me alegrar por alguma coisa — por uma solenidade litúrgica, por exemplo —, não posso esquecer da tristeza que ronda todos os que perdem a Deus, e que esse risco é muito real e próximo de mim. Não está escrito, afinal, que “o vosso adversário, o diabo, rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar” (1Pd 5, 8)? E porventura diz a glosa ou algum outro versículo que os demônios tiram folga em dias de festa? Não é mais lógico pensar, ao contrário, que o que eles querem é justamente se aproveitar de qualquer desleixo de nossa parte para nos atacar com ainda mais força? 

Essa meditação deveria ser suficiente para derrubar qualquer objeção à penitência em dias de alegria, sejam eles a Oitava de Pentecostes ou própria Páscoa que os católicos vivemos todas as semanas, nos domingos. 

À luz da solenidade de Pentecostes, vale a pena ainda insistir um pouco mais nessa oposição entre carne e espírito, tão falada pelo Novo Testamento. Precisamos tomar consciência da guerra que se trava todos os dias dentro de nós, e na qual está em jogo a própria permanência do Espírito Santo em nossas almas. Santo Tomás de Aquino lembra que para vencer a concupiscência importa “trabalhar muito”, já que estamos falando de um “inimigo familiar, que está dentro de nós”, e acrescenta:

Ora, se dois inimigos estivessem em batalha e tu quisesses ajudar um deles, a um terias de prestar auxílio e a outro não. Pois bem, há entre o espírito e carne uma luta constante (praelium continuum). Por isso, é necessário, se desejas que o espírito saia vencedor, que lhe prestes auxílio, e isto se faz pela oração; à carne, porém, o tens de negar, e isto se faz pelo jejum, pois é pelo jejum que se enfraquece a carne (De decem praeceptis, XI).

Unamos, portanto, a nossas súplicas ao divino Espírito Santo, o jejum e a abstinência de carne nesses dias de Têmporas. 

E não nos esqueçamos de os oferecer não só por nossa própria causa, mas também pelo aumento e santificação do clero no mundo inteiro. Era costume da Igreja, nesses três dias, proceder à ordenação de novos sacerdotes, e todo o povo fiel se unia em oração por eles. No escondimento de nossas casas, transformemos esse antigo e piedoso hábito em devoção privada, rezando em família a Ladainha de todos os santos, a Passio Domini ou uma outra oração qualquer pelos sacerdotes.

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Vivamos a Oitava de Pentecostes!
Liturgia

Vivamos a Oitava de Pentecostes!

Vivamos a Oitava de Pentecostes!

Em 1970, ao ver abolida a Oitava de Pentecostes, o próprio Papa Paulo VI teria chorado… Verídica ou não a história, este pode ser um bom ano para intensificarmos essa Oitava como prática devocional, apesar de sua supressão litúrgica.

Pe. Raymond J. de SouzaTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Junho de 2020Tempo de leitura: 5 minutos
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Há cinquenta anos, o Papa São Paulo VI chorou. Assim diz a tão difundida — mas não confirmada — história sobre o dia em que o Papa Paulo VI foi até a sua capela privada para celebrar a Santa Missa na segunda-feira depois do Pentecostes. Ele ficou surpreso ao ver que estavam separados para ele os paramentos verdes para o Tempo Comum, em vez dos vermelhos usados na Oitava de Pentecostes.

O Papa ficou assustado, e o cerimoniário de plantão relatou que a Oitava havia sido abolida. Desconcertado, o Pontífice quis saber quem havia feito aquilo.

“O senhor, Santidade”, respondeu o cerimoniário. E o Santo Padre chorou.

Giovanni Battista Montini, o Papa Paulo VI, governou a Igreja de 1963 a 1978.

Independentemente da veracidade dessa história, a perda da Oitava de Pentecostes é motivo de tristeza. Depois de cinquenta anos, as lágrimas têm pouca serventia. É melhor compreender por que ela é importante e o que pode ser feito a esse respeito.

A oração pública da Igreja tem aspectos litúrgicos e devocionais. Algumas partes da Tradição são uma combinação de ambos — como a “primeira novena” entre a Quinta-feira da Ascensão e o Domingo de Pentecostes ou, mais recentemente, a novena da Divina Misericórdia, que começa na Sexta-feira da Paixão e continua ao longo da Oitava de Páscoa.

Este pode ser um bom ano para intensificarmos a prática devocional da Oitava de Pentecostes, apesar de sua supressão litúrgica em 1970. Nos últimos anos, tem crescido o interesse por ela, uma consequência positiva do “enriquecimento mútuo” desejado por Bento XVI entre as formas ordinária e extraordinária do Rito Romano. Neste ano em que a vida devocional substituiu em grande medida a vida litúrgica, seria muito conveniente observar a Oitava de Pentecostes com orações diárias e devoções ao Espírito Santo

As Oitavas são muito respeitadas na Tradição da Igreja. Elas ampliam uma festa importante para uma semana inteira (oito dias, pois a própria festa conta como o primeiro dia) e muitas a coroam com outra festa no oitavo dia, também chamada de “oitava”.

O Natal possui uma Oitava, que começa no dia 25 de dezembro e termina em 1.º de janeiro. O oitavo dia é marcado por outra festa, outrora a do Santo Nome de Jesus e hoje a Solenidade de Maria, Mãe de Deus. A maternidade divina de Maria é uma oitava apropriada para o Natal. 

A Oitava de Páscoa é tão importante que não são permitidas outras festas dentro dela, e seu oitavo dia é outro domingo, atualmente o Domingo da Divina Misericórdia.

Com o passar dos anos, outras festas foram elevadas à condição de oitava. Por exemplo, os católicos ingleses podem se perguntar por que São Thomas More, escrevendo para a sua filha Meg na véspera de sua execução, refere-se àquele dia como a “vigília de Pedro”. Ele foi executado em 6 de julho de 1535, oitavo dia da Solenidade de São Pedro e São Paulo, que então era considerada uma extensão daquela solene festa apostólica. 

Por volta da década de 1950, o calendário litúrgico tinha dezoito (!) Oitavas, e era urgente fazer uma poda. Porém, a árvore mal sobreviveu, já que o Venerável Papa Pio XII suprimiu todas elas, exceto a do Natal, a da Páscoa e a de Pentecostes, que sobreviveu por mais quinze anos.   

Ainda há sinais de Oitavas no calendário revisado. O oitavo dia da Solenidade da Assunção (15 de agosto) é a festa de Maria Rainha (22 de agosto): o quarto e o quinto mistérios gloriosos do Rosário claramente fazem parte de uma mesma realidade. É possível até identificar Oitavas ocultas, como a que existe entre Santa Maria Madalena (22 de julho) e Santa Marta (29 de julho), que provavelmente surgiu da tradição (não inconteste) de que Maria Madalena era irmã de Marta.  

Há resquícios da Oitava de Pentecostes, cujas orações no Ofício Divino São John Henry Newman considerava as mais “grandiosas” de todo o ano. O ponto culminante da Oitava suprimida ainda é o Domingo da Santíssima Trindade. O Espírito Santo nos dá a capacidade de professar que Jesus é o Senhor (cf. 1Cor 12, 3) e de clamar “Aba! Pai!” (Rm 8, 15; Gl 4, 6). Portanto, é apropriado que a Solenidade da Santíssima Trindade suceda a descida do Espírito Santo.

Resta ainda uma curiosa anotação no Missal Romano que diz o seguinte: nos lugares em que “é costume ou obrigação dos fiéis” assistir à Missa na “segunda ou mesmo na terça” depois de Pentecostes, os textos da Missa do Domingo de Pentecostes podem ser repetidos. Trata-se de uma referência à Baviera e à Áustria, onde esses dias já foram feriados civis. Na Inglaterra, era a Segunda-feira de Pentecostes, um eco da Oitava de Páscoa, particularmente da Segunda-feira de Páscoa.

Em 2018, o Papa Francisco determinou a obrigatoriedade de uma nova festa na segunda-feira depois de Pentecostes: Maria, Mãe da Igreja. Alguns alegaram que isso tornou impraticável qualquer vestígio da Oitava de Pentecostes, pois foi removida a opção de repetir a Missa de Pentecostes naquele dia ou até a de celebrar uma Missa votiva do Espírito Santo. Trata-se de uma objeção fraca, pois “Mãe da Igreja” é um título mariano inextricavelmente ligado à vinda do Espírito Santo. É Ele quem cobre Maria na Anunciação em Nazaré, e ela está mais uma vez presente em Pentecostes, quando o Espírito desce sobre a Igreja nascente. 

Em vez disso, pode-se dizer que, com o próprio Pentecostes, a nova festa mariana, o Domingo da Trindade e a sua vigília, quatro dos oito dias da Oitava já estão cobertos. Missas votivas do Espírito Santo poderão preencher o restante, se não forem impedidas por uma festa obrigatória.

Mas isso só se aplica às orações que o sacerdote usa na Santa Missa. Há plena liberdade para orações devocionais feitas em privado ou com familiares e amigos. Ladainhas do Espírito Santo, atos de consagração ao Espírito Santo, imagens do Espírito Santo para adornar o lar, o canto do Veni, Creator Spiritus e do Veni, Sancte Spiritus — podemos fazer tudo isso para vivenciar a Oitava de Pentecostes.

Esta época de pandemia, em que a oração nos lares se tornou mais regular e mais criativa, é um período ideal para fazermos exatamente isto — a novidade pode ser usada para se recuperar uma tradição antiga. — Vinde, Espírito Santo!

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