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Cardeal Mauro Piacenza fala sobre os 50 anos do Concílio Vaticano II
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Cardeal Mauro Piacenza fala sobre
os 50 anos do Concílio Vaticano II

Cardeal Mauro Piacenza fala sobre os 50 anos do Concílio Vaticano II

"Se todos tivéssemos a boa vontade de tomar em mãos os textos do Concílio, naquilo que realmente disseram, descobriríamos como o Concílio Vaticano II foi realmente profético."

Antonio Gaspari16 de Outubro de 2012
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Publicamos a seguir entrevista exclusiva concedida à ZENIT pelo Cardeal Mauro Piacenza, Prefeito da Congregação para o Clero, em vista do 50° aniversário da abertura do Concílio Vaticano II.

Roma, segunda-feira, 08 de outubro de 2012

ZENIT: Eminência, com esta entrevista, a Zenit pretende inaugurar uma série de contribuições para o Ano da Fé, tendo em vista o Concílio Vaticano II, em ocasião do seu 50º aniversário. Por que tanto debate sobre este evento eclesial?

Card.Piacenza: O debate é sempre positivo, porque é um sinal de vitalidade e vontade de aprofundar; e se o tema do debate não é exclusivamente humano, mas um Concílio Ecumênico, ou seja, um evento humano e sobrenatural, pois é o Espírito Santo que conduz a Igreja à progressiva e plena compreensão da única Verdade revelada, então não surpreende que a compreensão dos ditames conciliares requeira décadas de discussões – e até mesmo de debates – sempre no sulco da escuta daquilo que o Espírito Santo quis dizer à Igreja naquele extraordinário momento.

ZENIT: Qual deveria ser um justo posicionamento diante do Concílio?

Card.Piacenza: Aquele de escuta! O Concílio Ecumênico Vaticano II foi o primeiro Concílio da “mídia”, cujas dinâmicas fisiológicas de confronto e respectivos textos foram imediatamente divulgados pelos meios de comunicação, que não captaram sempre a sua verdadeira expressão e, com frequência, orientaram para uma compreensão mundanizante. Creio que seja particularmente interessante – e, talvez, necessário – retomar, ou melhor, buscar uma autêntica escuta daquilo que o Espírito Santo quis dizer à toda a Igreja através dos Padres conciliares. Tal dinâmica de aprofundamento, este “justo posicionamento” realiza-se através da leitura direta dos textos. É a partir desta leitura que se pode inferir o autêntico espírito do Concílio, a sua exata localização dentro da história eclesial e a gênese editorial.

ZENIT: Algumas escolhas, também do Magistério, às vezes parecem que vão “contra” o Concílio.

Card.Piacenza: Basta considerar os pronunciamentos do Magistério autêntico pós-Conciliar, em sua dimensão universal, para constatar que isto não ocorreu. Entretanto, outra questão é favorecer uma correta recepção das decisões conciliares, esclarecer o significado de determinadas afirmações e, às vezes, corrigir devidamente interpretações unilaterais, ou até mesmo erradas, artificialmente introduzidas por quem lê os eventos pneumáticos eclesiais com lentes exclusivamente humanas e historicistas. O serviço eclesial do Magistério, que tem suas próprias raízes na explícita Vontade divina, prepara os Concílios Ecumênicos, neles atua com sua máxima expressão e, nas intervenções sucessivas, a eles obedecem, favorecendo uma correta recepção.

ZENIT: O que realmente significa a “hermenêutica da continuidade” de que fala o Santo Padre?

Card.Piacenza: Segundo aquilo que foi explicitamente indicado pelo Santo Padre, é o único modo de ler e de interpretar todo Concílio Ecumênico e, portanto, também o Concílio Vaticano II. A continuidade do único Corpo eclesial, antes de ser um critério hermenêutico, ou seja, de interpretação dos textos, é uma realidade teológica que tem suas raízes no ato de fé que nos faz professar: “Creio na Igreja Una”. Por esta razão não é possível pensar numa espécie de dicotomia entre o pré e o pós Concílio Vaticano II. Certamente deve ser reprovado o posicionamento de quem vê no Concílio Ecumênico Vaticano II um “novo início” da Igreja e também daqueles que vêem a “verdadeira Igreja” somente antes deste Concílio histórico. Ninguém pode, arbitrariamente, decidir se e quando inicia a “verdadeira Igreja”. Nascida do costado de Cristo e corroborada pela efusão do Espírito em Pentecostes, a Igreja é Una e Única, até a consumação da história, e a comunhão que nela se realiza é para a eternidade. Alguns sustentam que a hermenêutica da reforma na continuidade seja somente uma das possíveis hermenêuticas, juntamente com aquela da descontinuidade e da ruptura. O Santo Padre recentemente definiu como inaceitável a hermenêutica da descontinuidade (Audiência à Assembléia Geral da Conferência Episcopal Italiana, 24 de maio de 2012). Além disso, trata-se de algo óbvio, caso contrário não se seria católico e se injetaria como que um germe de infecção e de uma progressiva decadência; se provocaria, igualmente, um grave dano ao ecumenismo.

ZENIT: Mas é possível que seja tão difícil compreender esta realidade?

Card.Piacenza: Sabes melhor do que eu como a compreensão, também de realidades evidentes, pode ser condicionada por aspectos emotivos, biográficos, culturais e, até mesmo, ideológicos. É humanamente compreensível que quem viveu durante sua juventude, o legítimo entusiasmo que gerou o Concílio, desejoso de superar certas “obstruções” – que deveriam necessária e urgentemente serem tiradas da Igreja – possa interpretar como perigo de “traição” do Concílio toda expressão que não coadune com o mesmo “estado emotivo”. É necessário, para todos, um salto radical de qualidade na aproximação dos textos conciliares, para que se compreenda, depois de meio século daquele evento extraordinário, o que realmente o Espírito Santo sugeriu e sugere à Igreja. Cristalizar o Concílio na sua necessária, mas insuficiente, “dimensão entusiástica” equivale a não desenvolver um bom serviço ao trabalho de recepção do Concílio, que permanece quase paralisada, pois com o passar dos anos pode-se afrontar e se podem compartilhar avaliações sobre os textos objetivos, mas não sobre os estados emotivos e sobre os entusiasmos historicamente assinalados.

ZENIT: Sabe-se que Vossa Eminência sempre falou com grande entusiasmo do Concílio Vaticano II. O que ele representou para Vossa Eminência?

Card.Piacenza: Como não se entusiasmar com um evento tão extraordinário como um Concílio Ecumênico! Nele, a Igreja refulge em toda a sua beleza: Pedro e todos os Bispos em comunhão com ele, colocam-se em atitude de escuta do Espírito Santo, daquilo que Deus tem a dizer à Sua Esposa, procurando explicitar – segundo os auspícios do Beato João XXIII – no hoje da história, as imutáveis verdades reveladas e lendo os sinais de Deus nos sinais dos tempos, e os sinais dos tempos à luz de Deus! Dizia o mesmo Pontífice na solene alocução de abertura do Concílio, no dia 11 de outubro de 1962: “Transmitir pura e íntegra a doutrina, sem atenuações nem subterfúgios [...] esta doutrina certa e imutável, que deve ser fielmente respeitada, seja aprofundada e exposta de forma a responder às exigências do nosso tempo”. Nos anos do Concílio eu era um jovem estudante, depois, seminarista e o meu ministério sacerdotal, desde os primeiros passos desenvolveu-se à luz do Concílio e das suas reformas. De fato, fui ordenado sacerdote em 1969. Não posso negar que sou filho do Concílio que, também graças aos meus mestres, procurei acolher, desde o início, as indicações conciliares segundo a hermenêutica da unidade e continuidade. Esta reforma na continuidade pessoalmente sempre a senti, vivi e, também como docente, ensinei.

ZENIT: Como Prefeito da Congregação para o Clero, acredita que os Sacerdotes receberam bem o Concílio?

Card.Piacenza: Certamente, como porção eleita do Povo de Deus, os sacerdotes são aqueles que, na Igreja, melhor conhecem e mais aprofundaram os ensinamentos conciliares. Entretanto, parece-me que não faltaram as mesmas problemáticas que antes evidenciei, seja em relação à uma justa hermenêutica da reforma na continuidade, seja no que diz respeito à devida aproximação não predominantemente emotiva ao evento conciliar. Se, neste Ano da Fé, todos tivéssemos a humildade e a boa vontade de tomar em mãos os textos do Concílio, naquilo que realmente disseram e não na “vulgata”, que teve uma certa propagação, descobriríamos como o Concílio Vaticano II foi realmente profético e muitas das suas indicações estejam ainda diante de nós, como um horizonte a ser contemplado e uma meta a ser alcançada, com a ajuda da Graça. Certamente, para que tal obra se realize, é necessária uma grande dose de humildade e uma certa capacidade de superação de um juízo pré-constituído, para que se possa acolher de novo uma verdade que, por muito tempo, foi concebida de modo diverso.

ZENIT: Sobre quais pontos poder-se-ia focalizar a recepção dos documentos conciliares?

Card.Piacenza: Evidenciaria um ponto de particular tensão, que representa a reforma litúrgica, mesmo porque constitui o elemento de maior visibilidade da Igreja. O Servo de Deus Paulo VI, o Beato João Paulo II e o Santo Padre Bento XVI, em vários momentos sublinharam a importância da liturgia como lugar no qual se realiza plenamente o ser da Igreja. Mas, infelizmente, como se pode notar em vários casos, ainda estamos longe de um equilíbrio mútuo a este respeito. Certamente, uma liturgia dessacralizada ou reduzida à “representação humana”, em que se desvanece até ao ponto de perder a dimensão cristológica e teológica, não é aquilo que a letra e o espírito da Sacrosantum Concilium desejava. Entretanto, isto não justifica o posicionamento daqueles que, adotando a hermenêutica da descontinuidade, recusam a reforma conciliar, considerando-a como uma “traição” da “verdadeira Igreja”.

ZENIT: Existem inovações mais importantes que as litúrgicas?

Card.Piacenza: Vista a centralidade da Liturgia, “fonte e centro” da vida da Igreja (cf. SC,10), não falaria de maior importância. Certamente o Concílio procurou valorizar as verdades evangélicas, que hoje representam um patrimônio comum da catolicidade. Em tal sentido, bastaria pensar a feliz evidência que se dá à vocação universal à santidade de todos os batizados, que favoreceu o nascimento e o desenvolvimento de tantas novas experiências. Além disto, é preciso recordar a abertura em relação aos cristãos de outras confissões, que fez emergir o valor da unidade, com toda a sua beleza, como um necessário atributo da Igreja e como um dom gratuitamente oferecido por Cristo. Este dom deve ser acolhido sempre, através de uma purificação contínua dos que a Ele pertencem. A importância da colegialidade episcopal, que está entre as expressões mais eficazes da comunhão eclesial e mostra ao mundo como a Igreja é necessariamente um corpo unido. A compreensão orgânica do Ministério Ordenado, a serviço do sacerdócio batismal, que concebe presbíteros e diáconos intimamente unidos ao próprio Bispo, como expressão de uma comunhão sacramental no serviço à Igreja e aos homens, representou um objetivo e feliz desenvolvimento da compreensão da face da Igreja tal como Nosso Senhor quis delinear.

ZENIT: Eminência, neste momento a Igreja dedica-se ao Sínodo sobre a nova Evangelização e o Ano da Fé. Se tivesse que dizer uma palavra sintética aos sacerdotes, o que diria?

Card. Piacenza: À luz da fé: Sacerdote, torne-se a cada dia aquilo que és!

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Nossa Senhora do Rosário
EspiritualidadeTradição

Nossa Senhora do Rosário

Nossa Senhora do Rosário

Um exército com o Rosário nas mãos!

Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Outubro de 2012
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Pode parecer uma das armas mais inadequadas porém, para o católico que crê na intervenção do sobrenatural, o Rosário já se demonstrou historicamente como uma arma de eficácia extraordinária.

É o que nos recorda o Santo Padre o Papa Leão XIII na encíclica Supremi Apostolatus Officio (01/09/1883). Seja contra a heresia, seja contra as armadas inimigas, Nossa Senhora do Rosário demonstrou-se grande Auxiliadora dos Cristãos e a Mãe que conduz seus filhos à Vitória.

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Jesus está no chão
TradiçãoIgreja Católica

Jesus está no chão

Jesus está no chão

Apresentamos este comovente vídeo como ilustração das partículas que realmente caem no chão ou ficam nas mãos do comungante que assim as recebe.

Equipe Christo Nihil Praeponere28 de Setembro de 2012
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Apresentamos este comovente vídeo como ilustração das partículas que realmente caem no chão ou ficam nas mãos do comungante que assim as recebe.

O conselho é claro: Receba a comunhão da boca, com o uso da patena, que foi criada justamente para esta finalidade. Caso você opte por comungar na mão ou não possa comungar na boca, ao menos verifique suas mãos.

O Diretório Litúrgico publicado pela CNBB recorda o seguinte a respeito da Comunhão recebida na mão:

13.7 Comunhão na mão No dia 03 de abril de 1995, a Congregação do Culto Divino enviou notificação sobre a Comunhão na mão (Prot. n. 720/85):

1) Comunhão na mão deve se manifestar, tanta como com a comunhão na boca, o respeito pela presença real de Cristo na Eucaristia.
2) De acordo com os ensinamentos dos Santos Padres, insista-se no “Amém" que o fiel pronuncia como resposta à fórmula do ministro: “O Corpo de Cristo", O amém deve ser uma afirmação de fé.
3) O fiel que receber a comunhão leva-a à boca, ficando com a rosto voltado para o altar, antes de regressar ao seu lugar.
4) É da Igreja que o fiel recebe a Eucaristia, por isso deverá recebê-la sempre do ministro que distribui a comunhão e não se servir a si mesmo.
5) Recomenda-se a todos, em particular às crianças, a limpeza das mãos, como sinal de respeito para com a Eucaristia.
6) Recomenda-se vigiar para que pequenos fragmentos do pão eucarística não se percam. 7) Jamais se obrigará algum fiel a adotar a prática da comunhão na mão. Deixar-se-á a liberdade de receber a comunhão na mão ou na boca, em pé ou de joelhos.

Referências

  • Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Diretório da Liturgia e da Organização da Igreja no Brasil 2012. Brasília, 2011, pg. 31-32.

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Padre Bux: “Se queremos salvar almas, voltemo-nos para o catecismo”
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Padre Bux: “Se queremos salvar
almas, voltemo-nos para o catecismo”

Padre Bux: “Se queremos salvar almas, voltemo-nos para o catecismo”

Quem quer combater a secularização que incentivou o analfabetismo religioso, precisa se adequar a Jesus, que disse: “Minha doutrina não é minha, mas sim d’Aquele que me enviou.”

Papa RatzingerTradução: William Botazzini28 de Setembro de 2012
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O Papa durante sua viagem apostólica até a França (12 – 15 de novembro de 2008) fez notar que, para muitos, Deus se converteu no “grande Desconhecido”.

Uma afirmação ditada pela preocupação – que Bento XVI repete insistentemente – pelo futuro da fé, que parece apagar-se em amplas regiões da Terra. Há pouco mais de um mês, na ocasião da Quinta-Feira Santa, denunciou como estamos diante de um renovado analfabetismo religioso. Mas infelizmente este “acreditar do meu jeito” parece às vezes também incentivado por mestres do pensamento que, de dentro da Igreja, semeiam mais a sua própria palavra que a Palavra Divina. A própria Itália está se tornando um país “genericamente” cristão. É necessário, portanto, uma nova evangelização, graças também ao impulso do Pontifício Conselho constituído ad hoc pelo Papa.

Por onde começar? Talvez precisamente pela liturgia, pelo canto sagrado e por novos edifícios de culto, confiados a pessoas que unam fé e talento para propor formas que falem de Deus.

A fé e sua doutrina: aqui está o cerne da questão. Uma fé simples como a dos pastores, das mulheres e dos homens encontrados por Jesus. E não aquela de quem, por exemplo, afirma que a ressurreição de Jesus é apenas fruto da elaboração da experiência dos discípulos.

Por isso o Papa convocou um Ano da fé para que se volte a tomar nas mãos os ensinamentos do Vaticano II e, mais popularmente, do Catecismo. Os livros de pastoral e de sociologia religiosa, por si mesmos, nunca converteram ninguém. O que se requer, por outro lado, é o conhecimento de Jesus como pessoa histórica, humana e divina, que funda nossa fé. Diante de nossos olhos estão os fatos, diz Santo Agostinho, nas mãos, os escritos: e os primeiros são muito mais importantes que os últimos. Assim, contra a tendência atual, o cristianismo renasce e demonstra que contra a Igreja, divino-humana pela vontade do Fundador, as forças infernais non praevalebunt.

Referíamo-nos, portanto, ao analfabetismo religioso assinalado pelo Papa e pelos bispos e à exigência de combatê-lo com a doutrina cristã, com a “doutrina da fé”. O dicastério vaticano que recebeu este título de Paulo VI é um instrumento imprescindível para a nova evangelização. Bento XVI pediu a todos – bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos comprometidos – que trabalhem em uníssono, para além dos programas ou planos pastorais, com o Catecismo da Igreja Católica.

Não se vai a uma missão de modo disperso, mas todos juntos com o Papa; se se quer combater a secularização que incentivou o analfabetismo religioso, é necessário que nos adequemos a Jesus, que disse: “Minha doutrina não é minha, mas sim d’Aquele que me enviou” (João 7, 16). Por isso deve-se difundir o Catecismo, diz Bento XVI: “Não anunciamos teoria e opiniões privadas, mas sim a fé da Igreja da qual somos servidores”. Mas, sobretudo a alma cristã deve buscar o coração de Jesus para alcançar o coração das pessoas, como fizeram os santos que, exatamente por isso, são tão amados.

Mesmo assim há quem sustente que o cristianismo não serve para salvar a alma. Por isso o Papa, na homília da Missa do Crisma, usou uma expressão fora de moda: o zelo pela salvação das almas. “Não apenas nos preocupamos com o corpo, mas também das necessidades da alma do homem”. Jesus disse: “De que adiante ao homem ganhar o mundo inteiro se perde sua alma?”. Deste modo, deve-se compreender o valor e a importância dos sacramentos, que desde o nascimento até a morte, servem para salvar almas. Os sacerdotes terão ainda zelo suficiente para socorrer um moribundo com o fim de confessá-lo, dar-lhe a Unção e a Comunhão para a salvação de sua alma? A alma do homem é um lembrete de que não se pertence a si mesmo, mas a Deus. Assim, os sacerdotes não pertencem a si mesmos, mas a Jesus Cristo. Necessita-se da doutrina da fé, feita de conhecimento, competência, experiência e paciência. Necessita-se de um renovado impulso apostólico. O dom da fé não está separado do batismo.

De fato, o Papa lembrou ao clero romano que se o ato de crer é “inicial e principalmente um encontro pessoal” com Cristo, como nos descrevem os Evangelhos, “essa fé não é apenas um ato pessoal de confiança, mas também um ato que tem um conteúdo” e “o batismo expressa este conteúdo”. São Cirilo de Jerusalém recorda que nossa salvação batismal depende do fato de que tenha brotado da crucifixão, sepultura e ressurreição de Cristo, realmente ocorridas na esfera física: chama-se a isso de Graça, porque a recebemos no sacramento sem sofrer as dores físicas. Por isso adverte Cirilo: “Que ninguém pense que o batismo consiste apenas na remissão dos pecados e na graça da adoção, como era o batismo de João que conferia apenas a remissão dos pecados. Nós, por outro lado, sabemos que o batismo, assim como pode liberar dos pecados e obter os dons do Espírito Santo, é também figura e expressão da Paixão de Cristo”, como proclama Paulo (Romanos 6, 3-4). “Nós sabemos”, diz o santo bispo de Jerusalém: ao encontro pessoal como o Senhor e ao prosseguir para a salvação, segue necessariamente a doutrina que se transmite através da Escritura e da Tradição da Igreja.

Tudo isso está condensado no Catecismo. É necessário renovar a catequese e a liturgia para que Deus seja conhecido e amado. Isso quer dizer uma verdadeira devoção, necessária na liturgia atual, na celebração dos sacramentos. A devoção ou pietas está constituída pela oferta de si mesmo a Deus. Isso se expressa com o conjunto dos gestos e ritos percebidos como significativos para a vida: participar da Missa, pedir para que seja celebrada pelas próprias intenções, confessar-se e comungar, assistir a outras cerimônias, rezar e cantar hinos, freqüentar a catequese, praticar as obras de misericórdia, visitar um lugar onde se venera uma imagem sagrada ou o sepulcro de um santo taumaturgo, deixar uma oferta, acender uma vela, participar na procissão, levar a imagem sagrada sobre os ombros. Em suma, são estes sinais de invocação, de proteção, de agradecimento, os que fazem a verdadeira devoção que manifesta a fé que nos justifica diante de Deus e nos salva. O Ano da Fé será um tempo propício para isso.

O estudo do conteúdo da Fé – como sublinham especialmente os movimentos eclesiais – é necessário dentro da experiência da fé, para que se torne adulto na fé, superando aquela infância que leva muitos a abandonar a Igreja depois da Confirmação, tornando-se assim incapaz de expor e tornar presente a filosofia da fé, de dar razão dela aos demais. Ser adulto na fé, contudo, não quer dizer depender das opiniões do mundo, emancipando-se do Magistério da Igreja.

Por que ainda ocupar-se disso? Porque não é apenas um pensamento teológico, mas tronou-se a uma prática que penetrou lentamente em não poucos setores da vida eclesial. Um dos mais clamorosos é a doutrina sacramental: hoje, o sacramento já não é percebido como proveniente do exterior, do alto, mas como a participação em algo que o cristão já possui. E já que hoje se gosta tanto de olhar para o Oriente, deve-se dizer – ao menos por honestidade ecumênica – que, para a teologia oriental, o rumo antropológico conduzido pela teologia ocidental é um caminho equivocado; o único tema fundamental de toda a teologia de todos os tempos é, e deve continuar sendo, a Encarnação do Verbo, o princípio humano-divino que entrou no mundo “para nós, homens, e por nossa salvação”. O homem separado de Deus não tem possibilidade de sobreviver.Tudo isso está condensado no Catecismo. É necessário renovar a catequese e a liturgia para que Deus seja conhecido e amado. Isso quer dizer uma verdadeira devoção, necessária na liturgia atual, na celebração dos sacramentos. A devoção ou pietas está constituída pela oferta de si mesmo a Deus. Isso se expressa com o conjunto dos gestos e ritos percebidos como significativos para a vida: participar da Missa, pedir para que seja celebrada pelas próprias intenções, confessar-se e comungar, assistir a outras cerimônias, rezar e cantar hinos, freqüentar a catequese, praticar as obras de misericórdia, visitar um lugar onde se venera uma imagem sagrada ou o sepulcro de um santo taumaturgo, deixar uma oferta, acender uma vela, participar na procissão, levar a imagem sagrada sobre os ombros. Em suma, são estes sinais de invocação, de proteção, de agradecimento, os que fazem a verdadeira devoção que manifesta a fé que nos justifica diante de Deus e nos salva. O Ano da Fé será um tempo propício para isso.

O estudo do conteúdo da Fé – como sublinham especialmente os movimentos eclesiais – é necessário dentro da experiência da fé, para que se torne adulto na fé, superando aquela infância que leva muitos a abandonar a Igreja depois da Confirmação, tornando-se assim incapaz de expor e tornar presente a filosofia da fé, de dar razão dela aos demais. Ser adulto na fé, contudo, não quer dizer depender das opiniões do mundo, emancipando-se do Magistério da Igreja.

Por que ainda ocupar-se disso? Porque não é apenas um pensamento teológico, mas tronou-se a uma prática que penetrou lentamente em não poucos setores da vida eclesial. Um dos mais clamorosos é a doutrina sacramental: hoje, o sacramento já não é percebido como proveniente do exterior, do alto, mas como a participação em algo que o cristão já possui. E já que hoje se gosta tanto de olhar para o Oriente, deve-se dizer – ao menos por honestidade ecumênica – que, para a teologia oriental, o rumo antropológico conduzido pela teologia ocidental é um caminho equivocado; o único tema fundamental de toda a teologia de todos os tempos é, e deve continuar sendo, a Encarnação do Verbo, o princípio humano-divino que entrou no mundo “para nós, homens, e por nossa salvação”. O homem separado de Deus não tem possibilidade de sobreviver. Caso contrário, à força de se falar do homem, como aconteceu, já não se fala mais de Deus.

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