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O que os esportes ensinam sobre a vida interior?
Espiritualidade

O que os esportes ensinam
sobre a vida interior?

O que os esportes ensinam sobre a vida interior?

Assim como “os atletas se impõem a si muitas privações" por uma coroa corruptível, explica São Paulo, também os cristãos devem correr e dar golpes no rumo certo, a fim de alcançarem uma coroa incorruptível.

Equipe Christo Nihil Praeponere13 de Julho de 2017
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O esporte é, sem dúvida, uma das atividades humanas com maior poder atrativo. Basta ver o empenho com que atletas se dedicam à conquista de uma medalha ou troféu para ter ideia da influência que essas grandes competições exercem sobre as pessoas, sejam homens ou mulheres, jovens ou adultos, crianças ou idosos. Dada a série de exercícios e de trabalhos de autossuperação que os esportes exigem, o desempenho de um atleta pode representar o mais alto nível de heroicidade.

A seleção brasileira masculina de vôlei experimentou uma enorme pressão no último sábado, dia 8 de julho, quando, lutando por sua décima vitória na Liga Mundial de Vôlei, acabou vendo seu sonho frustrado pela imbatível França e seus carrascos Boyer e Ngapeth, o qual sozinho marcou inacreditáveis 28 pontos. Nem os saques do central Lucão e as cortadas do oposto Wallace impediram a derrota do Brasil.

Apesar disso, os 23 mil torcedores na Arena da Baixada, em Curitiba-PR, não deixaram de louvar os guerreiros da seleção brasileira, cujos esforços para vencer a disputa mantiveram-se vivos até o último ponto do quinto set. A França levou a medalha por sofridos 3 sets a 2.

O mesmo não se viu há exatos três anos durante a Copa do Mundo de 2014. A tragédia dos 7 a 1 em pleno Maracanã caiu tão mal, que foram necessárias a entrada de Tite — o então bem-sucedido técnico do Corinthians — e a conquista do ouro olímpico — em nova partida contra a Alemanha, em 2016 —, para que a seleção brasileira de futebol recuperasse sua credibilidade perante o público. Ainda hoje, no entanto, existe quem torça o nariz e faça piadas com o vexame brasileiro contra os alemães naquele fatídico 8 de julho.

Todo esse misto de glórias e decepções presente no mundo esportivo é, de fato, bastante inspirador, e pode servir de modelo para quem deseja empreender um combate decisivo contra o pecado e a favor da santidade. São Paulo mesmo viu esse paralelo entre a vida interior e as competições esportivas. Na sua Primeira Carta aos Coríntios, o apóstolo dos gentios fala das "corridas de um estádio", onde todos correm, mas só um recebe o prêmio (9, 24). Assim como "os atletas se impõem a si muitas privações" por uma coroa corruptível, explica São Paulo, também os cristãos devem correr e dar golpes no rumo certo, a fim de alcançarem uma coroa incorruptível, castigando o próprio corpo e mantendo-o em servidão (9, 25). Em resumo, os fãs do esporte podem aplicar todo o entusiasmo que sentem em um "esporte" ainda mais importante e desafiador, que é a conquista do Céu.

O técnico ou o diretor espiritual

Um dos requisitos mais importantes para o bom desempenho de um time esportivo é a escolha de um bom preparador físico ou técnico. As grandes vitórias das seleções brasileiras, por exemplo, dependeram inegavelmente da tática e da sabedoria de seus técnicos que, conhecendo os pontos fracos e fortes tanto de seus jogadores como de seus adversários, elaboraram a melhor e mais eficaz estratégia para vencer. O técnico é uma espécie de mentor: ele dirige seus discípulos com conselhos, exortações e incentivos, tornando-os capazes de grandes conquistas, até das mais improváveis. Prova disso encontra-se no papel do técnico Tite para a conquista do mais desejado troféu do Corinthians: a taça da Libertadores da América, em 2012.

Técnico Tite, hoje na Seleção Brasileira, ostentando a Taça do torneio Libertadores da América.

Na corrida espiritual, por sua vez, a orientação de um bom "treinador" também é imprescindível. São Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei, falava assim em seu Caminho: "Diretor. — Precisas dele. — Para te entregares, para te dares..., obedecendo. — E Diretor que conheça o teu apostolado, que saiba o que Deus quer" (n. 62). Com a mesma ênfase São Francisco de Sales fazia esta importante advertência: "Se tens uma vontade sincera de entrar nas veredas da devoção, procura um guia sábio e prático que te conduza" (Introdução à vida devota, cap. 4).

Foi a paternal direção de São João Bosco a causa eficiente do coração puro de São Domingos Sávio. Não menos importante foram os conselhos de um confessor a Santa Faustina Kowalska, pelo que a apóstola da Divina Misericórdia pôde seguramente discernir as revelações de Cristo. De fato, a necessidade de um diretor espiritual para o progresso na santidade é tamanha, que Santa Teresa d'Ávila passou longos anos à procura de quem pudesse dirigi-la com autêntica piedade e sabedoria.

A direção espiritual é uma forma de o cristão praticar as virtudes da obediência e da sinceridade, sem as quais ninguém consegue acessar a própria alma e, por conseguinte, vencer os próprios defeitos. Obedecendo às orientações de seu diretor, os cristãos fazem como os grandes campeões que, não confiando apenas em seus próprios talentos, mas também nas advertências de seus técnicos acerca dos inimigos, desviam-se dos golpes rivais e conquistam os pontos necessários para a vitória.

O espírito de liderança

O bom atleta é naturalmente um bom líder. Com sua vibração e entusiasmo, ele desperta os ânimos à sua volta e os motiva a buscarem o mesmo ideal. Quem assistiu à épica batalha entre Brasil e Rússia nas quartas de finais do vôlei feminino, nas Olimpíadas de Londres (2012), entende bem isso. A atuação da oposta Sheilla Castro no quinto set da partida, derrubando cada um dos seis match points das adversárias, foi algo tão inacreditável, que suas companheiras de seleção simplesmente ressurgiram das cinzas, por assim dizer, e ajudaram-na a vencer não apenas aquele jogo decisivo, mas também os demais desafios até o fim da competição. A equipe que havia chegado a Londres desacreditada acabou levando para casa o bicampeonato olímpico, quase como um milagre.

Seleção feminina de vôlei, depois de ganhar o ouro nas Olimpíadas de Londres, em 2012.

Influência semelhante exerce a alma piedosa no ambiente em que vive. Cheia de alegria e vibração pela vida adquirida na intimidade diária com Cristo, a alma piedosa é uma verdadeira injeção de ânimo para os espíritos abatidos pelo pecado e pelo sofrimento do mundo. Mais ainda: "A beleza e o júbilo que transparecem em seus semblantes", nota São Francisco de Sales, "nos ensinam com que tranquilidade devemos encarar os incidentes da vida; sua cabeça, suas mãos e pés descobertos dão-nos a refletir que nenhum outro motivo devemos ter em nossas intenções e ações além de agradar a Deus" ( Introdução à vida devota, cap 2). A vida e o testemunho dos santos, mais do que suas palavras, é o instrumento mais poderoso de que Deus se serve para inflamar os corações dos homens.

O treino

A rotina de exercícios e preparação está para o esporte como a oração e as mortificações estão para a vida interior. A fidelidade dos atletas aos treinos está intimamente relacionada à sua performance em campo. Quem não tem um preparo físico e emocional adequado não aguenta a pressão das disputas. Mutatis mutandis, o cristão preguiçoso não pode se queixar se sua vida interior é um completo deserto, uma coisa sem sal, e frequentemente marcada por pecados mortais. Trata-se de uma consequência óbvia do modo como ele trata as coisas de Deus e do mundo. Um cristão sem piedade é um freguês do diabo. É 7 a 1 na certa.

Em seu Caminho de Perfeição, Santa Teresa d'Ávila adverte claramente sobre a purificação da alma — exercida, entre outras coisas, pela luta contra os pecados mortais — como condição inegociável à santidade. Sem o desapego do mundo — as riquezas, o sexo, as pessoas, a vontade etc — ninguém pode alcançar a perfeição. E isso não é algo absurdo, como podem pensar alguns. Notem que, para a Copa do Mundo de 2002, quando o Brasil conquistou seu pentacampeonato, o então técnico Felipão foi taxativo ao recomendar a abstinência sexual aos seus jogadores durante a concentração dos jogos. Quem não consegue ter controle sobre sua própria sexualidade "não é um ser humano, mas um animal irracional", declarou o técnico.

Como no Karatê, por exemplo, que requer uma alta disciplina, atenção e proatividade nos exercícios, a vida interior deve ser adequadamente preparada, com ambiente e hora marcada para o diálogo com Deus. Caso contrário, toda tentativa de aproximar-se do sagrado será minada pelas distrações e outras artimanhas do inimigo.

O bom combate

A heroicidade de um atleta nos esportes é reconhecida, como dito anteriormente, pela sua motivação, ainda que, ao final de tudo, ele esteja arrebentado pelo cansaço e humilhado pelo choro de uma aparente derrota. Quem se dedica com devoção, na verdade, vence mesmo perdendo. É assim que São Paulo, mais uma vez, relaciona os esportes seculares ao maior de todos os esportes, que é a conquista da vida eterna. Imolado no altar de Deus pela salvação das almas, ele confessa toda sua esperança sobrenatural, dizendo: "Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé" (2 Tm 4, 7).

Na história da Igreja, o exemplo dos mártires talvez seja o que melhor expressa essa paradoxal vitória com aparência de derrota. Consumidos pelas chamas, os cristãos cantavam alegremente para desconcerto de Nero e glória de Cristo. Foi esse impressionante testemunho de resistência e fidelidade a Deus que obteve a estima de tantas pessoas mundo afora e levou Tertuliano a declarar: "O sangue dos mártires é semente para novos cristãos".

A sensação que o Brasil experimentou na semifinal da Copa de 2014, por outro lado, expressa bem o vexame dos apóstatas. Os cristãos que não se preparam para o combate espiritual, além de amargarem uma derrota acachapante para o diabo, têm de suportar o escárnio da plateia, isto é, o desprezo do mundo pagão.

Jesus é o maior de todos os atletas e técnicos. Vencendo a morte, Ele nos abriu as portas do Céu, onde podemos receber a coroa incorruptível de que falava São Paulo. É do Senhor que ouvimos as seguintes palavras: "No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo." ( Jo 16, 36) Ao seu lado, a medalha de ouro está garantida.

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Perseguida e infiltrada: o drama da Igreja Ortodoxa na Rússia comunista
Comunismo

Perseguida e infiltrada: o drama
da Igreja Ortodoxa na Rússia comunista

Perseguida e infiltrada: o drama da Igreja Ortodoxa na Rússia comunista

A Revolução de Outubro não só massacrou gerações de cristãos ortodoxos, mas corrompeu a espiritualidade dos russos, transformando-os em meros serviçais do Estado.
Pe. Raymond J. de Souza,  Catholic HeraldTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere22 de Novembro de 2017
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O significado espiritual da Revolução de Outubro — que, segundo nosso calendário atual, aconteceu em novembro de 1917 — tem sido maciçamente visto pelos católicos com as lentes das aparições de Fátima, ocorridas no mesmo ano. Fátima, por sua vez, lida através da vida de São João Paulo II, tem levado os católicos a verem o desafio comunista do século XX como uma época de grande perseguição, mas também de grande heroísmo, que culminou no triunfo final do humanismo cristão.

A visão a partir da Rússia, no entanto, é um pouco diferente. Se para João Paulo II o término da Primeira Grande Guerra representou o retorno da independência da Polônia e o renascimento da liberdade polonesa — com o heroísmo católico exercendo um papel proeminente nisso —, para os conterrâneos de Dostoiévski e Tolstói, o fim do conflito culminou no fim da liberdade russa. Por isso, se nos detemos a olhar a história desse período tão somente com as lentes de Fátima e de João Paulo II, corremos o risco de fechar os olhos a um dos principais dramas religiosos de nossa época: o aniquilamento da Igreja Ortodoxa pela Revolução de Outubro.

A perseguição da Igreja Ortodoxa Russa — de longe, o maior dos patriarcados da Igreja Ortodoxa — foi total e brutal. Os números são surpreendentes. Mais de 100 mil padres ortodoxos russos foram assassinados, com alguns crucificados dentro de suas próprias igrejas. Uma Igreja que tinha mais de 300 bispos em 1917 foi reduzida a um punhado até meados da Segunda Guerra Mundial. Tão feroz foi o totalitarismo ateu de Lênin e Stalin que a possibilidade de uma “igreja das catacumbas” foi praticamente descartada. Um regime preparado para matar milhões de seus próprios cidadãos por motivos ideológicos não deixava aos ortodoxos nenhuma condição de resistência, nem lugar onde pudessem se esconder.

A Igreja Ortodoxa Russa foi praticamente liquidada e chegou perto de desaparecer. Até que, como uma grande surpresa da história, uma chance lhe foi dada por conta da invasão de Hitler à Rússia. Stalin, decidido a concentrar todas as energias nacionais contra a ameaça nazista, reconstruiu a Igreja Ortodoxa Russa, mas agora como um braço do Estado comunista. Os ortodoxos russos sobreviveriam, mas somente como um escritório corrompido do governo.

Então, em 1946, o Patriarcado de Moscou, filiado ao Estado, consentiu na supressão e no saque da Igreja Greco-Católica Ucraniana, fazendo dos católicos ucranianos a maior comunidade ilegal de cristãos do mundo. Tratou-se de uma traição histórica de uma fiel comunidade cristã por seus supostos irmãos na fé.

O sínodo (sobor, em língua eslava) ilegal de 1946 foi um sinal do que estava por vir. Qualquer um que aspirasse à liderança da Igreja Ortodoxa Russa — especialmente padres que tinham de estudar fora — devia fazer parte da KGB, a polícia secreta. Várias gerações de líderes ortodoxos foram forçadas a ser colaboradoras passivas do regime. A Igreja Ortodoxa Russa, com sua longa tradição milenar, foi destruída e substituída.

Mesmo um quarto de século depois da dissolução do partido comunista e da própria União Soviética, a restauração da Igreja Ortodoxa permanece sendo um desafio. Ainda não surgiu uma liderança livre dos laços históricos com a KGB. O pacto do atual Patriarcado de Moscou com o regime de Vladimir Putin — evidente, sobretudo, nas agressões de Putin à Ucrânia — é um claro sinal de que a reconstituição stalinista da Igreja ainda tem de ser superada. Mesmo hoje, o Patriarcado de Moscou não pode rejeitar sua participação no sínodo de supressão na Ucrânia, em 1946.

O grande sonho de união entre católicos e ortodoxos é um dos acontecimentos imprevistos após a Revolução de Outubro. Enquanto as relações formais entre Roma e Constantinopla são excepcionalmente calorosas, a Rússia continua a ser o centro demográfico dos ortodoxos. Não pode haver nenhum movimento em direção à grande união sem que ocorra algum movimento em Moscou.

São João Paulo II falou da Igreja respirando com “ambos os pulmões” em referência ao Ocidente e ao Oriente, ao latim e ao grego, a Roma e a Constantinopla, aos católicos e aos ortodoxos. O pulmão oriental foi severamente comprometido em 1917 e a Cristandade não será plenamente ela mesma até que essa ferida quase mortal seja sanada — cura esta que será o trabalho de gerações.

Na Ucrânia, na Polônia e em qualquer lugar no império do mal, o totalitarismo ateu soviético podia ser enfrentado, em parte, com um ato de resistência nacional: havia, afinal de contas, um poder invasor impondo ideias estrangeiras. Os russos nunca tiveram esse recurso; seus tiranos eram eles próprios. Enquanto o massacre de corpos na Rússia foi vasto, a corrupção da alma russa foi profunda. Foi isso o que começou em outubro de 1917 e, até o presente momento, ainda não foi superado.

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Nesta hora não se pode mentir!
Espiritualidade

Nesta hora não se pode mentir!

Nesta hora não se pode mentir!

Nesta hora tremenda não se mente. A desilusão das coisas terrenas e a eternidade que se aproxima obrigam o homem a ser sincero.
Mons. Ascânio Brandão21 de Novembro de 2017
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A hora da verdade, sabes qual é? A hora da morte. Nesta hora tremenda não se mente. A desilusão das coisas terrenas, a eternidade que se aproxima obrigam o homem a ser sincero. Nesta hora muito ímpio chamou por Deus. A morte ensina muita coisa que não se quis aprender na vida. E é triste ir aprender só na hora extrema o que se devia ter já aprendido em vida, para evitar tanto pecado, tanta vaidade e orgulho, tanta maldade!

Enquanto a vida corre bem na fartura, na prosperidade, muitos vivem longe de Deus e até se esquecem que têm alma. E como desejam pecar, negam a existência do próprio Deus. Assim dizia Joseph de Maistre: Ninguém deixou de crer em Deus se não teve primeiro necessidade de desejar que Deus não existisse.

A hora da morte, porém, diz a verdade. Nos Estados Unidos, caiu enferma a filha de um general conhecido pela sua impiedade e ódio à Religião.

— Meu pai, diz a moça, estou para morrer! Diga-me, por favor, devo crer no que me ensinou o senhor, isto é, que Deus não existe e não há céu nem inferno, ou no que me ensinou minha saudosa mãe que fora tão piedosa e santa?

O general ficou silencioso e triste. Refletiu uns instantes e disse à filha entre soluços: — Minha filha! não creias no que te ensinei, mas no que te ensinou tua mãe. Nesta hora não se pode mentir!

“La muerte del niño”, de Lorenzo Albarrán Sánchez.

Sim, realmente, a hora da morte é a hora da verdade.

Quanta coisa que nossa vaidade, nosso orgulho e o demônio nos punham diante dos olhos, numa sedução louca, não se desvanece na hora extrema! Hora da verdade, hora das realidades!

A vela que se coloca na mão do agonizante, ilumina muitas almas e lhes diz muitas verdades que durante toda a vida não quiseram ver, nem delas ouvir falar. Mas que adianta compreender estas verdades quando já não há mais tempo e é preciso partir? Não nos iludamos com a mentira do pecado, e pensemos na hora da verdade!

Referências

  • Transcrito e levemente adaptado de Meu ponto de meditação, Taubaté: Editora SCJ, 1941, p. 28s.

Recomendações

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A visão de João Paulo II: “O Islã invadirá a Europa”
Igreja Católica

A visão de João Paulo II:
“O Islã invadirá a Europa”

A visão de João Paulo II: “O Islã invadirá a Europa”

Sacerdote e amigo pessoal de São João Paulo II revela dado impressionante e até agora desconhecido da biografia do Papa polonês: uma visão aterradora sobre o futuro da Europa e do mundo.

Valerio Pece,  La Nuova Bussola QuotidianaTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere20 de Novembro de 2017
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Vejo a Igreja do terceiro milênio afligida por uma praga mortal. Chama-se Islã. Invadirão a Europa. Vi hordas marcharem do Ocidente para o Oriente, do Marrocos para a Líbia, do Egito para os países orientais”. Esta é a chocante visão de São João Paulo II, até agora desconhecida do público. Mons. Mauro Longhi, sacerdote da Prelazia do Opus Dei, testemunha de uma confissão destinada a provocar convulsões, esteve muitas vezes em contato pessoal com o Papa polonês durante o seu longo pontificado. Ele tornou público o episódio no Eremo dei Santi Pietro e Paolo, em Bienno (norte da Itália), durante uma conferência organizada para celebrar João Paulo II, aos 22 de outubro, dia em que a Igreja celebra a memória litúrgica do santo.

Para fazer os devidos esclarecimentos e dar o contexto da visão profética de Karol Wojtyla, relatada por um sacerdote acima de toda suspeita (Mons. Longhi gozou da estima pessoal não só de João Paulo II, mas também de Bento XVI, a ponto de ter sido chamado, em 1997, para integrar o Dicastério da Congregação para o Clero), é preciso fazer algumas referências geográficas e cronológicas.

Entre 1985 e 1995, o jovem economista da Universidade milanesa Luigi Bocconi, Mauro Longhi (ordenado sacerdote em 1995), acompanhou e hospedou regularmente, de quatro a cinco vezes por ano ao longo de uma década, o Papa Wojtyla em seus famosos passeios de esqui pelas montanhas. Mons. Longhi o hospedava no que hoje em dia corresponde à casa de veraneio do Seminário Internacional da Prelazia do Opus Dei; na época, porém, tratava-se de uma simples casa de campo, reservada aos membros da Obra em preparação para o sacerdócio e o ensino de teologia. Encontramo-nos na província de Áquila, na direção de Piana delle Rocche, fração do Ocre:

O Santo Padre saía de Roma de forma bem discreta, acompanhado geralmente de outro carro, o de seu secretário, Mons. Stanislaw Dziwisz, ou de algum outro amigo polonês. Ao chegar ao pedágio da rodovia, o único lugar em que poderia ser reconhecido, ele costumava fingir uma leitura escondendo-se atrás do jornal.

Assim começou a conferência de Mons. Longhi, dando início a uma série infinita de histórias interessantíssimas (quase sempre acompanhadas, já que contadas por um zeloso pastor, das oportunas explicações teológicas).

Mas foi sem dúvida nenhuma com o Karol Wojtyla místico, com o pouquíssimo que se sabe — secreto e misterioso — acerca do grande protagonista de um dos mais longos pontificados da história da Igreja, que Mons. Longhi entreteve os que subiram a Bienno com o fim de participar do evento. Trata-se do Papa que Mons. Longhi encontrou à noite, na capela da casa da montanha, ajoelhado por horas num banco de madeira desconfortável em frente ao Tabernáculo. É o Papa a quem surpreendia, sempre de noite, falando, às vezes com entusiasmo, com o Senhor ou sua amada Mãe, a Virgem Maria.

Para investigar o místico Karol Wojtyla, Mons. Longhi contou o que certa vez lhe confidenciara Andrzej Deskur, cardeal polaco que foi companheiro de João Paulo II no seminário clandestino de Cracóvia:

Ele tem o dom da visão”, confidenciou-me Andrzej Deskur. Perguntei-lhe então o que isso queria dizer. “Ele fala com Jesus, Deus encarnado; vê-lhe o rosto e também o de sua Mãe”. Desde quando? “Desde a sua primeira Missa, no dia 2 de novembro de 1946, durante a elevação da hóstia. Ele estava na cripta de São Leonardo, na Catedral de Wawel, em Cracóvia, onde celebrou sua primeira Missa, oferecida em sufrágio pela alma de seu pai”.
Andrzej Maria Cardeal Deskur, amigo íntimo de São João Paulo.

Mons. Longhi acrescenta que o segredo revelado pelo cardeal Deskur — aqueles olhos de Deus que se fixam em Wojtyla cada vez que se levantam o cálice e a hóstia — pode ser entendido lendo-se a última Encíclica de João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia. No número 59 da conclusão, o Papa polonês recorda sua primeira Missa e acaba por revelar o mistério que o acompanhou durante toda a vida: “Meus olhos concentram-se sobre a hóstia e sobre o cálice onde o tempo e o espaço de certo modo estão ‘contraídos’ e o drama do Gólgota é representado ao vivo, desvendando a sua misteriosa ‘contemporaneidade’”.

Entre os muitos relatos de Mons. Longhi, porém, o que mais impactou seus ouvintes, e que se insere numa das das tantas caminhadas pelo Maciço do Gran Sasso, é sem dúvida o que se refere ao Islã e à Europa. Naquela ocasião, o Santo Padre e Mons. Longhi, evidentemente mais ligeiros que os outros, haviam-se separado do grupo. O testemunho de Mons. Longhi (com sua referência à proximidade da terrível visão mística do Papa) merece, portanto, ser conhecido na íntegra. Sua conferência está disponível no vídeo acima (a partir do minuto 48 pode-se ouvir o relato de que falamos aqui).

Papa João Paulo II e Monsenhor Mauro Longhi.

Os dois estão encostados numa rocha, um de frente para o outro, comendo um sanduíche e esperando a chegada do grupo. Eis textualmente o relato do Mons.:

Olhei para ele pensando que talvez precisasse de algo; ele percebeu que eu o fitava enquanto sua mão tremia: era o início do Parkinson. “Meu caro Mauro, é a velhice”, disse-me. Respondi-lhe: “Não, Santidade, o senhor ainda é jovem”. Quando o contradizia assim em nossas conversas familiares, ele ficava furioso: “Não é verdade! Se digo que estou velho é porque estou velho!”.

Segundo o Mons., foi precisamente o passar do tempo e o início da doença que levaram o Papa polonês a sentir a urgente necessidade de comunicar a alguém aquela visão mística.

Wojtyla mudou então o tom de voz e, confiando-me uma de suas visões noturnas, disse: “Lembre-o aos que você encontrará na Igreja do terceiro milênio: vejo a Igreja afligida por uma praga mortal, mais profunda, mais dolorosa do que a deste milênio”, disse-o em referência ao comunismo e ao nazismo. “Chama-se islamismo. Invadirão a Europa. Vi hordas marcharem do Ocidente para o Oriente”, e descreveu-me um a um os países, do Marrocos à Líbia e daí ao Egito, até chegar ao Oriente.

O Santo Padre acrescentou: “Invadirão a Europa, a Europa será arruinada, uma sombra do que foi outrora, como uma lembrança de família. Vocês, Igreja do terceiro milênio, têm o dever de conter esta invasão. Mas não com armas: elas não são suficientes; antes, com a sua fé, vivida integralmente”.

Eis o precioso testemunho de alguém que durante anos esteve em contato direto e estreito com o Santo Padre, com quem concelebrou inúmeras vezes. Não é preciso ressaltar que a confissão do Papa Wojtyla remonta-se a março de 1993, há vinte e quatro anos, quando a presença islâmica na Europa era, social e numericamente, muito diferente.

Não é por acaso que na hoje em dia tão esquecida Exortação Apostólica Ecclesia in Europa, de 2003, João Paulo II falava claramente de uma relação com o Islã que deveria ser, ao mesmo tempo, “correta”, conduzida com “prudência, com clareza de ideias acerca das suas possibilidades e dos seus limites” (n. 57). Apesar da linguagem típica de um documento magisterial, sóbrio e contido por natureza, o Santo Padre parecia implorar que os cristãos conhecessem “de modo objetivo o islamismo” (n. 57).

Trata-se, portanto, de um paradigma e uma sensibilidade claras e inequívocas, sobretudo quando se considera outro trecho da Exortação Ecclesia in Europa, no qual o Papa Wojtyla, após estigmatizar “o sentimento de frustração dos cristãos que acolhem, por exemplo na Europa, crentes de outras religiões dando-lhes a possibilidade de exercerem o seu culto, e [...] se vêem proibidos de exercer o culto cristão nos países onde tais crentes são a maioria” (n. 57), afirma a respeito dos fluxos migratórios ser imprescindível “a firme repressão dos abusos” (n. 101).

Estamos diante de uma leitura politicamente incorreta do Islã, feita aliás por um Papa canonizado pela Igreja Católica: uma leitura “profética”, num primeiro momento, convertida depois em ensinamento magisterial (não é difícil imaginar que aquela chocante visão o tenha influenciado na hora de escrever a Exortação Ecclesia in Europa). “Seremos invadidos pelo Islã”. E talvez já o estejamos sendo. Enquanto isso, de modo inexorável, vai-se apagando a luz da Europa, reduzida a pó e recordações. “Karol, o Grande Papa”, alertou-nos e ainda hoje nos convida a resistir à invasão com uma fé vivida na sua integridade.

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Igreja Anglicana “a uma geração de sua extinção”
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Igreja Anglicana
“a uma geração de sua extinção”

Igreja Anglicana “a uma geração de sua extinção”

A fé anglicana está em “queda livre” no Reino Unido. E os líderes da religião fundada por Henrique VIII são os primeiros a reconhecê-lo.
Rádio Vaticano/Equipe CNP20 de Novembro de 2017
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A fé anglicana está em “queda livre” no Reino Unido. Dos 16,5 milhões de anglicanos em 1983, somente 8,6 milhões dizem seguir em 2015 a religião fundada por Henrique VIII em 1534, cuja cabeça é a Rainha Elizabeth II da Inglaterra. O declínio começou nos anos 60, porém o processo acentuou-se a partir dos anos 80.

“Nossas cifras indicam uma missão urgente. A Igreja da Inglaterra encontra-se a somente uma geração de sua extinção”, advertiu Lord Carey, que foi Arcebispo de Cantuária entre 1991 e 2002. E sua preocupação não é exagerada. Em apenas dois anos, a Igreja Anglicana perdeu 1,7 milhões de fiéis, enquanto os muçulmanos aumentaram 900 mil no mesmo período. Os anglicanos, de fato, passaram em 2012 dos 21% dos britânicos que seguem alguma religião para os 17% em 2014, ou seja, cerca de 8,6 milhões.

Os católicos, por sua vez, representam 8% dos seguidores de alguma fé e mantêm-se estáveis, com ligeira queda a partir dos anos 80. Além disto, os católicos participam mais dos serviços litúrgicos. Somente 29% deles diz nunca ir à igreja, em comparação com 48% dos anglicanos que jamais visitam os templos.

A mídia inglesa atribui a relativa boa saúde do catolicismo — perseguido historicamente na Grã Bretanha — à chegada dos imigrantes poloneses, portugueses e filipinos. Existem, no entanto, também outras razões. O catolicismo se manteve mais fiel a seus princípios do que o credo anglicano, que acolheu em seu seio inovações como a ordenação de mulheres como sacerdotisas ou bispas e concedeu uma certa abertura a algumas ideias políticas e de costumes.

Exemplo dessa abertura da Igreja Anglicana é a sua recente orientação, amplamente divulgada por sites de notícias, “para que escolas deixem crianças vestir roupas identificadas com outro gênero”. Tudo com a aprovação expressa do atual Arcebispo da Cantuária, Justin Welby.

O bem-aventurado Cardeal John Henry Newman.

O Cardeal John Henry Newman, antigo presbítero anglicano e que se converteu ao catolicismo em 1845, também impulsionou o crescimento católico no Reino Unido. Após uma profunda reflexão, Newman concluiu que “a Igreja Católica é a raiz original, enquanto o anglicanismo é uma mistura criada por um homem que queria se divorciar”. Newman foi beatificado por Bento XVI em 19 de Setembro de 2010 numa missa campal em Birmingham.

A bem da verdade, nenhuma religião tem vida fácil em um país cada vez mais descrente e materialista. Segundo uma pesquisa da Agência de Estudos Sociais NatCen, que divulgou os dados, a metade dos britânicos já não se identifica com nenhuma religião.

Outra pesquisa realizada no início de 2015, conduzida esta vez pelo Instituto YouGov, revelou que 19% dos britânicos são ateus, 7% agnósticos e 3% se declaram “humanistas”. Ou seja, mais de um quarto da população não crê. As mulheres, por sua vez, têm mais fé que os homens e os idosos mais que os jovens. Politicamente, os conservadores são os que mais praticam a religião.

O que está acontecendo, resume Naomi Jones, uma das autoras do estudo da NatCen, é que “se está deixando de ver a religião como parte da identidade britânica”.

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