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O dia em que Santa Faustina sonhou com Santa Teresinha
Santos & Mártires

O dia em que Santa Faustina
sonhou com Santa Teresinha

O dia em que Santa Faustina sonhou com Santa Teresinha

Um dia, quando ainda era noviça, Santa Faustina Kowalska recebeu uma visita mais do que especial enquanto dormia. Era Santa Teresinha do Menino Jesus, trazendo-lhe santos conselhos e ajudando-a na resolução de um problema.

Santa Faustina Kowalska22 de Abril de 2020Tempo de leitura: 2 minutos
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Quero anotar um sonho que tive a respeito de Santa Teresinha do Menino Jesus. 

Eu era ainda noviça e tinha certas dificuldades, [que] não conseguia superar. Tratava-se de obstáculos interiores, mas que se relacionavam com dificuldades exteriores. Fiz novenas a vários santos, mas a situação tornava-se cada vez mais difícil. Os meus sofrimentos por esse motivo eram tão grandes que já não sabia como continuar a viver.  

De repente, veio-me a ideia de rezar a Santa Teresinha do Menino Jesus. Comecei uma novena a essa santa, pois já antes do ingresso no convento tinha grande devoção a ela. Agora me descuidei um pouco dela, mas, nessa necessidade, novamente comecei a rezar com todo o fervor.

Santa Teresinha do Menino Jesus.

No quinto dia da novena sonhei com Santa Teresinha, mas como se ela ainda estivesse na terra. Ocultou diante de mim a circunstância de ela ser santa e começou a consolar-me, para que eu não ficasse tão triste por causa desse problema, mas confiasse mais em Deus. Afirmava-me: “Também eu sofri muito”. 

Contudo, eu não estava muito convicta de que ela tivesse sofrido muito e disse-lhe: “A mim me parece que não tenha sofrido nada.” 

Mas Santa Teresinha respondeu assegurando-me de que havia sofrido muito e me disse: “Dentro de três dias, a irmã verá que esse problema será resolvido da melhor maneira”. Como eu não estava muito inclinada a acreditar nela, então ela se deu a conhecer, revelando-me que era santa. Então a minha alma encheu-se de alegria e perguntei-lhe: “Você é santa?” E ela respondeu-me que sim: “Sou uma santa, e confie que o seu problema se resolverá no terceiro dia”. 

E eu disse a ela: “Santa Teresinha, diga-me, irei para o Céu?” Respondeu-me: “A irmã irá para o Céu.” — “E serei santa?” — Respondeu-me: “A irmã será santa.” — “Mas, Teresinha, eu serei uma santa como você, nos altares?” — E ela me respondeu: “Sim, você será uma santa como eu, mas deve confiar muito em Jesus.” — E perguntei-lhe se meu pai e minha mãe irão para o céu, se... [frase incompleta] — Respondeu-me: “Irão”. — E continuei a perguntar: “E as minhas irmãs e meus irmãos irão também para o Céu?” — Respondeu-me que rezasse muito por eles, e não me deu uma resposta certa. Compreendi que necessitavam de muitas orações.

Tratou-se de um sonho e, como diz o provérbio: “O sonho é ilusão e só Deus é salvação.” No entanto, no terceiro dia resolveu-se esse difícil problema com muita facilidade. Como me tinha dito, cumpriu-se ao pé da letra tudo que se relacionava com essa questão. Foi um sonho, mas ele teve o seu significado.

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O que Fulton Sheen fazia quando as igrejas estavam fechadas?
Igreja Católica

O que Fulton Sheen fazia
quando as igrejas estavam fechadas?

O que Fulton Sheen fazia quando as igrejas estavam fechadas?

O Venerável Fulton Sheen era conhecido por fazer uma hora de adoração todos os dias. Quando tinha de viajar, no entanto, e não achava tempo para adorar quando as igrejas ainda estavam abertas, eis o que a sua piedade lhe inspirava a fazer...

Gina SowerTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere20 de Abril de 2020Tempo de leitura: 6 minutos
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Lembro-me do estado de choque e incredulidade que me acometeu quando nossa diocese fechou todas as igrejas. Parecia impossível (e ainda parece) que os leigos pudessem ficar sem os sacramentos. Como isso pode ser aceitável? Numa época de pandemia e em meio a tanto medo e incerteza, parece que os sacramentos são aquilo de que mais precisamos! Mesmo assim, sabemos que, se Deus permite que algo nos seja tirado, é para nos ensinar alguma coisa, o que, em última instância, serve para gerar um bem maior por meio do sofrimento de sua Igreja. Mas que bem poderia vir da ausência dos sacramentos?

Creio que são muitas as razões pelas quais Deus permitiu essa pandemia, mas no campo específico da fé católica Deus deseja suscitar maior devoção e amor pelo que é sagrado e reservado — a saber, os sacramentos, particularmente a Sagrada Eucaristia. Sabemos que a Igreja em geral ficou, no mínimo, acostumada ao imenso e inimaginável dom do Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo. Sabemos isso não somente pela falta de reverência a Deus no santo sacrifício da Missa, mas também pelo recente estudo do Pew Research Center, que mostrou que apenas um terço dos católicos [norte-americanos] crê na Presença Real.

Não é necessário ser teólogo ou membro do clero para saber que a Eucaristia é a fonte e o  ápice da fé católica e, portanto, deve ser defendida e protegida custe o que custar. Por isso, quando ela não é protegida e devidamente adorada no coração de muitos de nossos pastores, não é de estranhar o efeito multiplicador que a falta de devoção deles tem sobre os leigos. Muitos fiéis são desleixados e preguiçosos na preparação para o santo sacrifício da Missa e não fazem nenhum esforço para preparar sua alma para receber a sagrada Comunhão. Não posso afirmar que necessariamente os considere culpados. Talvez eu estivesse na mesma situação se não tivesse tido a sorte de receber uma boa catequese. 

Isso, porém, revela um problema estrutural. De regra, as pessoas não estão em busca da beleza e do conhecimento de sua fé. Se estivessem, isso seria evidente. Nossas capelas de adoração estariam cheias. Os idosos não seriam os únicos a assistir diariamente à Missa. E talvez, quando chegasse o momento de receber em nosso corpo o maior dom e milagre de nossas vidas, o Deus do universo (o próprio Amor), poderíamos agir de um modo que tornasse aparente a realidade, a profundidade e a seriedade do que está ocorrendo.

É o momento de todo católico buscar a Deus como nunca antes o buscou! Se o fechamento das igrejas não for um alerta para os católicos, não sei o que será. Devemos lutar com um fervor ainda maior para permanecer perto de Jesus nesta época de tanta carência espiritual e de tantos pecados dentro e fora da Igreja. O Venerável Servo de Deus Fulton Sheen disse certa vez:

Quem salvará nossa Igreja? Não serão os bispos, os sacerdotes nem os religiosos. Caberá a vocês, o povo. Vocês possuem as mentes, os olhos e os ouvidos para salvar a Igreja. Sua missão é garantir que os sacerdotes ajam como sacerdotes, os bispos como bispos e os religiosos como religiosos. 

Agora é o momento de os leigos se unirem e fazerem reparação a Deus pelos pecados dos líderes da Igreja que permitiram o crescimento e a multiplicação da semente da irreverência com a Sagrada Eucaristia, e pelos pecados do mundo em geral, de pessoas que rejeitaram e condenaram completamente algumas das mais básicas leis de Deus.

Creio que Deus tenha permitido a falta de acesso aos sacramentos a fim de nos alertar para o fato de muitas pessoas desprezarem e não amarem sua Presença Real. Quantas vezes por dia Ele é recebido de forma indigna na sagrada Comunhão? 

Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo e, assim, coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação. Essa é a razão por que entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos (1Cor 11, 27-30) [1].

Quantas vezes fragmentos visíveis da Eucaristia caem no chão sem que os fiéis se importem ou percebam, por termos descartado as patenas e aderido à Comunhão na mão?

Por essas e outras razões, eu gostaria de recomendar uma devoção específica para remediar a falta de amor e reverência a Jesus, que nos ama tão profundamente a ponto de assumir a forma de pão a fim de que possamos, literalmente, consumir todo o seu ser.

Minha inspiração para essa devoção vem de um homem que considero santo: o Venerável Fulton Sheen. Ele era conhecido por fazer uma hora de adoração todos os dias. No entanto, quando tinha de viajar e não achava tempo para adorar quando as igrejas ainda estavam abertas, durante a noite ele se dirigia à igreja mais próxima, parava o carro no estacionamento e fazia ali mesmo sua hora de adoração (o mais perto que podia estar de Jesus).

Bem… nossas igrejas estão fechadas, mas seus estacionamentos não estão!

O fato de nossas capelas de adoração estarem fechadas não significa que devamos deixar de adorar por causa de uma ou duas paredes que nos separam da Presença Real de Jesus. Ele reconhece o sacrifício que estamos fazendo. Sabe que desejamos profundamente estar em sua Presença. Aqueles que realizavam sua hora de adoração semanal… por que deixá-la de lado? Por que não poderíamos fazer esse sacrifício para ficar tão perto quanto possível dEle?

Não foi para ficar perto do Corpo de Jesus que Maria Madalena foi até o túmulo onde o haviam depositado após a crucifixão? Ela não chorou porque seu corpo já não estava lá? E nós? Choramos pelas portas de nossas igrejas (onde Cristo habita) terem sido fechadas? Se Maria Madalena visitou o túmulo de Jesus com o objetivo de reverenciar seu Corpo sem vida, quanto mais não deveríamos nós ir até nossas paróquias para ficar tão perto quanto possível de Jesus vivo? Não deveríamos implorar a Deus que retire a pedra que nos mantém afastados do alimento espiritual dos sacramentos, principalmente do Pão da Vida? 

Mas, antes de Deus mover a pedra que fecha nossas igrejas, talvez devamos entender o que ela representa. Ela poderia representar o peso esmagador de nossos pecados? Se ela está lá por causa dos nossos pecados, devemos reparar as ofensas feitas contra Deus, especialmente as ofensas contra sua Presença Real. Não nos esqueçamos da parábola do amigo persistente que lemos em Lc 11, 5-8, na qual Jesus conta a história de um homem que aparece na casa de seu amigo tarde da noite a fim de pedir pão para um hóspede inesperado. No final da história, Jesus diz: “Eu vos digo: no caso de não se levantar para lhe dar os pães por ser seu amigo, certamente por causa da sua importunação se levantará e lhe dará quantos pães necessitar.”

Assim como o homem que foi até a casa de seu amigo e bateu à porta para pedir pão insistentemente e obter alimento físico para si e para seus amigos, também nós deveríamos nos aproximar com insistência da casa de Deus e bater espiritualmente à sua porta para implorar o pão que alimenta espiritualmente a nós e a nossos amigos com a vida eterna de Jesus Cristo.   

O fechamento das igrejas por causa do horário normal de expediente não impedia que Fulton Sheen fizesse sua hora de adoração no estacionamento da paróquia. A rocha não impediu que Maria Madalena visitasse o Corpo de Cristo. Tampouco uma pandemia deveria impedir os fiéis de chegarem o mais perto possível de Jesus. Na verdade, isso deveria ser motivo para o buscarmos ainda mais! 

Nesta época sem precedentes, rezo para que, como católicos, possamos pôr em prática o nome “católico” (que significa “universal”) e ir juntos, universalmente, até as portas de nossas igrejas fechadas, onde Jesus está presente, para que juntos possamos a uma só voz clamar: “Senhor, nós cremos e pedimos misericórdia por todos os que não creem.”

Notas

  1. Sobre a omissão desse trecho da Carta de São Paulo aos Coríntios no novo Lecionário da Missa, v. Peter Kwasniewski, When the Yearly Biblical Readings of Immemorial Tradition Were Cast Away, 3f: “O alerta de São Paulo para que evitemos receber o Corpo e o Sangue do Senhor indignamente, isto é, para a nossa própria condenação, foi omitido de todas as Missas no Novus Ordo por quase meio século. E, no entanto, na Missa latina tradicional, esses versículos são escutados ao menos três vezes todos os anos: uma na Quinta-feira Santa [...] e duas em Corpus Christi [...]. Os católicos que frequentam o usus antiquior sempre terão essas palavras desafiadoras colocadas diante de suas consciências. Sejamos francos: o conceito de uma Comunhão indigna simplesmente desapareceu da consciência católica em geral” (Nota da Equipe CNP).

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O que a OMS, o STF e outros desejam com a legalização do aborto
Sociedade

O que a OMS, o STF e outros
desejam com a legalização do aborto

O que a OMS, o STF e outros desejam com a legalização do aborto

Esqueça o mundo que você conhece. A julgar pelas ações da Organização Mundial da Saúde e de instituições como o STF, depois da pandemia, assistiremos ao início de uma nova era da humanidade. E ela não será nem um pouco cristã.

Equipe Christo Nihil Praeponere20 de Abril de 2020Tempo de leitura: 9 minutos
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Entre as causas para o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna, a Peste Negra foi, sem dúvida, um fator decisivo. Por conta do pânico gerado, a pandemia não só dizimou “um terço da Europa”, mas gerou uma nova organização social, fundada no medo e no ceticismo. No livro Decameron, do escritor Boccaccio, podemos ler o que diz uma testemunha da época:

Esta tribulação encheu de terror o coração de todos, de modo que o irmão abandonava o irmão, o tio abandonava o sobrinho, freqüentemente a esposa abandonava o marido e, o que é ainda mais extraordinário e até mesmo inacreditável, alguns pais e mães se recusavam a visitar as suas próprias crianças como se não fossem suas.

Eis aí um terreno fértil para a proliferação de vícios e ideias bastante contrárias à religião. De fato, os historiadores relatam que, após a Peste Negra, houve uma “depravação geral dos costumes na Europa”, com o surgimento da literatura pornográfica e o renascimento de costumes pagãos em toda a sociedade [1]. Daí que esse período acabasse conhecido por Renascimento. A civilização foi tomada por uma “febre de viver” tão grande, que se lançou às paixões como se não houvesse Céu nem inferno. Era o início de uma nova ordem política, social e religiosa.

Mutatis mutandis, a atual pandemia de coronavírus pode ser para nós o que a Peste Negra foi para os medievais. Assustada por tantas más notícias, presa em casa e longe dos sacramentos, a população já dá sinais de uma depravação bem maior que a do tempo de Boccaccio [2]. Por isso, não é exagero algum acreditar que o mundo, após a Covid-19, deve assistir ao surgimento de uma nova era da humanidade, com novos valores e estruturas político-sociais, assim como aconteceu na Europa a partir do século XIV. Para Henry Kissinger, o responsável pela política de controle populacional dos Estados Unidos, na década de 1970, não há outra alternativa: ou aceitamos a nova ordem mundial, ou entraremos em guerra

E as decisões dos líderes mundiais, como de praxe, só reforçam a impressão, na medida em que confirmam a agenda anticristã e a moralidade revolucionária há décadas em curso. Eles já tomaram uma posição.

O dilema dos direitos humanos

Vamos logo aos fatos: com o início da pandemia, diversos países adotaram medidas preventivas, indicadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Até aqui, nada de novo sob o sol. Exageradas ou não, as medidas deveriam limitar o avanço da doença e o superlotamento dos hospitais, um dos principais atingidos pelo problema. Por conta do risco de contágio, cirurgias e consultas acabaram canceladas por tempo indeterminado, inclusive em clínicas de tratamento contra o câncer. Em tese, apenas serviços “essenciais” poderiam ser mantidos.

E aqui se esconde o “jabuti”. As aspas para “essenciais” são adequadas porque a OMS simplesmente resolveu incluir nesse grupo... as cirurgias para aborto. A decisão só veio à lume depois que grupos como a Planned Parenthood pressionaram a entidade a assegurar os chamados “direitos reprodutivos” das mulheres. Em nota à imprensa, a OMS explicou que “os serviços relacionados à saúde reprodutiva são essenciais”, conforme as suas orientações, e incluem “contracepção, cuidados de saúde de qualidade para durante a gravidez e após o parto, e aborto seguro em toda a extensão da lei”. Mais ainda: as mulheres devem ser liberadas para abortar em casa, e os abortos devem continuar mesmo se os antibióticos não estiverem disponíveis, sugeriu a dra. Antonella Lavalanet, membra da OMS.

Mas o que justificaria essa sanha? Ora, ao incluir o aborto entre os serviços “essenciais” para um tempo de pandemia que está desestabilizando o mundo, a Organização Mundial da Saúde justifica um paradigma moderno, isto é, o aborto como um direito humano fundamental que, portanto, não pode ser questionado. 

É a inversão de valores suprema. O mais virulento dos ataques aos inocentes é alçado à categoria de “direito”, incluído no rol de direitos humanos e tratado ainda como “fundamental”. Jogo de linguagem perverso, sim, mas adotado não só por entidades como a Organização Mundial da Saúde, senão também por figuras como o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, que tentou anos atrás descriminar o aborto no primeiro trimestre de gestação justamente com um argumento desse gênero. (No próximo dia 24 de abril, a propósito, o STF julgará uma nova hipótese de “aborto legal”. E as esperanças não são das melhores.)

Muito além do aborto

Em toda essa história, porém, o aborto, por mais cruel que seja, é apenas uma peça na engrenagem da revolução. O que se pretende é algo muito mais ambicioso, bem aos moldes do que denunciava Bento XVI: “Quando a lei natural e a responsabilidade que ela implica são negadas, abre-se dramaticamente o caminho ao relativismo ético no plano individual e ao totalitarismo do Estado a nível político” [3]. Se não há uma ordem natural a ser respeitada, então os poderosos é que decidem quais leis, políticas e práticas podem ou não valer dentro da sociedade. Eles são os novos reis absolutistas.

A Planned Parenthood, por exemplo, já não esconde a radicalidade e o totalitarismo das suas intenções. Para a organização, a crise do coronavírus é “um lembrete forte de que precisamos remover todas as leis, políticas e práticas que impedem o acesso à contracepção e ao aborto seguro”.

No livro The Sacred Project of American Sociology (ainda sem tradução para o português), o sociólogo Christian Smith descreve o modus operandi desses “iluminados” que exibem uma suposta “ciência” para seduzir a opinião pública. Smith explica, por exemplo, como “a sociologia hoje é, de fato, animada por um impulso sagrado, por mandamentos sagrados e serve a um projeto sagrado”. Esse projeto consiste em nada mais do que realizar o novo humanismo, ou seja, “a emancipação, a igualdade, e a afirmação moral de todo ser humano como autônomo, independente, e livre para viver como pessoalmente desejar, construindo sua própria identidade, entrando e saindo das relações que escolher”. Eis o fruto proibido apresentado outra vez à humanidade.

Para criar uma nova sociedade, porém, os engenheiros sociais sabem que precisam criar também uma nova religião, que ofereça uma proposta poderosa de liberdade. Essa nova religião é exatamente o cientificismo, cujos sacerdotes são médicos, sociólogos, pesquisadores entre outros. A título de exemplo, experimentem questionar a palavra de algum desses senhores para ver o que lhes acontece. Como uma casta intocável, “os sociólogos são reverenciados, venerados e defendidos como sacrossantos pelos grupos que os apoiam como sagrados”. Afinal de contas, coisas sagradas são dogmas e não podem ser contestadas. Eles devem, por isso, ser defendidos porque trazem, por meio de seus “sacramentos” (aborto, “casamento” gay, ideologia de gênero etc.), a desejada emancipação e a liberdade total para o homem viver como bem entender.

Vejam como a claque revolucionária saiu às pressas para defender o doutor Dráuzio Varella em relação ao episódio com o transexual Suzy. Dráuzio Varella é um ardente defensor do aborto e de outras bandeiras liberais. Em certos grupos, sua palavra é dogma. A Organização Mundial da Saúde, do mesmo modo, tem o poder de declarar o aborto um serviço “essencial” sem ser questionada. Eles trabalham a favor da revolução e do novo humanismo, ou seja, da livre vontade do homem para fazer o que lhe der na telha. Então, como ressalta Christian Smith, “eles nunca podem ser maculados, desafiados ou profanados por qualquer transgressão ou difamação”.

Uma das sacerdotisas do novo humanismo, a infame Margaret Sanger, dizia abertamente que o “controle da natalidade” era uma ferramenta para a evolução das mulheres — hoje ela talvez diria “empoderamento” — e uma “facilitação do processo para eliminar os impróprios ou prevenir o nascimento de deficientes” [4]. Para Sanger, o grande pecado seria precisamente “trazer crianças a este mundo, com doenças dos seus pais, com nenhuma chance de serem pessoas humanas”.

Quando olhamos para as tentativas de aprovação do aborto por causa do zika vírus ou da Covid-19, percebemos o quanto as ideias dela ainda são cultuadas. Foi na esteira dessas ideias, aliás, que o aborto se tornou legal nos Estados Unidos, em 1973, sob a justificativa absurda do “direito à privacidade” — uma forma mais “chique” de dizer: “Meu corpo, minhas regras”.

Fora da Igreja não há salvação

Margaret Sanger só conhecia um obstáculo no caminho da revolução: “Eu penso que a grande oposição é principalmente da hierarquia da Igreja Católica Romana”. Ela bem sabia que as demais denominações cristãs, como o anglicanismo, já haviam cedido à pressão da modernidade, aprovando os métodos contraceptivos. Na verdade, ela chegou a recrutar pastores protestantes para se infiltrarem na comunidade negra e disseminarem a mentalidade contraceptiva. “O trabalho dos ministros também é importante e talvez eles devessem ser treinados pela Federação, segundo os nossos ideais e objetivos que queremos atingir”, disse ela numa carta ao dr. Clarence Gamble.

A Igreja Católica, por outro lado, pronunciou-se definitivamente contra os anticoncepcionais, sobretudo, na encíclica Casti Connubii, de 1930, e mais tarde, na encíclica Humanae Vitae, de 1968. Também o aborto foi reiteradas vezes condenado pelo Magistério (vide a encíclica Evangelium Vitae), inclusive com a excomunhão para quem fizer ou colaborar diretamente na sua realização. Por isso, os bispos do Brasil não hesitaram em bradar contra o recente desatino do STF. Tal posicionamento se deve ao que o Magistério da Igreja chama “valores inegociáveis”, dentre os quais se encontra a “tutela da vida em todas as suas fases, desde o primeiro momento da concepção até à morte natural” [5].

É preocupante, porém, que a Igreja atual esteja invadida pelo relativismo, assim como a Igreja do século XIV padecia sob o nominalismo. Se em tempos anteriores não havia dúvida acerca dos “valores inegociáveis”, hoje não só há quem os considere “um acidente linguístico”, como, sobretudo, uma verdadeira afronta à liberdade de consciência. Nesse quadro, é inevitável questionar se os católicos poderemos resistir ao Golias modernista que avança com sanguinolência sobre a civilização ocidental. A Igreja Católica é necessária para a salvação tanto no plano teológico como no temporal. Foi ela, no fim das contas, que organizou o mundo dos bárbaros. Contudo, se ela mesma estiver barbarizada, de que modo poderá defender os fiéis contra o ataque do lobo?

Na fábula do Chicken Little, o lobo aproveita-se da ingenuidade do pobre franguinho para gerar pânico no galinheiro com a notícia de que o “céu está caindo”. É o Doutor Galo que põe ordem na casa, mostrando a falsidade da notícia. O lobo, contudo, procura minar a credibilidade do Doutor, disseminando fofocas contra ele entre os demais. Desse modo, o vilão consegue fazer com que todos acreditem no franguinho e na sua promessa de salvação... O fim da história todos já sabem.

A história nos mostra que o mundo se perde quando a Igreja não o ilumina. Ou recuperamos a credibilidade do Magistério católico, ou seremos todos vítimas de quem hoje afirma que o “céu está caindo”.

Referências

  1. Introdução Histórica à Página sobre o Cristianismo, III, 50-52.
  2. Por respeito aos nossos leitores, preferimos não citar diretamente as barbaridades que começaram a aparecer, quer na imprensa, quer nas redes sociais, tão logo a população se recolheu dentro de suas casas. De concursos inusitados, bebedeiras a sexo explícito, o tempo atual bem poderia ficar conhecido como “pandemia da luxúria”.
  3. Papa Bento XVI. Audiência Geral (16 de junho de 2010).
  4. Margaret Sanger. Woman and new races. New York: Eldritch Press, 1920 (versão eletrônica).
  5. Papa Bento XVI. Discurso aos participantes no Congresso promovido pelo Partido Popular Europeu (30 de março de 2006).

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Católicos, sem essa de adivinhação!
Doutrina

Católicos, sem essa de adivinhação!

Católicos, sem essa de adivinhação!

As revelações de Deus não são para nos meter medo e encher a cabeça de preocupações e previsões de um futuro terreno. São, antes, para nos convidar ao amor e à meditação do único futuro que não passará jamais.

Equipe Christo Nihil Praeponere17 de Abril de 2020Tempo de leitura: 6 minutos
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A presente pandemia do novo coronavírus desenterrou os temores de muitas pessoas de fé com relação ao fim dos tempos. As igrejas católicas fechadas no mundo inteiro e o culto público a Deus suspenso por tempo indeterminado remetem-nos quase de imediato à supressão do holocausto perpétuo, tal como profetizada no livro do profeta Daniel (cf. 9, 27). Some-se a  este cenário praticamente inaudito na história da Igreja a apostasia geral que há da verdade, e é como se todas as peças do quebra-cabeça se encaixassem… 

A bem da verdade, embora não haja Missas públicas, nem por isso o santo sacrifício deixou de ser rezado pelos sacerdotes, com o que não seria exato falar de “cessação” ou até “abolição” do sacrifício em nossos tempos. Além disso, por mais terrível que esteja a situação da estrutura humana da Igreja, nossos templos continuam a guardar o Corpo e o Sangue do único e verdadeiro Deus. Por isso, a “abominação desoladora” de que fala o mesmo profeta Daniel (cf. 11, 31; 12, 11) — e que tantos já evocaram recentemente — tem suas aplicações à nossa época, sim, mas cum grano salis. Certamente há coisas muito piores por vir.

Comecemos lembrando que os sinais que precedem o fim do mundo foram dados pelo próprio Senhor. Ainda que Ele tenha alertado: ninguém sabe o dia nem a hora (cf. Mc 13, 32), mas nem por isso seus discípulos ficaram completamente “no escuro”. Precederiam a segunda vinda de Cristo a pregação do Evangelho por todo o mundo, a conversão dos judeus, a apostasia da fé, a aparição do Anticristo e, além disso, grandes calamidades (cf. Ott, T. Dogm., pp. 712-714) — de cuja lista não estão excluídas as pestes (cf. Mt 24, 7). 

Tudo isso está no Evangelho, para quem quiser ler, e em fidelidade às palavras de Jesus, também o atual Catecismo fala amplamente sobre o tema (cf. nn. 668-682). Tocar nesse assunto, portanto, não é alimentar “teorias da conspiração”, mas simplesmente falar de nossa fé católica. No Credo, todos os fiéis são chamados a confessar que Cristo, do Céu, “há de vir a julgar os vivos e os mortos” — e não de qualquer modo, sed cum gloria, como diz o Símbolo niceno. 

Mas uma coisa é crer nisso, outra bem diferente é transformar essas verdades em objeto de uma curiosidade malsã.

Pois é sentença certa em teologia que “os homens desconhecem o momento em que Jesus virá de novo” (Ott, T. Dogm., p. 714), e ponto final. A nós não cabe conhecer os tempos e momentos que o Pai fixou com sua própria autoridade (cf. At 1, 7). A curiosidade humana pode tornar-se pecaminosa por várias razões, e uma delas, segundo Santo Tomás de Aquino, é

quando alguém ambiciona conhecer uma verdade superior às suas possibilidades, pois assim cai, facilmente, em erros. Por isso, diz o livro do Eclesiástico (3, 22): “O que é muito difícil para ti, não o procures; o que está acima de tuas forças, não o investigues nem sejas curioso a respeito das muitas obras dele”. E depois acrescenta (v. 26): “Muitos se transviaram por suas especulações; sua imaginação perversa falseou seus pensamentos” (STh II-II 167 1 c.). 

Acontece muitas vezes, é verdade, de o Céu adiantar-se, por assim dizer, revelando de maneira privada os desígnios divinos para determinadas épocas. Foi o que aconteceu em La Salette, em Lourdes e em Fátima, e pode acontecer também agora, porque Deus é livre para comunicar-nos a sua vontade da forma que achar mais conveniente. O que não podemos é perder de vista a intenção e a essência do que Ele nos quer transmitir. Não é correto, diante dos apelos e mensagens autênticas do além, comportar-nos como “adivinhos católicos”, usando-os simplesmente para fazer conjecturas e roteiros apocalípticos, como se fosse menos verdade, agora, que o futuro de fato a Deus pertence, e que, “quanto àquele dia e àquela hora, ninguém o sabe, nem mesmo os anjos do céu, mas somente o Pai” (Mt 24, 36). 

Quando nos envia seus mensageiros (e Deus realmente no-los envia); quando Ele manda, por exemplo, que sua Mãe santíssima apareça (como em tantos lugares apareceu), predizendo castigos e anunciando desgraças, os avisos celestes vêm sempre acompanhados de condições: se não se fizer isto, dar-se-á aquilo. Os alertas das revelações privadas são sempre um eco da Palavra eterna que diz: “Se não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo” (Lc 13, 3). Porque, no fundo, o que importa é isto: a nossa conversão, o arrependimento dos nossos pecados, a reforma da nossa vida.

Assim como não interessava, naquela ocasião, se os galileus mortos por Pilatos e os homens sobre os quais caiu a torre de Siloé eram mais pecadores que o resto, também hoje tampouco nos interessam as minúcias dos próximos capítulos do presente flagelo ou os eventos finais de nossa salvação. O fato é que, se não nos convertermos; se não aproveitarmos o que Deus bondosamente tem permitido em nossas vidas para fazer penitência por nossas faltas, lembrar-nos que temos uma alma, meditar em que, com ou sem coronavírus, todos um dia morreremos e seremos julgados... nós pereceremos. E não de uma morte física, mas da morte eterna.

Concentremo-nos nesta verdade, meditemos sobre isto em oração: a vida eterna é o que ficará; por isso, é com ela que devemos nos preocupar, acima de tudo. Nesses dias em que só se tem notícia de infectados e mortos, complôs e desinformações, crises e colapsos, somos constantemente tentados à curiosidade e à angústia, à ansiedade e até ao desespero. Mas eis com que palavras Nosso Senhor quer consolar-nos nestes dias: 

Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas essas coisas vos serão dadas em acréscimo. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado (Mt 6, 31-34).

Isso é muito difícil, porque somos assaltados de todos os lados pelo mundo, e as vozes parecem gritar-nos na cabeça: “Preocupe-se! Preocupe-se! Preocupe-se!” Mas o que Jesus nos manda é possível, sim, se pedirmos cada vez mais no Deus providente, que cuida com muito mais desvelo de nós que dos pássaros do céu e das ervas do campo; se meditarmos em que o amanhã desta vida não nos está garantido (ou seja, eu posso morrer hoje), mas o amanhã da vida eterna virá e, se eu estiver na graça de Deus, viverei com Ele e serei feliz para sempre ao seu lado.

Quando o Céu nos visita, é para recordar-nos isso (e quando nos castiga, é para evitar que nos condenemos ao inferno). Não se trata de pôr-nos um medo mundano e encher-nos a cabeça de preocupações e previsões de um futuro terreno, mas de convidar-nos ao amor, e à meditação do único futuro que não passará jamais. Se entendermos isso, olharemos de outro modo tanto para as notícias de todos os dias, quanto para as profecias dos últimos dias (sejam elas ou não dignas de crédito).

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