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Por que a cultura do sexo inconsequente está acabando com os jovens?
Sociedade

Por que a cultura
do sexo inconsequente
está acabando com os jovens?

Por que a cultura do sexo inconsequente está acabando com os jovens?

As pessoas estão se casando cada vez mais tarde, mas começam a se relacionar cada vez mais cedo. O que antes acontecia dentro de um compromisso sério agora se reduz a uma malfadada “diversão”, e com uma série de inconvenientes, para o corpo e para a alma.

Joseph ShawTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere13 de Junho de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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O mundo para o qual mandamos os nossos jovens é diferente do mundo dos nossos antepassados em muitos aspectos. Ele é organizado a partir de princípios de recompensa e punição que se associam de modo incoerente e, por isso, emitem sinais confusos. Em determinados aspectos, tornou-se difícil combinar virtude e felicidade natural com sucesso terreno, e isso dá origem a escolhas difíceis.

A modernidade gosta de afirmar o contrário: foram os nossos antepassados que sofreram esse dilema por causa de suas convenções sociais “artificiais”. Particularmente, eles tornaram a atividade sexual fora do matrimônio menos atraente, algo que muitas pessoas, em todas as épocas, tiveram a tentação de fazer. Portanto, prossegue o argumento moderno, isso foi artificial, e depois que aquelas convenções deixaram de existir (para quase todo o mundo e por razões práticas) todos estão numa situação melhor agora. As pessoas podem fazer o que quiserem, e obviamente isso é bom, não é?

Não é, porém, uma conclusão evidente que a satisfação dos nossos desejos sexuais imediatos e naturais seja compatível com os nossos mais estimados objetivos a longo prazo. O assunto requer uma reflexão séria.

É altamente provável que as pessoas que entram na vida adulta queiram, em algum momento, se casar e ter filhos. Excluída a possibilidade de uma vocação religiosa, a maioria das pessoas se casa, e muitas das que ficam solteiras gostariam de ter se casado. Isso inclui muitos que desprezaram a ideia quando eram mais novos; não se trata, pois, de uma possibilidade que deva ser descartada irrefletidamente de antemão. Para as mulheres, com o tempo, o desejo de ter filhos tem uma tendência particular a crescer.

As exigências da educação em tempo integral e da convenção social moderna fizeram a média de idade do primeiro casamento subir. Em 2018, a média feminina nos Estados Unidos era de 27,8 anos e a masculina era de 29,8. Isso faz com que homens e mulheres jovens tenham uma fase adulta de mais ou menos dez anos antes do casamento. Que tipo de relação romântica você poderia ou deveria ter durante esse longo intervalo?

A resposta normal é “diversão” e, em essência, a alegação moderna é que esse estilo de vida não tem um lado negativo. Em muitos ambientes sociais, ao contrário, quem resiste a esse modo de agir é tido não tanto como um rebelde, mas como uma aberração antissocial. Só que o estilo de vida padrão da monogamia periódica, que progressivamente se transforma em promiscuidade, de fato tem inconvenientes.

A primeira e mais óbvia consideração é de ordem física. Uma década de atividade sexual durante o próprio pico de fertilidade é algo que naturalmente terá como consequência a gravidez. Ela geralmente não faz parte do plano; portanto, esse estilo de vida pressupõe um compromisso de longo prazo com a contracepção. Por causa do uso prolongado de contracepção nesse período, aquilo que teoricamente poderia corresponder a níveis insignificantes de falha na contracepção está longe de ser insignificante, e o mesmo vale para doenças sexualmente transmissíveis. No caso da gravidez, isso significa que a cultura do sexo inconsequente também é, necessariamente, uma cultura de aborto.

As únicas formas de contracepção que permitem à mulher um controle sobre o próprio corpo são as que possuem consequências potencialmente negativas para a sua saúde e particularmente para a sua fertilidade futura. Mais uma vez, isso parece uma questão insignificante, mas basta usar contraceptivos por dez anos para que as probabilidades aumentem. Os leitores podem buscar informações na internet por conta própria. 

De um ponto de vista psicológico, o sexo inconsequente não é de modo algum livre de consequências emocionais. A ideologia moderna afirma que o desgosto, a traição, o ciúme e a decepção que fazem parte desse estilo de vida são o preço a pagar para ter relacionamentos emocionalmente gratificantes. Trata-se de uma verdade pela metade. Sim, o envolvimento emocional com outro ser humano traz consigo a possibilidade de traição, mas essa probabilidade resulta da falta de verdadeiro compromisso. A única resposta possível a essa dificuldade é tentar evitar o envolvimento emocional tanto quanto possível. Isso é difícil, mas a prática leva à perfeição. Após mais ou menos uma década de esforço constante, divorciar a sexualidade do afeto pode tornar-se quase uma segunda natureza. Só que isso é não uma preparação para o matrimônio, mas um treinamento para o divórcio.

De um ponto de vista espiritual, esperemos e rezemos para que todos os nossos jovens se arrependam de suas indiscrições juvenis quando finalmente se casarem. Muitos dos maiores santos tiveram muito do que se arrepender; portanto, isso com certeza não é impossível. Mas o arrependimento de um pecado sério exige o reconhecimento de que o que se fez foi seriamente errado. Ninguém pode dizer que “nem importa tanto assim” porque é possível arrepender-se depois. Se não importa, nem há por que arrepender-se depois. Se alguém pensa que não importa, arrepender-se mais tarde torna-se impossível. A verdade é que uma grande quantidade de jovens católicos se casa sem purificar as próprias consciências; como resultado, eles deixam de ganhar em plenitude as graças do sacramento que recebem.

Um único pecado mortal nos faz perder a amizade de Deus e acaba com a vida da graça. Viver nesse estado por um período prolongado é ruim não apenas por causa da possibilidade remota da morte... É ruim porque equivale à morte, a morte da alma.

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Conheça Santo Antônio!
Cursos

Conheça Santo Antônio!

Conheça Santo Antônio!

Junho é o mês de Santo Antônio! Mas, mesmo sendo muito venerado, a vida desse santo é muito pouco conhecida. Por isso, Pe. Paulo Ricardo quer apresentar a você, na forma de um breve curso, a biografia desse grande Doutor da Igreja.

Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Junho de 2020Tempo de leitura: 1 minutos
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Em 1220, isto é, 800 anos atrás, morriam no Marrocos os primeiros mártires franciscanos, acontecimento decisivo na história da Igreja e ponto de inflexão na vida de um cônego agostiniano português...

O nome de batismo desse sacerdote era Fernando de Bulhões, mas é com o nome de Santo Antônio de Lisboa (em referência ao lugar onde nasceu) e de Pádua (em referência ao lugar onde está sepultado) que sua fama viria a espalhar-se por todo o mundo.

A verdade, porém, é que, mesmo sendo muito venerado, a vida de Santo Antônio é muito pouco conhecida. Os brasileiros mesmos praticamente só o conhecemos como um “casamenteiro” e “fazedor de milagres” que traz o Menino Jesus nos braços.

Mas junho é o mês de Santo Antônio, cuja memória os católicos celebramos no dia 13, e o Pe. Paulo Ricardo quer aproveitar essa oportunidade para apresentar a você, na forma de um breve curso, a biografia desse grande Doutor da Igreja.

O que se esconde por trás dos inúmeros prodígios e favores que Santo Antônio faz aos homens? Por que ele foi chamado “Martelo dos Hereges” e “Arca do Testamento”? Qual é, em suma, a razão de sua grande santidade, que levou o Papa a canonizá-lo menos de um ano após a sua morte?

É o que você vai descobrir a partir do próximo dia 23 de junho, às 21h, aqui em nosso site! Faça sua pré-inscrição para esse curso clicando aqui e seja notificado quando nossas inscrições abrirem!

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A oferta de uma santa “ao Amor Misericordioso”
Oração

A oferta de uma santa
“ao Amor Misericordioso”

A oferta de uma santa “ao Amor Misericordioso”

125 anos atrás, Santa Teresinha do Menino Jesus se ofereceu como “Vítima de Holocausto ao Amor Misericordioso do Bom Deus”, com uma oração que inúmeros fiéis e devotos repetiriam, e que a Igreja enriqueceria com indulgências perpétuas.

Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face10 de Junho de 2020Tempo de leitura: 3 minutos
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No dia 11 de junho de 1895, Santa Teresinha do Menino Jesus se ofereceu como “Vítima de Holocausto ao Amor Misericordioso do Bom Deus”. Para tanto, ela se serviu da fórmula abaixo, composta por ela mesma e usada, depois, por outras irmãs de sua comunidade, que repetiram a mesma oferta. 

O texto dessa oração constitui um tesouro da espiritualidade católica e é enriquecido com indulgências perpétuas: de 300 dias, cada vez que for rezado com devoção, começando ao menos das palavras “ofereço-me como vítima de holocausto…”; e plenárias, em cada mês, quando recitado todos os dias desse mês e cumprindo-se as condições habituais de recebimento das indulgências (conc. da Penitenciaria Apostólica, 31 jul. 1923).


Oferecimento de mim mesma como Vítima de Holocausto ao Amor Misericordioso do Bom Deus

Ó meu Deus! Bem-aventurada Trindade, desejo amar-vos e fazer que vos amem, trabalhar pela glorificação da Santa Igreja, salvando as almas que estão na terra, e libertando as que sofrem no Purgatório. Desejo cumprir, perfeitamente, vossa vontade e alcançar o grau de glória que me preparastes em vosso reino. Numa palavra, desejo ser Santa, mas sinto minha impotência, e peço-vos, ó meu Deus, sede vós mesmo a minha Santidade! 

Já que me amastes a ponto de me dardes vosso Filho único para ser meu Salvador e meu Esposo, são meus os infinitos tesouros de seus méritos. Com prazer, eu vo-los ofereço, suplicando-vos não olheis para mim senão através da Face de Jesus e dentro de seu Coração abrasado de Amor. 

Ofereço-vos também todos os merecimentos dos Santos (que estão no Céu e na terra), seus atos de amor e aqueles dos Santos Anjos. Ofereço-vos, enfim, ó Bem-aventurada Trindade, o amor e os méritos da Santíssima Virgem, minha querida Mãe. É a ela que entrego minha oferenda, pedindo-lhe que a apresente a vós. Seu divino Filho, meu Amado Esposo, nos disse nos dias de sua vida mortal: “Tudo quanto pedirdes ao meu Pai em meu nome, ele vo-lo dará!”. Tenho, pois, certeza de que atendereis meus desejos; eu sei, ó meu Deus: quanto mais quereis dar, tanto mais impelis a desejar. Sinto em meu coração desejos imensos, e é com confiança que vos peço que venhais tomar posse de minha alma. Ah! Não me é dado receber a santa Comunhão tantas vezes, quantas desejo. Mas, Senhor, não sois Todo-Poderoso?... Ficai em mim, como no Tabernáculo, não vos afasteis jamais de vossa pequenina hóstia…

Quisera consolar-vos da ingratidão dos perversos e vos suplico que me tireis a liberdade de vos ofender. Se alguma vez cair por fraqueza, vosso divino olhar purifique imediatamente minha alma, consumindo todas as minhas imperfeições, como o fogo transforma em si próprio todas as coisas… 

Agradeço-vos, ó meu Deus, todas as graças que me concedestes, de modo particular a de me terdes feito passar pelo cadinho do sofrimento. É com alegria que vos contemplarei no último dia, a empunhar o cetro da Cruz; e, já que vos dignastes me dar como partilha esta Cruz tão preciosa, espero, no Céu, me assemelhar a vós e ver brilhar em meu corpo glorificado os sagrados estigmas de vossa Paixão… 

Depois do exílio da terra, espero ir gozar de vós na Pátria. Mas, não quero ajuntar méritos para o Céu; quero trabalhar só por vosso Amor, com o único intuito de vos agradar, de consolar vosso Sagrado Coração, e de salvar almas que vos amem eternamente. 

No entardecer desta vida, comparecerei diante de vós com mãos vazias, pois não vos peço, Senhor, que leveis em conta minhas obras. Todas as nossas justiças têm defeitos aos vossos olhos. Quero, pois, revestir-me de vossa própria Justiça, e receber de vosso Amor a eterna posse de vós mesmo. Não quero outro Trono nem outra Coroa senão vós mesmo, ó meu Amado! 

Para vós, o tempo não é nada. Um único dia é como se fossem mil anos. Podeis, então, preparar-me num instante para comparecer diante de vós…

A fim de viver num ato de perfeito Amor, ofereço-me como vítima de holocausto ao vosso Amor Misericordioso, pedindo-vos que me consumais sem cessar, e façais irromper em minha alma as torrentes de infinita ternura em que vós se encerram, e assim me torne Mártir de vosso Amor, ó meu Deus!...

Que esse martírio, depois de me haver preparado para comparecer diante de vós, me faça enfim morrer, e minha alma se lance sem demora ao eterno abraço de vosso Misericordioso Amor…

Quero, Amado meu, a cada batida do coração, renovar-vos este oferecimento um sem-número de vezes, até que, desfeitas as sombras, possa afiançar-vos meu Amor num eternal Face a face!...

Maria Francisca Teresa do Menino Jesus e da Santa Face
rel. carm. ind.

Festa da Santíssima Trindade.
9 de junho do ano da graça de 1895

Referências

  • Santa Teresa do Menino Jesus. Obras completas: escritos e últimos colóquios (O 6). São Paulo: Paulus, 2002, pp. 833–835.

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“Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal”
Espiritualidade

“Eu sou o Anjo
da sua guarda, o Anjo de Portugal”

“Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal”

Há pouco mais de um século, em 1916, um anjo visitou três pastorinhos em Portugal, preparando seus corações para as aparições de Nossa Senhora de Fátima. Quem registrou esses acontecimentos em detalhes foi a própria Irmã Lúcia, uma das videntes.

Irmã Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado10 de Junho de 2020Tempo de leitura: 6 minutos
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“A treze de maio, na Cova da Iria, no céu aparece a Virgem Maria”, é o que cantamos em honra a Nossa Senhora, que apareceu em Fátima no ano de 1917. Um ano antes, no entanto, os três pastorinhos Lúcia, Jacinta e Francisco foram visitados pelo Anjo custódio de Portugal e tiveram os seus corações preparados para esse grande acontecimento sobrenatural. Sendo hoje, 10 de junho, festa desse Santo Anjo da Guarda (ainda que ela não conste no calendário litúrgico do Brasil), recordemos essas aparições celestes, tal como registradas pela vidente Irmã Lúcia em suas “Memórias”:


Pelo que posso mais ou menos calcular, parece-me que foi em 1915 que se deu essa primeira aparição do que julgo ser o Anjo, que não ousou, por então, manifestar-se de todo. Pelo aspecto do tempo, penso que se deveram dar nos meses de Abril até Outubro.

Na encosta do cabeço que fica voltada para o Sul, ao tempo de rezar o terço na companhia de três companheiras, de nome Teresa Matias, Maria Rosa Matias, sua irmã e Maria Justino, do lugar da Casa Velha, vi que sobre o arvoredo do vale que se estendia a nossos pés pairava uma como que nuvem, mais branca que neve, algo transparente, com forma humana. As minhas companheiras perguntaram-me o que era. Respondi que não sabia. Em dias diferentes, repetiu-se mais duas vezes.

Esta aparição deixou-me no espírito uma certa impressão que não sei explicar. Pouco e pouco, essa impressão ia-se desvanecendo; e creio que, se não são os factos que se lhe seguiram, com o tempo a viria a esquecer por completo.

As datas não posso precisá-las com certeza, porque, nesse tempo, eu não sabia ainda contar os anos, nem os meses, nem mesmo os dias da semana. Parece-me, no entanto, que deveu ser na Primavera de 1916 que o Anjo nos apareceu a primeira vez na nossa Loca do Cabeço.

Já disse, no escrito sobre a Jacinta, como subimos a encosta em procura dum abrigo e como foi, depois de aí merendar e rezar, que começámos a ver, a alguma distância, sobre as árvores que se estendiam em direcção ao Nascente, uma luz mais branca que a neve, com a forma dum jovem, transparente, mais brilhante que um cristal atravessado pelos raios do Sol. À medida que se aproximava, íamos-lhe distinguindo as feições. Estávamos surpreendidos e meios absortos. Não dizíamos palavra.

Ao chegar junto de nós, disse:

Não temais. Sou o Anjo da Paz. Orai comigo.

E ajoelhando em terra, curvou a fronte até ao chão. Levados por um movimento sobrenatural, imitámo-lo e repetimos as palavras que lhe ouvimos pronunciar:

— Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

Depois de repetir isto três vezes, ergueu-se e disse:

— Orai assim. Os Corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas.

E desapareceu.

A atmosfera do sobrenatural que nos envolveu era tão intensa, que quase não nos dávamos conta da própria existência, por um grande espaço de tempo, permanecendo na posição em que nos tinha deixado, repetindo sempre a mesma oração. A presença de Deus sentia-se tão intensa e íntima que nem mesmo entre nós nos atrevíamos a falar. No dia seguinte, sentíamos o espírito ainda envolvido por essa atmosfera que só muito lentamente foi desaparecendo.

Nesta aparição, nenhum pensou em falar nem em recomendar o segredo. Ela de si o impôs. Era tão íntima que não era fácil pronunciar sobre ela a menor palavra. Fez-nos, talvez, também, maior impressão, por ser a primeira assim manifesta.

A segunda deveu ser no pino do Verão, nesses dias de maior calor, em que íamos com (os) rebanhos para casa, no meio da manhã, para os tornar a abrir só à tardinha.

Fomos, pois passar as horas da sesta à sombra das árvores que cercavam o poço já várias vezes mencionado. De repente, vimos o mesmo Anjo junto de nós.

— Que fazeis? Orai! Orai muito! Os Corações de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios.

— Como nos havemos de sacrificar? — perguntei.

— De tudo que puderdes, oferecei um sacrifício em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí, assim, sobre a vossa Pátria, a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar.

Estas palavras do Anjo gravaram-se em nosso espírito, como uma luz que nos fazia compreender quem era Deus, como nos amava e queria ser amado, o valor do sacrifício e como ele Lhe era agradável, como, por atenção a ele, convertia os pecadores. Por isso, desde esse momento, começamos a oferecer ao Senhor tudo que nos mortificava, mas sem discorrermos a procurar outras mortificações ou penitências, excepto a de passarmos horas seguidas prostrados por terra, repetindo a oração que o Anjo nos tinha ensinado.

A terceira aparição parece-me que deveu ser em Outubro ou fins de Setembro, porque já não íamos passar as horas da sesta a casa.

Como já disse no escrito sobre a Jacinta, passámos da Prégueira (é um pequeno olival pertencente a meus pais) para a Lapa, dando a volta à encosta do monte pelo lado de Aljustrel e Casa Velha. Rezámos aí o terço e (a) oração que na primeira aparição nos tinha ensinado. Estando, pois, aí, apareceu-nos pela terceira vez, trazendo na mão um cálix e sobre ele uma Hóstia, da qual caíam, dentro do cálix, algumas gotas de sangue. Deixando o cálix e a Hóstia suspensos no ar, prostrou-se em terra e repetiu três vezes a oração:

— Santíssima Trindade, Padre, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.

Depois, levantando-se, tomou de novo na mão o cálix e a Hóstia e deu-me a Hóstia a mim e o que continha o cálix deu-o a beber à Jacinta e ao Francisco, dizendo, ao mesmo tempo:

Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.

De novo se prostrou em terra e repetiu connosco a mais três vezes a mesma oração:

— Santíssima Trindade... etc.

E desapareceu.

Levados pela força do sobrenatural que nos envolvia, imitávamos o Anjo em tudo, isto é, prostrando-nos como Ele e repetindo as orações que Ele dizia. A força da presença de Deus era tão intensa que nos absorvia e aniquilava quase por completo. Parecia privar-nos até do uso dos sentidos corporais por um grande espaço de tempo. Nesses dias, fazíamos as acções materiais como que levados por esse mesmo ser sobrenatural que a isso nos impelia. A paz e felicidade que sentíamos era grande, mas só íntima, completamente concentrada a alma em Deus. O abatimento físico, que nos prostrava, também era grande.

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