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Conheça Santo Antônio!
Cursos

Conheça Santo Antônio!

Conheça Santo Antônio!

Junho é o mês de Santo Antônio! Mas, mesmo sendo muito venerado, a vida desse santo é muito pouco conhecida. Por isso, Pe. Paulo Ricardo quer apresentar a você, na forma de um breve curso, a biografia desse grande Doutor da Igreja.

Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Junho de 2020Tempo de leitura: 1 minutos
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Em 1220, isto é, 800 anos atrás, morriam no Marrocos os primeiros mártires franciscanos, acontecimento decisivo na história da Igreja e ponto de inflexão na vida de um cônego agostiniano português...

O nome de batismo desse sacerdote era Fernando de Bulhões, mas é com o nome de Santo Antônio de Lisboa (em referência ao lugar onde nasceu) e de Pádua (em referência ao lugar onde está sepultado) que sua fama viria a espalhar-se por todo o mundo.

A verdade, porém, é que, mesmo sendo muito venerado, a vida de Santo Antônio é muito pouco conhecida. Os brasileiros mesmos praticamente só o conhecemos como um “casamenteiro” e “fazedor de milagres” que traz o Menino Jesus nos braços.

Mas junho é o mês de Santo Antônio, cuja memória os católicos celebramos no dia 13, e o Pe. Paulo Ricardo quer aproveitar essa oportunidade para apresentar a você, na forma de um breve curso, a biografia desse grande Doutor da Igreja.

O que se esconde por trás dos inúmeros prodígios e favores que Santo Antônio faz aos homens? Por que ele foi chamado “Martelo dos Hereges” e “Arca do Testamento”? Qual é, em suma, a razão de sua grande santidade, que levou o Papa a canonizá-lo menos de um ano após a sua morte?

É o que você vai descobrir a partir do próximo dia 23 de junho, às 21h, aqui em nosso site! Faça sua pré-inscrição para esse curso clicando aqui e seja notificado quando nossas inscrições abrirem!

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A oferta de uma santa “ao Amor Misericordioso”
Oração

A oferta de uma santa
“ao Amor Misericordioso”

A oferta de uma santa “ao Amor Misericordioso”

125 anos atrás, Santa Teresinha do Menino Jesus se ofereceu como “Vítima de Holocausto ao Amor Misericordioso do Bom Deus”, com uma oração que inúmeros fiéis e devotos repetiriam, e que a Igreja enriqueceria com indulgências perpétuas.

Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face10 de Junho de 2020Tempo de leitura: 3 minutos
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No dia 11 de junho de 1895, Santa Teresinha do Menino Jesus se ofereceu como “Vítima de Holocausto ao Amor Misericordioso do Bom Deus”. Para tanto, ela se serviu da fórmula abaixo, composta por ela mesma e usada, depois, por outras irmãs de sua comunidade, que repetiram a mesma oferta. 

O texto dessa oração constitui um tesouro da espiritualidade católica e é enriquecido com indulgências perpétuas: de 300 dias, cada vez que for rezado com devoção, começando ao menos das palavras “ofereço-me como vítima de holocausto…”; e plenárias, em cada mês, quando recitado todos os dias desse mês e cumprindo-se as condições habituais de recebimento das indulgências (conc. da Penitenciaria Apostólica, 31 jul. 1923).


Oferecimento de mim mesma como Vítima de Holocausto ao Amor Misericordioso do Bom Deus

Ó meu Deus! Bem-aventurada Trindade, desejo amar-vos e fazer que vos amem, trabalhar pela glorificação da Santa Igreja, salvando as almas que estão na terra, e libertando as que sofrem no Purgatório. Desejo cumprir, perfeitamente, vossa vontade e alcançar o grau de glória que me preparastes em vosso reino. Numa palavra, desejo ser Santa, mas sinto minha impotência, e peço-vos, ó meu Deus, sede vós mesmo a minha Santidade! 

Já que me amastes a ponto de me dardes vosso Filho único para ser meu Salvador e meu Esposo, são meus os infinitos tesouros de seus méritos. Com prazer, eu vo-los ofereço, suplicando-vos não olheis para mim senão através da Face de Jesus e dentro de seu Coração abrasado de Amor. 

Ofereço-vos também todos os merecimentos dos Santos (que estão no Céu e na terra), seus atos de amor e aqueles dos Santos Anjos. Ofereço-vos, enfim, ó Bem-aventurada Trindade, o amor e os méritos da Santíssima Virgem, minha querida Mãe. É a ela que entrego minha oferenda, pedindo-lhe que a apresente a vós. Seu divino Filho, meu Amado Esposo, nos disse nos dias de sua vida mortal: “Tudo quanto pedirdes ao meu Pai em meu nome, ele vo-lo dará!”. Tenho, pois, certeza de que atendereis meus desejos; eu sei, ó meu Deus: quanto mais quereis dar, tanto mais impelis a desejar. Sinto em meu coração desejos imensos, e é com confiança que vos peço que venhais tomar posse de minha alma. Ah! Não me é dado receber a santa Comunhão tantas vezes, quantas desejo. Mas, Senhor, não sois Todo-Poderoso?... Ficai em mim, como no Tabernáculo, não vos afasteis jamais de vossa pequenina hóstia…

Quisera consolar-vos da ingratidão dos perversos e vos suplico que me tireis a liberdade de vos ofender. Se alguma vez cair por fraqueza, vosso divino olhar purifique imediatamente minha alma, consumindo todas as minhas imperfeições, como o fogo transforma em si próprio todas as coisas… 

Agradeço-vos, ó meu Deus, todas as graças que me concedestes, de modo particular a de me terdes feito passar pelo cadinho do sofrimento. É com alegria que vos contemplarei no último dia, a empunhar o cetro da Cruz; e, já que vos dignastes me dar como partilha esta Cruz tão preciosa, espero, no Céu, me assemelhar a vós e ver brilhar em meu corpo glorificado os sagrados estigmas de vossa Paixão… 

Depois do exílio da terra, espero ir gozar de vós na Pátria. Mas, não quero ajuntar méritos para o Céu; quero trabalhar só por vosso Amor, com o único intuito de vos agradar, de consolar vosso Sagrado Coração, e de salvar almas que vos amem eternamente. 

No entardecer desta vida, comparecerei diante de vós com mãos vazias, pois não vos peço, Senhor, que leveis em conta minhas obras. Todas as nossas justiças têm defeitos aos vossos olhos. Quero, pois, revestir-me de vossa própria Justiça, e receber de vosso Amor a eterna posse de vós mesmo. Não quero outro Trono nem outra Coroa senão vós mesmo, ó meu Amado! 

Para vós, o tempo não é nada. Um único dia é como se fossem mil anos. Podeis, então, preparar-me num instante para comparecer diante de vós…

A fim de viver num ato de perfeito Amor, ofereço-me como vítima de holocausto ao vosso Amor Misericordioso, pedindo-vos que me consumais sem cessar, e façais irromper em minha alma as torrentes de infinita ternura em que vós se encerram, e assim me torne Mártir de vosso Amor, ó meu Deus!...

Que esse martírio, depois de me haver preparado para comparecer diante de vós, me faça enfim morrer, e minha alma se lance sem demora ao eterno abraço de vosso Misericordioso Amor…

Quero, Amado meu, a cada batida do coração, renovar-vos este oferecimento um sem-número de vezes, até que, desfeitas as sombras, possa afiançar-vos meu Amor num eternal Face a face!...

Maria Francisca Teresa do Menino Jesus e da Santa Face
rel. carm. ind.

Festa da Santíssima Trindade.
9 de junho do ano da graça de 1895

Referências

  • Santa Teresa do Menino Jesus. Obras completas: escritos e últimos colóquios (O 6). São Paulo: Paulus, 2002, pp. 833–835.

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“Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal”
Espiritualidade

“Eu sou o Anjo
da sua guarda, o Anjo de Portugal”

“Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal”

Há pouco mais de um século, em 1916, um anjo visitou três pastorinhos em Portugal, preparando seus corações para as aparições de Nossa Senhora de Fátima. Quem registrou esses acontecimentos em detalhes foi a própria Irmã Lúcia, uma das videntes.

Irmã Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado10 de Junho de 2020Tempo de leitura: 6 minutos
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“A treze de maio, na Cova da Iria, no céu aparece a Virgem Maria”, é o que cantamos em honra a Nossa Senhora, que apareceu em Fátima no ano de 1917. Um ano antes, no entanto, os três pastorinhos Lúcia, Jacinta e Francisco foram visitados pelo Anjo custódio de Portugal e tiveram os seus corações preparados para esse grande acontecimento sobrenatural. Sendo hoje, 10 de junho, festa desse Santo Anjo da Guarda (ainda que ela não conste no calendário litúrgico do Brasil), recordemos essas aparições celestes, tal como registradas pela vidente Irmã Lúcia em suas “Memórias”:


Pelo que posso mais ou menos calcular, parece-me que foi em 1915 que se deu essa primeira aparição do que julgo ser o Anjo, que não ousou, por então, manifestar-se de todo. Pelo aspecto do tempo, penso que se deveram dar nos meses de Abril até Outubro.

Na encosta do cabeço que fica voltada para o Sul, ao tempo de rezar o terço na companhia de três companheiras, de nome Teresa Matias, Maria Rosa Matias, sua irmã e Maria Justino, do lugar da Casa Velha, vi que sobre o arvoredo do vale que se estendia a nossos pés pairava uma como que nuvem, mais branca que neve, algo transparente, com forma humana. As minhas companheiras perguntaram-me o que era. Respondi que não sabia. Em dias diferentes, repetiu-se mais duas vezes.

Esta aparição deixou-me no espírito uma certa impressão que não sei explicar. Pouco e pouco, essa impressão ia-se desvanecendo; e creio que, se não são os factos que se lhe seguiram, com o tempo a viria a esquecer por completo.

As datas não posso precisá-las com certeza, porque, nesse tempo, eu não sabia ainda contar os anos, nem os meses, nem mesmo os dias da semana. Parece-me, no entanto, que deveu ser na Primavera de 1916 que o Anjo nos apareceu a primeira vez na nossa Loca do Cabeço.

Já disse, no escrito sobre a Jacinta, como subimos a encosta em procura dum abrigo e como foi, depois de aí merendar e rezar, que começámos a ver, a alguma distância, sobre as árvores que se estendiam em direcção ao Nascente, uma luz mais branca que a neve, com a forma dum jovem, transparente, mais brilhante que um cristal atravessado pelos raios do Sol. À medida que se aproximava, íamos-lhe distinguindo as feições. Estávamos surpreendidos e meios absortos. Não dizíamos palavra.

Ao chegar junto de nós, disse:

Não temais. Sou o Anjo da Paz. Orai comigo.

E ajoelhando em terra, curvou a fronte até ao chão. Levados por um movimento sobrenatural, imitámo-lo e repetimos as palavras que lhe ouvimos pronunciar:

— Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

Depois de repetir isto três vezes, ergueu-se e disse:

— Orai assim. Os Corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas.

E desapareceu.

A atmosfera do sobrenatural que nos envolveu era tão intensa, que quase não nos dávamos conta da própria existência, por um grande espaço de tempo, permanecendo na posição em que nos tinha deixado, repetindo sempre a mesma oração. A presença de Deus sentia-se tão intensa e íntima que nem mesmo entre nós nos atrevíamos a falar. No dia seguinte, sentíamos o espírito ainda envolvido por essa atmosfera que só muito lentamente foi desaparecendo.

Nesta aparição, nenhum pensou em falar nem em recomendar o segredo. Ela de si o impôs. Era tão íntima que não era fácil pronunciar sobre ela a menor palavra. Fez-nos, talvez, também, maior impressão, por ser a primeira assim manifesta.

A segunda deveu ser no pino do Verão, nesses dias de maior calor, em que íamos com (os) rebanhos para casa, no meio da manhã, para os tornar a abrir só à tardinha.

Fomos, pois passar as horas da sesta à sombra das árvores que cercavam o poço já várias vezes mencionado. De repente, vimos o mesmo Anjo junto de nós.

— Que fazeis? Orai! Orai muito! Os Corações de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios.

— Como nos havemos de sacrificar? — perguntei.

— De tudo que puderdes, oferecei um sacrifício em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí, assim, sobre a vossa Pátria, a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar.

Estas palavras do Anjo gravaram-se em nosso espírito, como uma luz que nos fazia compreender quem era Deus, como nos amava e queria ser amado, o valor do sacrifício e como ele Lhe era agradável, como, por atenção a ele, convertia os pecadores. Por isso, desde esse momento, começamos a oferecer ao Senhor tudo que nos mortificava, mas sem discorrermos a procurar outras mortificações ou penitências, excepto a de passarmos horas seguidas prostrados por terra, repetindo a oração que o Anjo nos tinha ensinado.

A terceira aparição parece-me que deveu ser em Outubro ou fins de Setembro, porque já não íamos passar as horas da sesta a casa.

Como já disse no escrito sobre a Jacinta, passámos da Prégueira (é um pequeno olival pertencente a meus pais) para a Lapa, dando a volta à encosta do monte pelo lado de Aljustrel e Casa Velha. Rezámos aí o terço e (a) oração que na primeira aparição nos tinha ensinado. Estando, pois, aí, apareceu-nos pela terceira vez, trazendo na mão um cálix e sobre ele uma Hóstia, da qual caíam, dentro do cálix, algumas gotas de sangue. Deixando o cálix e a Hóstia suspensos no ar, prostrou-se em terra e repetiu três vezes a oração:

— Santíssima Trindade, Padre, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.

Depois, levantando-se, tomou de novo na mão o cálix e a Hóstia e deu-me a Hóstia a mim e o que continha o cálix deu-o a beber à Jacinta e ao Francisco, dizendo, ao mesmo tempo:

Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.

De novo se prostrou em terra e repetiu connosco a mais três vezes a mesma oração:

— Santíssima Trindade... etc.

E desapareceu.

Levados pela força do sobrenatural que nos envolvia, imitávamos o Anjo em tudo, isto é, prostrando-nos como Ele e repetindo as orações que Ele dizia. A força da presença de Deus era tão intensa que nos absorvia e aniquilava quase por completo. Parecia privar-nos até do uso dos sentidos corporais por um grande espaço de tempo. Nesses dias, fazíamos as acções materiais como que levados por esse mesmo ser sobrenatural que a isso nos impelia. A paz e felicidade que sentíamos era grande, mas só íntima, completamente concentrada a alma em Deus. O abatimento físico, que nos prostrava, também era grande.

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“Empoderamento” ou manipulação?
Sociedade

“Empoderamento” ou manipulação?

“Empoderamento” ou manipulação?

Estamos mesmo na “era do empoderamento feminino”? Até que ponto as bandeiras feministas realmente redimem e dão poder às mulheres? Como discernir o que de fato as liberta do que não passa, ao contrário, de uma amarga ilusão?

Equipe Christo Nihil Praeponere9 de Junho de 2020Tempo de leitura: 13 minutos
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Esta é a era do empoderamento feminino”, disse a advogada feminista Gloria Allred, em resposta ao movimento #MeToo (“Eu também”), que ganhou o mundo em 2017 depois que a atriz Alyssa Milano fez o primeiro tuíte com a hashtag, denunciando a gravidade do assédio sexual e convidando outras mulheres a revelarem suas histórias. Em pouco tempo, milhares de respostas vieram de toda parte, engrossando o coro feminino contra a “cultura do estupro”.

O estopim foi a denúncia de que o diretor Harvey Weinstein há anos assediava atrizes, modelos e funcionárias de seu estúdio em Hollywood, incluindo nomes como Gwyneth Paltrow e Angelina Jolie. Logo outras histórias vieram à tona, culminando na condenação não só de Weinstein, mas de uma série de personalidades do show business americano. No fim das contas, a celeuma serviu para, além de expor um problema gravíssimo, também questionar o status da mulher e o que se considera como seu “lugar de fala” dentro da sociedade.

Assim como o #MeToo, outras reivindicações femininas ao longo da história confrontaram a visão da mulher como o “sexo frágil”, condenando o comportamento vil de muitos homens que, movidos por uma falsa virilidade, tendem a tratá-las apenas como “objetos de prazer” e nada mais. Foi a sensação de desprezo, abuso e irrelevância que, em boa parte, levou 90% das islandesas à rua, em 24 de outubro de 1975, para participarem do “Dia de Folga das Mulheres”. De lá para cá, outras tantas bandeiras foram levantadas, sendo o #MeToo apenas mais uma delas.

Mas, como toda revolução, o perigo de jogar o bebê fora com a água do banho também é perceptível nesse contexto, e as bandeiras hoje ditas “feministas” nos levam a debater até que ponto esse suposto “empoderamento” é realmente uma redenção da mulher e se muita coisa não passa, na verdade, de uma amarga ilusão.

Uma narrativa em contradição

A pergunta é justa diante dos modelos de “mulheres poderosas” que nos são apresentados. É “poderosa” a mulher que não preza por qualquer pudor ou modéstia e dá de ombros aos padrões ditos “convencionais”. Recentemente, a apresentação de duas cantoras num evento esportivo foi celebrada pela imprensa como uma demonstração do “girl power”, por conta das suas coreografias eróticas e figurinos sensuais. Ali, no palco, elas estariam exercendo livremente a própria sensualidade, sem qualquer submissão ou tabu.

No fundo, a questão não parece ser o modo como a mulher é tratada sexualmente pelo homem, mas se ela aceita ou não ser tratada assim. Tudo depende do consentimento. O que se busca, portanto, é a emancipação da vontade feminina, de modo que a mulher possa fazer o que quiser, acima de qualquer juízo moral. E, consequentemente, o corpo dela acaba se convertendo num instrumento de protesto, numa bandeira com a qual ela afronta papéis, instituições e a sua própria sexualidade. Trocando em miúdos, a mulher deveria ser livre para, inclusive, não ser mulher.

Simone de Beauvoir, filósofa e ativista francesa do século XX.

O sucesso de visuais andróginos é muito representativo desse pensamento, porque desconstrói qualquer estereótipo de feminilidade. Como disse Simone de Beauvoir certa vez, “não se nasce mulher; fazem-na mulher” — on ne naît pas femme, on le devient. Desse modo, considera-se que, no ser da mulher, não há uma natureza, mas apenas uma construção social, um ideal feminino, que agora deve ser desfeito para dar vez à vontade de todo aquele ou aquela que se identifica como mulher, tendo ou não uma genitália feminina...

Nem todas as mulheres, porém, comungam desse ideal feminino, sobretudo no que diz respeito a temas como vida, sexualidade e família. E aqui a narrativa do “empoderamento” parece entrar em contradição. Quando uma mulher se recusa, por exemplo, a aceitar a ideologia de gênero, ela não só é criticada, chamada de “fascista”, “machista” e “transfóbica”, como também acaba sendo excluída do seu (chamado) “lugar de fala”. Não lhe é dado o direito de divergir, restando-lhe apenas o desprezo e a zombaria, ao passo que à mulher-trans, seja lá o que esse termo signifique, são reservadas todas as deferências. Isso é particularmente sensível na área dos esportes, uma vez que o Comitê Olímpico Internacional não exige sequer a cirurgia de mudança física para que um homem possa jogar contra mulheres numa competição. Basta ao atleta declarar que “sua identidade de gênero é feminina”, e pronto, ele já pode sair distribuindo porradas em ringues femininos.

Testemunho revelador

Acontece que nada vem do nada, sobretudo ideias. O “empoderamento” feminino, nos moldes descritos anteriormente, não surgiu da cabeça de uma mulher que, de repente, tomou consciência de si e de suas colegas. Na verdade, foi da cabeça de um homem, Kingsley Davis, que, por meio de sua aluna, Adrienne Germain, convenceu as fundações Rockefeller, Ford, MacArthur etc. a investirem em engenharia social, a fim de mudarem o comportamento e a mentalidade das mulheres, especialmente sobre maternidade e família. Obviamente, não é possível reduzir a complexidade do tema à intervenção de uma ou duas pessoas, mas o financiamento de ONGs feministas por fundações internacionais é coisa amplamente documentada e admitida publicamente pelas próprias feministas.

Frances Kissling, fundadora do grupo Catholics for Choice.

O testemunho de Frances Kissling, fundadora das Catholics for Choice [no Brasil, CDD: “Católicas pelo Direito de Decidir”], é revelador nesse sentido. Numa entrevista a Rebecca Sharpless, em 2002, ela contou como “o fato de ter recebido uma doação da Fundação Ford” representava, para sua organização recém-criada, “um ponto de virada”, porque aquilo “significava que tínhamos sido finalmente admitidas naquele [outro] mundo”, ou seja, na militância abortista. Dentre as fundações listadas por Kissling estavam, além da Ford, outras como a Sunnen e a Playboy, todas interessadas na propaganda dos “direitos reprodutivos” como meio para o controle populacional. Em 2007, o jornal The New York Times divulgou que o orçamento anual das CDD chegava a três milhões de dólares, por meio do financiamento dessas fundações, especialmente da Ford.

O papel das ONGs é importantíssimo para a propaganda cultural, dada a representatividade delas na imprensa e na política. Na audiência pública sobre a legalização do aborto no Brasil, em 2018, essas entidades se apresentaram ao STF como legítimas porta-vozes das mulheres, ainda que a maioria dos brasileiros seja contrária a qualquer mudança na legislação sobre o tema.

No caso das “Católicas pelo Direito de Decidir”, elas têm a missão específica de minar a imagem da Igreja perante a opinião pública, impingindo-lhe a pecha de “machista”, “misógina”, e “intolerante”, porque, como explicou Frances Kissling na mesma entrevista, “a moral católica é a mais desenvolvida”, de modo que, concluiu ela, “se você puder derrubá-la, derrubará por conseqüência todas as outras”. Daí todo o investimento das fundações, a fim de criar um espantalho da Igreja e seduzir as mulheres para sua suposta agenda de “empoderamento”.

A Igreja oprimia as mulheres?

É frequente a acusação de que a Igreja Católica oprime as mulheres por não as admitir ao sacerdócio ou por conta da sua moral sexual [1]. Mas, no fundo, o que se pretende com tal ataque é, segundo Judith Butler, “a luta por aceitar o desejo como princípio de deslocamento metafísico e dissonância psíquica e o esforço orientado por deslocar o desejo com o fim de derrotar a metafísica da identidade” [2]. Traduzindo: trata-se de desmoralizar a única instituição no mundo que, no contexto atual, ousa proclamar que existe uma natureza humana — donde derivam os direitos e deveres da pessoa —, natureza que homens e mulheres devem respeitar e não podem manipular como lhes apetece [3].

Judith Butler, filósofa pós-estruturalista norte-americana.

A verdade é que, longe de oprimir as mulheres, a consciência da Igreja sobre a natureza humana foi justamente o que as libertou, numa época em que o direito romano e a cultura pagã as consideravam inferiores aos homens. Estes tinham direito de propriedade sobre esposas e filhos, podendo dispor de suas vidas como bem quisessem. O cristianismo, por sua vez, com sua noção de natureza humana, elevou o status da mulher à mesma dignidade do homem, considerando-a também “imagem e semelhança de Deus”, conforme ensinou São Paulo: “Não há mais judeu ou grego, escravo ou livre, homem ou mulher, pois todos vós sois um só, em Cristo Jesus” (Gl 3, 28). Essa novidade do cristianismo foi decisiva para o fenômeno das conversões entre as mulheres na Igreja primitiva.

O sociólogo Rodney Stark afirma taxativamente que “a mulher cristã desfrutava de segurança e igualdade conjugal bem maiores do que as de suas congêneres pagãs” [4]. E a razão disso, conforme avalia Stark, é que, com o advento da moral cristã, o feminicídio foi proibido e a castidade passou a valer também aos homens. Ademais, as viúvas cristãs tinham o privilégio de não precisar casar de novo, o que lhes permitia desfrutar livremente da herança de seus maridos. E se, por um lado, as moças romanas eram obrigadas a casar antes mesmo da puberdade, tendo o casamento consumado logo após a cerimônia, as mulheres cristãs, por outro, não só podiam se casar mais velhas como tinham o direito de escolher seus maridos.

A virgindade, nesse contexto, era tanto uma virtude como um grito de independência da mulher. As donzelas cristãs tiveram apoio da Igreja para escapar de casamentos forçados, impostos pelos pais, tendo muitas delas optado pelo martírio, como foi o caso de Santa Bárbara. E “negar a autoridade do pai de família, o único cidadão total, proprietário, chefe militar e sacerdote, no seu lar e na sua cidade era abalar o fundamento de toda uma sociedade”, explica a historiadora Régine Pernoud [5]. Por isso, o culto das santas mulheres foi algo bem notável no início do cristianismo, como consequência do “papel ativo que as mulheres tiveram no domínio da evangelização, numa época em que o Ocidente hesita entre paganismo, arianismo e fé cristã” [6].

Idade Média, apogeu da redenção feminina

Régine Pernoud, historiadora medievalista do século XX.

Mas se enganaria quem pensasse que essa redenção feminina, por assim dizer, foi algo particular da Igreja nascente. Na verdade, como Régine Pernoud afirma, “o apogeu corresponderia à idade feudal: do século X ao fim do século XIII”, período em que, segundo ela, “as mulheres exercem então, incontestavelmente, uma influência que não obtiveram nem as bonitas mulheres da Fronda do século XVII, nem as severas anarquistas do século XIX” [7]. De fato, Pernoud apresenta um conjunto de referências bem convincentes em seu livro A mulher no tempo das catedrais, leitura indispensável para quem acredita que a Igreja jamais concedeu “lugar de fala” às mulheres e lhes deve alguma desculpa por isso.

Exemplo contundente é o da santa religiosa Hildegarda de Bingen. Ela exerceu tal influência sobre o seu mundo que recebeu do próprio Papa Eugênio III a autorização para sair do claustro e pregar publicamente a vida mística e a doutrina cristã. Mosteiros masculinos e femininos acorriam a ela para pedir conselhos espirituais ou de outra natureza, dada a familiaridade da santa em assuntos de medicina, ciências naturais e inclusive música. O Papa Bento XVI, que a colocou no seleto rol dos Doutores da Igreja, disse que, em seus escritos, Hildegarda “manifesta a versatilidade de interesses e a vivacidade cultural dos mosteiros femininos da Idade Média, contrariamente aos preconceitos que ainda pesam sobre aquela época” [8].

Podemos aludir ainda a uma Santa Catarina de Sena — analfabeta, pobre, humilde, mas de grande sabedoria, a quem o Papa Gregório XI confiou missões diplomáticas num tempo de severa crise social e eclesiástica — ou à querela entre Henrique VIII e a Santa Sé  — quando esta se colocou ao lado de Catarina de Aragão, não do infeliz monarca —, como provas inconcussas de que a fé católica jamais teve qualquer inclinação misógina. O declínio social da mulher só aconteceu na modernidade, quando esta mesma Igreja foi posta de escanteio para dar lugar à revolução protestante, com a abolição do culto à Virgem Maria, e ao paganismo renascentista, com o culto ao corpo:

Tão-logo foi suprimida a autoridade da Igreja, a postura do marido em relação à mulher tendeu a retornar ao ideal pagão do mestre e do dono em lugar de um afetuoso amigo, companheiro e protetor. Evidências claras da triste deterioração do prestígio da mulher podem ser vistas na literatura inglesa dos séculos XVII e XVIII, quando os efeitos destrutivos do protestantismo na vida social já podiam ser percebidos plenamente. A estima e o respeito cortês pelas mulheres [...], reflexo da inigualável glória da Rainha do Céu, desapareceu da literatura inglesa [...]. A mulher voltou a ser valorizada apenas por seu sexo; e aquela que não exercia atração sexual (ou deixara de fazê-lo) muitas vezes era alvo de piadas grosseiras demasiado repulsivas à mentalidade verdadeiramente cristã [9].

O silêncio quase absoluto sobre esses fatos é simplesmente ideológico, porque nenhuma dessas mulheres católicas serve à causa dos “direitos reprodutivos”, por mais “empoderadas” que tenham sido. Para combater a “masculinidade tóxica”, elas não reivindicaram uma “feminilidade tóxica”, não condenaram o matrimônio, não queimaram sutiãs, não se despiram em cima dum palco, nem defenderam a legalização do aborto ou qualquer coisa do gênero. Pelo contrário, elas empunharam as armas da oração e da virtude, com as quais domesticaram os bárbaros, convertendo-os a Nosso Senhor. Não custa lembrar que, nas sagradas páginas do Evangelho, é a voz de Maria Santíssima que escutamos repetidas vezes, nunca a de São José. Mas nem a Mãe de Deus nem as demais santas mulheres têm “lugar de fala” dentro do feminismo.

Fundações empoderadas, não mulheres

Entretanto, as mulheres já começam a colher os frutos desse empoderamento artificial. Os homens podem continuar a tratá-las impudicamente, desde que elas consintam. E assim temos as “poderosas” canções de funk, sertanejo, pop etc., com letras do tipo que não ousamos citar aqui, ou os filmes feministas, que não temem explorar o fetiche masculino por lésbicas para conquistar uma boa bilheteria. Com tamanho estímulo, só poderia dar nisto: “Casos de feminicídio crescem 22% em 12 estados durante a pandemia” [10].

“Santa Catarina de Sena”, de Giovanni Battista Tiepolo.

É hora de as mulheres entenderem que a luta por “direitos reprodutivos” não é nada libertadora. Na mesma entrevista a Rebecca Sharpless, Frances Kissling dizia que sempre se perguntou o porquê de as fundações investirem tanto nos “direitos reprodutivos” e se elas continuariam a luta por esses direitos se ficasse provado que tal investimento não resulta num menor número de bebês. “Eu perguntei isto para um mundo de pessoas, e a maioria não quis responder a estas perguntas quando eu as fiz”. Kissling mesmo concluiu que seu trabalho servia apenas para empoderar as fundações, não as mulheres.

Desde o seu “lugar de fala”, Santa Catarina de Sena notava sabiamente que o mal da sociedade de seu tempo não era a Igreja ou a família, mas justamente a ausência de virtudes nos membros dessas instituições, que as rebaixavam e humilhavam com seus vícios e prevaricações. Uma coisa é a Igreja (ou a família) em si mesma, outra é quem dela abusa em benefício próprio. Por isso, não faltou à santa a bravura para dizer ao Papa, a quem considerava o “doce Cristo na terra”, estas palavras de encorajamento: “Seja homem”. Foi assim que Catarina, sempre piedosa, sempre contemplativa, pôs o clero e os demais homens de seu tempo no caminho da reta razão, levando o Papa Urbano VI a declarar: “Vede, meus irmãos, como nos tornamos desprezíveis aos olhos de Deus, deixando-nos tomar pelo medo. Esta pobre mulher nos envergonha” [11].

Para um texto que já vai longe demais, ainda teríamos exemplos mais recentes, como o de Madre Angélica, fundadora da TV católica EWTN, cujos protestos sobre a polêmica tradução inglesa do Catecismo foram acolhidos pelo então Cardeal Ratzinger, em oposição a muitos bispos; ou o de Madre Pasqualina Lehnert, que exerceu grande influência no Vaticano de Pio XII. A lista, no entanto, já é suficiente para desfazer qualquer desconfiança sobre as damas católicas. Diz um ditado antigo que, por detrás de todo grande homem, há sempre uma grande mulher. Oxalá não faltem mulheres com essa envergadura nos dias de hoje.

Referências

  1. Sobre a ordenação de mulheres, o Cardeal Ratzinger recorda em sua entrevista ao jornalista Peter Seewald, no livro O Sal da Terra, uma afirmação bastante simbólica da exegeta feminista Elizabeth Schussler: “A experiência feita com mulheres ordenadas na Igreja Anglicana levou-a a reconhecer: ordination is not a solution (‘a ordenação não é uma solução’), não é o que queríamos. E também explica por quê. Diz: ordination is subordination, portanto, a ordenação é subordinação — significa inserir-se numa ordem estabelecida e subordinar-se, e é exatamente o que não queremos” (Rio de Janeiro: Imago, 2005, p. 167).
  2. Judith Butler. Subjects of desire. Columbia University Press, 2012, p. 15.
  3. Cf. Papa Bento XVI, Discurso ao Parlamento Alemão, 22 set. 2011: “Também o homem possui uma natureza, que deve respeitar e não pode manipular como lhe apetece. O homem não é apenas uma liberdade que se cria por si própria. O homem não se cria a si mesmo. Ele é espírito e vontade, mas é também natureza, e a sua vontade é justa quando respeita a natureza e a escuta e quando se aceita a si mesmo por aquilo que é e que não se criou por si mesmo. Assim mesmo, e só assim, é que se realiza a verdadeira liberdade humana.”
  4. Rodney Stark. O crescimento do cristianismo: um sociólogo reconsidera a história. São Paulo: Paulinas, 2006, p. 120.
  5. Régine Pernoud. A mulher no tempo das catedrais. Lisboa: Gradiva, 1984, p. 22.
  6. Ibidem, p. 17.
  7. Ibidem, p. 8.
  8. Papa Bento XVI, Audiência Geral, 8 set. 2010.
  9. Rev. E. Cahill, S.J., The Framework of a Christian State, Roman Catholic Books, reimpressão de 1932, p. 432.
  10. O feminicídio é um crime injustificável e nenhum homem deveria se sentir estimulado a praticá-lo. Mas, numa cultura viciada, que está o tempo todo reforçando a imagem da mulher como objeto, seja por representações artísticas, seja por discursos midiáticos, homens machistas acabam tendo seus vícios ainda mais alimentados, o que muitas vezes acaba no extremo de um homicídio. A catequese cristã, por outro lado, insiste que os homens devem amar suas mulheres “como Cristo amou a Igreja”, ou seja, sacrificando-se por elas.
  11. Santa Catarina de Sena. O Diálogo. São Paulo: Paulus, 1984, p. 10.

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