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O primeiro genocídio moderno ocorreu na Revolução Francesa
História da Igreja

O primeiro genocídio moderno
ocorreu na Revolução Francesa

O primeiro genocídio moderno ocorreu na Revolução Francesa

O primeiro genocídio moderno ocorreu na França, em 1793. Foi levado a cabo por apóstolos do Iluminismo, modernos e progressistas, e teve por alvo camponeses católicos da região francesa da Vendeia. Conheça esta história, infelizmente desconhecida de muitos.

John ZmirakTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere13 de Julho de 2021Tempo de leitura: 7 minutos
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O dia 14 de julho, provavelmente, passa sem muita festa em sua casa, mas a data — celebração da Queda da Bastilha — marca o início da maior perseguição organizada contra os cristãos desde a época do imperador Diocleciano. Esse dia, começo da Revolução Francesa, também plantou as sementes das ideologias assassinas do socialismo e do nacionalismo que envenenariam os dois séculos seguintes, ceifando a vida de milhões de fiéis e outros civis inocentes. Nesse ínterim, os dois movimentos políticos acumularam um número expressivo de cadáveres. 

Em Death by Government [“Morte pelo Governo”, sem tradução para o português], o pesquisador R. J. Rummel afirmou que: 

durante os primeiros 88 anos deste século, quase 170 milhões de homens, mulheres e crianças foram baleados, espancados, torturados, esfaqueados, queimados, desnutridos, congelados, esmagados, forçados a trabalhar até a morte, enterrados vivos, afogados, enforcados, bombardeados ou mortos de inúmeros modos por governos que mataram cidadãos ou estrangeiros desarmados e indefesos.

Mas o primeiro genocídio moderno desse tipo ocorreu na França, com início em 1793. Foi levado a cabo por apóstolos do Iluminismo, modernos e progressistas, e teve por alvo camponeses piedosos da região da Vendeia, na França. Quando chegou ao fim, cerca de 300 mil pessoas haviam sido mortas pelos exércitos da República.

“Henri du Vergier na Batalha de Cholet, em 1793”, por Paul-Émile Boutigny.

Essa história é pouco debatida na França. Na verdade, um dedicado historiador que leciona numa universidade francesa me disse: “Não devemos mencionar a Vendeia. Qualquer um que fale sobre o que ocorreu lá não tem nenhuma perspectiva de carreira acadêmica. Portanto, ficamos em silêncio sobre o assunto”.

É sobretudo na própria região da Vendeia que as lembranças são preservadas, o que possivelmente explica por que essa parte da França até hoje é mais religiosa e conservadora do que qualquer outra do país. Em 1993, no 200.º aniversário dessas atrocidades, o governo local inaugurou um museu para lembrá-las — com direito a uma visita de Alexander Soljenítsin, que em seu eloquente discurso observou que o assassinato em massa de cristãos na Rússia foi diretamente inspirado pelo que ocorrera na Vendeia. Os bolcheviques, disse ele, se espelharam nos revolucionários franceses, e o próprio Lênin considerava os massacres da Vendeia o modo correto de lidar com a resistência cristã.

Foram fazendeiros comuns das regiões da Vendeia e da Bretanha que, em 1793, se insurgiram contra os radicais de classe média em Paris que controlavam o país. Os ideólogos da Revolução já haviam:

  • executado o rei e a rainha e deixado seu jovem filho morrer doente na prisão;
  • tomado a Catedral de Notre-Dame, removido seus símbolos cristãos e consagrado no altar uma prostituta como “Deusa da Razão”;
  • declarado uma “guerra de libertação” revolucionária contra a maioria dos outros países na Europa;
  • suspendido todas as celebrações protestantes, em honra ao culto estatal da Razão;
  • confiscado todas as propriedades eclesiásticas dos católicos, expulsando milhares de monges, sacerdotes e freiras, abandonados aos próprios cuidados; depois, venderam a propriedade aos seus amigos a fim de angariar fundos para suas guerras;
  • determinado que todo o clero jurasse lealdade ao governo, ao invés de à Igreja; e
  • implementado o primeiro alistamento militar universal da história, recrutando pessoas comuns — em sua maioria, camponeses piedosos, mas confusos por causa dos slogans que imperavam em Paris — para lutar pela Revolução. 

Quando os parisienses foram buscar os filhos dos vendeianos para levá-los ao exército, estes finalmente reagiram e lançaram uma contrarrevolução em nome de “Deus e do rei”. Ela se espalhou rapidamente pelo noroeste da França, restringindo a ação dos exércitos profissionais do governo, que combatia grupos destreinados de guerrilheiros, muitos deles armados apenas com mosquetes de caça.

O primeiro genocídio moderno. — Como escreveu Sophie Masson, descendente dos rebeldes que combateram na resistência vendeiana:

As atrocidades se multiplicaram, os extermínios eram sistemáticos; começaram do topo e eram executados com deleite na base. Ao menos 300 mil pessoas foram massacradas naquele período, e os intrusos que se negavam a fazer o serviço eram baleados ou completamente desacreditados. Mas, mesmo assim, o povo resistia. Ainda havia aqueles que se escondiam nas florestas e armavam emboscadas, que lutavam corajosamente como leões, mas eram abatidos como porcos quando capturados. Não havia misericórdia; todos os líderes eram fuzilados, decapitados ou enforcados. Muitos não podiam sequer descansar em paz: o corpo do último líder foi esquartejado e distribuído a cientistas; a cabeça dele foi conservada num pote, o cérebro foi examinado para verificar se a semente da rebelião se encontrava na mente de um selvagem...

“Ninguém deve ficar vivo”. “As mulheres são sulcos reprodutores que devem ser arados”. “Só devem restar lobos para vagar naquela região”. “Fogo, sangue e morte são necessários para preservar a liberdade”. “Seus instrumentos de fanatismo e superstição devem ser esmagados”. Essas foram algumas das palavras que a Convenção usou ao falar da Vendeia. Seus inofensivos cientistas sonharam com todos os tipos de novas ideias: o envenenamento dos suprimentos de farinha, álcool e água; a construção de um curtume em Angers, que se especializaria no tratamento de pele humana; a investigação de métodos para queimar pessoas em grandes fornos a fim de que a gordura dos corpos pudesse ser retirada com maior facilidade. Carrier, um dos generais republicanos, escarneceu essa pesquisa: esses métodos ‘modernos’ demorariam demais. Seria melhor usar métodos de massacre mais tradicionais: afogamento em massa de homens, mulheres e crianças (todos nus), muitas vezes amarrados juntos, de acordo com o que ele chamava de ‘matrimônios republicanos’; eles eram arremessados de barcos especialmente construídos, puxados até o meio do Loire e então eram afundados; perfuração em massa (com baionetas) de homens, mulheres e crianças; esmagamento das cabeças de bebês em paredes; massacre de prisioneiros com canhões; as torturas mais terríveis e hediondas; queima e pilhagem de vilas, cidades e igrejas. 

A perseguição só terminou de fato quando Napoleão chegou ao poder em 1799 — e precisava de paz na França para que pudesse iniciar suas guerras de conquista. Ele arranjou às pressas um acordo com o Papa, e a Vendeia se acalmou. 

Como a Revolução se tornou satânica. — Naturalmente, as coisas não deveriam sair dessa maneira. A Revolução começara com uma crise financeira e prometera acabar com uma monarquia absolutista, talvez junto com tropas britânicas. Luís XVI era um rei bondoso, ainda que não fosse muito competente. Ele havia retirado as prolongadas e vergonhosas penalidades legais que pesavam sobre os protestantes e judeus, impostas por seus ancestrais durante uma época de maior intolerância. Ele levou o reino à falência depois de financiar a Revolução Americana. (Por gratidão, o Congresso americano pendurou um retrato do monarca no Capitólio e deu o nome de Bourbon a um condado do sul. O uísque foi inventado lá.) Os legisladores franceses que se reuniram em 1789 pela primeira vez em mais de um século queriam, a princípio, reformar o governo, e não substituí-lo.

Algumas reformas eram realmente necessárias: como observaria Tocqueville, a centralização imposta por Luís XIV e por Luís XV havia abalado a vida política na França, concentrando nas mãos de tecnocratas o poder sobre as vidas de cidadãos quase integralmente em Paris. Como era esperado, arruinaram as coisas.

Diferentemente do reino irmão do outro lado do canal, a França não possuía um parlamento permanente e nenhuma lei comum que protegesse as pessoas de prisões arbitrárias; além disso, a economia era em grande medida dirigida pelo Estado, não por cidadãos livres. A Igreja na França, embora ainda estivesse em comunhão com Roma, era em grande parte controlada pelos reis, que nomeavam bispos e determinavam políticas. Na verdade, os reis de França, Espanha e Portugal se organizaram para obter a supressão dos jesuítas, cuja lealdade a Roma e rejeição do direito divino dos reis punha-os sob suspeita, e cuja defesa dos direitos dos índios atrapalhava o “progresso”.

O vácuo educacional criado pela destruição da Companhia de Jesus foi rápida e ironicamente preenchido pelos filósofos do Iluminismo. A primeira geração que cresceu sem a influência dos jesuítas atingiu a maioridade em 1789. Os abusos que viriam a marcar a Revolução — incluindo a execução em massa de sacerdotes e freiras — foram apoiados por intelectuais educados com os panfletos caluniadores de Diderot, repletos de mentiras pornográficas sobre as “vidas secretas” de monges e freiras.

Na verdade, há uma semelhança assustadora entre a literatura anticlerical que preparou o público para a pilhagem de mosteiros e as mentiras antissemitas espalhadas pelos nazistas. O eufemismo usado para descrever o roubo de propriedades eclesiásticas pelo Estado — “secularização” — encontrou eco, na década de 1930, no termo que o governo alemão usou para se referir ao roubo de propriedades dos judeus: “arianização”. Como os judeus são realmente um povo sacerdotal, não surpreende a existência de tais paralelos satânicos. Assim como os fascistas justificaram suas atrocidades ressaltando a proeminência dos judeus na economia e na imprensa, os esquerdistas ainda defendem a perseguição à Igreja destacando sua influência política. Eles não deveriam sair impunes por isso. Espero em vão pelo historiador que escreverá uma comparação completa entre antissemitismo e anticlericalismo.

Em 1989, ajudei a organizar a Missa fúnebre por todas as vítimas da Revolução. Convidamos o cônsul-geral francês, mas ele alegou que já tinha um compromisso. Na própria Vendeia, um amigo francês me contou que algumas pessoas ainda usam braçadeiras negras no feriado nacional e têm das três cores da Revolução a mesma opinião que os negros americanos têm da bandeira de batalha dos Confederados. 

Enquanto tememos pelo futuro da liberdade religiosa na América, lembremos aqueles que morreram pela liberdade e pela fé antes de nós. Deus não permita que tenhamos de seguir os passos deles.

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Duas crises, uma coisa necessária
Espiritualidade

Duas crises,
uma coisa necessária

Duas crises, uma coisa necessária

Em sua luta para proteger os índios, no filme “A Missão”, dois jesuítas recorrem a métodos bem diferentes. Um deles empunha uma espada, e o outro, um ostensório. Mas só este tem poder duradouro para nos levar à vitória — ainda que seja a vitória do martírio.

Dan BurkeTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere13 de Julho de 2021Tempo de leitura: 4 minutos
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Não há como negar que enfrentamos na Igreja uma crise de enormes proporções. É bem provável que nos assustemos com as manchetes diárias de escândalo, acusações, ocultações, mentiras, infidelidade aos votos e à doutrina e imoralidade na hierarquia da Igreja — coisas que a deixam vulnerável e desacreditada no exato momento em que o mundo mais precisa de sua liderança moral.

Se você suspeita que nosso inimigo está usando uma estratégia deliberada e zombeteiramente irônica, então você tem razão.

Mas existe também outra crise, talvez mais velada, mas igualmente perigosa. É a crise nas almas que amam sua Mãe, a Igreja, e enxergam um abismo cada vez mais profundo entre o que é a Igreja e o que ela deveria ser. Ao verem a amada Noiva ficar cada vez mais desfigurada por seus pecados internos, é compreensível que sintam a tentação de ceder à frustração, à ansiedade e até à indignação. 

Temos de fazer algo! Um lamento furioso surge de algum lugar no meio do caos. É um grito de guerra que chama a atenção e é assumido por muitos que se desesperam e desejam lutar por aquilo que amam. Mas há um problema fundamental: o lamento muitas vezes surge do lado errado do abismo. É o grito de batalha do demônio, habilmente disfarçado e malicioso. Ele fica satisfeito quando pegamos em armas — porque, em seguida, pode nos manipular por meio de nossas paixões e conseguir o controle de ambos os lados da guerra.

Não é um lamento novo, pelo menos não para aqueles entre nós que testemunhamos as repercussões do Concílio Vaticano II, quando centenas de milhares de religiosos, sacerdotes e leigos perderam a fé (e tantos outros os hábitos e colarinhos), e passaram a seguir uma Igreja pseudomilitante, baseada na ação e na “justiça social”. 

Na superfície das coisas, isso parece hoje uma guerra diferente, mas a ameaça daquela época é a mesma que enfrentamos agora. Para que a reforma e a renovação sejam autênticas, duradouras e vivificantes, devem estar firmemente enraizadas no chamado de Cristo, que nos convoca para o único necessário. Unum est necessarium, diz Ele, com a palavra viva que reverbera até hoje. É o lembrete de que a oração deve ser o principal e de que palmas unidas são mais fortes do que punhos erguidos ou braços entrelaçados.   

A verdade é que estar na presença dele — para adorar, pedir, ouvir e nos unirmos a Ele, e nos unir às angústias dele — é o principal meio para curar a Igreja, isto é, de dentro para fora, extraindo do Coração dele a graça que transforma aquilo que toca (a começar por nós) e nos leva a cooperar seriamente com a ressurreição de seu Corpo eclesiástico, orientando e animando nossa energia e sabedoria para uma reforma autêntica e duradoura. Temos de nos posicionar contra o erro? Temos de revelar a verdade e expor as mentiras? Sim, e com empenho. Mas temos de fazê-lo segundo os caminhos de Deus, e isso significa: de acordo com as ordens dele.  

Temos de ser Maria primeiro e depois Marta, a começar pela dedicação à escuta de Deus. É a partir das profundezas de sua presença, e só então, que começaremos a discernir os modos como Ele quer que atuemos em seu nome. Então, é claro, já não seremos nós a agir, mas Ele a agir por meio de nós. É Ele quem renova, restaura e ressuscita. Sem Ele, nenhuma dessas coisas é possível — e quaisquer vitórias aparentes são, na melhor das hipóteses, ilusórias ou temporárias.

Não há nada de “ordinário” na oração. Ela não é um recurso final ou uma bandeira branca. Não é um recuo. É o centro da batalha e o reino que deve ser conquistado primeiro — todas as outras fortalezas cairão quando recuperarmos o poder da oração e do jejum. Aqueles que rezam e conversam intimamente com Deus não podem fazer nada menos que agir, mas agem com a sabedoria e o poder dele, e esperam em paz os resultados dele, no tempo dele.

Aqueles que rezam são os primeiros a se erguerem preparados para uma batalha que, em última instância, não é contra “a carne o sangue”, mas contra “principados e potestades”. Os verdadeiros inimigos da Igreja não estão nas manchetes. São seres espirituais cujas estratégias sutis contrárias à Igreja — e a nós, em nossos pensamentos e emoções — podem ser conhecidas e superadas. Como? Temos de ser vigilantes e conscientes, e aprender a distinguir entre o bem e o mal por meio da oração. Podemos aprender isso. Devemos vencer a guerra.

Vêm-me à mente as arrebatadoras cenas finais do filme A Missão [1], nas quais dois homens, que consagraram suas vidas a Deus, ambos com intenções nobres, lutam para proteger os nativos de comerciantes portugueses de escravos e recorrem a métodos muito diferentes na batalha pela missão de San Carlos. Um deles empunha uma espada; o outro, um ostensório. Apenas um deles tem um poder duradouro. Apenas um deles nos levará à vitória — mesmo que seja a vitória do martírio.

Notas

  1. Sobre esta célebre produção de 1986, vale a pena destacar que há algumas cenas de nudez nela presentes e, embora a maior parte delas seja um retrato mais natural que erótico — pois as tribos indígenas, antes de ser evangelizadas, de fato se vestiam com pouquíssimas roupas —, nunca é demais agir com atenção, prudência, discernimento antes de assistir a um filme assim, especialmente quando se é pai ou educador, e há crianças e adolescentes por perto. Para entender um pouco com que tipo de cena é possível deparar neste filme, recomendamos que se confira, antes, a seção Parents Guide deste filme no site IMDb.

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Sete irmãos, sete mártires
Liturgia

Sete irmãos, sete mártires

Sete irmãos, sete mártires

Ter sete filhos é uma coisa “de outro mundo” para a nossa época. Mas não para a liturgia da Igreja, que até pouco tempo atrás celebrava, todos os anos, os Sete Irmãos Mártires de Roma e os Santos Macabeus do Antigo Testamento.

Peter KwasniewskiTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere8 de Julho de 2021Tempo de leitura: 4 minutos
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No calendário católico romano tradicional, o dia 10 de julho é a festa dos Sete Santos Irmãos, Mártires, e de Santas Rufina e Secunda, Virgens e Mártires. Os sete irmãos, filhos de Santa Felicidade [1], foram mortos em Roma e sepultados em quatro túmulos:

  • Alexandre, Vidal e Marçal, na Catacumba dos Jordanos, na Via Salária; 
  • São Januário, na Catacumba de Pretextato, na Via Ápia; 
  • Félix e Filipe, na Catacumba de Priscila, na Via Salária;
  • São Silvano, na Catacumba de Máximo, na Via Salária.

Aqui nós temos a versão cristã dos sete irmãos judeus dos Macabeus, cujo martírio também é celebrado pelo calendário tradicional em 1.º de agosto (com uma comemoração em São Pedro ad vincula [2]). Eles são os únicos santos do Velho Testamento presentes no calendário romano geral para a Missa.

Ambas as festas foram removidas pelos reformadores litúrgicos (entre os mais de 300 que foram retirados). Isso é lamentável por várias razões. Mencionarei apenas três. 

Primeiro, esses santos são celebrados desde tempos imemoriais, não só pela Igreja romana, mas também pela maior parte das igrejas orientais. Eles formam um vínculo com o culto da Igreja primitiva em sua catolicidade ininterrupta, a “Igreja indivisa” do primeiro milênio.

“Martírio dos Sete Macabeus”, por Antonio Ciseri.

Segundo, os irmãos judeus em particular nos lembram que a Igreja de Cristo, o Israel de Deus, existe desde o princípio do tempo, ainda que ela não estivesse completamente formada até a vinda de Cristo e o derramamento do Espírito Santo. Os israelitas piedosos já eram, como ensina claramente Santo Agostinho, membros da Igreja por antecipação, por sua fé na redenção futura de Israel e no Messias. Esse é um corretivo necessário à falsa ideia de que o Antigo e o Novo Testamentos pertencem a duas diferentes religiões: os judeus e os cristãos. Na verdade, a Bíblia como um todo pertence à Igreja porque ela inteira aponta para Cristo, como aquele que devia vir ou como aquele que já veio e há de vir de novo em sua glória.

Terceiro — e o mais importante para nossa época —, essas duas festas celebram famílias numerosas. Sete irmãos foram martirizados, mas eles provavelmente tinham irmãs também, que não são mencionadas nos registros. O novo calendário litúrgico, até onde sei, não celebra nenhuma família numerosa como grupo de santos.

Como um amigo me alertou, é preciso destacar, para fins de precisão, que há várias questões históricas sobre quem foram exatamente esses sete irmãos e se eles foram ou não irmãos de sangue e todos filhos de uma Felicidade. O chamado Sacramentário Leonino contém sete diferentes Missas para eles, das quais apenas uma diz, no Prefácio, que eles eram irmãos. O Sacramentário de Gellone (c. 780) os chama de irmãos no título de sua Missa, mas as orações dela, mais antigas (as mesmas que constam no Missal de São Pio V), não se referem a eles como tais, e Santa Felicidade sequer é mencionada. Eles foram mortos de diferentes maneiras e enterrados em lugares diversos, o que acrescenta uma camada mais de mistério [3]. Por outro lado, conforme o contra-argumento de outro amigo, a tradição de que eles eram irmãos remonta, aparentemente, ao século IV, dada uma inscrição descoberta em 1966 na Catacumba dos Jordanos: 

SEPTIMO EX NUMERO FRATRUM … / HIC VOLVIT SANCTUS MARTYR SUA CON(dere membra) / ATRI(a quod) CAELI SCIRET SIBI LONG(a parata), “Ao sétimo do número dos irmãos... / Aqui quis o santo mártir guardar os seus membros, / Como soubesse estarem os átrios largos do céu preparados para si”.

E São Gregório Magno não achava que estivesse fora de questão a consanguinidade dos mártires, apesar de eles terem sido sepultados separadamente.

“Martírio de Santa Felicidade e de seus sete filhos”, por Francesco Coghetti.

Em outras palavras, a história é bagunçada e nós não sabemos ao certo o que se passou. As coisas são assim quando lidamos com registros muito antigos: nós não esperamos ter todas as provas de que precisamos para obter certeza histórica. Mas o ceticismo não é a resposta correta para legendas dos santos que foram acolhidas e celebradas pela Igreja por tantos séculos. É útil contra o racionalismo moderno continuar fazendo o que a Igreja nos dá em sua tradição, mesmo que alguns estudiosos não fiquem satisfeitos com isso. Por mais importante que seja o trabalho desses intelectuais, não se pode permitir jamais que eles tenham a última palavra. Foi o que aconteceu na reforma litúrgica, e a completa desolação que a ela se seguiu assombrará a memória da Igreja até o fim dos tempos.

Obviamente, a finalidade das comemorações de sete irmãos, tanto no dia 10 de julho quanto no dia 1.º de agosto, é venerar esses mártires, exultar em sua vitória, implorar sua intercessão e imitar o seu exemplo — o tamanho da família é um tanto ou quanto acidental. Ainda assim, é uma realidade que se impõe às mentes dos católicos: eis aqui sete irmãos de sangue, que inevitavelmente farão os fiéis se acostumarem, de modo sutil, com a ideia de que é perfeitamente normal uma família com (pelo menos) sete filhos. Essa seria mais uma das formas através das quais a Missa Tridentina oferece uma antítese à propaganda moderna contra a família.

Uma última observação: o outro par de santos que se celebra no dia 10 de julho, Rufina e Secunda, são virgens mártires do século III cujas relíquias foram transladadas neste dia, no século XII. Sua legenda afirma que se tratava de irmãs de um senador romano, de nome Astério. Seus noivos, Armentário e Verino, eram cristãos, mas renunciaram à fé quando Valeriano começou suas perseguições. Também aqui: que modelos perfeitos para os jovens modernos de hoje, que podem se ver forçados a escolher entre a fidelidade e a apostasia!

Notas

  1. Esta Santa Felicidade não é a mesma mencionada no Cânon Romano juntamente com a irmã, Perpétua, e cuja memória se celebra no dia 6 de março. Trata-se de uma santa romana martirizada em data desconhecida. Está enterrada na Catacumba de Máximo. Seu nome já aparece no calendário das festas romanas do século V, e sua memória se celebra no dia 23 de novembro, junto com São Clemente (N.T.).
  2. As relíquias dos Santos Macabeus, honradas em Antioquia no tempo de São Jerônimo, foram transportadas no século VI para a Basílica de San Pietro in Vincoli, “São Pedro Acorrentado”, em Roma (N.T.).
  3. Segundo o antigo Martirológio Romano, “Januário, depois de açoitado com varas e maltratado no cárcere, correu flagelado com látegos chumbados; Félix e Filipe foram mortos a pauladas; Silvano morreu lançado num precipício; Alexandre, Vidal e Marçal foram decapitados” (N.T.). O novo Martirológio nada fala do modo como morreram os irmãos.

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Homossexualidade e liberdade autêntica
Doutrina

Homossexualidade
e liberdade autêntica

Homossexualidade e liberdade autêntica

Só a verdade sobre a sexualidade humana pode dar liberdade às pessoas homossexuais, depois que, pelo abuso de seu livre-arbítrio, elas se tornaram escravas de suas paixões. E todos nós clamamos por essa verdade, ainda que nem sempre tenhamos consciência disso.

Dr. Mark LoweryTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere8 de Julho de 2021Tempo de leitura: 22 minutos
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Por um lado, muitos modernos aderiram a uma visão autônoma da realidade: “Posso fazer o que quiser, contanto que isso não prejudique outras pessoas.” De acordo com esse tipo de relativismo, os atos homossexuais são perfeitamente legítimos quando realizados entre dois adultos que consentem em realizá-los. Numa completa reação a tal subjetivismo, muitas outras pessoas aderem a um moralismo que facilmente se torna perigoso, quando vilipendia e demoniza [1]. A distinção entre a condição homossexual e os atos homossexuais só é levada em conta como uma reflexão tardia. Esse ponto de vista, oposto ao da autonomia, poderia ser chamado de heteronomia, porque se entende que a lei de Deus deve ser imposta ao homem de forma extrínseca e um tanto arbitrária, com uma aparente falta de preocupação com a experiência real das pessoas envolvidas. 

O Papa João Paulo II, em sua Encíclica Veritatis Splendor (n. 41), distingue a perspectiva moral católica dessas duas posições errôneas. Ele chama a perspectiva católica de “teonomia participada”. Se na perspectiva da autonomia não há nenhuma lei, e se de acordo com a heteronomia a lei deve ser seguida porque Deus assim determinou, na teonomia participada a lei moral é algo favorável ao nosso ser, algo feito para a nossa verdadeira realização e para a nossa liberdade autêntica. A lei não é verdadeira porque Deus assim ordenou; ao contrário, Deus ordenou que seguíssemos a lei porque ela é verdadeira. Quando usamos o nosso livre-arbítrio para nos alinhar com essa verdade, possuímos a liberdade autêntica.

Qual é a implicação disso no debate sobre a homossexualidade? A verdade sobre a sexualidade humana é algo que, em última instância, confere ao homossexual a verdadeira liberdade, ajudando-o a escapar da escravidão de suas paixões, resultado do abuso de seu livre-arbítrio. É uma verdade que alcança com verdadeira compaixão a pessoa homossexual em seu desespero. Essa pessoa clama pela verdade, embora, talvez, não tenha consciência disso. Quando a resposta da nossa cultura é heterônoma e mal-intencionada, essa pessoa recua e se engana, conformando-se com uma visão de mundo que adota a autonomia. A Igreja e a sociedade devem oferecer a verdade, e fazê-lo da forma correta: apresentando o caminho da teonomia participada.

Um contexto pastoral: a teonomia participada

O Papa São João Paulo II.

Não basta começar com um bom argumento lógico, usando os dados da razão e da revelação. Tais argumentos ocuparão uma posição central na perspectiva católica geral, inclusive neste artigo, mas somente depois de estabelecermos fundamentos adequados por meio de uma abordagem pastoral solidária. Como disse Frank Sheed em algum lugar: “Ganhe a discussão, perca um convertido”. Temos de começar pela experiência existencial da pessoa humana [2]. A primeira maneira de fazer isso é ter cuidado com a terminologia. Jamais usemos a palavra “homossexual” como se ela definisse uma pessoa. Usemos antes a frase “pessoa com tendência homossexual” ou “pessoa homossexual” [3]. Sempre que usamos a palavra “pessoa” ressaltamos que estamos falando de alguém que possui uma dignidade inviolável. Algo ainda mais importante: jamais usemos a palavra “gay” para nos referir à pessoa homossexual. Ninguém é “gay”. Esta é uma palavra (infeliz) cujo uso foi imposto para nos referirmos àqueles que escolheram um determinado estilo de vida. Tal escolha implica um uso indevido da própria liberdade, o qual leva a pessoa a uma situação de desespero. Há caminhos para sair desse desespero — ninguém nasce “gay.

Uma abordagem pastoral reconhece que o “desespero” está precisamente no centro da experiência da pessoa homossexual. Muitas vezes, esse desespero está escondido nos clamores por libertação daqueles que, iludidos pelo movimento dos direitos dos homossexuais, “saíram do armário”. Frequentemente, ele é escondido pelas falsas alegações de que “ser gay é normal” e pelo ativismo político [4]. Poderíamos responder na mesma altura a esse atrevimento, mas é muito melhor trilhar o caminho certo e enxergar isso como um clamor por ajuda.

Gerard J. M. van den Aardweg mostrou por que a atração homossexual não é apenas uma variante da atração heterossexual. É um fenômeno de espécie diferente, acompanhado de sintomas de depressão, inveja e agitação [5]. Não há nenhuma evidência de que a homossexualidade tenha causa genética, embora possa haver uma predisposição genética para essa conduta. Como observou Christopher Wolfe: 

Se [a homossexualidade] realmente fosse genética, é quase certo que ela teria desaparecido, ou estaria ao menos em contínuo declínio. Os homossexuais se reproduzem em taxas muito menores do que a população em geral […]. Portanto, se fosse uma característica genética […], seria encontrada numa porcentagem cada vez menor da população [...]. Se a homossexualidade fosse genética, então em todos os casos de gêmeos idênticos em que um deles fosse homossexual o outro também o seria” [6]. 

Por outro lado, não é possível provar que a tendência homossexual seja causada pelo ambiente, mas todas as evidências apontam para essa direção [7].

Essas evidências são, afinal, notícias boas e libertadoras, pois com a ajuda adequada muitas pessoas podem corrigir sua inclinação de modo pleno ou parcial. Um ótimo livro de van den Aardweg, A batalha pela normalidade sexual, apresenta um método de “autoajuda”, e uma organização chamada NARTH (National Association for Reparative Therapy for Homosexual Persons — Associação Nacional para Terapia Reparadora para Pessoas Homossexuais) tem o compromisso de ajudar indivíduos a encontrar auxílio profissional.

Há um bom número de teorias sobre causas ambientais, teorias que foram confirmadas na prática clínica. Todas essas teorias possuem pontos de vista ligeiramente diferentes, mas também têm muitas coisas em comum e são de muitos modos compatíveis entre si [8]. Basicamente, a homossexualidade parece resultar de uma fragmentação na relação filho/pai/mãe, e a mais profunda necessidade da pessoa homossexual é reparar essa fragmentação. Como observa Joseph Nicolosi: 

Quando reconhecemos as verdadeiras necessidades que estão por trás dos nossos comportamentos indesejados, ganhamos uma nova compreensão […]. O impulso reparador — a tentativa inconsciente de ‘reparar’ a incompletude masculina — é a mais profunda transformação […]. O cliente compreende o seguinte: ‘Na verdade, não quero ter relações sexuais com um homem. Ao contrário, o que realmente desejo é curar minha identidade masculina’ [9]. 

Quero participar de modo mais pleno da natureza carregada de sentido que me foi dada, mas que, infelizmente, foi distorcida. Em outras palavras: teonomia participada.

No entanto, a terapia reparadora não deveria de modo algum ser apresentada à pessoa homossexual como uma exigência. É uma opção. O que se exige dela é um nobre esforço para viver de forma casta. O Pe. John Harvey fundou o apostolado Courage, uma ampla rede de grupos de apoio precisamente para ajudar as pessoas nesta tarefa. É importante compreender que todos temos dificuldades na vida e precisamos uns dos outros para lidar com elas. Podemos fazer uma distinção básica entre a matéria-prima que cada um de nós leva para a vida moral, e a vida moral em si na qual fazemos escolhas boas ou ruins. Todos nós somos desordenados em algum aspecto e em algum grau em nossa “matéria-prima” — às vezes, em termos psicológicos, físicos ou espirituais [10]. Estas desordens são objetivas, e uma delas é a inclinação homossexual [11].

É conveniente fazer decisões prudentes sobre a reparação de nossas matérias-primas danificadas, seja por meio de terapia ou de intervenção médica. Mas todos nós temos consciência de que não podemos projetar por meio da psicoterapia e da medicina uma matéria-prima perfeita. Isso é uma ilusão utópica. Fazemos bem em meditar sobre a gratidão que São Paulo tinha a Deus por ter recebido dele um “espinho na carne” que o levava a se recordar constantemente de que dependia plenamente de Deus. Portanto, podemos pegar as nossas matérias-primas danificadas, tomar decisões prudentes sobre quais delas devemos corrigir e viver com as outras.

Em certo sentido, essa perspectiva coloca todo o mundo em pé de igualdade. A pessoa homossexual não possui uma desordem que a põe numa categoria separada de outros seres humanos frágeis e finitos [12]. Todos nós temos nossas respectivas cruzes que carregar — todos sofremos com uma desordem primordial da concupiscência — e todos temos a capacidade de cumprir nossas obrigações, particularmente com a graça de Cristo [13]. “Deve-se evitar a todo custo o pressuposto infundado e aviltante segundo o qual o comportamento sexual das pessoas homossexuais é sempre e totalmente compulsivo e, portanto, irrepreensível” [14].

Dito de outro modo, somos realmente livres. Não se trata de um simulacro de liberdade nem de uma liberdade “de brinquedo”, mas de algo genuíno. Um simulacro de liberdade nos daria o sentimento agradável de que realmente fazemos escolhas livres (por exemplo, sobre o que comer e vestir), mas, quando algo realmente desafiador está em jogo, não somos realmente livres. Não poderíamos ser verdadeiramente responsáveis por nossas ações, já que a complexidade da vida torna impossível tal responsabilidade. 

Do ponto de vista oposto, quando deparamos com um grande desafio, o grande dom da liberdade clama para ser usado, e de forma adequada. Nossa dignidade humana vem do uso correto de nossa liberdade (liberdade autêntica), particularmente no meio dos desafios mais alarmantes de nossas vidas. Devemos enfrentar esses desafios com a matéria-prima danificada de nossas vidas — e a homossexualidade é um exemplo disso. Mas, independentemente do desafio, encontramos a nossa verdadeira dignidade quando o encaramos justamente em meio àquele nobre esforço para alinhar nossas vidas à lei natural e à revelação de Deus. 

A próxima seção deste artigo lida respectivamente com essas duas fontes da verdade. Segundo a perspectiva personalista da teonomia participada (esboçada acima), ambas são eminentemente razoáveis e sensatas — amigáveis com o nosso ser. Fora dessa perspectiva, os argumentos que seguem parecerão imposições extrínsecas e heterônomas que destroem a singularidade do indivíduo. Nesta perspectiva personalista, esses argumentos podem exercer um papel integral tanto na terapia reparadora como numa vida casta.

A lei natural

Nos debates contemporâneos sobre a homossexualidade, muitos ficam tentados a começar com um apelo à revelação divina, entendida quer numa perspectiva católica, quer protestante. Mas se começarmos por esta perspectiva, seremos justamente criticados por “impor a nossa religião aos outros”, o que é reprovado numa ordem política como a nossa, que aprecia a liberdade religiosa. Somos livres para praticar qualquer religião ou nenhuma religião, mas não podemos violar a lei natural, a lei moral conatural a nós e acessível à razão, ou seja, nós participamos dessa verdade natural de forma intuitiva, e isso faz todo o sentido [15].

Uma das marcas da tradição católica é o fato de ela apreciar argumentos que operam apenas no nível da razão. O princípio importante em jogo aqui, articulado da melhor maneira possível por Santo Tomás de Aquino, é o seguinte: a graça não destrói nossa natureza, mas a pressupõe e aperfeiçoa. A revelação, portanto, reafirma o argumento natural e acrescenta novas informações a ele. Esses dados adicionais, derivados das fontes gêmeas da revelação (Tradição e Sagrada Escritura), são impressionantes e enriquecedores, além de fornecerem aos cristãos o argumento integral para a doutrina contra os atos homossexuais. Mas, mesmo sem esses dados, um bom argumento pode ser elaborado com base na lei natural.

Muitas pessoas alegam que “não podemos legislar sobre moralidade”. Um adesivo de carro diz: “Tire suas leis do meu corpo”. Porém, os documentos de fundação da nossa nação [N.T.: os Estados Unidos] recorrem à lei natural como fundamento da nossa ordem política (“natureza e Deus da natureza”; “Afirmamos que estas verdades são autoevidentes…”). Desejamos muita diversidade nos EUA, mas uma unidade fundamental a partir dos princípios da lei natural. A frase In God we trust, “Confiamos em Deus”, não é uma imposição da religião a ninguém, mas uma recordação de que Deus nos deu uma natureza e a lei natural para que ela floresça. Todas as leis civis boas são baseadas na lei natural. As leis más são baseadas num sistema moral diferente, como o relativismo ou o utilitarismo. De qualquer modo, legislamos sobre moralidade; a única questão é sobre qual moralidade devemos legislar. A nova lei que permite as “uniões civis” em Vermont não é neutra [16]. Ela legisla com base em um código moral muito específico: o relativismo absoluto.

Qual é exatamente o argumento contrário ao comportamento homossexual baseado na lei natural? Devemos ter em mente vários pontos. Primeiro, temos de enfatizar que a lei natural está, em certo sentido, dentro de nós. Não é uma imposição extrínseca. Ao contrário, é uma verdade colocada em nosso ser pelo Criador, permitindo que participemos do sábio plano do Criador — portanto, “teonomia participada”. Segundo, não deveríamos pensar que a lei natural seja idêntica às leis biológicas. O termo “natureza” na expressão lei natural se refere à nossa natureza humana. As leis da nossa natureza biológica são muito relevantes para a compreensão da lei natural, mas não são a soma total dela. Se o fossem, seríamos reduzidos a animais que devem seguir seus instintos biológicos. Em vez disso, a lei natural usa as leis biológicas, mas as personaliza na medida em que enxerga o profundo sentido pessoal que está escondido em nossa biologia. A Encíclica Veritatis Splendor fala de sinais antecipatórios e indícios racionais em nossa biologia [17]. Como pessoas, somos capazes de “minar” esse profundo sentido pessoal inerente ao corpo. Os animais não podem fazer isso, e esta é uma das razões pelas quais podemos praticar eutanásia neles — eles não podem descobrir o profundo sentido espiritual que reside em seu “relógio biológico” e se alinhar livremente por conta própria. As pessoas humanas podem fazer isso. Descobrimos a nossa dignidade quando fazemos isso. Por isso o slogan “morrer com dignidade” é tão inapropriado.

É igualmente inapropriado para a pessoa homossexual “fazer o que quer com seu corpo”. O corpo fala uma linguagem que devemos escutar: ou vivemos segundo a verdade ou segundo a mentira. As faculdades reprodutivas humanas não são feitas para atos homossexuais, e tais atos provocam doenças graves. Isso nos dá um grande indício [18], escrito em nossa natureza biológica, de que há um profundo sentido em nossa heterossexualidade biológica. O sentido pessoal está atado ao fato biológico — uma visão integral da pessoa, e não uma visão fragmentada. Segundo a visão integral, a pessoa é uma união entre corpo e espírito; de acordo com a visão fragmentada, a pessoa está contra o corpo, que representa a matéria-prima que pode ser manipulada de acordo com os preceitos do indivíduo. Ainda segundo esta visão, posso tratar o corpo como quiser, pois ele não tem nenhum sentido transcendente.

Nossas faculdades reprodutivas possuem sentidos pessoais e transcendentes idênticos. Sua linguagem nos transmite a seguinte mensagem: se quisermos viver de acordo com a nossa dignidade, devemos usar essas faculdades para expressar um amor permanente (sentido unitivo) e gerar filhos (sentido procriativo) — em suma, união carnal e bebês. Os atos homossexuais separam o elo importantíssimo entre os sentidos unitivo e procriativo. É justamente por causa desse elo que contracepção, adultério e fornicação, bem como novas técnicas de reprodução (tais como barriga de aluguel e inseminação artificial) também violam a lei natural

Analisemos o sentido unitivo. Quando deixamos de lado a permanência, tratamos o outro como descartável, não como insubstituível. Somente uma união permanente e exclusiva condiz com a dignidade de cada cônjuge ou é proporcional a ela. Uma união permanente e exclusiva afirma corajosamente que o outro não é um objeto que possa ser substituído, mas uma pessoa de dignidade inviolável. Quando um casal estabelece o compromisso do matrimônio, os cônjuges dizem um ao outro (o ato conjugal de cada um diz ao outro): “Você é insubstituível” e “Eu me doarei completamente só a você”. Divórcio, adultério ou poligamia, portanto, são afirmações de que o parceiro não é de modo algum insubstituível. Quando isso é dito, a dignidade inviolável do outro é violada.

Por que duas pessoas homossexuais comprometidas não podem ter essa permanência? Pensemos no seguinte: por que no casamento heterossexual as violações da permanência são a exceção e não a regra, enquanto nas uniões homossexuais essas violações são a regra e não a exceção? Isso não significa que as relações heterossexuais sejam imunes a esse tipo de fragmentação; várias pessoas heterossexuais levam vidas tão promíscuas quanto as vidas de pessoas homossexuais. Mas quando pessoas heterossexuais fragmentam o aspecto unitivo, ferem simultaneamente o elemento procriativo, usando a contracepção (ou ao menos agindo com uma mentalidade contraceptiva) ou recorrendo ao aborto. É melhor que elas digam: “Não deveríamos ter filhos juntos; portanto, não deveríamos ter relações sexuais”. Permanência e procriação estão unidas, heterossexualmente.

Por natureza, os atos homossexuais ferem a dimensão reprodutiva. (Repare que o argumento da lei natural apresentado aqui é tão crítico em relação à contracepção como em relação à homossexualidade.) Nos dois casos, o ato conjugal é transformado numa espécie diferente de ato; as faculdades reprodutivas são usadas de modo contrário a seus fins naturais de união e procriação, que estão inextricavelmente conectados. Em suma, a permanência é impulsionada pela procriação. Quando os filhos são descartados, a união dos dois faz com que se voltem para si mesmos, e não para uma abertura exterior. As relações homossexuais não têm o traço da permanência porque está ausente essa razão ou finalidade específica. É verdade que a permanência é um valor em si, mas é um valor ligado à procriação.

Os casais que têm problema com infertilidade têm clara consciência do quanto a dimensão reprodutiva é inerente ao seu próprio compromisso. São profundamente honestos ao escutar a linguagem do corpo e responder a ela e, portanto, são testemunhas corajosas dessa linguagem. Escutem esses casais: eles nos dizem que a união profunda e permanente, valiosa em si, está vinculada aos filhos. Algum fator externo que está além do controle deles impede que tenham filhos. Mas sua união permanente é uma espécie de união reprodutiva, seus atos conjugais são reprodutivos. (Neste sentido, sua prole é o próprio ato sexual.) Eles poderiam recorrer a novas técnicas de reprodução; mas, neste caso, também escutam a linguagem do corpo e a afirmam. Profundamente unitivo, o ato conjugal é um ato reprodutivo, e o dom do filho está profundamente ligado com o dom de si encarnado naquele ato conjugal, e não meramente copulatório. Casais inférteis podem nos chocar por causa da nossa complacência, da nossa tendência a considerar o filho um direito. Eles conhecem mais do que ninguém aquilo que tendemos a perceber vagamente: que a criança é um dom. É assim que Deus age por meio da natureza humana, que por si só é um dom do Criador — portanto, afirmamos que a natureza corpórea fala conosco por meio de uma linguagem transcendente. O casal infértil vê esse dom de modo ainda mais claro por meio das lentes do seu sofrimento e, portanto, proclamam com mais firmeza do que outras pessoas a verdade da teonomia participada. Da mesma forma, a pessoa homossexual pode proclamar com profundidade a teonomia participada: a amizade marital é um grande dom, não um direito. A natureza caída — a raiz de todas as desordens — é considerada uma espécie de felix culpa; as distorções resultantes dela nos tornam mais conscientes do que nunca a respeito do dom da natureza. Nossa natureza caída nos faz um alerta e nos direciona para a teonomia participada. É a voz de Deus que fala por meio da natureza, uma voz que corresponde profundamente à nossa dignidade pessoal.

Dados da revelação divina

Até aqui nos concentramos nos sentidos naturais e transcendentes presentes no corpo, particularmente nas faculdades reprodutivas. A revelação — Sagrada Escritura e Tradição interpretadas pelo Magistério — nos faz avançar um passo ao colocar a relação homem/mulher num contexto litúrgico. Uma relação heterossexual propriamente ordenada é um evento litúrgico porque é um reflexo — um sacramento — da aliança entre Deus e a humanidade, entre Cristo e a Igreja. Muitos textos bíblicos apontam para essa imagem (cf. Oséias; Is 62, 4-5; Jr 7, 34; 31, 31; Sl 88, 26; Mt 9, 15; Jo 3; Ef 5, 32; Apo 21, 2). A união dos esposos é uma imagem da união permanente e exclusiva de Deus com o seu povo, e a procriação dos esposos é uma imagem da generosidade de Deus, particularmente da efusão de sua vida trinitária em nosso ser (graça). Em suma, o corpo fala a linguagem da aliança. Já que a aliança entre Deus e o homem culmina na obra redentora de Cristo, feita presente de modo sacramental na Eucaristia, há uma íntima reciprocidade entre matrimônio e Eucaristia. A Eucaristia é marital (Deus desposa seu povo), e o matrimônio é eucarístico (um sacramento da aliança). A linguagem do corpo não é apenas natural, é também sacramental.

Gravura representando a destruição de Sodoma.

A razão pela qual encontramos na Bíblia (cf. Gn 3; 19, 1-11; Lv 18, 22 e 20, 13; 1Cor 6, 9; Rm 1, 18-32; 1Tm 1, 10) e em toda a tradição católica (onde essa doutrina é ensinada de modo infalível por meio do magistério episcopal ordinário e universal) uma doutrina consistente sobre a homossexualidade é o sentido sacramental profundamente pessoal do corpo. Mas de novo: os atos homossexuais não são errados por causa desse padrão de ensino consistente; ao contrário, esse padrão é consistente porque os atos homossexuais não condizem com a nossa natureza. Nosso próprio ser participa do plano amoroso de Deus, e sua lei, em vez de ser inconstante e heterônoma, reflete esse plano. A tradição judaico-cristã deve ser articulada por meio da lente da teonomia participada. 

É neste contexto que os argumentos de John Boswell e outros são respondidos de forma mais adequada. Eles argumentam que não existe na Bíblia condenação ética dos atos homossexuais. Ao contrário, as condenações devem ser vistas à luz da impureza ritual — a homossexualidade é condenada porque recorre a práticas rituais como as que existiam nas religiões cananeias e depois foram imitadas em Israel. A melhor maneira de responder ao argumento de Boswell é conceder momentaneamente que as proibições do Antigo Testamento se refiram a práticas de culto idolátrico, que os atos homossexuais são errados por serem usados liturgicamente num falso culto a falsos deuses e deusas. É exatamente este o ponto — os atos homossexuais são, em certo sentido, atos “litúrgicos” em si, reflexos inextricáveis de idolatria. Esses atos são errados precisamente por serem “sacramentos invertidos”. Assim como a conduta ética num casamento ordenado reflete a aliança estabelecida, do mesmo modo a conduta antiética da homossexualidade é uma falsa imagem da aliança, ou algo que reflete uma compreensão distorcida da relação do homem com Deus. A razão pela qual práticas sexuais são usadas de forma ritual (sacramental) é precisamente porque aquela atividade ética ordenada ou desordenada é, ela mesma, uma imagem do verdadeiro ou do falso relacionamento entre o homem e Deus. Portanto, em resposta a Boswell podemos dizer que o Antigo Testamento não condena o uso ritual da homossexualidade, enquanto deixa de lado outros usos. A sexualidade fala uma linguagem “litúrgica” e, portanto, condenar o uso ritual dos atos homossexuais equivale a condenar os atos homossexuais em si. Acima de tudo, a condenação não é um fim heterônomo em si; ao longo do itinerário da teonomia participada, ela nos conduz ao fruto sacramental/litúrgico pleno: o respeito à linguagem natural do corpo.

A dimensão social/legal

O movimento pelos direitos dos homossexuais faz o seguinte questionamento: “Por que vocês simplesmente não nos deixam fazer o que quisermos, já que somos adultos e agimos de forma voluntária?” Qualquer crítica à homossexualidade é considerada uma discriminação injusta. Subitamente, passamos a cometer um crime tão abominável quanto o racismo ou o sexismo. A resposta a essa objeção deve ser feita a partir da estrutura da teonomia participada.

Aparentemente, estamos falando de uma atividade escolhida livremente por adultos que agem de forma voluntária, mas este é apenas um dos lados da história. Alguém que sucumbe a uma atividade contrária à lei natural, em certo sentido, não deseja realmente fazer isso e, portanto, realiza essa ação “involuntariamente”, para usar essa palavra em seu sentido mais profundo. Naturalmente, essa pessoa é dotada de livre-arbítrio, e seu ato será voluntário na medida em que resulta desse arbítrio. Porém, ela está usando seu livre-arbítrio incorretamente, sem que esteja de acordo com sua natureza. Esse uso incorreto está no contexto de sua desordem — daí o senso de desespero. Ela acha que deseja agir contra a natureza, mas não precisa fazer isso; isso não atende ao seu melhor interesse como pessoa, nem pode torná-lo verdadeiramente livre. Por isso dizemos aos nossos amigos: “Na verdade, você não quer fazer isso” no momento mesmo em que estão fazendo algo “voluntariamente” contra sua natureza. A teonomia participada destrói a ilusão pela qual dizemos a nós mesmos: “Adultos que agem de forma voluntária podem fazer o que quiser, desde que a ação seja voluntária e não prejudique mais ninguém”. Isso não é verdadeira liberdade, e é algo profundamente nocivo.

As recompensas que a sociedade oferece aos casais devem ser vistas dessa perspectiva. Como diz Michael Pakaluk: “A amizade do matrimônio resulta em filhos, cuja criação é difícil; como a sociedade se beneficia bastante quando os filhos são bem educados, ela faz uma distinção entre a amizade do matrimônio e outras amizades, a fim de dar a ela um reconhecimento especial e de premiá-la como benefícios peculiares” [19]. Se a sociedade tivesse de conceder benefícios semelhantes a pessoas homossexuais, então teria de dar os mesmos benefícios a quaisquer grupos de amigos que tanto os desejassem! Em vez disso, a sociedade tenta proteger aquilo que corresponde ao melhor interesse de todos.

A concessão de um conjunto especial de direitos às pessoas homossexuais seria algo contrário a esses interesses reais. Os crimes que violam os direitos legítimos das pessoas homossexuais são intoleráveis. “Mas a reação adequada aos crimes cometidos contra pessoas homossexuais não deveria ser a alegação de que a condição homossexual não é desordenada. Quando tal afirmação é feita e, consequentemente, quando a atividade homossexual é tolerada, ou quando são implementadas leis civis para proteger um comportamento ao qual ninguém possui qualquer direito imaginável, nem a Igreja nem a sociedade como um todo deveriam se surpreender quando outras ideias e práticas distorcidas ganham terreno e tempestades irracionais aumentam” [20].

Como diz o ditado: ninguém tem o direito de fazer o que é errado. “O que é errado” é aquilo que é hostil à nossa natureza, aquilo que interrompe a nossa plena participação na natureza carregada de sentido, que nos foi dada por sermos pessoas humanas encarnadas. A pessoa homossexual pode inicialmente sentir repulsa pela perspectiva apresentada aqui, mas isso acontece porque ela confunde facilmente a natureza humana com aquilo que lhe “parece natural” ou “surge naturalmente” — neste caso, o poderoso desejo de ter relações sexuais com alguém do mesmo sexo. Ela está apenas seguindo a tendência ditada pela cultura secular, que a bombardeou desde a adolescência com a visão de que a realização humana está relacionada a qualquer forma de “satisfação” sexual que “surja naturalmente”. Ela usa seu livre-arbítrio de forma equivocada ao seguir aquilo que “surge naturalmente” e assim é escravizada. O caminho para sair desse desespero em direção à liberdade autêntica é a participação no plano cuidadoso que Deus inseriu na natureza dela, e essa participação só se tornou possível por causa da graça radiante de Cristo, que “libertou a nossa liberdade do domínio da concupiscência” [21].

Notas

  1. Aqui, no original, o autor exemplifica essa postura com a frase: “‘A homossexualidade é um erro porque Deus disse’ (e nada além disso)”. Com isso, o autor quer dizer que “a livre obediência do homem à lei de Deus implica, de fato, a participação da razão e da vontade humana na sabedoria e providência de Deus” (Veritatis Splendor, 41). Ou seja, Deus não é um tirano que, do alto do céu, ordena certas coisas e condena outras “porque sim”. Mas isso nem de longe tira o mérito de quem, mesmo sem entender a fundo o porquê dos Mandamentos, humildemente crê no que Deus revelou acerca da homossexualidade. Afinal, o ato de fé não se deve, em primeiro lugar, “à verdade intrínseca das coisas”, como explica a Constituição Dei Filius, do Concílio Vaticano I, mas à “autoridade do próprio Deus, autor da Revelação, que não pode enganar-se nem enganar”. Ele sempre revela o que é a verdade para o nosso bem. Justamente por isso, e para não confundir as pessoas nessa matéria, preferimos omitir a sentença em questão (N.T.).
  2. A estratégia é análoga à da organização pró-vida CareNet. A pesquisa realizada por ela descobriu que os excelentes argumentos apresentados pela causa pró-vida em defesa da personalidade do feto humano não respondiam à situação existencial de muitas mulheres que pensavam em abortar e que viam o nascituro, apesar de sua personalidade, como uma ameaça às suas vidas.
  3. Essa é a sugestão do Pe. John Harvey, um verdadeiro herói moderno quando se trata do cuidado com pessoas homossexuais. Seu livro mais recente é The Truth About Homosexuality: The Cry of the Faithful. San Francisco, Ignatius Press, 1996 (N.A.). No texto, traduzimos a expressão inglesa orientation ora como “tendência”, ora como “inclinação”, dando preferência aos termos que a própria Igreja emprega em seus documentos oficiais (N.T.).
  4. Em 1973, a Associação Americana de Psiquiatria revogou sua classificação da homossexualidade como desordem, após ter sofrido pressão do grupo National Gay Task Force. Ver Elizabeth Moberly, “Homosexuality and Hope”, First Things 71, março 1997, 30-33, 30.
  5. William Main, “Gay But Unhappy”, Crisis, março 1990, 32–37, 36. Este é um excelente resumo dos insights de van den Aardweg. Seu livro mais acessível aos leigos é Homosexuality and Hope. Ann Arbor, Servant Books.
  6. World, May 20, 2000, 51-54. Ver a obra de Jeffrey Satinover, Homosexuality and the Politics of Truth. Grand Rapids, Baker, 1996, particularmente o capítulo 5 sobre gêmeos.
  7. Jeffrey Satinover, “The Biology of Homosexuality: Science or Politics?”, em: Christopher Wolfe, ed., Homosexuality and American Public Life. Dallas, Spence, 1999, 3–61.
  8. Ver Fr. John Harvey, The Truth About Homosexuality, capítulo 4, para um excelente panorama sobre os muitos praticantes.
  9. “The Cause and Treatment of Homosexuality”, Catholic World Report (julho, 1997), 51–52.
  10. Ver o excelente capítulo de Mero Cristianismo, de C. S. Lewis, intitulado “Moral e Psicanálise”.
  11. Congregação para a Doutrina da Fé, Sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais, n. 11 (daqui em diante, AP).
  12. Esta compreensão pode exercer um papel importante na própria terapia reparadora, como um antídoto central para o senso de “autopiedade que se torna neuroticamente habitual”, que alguns supõem ser uma das causas centrais dessa desordem. Ver Main, “Gay But Unhappy”.
  13. AP, n. 11.
  14. AP, n. 11.
  15. O autor não aborda aqui, por não ser o escopo do artigo, a intrincada questão da liberdade religiosa. De todo modo, como lembra a própria Declaração Dignitatis Humanae, do Concílio Vaticano II, “todos os homens têm o dever de buscar a verdade, sobretudo no que diz respeito a Deus e à sua Igreja e, uma vez conhecida, de a abraçar e guardar” (n. 1) (N.T.).
  16. Vermont é um estado norte-americano. O autor fala, evidentemente, a partir de sua própria realidade, mas no Brasil as coisas não estão muito diferentes. Com a diferença que, aqui, em vez de leis propriamente ditas, foi o ativismo judicial do STF que permitiu a celebração civil da união de pessoas do mesmo sexo (N.T.).
  17. Ver Veritatis Splendor, nn. 47–53, a resposta do Papa aos teólogos que alegam que a doutrina católica sobre a moral sexual sucumbe a um biologismo bruto pelo qual as leis morais seriam automaticamente urdidas a partir de simples leis biológicas. O centro da doutrina moral católica não deduz de modo falacioso um “dever” moral a partir de um único fato biológico. 
  18. Como diz Richard John Neuhaus (“Love, No Matter What” em: Wolfe, Homosexuality, p. 245), a maioria das pessoas sente repulsa, de um modo intuitivo e pré-articulado, pelo que “fazem os homossexuais”. O mesmo acontece com muitos dos que estão entre os 2% da população que têm inclinação homossexual. (Os 10% mencionados pelo antigo Relatório Kinsey eram falaciosos.)
  19. “The Price of Same-Sex Union”, Catholic World Report, julho 1997, 49. Ver também Family, Marriage and “De Facto” Unions, Pontifício Conselho para a Família, 2000.
  20. AP, n. 10.
  21. VS, n. 103.

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